quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

sábado, 17 de dezembro de 2016

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Arrebol

Direto da varanda de casa, no Alto Santo, Rio Branco (AC), 17h45

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O que é o que é?


"O que está no alto é como o que está embaixo"


Tião Viana promete ações de segurança para manter a paz no bairro Irineu Serra

Tião Viana e Peregrina Serra em foto de Ricardo Stuckert

Faz 124 anos que Raimundo Irineu Serra, filho de escravos, nasceu em São Vicente Ferrer (MA). Migrou para o Acre na primeira década do século passado, conheceu a ayahuasca, que nomeou de daime, e recebeu da Rainha da Floresta a missão de replantar a doutrina de Jesus Cristo.

Fundador do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, se instalou, a partir de 1946, na localidade denominada Alto Santo, o ponto mais elevado de Rio Branco (AC). A esposa dele, Peregrina Gomes Serra, é a dignitária do centro.

Anualmente, o aniversário é comemorado com canto e bailado dos hinários dele (O Cruzeiro) e dela (A Bandeira).

O bairro Irineu Serra, que forma uma Área de Proteção Ambiental, é reconhecido como um dos mais arborizados e tranquilos da cidade. Porém, nas duas últimas semanas, foi alvo de duas ações de um bando encapuzado e armado que tomou dois vigias como reféns e invadiu duas vezes uma casa vizinha ao centro.

Por causa das ações criminosas, ambas registradas por câmeras, o governador Tião Viana, que desde criança costuma visitar o centro nas datas mais importantes, dessa vez o fez na companhia do comandante da Polícia Militar do Acre, coronel Júlio César, e do Secretário Adjunto de Polícia Civil, delegado Josemar Portes.


Eles prometeram a dona Peregrina Serra empenho para identificar os bandidos e anunciaram uma série de medidas para manter a paz no Alto Santo.

— Por tudo o que significa para a história do Acre a obra do mestre Irineu, de seus discípulos e seguidores, e pela presença de madrinha Peregrina, a segurança e a paz neste lugar abençoado já está sendo tratada como parte de nossas prioridades - afirmou Tião Viana.

Também visitou o centro e obteve autorização da dona para documentar a celebração, em fotos e vídeos, o fotógrafo Ricardo Stuckert, que acaba de receber menção especial no Travel Photographer of the Year, o maior concurso mundial de fotografia, além de uma menção honrosa da Photographic Society of America (PSA).


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

MPF denuncia grupo por associação criminosa e fraude de R$ 15 milhões



O Ministério Público Federal (MPF) no Acre ofereceu denúncia contra Narciso Mendes de Assis, Auricélia Freitas de Assis, Maria da Liberdade Marques de Andrade, Maria Elizabeth do Valle Lima, Jorge Eduardo Bezerra de Souza Sobrinho, Ana Beatriz de Assis Souza, José Ricardo Bezerra de Souza, Maria Neusa de Assis, David da Cruz Sento – Sé e Gilberto Braga de Melo pela prática de diversos crimes, dentre os quais, fraude à execução.

Segundo o inquérito policial federal que fundamentou a denúncia, o jornal “O Rio Branco” e a “TV Rio Branco” veiculavam publicidades para o governo do Acre e para a prefeitura de Rio Branco, porém os pagamentos que eram administrados pela empresa Cia de Selva Ltda., de David Sento-Sé e Gilberto Braga, eram repassados para outras duas empresas de familiares de Narciso Mendes. O esquema era utilizado para escapar das diversas execuções fiscais em desfavor do jornal e da emissora de TV de propriedade de Narciso Mendes.

O inquérito aponta que a soma dos valores pagos de maneira fraudulenta para escapar do fisco ultrapassam R$ 3 milhões em verbas recebidas do município de Rio Branco e mais de R$ 12 milhões em verbas recebidas do governo do Acre.

O MPF pediu a condenação de todos os envolvidos nos crimes de associação criminosa e fraude à execução, cujas penas combinadas podem chegar a dez anos de prisão e pagamento de multa.

A Justiça Federal já recebeu a denúncia e os acusados são réus na ação penal n° 7770-17.2011.4.01.3000, que pode ser acompanhada pelo site da Justiça Federal.

Clique aqui para ler a íntegra da denúncia do MPF.

