sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Avenida Brasil, Rio Branco, Acre

Em frente à casa do ex-governador Flaviano Melo e do gabinete do governador Tião Viana

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

MPF denuncia quadrilha que fraudou licitação de verbas do SUS

O ex-diretor de Análises Clínicas da Secretaria de Saúde do Acre, Tiago Viana Neves Paiva, sobrinho do governador Tião Viana (PT-AC), foi denunciado pelo Ministério Público Federal à Justiça Federal em ação penal e ação de improbidade administrativa por fraude em processo licitatório no valor de R$ 2,6 milhões destinado à contratação de uma clínica de exames médicos criada para desviar verbas do governo federal destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

As duas ações são consequência da Operação G-7 da Polícia Federal, deflagrada no Acre em maio do ano passado, que resultou em prisões e no indiciamento de 29 empreiteiros e secretários do governo estadual por formação de cartel, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e fraude em licitação para desvio de verbas públicas. G-7 era um grupo de sete empresas de construção civil acusado de atuar de modo articulado para fraudar licitações de obras públicas no Estado.

De acordo com a denúncia do MPF,  o sobrinho do governador teria favorecido a empresa com informações sobre a formação de preços, além de manobrar com sua influência no governo estadual, para que não houvesse empecilhos à contratação do grupo por meio da fraude na licitação.

A empresa Centtro Medicina Diagnóstica Ltda pretendia contratar, com verbas federais, empresa de radiologia médica para fazer a implantação do Sistema de Digitalização de Imagens Radiológicas em unidades de saúde estaduais, bem como ser responsável pelos laudos médicos dos respectivos exames.

A servidora pública Edilene Dulcila Soares, na qualidade de pregoeira responsável pela condução do certame licitatório, foi denunciada por favorecer a empresa Centtro. Ela teria desclassificado indevidamente licitante que não participava do esquema.

Quatro sócios da Centtro (Gerival Aires Negre Filho, Paulo José Tonello Mendes Ferreira, Ricardo Alexandre de Deus Domingues e Ronan Zanforlin Barbosa) também são acusados pelo MPF, além de Narciso Mendes de Assis Júnior, que representou a empresa na sessão pública da licitação.

A partir de interceptações telefônicas, a PF monitorou a atuação do então diretor de Análises Clínica da Secretaria de Saúde e do empresário Narciso Mendes de Assis Junior. Os dois chegaram a ser presos e estão entre os 29 indiciados pela PF por causa da Operação G-7. Narciso Júnior revela durante as conversas que abriu a empresa a pedido do governador Tião Viana.

O MPF afirma que existem as provas de que a empresa Centtro teria sido formada já com a intenção e a garantia de ser contratada pelo governo do Acre. A desvirtuação do processo de licitação que garantiria a contratação da empresa já era dada como certa pelos integrantes do esquema cerca de oito meses antes da abertura da concorrência.

Conversas interceptas pela PF constam nos autos como provas de que houve direcionamento do processo licitatório em favor da empresa. O sobrinho do governador chegou a ser nomeado gestor para atuação no pregão presencial, com responsabilidade para emissão de laudos.

A empresa, ao começar a prestar os serviços, segundo o MPF, ia se utilizar de “expedientes criminosos para causar prejuízo ao erário, pois emitiria laudos de exames clínicos de forma desnecessária”. Tiago Paiva foi indiciado pela PF por formação de quadrilha e fraude à licitação e o empresário. Narciso Júnior foi indiciados por corrupção ativa, falsidade ideológica, peculato, formação de quadrilha e fraude à licitação.

Segundo o MPF, caso sejam condenados na ação criminal, os acusados podem ser presos pelo período de até sete anos, se combinadas as penas máximas pela fraude à licitação e formação de quadrilha, sendo que os dois servidores públicos envolvidos podem ter a pena aumentada em um terço. Além disso, todos podem ser condenados ao pagamento de multa.

Na ação de improbidade administrativa, que corre na esfera cível, os acusados podem ser condenados a perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, perda da função pública quando for o caso, suspensão dos direitos políticos por até dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público pelo prazo de até dez anos.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O Acre é onde o vento faz a curva

Animação silenciosa que demonstra a formação do fenômeno dos rios voadores e os caminhos que seguem pelos céus do Brasil, trazendo umidade para outras regiões. Como se poder ver, o Acre é mesmo onde o vento faz a curva.

Sabiá

Eles ressurgem no meu quintal quando começa o inverno amazônico

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No Acre, fóssil de preguiça gigante é resgatado por pesquisadores

Crânio da preguiça atual em cima da ossada do crâncio da preguica gigante

A ossada fossilizada de uma preguiça gigante foi resgatada no Rio Clandless, afluente do Rio Purus, por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Branco (Sema).

O paleontólogo Jonas Filho disse que a ossada é de um Eremotherium (preguiça gigante) que habitou a região há cerca de 11 mil anos.

- É um dos maiores eremotérios já coletados e uma das ossadas mais completas desses animais encontradas na Amazônia. Em Belo Horizonte, já foram coletados ossadas mais completas desse animal pré-históricos – acrescentou o paleontólogo.

Eremotério era uma preguiça gigantesca, cujo tamanho poderia ser comparado a de um elefante de porte médio, que viveu durante os períodos Plioceno e Pleistoceno nas Américas do Sul e do Norte.

Pelo tipo de dentição, comia folhas em enormes quantidades utilizando sua língua comprida para obtê-las manejando os galhos com suas grandes e fortes garras.

- Como eram enormes, os eremotérios aparentemente não tiveram predadores naturais, embora muitos acreditem que teriam sido parte da dieta alimentar dos tigres-dentes-de-sabre, ursos das cavernas,  lobos, enormes marsupiais carnívoros da mesma época, e doo próprioo Homo sapiens – explicou Jonas Filho.

Para a paleontóloga Andréa Maciente o achado é revertido de importante valor científico e do maior interesse para os estudos da megafauna da Amazônia.

A pesquisa deu-se a partir de uma notícia, acompanhada de algumas fotos e de um vídeo caseiro, elaborado por Dagoberto Alves.

- Verificada a autenticidade das fotos e do vídeo, julgamos necessário a realização imediata de uma ação que nos possibilitasse recuperar as partes já coletadas e outras que supostamente ainda estariam nas barrancas do Chandless. Isto necessitava ser realizado antes das próximas cheias – disse o pesquisador Edson Guilherme, da Ufac.

