domingo, 23 de abril de 2017

Um homem de saia no Acre

Estava apressado quando avistei o casal saindo do Mercado Elias Mansour, às 6h51 deste domingo. Deu vontade de segui-lo para relatar o impacto que o homem causa ao transitar de saia pelas ruas de Rio Branco. Rapidamente, presenciei cutucadas, olhares de perplexidade e desaprovação, além de piadas e gargalhadas. Mas o homem ousado seguiu impassível no seu caminho. Estava realmente apressado, tanto que só depois, ao rever a foto, com ajuda de amigos, constatei que o homem, por causa da barba e do violão, é o músico acreano Diogo Soares, da banda Los Porongas.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Indígena Maria Gilda Yawanawá conta os desafios superados para se tornar médica



Maria Gilda Yawanawa, 28, conta os desafios que superou com apoio de sua família muito humilde para cursar medicina em Cuba. Com diploma revalidado pelo Conselho Regional de Medicina, a médica trabalha na UPA do conjunto habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, faz residência em infectologia e sonha “voltar para aquele lindo lugar”, a Terra Indígena Rio Gregório, habitada pela etnia yawanawá. As etnias huni-kuin (kaxinawá) e yawanawá já conseguiram formar quatro médicos - duas mulheres e dois homens, todos atuando no Acre, Amazonas e Pará. Um quinto indígena, da etnia kaxinawá, está no último ano na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Compartilhemos a conquista desses indígenas, fato inimaginável há 20 ou 30 anos.

domingo, 9 de abril de 2017

Maria Gilda Yawanawa

Já entrevistei tanta gente rica, famosa e poderosa, mas poucas vezes com a emoção que senti neste domingo (9) ao entrevistar a médica Maria Gilda Yawanawa, 28 anos, que trabalha na UPA do conjunto habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco. O vídeo da entrevista será publicado em breve. As etnias huni-kuin (kaxinawa) e yawanawa já nos legaram quatro médicos - duas mulheres e dois homens, todos atuando no Acre, Amazonas e Pará, formados em Cuba. Um quinto indígena, da etnia kaxinawá, está a se formar na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Caso Bruno Borges: hipótese de crime perde força no desaparecimento de jovem acreano

Polícia Civil do Acre considera "ato voluntário" como linha de investigação  mais viável

"A verdade é o caminho oposto"

O desaparecimento do jovem Bruno Borges, 24 anos, filho de um casal de classe média alta de Rio Branco (AC), ocorrido há 10 dias, segue envolto em mistério e sendo objeto de rumores inimagináveis na imprensa e nas redes sociais.

O jovem, que partiu sem dizer adeus, deixou para trás os pais e dois irmãos, referências a um secreto “grande projeto” que iria “mudar a humanidade de uma forma boa”, além de 14 livros em código e uma estátua do filósofo Giordano Bruno no quarto cujas paredes foram cobertas com textos, fotos e desenhos enigmáticos.

A Polícia Civil do Acre investiga o desaparecimento de Bruno Borges, mas o delegado Fabrizzio Sobreira, responsável pelo caso, se manifestou poucas vezes, de modo lacônico, sobre o andamento sigiloso da investigação.

Quem se pronuncia publicamente pela primeira vez sobre a investigação é o secretário adjunto de Polícia Civil, delegado Josemar Moreira Portes, após entendimento com o delegado e com o secretário Emylson Farias.

A Secretaria de Polícia tenta, ante o grande volume de contatos, sobretudo da imprensa, preservar para que o delegado possa trabalhar, do contrário teria que ficar o dia inteiro concedendo entrevistas.

Como a demanda é enorme e o delegado está ciente dessa estratégia, veja a entrevista exclusiva com secretário Josemar Portes:


Secretário Josemar Portes


Como está a investigação da Polícia Civil do Acre em relação ao desaparecimento de Bruno Borges?
A partir do momento em que confirmamos o desaparecimento, temos a obrigação de agir para, eventualmente, confirmar ou não a existência de um crime. Então, adotamos linhas de investigação para cada uma das primeiras hipóteses, que vão de um ato voluntário a um ato extremado, como suicídio, ou talvez homicídio, sequestro, perda da consciência etc.

Quais dessas hipóteses ou linhas de investigação estão descartadas ou são consideradas menos prováveis?
Nenhuma está descartada, mas a hipótese de qualquer ato criminoso, como homicídio ou suicídio, não está se evidenciando até o momento.

O que está se evidenciando?
Há indícios de um ato voluntário, ou seja, de um desaparecimento voluntário por algum motivo, muito embora isso ainda não esteja comprovado. Essa é uma hipótese, mas não eliminamos nenhuma das outras hipóteses, tanto é que temos gente ainda em campo, até fora do Acre. Temos parceiros trabalhando nisso e, obviamente, a família é nossa parceira, pois reúne informações. Não eliminamos nenhuma hipótese capaz de explicar o desaparecimento, embora, pelo tempo decorrido e os indícios coletados até o momento, o ato voluntário é a hipótese mais viável, embora ainda não seja uma certeza.



Vocês apreenderam ou coletaram material ou equipamentos como celulares e computadores da casa de Bruno?
A gente fez algumas pesquisas, mas atualmente não mantemos em poder da polícia nenhum material apreendido. Já obtivemos todos os elementos técnicos e depoimentos testemunhais que pudessem nos levar a alguma informação capaz de explicar o desaparecimento.