Com informações da assessoria de comunicação do MPF-AC.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Maracanãs

Minhas casa tem açaizeiro onde cantam e se alimentam maracanãs-do-buriti (Orthopsittaca manilatus)
 


Capim-santo


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Mais vale a vida, Solano Machado Carrazoni


Voltei da Maternidade Bárbara Heliodora, onde visitei Jael e Solano. Ambos passam muito bem. Tivesse asas, voaria para trombetear lá do alto meu contentamento. E volto a este assunto por causa da renovação do elo familiar com a chegada de um novo membro. Ainda mais por coincidir com a data de aniversário da caçula. Foi bonito ver a enfermeira obstetra com Solano a sorrir nos braços quando comecei a fotografá-los. A presença de uma criança em casa é sempre uma festa. Parabéns Iara e Solano pela alegria que me proporcionam. Saí de lá sem resposta para uma pergunta que fiz a mim: o que faz um bebê sorrir após seis horas de vida neste mundão? E lembrei de uma mensagem do mestre Irineu Serra no hinário de Maria Damião:

Quando eu era menino

Quando eu era menino
Me chamavam pequenininho
Aí eu me transformei
E mais eu multipliquei

Foi palavras que Deus disse
Para todos vossos filhos
Trabalhai e multiplicai
Para não diminuir

Até que a velhice chegou
E o ensino multiplicou
A certeza é que eu vou
Mas todos dizem ele deixou

Os ensinos estou mostrando
Para todos compreender
Que eu não posso me declarar
Eu mesmo não posso dizer

Solano


E ele chegou saudável ao mundo, às 9h44 desta manhã iluminada do décimo sexto ano do segundo milênio da era do Nosso Senhor Jesus Cristo, pesando 3,540 Kg, após 37 semanas na barriga da mãe Jael e cuidados do pai Rogerio. Meus sinceros agradecimentos à competente equipe da Maternidade Bárbara Heliodora (médicas Dirce Manasfi e Dulce Torres (obstetras) e Simone Chaves (pediatra) e enfermeira Neuma de Souza) pelo carinho e competência. O parto contou com a assistência da enfermeira Iara Jaccoud Machado, servidora da Maternidade, que estava de férias no nordeste e regressou de surpresa na noite de ontem para ajudar a receber o sobrinho e afilhado. Afinal, hoje é aniversário da tia e madrinha do Solano. Ter sido avô a primeira vez aos 40 e repetir a dose 13 anos depois é indescritível. Que Solano saiba trilhar o caminho do bem e seja capaz de ajudar a iluminar as veredas deste mundo com seu irmão Samuel Campos.

Rolinhas e juritis


Quem ousar dizer às rolinhas e juritis que é anti-higiênico e maléfico à saúde fazer cocô na borda do "berço"? Rolinhas e juritis fazem ninhos muito precários. Elas praticamente se limitam a acumular pedaços de palha de capim para chocar seus ovos. Imaginava que fosse desleixo ou preguiça. Mas o ornitólogo Edson Guilherme, da Universidade Federal do Acre, explica que os ninhos são mal-ajambrados porque elas possuem bicos frágeis e não conseguem tecer com delicadeza. As fezes que se acumulam na borda do ninho, explica o ornitólogo, secam, enrijecem e ajudam a fortalecê-lo quando chove ou venta em demasia. Guilherme lembra que sabiás são mais zelosos com a higiene de seus ninhos: abrem o bico para receber as fezes dos filhotes. E engolem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Adeus, Márcio Bestene Koury


O amigo Marcio Bestene Koury é uma das vítimas do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense na madrugada desta terça-feira (29), na cidade de La Unión, próximo a Medellín, na Colômbia.

Filho da professora Nabiha Bestene e do saudoso sociólogo Hélio Koury, Márcio se formou e obteve especialização em engenharia elétrica na Unicamp, foi professor de física em Rio Branco, posteriormente cursou medicina na Universidade Federal do Acre, se especializou em medicina esportiva, e foi embora do Acre. Morava em Chapecó (SC), onde era médico da Chapecoense.

Era casado e deixa duas filhas. A mãe do médico está de passagem por Goiânia e seu regresso ao Acre estava previsto para quarta-feira. Karen, irmã que mora em Lisboa, chega ao Brasil na manhã da quarta-feira.

— Ele estava muito feliz com o desempenho do time, com o sucesso de sua trajetória profissional. Marcio vivia intensamente a nova profissão. Meu sobrinho era muito, muito inteligente, além de muito dedicado. Na última vez que esteve aqui, ele falou: “Tio, você ainda vai me ver como médico da Seleção Brasileira”. O sonho dele foi golpeado pela tragédia - comentou visivelmente emocionado o tio José Bestene.

Às 11h34 de segunda-feira, Márcio Bestene registrou no Facebook sua localização no Aeroporto de Guarulhos com uma mapa e a rota do voo de São Paulo a Bogotá. E escreveu sua última mensagem aos familiares e amigos:

— Partiu final da copa sul-americana #vamoschape #medicinadoesporte

Márcio é irmão por parte de pai de outro amigo, o Helio Cezar Koury Filho.

O Brasil perde um homem alegre e super inteligente. Minhas sinceras condolências aos Koury e Bestene.

