quarta-feira, 25 de agosto de 2010

POLÍCIA PRENDE, MAS JUSTIÇA SOLTA

Por força dos últimos acontecimentos, que põem em xeque a eficiência do sistema de justiça e segurança pública do Acre, aliado ao momento de intensa campanha eleitoral, onde o grupo político da situação pretende manter-se no poder, o bordão da hora afirma que “a polícia prende, mas a justiça solta”.

Dirigentes da Secretaria de Segurança Pública, delegados, policiais, políticos e até a mídia repetem isso aos quatro cantos do Acre. A quem interessa essa ideologia? Certamente que ela justifica o trabalho da polícia ao mesmo tempo em que coloca o sistema judiciário em situação delicada, liberando os criminosos presos pela polícia.

Aos olhos da sociedade, o trabalho da polícia estaria justificado, a culpa então dos índices alarmantes de criminalidade recairia sobre os tribunais que relaxam as prisões efetuadas pelos policiais. Mas será que tudo é tão simples assim? Com certeza, não.

O contexto social do Estado está bastante acirrado e é interessante ver os gestores da segurança pública, por meio de uma lógica mecânica, buscar culpados imediatos.

Quer dizer então que é suficiente prender? Prender mais e mais? Esquecem eles que o sistema penitenciário do Estado apresenta hoje um déficit de 2 mil vagas para acolher todas essas pessoas.

Por outro lado, a Lei de Execuções é clara ao dizer que compete ao Estado viabilizar mecanismos de recolocação dessas pessoas na sociedade, principalmente pela oferta de trabalho. Isso tem acontecido no Acre?

Portanto, é preciso enfrentar com coragem o problema em todas as suas dimensões, superando a falácia da “polícia prende, mas a justiça solta”.

O bordão não resolve a crise, confunde a opinião pública e deixa a população ainda mais descrente da possibilidade de vivermos no melhor lugar da Amazônia.

Destaque para o comentário da professora Fátima Almeida:

"A lição mais simples da economia diz o seguinte: para se fazer um monte de areia é preciso deixar um buraco em algum lugar. Pois bem, muito foi feito para acabar com grupo de extermínio ou esquadrão da morte no Acre. Mas o buraco permaneceu: o narcotráfico e a marginalização. Os direitos humanos venceram, fizeram a sua parte sob a batuta de Dom Moacir Grecchi. Mas os demais setores do Governo, em especial os responsáveis pelo Planejamento, pela Educação, Assistência Social e Produção, não elaboraram políticas integradas para resolver o desemprego progressivo em nossa cidade, onde tanto cresce o número de jovens desempregados como chegam levas de desocupados em busca de ocupação. Os bandidos atiram em pessoas indefesas, matam mães de família porque estão cheios de ódio. Deflagaram uma guerra social sem nenhum guia norteador, como a literatura marxista que era lida pelas velhas lideranças sindicais, que hoje moram em casas com piscinas. Só nesta semana existem 32 crianças, inclusive recém-nascidas, no Educandário, filhos de mães e pais dependentes químicos."

8 comentários:

Andarilho disse...

A situação da 'insegurança pública' no nosso Estado é uma quadro pintado com 'cal'.
Depois da entrevista surreal, da secretária de segurança publica, de ontem, podemos perceber o quanto estamos a mercer da bandidagem. E, pela ótica da secretária, a culpa é de todo mundo, menos do governo, pq não foi citado na lista de 'culpados' pela insegurança.
Não foi perguntado a secretária, como dois bandidos, fogem de uma cela de delegacia, passam por dois portões de ferro e saem caminhando de volta as ruas? Pq não temos mais policiamento ostensivo nas ruas? Pq não temos mais força tarefa nas ruas da cidade? Pq a polícia ainda não elucidou o caso Fabrício? Pq somos tão mal assistidos quando buscamos a ajuda da polícia quando de um furto ou roubo? Pq temos que esperar tanto para obter uma resposta das ocorrencias, que faz com que a população investigue por conta própria?
São tantas perguntas que nos perdemos.
Se não tivessemos tanta ineficiencia da polícia, na maioria dos casos registrados ou mesmo solicitados pela população, não estariamos aqui reclamando também da polícia.
Muitos fazem a sua parte, mas queremos mais do que fazer somente a 'minha parte'.
Chega de mortes. Nossa cidade, 'o melhor lugar para se viver' não merece isso.
Pobreza não é condição para ser marginal, como foi citado pelo delegado hoje pela manhã, numa entrevista, é muito mais que isso.
É o Estado estar presente efetivamente na vida da população. E não sendo uma parede no dia-a-dia.
Quer seja na saúde, educação, lazer e por aí vai.
E não adianta reclamar que não recursos para isso, pq a quantidade recursos oriunda do governo federal e emprestimos internacionais, para o Estado não é de brincadeira. Era para termos aqui um formigueiro de obras. Mas, obras de verdade, não essas reformas meia-boca que vemos por aí.Com construções mal feitas, que cai pilastras de pontes, que temos que jogar pixe no mesmo buraco varias vezes, que vemos fios 'soltos' e operarios andando no meio dos doentes, mesmo após a inauguranção da obra.
É vergonhoso isso!!!
Se, temos que fazer, façamos bem feito, que dure por anos. E façamos sem vicio de orçamento, respeitando o erário (recursos públicos, dinheiro público).E se tem criticas, que seja recebidas com atenção e sendo veridica, aceita-las, posterior correção do erro criticado.
Não fazer por fazer.
Nenhum passarinho constroe seu ninho a meia boca, ele faz perfeito para sua necessidade.
Assim, se reconhece um bom administrador público.
O cidadão de bem estar com medo, recluso em sua casa gradeada, cercada eletricamente, com medo de não retornar vivo para sua casa e não ver seus filhos. Medo de ser assassinado dentro da própria casa. Medo de ver seu comercio ser assaltado. Medo de não dar tempo de dizer 'leve o que quiserem, mas nos deixe vivos'. Medo de perder a própria incensatez diante de tanto abandono do poder público.