Bruno está usando o celular? O aparelho dele está sendo monitorado?
Qualquer informação que envolva quebra de algum sigilo protegido por lei, assim como as medidas até então tomadas, serão mantidas em segredo para preservar a família, o rapaz e a própria investigação.

O que sobressaiu, por exemplo, dos depoimentos?
Os depoimentos ainda estão sendo colhidos. Pessoas da família, amigos, a rede de relacionamento social, todos foram chamados e alguns estão sendo chamados de novo. Essa rede de relacionamento social é importante porque nos passa muitas informações. Mais pessoas poderão ser ouvidas caso a investigação evolua neste ou naquele caminho.

Há evidência de que Bruno era ou não usuário de jogos online, tipo RPG?
Até o momento não existe confirmação disso, mas o que posso dizer é que as evidências colhidas nos depoimentos, não é que elas não apontem, mas tampouco confirmam um ato de violência. Ainda não, seja um ato de violência contra si próprio ou um ato de violência de terceiros.

Procede que a família teria pedido para que a Interpol não fosse acionada?
Não tenho essa informação. Até porque, neste caso, não depende de um pedido. A partir do momento que uma pessoa desaparece, com suspeita inicial de crime —e esta suspeita existe, embora menos forte agora— então era obrigação nossa utilizar todas as ferramentas que temos à disposição. E elas foram utilizadas, independentemente da vontade de quem quer que seja.



É verdade que a polícia tem informação de que Bruno está no Chile?
Não, não temos informes ainda nesse sentido. Existiu um boato que chegou aos nossos ouvidos e ouvimos familiares e amigos. E não houve nenhuma confirmação.

A polícia sabe se Bruno tem e está usando cartão de crédito?
Não. Essas informações, como envolvem sigilo bancário, ainda estão resguardadas. Um viés da investigação é sobre movimentação financeira, mas para dar publicidade a isso dependemos de autorização judicial —que ainda não temos.

Mas vocês têm informação…
Nós chegamos lá, mas não podemos socializar nem publicizar porque envolve sigilo bancário.

Então ele está movimentando o cartão?
Não vou dizer se era cartão ou movimentação através de cheque. Nem posso, pois estaria indo além do que a lei permite. Mas uma linha de investigação para toda pessoa que desaparece, se adulta, detentora de conta bancária, é a movimentação financeira. Isso é óbvio e não precisa nem ser investigador para saber disso.



Um dia após o desaparecimento de Bruno, a família anunciou o caso, mas pretendia preservar imagens do quarto e da intimidade familiar. Um vídeo logo vazou e os rumores se multiplicam desde então. Aquele depoimento do empresário Athos Borges, pai do Bruno, fazendo esclarecimentos e um mea culpa em rede social, ajudou?
Para nós, não. Aquele depoimento, o desabafo de um pai, nós temos que respeitar, mas aqueles elementos nós já havíamos levantado. Não faço nenhuma censura, pois a família elegeu aquilo como uma forma de interagir com o que estava sendo publicado.

Mas como a polícia vê a essência daquele desabafo?
Uma das linhas de investigação é traçar o perfil psicológico. Isso é um trabalho de perícia, mas ainda não está concluído. Toda família tem os seus conflitos, as suas intempéries. Eu não diria que havia conflito, mas ideias contrapostas. Aliás, isso foi dito pelo próprio familiar em seu depoimento. É claro que esse é apenas mais um elemento a ser levado em consideração. Ele pode ser preponderante, mas também pode não ser. Foi um fato óbvio que foi divulgado, mas dizer que é um conflito ou que havia ideias destoantes com relação ao modo de vida, isso é meio profundo. Pude deduzir que a convivência era boa, apesar de não pensarem talvez sobre um determinado assunto numa mesma linha de raciocínio. Mas isso é normal em qualquer família, em qualquer ambiente. Agora, se foi esse o fator preponderante para o evento que ocorreu, seria precipitado afirmar isso agora, além daquilo que já está público e notório. A nossa investigação continua aberta em todas as frentes. Algumas não se confirmam a cada dia que passa, mas permanecem abertas, e outras vão se consolidando, o que é natural numa investigação de desaparecimento.

O que a polícia vai fazer caso confirme que o desaparecimento de Bruno decorre daquilo que o senhor chama de “ato voluntário” ou “desaparecimento voluntário”?
Neste caso, não estaria configurado nenhum tipo de crime e só nos restaria encerrar a investigação e nos afastar do caso. Isso, em tese, se a gente tiver realmente absoluta certeza de sua localização e de que a motivação não foi outra além de sua própria vontade.


NOTA DO BLOG: com exceção da foto do secretário, as demais fotos são de autoria da empresária Denise Borges, mãe de Bruno, e foram enviadas ao blog na noite de 28 de março, quando a família anunciou o desaparecimento do jovem.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Granja produz 110 mil ovos por dia no Acre

Visitei a filial da Granja Garijó em Rio Branco, no Km 54 da BR-317, de Luiz Helosman de Figueiredo, empresário de Cruzeiro do Sul que atua no setor há 36 anos. Com dez galpões e mais de 170 mil aves de alta postura, a granja produz 110 mil ovos por dia, emprega 45 pessoas e já atende a 70% do mercado do Acre. Com recursos próprios e captados junto ao Banco da Amazônia, o investimento passa de R$ 3 milhões. O governo do Acre apoia o projeto, que favorece a cadeia do milho e avicultura comunitária. Mas o que mais me impressionou foi a dedicação e o entusiasmo de dois jovens acreanos, os irmãos Diogo e Angelo Figueiredo, filhos de Helosman. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Tião e Jorge é que são filhos do Dico e com ele aprenderam o que sabem de política

POR LEILA JALUL 

Wildy e Sílvia com o bisneto Davi, neto de Tião Viana: ao fundo as fotos dos filhos governadores e senadores

O falecimento do Wildy Viana das Neves, o Dico, de certo modo e mesmo à quilômetros de distância deixou-me entristecida. A última vez que estive com ele, lembro bem, foi durante uma visita de conforto e demonstração de amizade que ele e Sílvia fizeram à minha velha mãe.