Adeus, Márcio.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Borboleta azul

Voou, voou e veio pousar e posar em minha casa. Aprendi ao ler um artigo intitulado “Atrás de uma borboleta azul”, de Marina Silva, que essa borboleta na verdade é marrom. Pesquisadores do Inpa descobriram que ela dispõe de uma engenharia de disposição das escamas das asas que faz com que, na incidência de luz, se tornem azuis.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ninho

“No meu ninho expirarei, e multiplicarei os meus dias como a areia.” (Jó 29-18)

Garça

Alto Santo, Rio Branco (AC)

domingo, 20 de novembro de 2016

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

REDD, pagamentos por serviços ambientais e espiritualidade amazônica

POR MICHAEL F. SCHMIDLEHNER  


A Segunda Conferencia Mundial da Ayahuasca, a AYA2016, será realizada em Rio Branco entre 17 e 22 de outubro. Os organizadores têm boas razões para realizar o evento na capital acreana, que consideram o berço da cultura ayahuasqueira.

Todos os quinze povos indígenas conhecidos, assim como muitas comunidades locais não-indígenas habitantes no Acre fazem tradicionalmente uso da ayahuasca.

Desde o início do século XX, comunidades urbanas, na região amazônica, também desenvolveram diferentes rituais baseados na ingestão da ayahuasca, sobretudo a tradição do Santo Daime, cujas várias linhas doutrinárias hoje se disseminam no mundo, tem suas origens em Rio Branco.

Parceria com o governo

A conferência está sendo organizada em estreita parceria com o governo do Estado do Acre. A programação prevê a participação do governador Tião Viana e seu irmão Jorge Viana, ex-governador do Acre, atualmente vice-presidente do Senado.

Desde 1998, quando Jorge Viana foi eleito governador, o chamado Governo da Floresta adotou uma atitude favorável em relação ao uso tradicional e religioso da ayahuasca. Desde então, o governo do Acre tem contribuído para o reconhecimento e legitimação de ayahuasca para uso religioso, um processo que havia começado em nível federal, no Brasil, no final de 1980, após um período de discriminação e até proibição durante a ditadura.

As múltiplas doutrinas religiosas e rituais que surgiram no Acre a partir do uso da ayahuasca, hoje vêm sendo valorizadas cada vez mais e reconhecidas como patrimônio cultural brasileiro. O governador tende a destacar a importância da espiritualidade no contexto da sua - como ele considera - política florestal ética.

Questões éticas e espirituais

O Acre é reconhecido internacionalmente -ainda mais do que por sua rica cultura ayahuasca- pelos esforços de seu atual governo para implementar projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) e Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

No entanto, há um número crescente de pessoas e organizações que questionam estes projetos precisamente no que diz respeito aos seus aspectos éticos. Entre outras coisas, os críticos apontam para a subjacente lógica do "pagar para poluir", bem como violações de direitos e criminalização de comunidades que dependem da floresta.

Ao restringir práticas tradicionais de uso da terra, como o plantio de mandioca (que inclui o uso do fogo em pequena escala), caça, pesca e uso de madeira (para habitação, canoas etc) projetos do tipo REDD alteram profundamente as relações das comunidades com a floresta.

Neste contexto, é preciso também perguntar: não era precisamente devido às suas imperturbadas relações com animais e plantas que os povos indígenas foram capazes de preservar os seus recursos e manter as suas práticas xamânicas vivas?

A estreita relação destes povos com o ecossistema, sua integração na complexa rede de relações vitais da floresta, lhes permitiu descobrir a ayahuasca, preservá-la e cultivá-la ao longo de milênios.

Os modernos usuários e pesquisadores da ayahuasca parecem ainda ser pouco conscientes da imanente "ameaça espiritual" que os projetos do tipo REDD e PSA representam para os povos indígenas.

Impactos dos projetos do tipo REDD

Hoje, as comunidades indígenas e locais, no Acre, estão profundamente divididas, e grande parte rejeita a forma impositiva, como o governo estadual promove tais projetos, como mostra a carta aberta dos participantes de uma oficina organizada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) na semana passada.

Um relatório, publicado no ano passado pela rede DHESCA, uma renomeada organização de direitos, denuncia graves violações de direitos, como resultado desta política de “economia verde” no Acre.

Apenas algumas semanas atrás, posseiros que vivem na área do Projeto Purus e cujas habitações durante os últimos anos têm sido regularmente sobrevoadas por aeronaves ultraleves e drones de vigilância, foram multados em milhares de reais pelo Instituto de Meio Ambiente Ambiente do Acre (Imac) por causa de seus roçados.

Os posseiros agora temem que estas –para eles impagáveis– multas podem ser um primeiro passo para a criminalizá-los e, finalmente, despejá-los de suas terras.

Discussão é necessária

O abrangente programa do congresso AYA2016 prevê a discussão de muitas das questões importantes que surgem com a crescente utilização e comercialização de ayahuasca em escala global, tais como os impactos ambientais da colheita das plantas e os impactos sócio-culturais do emergente turismo ayahuasqueiro em comunidades indígenas, entre outros.

No entanto, uma discussão específica dos crescentes impactos de REDD e PSA sobre autonomia, soberania alimentar e espiritualidade dos povos da floresta não está programada.

