domingo, 17 de outubro de 2010

CARTA ABERTA DE MARINA A DILMA E SERRA



Prezada Dilma Roussef,
Prezado José Serra,


Agradeço, inicialmente, a deferência com que ambos me honraram ao manifestar interesse em minha colaboração e a atenção que dispensaram às propostas e ideias contidas na “Agenda para um Brasil Justo e Sustentável” que nós, do Partido Verde, lhes enviamos neste segundo turno das eleições presidenciais de 2010. 

Embora seus comentários à  Agenda mostrem afinidades importantes com nosso programa, gostaríamos que avançassem em clareza e aprofundamento no que diz respeito aos compromissos. Na verdade, entendemos que somos o veículo para um diálogo de ambos com os eleitores a respeito desses temas. Nesse sentido, mantemo-nos na posição de mediadores, dispostos a continuar colaborando para que esse processo alcance os melhores resultados. 

Aos contatos que tivemos e aos documentos que compartilhamos, acrescento esta reflexão, que traz a mesma intenção inicial de minha candidatura: debater o futuro do Brasil. 

Quero afirmar que o fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade em relação aos rumos da campanha. Creio mesmo que uma posição de independência, reafirmando ideias e propostas, é a melhor forma de contribuir com o povo brasileiro. 

Já disse algumas vezes que me sinto muito feliz por, aos 52 anos, estar na posição de mantenedora de utopias, como os brasileiros que inspiraram minha juventude com valores políticos, humanos, sociais e espirituais. Hoje vejo que utopias não são o horizonte do impossível, mas o impulso que nos dá rumo, a visão que temos, no presente, do que será real e terreno conquistado no futuro. 

É com esse compromisso da maturidade pessoal e política e com a tranquilidade dada pelo apreço e respeito que tenho por ambos que ouso lhes dirigir estas palavras.

Quando olhamos retrospectivamente a história republicana do Brasil, vemos que ela é marcada pelo signo da dualidade, expressa sempre pela redução da disputa política ao confronto de duas forças determinadas a tornar hegemônico e excludente o poder de Estado. Republicanos X monarquistas, UDN X PSD, MDB X Arena e, agora, PT X PSDB. 

Há que se perguntar por que PT e PSDB estão nessa lista. É uma ironia da História: dois partidos nascidos para afirmar a diversidade da  sociedade brasileira, para quebrar a dualidade existente à época de suas formações, se deixaram capturar pela lógica do embate entre si até as últimas consequências. 

Ambos, ao rejeitarem o mosaico indistinto representado pelo guarda-chuva do MDB, enriqueceram o universo político brasileiro criando alternativas democráticas fortes e referendadas por belas histórias pessoais e coletivas de lutas políticas e de ética pública. 

Agora, o mergulho desses partidos no pragmatismo da antiga lógica empobrece o horizonte da inadiável mudança política que o país reclama. A agressividade de seu confronto pelo poder sufoca a construção de uma cultura política de paz e o debate de projetos capazes de reconhecer e absorver com naturalidade as diferentes visões, conquistas e contribuições dos diferentes segmentos da sociedade, em nome do bem-comum. 

A permanência dessa dualidade destrutiva é característica de um sistema politico que não percebe a gravidade de seu descolamento da sociedade. E que, imerso no seu atraso, não consegue dialogar com novos temas, novas preocupações, novas soluções, novos desafios, novas demandas, especialmente por participação política. 

Paradoxalmente, PT e PSDB, duas forças que nasceram inovadoras e ainda guardam a marca de origem na qualidade de seus quadros, são hoje os fiadores desse conservadorismo renitente que coloniza a política e sacrifica qualquer utopia em nome do pragmatismo sem limites.

Esse pragmatismo, que cada um usa como arma, é também a armadilha em que ambos caem e para a qual levam o país. Arma-se o eterno embate das realizações factuais, da guerra de números e estatísticas, da reivindicação exclusivista de autoria quase sempre sustentada em interpretações reducionistas da história.