Na calçada de minha casa, eleita por minha rainha o espaço dela de final de tarde, os três passaram boa parte do tempo lembrando os ‘antigamentes’ de suas vidas. Mamãe ficou radiante.

Estar com os pais do seu grande amor Jorge Viana, creio, chegou a ser mais relevante que estar com seus velhos amigos. Aliás, o amor de mamãe pelo menino Jorge (ela o tratava assim) era quase patológico. Já contei sobre isso.

Minha relação com o velho político, entretanto, enseja algumas outras observações. Na Assembleia Legislativa, pelo tempo em que trabalhei com ele, registro o respeito que o parlamentar tinha pelos funcionários em geral, e pelas funcionárias, em particular.

Naqueles bicudos tempos de formação do Estado, ser deputado era ser possuidor de quase tudo, inclusive do direito de jogar piadinhas de assédio às meninas do quadro de pessoal. Wildy, não!

Dico era uma pessoa brincalhona e respeitosa, bem diferente de outro seu colega que não podia ver um rabo de saia. Desse eu fugia como fugia o diabo da cruz.

O ‘cabra’ não podia ver meus seios e já me atravessava com a flecha do seu olhar de Dom Juan de barranco.

Wildy não era um bom tribuno. Como articulador e apaziguador, tinha méritos. Muitos. Sabia onde a coruja cantava, o tanto é que foi mais longe que seus ilustres colegas.

As pessoas dizem que Dico é o pai de Tião e Jorge. Digo diferente: Tião e Jorge é que são filhos do Dico. E com ele aprenderam o que sabem de política.

O que menos importa no caso é a legenda e a ideologia. Cada um no seu quadrado, no seu tempo e responsável por seus atos.

Outro fato marcante, que me fez parar e agradecer ao velho Dico,  desde o momento em que soube do seu falecimento, foi o pronto atendimento que deu ao seu contemporâneo e opositor político, ao qual sucedeu na Prefeitura de Rio Branco.

Falo do Dr. Aníbal Miranda, ex- prefeito de Rio Branco e ex-governador do Estado no período de transição de território a estado.

Aníbal, desde que deixou a vida pública, foi relegado e renegado por toda a classe política acreana. Desceu a ladeira do poder,  trabalhou na construção civil como empregado e, já atacado pela demência senil, ficou aos cuidados de sua enteada Maria José.

A família distante não o quis por perto. A pracinha do Jardim São Francisco foi seu último reduto e asilo.  Ali era visto sempre limpinho e bem trajado, já sem saber quem foi, quem era e até o que acabara de comer.

Morreu após passar vários dias na UTI de um hospital particular. E cadê dinheiro para pagar a conta do hospital e dos funerais? Avisada do ocorrido e solicitada para ajudar, liguei primeiramente para a irmã dele, em Manaus. Nada podia fazer.

Liguei para as filhas no Rio de Janeiro e ouvi e também disse uma série de impropérios. Fiquei sem saber como lidar com essas guerras familiares que nem a morte é capaz de motivar uma trégua.

Minha cabeça deu três volteios até que, num átimo de lucidez, liguei para o velho Wildy Viana. Pronto! Questão resolvida!

De imediato ele determinou ao menino Jorge, então governador do Acre, que cuidasse de tudo e tudo foi cuidado com esmero, dando ao Dr. Aníbal Miranda um enterro digno, com pompas e honrarias de Chefe de Estado. Merecidamente, diga-se!

Leila Jalul é cronista acreana

quinta-feira, 9 de março de 2017

Acre entra na rota da soja e ministro Blairo Maggi vem incentivar produção


O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do país, visitará o Acre na segunda-feira (13), onde se reunirá com representantes dos setores agrícola, agroindustrial e agropecuário, a convite do senador Gladson Cameli (PP-AC).

A visita do ministro coincidirá com a semana em que o pecuarista Jorge Moura vai começar a colher a produção do plantio experimental de 40 hectares de soja na fazenda Boa Esperança, no município de Capixaba, a 70 quilômetros de Rio Branco.

Um dos maiores entusiastas do cultivo de soja no Acre, o secretário estadual de Agropecuária, José Carlos Reis da Silva, disse que, além de Moura, outros dois pecuaristas estão com plantios experimentais no Estado.

— Estão fazendo isso em áreas degradadas num processo de integração da lavoura com a pecuária. Eles precisam disso para aumentar os ganhos.

O pecuarista Jorge Moura contou que a soja foi plantada em novembro e que não teria usado defensivo agrícola porque não apresentou praga ou fungos.

