segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Maracanãs

Minhas casa tem açaizeiro onde cantam e se alimentam maracanãs-do-buriti (Orthopsittaca manilatus)
 


Capim-santo


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Mais vale a vida, Solano Machado Carrazoni


Voltei da Maternidade Bárbara Heliodora, onde visitei Jael e Solano. Ambos passam muito bem. Tivesse asas, voaria para trombetear lá do alto meu contentamento. E volto a este assunto por causa da renovação do elo familiar com a chegada de um novo membro. Ainda mais por coincidir com a data de aniversário da caçula. Foi bonito ver a enfermeira obstetra com Solano a sorrir nos braços quando comecei a fotografá-los. A presença de uma criança em casa é sempre uma festa. Parabéns Iara e Solano pela alegria que me proporcionam. Saí de lá sem resposta para uma pergunta que fiz a mim: o que faz um bebê sorrir após seis horas de vida neste mundão? E lembrei de uma mensagem do mestre Irineu Serra no hinário de Maria Damião:

Quando eu era menino

Quando eu era menino
Me chamavam pequenininho
Aí eu me transformei
E mais eu multipliquei

Foi palavras que Deus disse
Para todos vossos filhos
Trabalhai e multiplicai
Para não diminuir

Até que a velhice chegou
E o ensino multiplicou
A certeza é que eu vou
Mas todos dizem ele deixou

Os ensinos estou mostrando
Para todos compreender
Que eu não posso me declarar
Eu mesmo não posso dizer

Solano


E ele chegou saudável ao mundo, às 9h44 desta manhã iluminada do décimo sexto ano do segundo milênio da era do Nosso Senhor Jesus Cristo, pesando 3,540 Kg, após 37 semanas na barriga da mãe Jael e cuidados do pai Rogerio. Meus sinceros agradecimentos à competente equipe da Maternidade Bárbara Heliodora (médicas Dirce Manasfi e Dulce Torres (obstetras) e Simone Chaves (pediatra) e enfermeira Neuma de Souza) pelo carinho e competência. O parto contou com a assistência da enfermeira Iara Jaccoud Machado, servidora da Maternidade, que estava de férias no nordeste e regressou de surpresa na noite de ontem para ajudar a receber o sobrinho e afilhado. Afinal, hoje é aniversário da tia e madrinha do Solano. Ter sido avô a primeira vez aos 40 e repetir a dose 13 anos depois é indescritível. Que Solano saiba trilhar o caminho do bem e seja capaz de ajudar a iluminar as veredas deste mundo com seu irmão Samuel Campos.

Rolinhas e juritis


Quem ousar dizer às rolinhas e juritis que é anti-higiênico e maléfico à saúde fazer cocô na borda do "berço"? Rolinhas e juritis fazem ninhos muito precários. Elas praticamente se limitam a acumular pedaços de palha de capim para chocar seus ovos. Imaginava que fosse desleixo ou preguiça. Mas o ornitólogo Edson Guilherme, da Universidade Federal do Acre, explica que os ninhos são mal-ajambrados porque elas possuem bicos frágeis e não conseguem tecer com delicadeza. As fezes que se acumulam na borda do ninho, explica o ornitólogo, secam, enrijecem e ajudam a fortalecê-lo quando chove ou venta em demasia. Guilherme lembra que sabiás são mais zelosos com a higiene de seus ninhos: abrem o bico para receber as fezes dos filhotes. E engolem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Adeus, Márcio Bestene Koury


O amigo Marcio Bestene Koury é uma das vítimas do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense na madrugada desta terça-feira (29), na cidade de La Unión, próximo a Medellín, na Colômbia.

Filho da professora Nabiha Bestene e do saudoso sociólogo Hélio Koury, Márcio se formou e obteve especialização em engenharia elétrica na Unicamp, foi professor de física em Rio Branco, posteriormente cursou medicina na Universidade Federal do Acre, se especializou em medicina esportiva, e foi embora do Acre. Morava em Chapecó (SC), onde era médico da Chapecoense.

Era casado e deixa duas filhas. A mãe do médico está de passagem por Goiânia e seu regresso ao Acre estava previsto para quarta-feira. Karen, irmã que mora em Lisboa, chega ao Brasil na manhã da quarta-feira.

— Ele estava muito feliz com o desempenho do time, com o sucesso de sua trajetória profissional. Marcio vivia intensamente a nova profissão. Meu sobrinho era muito, muito inteligente, além de muito dedicado. Na última vez que esteve aqui, ele falou: “Tio, você ainda vai me ver como médico da Seleção Brasileira”. O sonho dele foi golpeado pela tragédia - comentou visivelmente emocionado o tio José Bestene.