Michael F. Schmidlehner é austríaco nato e brasileiro naturalizado, possui mestrado em filosofia pela Universidade de Viena (Áustria), e atua desde 1995 no Acre, entre outros como professor de filosofia, ativista e pesquisador, realizando estudos nas áreas de proteção de conhecimentos tradicionais e justiça ambiental e climática.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

No Acre, traficante português é preso pela terceira vez em terra de índios isolados


O traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, 65 anos, foi preso nesta quarta-feira (12) pela terceira vez na área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, na fronteira com o Peru, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde vivem índios de recente contato com a Funai.

Fadista, que foi transferido da terra indígena para a delegacia da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, foi preso por indígenas e pela equipe da Funai que atua na área. Ele estava sozinho e não resistiu à prisão.

Leia mais:

Facção dissidente do Sendero Luminoso produz cocaína na fronteira com o Brasil

Uma equipe de saúde que também atua na área foi retirada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) por precaução e deve voltar assim que maiores investigações forem feitas e seja garantida a segurança no local.

O português é narcotraficante internacional e já foi condenado por tráfico de drogas pela Justiça do Maranhão e Ceará, bem como em Luxemburgo.

Em agosto de 2011, foi preso na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira em flagrante pela prática dos crimes de furto qualificado, reingresso de estrangeiro expulso e introdução clandestina de estrangeiro no Brasil.

Naquele ano, reapareceu acompanhado de outros homens armados com fuzis e metralhadoras. Fadista nasceu em Lisboa e já havia sido preso pelo pessoal da Funai na mesma área, em março de 2011, quando foi entregue às polícias Civil e Federal.

À época, policias federais disseram que Fadista é muito fechado. Embora demonstrasse, não confirmou se tem curso superior. Ele carregava um saco nas costas, alguns trocados, além de uma banana e uma macaxeira.

- É um sujeito muito estranho. Ele disse que é usuário de entorpecentes. Está com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal e vai responder por seus crimes no Brasil – disse na ocasião o então superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane.

Indigenistas e antropólogos questionam o fato de a PF nunca ter revelado o resultado do inquérito sobre o português. O caso é considerado muito estranho e deixa a todos curiosos em saber o que motiva o português a buscar aquela região.

— O que será que há de tão valioso naquela mata? Não é droga, pois a região é perigosa para circulação. Ele não fala nada, não diz a razão de estar por ali, e não temos ideia de como ele consegue chegar lá. Talvez não haja plantio de coca, pois teríamos avistado ao sobrevoar a região. Rota de droga, quem sabe, mas é um local muito perigoso, muito mesmo - comenta uma fonte da Funai.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Torturas, mortes, meninos e lobos no Acre

POR SÉRGIO DE CARVALHO 


O Acre já enfrentou um grupo de extermínio e sabe bem a marca sangrenta que o Esquadrão da Morte deixou em sua história.

Os que exaltam assassinos como heróis e confundem Justiça com vingança são incapazes de compreender o mal que é viver em uma sociedade autoritária, arbitrária e fascista.

Se compreendem, uma pena, não diferem dos que exaltam.

Estamos vivendo uma constante tensão com o surgimento de facções criminosas no Estado e o consequente aumento da violência.

(Que pena! Já vi este filme quando morei no Rio e sei como é triste uma cidade partida por facções em guerra entre elas e com o Estado. Pra variar, sobra pra população, sobretudo a negra, índia e pobre.)

Facção criminosa traz a cultura do tráfico. A música do tráfico. A violência do tráfico. Esta cultura daninha se alastra pior que praga e alicia uma juventude vulnerável e sem oportunidades. Negra, índia e pobre.

Invisível, que apenas ganha visibilidade ao cometer um crime ou quando queima ônibus. Sua maneira cruel de dizer: existimos.

O remédio para isso é cultura, educação e oportunidade. Pode ser até clichê social, mas, sinceramente, não vejo outra saída. Outro caminho. Cultura, educação e oportunidade.

O que me assusta, entretanto, o que me deixa preocupado, entretanto, é a completa inabilidade que o Estado e a sociedade civil tem para lidar com a questão.

Frente ao problema, repleto de preconceito e sede de retaliação e vingança, afinal de contas, morrem policiais, pessoas, bens são roubados, queremos sangue. Queremos corpos empalados com barras de ferro, queremos marginais amarrados em postes.

Damos legitimidade aos abusos policiais. Ao assassinato. Agora, ao estupro. Ao policial, que também é vítima, cabe o trabalho sujo de limpeza social.

Tenho visto declarações de agentes da lei, declarações públicas, nestas mesmas redes sociais, pregando o olho por olho dente por dente. Como se a violência fosse a solução.

Postagens perigosas, inflamadas, passionais, vingativas, que ficariam bem em Gotham City, mas que não deveriam ganhar espaço em uma sociedade que sabe na carne o que é ser dominada por milícias.