— Vou colher mais de 68 sacos por hectare. De 50 a 55 sacos por hectares a produção já é excelente. Tivemos alguma perda em alguns trechos da área onde se formou poças d’água, mas  isso é fácil de corrigir. No ano que vem vou plantar mil hectares. Minha produção já está vendida para um comprador de Rondônia.

Dono de um ”grande motel” em Cuiabá (MT), Moura disse que está disposto a ir embora do Acre caso encontre resistência dos órgãos estaduais de defesa do meio-ambiente.

— Nesse sentido, um pecuarista do Mato Grosso, dono de uma fazenda de 15 mil hectares, vive alertando para que eu me mude para lá. Quer uma quantidade de dinheiro e meu motel em troca da fazenda dele. E eu vou fazer isso caso tentem dificultar minha decisão de cultivar soja no Acre. Quando existe matéria-prima, surge a indústria. É uma corrente - acrescenta.

Na visão de Moura, o baixo desmatamento é a causa do empobrecimento do Acre.

— Na hora que a gente tiver 25% ou 30% desmatados, vamos ver a situação melhorar para todos. Vai acabar o desemprego, ninguém vai mais pedir esmola nas ruas, vão surgir escolas agrícolas para ensinar a juventude a produzir comida. Quando eu era vendedor ambulante de pão ou cobrador de ônibus, a gente ficava esperando sair o pagamento dos funcionários para a situação melhorar um pouco. O Acre continua assim. Na cidades onde ando, no centro-oeste e no sudeste, ninguém nem sabe quando sai pagamento de funcionário público porque a iniciativa privada move tudo. Dizem que só podemos cultivar soja em 4% das terras do Acre. Você já imaginou o que é 4% de 16 milhões de hectares? Quando isso acontecer, o Acre vai sair do buraco e a gente vai deixar de pedir dinheiro em Brasília para construir até cagador - filosofa o pecuarista.

Recentemente, quando o plantio de soja de Jorge Moura estava verdejante, o governador Tião Viana tratou de se esquivar do convite para visitar a propriedade. No lugar dele estiveram os secretários Reis e Sibá Machado, da Indústria e Comércio, além da vice-governador Nazaré Araújo.

No ano passado, ao receber a visita de empresários interessados em investir em soja no Acre, Tião Viana declarou que o Estado, com seu Zoneamento Ecológico Econômico definido, não precisa derrubar nenhuma árvore para plantar soja. Na ocasião, Viana disse que neste ano o Acre terá uma renda de R$ 1 bilhão com o peixe e, nos próximos três ou quatro anos, de R$ 1 bilhão com a suinocultura.

— Temos entre 30 e 40 mil hectares para o plantio de soja e toda a produção deve ser consumida no mercado interno. Se houver excedente, estamos ao lado do Peru, que consome do México e da costa oeste americana, e pode consumir do Acre - declarou Viana aos empresários, embora siga dizendo que o Acre possui centenas de produtos rurais sustentáveis tão ou mais rentáveis que a soja, como peixe, coco, macaxeira, seringueira, açaí, frutas tropicais, milho e castanha plantada.

Notas da Embrapa e da Área de Meio Ambiente do governo do Acre



A reportagem solicitou ao chefe-geral da Embrapa no Acre, Eufran Ferreira do Amaral, e ao secretário de Meio Ambiente, Carlos Edegard de Deus, para que se manifestassem por meio de nota sobre o cultivo de soja no Estado.

Além de Edegard de Deus, assinam a nota Paulo Roberto Viana (presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre), João Paulo Mastrangelo (Secretário Adjunto de Meio Ambiente), Magaly Medeiros (presidente do Instituto de Mudanças Climáticas) e Alberto Tavares (presidente da Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais).

Com a palavra a Área de Meio Ambiente do Governo do Estado do Acre:

“Existem dois princípios consagrados nas políticas de proteção ambiental que é o da prevenção e da precaução. O primeiro é um dos mais importantes, sendo, inclusive, o objetivo fundamental destas políticas, onde estabelece que diante do perigo concreto de um dano, não se deve esperar que ele aconteça, fazendo-se necessário a adoção de medidas capazes de evitá-lo.

Já o princípio da precaução trata de um perigo abstrato, ou seja, é a incerteza científica, a dúvida, se vai acontecer ou não. Portanto, este princípio é a garantia contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados.

A implementação da cultura da soja no Estado do Acre remete, inevitavelmente, a estes dois princípios, visto que esta atividade preenche todos os requisitos para adoção de medidas de prevenção e precaução quanto aos seus riscos ambientais, sociais e para saúde humana.

Portanto, não podemos permitir que a retórica política e econômica para tentar contrapor o modelo de desenvolvimento sustentável defendido pelos governos da Frente Popular, levem adiante políticas agrícolas sem que os impactos ambientais e sociais sejam analisados e julgados.