Mandíbula de preguiça gigante em processo de reconstituicao
Fotos: Edson Guilherme

Posto da PM desaba

Quando dizem que os quartéis da Polícia Militar do Acre estão caindo na cabeça dos policiais, não se trata de hipérbole. A cobertura do posto de fiscalização da PM, na confluência das rodovias AC-40 e BR-317, passagem obrigatória de quem vai para os municípios de Senador Guiomard, Capixaba, Epitaciolândia, Brasileia e Assis Brasil, não resistiu aos ventos e desabou no começo desta tarde. Felizmente nenhum policial ficou ferido.

sábado, 18 de outubro de 2014

Admito que errei

Ex-secretário de Fazenda Mâncio Lima Cordeiro


Errei na nota intitulada “Senador Jorge Viana se equivoca ao insinuar relações políticas na Operação G-7”, publicada em maio do ano passado, quando afirmei que a casa do então secretário estadual de Fazenda, Mâncio Lima Cordeiro, fora alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal por conta da Operação G-7, deflagrada dias antes.

Não é verdade que a casa do ex-secretário tenha sido alvo de mandado de busca e apreensão. Meu erro se estendeu ao afirmar que Mâncio Lima Cordeiro chegou a prestar depoimento e constava como indiciado por desvio de recursos públicos.

O que na verdade ocorreu é que a PF pediu à desembargadora Denise Bonfim, do Tribunal de Justiça do Acre, autorização para que o então secretário, em 10 de maio de 2013, quando a Operação G-7 foi deflagrada, fosse conduzido coercitivamente para prestar depoimento.

A desembargadora negou o mandado de condução coercitiva da PF contra o então secretário baseada no entendimento de que o próprio delegado poderia fazê-lo sem necessidade de pedir a magistrado.

Duas semanas após a deflagração da Operação G-7, a PF optou por convocá-lo para depor como testemunha. Portanto, o ex-secretário Mâncio Cordeiro não consta na lista de indiciados pela PF em decorrência da Operação G-7.

Em audiência judicial de conciliação, realizada no dia 15 de outubro de 2014, relativa ao processo nº 0010845-86.2014.8.01.0070, movido por Mâncio Lima Cordeiro, concordei em publicar esta nota admitindo o erro.

Minhas desculpas a Mâncio Lima Cordeiro pelo erro.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Brasil desconhece risco do ebola na fronteira com Peru e Bolívia



Na tentativa de tranquilizar a população brasileira, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, se equivocou na semana passada ao descartar o Acre como uma possível porta de entrada do vírus ebola no país. O ministro declarou na sexta-feira (11), em Brasília, que os imigrantes africanos, principalmente os senegaleses, demoram de 45 a 60 dias, após a partida, até chegarem ao Estado.

- É um período muito superior ao de incubação da doença, que é 21 dias - disse Chioro.

Os imigrantes senegaleses na verdade demoram no máximo 15 dias para percorrerem a rota de Dakar, capital e a maior cidade do Senegal, até Rio Branco, capital do Acre.

- O serviço de imigração da Polícia Federal já nos relatou caso de senegalês que demorou apenas seis dias de Dakar a Rio Branco - disse o servidor público Antonio Carlos Ferreira Crispim, da secretaria estadual de Desenvolvimento Social do governo do Acre, que administra o abrigo de imigrantes em Rio Branco.

Leia mais:

No Acre, Fiocruz detecta casos suspeitos de elefantíase em abrigo de imigrantes

A rota percorrida pelos senegaleses inicia de avião, em Dakar, num vôo de quatro horas de duração, com escala em Madrid, na Espanha. De lá, prosseguem em voo de 13 horas para Quito, capital do Equador. Viajam mais 45 minutos até Guayaquil, e passam então a seguir a mesma rota dos haitianos por estradas em território peruano até o Acre, na tríplice fronteira do Brasil-Peru-Bolívia.

A realidade contradiz o ministro da Saúde, para quem ninguém, com ebola, aguentaria atravessar o circuito até a entrada pelo Acre e chegar sadio em nossa fronteira. Segundo Chioro, quanto o vírus passa a ser transmitido, geralmente 21 dias depois da contaminação, o doente apresenta sinais graves da doença, que pode ser detectada facilmente.

- O ministro da Saúde certamente se pautou por informações de relatórios que recebeu. Os relatórios que recebi da Vigilância Epidemiológica mencionam que os africanos demoram de 45 a 60 dias para percorrerem a rota até o Acre. Vou averiguar os dados junto à minha equipe - prometeu a secretária estadual de Saúde do Acre, Suely Melo, ao ser questionada pela reportagem.

A febre hemorrágica causada pelo vírus ebola é uma enfermidade transmissível pelas secreções, fezes, vomito, suor, saliva e sêmen. Profissionais que trabalham na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e com a Bolívia já manifestaram preocupação com a crescente entrada de senegaleses no Brasil depois que o Senegal registrou um caso de febre hemorrágica pelo ebola em um paciente procedente da Guiné.

Não existe triagem ou avaliação sanitária de imigrantes na fronteira. Desde o começo do ano, 1,2 mil senegaleses cruzaram a fronteira brasileira pelo Acre, de acordo com dados da Polícia Federal. Nos últimos 15 dias entraram imigrantes de Serra Leoa, um dos países atingidos pelo surto da doença, além de imigrantes da Nigéria, outro país onde há incidência do vírus.

Neste ano tem sido registrado um considerável crescimento no número de imigrantes senegaleses na rota que inclui a tríplice fronteira. os senagaleses formam o segundo maior grupo de estrangeiros presentes no Acre. Nesta segunda-feira, 350 imigrantes, dos quais 120 são senegaleses, aguardam ônibus fretados pelo governo estadual que os levarão até São Paulo.

Agroindústria da carne

A entrada livre de haitianos é uma situação excepcional da política brasileira, de maneira que muitos dos senegaleses que tentam entrar no país pela fronteira chegam a ser barrados pela Polícia Federal por não possuírem visto. Eles acabam entrando por vias alternativas, conduzidos ou orientados por coiotes, que exacerbam os valores cobrados para assegurar a sua entrada.

Na fronteira, alguns senegaleses chegam a dizer que perderam os documentos durante a viagem e entram no país como se fossem hatianos. Embora ainda não sejam amparados pela política voltada para os haitianos, os imigrantes senegaleses solicitam refúgio ao chegarem em solo brasileiro.

Os documentos deles demoram mais tempo para serem emitidos, as empresas contratantes priorizam os haitianos e eles contam com menos atenção do governo federal para as suas demandas.

O encontro e a convivência entre imigrantes de diversas nacionalidades nem sempre é cordial e solidária no acampamento instalado no Acre. Haitianos e senegaleses disputam atenção, território e comida, o que gera brigas ocasionais entre os grupos.