Às 11h34 de segunda-feira, Márcio Bestene registrou no Facebook sua localização no Aeroporto de Guarulhos com uma mapa e a rota do voo de São Paulo a Bogotá. E escreveu sua última mensagem aos familiares e amigos:

— Partiu final da copa sul-americana #vamoschape #medicinadoesporte

Márcio é irmão por parte de pai de outro amigo, o Helio Cezar Koury Filho.

O Brasil perde um homem alegre e super inteligente. Minhas sinceras condolências aos Koury e Bestene.

Adeus, Márcio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Borboleta azul

Voou, voou e veio pousar e posar em minha casa. Aprendi ao ler um artigo intitulado “Atrás de uma borboleta azul”, de Marina Silva, que essa borboleta na verdade é marrom. Pesquisadores do Inpa descobriram que ela dispõe de uma engenharia de disposição das escamas das asas que faz com que, na incidência de luz, se tornem azuis.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ninho

“No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia.” (Jó 29-18)

Garça

Alto Santo, Rio Branco (AC)

domingo, 20 de novembro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

REDD, pagamentos por serviços ambientais e espiritualidade amazônica

POR MICHAEL F. SCHMIDLEHNER  


A Segunda Conferencia Mundial da Ayahuasca, a AYA2016, será realizada em Rio Branco entre 17 e 22 de outubro. Os organizadores têm boas razões para realizar o evento na capital acreana, que consideram o berço da cultura ayahuasqueira.

Todos os quinze povos indígenas conhecidos, assim como muitas comunidades locais não-indígenas habitantes no Acre fazem tradicionalmente uso da ayahuasca.

Desde o início do século XX, comunidades urbanas, na região amazônica, também desenvolveram diferentes rituais baseados na ingestão da ayahuasca, sobretudo a tradição do Santo Daime, cujas várias linhas doutrinárias hoje se disseminam no mundo, tem suas origens em Rio Branco.

Parceria com o governo

A conferência está sendo organizada em estreita parceria com o governo do Estado do Acre. A programação prevê a participação do governador Tião Viana e seu irmão Jorge Viana, ex-governador do Acre, atualmente vice-presidente do Senado.

Desde 1998, quando Jorge Viana foi eleito governador, o chamado Governo da Floresta adotou uma atitude favorável em relação ao uso tradicional e religioso da ayahuasca. Desde então, o governo do Acre tem contribuído para o reconhecimento e legitimação de ayahuasca para uso religioso, um processo que havia começado em nível federal, no Brasil, no final de 1980, após um período de discriminação e até proibição durante a ditadura.

As múltiplas doutrinas religiosas e rituais que surgiram no Acre a partir do uso da ayahuasca, hoje vêm sendo valorizadas cada vez mais e reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro. O governador tende a destacar a importância da espiritualidade no contexto da sua - como ele considera - política florestal ética.

Questões éticas e espirituais

O Acre é reconhecido internacionalmente -ainda mais do que por sua rica cultura ayahuasca- pelos esforços de seu atual governo para implementar projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) e Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

No entanto, há um número crescente de pessoas e organizações que questionam estes projetos precisamente no que diz respeito aos seus aspectos éticos. Entre outras coisas, os críticos apontam para a subjacente lógica do "pagar para poluir", bem como violações de direitos e criminalização de comunidades que dependem da floresta.

Ao restringir práticas tradicionais de uso da terra, como o plantio de mandioca (que inclui o uso do fogo em pequena escala), caça, pesca e uso de madeira (para habitação, canoas etc) projetos do tipo REDD alteram profundamente as relações das comunidades com a floresta.

Neste contexto, é preciso também perguntar: não era precisamente devido às suas imperturbadas relações com animais e plantas que os povos indígenas foram capazes de preservar os seus recursos e manter as suas práticas xamânicas vivas?

A estreita relação destes povos com o ecossistema, sua integração na complexa rede de relações vitais da floresta, lhes permitiu descobrir a ayahuasca, preservá-la e cultivá-la ao longo de milênios.

Os modernos usuários e pesquisadores da ayahuasca parecem ainda ser pouco conscientes da imanente "ameaça espiritual" que os projetos do tipo REDD e PSA representam para os povos indígenas.

Impactos dos projetos do tipo REDD

Hoje, as comunidades indígenas e locais, no Acre, estão profundamente divididas, e grande parte rejeita a forma impositiva, como o governo estadual promove tais projetos, como mostra a carta aberta dos participantes de uma oficina organizada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) na semana passada.