Nas palavras do próprio subcomandante da Polícia Militar do Acre, emocionado com o assassinato de um colega de trabalho:

— A ação da Polícia Militar foi rápida: fizemos o cerco e um dos meliantes veio a óbito após colocar em risco a integridade física de uma outra guarnição. O outro se entregou. Infelizmente, está vivo, posso dizer dessa maneira: não teve a hombridade de reagir. Por isso, está vivo. E a nossa ação vai ser sempre assim, pesada. Toda e qualquer ação contra os nossos policiais militares nós vamos dar respostas. Pode ter certeza que nós vamos ter respostas durante esses dias.

Que tipo de respostas?

Postagens com silêncio absoluto de seus superiores. Não é um jogo de vida e morte. De ação e reação. De justiça com as próprias mãos. De ameaças. Esta não é a função da polícia. Ao menos, não deveria ser.

Diferente de dar uma resposta dura a ações que precisam de urgência e repressão, dentro da legalidade, como ocorreu aos últimos ataques incendiários, fazer justiça com as próprias mãos é um erro.

O crime (leia) envolvendo um menor de idade, não importa se é filho de um traficante, é um escândalo. Se for comprovado que foi realmente cometido por agentes do Estado, este deve se retratar, cuidar da vítima e da família. Da mesma maneira que deve prestar toda a assistência à família de policiais feridos ou mortos, como, tristemente, vem ocorrendo por aqui.

O Estado não pode ser agente de vingança. O menino foi torturado e penetrado por uma barra de ferro.

Se não foram agentes da lei, se foram membros de outras facções ou quem quer que seja os autores de tamanha brutalidade, estou horrorizado do mesmo jeito, frente à onda reacionária que encontro nos comentários das postagens com a matéria sobre o crime.

Não podemos cair na cegueira de acreditar em um estado policial. Em acreditar em Bolsonaros ou Hidelbrandos.

Aos que pensam que estou defendendo bandidos, que estou sendo imparcial e não penso nos policiais também mortos, um grande engano.

Penso em todos nós e alerto: uma sociedade assim torna-se facilmente genocida, fascista e este é o pior caminho que poderemos seguir.

Sérgio de Carvalho é escritor e documentarista

domingo, 28 de agosto de 2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Imac investiga usina Álcool Verde por queima de canavial em Capixaba

Queimadas no Acre são as principais fontes de fumaça em Rio Branco nos últimos três dias, diz pesquisador Foster Brown


O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) abriu investigação contra a Álcool Verde, usina que opera no município de Capixaba, a 70 quilômetros de Rio Branco, suspeita de ter contribuído pesadamente na produção da densa nuvem de fumaça que domina a paisagem da capital do Acre nos últimos três dias.

As imagens de satélite registram centenas de focos de calor na área da Álcool Verde e no seu entorno, em propriedades que foram arrendadas pela usina para plantio de cana. O presidente do Imac, Paulo Viana, confirmou a investigação e o envio de uma equipe de agentes de fiscalização para a região.

O Imac quer saber se a Álcool Verde foi realmente responsável pelo fogo no canavial. O órgão obteve, de moradores do entorno da usina, informações de que a empresa realizou queima para limpeza da cana.

— Esta prática é proibida, pois o licenciamento ambiental do empreendimento estabelece que a colheita da cana tem que ser obrigatoriamente mecanizada - afirmou o presidente do Imac.

Paulo Viana disse que a usina possui mais de mil hectares de cana plantada e que os técnicos do Imac vão quantificar o tamanho da área queimada.

— Temos que apurar a responsabilidade de quem fez a queima. A fumaça da cana queimada em Capixaba tem contribuído pesadamente para a concentração de fumaça em Rio Branco - acrescentou Viana.

A reportagem não conseguiu localizar o gerente da usina Álcool Verde, que pertence ao Grupo Farias e conta com investimento financeiro do governo do Acre.

Fontes de fumaça


O pesquisador norte-americano Foster Brown, do Experimento de Grande Escala Biosfera Atmosfera na Amazonia (LBA) e da Universidade Federal do Acre, considera importante que seja quantificado o total da área queimada pela usina.

— Há registros nas imagens dos satélites da ocorrência de dezenas de focos de calor naquela região. A partir disso, será necessário estimar quanto foi relacionado com a queima de cana e quanto por outros motivos. Precisamos saber como foi afetado e por quê foi afetado.

Na avaliação do pesquisador, Mato Grosso, Rondônia e Bolívia contribuem com fumaça deslocada para o Acre. Porém, assinala Brown, nos últimos três dias as queimadas locais foram as principais fontes de fumaça.

— Os satélites mostram claramente uma área, a 40 quilômetros de Rio Branco, entre os municípios de Senador Guiomard e Capixaba, com dezenas de focos de calor. Além disso, as imagens mostram o vento deslocando nuvens de fumaça daquela área em direção a Rio Branco.