Com diferenças econômicas, culturais e religiosas bem demarcadas, o contato entre esses grupos tem exigido atenção especial da administração do acampamento, que inclusive tem requisitado reforço policial para o interior do local.

Esses desentendimentos e conflitos no interior do abrigo tendem a aumentar nos momentos de superlotação, quando o temor da falta de água, comida, espaço e a própria concorrência pelas vagas de trabalho afligem os imigrantes e os colocam em disputa entre si.

A professora de sociologia Letícia Mamed, da Universidade Federal do Acre Letícia Mamed, realiza pesquisa sobre trabalho, precarização, migração e recrutamento de caribenhos e africanos na Amazônia pela agroindústria da carne. Ela assinala, que os senegaleses seguem “as mesmas tendências estruturais que norteiam o recrutamento de haitianos”.

A pesquisadora distinguiu como movimento significativo o recrutamento dos senegaleses também pela agroindústria da carne, mas em um segmento muito específico, que é o de frigoríficos com abate diferenciado, conhecido como “halal”.

- A produção se destina à exportação para o Oriente Médio, com o necessário cumprimento de rituais islâmicos no processo de abate. A contratação de senegaleses nesse processo de trabalho considera a sua condição religiosa de muçulmanos, pois nesses frigoríficos todos os procedimentos com o abate de animais devem ser realizados por muçulmanos praticantes - afirma Letícia Mamed.

domingo, 12 de outubro de 2014

Marina: “Votarei em Aécio e o apoiarei”

Leia o posicionamento de Maa ex-senadora Marina Silva no segundo turno da eleição presidencial:

“Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável”.

Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação.

Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.

Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio  imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros.

E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente  destinatária de  promessas ou compromissos.

Os compromissos explicitados e assinados por Aécio tem como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento.

E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.

Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política.

Para mim eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui.

Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.

Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.

Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram.

Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira.

Me posicionarei.

Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.

A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas.

Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas.

Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.

Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.

Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica.

E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e  de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.

Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.

Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos.

Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.

Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:

O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.

A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.

A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado.

Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.

Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.

 Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.

 Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado

 Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.

Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.

Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas

Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.

 Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.

Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro.

É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranqüilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.

Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil.

O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas.

É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa.

É ferir de morte a democracia.

Chegou  o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum.

É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves,  declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.

Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos,  dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.

Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu.

Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar.

O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

“PT põe em risco a democracia com o aparelhamento do Estado”, diz Antonio Alves, assessor de Marina

Altino Machado
Direto de Rio Branco (AC)

Um dos assessores mais próximos de Marina Silva (PSB), candidata derrotada à Presidência da República, o jornalista e poeta acreano Antonio Alves, 57 anos, considera como argumento mais forte, para evitar a neutralidade da ex-ministra e ex-senadora no segundo turno, o “quase consenso de que o PT passou da conta e está colocando em risco o ambiente democrático, com o aparelhamento do Estado”.

“Isso é inaceitável. Cria-se, então, uma forte tendência de votar no Aécio, mesmo sabendo que ele é a outra face da mesma moeda, para que haja, pelo menos, uma alternância no poder. Mas essa posição, que é aceitável no presente, traz um risco para o futuro que é a Marina e a Rede não se distinguirem mais, de forma clara, da polarização PT-PSDB. A Rede é uma semente que não pode se perder”, afirma.

Fundador do PT e ex-militante da organização trotskista Liberdade e Luta (Lubelu), Toinho Alves, como é mais conhecido, atua desde meados dos 1980 com Marina Silva. Estava com a ex-seringueira quando foi eleita senadora pela primeira vez no Acre, em 1994, e há três meses está em São Paulo por causa da campanha presidencial.

Misto de amigo e guru, é considerado da extrema confiança da ex-senadora, elabora parte do ideário "marinista" e até seus discursos. Ele admite que Marina vive um “dilema sem saída, no qual não existe posição confortável”.  “Eu gostaria de que ela tivesse a liberdade de dizer “pessoal, tchau, vou embora pra casa”. Já imaginou? Quando perguntassem em que iria votar, bastava dizer que o voto é secreto e que ela tem o direito de votar em quem quiser”.

Em entrevista exclusiva ao Terra, o amigo e conselheiro político não tem a “mínima ideia” do que Marina vai decidir.  “A Marina costuma tirar posições inusitadas nas situações mais difíceis. Acho que ela vai tentar, ao máximo, preservar a coligação e o futuro da Rede e do PSB. Vai se expressar dentro desse coletivo. E se a posição majoritária for de apoio ao Aécio, a forma desse apoio dependerá também dele e da campanha que ele fizer”.

Para Alves, o tempo da política simples ficou pra trás com "esquerda e direita, democracia e ditadura". "A polarização PT-PSDB é a continuidade desse simplismo, que está chegando ao fim. Agora tem outras forças, outros polos, uma complexidade maior. É por isso que tanta gente vive no passado. No século 21, só entra quem for inteligente".

Terra: É verdadeira a tendência de Marina apoiar Aécio no segundo turno?
Antonio Alves: É uma possibilidade, mas não desse jeito apressado, sem crítica, como está sendo anunciado. Não dá pra cair na velha polarização e simplesmente aderir sem nenhuma crítica. Isso não seria nada “marineiro”. O que foi noticiado até agora é resultado de uma certa ansiedade, pautada pelos interesses de um lado ou de outro. A imprensa cria uma versão para depois, se a Marina tomar decisão diferente, dizer que ela "mudou de posição" ou "recuou" mais uma vez. A "desconstrução" da Marina parece continuar sendo a política dos partidões.

Terra: Ao reconhecer a derrota no domingo, Marina deixou no ar que vai dialogar com o PSDB sobre o segundo turno.
Antonio Alves: Não sei se ela vai dialogar. Uma das opções possíveis é simplesmente votar. Marina é uma cidadã, tem o seu voto. Se ela quiser declarar o voto, declara. Mas, se não quiser, pode votar sem dizer nada. Não tem obrigação nenhuma. Ela esteve sozinha durante a campanha inteira. Ninguém correu para defendê-la dos ataques caluniosos e injuriosos que ela sofreu. Por que ela teria que se colocar, novamente, para ser atacada? Quem fez o angu, que o coma.

Terra: Você disse isso à Marina?
Antonio Alves: Sim, mas ela sabe que qualquer que seja sua decisão, vai ser crucificada do mesmo jeito. Se disser que vai votar na Dilma é um escândalo, depois de tudo o que o PT fez. Se disser que não vai votar em ninguém, vão dizer que ela está querendo que o PT continue.  E se disser que vai votar no Aécio vai ser crucificada do mesmo jeito, vão dizer que ela foi com a direita, com os ruralistas que sempre apoiaram o candidato etc. De um jeito ou de outro, é pau pra comer sabão e pau pra saber que sabão não se come.