Um relatório, publicado no ano passado pela rede DHESCA, uma renomeada organização de direitos, denuncia graves violações de direitos, como resultado desta política de “economia verde” no Acre.

Apenas algumas semanas atrás, posseiros que vivem na área do Projeto Purus e cujas habitações durante os últimos anos têm sido regularmente sobrevoadas por aeronaves ultraleves e drones de vigilância, foram multados em milhares de reais pelo Instituto de Meio Ambiente Ambiente do Acre (Imac) por causa de seus roçados.

Os posseiros agora temem que estas –para eles impagáveis– multas podem ser um primeiro passo para a criminalizá-los e, finalmente, despejá-los de suas terras.

Discussão é necessária

O abrangente programa do congresso AYA2016 prevê a discussão de muitas das questões importantes que surgem com a crescente utilização e comercialização de ayahuasca em escala global, tais como os impactos ambientais da colheita das plantas e os impactos sócio-culturais do emergente turismo ayahuasqueiro em comunidades indígenas, entre outros.

No entanto, uma discussão específica dos crescentes impactos de REDD e PSA sobre autonomia, soberania alimentar e espiritualidade dos povos da floresta não está programada.

Michael F. Schmidlehner é austríaco nato e brasileiro naturalizado, possui mestrado em filosofia pela Universidade de Viena (Áustria), e atua desde 1995 no Acre, entre outros como professor de filosofia, ativista e pesquisador, realizando estudos nas áreas de proteção de conhecimentos tradicionais e justiça ambiental e climática.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

No Acre, traficante português é preso pela terceira vez em terra de índios isolados


O traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, 65 anos, foi preso nesta quarta-feira (12) pela terceira vez na área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, na fronteira com o Peru, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde vivem índios de recente contato com a Funai.

Fadista, que foi transferido da terra indígena para a delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, foi preso por indígenas e pela equipe da Funai que atua na área. Ele estava sozinho e não resistiu à prisão.

Leia mais:

Facção dissidente do Sendero Luminoso produz cocaína na fronteira com o Brasil

Uma equipe de saúde que também atua na área foi retirada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) por precaução e deve voltar assim que maiores investigações forem feitas e seja garantida a segurança no local.

O português é narcotraficante internacional e já foi condenado por tráfico de drogas pela Justiça do Maranhão e Ceará, bem como em Luxemburgo.

Em agosto de 2011, foi preso na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira em flagrante pela prática dos crimes de furto qualificado, reingresso de estrangeiro expulso e introdução clandestina de estrangeiro no Brasil.

Naquele ano, reapareceu acompanhado de outros homens armados com fuzis e metralhadoras. Fadista nasceu em Lisboa e já havia sido preso pelo pessoal da Funai na mesma área, em março de 2011, quando foi entregue às polícias Civil e Federal.

À época, policias federais disseram que Fadista é muito fechado. Embora demonstrasse, não confirmou se tem curso superior. Ele carregava um saco nas costas, alguns trocados, além de uma banana e uma macaxeira.

- É um sujeito muito estranho. Ele disse que é usuário de entorpecentes. Está com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e vai responder por seus crimes no Brasil – disse na ocasião o então superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane.

Indigenistas e antropólogos questionam o fato de a PF nunca ter revelado o resultado do inquérito sobre o português. O caso é considerado muito estranho e deixa a todos curiosos em saber o que motiva o português a buscar aquela região.

— O que será que há de tão valioso naquela mata? Não é droga, pois a região é perigosa para circulação. Ele não fala nada, não diz a razão de estar por ali, e não temos ideia de como ele consegue chegar lá. Talvez não haja plantio de coca, pois teríamos avistado ao sobrevoar a região. Rota de droga, quem sabe, mas é um local muito perigoso, muito mesmo - comenta uma fonte da Funai.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Torturas, mortes, meninos e lobos no Acre

POR SÉRGIO DE CARVALHO 


O Acre já enfrentou um grupo de extermínio e sabe bem a marca sangrenta que o Esquadrão da Morte deixou em sua história.

Os que exaltam assassinos como heróis e confundem Justiça com vingança são incapazes de compreender o mal que é viver em uma sociedade autoritária, arbitrária e fascista.

Se compreendem, uma pena, não diferem dos que exaltam.

Estamos vivendo uma constante tensão com o surgimento de facções criminosas no Estado e o consequente aumento da violência.