Brown acrescentou que uma evidência de que a maioria da fumaça que se concentra em Rio Branco é produzida por queimadas dentro do Estado são suas altas concentrações durante as manhãs.

— Mas esse tipo de avaliação ou inferência muda como as nuvens e precisa ser feita diariamente. Nesta sexta-feira, por exemplo, o cenário poderá ser outro completamente diferente, a depender de onde está queimando e da direção e velocidade do vento.

Brown disse que a fumaça em Rio Branco nos últimos três dias tem três fontes. A primeira delas são as queimadas dentro e na periferia da cidade, que gera fuligem, sendo que a fumaça varia em densidade em algumas centenas de metros.

- Isso ocorre frequentemente de noite e a inversão térmica piora a situação. A fumaça de queimadas noturnas tipicamente acumula na camada mais baixa da atmosfera - explicou.

A segunda fonte de fumaça são as queimadas fora de Rio Branco, mas dentro do território do Acre, segundo o pesquisador, com densidade mais uniforme, com pouca ou nenhuma fuligem.

— A terceira fonte de fumaça são as queimadas fora do território do Estado. É possível, mas sofre do processo de diluição durante o transporte por centenas de quilômetros.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Visto do Alto Santo, sem ou com fumaça, pôr do sol é sempre espetacular


Imagens de satélite revelam origem da fumaça que sufoca o Acre nos últimos dias


A menos que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e seu Sistema de Informações Geográficas e Banco de Focos de Dados de todos os focos na área conhecida como Arco do Desmatamento estejam errados, o Acre não é mesmo gerador de toda fumaça que se acumula em seu ambiente.

Temos muitas queimadas? Temos demais, em Rio Branco, Capixaba, Bujari, Porto Acre, Sena Madureira, Feijó e Tarauacá. Toda a região leste do Acre também vem sendo afetada por fumaça devido aos ventos sul desde a terça-feira, que, embora em baixa velocidade, deslocam fumaça.

Mas o mapa do Inpe, de monitoramento de queimadas e incêndios por satélite em tempo quase real, mostra que na Bolívia também estão queimando muito, nos departamentos de Beni, Santa Cruz e no vizinho Pando.

Parte da fumaça boliviana também está se desloca em direção ao Acre, além da fumaça oriunda dos estados de Rondônia e Mato Grosso.

É o que mostram as imagens de satélite, embora o acreano não costume aceitar facilmente que a fumaça também vem de fora.

Links para duas imagens da Nasa, em alta resolução, usadas na colagem acima: 1 e 2

Funcionário da Álcool Verde em estado grave após sofrer queimadura


Três funcionários da usina Álcool Verde, em Capixaba (AC), ficaram queimados na manhã de segunda-feira (22), após um incêndio na margem da BR-317 afetar a fazenda Bom Lugar e o canavial da empresa do Grupo Farias.

Francinildo da Silva Formiga, 20 anos, funcionário há três anos da usina, está em estado grave com 80% do corpo queimado.

O acidente ocorreu quando Francinildo, juntamente com outras pessoas, tentavam apagar o fogo na fazenda, próximo do canavial da usina.

O fogo se alastrou rapidamente e o funcionário da usina pulou de um caminhão pipa e sofreu queimaduras.

Francinildo deu entrada no Pronto-Socorro de Rio Branco às 12h8 de segunda, tendo sido transportado em  ambulância do Samu de Capixaba. Na terça (23), às 17h15, foi transferido para a UTI.

Além dele, um tratorista da fazenda e um supervisor da Álcool Verde sofreram queimaduras leves e não foram hospitalizados.— Nós, do Corpo de Bombeiros Militar do Acre, não recebemos ocorrência para extinção de incêndio em Capixaba. O Instituto de Meio Ambiente do Acre está no município para averiguar a situação que você relata - disse o comandante, coronel Gundim.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

No Acre, indígenas denunciam invasão de território peruano por brasileiros

Facção dissidente do Sendero Luminoso produz cocaína na fronteira com o Brasil 


Laboratório peruano de produção de pasta básica de cocaína

Lideranças da Associação Ashaninka do Rio Amônea, na fronteira com o Peru, denunciaram à Coordenação Regional da Fundação Nacional do Índio, a presença de barcos com moradores do município de Mal. Thaumaturgo adentrando o território peruano em busca de madeira, carne de caça, peixes e ovos de tracajá, nas comunidades Sawawo e Shawaya. Os produtos são comercializados na cidade.

Representantes da Funai, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Exercito aceitaram convite para ouvir a comunidade ashaninka no final do mês sobre a situação. Recentemente, Jaime Antezana, peruano especialista em drogas, revelou que uma facção dissidente do Sendero Luminoso agora se dedica ao narcotráfico e controla uma zona da província de Masisea, na região Ucayali, na fronteira com o Brasil.