Terra: Mais um dilema na vida de Marina?
Antonio Alves: Um dilema sem saída, no qual não existe posição confortável. Eu gostaria de que ela tivesse a liberdade de dizer “pessoal, tchau, vou embora pra casa”. Já imaginou? Quando perguntassem em que iria votar, bastava dizer que o voto é secreto e que ela tem o direito de votar em quem quiser.

Terra: Qual é o argumento mais forte para que isso não aconteça?
Antonio Alves: É o argumento de que o Brasil passa por um momento difícil e decisivo e que o trabalho dela, nessa eleição, ainda não terminou. Há quase um consenso de que o PT passou da conta e está colocando em risco o ambiente democrático com o aparelhamento do Estado. Por exemplo, mudar a composição do Supremo Tribunal Federal para rever o processo julgado um ano antes e minimizar as penas que já tinham sido dadas aos réus do mensalão, isso é inaceitável.

Cria-se, então, uma forte tendência de votar no Aécio, mesmo sabendo que ele é a outra face da mesma moeda, para que haja, pelo menos, uma alternância no poder. Mas essa posição, que é aceitável no presente, traz um risco para o futuro que é a Marina e a Rede não se distinguirem mais, de forma clara, da polarização PT-PSDB. A Rede é uma semente que não pode se perder.

Terra: Você é amigo, conselheiro político e acompanha Marina desde meados dos 1980. O que ela vai decidir?
Antonio Alves: Não tenho a mínima ideia. A Marina costuma tirar posições inusitadas nas situações mais difíceis. Acho que ela vai tentar, ao máximo, preservar a coligação e o futuro da Rede e do PSB. Vai se expressar dentro desse coletivo. E se a posição majoritária for de apoio ao Aécio, a forma desse apoio dependerá também dele e da campanha que ele fizer. Aliás, nem vimos como será esse segundo turno.

Será que a Dilma vai insistir no marketing selvagem contra o Aécio, como fez no primeiro turno contra a Marina? Será que o Aécio vai manter as mesmas posições na polarização ou vai redefinir sua agenda com outros compromissos? Ele pode demarcar as terras indígenas, proteger as florestas, recuperar os mananciais de São Paulo que estão ameaçados pela política desastrosa que fizeram no Estado? Tudo isso tem que ficar claro.

Terra: Mas o tempo é curto para isso, não?
Antonio Alves: Mas existe. Não vejo necessidade de pressa. Alguém pode dizer “ora, daqui a dez dias o povo já se decidiu e a nossa posição não terá mais força nenhuma". E daí? A gente quer que a nossa posição tenha força para que? Eu não raciocino com os critérios da política. Meu critério é pessoal: Marina não deve ser mais uma vez acusada de causar desastres. Imagine só, a candidata que fica de fora do segundo turno ser responsabilizada caso o governo da Dilma ou do Aécio seja desastroso.

Eu sei que muita gente ainda está em campanha, inclusive candidatos a governador que passaram para o segundo turno. A posição da Marina tem que levar em consideração todo esse pessoal, saber quais são as expectativas para não criar problema para os partidos aliados. Mas todos também devem compreender que não pode ser colocado em risco aquilo que ela chama de “legado”, ou, pelo menos, o que restou dele.

Terra: É realmente um grande dilema político.
Antonio Alves: O tempo da política simples ficou pra trás. Esquerda e direita, democracia e ditadura, as opções eram óbvias. A polarização PT-PSDB é a continuidade desse simplismo, que está chegando ao fim. Agora tem outras forças, outros polos, uma complexidade maior. É por isso que tanta gente vive no passado. No século 21, só entra quem for inteligente.

domingo, 5 de outubro de 2014

Segundo turno no Acre após 20 anos

Depois de 20 anos, voltamos a ter segundo turno no Acre. Uma bela vitória do povo acreano. O petista Tião Viana obteve 49,75% dos votos e o tucano Marcio Bittar 30,10%.

Com a eleição duplamente polarizada entre PT x PSDB, no segundo turno vamos ouvir o cu da cotia assobiar ao meio dia.

E Patrícia Poeta já tem o que noticiar antes de abandonar a bancada do Jornal Nacional: Marina Silva obteve 42,02% dos votos, Aécio Neves 29,05% e Dilma Rousseff 27,98%.
 
O Acre não existe. Nem o Brasil.

Gafe já removida da fanpage PT Brasil

Marina: “Vou para São Paulo esperar o resultado que, se Deus quiser, será a pesquisa definitiva desse primeiro turno”

No Acre, a militância gritava: "Marina, guerreira, acreana e brasileira”

 Candidata do PSB à Presidência da República, a ex-senadora Marina Silva, 56, votou na manhã deste domingo (5) na sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Rio Branco (AC), onde nasceu, acompanhada do pai, Pedro Augusto da Silva, 87, e do marido, Fábio Vaz de Lima.

Após votar, a candidata concedeu uma entrevista coletiva e afirmou que vai “ganhar ganhando”. Ela disse que “as pesquisas vão mostrando a oscilação da intenção do cidadão” e que 70% da população brasileira quer mudança.

“Nós vamos ganhar ganhando. E ganhar ganhando é ganhar coerente com os princípios, com as propostas. Essa é a nossa trajetória. Minha e de milhões que estão trabalhando para que a gente possa ter a grande mudança que essas eleições vão demonstrar.  As manifestações de junho aconteceram conectadas com esse sentimento de mudança”,  afirmou.

Durante a semana, em São Paulo, ao se reunir com sua equipe, Marina disse que tem na mão um punhado de areia, vai atravessar o rio, mas que não sabe quantos grãos terá após a travessia. A candidata voltou a se valer da metáfora.

- Não vale fazer qualquer coisa, a qualquer custo, a qualquer preço, para ganhar uma eleição. Os brasileiros vão provar que nós vamos chegar do outro lado do rio com milhões e milhões de grãos de areia dentro da mão para mudar o Brasil com ética, com respeito, com tranquilidade, com amor para unir o Brasil.

Em relação à possibilidade de um segundo turno sem a presença dela, a candidata do PSB voltou a insistir que qualquer decisão será orientada pelo programa do partido. “Segundo turno se discute no segundo turno. Agora nós estamos lutando no primeiro turno. Vamos para o segundo turno. A base da nossa campanha foi o programa. É com ele e com a consciência dos brasileiros que nós vamos ganhar”. 