Na armadilha, prende-se a sociedade brasileira, constrangida a ser apenas torcida quando deveria ser protagonista, a optar por pacotes políticos prontos que pregam a mútua aniquilação.

Entendo, porém, que o primeiro turno de 2010 trouxe uma reação clara a esse estado de coisas, um sinal de seu esgotamento. A votação expressiva no projeto representado por minha candidatura e de Guilherme Leal sinaliza, sem dúvida, o desejo de um fazer político diferente.

Se soubermos aproveitá-la com humildade e sabedoria, a realização do segundo turno, tendo havido um terceiro concorrente com quase 20 milhões de votos, pode contribuir decisivamente para quebrar a dualidade histórica que tanto tem limitado os avanços políticos em nosso país. 

Esta etapa eleitoral cria uma oportunidade de inflexão para todos, inclusive ou principalmente para vocês que estão diante da chance de, na Presidência da República, liderar o verdadeiro nascimento republicano do Brasil.  

Durante o primeiro turno, quando me perguntavam sobre como iria compor o governo e ter sustentação no Congresso Nacional, sempre dizia que, em bases programáticas, iria governar com os melhores de cada partido. Peço que vejam na votação concedida à candidatura do PV algo que ultrapassa meu nome e que não se deixem levar por análises ligeiras. 

Esses votos não são uma soma indistinta de pendores setoriais. Eles configuram, no seu conjunto, um recado político relevante. Entendo-os como expressão de um desejo enraizado no povo brasileiro de sair do enquadramento fatalista que lhe reservaram e escolher outros valores e outros conteúdos para o desenvolvimento nacional. 

E quem tentou desqualificar principalmente o voto evangélico que me foi dado, não entendeu que aqueles com quem compartilho os valores da fé cristã evangélica, vão além da identidade espiritual. Sabem que votaram numa proposta fundada na diversidade, com valores capazes de respeitar os diferentes credos, quem crê e quem não crê. E perceberam que procurei respeitar a fé que professo, sem fazer dela uma arma eleitoral.

Os exemplos de cristãos como Martin Luther King e Nelson Mandela e do hindu Mahatma Ghandi mostram que é  possível fazer política universal com base em valores religiosos. São inspiração para o mundo. Não há porque discriminar ou estigmatizar convicções religiosas ou a ausência delas quando, mesmo diferentes, nos encontramos na vontade comum de enfrentar as distorções que pervertem o espaço da política. Entre elas, a apropriação material e imaterial indevida daquilo que é público, seja por meio de corrupção ou do apego ao poder e a privilégios; a má utilização de recursos e de instrumentos do Estado; e o boicote ao novo. 

Assim, ao contrário de leituras reducionistas, o apoio que recebi dos mais diversos setores da sociedade revela uma diferença fundamental entre optar e escolher. Na opção entre duas coisas pré-colocadas e excludentes, o cidadão vota “contra” um lado, antes mesmo de ser a favor de outro. Na escolha, dá-se o contrário: o voto se constrói na história, na ampliação da cidadania, na geração de novas alternativas em uma sociedade cada vez mais complexa. 

A escolha, agora, estende-se a vocês. É a atitude de vocês, mais que o resultado das urnas, que pode demarcar uma evolução na prática política no Brasil. Podemos permanecer no espaço sombrio da disputa do poder pelo poder ou abrir caminho para a política sustentável que será imprescindível para encarar o grande desafio deste século, que é global e nacional. 

Não há mais como se esconder, fechar os olhos ou dar respostas tímidas, insuficientes ou isoladas às crises que convergem para a necessidade de adaptar o mundo à realidade inexorável ditada pelas mudanças climáticas. Não estamos apenas diante de fenômenos da natureza. 