Em 2012, a PF inaugurou um posto de vigilância e controle em Thaumaturgo, mas o desativou dois anos depois, o que facilita a ação dos narcotraficantes na região.

De acordo com os ashaninka, a movimentação intensa tem acarretado a falta de condição para realizar o plano de manejo de tracajás, caça e peixe. A comunidade ashaninka já se reuniu várias vezes com as lideranças peruanas de Sawawo e Shawaya para tratar da situação.

Entrevista do especialista peruano Jaime Antezana sobre a descoberta de uma nova área de produção de cocaína na fronteira com o Brasil



Neste momento, segundo relato dos ashaninka, cerca de 20 invasores brasileiros estão em território peruano, com capacidade de trazer três toneladas de produtos retirados ilegalmente.

Os indígenas solicitaram providências da Funai, segundo dizem, para evitar que decidam pelo impedimento da passagem dos caçadores dentro de sua terra, sempre os mesmos, já denunciados outras vezes às autoridades.

Em troca dos produtos, segundo os ashaninka, os invasores levam munição e bebida alcoólica para embebedar as famílias peruanas.

— Todas essas ações estão destruindo as comunidades, os danos estão sendo muitos, chegando a gerar diversos conflitos internos, sendo um deles a formação de grupos a favor e contra a retirada, devido as ações destrutivas que vem ocorrendo dentro dessas comunidades. Além disso, quando os ashaninka do lado peruano se posicionam de forma negativa quanto a entrada nestes territórios, são ameaçados, inclusive de morte, quando estes membros chegam no município de Marechal Thaumaturgo - afirma o documento da Associação Ashaninka do Rio Amônea.

Os ashaninka dizem que estão realizando a vigilância de seu território, mas assinalam a “ausência das autoridades competentes para fazer o controle de fronteira”.

Funai

Consultado pela reportagem, o coordenador regional da Funai em Cruzeiro do Sul, Luiz Valdenir, disse que "o caminho é a intensificação da presença institucional na fronteira”.

— A Funai está em processo de implantação de sua nova Coordenação Técnica Local, uma espécie de posto local, e vem realizando monitoramento constante da região. Temos feito conversas constantes com o MPF, PF e Exército, no intuito de melhorar esta presença na região. Acreditamos que o envolvimento de comunidades como a dos ashaninka, que desenvolvem ações de monitoramento de suas regiões, qualificando, assim, as informações que recebemos, bem como a troca de informações com outros parceiros, no lado peruano, são essenciais para esse trabalho.

Capital do Acre desaparece por causa de queimadas no Brasil, Bolívia e Peru

Tião Viana defende redução desmate legal na região  



A capital do Acre está invisível na linha do horizonte por causa dos focos de queimadas de pastagens, capoeiras e florestas na região, incluindo Peru e Bolívia. Muita fumaça e fuligem transtornam a vida da população. Atravessando período de vazão histórica, o Rio Acre, única fonte de abastecimento da cidade, amanheceu nesta terça-feira com apenas 1,44m de profundidade.

Consultado pelo blog, o governador do Acre, Tião Viana, revelou que está empenhado em “ousar reduzir o desmate legal de um hectare para meio hectare”:

- A situação é lamentável. Um pneumologista poderia mensurar os danos de curto e longo prazo devido às toxinas da fumaça nos pulmões. Isso tem um custo à saúde pública. Muitas vezes, os que queimam a natureza vão protestar pela demanda nos serviços de saúde. Estou bem empenhado na decisão pessoal de ousar reduzir o desmate de um hectare para meio hectare, salvo que seja até um hectare para roçados sustentáveis e sem queimadas. É que a norma legal permite um hectare sem licença ambiental. Claro, mediante aprovação legislativa. Será uma medida de grande impacto.

Apesar da declaração de Tião Viana, nos últimos anos, o governo do Acre tem recorrido contra uma ação do Ministério Público que pede fogo zero no Estado.

- Aquela é uma medida ilegal e irresponsável. Temos a coragem de avançar até 2018, pelo fim do desmatamento ilegal. Existe gente que não sabe onde é a Amazônia, anda de carrão, come churrascão, viaja de avião, joga lixo no chão e é contra a subsistência negada pelas elites aos humildes pequenos produtores. Enquanto nós, temos feito tanto para diminuir as queimadas e elevar a dignidade dessas pessoas simples. Eu e a equipe trabalhamos e já plantamos mais de 2 milhões de árvores - reagiu o governador.






quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Relatório denuncia loteamento e invasão de terras indígenas com apoio do Terra Legal

Áreas são loteadas e ocupadas na Amazônia por meio de programa do Brasil que conta com apoio do governo da Alemanha

 Moradores da aldeia Kaiapuká, uma das ameaçadas por invasões impulsionadas por programas oficiais. Foto: Rosenilda Nunes Padilha

Um relatório intitulado “As contradições da cooperação alemã na Amazônia”, da organização Rosa Luxemburgo, afirma que as terras indígenas são loteadas e ocupadas por meio de programa que conta com apoio da Alemanha.