Marina criticou, sem citar os nomes da petista Dilma Roussef e do tucano Aécio Neves, por não terem apresentado programa e demonstrou otimismo em chegar ao no segundo turno com tempo igual de televisão. “Agora nós só tivemos dois minutos enquanto os dois candidatos estavam unidos para nos atacar. Nós tínhamos dois minutinhos para apresentar propostas, o sonhos, a esperança, e nos defender”.

Marina evitou criticar os institutos de pesquisa, mas, na noite de sábado (4), logo após desembargar no aeroporto de Rio Branco, a candidata declarou que a “pesquisa verdadeira é domingo e nós vamos ao segundo turno". “Vou para São Paulo esperar o resultado que, se Deus quiser, será a pesquisa definitiva desse primeiro turno”, acrescentou Marina durante a coletiva.

Ela disse que a presidente Dilma Rousseff está entregando o país pior do que encontrou, com inflação, juros altos, baixo crescimento, elevado índice de problemas na saúde, na educação, na segurança e com corrupção. “Quem vai ganhar essas eleições não são as estruturas do marketing, do dinheiro, da mentira. Quem vai ganhar essas eleições é principalmente a nova postura do povo brasileiro”.

sábado, 4 de outubro de 2014

Quem prefere o PT e quem opta pelos índios na disputa presidencial

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE 


Índio não dá voto? Será que são os eleitores que se lixam para o destino dos índios e, desta forma, impõem silêncio aos candidatos a presidente? Perdemos a capacidade de nos solidarizar com quem necessita? Excetuando Marina Silva, que reafirmou compromisso com os índios no debate da TV Globo, ninguém falou nada, nem lhes foi perguntado. Na formatação dos debates pela televisão os temas "índio" e "cultura" não constam sequer no sorteio de perguntas. O papelzinho não está no saco do William Bonner. Lá não há lugar para os índios que são invisibilizados e emudecidos.

Os candidatos perdem tempo precioso com abobrinhas ou ofensas pessoais e nada falam sobre política indigenista ou política cultural. Despolitizam o debate e deixam de educar o eleitor. Ficam calados em relação à Funai, que deveria ter independência (ou autonomia, tanto faz) para cumprir o que a Constituição estabelece e não ser tutelada, como é hoje, pela senadora Katia Abreu. Afinal, se não somos capazes de lutar pelos direitos das minorias, em que nos diferenciamos de Levy Fidelix? O Brasil sofre um processo de levyfidelixzação?

Será mesmo esse um tema menor? São quase 900 mil índios que vivem em 13% do território nacional e mantém vivas mais de 180 línguas depositárias de saberes milenares, narrativas, poesia, música, rituais. Podem participar, se tratados com respeito, simpatia e estima, na construção de um Brasil moderno, diverso e plural. Por que candidatos e partidos políticos nem seu souza?

Programa do PT

Uma agenda antiga que guardo me permite lembrar de uma segunda feira, 17 de dezembro de 1979, quando Lula recebeu no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo a visita de dois amazonenses desconhecidos, que queriam discutir a fundação do PT. Um era Aloysio Nogueira; o outro era este locutor que vos fala, ambos dirigentes do movimento dos professores.

Entregamos a Lula exemplares do Porantim - jornal do CIMI, com entrevista de Pedro Casaldáliga para quem "só o socialismo pode salvar os povos indígenas". Queríamos que o PT assumisse as lutas dos índios.

No encontro estadual do PT-AM, em 1980, foi aprovado documento escrito a quatro mãos por mim e por Márcio Souza intitulado "O PT e a questão indígena".  As teses ai apresentadas foram discutidas, nesse mesmo ano, em São Paulo, em dois encontros nacionais: no Colégio Sion, em fevereiro, quando assinamos o manifesto; e no Instituto Sedes Sapientiae, em junho, quando votamos programa, estatuto e plano de ação do partido, que acabou incorporando, no seu último item, os pontos cruciais reivindicados pelos índios: a demarcação da terra e a autodeterminação dos povos indígenas.

A partir daí, a questão indígena aflorou em vários eventos nos quais participei, na qualidade de presidente do PT-Amazonas, cabendo destacar dois comícios que contaram com a presença do Lula. O primeiro, na noite de 27 de julho de 1980, em cima de um caminhão, em Brasiléia (Acre), no ato de protesto contra o assassinato de Wilson Pinheiro. O segundo, no dia 21 de agosto de 1985, no palanque armado na praça São Sebastião, para apoiar  Aloysio Nogueira e Marilene Correa à Prefeitura de Manaus. Em ambos, houve destaque para as lutas indígenas.

Testemunhei o compromisso do PT com a questão indígena até mesmo fora do Brasil, na entrevista coletiva que Lula deu em janeiro de 1981, em Paris, na sede da Confederação Geral dos Trabalhadores. Participaram quase cem jornalistas do mundo inteiro, vários deles demonstrando grande interesse na relação do PT com os índios. Na maior cara-de-pau, entrei como correspondente na França do Porantim, o único jornal presente que a CGT desconhecia.

O registro de tais lembranças permite historicizar como o PT foi construindo sua visão sobre os índios. Desde sua fundação, aprovou em seu programa a defesa do patrimônio cultural de negros, índios e minorias, explicitando com clareza compromisso com a demarcação das terras indígenas. Nessa época, quem estava no PT era Marina Silva. Dilma era do PDT.

O PT construiu um discurso quando era oposição. A eleição de Lula despertou esperanças nas aldeias. Representantes de 220 etnias subiram simbolicamente a rampa do Palácio do Planalto, celebrando com antecipação o início de uma nova era na política.

Base aliada

No entanto, o discurso na oposição foi um e a prática no poder foi outra. A ambiguidade da política indigenista dos governos Lula e Dilma acabou favorecendo as forças que se opõem à demarcação das terras, forças que fazem parte da base aliada. Os direitos indígenas constituíram moeda de troca no cambalacho com a bancada ruralista. Os índios foram tratados como entrave ao progresso.

Decepcionados, num ato público numa praça de Manaus, os índios queimaram cópia do programa do PT. Para eles, a diferença entre Tomé de Souza, D. Pedro, FHC, Lula e Dilma é muito pequena.

Nós, petistas, tivemos de engolir Sarney, Renan Calheiros, Maluf, Jader Barbalho, Collor, Kátia Abreu e essa enxundiosa base aliada com os 300 picaretas do Congresso Nacional. Mas todo sacrifício valeria a pena se ao menos a gente pudesse avançar em questões como a indígena e a ampliação dos direitos civis (aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc). Não foi o caso. O PT entregou a rapadura aos tradicionais detentores do poder. Suspeito que governávamos mais quando éramos oposição.