A área de meio ambiente do Governo do Acre, ancorada em vasta produção cientifica, reconhece na cultura da soja os seguintes riscos potenciais:

1. Ampliação do desmatamento. Muito se fala que a soja é ideal para ocupação de áreas já desmatadas ou degradadas. No entanto, de acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, Philip Fearnside, segundo cientista mais citado do mundo quando o tema é aquecimento global, a soja traz consigo o “efeito de arrasto”, que se refere a promoção de outras atividades destrutivas, acelerada por meio da infraestrutura construída para a soja. A soja pode ainda estimular o desmatamento mesmo que a floresta não seja derrubada para o seu cultivo, pois ao substituir as pastagens, a soja desloca a pecuária para novas áreas de floresta, onde por serem mais baratas, estimulam a ocupação com atividades menos rentáveis;

2. Degradação e contaminação do solo e da água. O Acre possui solos com limitações severas a mecanização e o uso intensivo, a EMBRAPA, por exemplo, sempre faz recomendações quanto a necessidade de um “manejo adequado”, o problema é que todo mundo envolvido sabe que é pouco provável que os critérios técnicos ou o “manejo adequado” sejam aplicados na prática. Agrotóxicos usados para combater doenças, insetos e ervas daninhas no cultivo da soja, tem impactos diretos no solo, na água e nas pessoas expostas a eles;

3. Custo de oportunidade dos serviços ambientais. Os impactos causados sobre os ecossistemas naturais afetados pelo “efeito de arrasto” da soja incluem a perda de biodiversidade, erosão do solo e contaminação dos recursos hídricos. Somente nos últimos 4 anos, por exemplo, o Estado do Acre recebeu mais de R$ 85 milhões por serviços ambientais relativos a redução do desmatamento, estes recursos estariam comprometidos caso tivéssemos um cenário de ampliação das áreas desmatadas;

4. Concentração fundiária. A soja requer investimentos pesados de maquinaria, preparação do terreno e insumos agrícolas, sendo, portanto, suportados somente por grandes produtores rurais, estimulando a retirada da agricultura familiar decorrente da conversão da terra em culturas mecanizadas. Além disso, a geração de empregos através do cultivo é mínima, de acordo com Carvalho (1999), a média é um trabalhador para cada 167 hectares de soja, em grandes plantações, esta relação é de um trabalhador para cada 200 hectares;

5. Controvérsia sobre sementes transgênicas. Uma fonte de polêmica é a ligação intima do cultivo da soja com a engenharia genética controlada pela agroindústria, onde pesquisadores tem expressado várias dúvidas sobre os impactos potenciais de libertar organismos geneticamente modificados no ambiente. Herbicidas de glifosfato, utilizados para o manejo de ervas daninhas no cultivo da soja, são supostamente ligados a desordens reprodutivas, danos genéticos, estimulação de tumores e outros efeitos em mamíferos. Algumas variedades de soja transgênica são mais resistentes a este herbicida, portanto, teoricamente, tem maior capacidade de acumulo desta substancia no seu organismo o que depois é transferido para os humanos.

É importante esclarecer que a luz da legislação ambiental do Acre, a cultura da soja jamais foi proibida, podendo ser plantada dentro dos limites de desmatamento que a legislação florestal brasileira permite. Se ainda não foi implantada em larga escala, é por uma decisão exclusiva do mercado, que ainda não encontrou condições favoráveis na relação custo/benefício em território acreano.

No entanto, devido aos fatores de riscos expostos acima e baseado nos princípios de prevenção e precaução no âmbito da política ambiental, a área de meio ambiente do Governo do Estado do Acre não recomenda a destinação de recursos públicos para incentivar a soja. E caso o mercado decida investir neste modelo de agricultura, considerando a demanda instalada por meio dos complexos agroindustriais de proteína animal (frango, suínos e peixe), entendemos que esta deverá ocorrer sobre rigorosa regulação visando a sua adequação aos padrões de sustentabilidade defendidos pelo Governo.

Carlos Edegard de Deus
Secretário de Estado de Meio Ambiente

Paulo Roberto Viana
Presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre

João Paulo Mastrangelo
Secretário Adjunto de Meio Ambiente

Magaly Medeiros
Presidente do Instituto de Mudanças Climáticas

Alberto Tavares
Presidente da Companhia de Desenvolvimento de Serviços Ambientais”


Com a palavra a Embrapa-Acre, em nota assinada pelo chefe-geral Eufran Ferreira do Amaral e o pesquisador Idésio Idésio Franke:

“O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, muito próximo dos EUA. Na safra 2015/2016, a cultura ocupou uma área de 33,17 milhões de hectares, o que totalizou uma produção de 95,63 milhões de toneladas. A produtividade média da soja brasileira foi de 2.882 kg por hectare. A soja se expandiu para o Cerrado e Amazônia, tornando-se as maiores regiões produtoras e fazendo com que o Brasil alcançasse esse patamar, graças ao aporte tecnológico e o empreendedorismo dos produtores rurais.

A soja ocupa uma área de aproximadamente 200 hectares, sendo cultivada por produtores em escala experimental. Há cerca de 19 anos atrás, a Embrapa Acre testou uma série variedades, em um sistema produtivo convencional, mas devido ao desinteresse dos produtores pela soja, a mesma não se expandiu.

O Estado do Acre possui áreas subutilizadas e/ou abandonadas que podem ser incorporadas à produção de grãos, uma demanda regional crescente para fornecer ração para as cadeias produtivas de aves, suinos, peixes e bovinos. O Acre possui cerca de 14% de seu território de áreas de florestas convertidas a outros usos da terra, equivalente a 2,3 milhões de hectares. Destes, cerca de 83% ou 1,9 milhão de hectares estão transformados em pastagens – das quais, aproximadamente 30% encontram-se em diversos estágios de degradação, nada menos que 570 mil hectares. Esses processos de degradação da terra e baixa produtividade agrícola tem sido observado em amplas regiões da Amazônia, com a ocorrência de erosão, compactação e perda de água e fertilidade do solo.