O mega fenômeno com o qual temos que lidar é o do encontro da humanidade com os limites de seus modelos de vida e com o grande desafio de mudar. De recriar sua presença no planeta não só por meio de novas tecnologias e medidas operacionais de sobrevivência, mas por um salto civilizatório, de valores. 

Não se trata apenas de ter políticas ambientais corretas ou a incentivar os cidadãos a reverem seus hábitos de consumo. É necessária nova mentalidade, novo conceito de desenvolvimento, parâmetros de qualidade de vida com critérios mais complexos do que apenas o acesso crescente a bens materiais. 

O novo milênio que se inicia exige mais solidariedade, justiça dentro de cada sociedade e entre os países, menos desperdício e menos egoísmo. Exige novas formas de explorar os recursos naturais, sem esgotá-los ou poluí-los. Exige revisão de padrões de produção e um fortíssimo investimento em tecnologia, ciência e educação.

É esse, em síntese, o sentido do que chamamos de Desenvolvimento Sustentável e que muitos, por desconhecimento ou má-fé, insistem em classificar como mera tentativa de agregar mais alguns cuidados ambientais ao mesmo paradigma vigente, predador de gente e natureza. 

É esse mesmo Desenvolvimento Sustentável que não existirá se não estiver na cabeça e no coração dos dirigentes políticos, para que possa se expressar no eixo constitutivo da força vital de governo. Que para ganhar corpo e escala precisa estar entranhado em coragem e determinação de estadista. Que será apenas discurso contraditório se reduzido a ações fragmentadas logo anuladas por outras insustentáveis, emanadas do mesmo governo. 

E, finalmente, é esse o Desenvolvimento Sustentável cujos objetivos não se sustentarão se não estiver alicerçado na superação da inaceitável, desumana e antiética desigualdade social. Esta é ainda a marca mais resistente da história brasileira em todos os tempos, em que pesem os inegáveis avanços econômicos dos últimos 16 anos, que nos levaram à estabilidade econômica, e das recentes conquistas sociais que tiraram da linha da pobreza mais de 24 milhões de pessoas e elevaram à classe média cerca de 30 milhões de pessoas.

A sociedade, em sua sábia intuição, está entendendo cada vez mais a dimensão da mudança e o compromisso generoso que ela implica, com o país, com a humanidade e com a vida no Planeta.  Os votos que me foram dados podem não refletir essa consciência como formulação conceitual, mas estou certa de que refletem o sentimento de superação de um modelo. E revelam também a convicção de que o grande nó está na política porque é nela que se decide a vida coletiva, se traçam os horizontes, se consolidam valores ou a falta deles. 

Essa perspectiva não foi inventada por uma campanha presidencial. Os votos que a consagram estão sendo gestados ao longo dos últimos 30 anos no Brasil, desde que a luta pela reconquista da democracia juntou-se à defesa do meio ambiente e da qualidade de vida nas cidades, no campo e na floresta. 

Parte importante da nossa população atualizou seus desafios, desejos e perspectivas no século 21. Mas ainda tem que empreender um esforço enorme e muitas vezes desanimador para ser ouvida por um sistema político arcaico, eleitoreiro, baseado em acordos de cúpula, castrador da energia social que é tão vital para o país quanto todas as energias de que precisamos para o nosso desenvolvimento material. 

Estou certa de que estamos no momento ao qual se aplica a frase atribuída a Victor Hugo: “Nada é mais forte do que uma idéia cujo tempo chegou”.

O segundo turno é uma nova chance para todos. Para candidatos e coligações comprometerem-se com propostas e programas que possam sair das urnas legitimados por um vigoroso pacto social entre eleitos e eleitores. Para os cidadãos, que podem pensar mais uma vez e tornar seu voto a expressão de uma exigência maior, de que a manutenção de conquistas alie-se à correção de erros e ao preparo para os novos desafios. 

Mesmo sem concorrer, estamos no segundo turno com nosso programa, que reflete as questões aqui colocadas. Esta é a nossa contribuição para que o processo eleitoral transcenda os velhos costumes e acene para a sustentabilidade política que almejamos. 