(Que pena! Já vi este filme quando morei no Rio e sei como é triste uma cidade partida por facções em guerra entre elas e com o Estado. Pra variar, sobra pra população, sobretudo a negra, índia e pobre.)

Facção criminosa traz a cultura do tráfico. A música do tráfico. A violência do tráfico. Esta cultura daninha se alastra pior que praga e alicia uma juventude vulnerável e sem oportunidades. Negra, índia e pobre.

Invisível, que apenas ganha visibilidade ao cometer um crime ou quando queima ônibus. Sua maneira cruel de dizer: existimos.

O remédio para isso é cultura, educação e oportunidade. Pode ser até clichê social, mas, sinceramente, não vejo outra saída. Outro caminho. Cultura, educação e oportunidade.

O que me assusta, entretanto, o que me deixa preocupado, entretanto, é a completa inabilidade que o Estado e a sociedade civil tem para lidar com a questão.

Frente ao problema, repleto de preconceito e sede de retaliação e vingança, afinal de contas, morrem policiais, pessoas, bens são roubados, queremos sangue. Queremos corpos empalados com barras de ferro, queremos marginais amarrados em postes.

Damos legitimidade aos abusos policiais. Ao assassinato. Agora, ao estupro. Ao policial, que também é vítima, cabe o trabalho sujo de limpeza social.

Tenho visto declarações de agentes da lei, declarações públicas, nestas mesmas redes sociais, pregando o olho por olho dente por dente. Como se a violência fosse a solução.

Postagens perigosas, inflamadas, passionais, vingativas, que ficariam bem em Gotham City, mas que não deveriam ganhar espaço em uma sociedade que sabe na carne o que é ser dominada por milícias.

Nas palavras do próprio subcomandante da Polícia Militar do Acre, emocionado com o assassinato de um colega de trabalho:

— A ação da Polícia Militar foi rápida: fizemos o cerco e um dos meliantes veio a óbito após colocar em risco a integridade física de uma outra guarnição. O outro se entregou. Infelizmente, está vivo, posso dizer dessa maneira: não teve a hombridade de reagir. Por isso, está vivo. E a nossa ação vai ser sempre assim, pesada. Toda e qualquer ação contra os nossos policiais militares nós vamos dar respostas. Pode ter certeza que nós vamos ter respostas durante esses dias.

Que tipo de respostas?

Postagens com silêncio absoluto de seus superiores. Não é um jogo de vida e morte. De ação e reação. De justiça com as próprias mãos. De ameaças. Esta não é a função da polícia. Ao menos, não deveria ser.

Diferente de dar uma resposta dura a ações que precisam de urgência e repressão, dentro da legalidade, como ocorreu aos últimos ataques incendiários, fazer justiça com as próprias mãos é um erro.

O crime (leia) envolvendo um menor de idade, não importa se é filho de um traficante, é um escândalo. Se for comprovado que foi realmente cometido por agentes do Estado, este deve se retratar, cuidar da vítima e da família. Da mesma maneira que deve prestar toda a assistência à família de policiais feridos ou mortos, como, tristemente, vem ocorrendo por aqui.

O Estado não pode ser agente de vingança. O menino foi torturado e penetrado por uma barra de ferro.

Se não foram agentes da lei, se foram membros de outras facções ou quem quer que seja os autores de tamanha brutalidade, estou horrorizado do mesmo jeito, frente à onda reacionária que encontro nos comentários das postagens com a matéria sobre o crime.

Não podemos cair na cegueira de acreditar em um estado policial. Em acreditar em Bolsonaros ou Hidelbrandos.

Aos que pensam que estou defendendo bandidos, que estou sendo imparcial e não penso nos policiais também mortos, um grande engano.

Penso em todos nós e alerto: uma sociedade assim torna-se facilmente genocida, fascista e este é o pior caminho que poderemos seguir.

Sérgio de Carvalho é escritor e documentarista

domingo, 28 de agosto de 2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Imac investiga usina Álcool Verde por queima de canavial em Capixaba

Queimadas no Acre são as principais fontes de fumaça em Rio Branco nos últimos três dias, diz pesquisador Foster Brown


O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) abriu investigação contra a Álcool Verde, usina que opera no município de Capixaba, a 70 quilômetros de Rio Branco, suspeita de ter contribuído pesadamente na produção da densa nuvem de fumaça que domina a paisagem da capital do Acre nos últimos três dias.

As imagens de satélite registram centenas de focos de calor na área da Álcool Verde e no seu entorno, em propriedades que foram arrendadas pela usina para plantio de cana. O presidente do Imac, Paulo Viana, confirmou a investigação e o envio de uma equipe de agentes de fiscalização para a região.