As principais terras aptas à mecanização, utilização de insumos agrícolas e indicadas ao cultivo de grãos no Acre, estão localizadas no sudeste acreano, nos municípios do Alto e Baixo Acre, principalmente em áreas já convertidas em pastagens, perfazendo mais de 300 mil hectares.

Um dos principais problemas para o cultivo de grãos na Amazônia e o Acre é a degradação dos solos pela utilização de sistemas de manejo inadequados, seja, pela falta de informação e condições econômicas do produtor, ou pela insuficiência de tecnologias agropecuárias que possam tornar essa produção sustentável.

A Embrapa possui uma série de iniciativas com vistas a aprimorar, transferir e difundir tecnologias para a expansão sustentável de grãos, como o sistema plantio direto com interface ao sistema integração lavoura pecuária e floresta em regiões produtoras de milho no Acre. A expansão e consolidação do sistema plantio direto no Acre e a integração com a pecuária permitirá a maior sustentabilidade na agricultura de grãos.

O aprimoramento do sistema de produção para o cultivo da soja no Acre exige uma série de estudos e pesquisas, nas quais a Embrapa, com o apoio de outras unidades e parceiros, vem empreendendo esforço, no sentido de viabilizar soluções tecnológicas para transferir aos produtores rurais e ao público local interessado.

Efetuar o planejamento da lavoura, usar insumos e máquinas de modo racional, verificar as exigências climáticas, espaçamento e a rotação de culturas, a fertilidade e o manejo do solo, o manejo integrado de ervas invasoras, pragas e doenças, a identificação de cultivares adequadas e de alta produtividade, a colheita e armazenamento dos grãos, a comercialização e a rentabilidade da produção, é fundamental para o estabelecimento de um sistema de produção com tecnologias adequadas ao nosso meio ambiente.

Esse conjunto de informações que será gerado nos próximos dois anos visa subsidiar os produtores de soja, cabendo aos técnicos fazer os ajustes e adaptações gradativas necessárias ao ambiente ou sistema de produção em que forem aplicadas.

A adoção de sistemas de rastreabilidade e certificação da produção em base a normas, critérios e procedimentos técnicos, dentre eles a observância do licenciamento ambiental, dos serviços ambientais e dos indicativos do zoneameneto ecológico-econômico, possibilita a garantia de produtos seguros e de maior valor agregado no mercado consumidor.

A expansão sustentável da soja no estado do Acre somente será possível com a adoção de tecnologias que visam reduzir riscos e custos e aumentar a produtividade de forma sustentável, preservando-se o meio ambiente.

Sem a participação efetiva, esforço conjunto e cooperação de Instituições de Pesquisa, Ensino, Assistência Técnica, Extensão Rural e Setor Produtivo, as respostas às demandas, as informações, a capacitação e os resultados esperados não se tornam realidade.

A Embrapa e todas as instituições participantes esperam, assim, continuar contribuindo na busca de aumentos da produtividade, da produção, da economia e da sustentabilidade desta cultura no Acre, propiciando a elevação da renda e emprego, em benefício de toda sociedade.

Eufran Ferreira do Amaral
Chefe-geral

Idésio Franke
Pesquisador”

domingo, 19 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Parque Nacional da Serra do Divisor é inscrito na Unesco como candidato a Patrimônio Mundial Natural

Cachoeira Grande, no PNSD, do lado brasileiro. Foto: Marcos Vicentti
 Uma proposta de candidatura do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD) a Patrimônio Mundial Natural foi apresentada pelo governo do Brasil na sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em Paris. A região do PNSD é um divisor de águas das bacias hidrográficas do Médio Vale do Rio Ucayali (Peru) e do Alto Vale do Rio Juruá (Acre), com 846,6 mil hectares, criado em 1989 por decreto do então presidente José Sarney.

O diretor do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, Warwick Manfrinato, que confirmou a informação, disse que a proposta, que já se encontra entregue ao processo de aceitação, demanda um ritual nas próximas semana. 

— Assim que a proposta for aceita para a análise poderemos disponibilizar uma cópia, uma vez autorizado pela Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente - acrescentou Manfrinato.

Os próximos passos inclui a aceitação pelo Centro do Patrimônio Mundial, dentro de um a dois meses, distribuição para a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). A análise e missão de avaliação deve durar mais seis meses, mas é possível que a IUCN solicite a complementação de dados.

— A reavaliação pós missão in loco e devolução à Unesco deve durar mais seis meses. Em mais ou menos 18 meses, teremos o veredicto final do Comitê do Patrimônio Mundial - avalia Manfrinato.

Panorâmica do PNSD do lado brasileiro. Foto: Marcos Vicentti
Na semana passada, o ministro Sarney Filho, do Meio Ambiente, enviou ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, o documento que propõe à Unesco a candidatura do Parque Nacional da Serra do Divisor à Patrimônio Mundial Natural com o argumento de que “é uma área de extrema beleza, riquíssima biodiversidade e valores naturais incomensuráveis”.

Além de mencionar que compor a lista do Patrimônio Mundial Natural significa a “possibilidade de mais recursos de financiamento”, Sarney Filho lembra que o Itamaraty, órgão responsável pelo encaminhamento da proposta, solicitou a obtenção da "não objeção" do Ministério da Defesa com relação à candidatura, uma vez que o parque se localiza em região fronteiriça do pais.