PS: Desculpa, Altino, pela palavras, mas revolta demais.
Amém, Senhor, espero voltar para casa vivo.

Andarilho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz disse...

Altino,
A Lei de execuções penais vale para todo Brasil.
Se isso fosse verdade, em todos os estados a violencia estaria em escala crescente.
De mais a mais, uma das flexibilizações da Lei de progressão penal foi aprovada no governo Lula.
Luiz

Fátima Almeida disse...

A lição mais simples da economia diz o seguinte: para se fazer um monte de areia é preciso deixar um buraco em algum lugar. Pois bem, muito foi feito para acabar com grupo de extermínio ou esquadrão da morte no Acre. Mas o buraco permaneceu: o narcotráfico e a marginalização.Os direitos humanos venceram, fizeram a sua parte sob a batuta de Dom Moacir Grecchi. Mas os demais setores do Governo, em especial os responsáveis pelo Planejamento, pela Educação, Assistência Social e Produção, não elaboraram políticas integradas para resolver o desemprego progressivo em nossa cidade, onde tanto cresce o número de jovens desempregados como chegam levas de desocupados em busca de ocupação.Os bandidos atiram em pessoas indefesas, matam mães de família porque estão cheios de ódio. Deflagaram uma guerra social sem nenhum guia norteador como a literatura marxista que era lida pelas velhas lideranças sindicais que hoje moram em casas com piscinas. Só nesta semana existem 32 crianças, inclusive recém-nascidas, no Educandário, filhos de mães e pais dependentes químicos.

Márcio Chocorosqui disse...

É preocupante que Rio Branco, uma cidade ainda pequena, demonstre estes problemas rotineiros de grandes metrópoles, como Rio de Janeiro e São Paulo: sequestro, assalto, assassinato, tráfico de drogas, acidente de trânsito... Isso ocupa quase todo o noticiário televisivo. Ao passo que, na periferia, jovens entregam-se à “vida loka” (prática de crimes, diversão regada a bebedeiras e consumo de entorpecentes), pois, desassistidos de lazer e cultura decentes, sucumbem às influências negativas da mídia de massa, interagindo com uma cultura que estimula a violência, o sexo gratuito, o desrespeito ao próximo e a perda do senso do ridículo. Enquanto isso, programas assistencialistas que rendem votos, como o Bolsa-Família e o Bolsa-Escola, são insuficientes para fazer frente à carreira do crime.

Valterlucio disse...

Um primor o texto da Fátima Almeida. Vai com simplicidade ao âmago da questão.

silene.farias disse...

O Babalaô enfeiô de vez...

O Acre de gente sangue bom , perde espaço para gente de sangue ruim.Vermelhou de sangue ruim, o curral e a Arena da Floresta.O Babalaô tá feio.

Luiz Matos disse...

No último dia 13 de agosto, tive o vidro do meu carro quebrado em frente a minha residência, por 2 meliantes em uma motocicleta vermelha. Minha bolsa com 1 notebook (contendo provas, projetos, trabalhos, fotos irrecuperáveis etc. etc.) furtados. Vi e senti na pele a total negligência das polícias civil e militar do meu estado.

Uma se limitou no registro da ocorrência, sequer foi utilizado o sistema de rádio para notificação do ocorrido. Da outra, ganhei apenas uma passagem da viatura na minha rua e nada mais. Os próprios policiais relataram a quase impossibilidade de localizar os marginais.

Sem falar, que tive que aguardar 2 horas 1 escrivão que tinha saído para jantar. Nem preciso dizer que a atendente estava no MSN quando cheguei no DP.

Lastimável a sensação de insegurança que vivemos.

Fora Viana's! Fora a corja PTista!

Vote verde, 43.