O Imac quer saber se a Álcool Verde foi realmente responsável pelo fogo no canavial. O órgão obteve, de moradores do entorno da usina, informações de que a empresa realizou queima para limpeza da cana.

— Esta prática é proibida, pois o licenciamento ambiental do empreendimento estabelece que a colheita da cana tem que ser obrigatoriamente mecanizada - afirmou o presidente do Imac.

Paulo Viana disse que a usina possui mais de mil hectares de cana plantada e que os técnicos do Imac vão quantificar o tamanho da área queimada.

— Temos que apurar a responsabilidade de quem fez a queima. A fumaça da cana queimada em Capixaba tem contribuído pesadamente para a concentração de fumaça em Rio Branco - acrescentou Viana.

A reportagem não conseguiu localizar o gerente da usina Álcool Verde, que pertence ao Grupo Farias e conta com investimento financeiro do governo do Acre.

Fontes de fumaça


O pesquisador norte-americano Foster Brown, do Experimento de Grande Escala Biosfera Atmosfera na Amazonia (LBA) e da Universidade Federal do Acre, considera importante que seja quantificado o total da área queimada pela usina.

— Há registros nas imagens dos satélites da ocorrência de dezenas de focos de calor naquela região. A partir disso, será necessário estimar quanto foi relacionado com a queima de cana e quanto por outros motivos. Precisamos saber como foi afetado e por quê foi afetado.

Na avaliação do pesquisador, Mato Grosso, Rondônia e Bolívia contribuem com fumaça deslocada para o Acre. Porém, assinala Brown, nos últimos três dias as queimadas locais foram as principais fontes de fumaça.

— Os satélites mostram claramente uma área, a 40 quilômetros de Rio Branco, entre os municípios de Senador Guiomard e Capixaba, com dezenas de focos de calor. Além disso, as imagens mostram o vento deslocando nuvens de fumaça daquela área em direção a Rio Branco.

Brown acrescentou que uma evidência de que a maioria da fumaça que se concentra em Rio Branco é produzida por queimadas dentro do Estado são suas altas concentrações durante as manhãs.

— Mas esse tipo de avaliação ou inferência muda como as nuvens e precisa ser feita diariamente. Nesta sexta-feira, por exemplo, o cenário poderá ser outro completamente diferente, a depender de onde está queimando e da direção e velocidade do vento.

Brown disse que a fumaça em Rio Branco nos últimos três dias tem três fontes. A primeira delas são as queimadas dentro e na periferia da cidade, que gera fuligem, sendo que a fumaça varia em densidade em algumas centenas de metros.

- Isso ocorre frequentemente de noite e a inversão térmica piora a situação. A fumaça de queimadas noturnas tipicamente acumula na camada mais baixa da atmosfera - explicou.

A segunda fonte de fumaça são as queimadas fora de Rio Branco, mas dentro do território do Acre, segundo o pesquisador, com densidade mais uniforme, com pouca ou nenhuma fuligem.

— A terceira fonte de fumaça são as queimadas fora do território do Estado. É possível, mas sofre do processo de diluição durante o transporte por centenas de quilômetros.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Visto do Alto Santo, sem ou com fumaça, pôr do sol é sempre espetacular


Imagens de satélite revelam origem da fumaça que sufoca o Acre nos últimos dias


A menos que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e seu Sistema de Informações Geográficas e Banco de Focos de Dados de todos os focos na área conhecida como Arco do Desmatamento estejam errados, o Acre não é mesmo gerador de toda fumaça que se acumula em seu ambiente.

Temos muitas queimadas? Temos demais, em Rio Branco, Capixaba, Bujari, Porto Acre, Sena Madureira, Feijó e Tarauacá. Toda a região leste do Acre também vem sendo afetada por fumaça devido aos ventos sul desde a terça-feira, que, embora em baixa velocidade, deslocam fumaça.

Mas o mapa do Inpe, de monitoramento de queimadas e incêndios por satélite em tempo quase real, mostra que na Bolívia também estão queimando muito, nos departamentos de Beni, Santa Cruz e no vizinho Pando.

Parte da fumaça boliviana também está se desloca em direção ao Acre, além da fumaça oriunda dos estados de Rondônia e Mato Grosso.

É o que mostram as imagens de satélite, embora o acreano não costume aceitar facilmente que a fumaça também vem de fora.

Links para duas imagens da Nasa, em alta resolução, usadas na colagem acima: 1 e 2