Como disse, ousei trazer a vocês essas reflexões, mas não como formalidade ou encenação política nesta hora tão especial na vida do pais. Foi porque acredito que há terreno fértil para levarmos adiante este diálogo. Sei disso pela relação que mantive com ambos ao longo de nossa trajetória política. 

De José Serra guardo a experiência de ter contado com sua solidariedade quando, no Senado, precisei de apoio para aprovar uma inédita linha de crédito para os extrativistas da Amazônia e para criar subsídio para a borracha nativa. Serra dispôs-se a ele mesmo defender em plenário a proposta porque havia o risco de ser rejeitada, caso eu a defendesse. 

Com Dilma Roussef, tenho mais de cinco anos de convivência no governo do presidente Lula. E, para além das diferenças que marcaram nossa convivência no governo, essas diferenças não impediram de sua parte uma atitude respeitosa e disposição para a parceria, como aconteceu na elaboração do novo modelo do setor elétrico, na questão do licenciamento ambiental para petróleo e gás e em outras ações conjuntas. 

Estou me dirigindo a duas pessoas dignas, com origem no que há de melhor na história política do país, desde a generosidade e desprendimento da luta contra a ditadura na juventude, até a efetividade dos governos de que participaram e participam para levar o país a avanços importantes nas duas últimas décadas. 

Por isso me atrevo, seja quem for a assumir a Presidência da República, a chamá-los a liderar o país para além de suas razões pessoais e projetos partidários, trocando o embate por um debate fraterno em nome do Brasil. Sem esconder as divergências, vocês podem transformá-las no conteúdo do diálogo, ao compartilhar idéias e propostas, instaurando na prática uma nova cultura política.

Peço-lhes que reconheçam o dano que a política atrasada impõe ao país e o risco que traz de retrocessos ainda maiores. Principalmente para os avanços econômicos e sociais, que a sociedade brasileira, com justa razão, aprendeu a valorizar e preservar.

Espero que retenham de minha participação na campanha a importância do engajamento dos jovens, adolescentes e crianças, que lhes ofereçam espaço de crescimento e participação. Que acreditem na capacidade dos cidadãos e cidadãs em desejar o novo e mostrar essa vontade por meio do seu voto. Que reconheçam na sociedade brasileira uma sociedade adulta, o que pressupõe que cada eleitor escolha o melhor para si e para o país e o expresse, de forma madura, livre e responsável, sem que seu voto seja considerado propriedade de partidos ou de políticos. Pois, como repeti inúmeras vezes no primeiro turno, o voto não era meu, nem da Dilma, nem do Serra. O voto é e sempre será do eleitor e de sua inalienável liberdade democrática. 

Esta é minha contribuição, ao lado das diretrizes de programa de governo que são um retrato do amadurecimento de quase 30 anos de construção do socioambientalistmo no Brasil. Espero que a acolham como ela é dada, com sinceridade. A utopia, mais que sinal de ingenuidade, é mostra de maturidade de um povo cujo olhar eleva-se acima do chão imediato e anseia por líderes capazes de fazer o mesmo.

Que Deus continue guiando nossos caminhos e abençoando nossa rica e generosa nação. 

Marina Silva

9 comentários:

Fátima Almeida disse...