— Consultada, a Chefia de Gabinete do Senhor Ministro da Defesa informou, a este
Ministério, que a referida "não objeção" deve ser solicitada ao Conselho de Defesa Nacional, com o que aquiesço. Ressalto, entretanto, que o reconhecimento de uma área como Patrimônio Mundial da Unesco não implica em restrições à Defesa Nacional e não acarretará qualquer problema para a segurança do país - escreveu Sarney Filho.

O PNSD está Localizado na fronteira do Brasil com o Peru e abrange áreas dos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Valter e Marechal Thaumaturgo. A vegetação é composta de dois grandes Sistemas Ecológicos Regionais: Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Aberta, com exemplares de palmeiras, cipós, bambus, orquídeas, e a presença da típica vitória-régia e muitas flores coloridas.

De acordo com pesquisadores, a fauna do PNSD é muito rica e já foi registrada a presença de 1.233 espécies animais, dos quais 90 são considerados de valor especial para a conservação (76 de vertebrados e 14 de invertebrados).

Ele abriga exemplares ameaçados de extinção como o macaco uacari-vermelho, mico-do-cheiro, onça-pintada, anta, preguiça, quati, tartaruga tracajá, boto-vermelho, tamanduá-bandeira, lontra, tatu-canastra, macaco-cara-de-sola, pacarana, jabuti, jacaré-tinga, além das 100 espécies de anfíbios, 30 de répteis, 14 de primatas, 55 de morcegos, 400 de aranhas e insetos, bem como as 64 espécies de abelhas. A avifauna apresenta cerca de 500 exemplares, como o papagaio, e o araçari-castanho, típico peixe-boi que é um grande mamífero aquático da região.

Vizinho

PNSD do lado peruano em foto de divulgação do governo do Peru

Em 2015, o Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, ganhou um vizinho com o mesmo nome: o governo peruano assinou o decreto criando o Parque Nacional Sierra del Divisor, com 1,3 milhão de hectares.

De acordo com o site O Eco, foram 9 anos de trabalho em prol da criação da unidade e muita mobilização, inclusive internacional. A organização internacional Avaaz, famosa por suas petições contra projetos danosos ao meio ambiente, fez campanha e conseguiu reunir mais de 1 milhão de assinaturas.

Até mesmo a banda mexicana de pop rock Maná, uma das mais famosas da América Latina, se envolveu na mobilização em prol da criação da unidade. A banda pediu pelo sua página de Facebook para a população mandar mensagens ao presidente do Peru pedindo a criação do parque:

"Amigos, por 20 anos o Peru tem postergado a proteção da Serra do Divisor -- uma das selvas com maior biodiversidade do mundo e onde o modo de vida dos indígenas está em perigo. Compartilhe essa publicação e exija a proteção da unidade na página de Facebook do presidente Ollanta Humala. Escrevam: Sr Presidente: os olhos do mundo estão postos sobre o Peru e é hora de declarar a Serra do Divisor como parque”.

Hás dois anos, o Parque Nacional da Serra do Divisor esteve sob ameaça, quando o governo Dilma Rousseff anunciou a construção de uma rodovia patrocinada pelos chineses. O trajeto da “Bioceânica” previa passar pelo parque e perto de aldeias indígenas.

Engenheiros chineses do setor ferroviário e três representantes do governo brasileiro chegaram a sobrevoar o Parque Nacional da Serra do Divisor. Visitavam as áreas por onde deveria passar a futura ferrovia Bioceânica, que ligará os produtores de matéria-prima brasileiros aos consumidores asiáticos por meio do Peru. No Acre, o maior entusiasta da “Bioceânica” é o senador Jorge Viana (PT-AC). Clique aqui e leia reportagem de Talita Bedinelli, do El País.

ATUALIZAÇÃO 10/02/2017

O governo brasileiro retirou a candidatura do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD) a Patrimônio Natural. A proposta de candidatura, apresentada no final de janeiro na sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em Paris, foi desaprovada pelo Conselho de Segurança Nacional e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Para que que a proposta possa seguir em frente, o governo brasileiro teria que reenviar à Unesco, até segunda-feira (13), um novo posicionamento recolocando o PNSD para ser avaliado. Várias organizações ambientalistas, entre as quais a SOS Amazônia, sediada no Acre, estão empenhadas em tentar convencer o governo brasileiro a reconsiderar a decisão. Elas consideram atrasado o posicionamento do Conselho de Segurança Nacional e da Abin, pois impede uma iniciativa de conservação da área de maior importância em biodiversidade para o país, além de inviabilizar investimentos, empregos e valorização do território da região.

PNSD do lado peruano em foto de divulgação do governo do Peru

Beleza do Parque Nacional da Serra do Divisor em fotos de Marcos Vicentti, que esteve na região de 12 a 17 de janeiro de 2017







quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Quero-quero: desmatamento atrai para o Acre ave das regiões sul e sudeste

(Vanellus chilensis) 

Também conhecido como quem-quem, tetéu, xexéu ou abibe-do-sul, é uma ave da ordem Charadriiformes, da família Charadriidae. Alimenta-se de invertebrados aquáticos e peixinhos que encontra na lama, além de artrópodes e moluscos terrestres. Registrei a presença de um casal na Estrada Raimundo Irineu Serra, na propriedade da família do amigo Alexandre Lisboa. Consultado, o ornitólogo Edson Guilherme, da Universidade Federal do Acre, contou que a presença dessas aves no Acre é fato bem recente. “A presença delas no Acre não é um bom sinal. Elas são de áreas abertas, nas regiões sul, sudeste e centro-oeste. Os registros indicam que estão avançando rumo ao Acre por causa do desmatamento. Ninguém as encontra dentro da floresta, só em pastagens e campos naturais abertos”, disse o ornitólogo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Coruja

Na palma seca do dendê, a 5 metros da janela do quarto, veio posar para quase uma centena de fotos

O que é justiça senão a verdade?