Os indíos Jaminawá que vivem no município de Boca do Acre, no Amazonas, encontram-se ameaçados por invasões irregulares impulsionadas por um processo desastrado de regularização fundiária organizado pelo Programa Terra Legal, do governo federal.

A terra indígena Kaiapuká, apesar de ainda não ter sido formalmente demarcada e regularizada, consta como “tradicionalmente ocupada” no site da Funai, onde aparece como Caiapucá.

O reconhecimento da existência de indígenas na região, que é acessível pelo Rio Purus a partir de Sena Madureira, no Acre, torna ainda mais grave o loteamento promovido de maneira irregular por agentes do Estado.

O caso foi denunciado em relatório produzido por Winnie Overbeek, do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, no qual, além do atropelo no processo de regularização e seus impactos, também constam críticas à implementação de mecanismos de cooperação internacional do governo alemão e de economia verde na Amazônia.

O trabalho envolveu visitas a campo e análise detalhada de documentos, e contou com apoio do Conselho Indigenista Missionário, que há décadas tem procurado chamar a atenção para o descaso com a demarcação e regularização das terras indígenas na região.

Programa de regularização fundiária do governo federal, o Terra Legal conta com apoio do governo alemão por meio da agência oficial de cooperação, a GIZ, da sigla em alemão para Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit.

— Não é o único projeto financiado com recursos públicos europeus na região. A Alemanha é considerada a principal  financiadora da implementação de mecanismos de economia verde no Acre e tem apoiado programas de REDD+ com aportes feitos pelo Banco de Desenvolvimento KfW (Kreditanstalt für Wiederaufbau), propagandeando como parte dos resultados justamente a demarcação de terras indígenas - pontua o relatório.

O relatório é resultado de um projeto de acompanhamento de impactos de projetos REDD+ e foi apresentado nesta quarta-feira (17).

Segundo o relatório, além do apoio da agência estatal GIZ ao Programa Terra Legal, a Alemanha também tem, por meio de programas de cooperação, contribuído com outras iniciativas que alteram e impactam de maneira significativa a vida dos povos da floresta na região.

- As principais são as relacionadas a projetos de  financeirização da natureza, incluindo aí a implementação de mecanismos de economia verde. Até o final de 2015, o governo alemão já havia repassado 20,2 milhões de euros para o programa REDD Early Movers (REM) em apoio à implementação da lei estadual n. 2.308/2010, que institui o Sistema de Incentivos aos Serviços Ambientais (SISA) no Acre. Os pagamentos foram feitos por meio de repasses do Banco de Desenvolvimento KfW diretamente para o governo do Acre e têm como base, conforme estabelecido em contrato, resultados da redução de emissões comprovadas no estado.

Clique aqui para baixar o relatório.

No Acre, banditismo faz ataques a órgãos de segurança e destrói Patrimônio Histórico


A madrugada desta quarta-feira (17) foi marcada por um incêndio criminoso que destruiu o Departamento de Patrimônio Histórico de Rio Branco, no Parque Capitão Ciríaco, mas a polícia registrou outros ataques, incluindo o interior do Acre.

Houve duas tentativas de incêndios em Sena Madureira, no mercado municipal e contra a moto de um morador da cidade.

Também foram registrados ataques a órgãos de segurança pública - princípio de incêndio no pátio da 5ª Regional de Polícia, ao box da PM do bairro Tancredo Neves, e ao prédio da Polícia Técnica, além da tentativa de incêndio na casa de um PM, na casa um agente penitenciário e no Clube de Bombeiros.

O presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Sid Farney, que gerencia o Departamento Histórico Cultural de Rio Branco, disse que o incêndio começou 1h30 da madrugada.



Quatro homens, todos encapuzados, invadiram o Parque Capitão Ciríaco, arrombaram a porta da casa de madeira, renderam o vigia, espalharam documentos no chão, jogaram gasolina e atearam fogo. Posteriormente, arrombaram um segundo prédio no parque, tentaram atear fogo, mas não houve furto.

O acervo do Departamento de Patrimônio Histórico de Rio Branco era mantido em local pouco seguro e sua cópia digitalizada foi destruída pelo fogo, embora o governo do Acre disponha de uma forte estrutura de segurança para proteção de seu banco de dados.

— Nunca tivemos problema com segurança e agora vamos trabalhar para formar um novo acervo. Estamos ainda na fase de perícia. Nós tínhamos cópia digitalizada, mas ela estava dentro dos computadores que foram destruídos pelo incêndio criminoso. O Departamento de Patrimônio Histórico do Estado possui um acervo significativo e a Fundação Garibaldi Brasil vai fazer um levantamento para ver o que Estado possui e que pode ser recuperado em conjunto para o acervo do município de Rio Branco.

As ações parecem coordenadas ou assumiram uma força maior que precisa ser entendida pelo governo do Acre no contexto de crise