terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

JUIZ INTERROGA ACUSADOS DA DELIVERY

Veja lista de agenciadores e clientes acusados pelo Ministério Público do Acre de atuar em rede de prostituição. A lista não inclui nome de quem tem "foro de prerrogativa de função".

O juiz Romário Divino, titular 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco (AC), deu início nesta terça-feira (5) aos interrogatórios de 22 acusados pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado (MPE) do Acre de envolvimento com uma rede de prostituição de mulheres adultas e menores, identificada pela Operação Delivery.

Além de contar com sete aliciadores identificados e denunciados, a rede de prostituição tinha como integrantes, na condição de “garotas de programas”, pelo menos 25 adolescentes menores de 18 anos e 104 mulheres maiores de idade. Segundo o MPE, não se descarta que este número possa ser ainda maior do que efetivamente foi apurado durante as investigações policiais.

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A 2ª Vara da Infância e Juventude cuida dos crimes cometidos por maiores contra menores de idade, dentre os quais os crimes sexuais. As audiências de instrução da ação penal decorrente da Operação Delivery são fechadas porque o processo tramita sob segredo de Justiça.

Dos 22 acusados, sete encontram-se presos. Entre os que serão interrogados, os pecuaristas Adálio Cordeiro, 80, e Assuero Veronez, 65, que ocupava o cargo de vice-presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) até ser preso acusado como um dos principais clientes da rede de prostituição.

Os dois pecuaristas chegaram a ser presos e foram declarados foragidos da Justiça. Cordeiro foi recapturado pela Polícia Federal em Vilhena (RO). Por ter comprovado problemas de saúde, está em regime de prisão domiciliar. Veronez, que continua como presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Acre, se apresentou ao juiz após ser beneficiado por um habeas corpus para responder em liberdade.

O Ministério Público do Acre pediu à Polícia Civil, em junho de 2012, a abertura de inquérito, tendo sido descoberta "uma grande rede de exploração sexual", a partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

A Operação Delivery começou a ficar visível para a sociedade a partir de outubro de 2012, quando sete pessoas foram presas acusadas de agenciar prostituição e exploração sexual envolvendo mulheres a partir de 14 anos.

De acordo com a polícia, a prisão dos agenciadores possibilitou que diversas mulheres, maiores e menores de idade, exploradas sexualmente, se sentissem à vontade nos depoimentos durante a investigação. A polícia assinala que havia uma rede, não organizada, de exploração sexual de mulheres maiores e menores, da qual constavam três grupos – dos agenciadores, das mulheres e dos clientes.

O MPE formalizou denúncia, assinada pelos promotores de Justiça Mariano Jeorge de Sousa Melo, Danilo Lovisaro do Nascimento e Marcela Cristina Ozório, além de membros do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado, que requisitaram a investigação inicial e acompanharam todas as fases do trabalho policial.

Os agenciadores costumavam levar em seu próprio veículo a garota de programa até o local indicado pelo cliente para a realização do encontro sexual e, ao final, se encarregavam de buscá-la.

Eles exerciam atividade típica de “coleta e entrega” ou “leva-e-traz”, bem como de orientação na forma de agir com os clientes, na maneira de se vestir e até mesmo a cobrar por serviços extras, garantindo eficiência e discrição na prestação dos serviços sexuais por eles oferecidos.

Os agenciadores cobravam para intermediar os encontros sexuais valores que variavam de R$ 50  a R$ 200 a título de comissão e pelo programa a ser realizado. "Dependendo da qualidade da garota oferecida", de R$ 40 a R$ 2 mil, dentre outras vantagens de cunho econômico, de acordo com o MPE.

A rede de prostituição teve atuação de forma estável e perene, sendo que alguns agenciados atuavam há pelo menos 10 anos.

O MPE informou que foram identificados pelo menos 105 usuários da rede de prostituição, mas assinala que "resta evidenciado que este número deve ser muito superior, já que a investigação, por razões óbvias, representa um recorte temporal dos fatos".

A peça acusatória do MPE apresenta 70 laudas e os fatos estão descritos de forma circunstanciada, bem como individualizada a conduta de cada pessoa. Em relação às pessoas citadas, que possuem foro de prerrogativa de função, o MPE anunciou que deu o devido encaminhamento para a apuração dos fatos noticiados junto aos órgãos com atribuição para a investigação.
 

Lista de acusados

Agenciadores: Jardel Lima Nogueira, Francinei de Oliveira Contreira, Greice Maria Vasconcelos de Almeida, Adriano Macedo Nascimento Filho, Maria José Souza da Silva, Romara Costa Mota e Thiago Celso Andrade Reges.

Clientes: Adálio Cordeiro Araújo (fazendeiro), Asssuero Doca Veronez (fazendeiro), Ari Palu (empresário), Cassio Pereira Gonçalves (conhecido como Cassio da Cia de Selva), Cassius Afonso Regio Nogueira (cinegrafista de TV), Charlom Pereira da Silva, Fernando Martins (vereador), George Cruijff Sales da Costa (oficial de justiça), Jamil Kassem Mastub (empresário), Lázaro Santos Pessin (empresário), Manoel Machado da Rocha Filho (funcionário da Assembleia), Marcello Moniz Mesquita (empresário), Paulo Henrique Delfino Nascimento (apresentador do Globo Esportes, na TV Acre) e Ramadan Kalil(arquiteto).

2 comentários:

Luis Eduardo disse...

Nossa! E não era somente dois fazendeiros?
Ainda falta aparecer nomes nessa lista.

Renaldo disse...

E agora? que postura terá a nossa esquerda vianista, tão vestais e ciosos de seus valores políticos, com um dos seus quadros envolvidos com prostituição e pedofilia. E a Câmara que posição vai tomar com este seu quadro? O tempo será o SENHOR DA RAZÃO! Vamos vê no que vai dar.