POR WOLVENAR CAMARGO FILHO 


Eu sou Wolvenar Camargo Filho, 62 anos, arquiteto e urbanista, mineiro de Guaxupé, filho do Seu Wolvenar e da Dona Derelis (in memoriam), pai do Caetano, da Liliana e da Gabriela, acreano de coração!!

Comecei minha trajetória profissional aqui no Acre quando tinha 27 anos, como funcionário público e algum tempo depois passei a atuar como profissional liberal e somente em 1993 ingressei na carreira de gestor público, na gestão do prefeito Jorge Viana, como diretor-presidente da Emurb, secretário de Obras do Estado e secretário de Obras do município e novamente secretário de Obras Estado. Esse tempo soma-se 19,4 anos. Nesse período não acumulei bens imóveis, tive uma vida confortável e condições de dar uma boa formação educacional para os meus filhos.

Durante esses quase 20 anos que trabalhei como gestor público, coordenei a execução de construção e reforma de centenas de empreendimentos públicos, da pequena obra à construções milionárias, como é o caso do Parque da Maternidade.

Possuo no meu acervo, como arquiteto e urbanista, projetos que um profissional da minha área pode sonhar: residências, prédios públicos, como: hospitais, praças, pontes, parques, teatro, penitenciárias, escolas, estação de tratamento de água, avenidas, cemitérios e tantos outros. Mas, para quem (como eu) compartilha da ideia de que um arquiteto projeta da chave à cidade, ainda me faltava a oportunidade de construir uma cidade planejada.

Eis que surge a grande oportunidade: O desafio do projeto de um grande bairro, com aspecto de cidade, com todos os equipamentos urbanos necessários para o bem estar dos que lá habitariam e o melhor de tudo, para atender uma população sofrida por viver em regiões insalubres e sem dignidade, que foi denominada como Cidade do Povo.

Mesmo com a saúde já dando sinais de fragilidade, encarei mais esse desafio. Foram meses de estudos, planejamento, negociações até o início da tão sonhada obra!

No dia 10 de maio de 2013, acordei como um cidadão comum, como sempre muito cedo, já que pontualidade é uma conduta minha muito marcante! Cedo a campainha tocou e me deparei com policiais federais à minha porta, numa operação denominada G-7. De pronto, atendi todas as solicitações da diligência até o momento em que recebi voz de prisão. Confesso que naquela hora entrei em pânico, até então por não entender (como até hoje) o que estava acontecendo. Por qual motivo um trabalhador honesto, pai de família seria preso pela polícia, sem ter cometido nenhum delito? A partir daí nunca mais acordei como um cidadão comum! Fui defenestrado, execrado pela mídia local e nacional, motivo de chacotas, falácias, usado em propagandas eleitorais por adversários políticos, charges e musiquinhas absolutamente idiotas, vis e cheias de mentiras.

Passei 40 dias preso em um leito de hospital, mantendo contato apenas com minha família. Lembro como se fosse hoje o dia em que meu pai, de 87 anos, chegou de Guaxupé para me visitar… Aquela indignação e dor que senti quando vi tanta tristeza nos olhos dele, não desejo para ninguém!

O tempo passou. A vida seguiu em frente. A investigação se transformou em denúncia, a denúncia em processo e não nos coube outra alternativa a não ser a defesa dos fatos. Três anos e oito meses após a exposição pública humilhante, foi feita a justiça. Mas, o que é a justiça senão a verdade? Então desde esse dia sou novamente um cidadão comum? uma pessoa honesta? um filho e pai respeitado? um profissional digno? Como nossas vidas podem ser completamente implodidas por profissionais com atitudes precipitadas? Como reparar esse mal cometido? Acredito que as injustiças vão sempre acontecer no mundo afora e mesmo havendo justiça, esta não consegue consertar totalmente as feridas da alma!

Contudo, nas adversidades não perdemos amigos e sim selecionamos. Estiveram nesses tempos difíceis ao meu lado, pessoas que realmente tenho muito amor e respeito, dos quais posso citar: minha família, o governador Tião Viana, que me apoiou de forma corajosa; meu grande amigo, senador Jorge Viana e os meus amigos que tiveram o desprendimento e se dispuseram a testemunhar ao meu favor, me ajudando a provar minha inocência. Esses vou agradecer e abraçar pessoalmente!

E como disse ontem meu filho Caetano, muito emocionado:

— Acabou pai, agora acabou…

Sim filho, acabou!

Eu tive ainda a felicidade de dar essa boa notícia ao avô dele e meu pai, que me disse que esse é seu presente de aniversário de 90 anos no próximo 17 de fevereiro! É por vocês: Pai, Caetano, Liliana e Gabriela, que peço a Deus agora discernimento, resiliência e saúde para enfrentar o que tem por vir e seguir minha vida com a cabeça erguida com a certeza da pessoa correta que sempre fui e sou!

Artigo de Wolvenar Camargo Filho, publicado originalmente no Página 20