Nesta campanha, há duas semanas, Marina Silva se reuniu em Brasília com líderes indígenas, quando reafirmou publicamente seu compromisso com a defesa de suas terras, culturas e com a educação diferenciada. Pintados como para um ritual, dezenas de lideres indígenas e de comunidades quilombolas apresentaram a Marina documento com suas reivindicações.

"Os povos indígenas e os povos da floresta dão uma grande contribuição ao meio ambiente do planeta" - afirmou ela, lembrando o legado de Chico Mendes, seu companheiro de lutas, caminhando na direção já assinalada pelo antropólogo Darell Posey, para quem "se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia".

Na ocasião, o índio Tukano Maximiliano Menezes, ex-presidente da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) disse:

- É a primeira vez na história do Brasil que somos recebidos por uma candidata a presidente da República. A senhora nasceu na Amazônia, viveu nossa realidade, sentiu na pele o sofrimento dos povos indígenas.

E Dilma, a outra candidata, onde estava? Em Tocantins, no palanque de Kátia Abreu, pedindo votos para a líder do agronegócio que pisoteia os direitos constitucionais dos índios e "tentou sabotar as ações fiscais de combate ao trabalho escravo no campo" como me escreveu uma amiga que assistiu e me enviou as imagens de Dilma e Kátia, uma pedindo voto para a outra. Vale a pena ver, são trinta segundos.



A questão indígena não é somente um caso de vontade política, mas obviamente de inteligência política. Qualquer eleitor minimamente preocupado com o destino dos índios - somos poucos, mas somos - vota, definitivamente, em Marina, no número 40, porque em última análise se trata do destino de todos nós.  Nem Boff nem frei Beto, que às vezes fazem minha cabeça, me convencem do contrário. Cada um escolhe suas lealdades, há quem prefira o PT, há quem opte pelo índios. Será uma pena se Marina não puder debater com Dilma no segundo turno, em igualdade de condições, as propostas para outro Brasil.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Haitianos

Não sabiam pronunciar nenhuma palavra em português, mas gesticulavam que queriam limpar o quintal de minha casa em troca de algum dinheiro

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Trabalho escravo

Muita gente divulgando lista da Transparência Brasil com nomes de candidatos no país que receberam dinheiro de empresas e pessoas flagradas com trabalho escravo.

Na lista consta o nome do governador do Acre, Tião Viana (PT), candidato à reeleição, e da deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), candidata ao Senado.

É verdade que ambos, em 2006, receberam dinheiro do pecuarista Ricardo Valadares Gontijo. O então senador Tião Viana recebeu R$ 38,4 mil e Perpétua recebeu R$ 15,3 mil.

O Ministério Público Federal ofereceu denúncia, em 25 de março de 2010, em desfavor de Ricardo Gontijo, alegando que o pecuarista estaria reduzindo à condição análoga a escravo (art. 149 do Código Penal) dois funcionários da Fazenda Bella Aliança, localizada no município de Bujari (AC).

Mas Ricardo Gontijo foi absolvido pela Justiça Federal da acusação, em 27 de julho de 2012, juntamente com os demais acusados que administravam a fazenda.

Em agosto, por intermédio de seu advogado, o pecuarista declarou que as notícias relacionadas a trabalho escravo causaram inúmeros constrangimentos à sua vida profissional e pessoal. E continua a causar.

À luz da Justiça, a lista deve conter outros "inocentes".

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

No Acre, Fiocruz detecta casos suspeitos de elefantíase em abrigo de imigrantes



A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectou 15 casos de filariose, conhecida no Brasil como elefantíase, em grupo de 300 imigrantes haitianos e senegaleses examinados na semana passada no abrigo mantido em Rio Branco (AC) pelos governos federal e estadual. A filariose é uma doença parasitária, exclusivamente humana, provocada por três espécies de vermes nematóides. Os casos detectados ainda aguardam confirmação.

Os imigrantes doentes viajam livremente para São Paulo, sem tratamento, em ônibus que saem diariamente de Rio Branco. A Fiocruz realizou treinamento laboratorial para os profissionais de saúde, coleta de sangue para filariose, malária e mal de chagas. O trabalho foi conduzido pelo coordenador do Laboratório de Filariose do Serviço de Referência Nacional em Filariose da Fiocruz Pernambuco, Abraham Rocha.

- A filariose não é uma doença contagiosa, que passa de pesssoa para pessoa. É necessário que o vetor, o mosquito, esteja infectado. Para isso, o mosquito precisa sugar o sangue de uma pessoa infectada. Dentro do mosquito, a larva sugada do indivíduo tem que passar um período de maturação, de 14 a 21 dias, até se tornar larva infectante. Quando esse mosquito for sugar o sangue de outro indivíduo, poderá transmitir a doença. Para isso são necessárias muitas picadas do ou dos mosquitos infectados. Portanto, não é um contágio fácil de ocorrer, mas nós temos que trabalhar para que a população não esteja vulnerável e é por isso que se faz necessário a identificação e tratamento dos indivíduos – explicou Abrahm Rocha.

A pesquisa epidemiológica em curso é consequência de um inquérito civil instaurado pelo promotor de Justiça de Defesa da Saúde, Glaucio Oshiro, acerca dos cuidados com a filariose linfática no Acre desde março, quando o abrigo de imigrantes foi centralizado em Rio Branco. O promotor determinou que o procedimento corra sob sigilo para preservação da ordem pública.

Dos 15 casos suspeitos de filariose, foi confirmado que cinco imigrantes já viajaram para outras regiões do país. Neste domingo (28), na Chácara Aliança, onde funciona o abrigo, funcionários do serviço de vigilância epidemiológica municipal e estadual tentavam localizar os demais suspeitos de serem portadores da doença para que sejam submetidos a novos exames e possam ser tratados em caso de confirmação.

A reportagem conversou com um jovem haitiano de 23 anos examinado pela equipe da Fiocruz Pernambuco. Ele partiu do Haiti há um mês com destino a São Paulo. Passou pela República Dominica, Panamá, Equador, Peru, e chegou ao Acre há uma semana.

- Tenho um primo que está me esperando em São Paulo, mas fui impedido de seguir viagem por causa da doença. Disseram que terei que fazer novos exames e esperar o diagnóstico definitivo e a medicação. No meu país muita gente tem essa doença, mas fiquei surpreso porque eu nunca havia sido examinado. Vou esperar o ônibus fretado pelo governo estadual, mas se tivesse dinheiro viajaria logo para São Paulo. Quero trabalhar – relatou o jovem.