Serra, do PSDB se dispôs a ele mesmo defender o projeto de linha de crédito e subsídios para extrativistas da Amazônia, por "haver risco de que sendo apresentado por ela mesma não passaria.." Gesto nobre de um político do rico estado de São Paulo para com a representante de um Estado cuja capital só tem 300 mil habitantes.Ele não precisava disso, sendo tucano e ela petista. Dilma limitou-se a mera ação de governo interministerial. No Governo Lula, se lembro bem, Marina e Temporão foram votos vencidos na aprovação dos transgênicos. Mercadante tentou acabar a zona franca de Manaus para beneficiar o mercado de monitores de São Paulo, quando se sabe que a zona franca de Manaus é uma forma de manter a economia o mais distante possível da exploração de madeira. Manaus é uma cidade incrustrada em meio a floresta. Rio Branco é uma cidade de concreto e asfalto numa enorme clareira onde o arco dos desmatamento nem mais é visível. Parabéns á Marina que manteve sua coerência, sua honestidade de propósitos. Quatro anos passam logo mas são suficientes para refazer as energias, estender e explicitar seu projeto a um maior número de pessoas. Mesmo porque ele terá que acontecer e todos nós que marinamos, acima dos pequenos interesses pessoais sabemos disso.

César Claudino disse...

A decisão esperada por todos (Independência), a mais facil de ser tomada, até mesmo porquê os desgastes são menores "e agora Marina?", talvez seu projeto pessoal esteja acima de um projeto Brasil, seja ele com Serra ou Dilma (assim a maioria escolheu até agora), Independência na nossa história não está relacionada com netralidade, omissão e sim com uma luta por ideais que se preciso for leve até morte!!!!!!!!!!!! O tempo será o responsável por julgar a sua Independência frente aos 20 milhões que a escolheu sem medo de defender seus "ideais" !!!!!!!!! Omissão o mau do século, o cancêr de uma sociedade que juridicamente é obrigada a fazer escolhas em um processo "democrático". E finalmente sobrou a decisão para o nosso pai celestial "Que Deus continue guiando nossos caminhos e abençoando nossa rica e generosa nação"

César Claudino disse...

A decisão esperada por todos (Independência), a mais facil de ser tomada, até mesmo porquê os desgastes são menores "e agora Marina?", talvez seu projeto pessoal esteja acima de um projeto Brasil, seja ele com Serra ou Dilma (assim a maioria escolheu até agora), Independência na nossa história não está relacionada com netralidade, omissão e sim com uma luta por ideais que se preciso for leve até morte!!!!!!!!!!!! O tempo será o responsável por julgar a sua Independência frente aos 20 milhões que a escolheu sem medo de defender seus "ideais" !!!!!!!!! Omissão o mau do século, o cancêr de uma sociedade que juridicamente é obrigada a fazer escolhas em um processo "democrático". E finalmente sobrou a decisão para o nosso pai celestial "Que Deus continue guiando nossos caminhos e abençoando nossa rica e generosa nação"

Josafá Batista disse...

Atenção, navegantes: medidas de transformação social não se fazem com utopias, mas com leitura concreta da realidade concreta.
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Todas as vezes que projetos utópicos tentaram se impor sobre as sociedades para modificá-las, subtraindo a dinâmica material real, o resultado foi desastroso.
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O triunfo da vontade na política necessita ignorar as lutas de classes como motor da história porque não possui ligação com a dinâmica viva da sociedade: o trabalho, a reprodução social, aquilo que permite aos homens produzir e satisfazer às suas necessidades.
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O discurso da utopia política possui função ideológica, é usado para mascarar as contradições reais, existentes na própria tessitura social, em benefício de um "projeto" que se pretende superior porque está tomado pelo "Espírito da História".
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É uma catástrofe de clara inspiração hegeliana, idealista. Abstrai a vida social, coloca-se como meta eternamente a ser alcançada e por isso mesmo tende à catástrofe: ao chocar-se com a realidade, esta tende a desnudá-lo e mostrar o seu caráter abstrato, mistificador.
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A Frente Popular do Acre (FPA) está passando pelo mesmo processo. Transformaram lutas de classes em ecologismo, primeiro, e ecologismo em ufanismo provinciano, depois. Quanta metamorfose!
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Cara historiadora Marina Silva, saiba que neutralidade possui função, atividade, utilidade social: todo o Positivismo é a exata lição de como o discurso de uma classe social dominante se torna o discurso de todo o tecido social instrumentalizando conceitos como "isenção", "neutralidade", "conciliação" etc.
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Ou seja, mesmo que a senhora não queira, mesmo que tenha esquecido as lições básicas da sua formação acadêmica, isso não impede seu partido de cumprir um papel extremamente estratégico e absurdamente danoso, duplamente danoso, para as lutas de classes nesse momento histórico no Brasil.
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Neutralidade e utopia social são idéias. Lutas de classes são, ainda, o motor de todas as sociedades estratificadas.

