terça-feira, 13 de maio de 2008

THIAGO DE MELLO

"Humildade vencerá a arrogância"



O poeta Thiago de Mello disse ao repórter Cláudio Leal, da Terra Magazine, que a ex-ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, "é a figura mais luminosa do governo deste país".


- Marina é a mesma adolescente que se deitava no chão pra impedir, em Xapuri (AC), a passagem dos tratores que iam derrubar as árvores sob as quais ela nasceu. Atravessou as lutas com Chico Mendes, atravessou o Senado, para defender a luta pela preservação da floresta. Ela compreendeu o alto sentido da luta dos que vivem na floresta e da floresta. No instante em que o aquecimento da terra ameaça - a ciência mostrou com a verdade que lhe é própria, a ciência não brinca -, ela se ergue com a mesma dignidade e firmeza.

Terra Magazine revela que Marina Silva enviou ao poeta um texto pouco antes da crise no Meio Ambiente:

- Thiago, o que mais precisamos é coragem, prudência e humildade.

O poeta disse que a causa de Marina Silva é dele também e que "a humildade vencerá a arrogância. A utopia triunfará sobre o Apocalipse".

Clique aqui para ler a reportagem completa na Terra Magazine. Abaixo, a reprodução de um post deste blog, de novembro do ano passado, no qual o poeta declama "Pequeno ABC do Festcine Amazônia para salvar a floresta".



O que é o meio ambiente?

É simplesmente uma casa.

Só que grande já demais.

Do tamanho do universo.


Dentro dela cabe o mundo,

mundo, mundo, giramundo

e cabe o sonho profundo

de amor, que essa casa tem.


Amor: dar e receber.

Como ela gosta de dar!

Sabe que é sempre a melhor

maneira de receber.

Seu amor é tão bonito!


O seu nome é lindo: TERRA,

Céu e chão da Natureza.

É a Gaia do mito grego.

Já não é mais um segredo

que ela é um ser vivo também.


E vive de inventar vida.

Cada coisa que ela cria

-pode ser nuvem, lajedo,

sumaumeira, vagalume–

é pra dar contentamento

a quem mora dentro dela.


Mora a flor e o beija-flor,

mora o ninho e o passarinho,

a criança e a esperança,

mora o tempo e o passatempo.


Sua invenção poderosa?

O manancial que não cessa.

Sua glória e sua festa

foi ter plantado a Floresta,

coração verde da Casa,

feito de verdes e escamas,

bromélias e matrinchãs,

de várzeas e terras firmes,

de boto de olho na moça

lavando roupa na beira,

de gavião e bem-te-vi,

de terra roxa alagada,

capim azul canarana,

coruja cantando aflita

dizendo adeus pras estrelas,

de caboclo plantador

de maniva pra farinha,

de tudo a floresta faz

um jeito para ensinar

a alegria de viver.


Mas da multidão de seres

que ela inventou, pois um deles

chamado humano, que se fez

das virtude dos seus verdes,

a cobiça converteu

em maldoso desumano

que lhe vem varando os âmagos

com lâmina envenenada

de fogo e de ingratidão.


Eita-ferro! A Natureza

sabe ser mãe, mesmo assim,

queimada e compadecida,

persiste fiel à bondade,

que é seu destino e seu dom.


Floresta, casa da Vida,

minha prenda preferida,

cabocla suburucu,

popa de lancha, bandeira

no vento, turqueza azul.

Senhora sempre menina,

criança que não se cansa

de repartir a esperança.


Como é bom poder cantar!

Firme de voz e de timbre,

celebro este Festival,

que não deixa a Natureza

sair de cena e rebrilha

no milagre do cinema,

pela mão cheia de estrelas

de Fernanda e Jurandir

com o Antonio de permeio,

levados pelo fulgor

deste Porto Velho inteiro.


Assim bem aconchegada

pelo poder que perdura,

a mata te estende a mão.

Por isso cantando vou,

seguindo o rumo da luz

que Mariana me mostrou,

pelo caminho das pedras

que seu Diga abriu, diamante

de grande sabedoria.


Filho da Terra, a Floresta

é a mais luminosa bênção

que a Natureza te deu.

Dos seus troncos malferidos,

quando anoitece, ouve bem,

se ergue um pungente clamor.

Não é canto de guariba,

Nem silvo de curupira.

É a mata pedindo ajuda.


A Floresta é a tua Casa.

Cuida dela com amor.


Porto Velho, 16, novembro, 2007

4 comentários:

Anônimo disse...

Porra não conhecia esse poema não, muito belo e emergencial. O poema diz tudo: A natureza é nossa casa, cuida dela com amor.

Anônimo disse...

Jorge
Este lindo poema nos lembra a desimportância do homem neste mundo tão maior que nós.

Anônimo disse...

Conheço os poemas desse grande homem da amazônia, pra não dizer do mundo. Sabe expressar com sentimento e racionalidade a busca do equilíbrio do viver do HOMEM como parte integrande da natureza. Ele próprio é o exemplo.

Miro disse...

Jorge,
o poema aos poucos me trouxe de volta a mim mesmo. Obrigado a vc e ao autor Thiago de Mello.
Apesar destes dias sombrios a esperança mora em nós.
Miro