A reportagem apurou que o Ministério da Saúde tem ignorado alertas de pesquisadores e autoridades sobre a situação. O governo de São Paulo, para onde o governo do Acre envia os imigrantes, até agora não foi comunicado.

O Brasil já teve filariose e após 30 anos conseguiu reduzir a prevalência para 0.01%. No entanto, a recente entrada descontrolada de haitianos está pondo a perder essa vigilância.  A filariose demora anos para aparecerem os sintomas, mas já há vetor infectado no Acre e as consequências disso podem aparecer daqui há cinco ou dez anos. Isso poderá proporcionar um foco de filariose, pois ainda não existe prova científica de que a introdução de imigrantes seja um fator de de surgimento de novos focos.

A grande preocupação do promotor Glaucio Oshiro ao instaurar o inquérito vivil foi, além dos dados obtidos, a leitura do artigo científico “From Haiti to the Amazon: Public Health Issues Related to the Recent Immigration of Haitians to Brazil”, de maio de 2014, publicado pela PLOS Neglected Tropical Diseases.

De acordo com o artigo, citando dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 108 milhões de pessoas são afetadas pela filariose linfática, das quais 1,3 milhão vivem em regiões de transmissão da doença, dentre elas o Haiti. As estimativas indicam que a doença causa deformidades físicas em cerca de 40 milhões de pessoas, sendo a segunda maior causa de incapacidade em todo o mundo.

No Brasil, a filariose linfática apresenta um quadro de quase eliminação, continuando, no entanto, a Amazônia brasileira vulnerável à sua reintrodução. Ela faz parte de um grupo de 17 enfermidades mais frequentes e comuns em populações pobres ao redor do mundo. Ocorre em áreas carentes de saneamento básico, principalmente onde há escassez de água potável, esgoto a céu aberto e a população possui baixa escolaridade e sistema de saúde precário.

Negligenciada, a filariose afeta principalmente crianças, mulheres grávidas, jovens em idade economicamente produtiva e isso contribui negativamente para o desenvolvimento econômico dos países onde ocorre. A OMS estabeleceu como meta eliminar a filariose até 2020.

Em 72 países, 1,3 bilhão de pessoas estão em risco de desenvolver a doença, sendo que aproximadamente 65% dessas pessoas vivem no sudoeste asiático, 30% na África e o restante em áreas de clima tropical e subtropical. Nas Américas, os focos mais ativos concentram-se principalmente no Brasil, Guiana, República Dominicana e Haiti, onde cerca de 12,4 milhões de pessoas necessitam de tratamento. O Haiti é o país que apresenta a maior prevalência da doença.

Atualmente, o único foco de filariose conhecido no Brasil encontra na região metropolitana de Recife, que engloba as cidade de Recife, Olinda e Joboatão dos Guararapes. As cidades de Belém (PA) e Manaus (AM), e a região de Maceió (AL), foram descritas como focos endêmicos no passado, mas os focos foram extintos e a população permanece em observação.

De acordo com o médico Rodolfo Luís Korte, autor de uma tese de doutorado no ano passado sobre as implicações para transmissão e controle da filariose na Amazônia Ocidental Brasileira, a imigração de haitianos para a região, com eventuais portadores de filariose, pode a longo prazo estabelecer um novo foco da doença, uma vez que o Haiti é um dos países com maior prevalência de filariose no mundo.

Korte considera de extrema importância que os órgãos governamentais executem um plano de ação para que se realize uma pesquisa envolvendo todos os imigrantes haitianos na região. Ele, pelos meios convencionais de pesquisa, através do consentimento livre e informado, não obteve permissão dos haitianos como voluntários para a realização do exame para detecção da filariose.

- Caso essa pesquisa não seja realizada, o Brasil estará correndo o risco de apresentar um novo foco da doença muito em breve – alerta o pesquisador, cujo estudo abrangeu Porto Velho e Guajará Mirim, em Rondônia, e Humaitá, no Amazonas, para identificar focos de filariose linfática. Ele concluiu que as áreas estudas são indenes para filariose brancoftiana.

Nesse contexto, segundo o promotor de justiça Glaucio Oshiro, o Ministério Público do Acre observou que o atual quadro migratório de caribenhos e africanos requer especial atenção epidemiológica, notadamente para impedir ou interromper com sucesso a reintrodução da filariose no país.

- Estamos levando também em consideração que o Plano Integrado de Ações Estratégicas de Eliminação Filariose, do Ministério da Saúde, que estabelece como desafios específicos manter a situação de eliminação nos estados que já alcançaram e manter a vigilância de casos não autóctones – argumenta o promotor.

Oshiro disse que, a par das requisições já efetivadas dentro do inquérito civil, o Ministério Público requisitou um posicionamento do Ministério da Saúde a respeito da vigilância epidemiológica diante desse fluxo migratório, ainda estando pendente de resposta. Após a instauração do procedimento do Ministério Público, houve estabelecimento de parceria com a Fiocruz Pernambuco para capacitação, testes rápidos e diagnósticos, além da linha de cuidado para tratamento da filariose.

As próximas providências serão ajustadas esta semana, no Acre, conjuntamente com o Ministério Público Federal, na medida em que se trata de questão de imigração e, portanto, de interesse da União. Além disso, os Ministérios Públicos Estadual e Federal se reunirão com a vigilância epidemiológica para avaliar as ações efetivadas ao longo da semana passada.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Toinho Alves, o discreto conselheiro de Marina

POR DANIELA CHIARETTI E CRISTIANE AGOSTINE
Valor Econômico, de Rio Branco e São Paulo 


Ex-petista e ex-líder estudantil ligado ao Liberdade e Luta (Libelu), o jornalista Antonio Alves Leitão Neto, o Toinho Alves, de 57 anos, é o amigo de mais longa data da presidenciável Marina Silva (PSB) no dia a dia da campanha. É, também, uma das pessoas que Marina mais ouve.

"É um acriano dos mais especiais que a gente tem", diz o senador Jorge Viana, ex-prefeito de Rio Branco, duas vezes governador e um dos principais políticos do Estado. "Toinho ajudou muito na minha formação, na de Marina, é alguém fora do convencional. Pelo menos eu o tenho assim."

Alves foi secretário municipal e estadual de Cultura na gestão de Viana. Uma vez, em uma conversa de bar, ouviu do produtor cultural Jorge Nazareth a expressão "florestania". Gostou da ideia, que sintetizava a sustentabilidade, o socioambientalismo, os direitos indígenas, a proteção da biodiversidade e outros aspectos que resumiam o espírito do governo petista que se formava no Acre.