Adauto disse...

Marina está tendo devaneios. Está se sentido muito importante, se coloca praticamente acima de bem e do mal. Se propõe a ser "mediadora". "veículo para um diálogo de ambos (Dilma e Serra) com os eleitores". O que faz ela pensa que Dilma ou Serra vá precisar dela como mediadora, como veículo para dialogar com os eleitores? É muito arrogância! Por acaso não existem outros canais até mais representativos e mais legítimos para a futura Presidenta ou Presidente do Brasil, dialogar com os eleitores? Acorda Marina, acorda para o mundo real, para a vida real, acorda!

Edson disse...

Ambientalistas pró-Marina lançam manifesto de apoio a Dilma

Apesar de a candidata derrotada do PV nas eleições, Marina Silva, ter oficializado no domingo (17) sua posição de “independência” em relação ao segundo turno da disputa presidencial, alguns dos principais ambientalistas do país que a acompanharam no primeiro turno decidiram lançar um manifesto de apoio à candidata Dilma Rousseff da coligação Para o Brasil Seguir Mudando..
(...)
No total, serão levadas ao conhecimento da candidata Dilma Rousseff vinte e cinco propostas que tratam de temas como mudanças climáticas, desmatamento, biodiversidade, agrotóxicos, transgênicos, conhecimentos tradicionais, bacias hidrográficas, políticas energéticas e licenciamento ambiental, entre outras: “Nós, abaixo assinados, estamos convictos que um governo comandado por Dilma Rousseff terá muito mais condições e vontade política para implementar esse conjunto de propostas _ assim como de fortalecer a participação do movimento socioambientalista na elaboração e implementação das políticas públicas ambientais _ do que um governo de José Serra”, afirma o manifesto.

Propostas

Logo após o anúncio da posição de Marina Silva e do PV, alguns ambientalistas que agora declaram apoio à Dilma chegaram a hesitar em apresentar uma pauta de reivindicações ao comando da campanha petista, uma vez que a ex-ministra do Meio Ambiente já havia feito o mesmo. Ao final, no entanto, prevaleceu a visão de que uma mera declaração de apoio sem a inclusão de propostas passaria a impressão de pouca consistência política.

“Entre as propostas apresentadas pelo PV, foi o PT o partido que mais apresentou concordâncias neste segundo turno das eleições. Nós ambientalistas não estamos colocando nada do que já não tenhamos pautado o atual governo e outros governos. Estas são as reivindicações dos ambientalistas. Devemos tê-las sempre, pois isso demonstra que somos coerentes em qualquer situação”, diz Ivan Marcelo Neves.

Com informações da Rede Brasil Atual

Andarilho disse...

Ganhei a aposta!! rsrs

Andarilho disse...

Perdi uma aposta sobre o futebol, não sabia que era gravado devido a esse horário(imposto) por alguns.
Por isso sou 77!!!
Não estamos atrasado com relação a lugar nenhum do Brasil. Estamos sim é tendo nosso direito roubado. Pq não podemos assistir no horário a programação das redes nacionais? Tem que ser gravado?
Estamos atrasados do mesmo jeito.

Janu Schwab disse...

Marina está apenas exercendo o direito (e dever também) que cabe a quem teve 20 milhões de votos (um deles é meu), despolarizando um pleito que tinha tudo para ser praticamente um plebiscito entre vermelhos e azuis. Tanto, que no segundo turno se enraizou a disputa babaquara de quem é mais religioso, menos privatizador, mais isso e menos aquilo.