A Alves se atribui o desenvolvimento do conceito de florestania, que marcou a gestão de Viana no governo. "Toinho é uma pessoa brilhante, que nos ajudou a conceber estes novos conceitos, que Leonardo Boff elogia, do governo da floresta", diz Viana. "Sempre que posso, converso com ele", segue o senador.

Alves é do grupo que fundou o PT no Acre, ao lado de Viana, o ex-governador Binho Marques, Marina, Julia Feitosa e o ex-secretário estadual Nilson Mourão, entre outros. Ajudou a articular a Frente Popular do Acre.

"Toinho nunca foi um quadro orgânico do PT. Ele sempre foi um quadro incômodo para a ânsia de poder do partido", diz o amigo e jornalista acriano Altino Machado. "Toinho é uma das cabeças de Marina."

Desde o início da carreira política de Marina Silva no Acre, Alves se ocupava da comunicação das campanhas, dos discursos, dos novos conceitos. Continua com lugar de destaque na definição da estratégia da atual candidatura presidencial.

O jornalista, descrito por Marina como seu "conselheiro político", mudou-se de Rio Branco para São Paulo para acompanhar os desdobramentos da disputa eleitoral, que poderá levar a ex-senadora ao segundo turno.

Marina e Toinho Alves se conheceram em 1981, no primeiro ano do curso de História da Universidade Federal do Acre (UFAC). Ele havia passado um período em Brasília e no Rio e regressava ao Estado natal.

"Ele escreve muito bem. É um questionador, o formulador da florestania, hoje um assessor importante na campanha de Marina", diz o advogado Gomercindo Rodrigues, um dos melhores amigos do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado no Acre em 1988.

"No Acre a gente fala de sustentabilidade há 20 anos", costuma comentar com os amigos. "Esta história de nova política, de novos realinhamentos, são coisas que vêm sendo elaboradas no Acre, que Marina elabora no Acre, há 20 anos. E ainda não são compreendidas no resto do Brasil", espanta-se, segundo relatos.

O senador Aníbal Diniz (PT-AC) lembra da época de militância estudantil, quando Marina e Alves se conheceram. Foi também ali que conheceu Alves. "Ele levou as primeiras discussões sobre trotskismo para o Acre. Tinha a análise mais precisa", diz.

A relação de Alves com Marina indica que ela não é uma intolerante religiosa, como se diz no processo de desconstrução da candidata. Toinho Alves é um integrante do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo, em Rio Branco. O centro, fundado pelo negro maranhense Raimundo Irineu Serra, que faleceu aos 79 anos, em 1971, é a origem da doutrina do Daime. É uma religião cristã com milhares de seguidores no Acre.

Alves é uma referência intelectual, um amigo e conselheiro, uma espécie de "guru" político para Marina Silva. Ela diz que foi com ele que aprendeu o que é ecologia.

No Acre, Toinho Alves participou de pelo menos seis campanhas eleitorais, para a Prefeitura de Rio Branco e para o governo do Estado, além das campanhas de Marina para a Câmara Municipal e para o Senado. Responsável por pensar a estratégia e o rumo da campanha, o jornalista teve em Aníbal Diniz um de seus principais parceiros. "É um exímio redator. Pega as ideias de todo mundo e transforma em conteúdo para a campanha", afirma.

Toinho Alves assessora a candidata do PSB em suas falas, quando tem que dar uma entrevista importante, na revisão de seus textos, no conteúdo dos debates. "Ele tem uma visão humanista, de fazer uma propaganda leve, sedutora", diz Nilson Mourão. "Os políticos o procuravam em busca de orientação para suas campanhas. Sempre tinha ideias inteligentes e criativas".

Toinho Alves foi um assessor importante também no governo do petista Binho Marques, entre 2003 e 2006.

Nos mandatos de Marina, Alves ajudou no planejamento da atuação da então parlamentar. Em 2010, quando a ex-senadora disputou a Presidência, também acompanhou de perto a campanha e estava na linha de frente da comunicação. Era o jornalista responsável pelo roteiro do programa de televisão.

Na campanha atual, é uma das principais referências de Marina, ao lado de antigos aliados, que estiveram na campanha presidencial anterior, como Nilson Oliveira, Bazileu Margarido, Tasso Azevedo, João Paulo Capobianco, Pedro Ivo e Maristela Bernardo, entre outros.

Com perfil discreto, Alves evita falar antes do primeiro turno. "Mas não há um texto de Marina que não passe pela sua revisão. Ela tem uma grande confiança nele. É uma grande referência para Marina", afirma Diniz.

Comentário de um amigo que avisou sobre o material do Valor:

- Bem, estruturar um perfil do Toinho em falas de Jorge Viana, Gomercindo... Não pega bem nem para o Toinho nem para a Marina. Além disso, o que menos o acreano quer é ver a Marina próxima aos Viana. Diria que isso até faz perder votos. Essa deve ser mais uma jornalista idiota, que não percebeu a realidade das coisas. Militância por militância, a Marina está sendo crucificada pelo Lula. Isso não é hora para aproximar a Marina de tudo aquilo do que ela deve se afastar. Além do mais, já basta dessa mania de dar sempre espaço para o Jorge Viana se exibir.

Meu comentário:

- É engraçado porque tem depoimento até de gente que na verdade odeia Toinho. Outros depoentes agem com a mesma hipocrisia em relação à Marina. Na mídia um coisa, por trás, porrada.

Teó e Marina

A saudosa Teotista Amélia dos Santos, a Teó, com Marina Silva no movimento sindical dos professores do Acre, em meados dos 1980, numa greve geral contra o governo de José Sarney. Atrás de Marina, Inácio Moreira, do PCdoB, que na época era uma jovem liderança de bairro. O PCdoB apoiava Sarney e na greve sua militância cruzava os braços com certa vergonha. O partido hoje apoia Dilma. Teó é mãe da ex-modelo, atriz, compositora e cantora Danah Costa.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Nova classe média

Sebastião Silva, 26, percorre a periferia de Rio Branco apresentando suas mercadorias na venda improvisada em triciclo. Há de tudo, no bom e velho estilo dos marreteiros árabes, que percorriam em seus barcos, rios abaixo e acima, vendendo artigos para seringueiros. O trabalhador acreano é um desempregado que tenta, na informalidade, sobreviver à dureza da vida no Acre. Porém, a leitura do governo petista diz que ele é um pequeno empreendedor, aspirante de empresário e membro da bem sucedida nova classe média brasileira.