terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

CIÊNCIA E SABER

O valor do conhecimento
na Amazônia


Princípios para proteção, pesquisa e uso dos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade estão no foco do seminário "Ciência e saber na Amazônia: o valor do conhecimento", que está sendo preparado pela organização não governamental Amazonlink, para ocorrer entre os dias 15 e 19, em Cruzeiro do Sul (AC), no extremo-oeste brasileiro.

O evento está sendo viabilizado por meio do Projeto Aldeias Vigilantes, em co-organização com o Projeto de Gestão Ambiental Integrado (PGAI), Programa de Proteção à Biodiversidade (PPBIO) e a Procuradoria Geral do Estado do Acre.


Como proteger nossos conhecimentos? Quais são as leis que protegem nossos saberes? O que é essa tal de biopirataria? Como a gente faz para denunciar coisas que ocorrem na nossa área que não estejam de nosso acordo? Quem quiser saber sobre nossos conhecimentos deve fazer o quê? Como a gente lida com essa gente? Quem são essas pessoas? Se a gente faz um acordo com esse povo (pesquisadores, empresários, curiosos), quem fica com o quê?

Essas são algumas das perguntas que permeiam reuniões comunitárias em aldeias indígenas, ribeirinhos, seringueiros da Amazônia, mesmo que o foco da reunião não seja a questão da biopirataria.

Há quase duas décadas, essa constatação demonstra a preocupação dos povos da floresta em cuidar do seu patrimônio e de seus saberes. A inquietação desses povos tem fundamento nos casos de biopirataria ao longo da história do Brasil, desde o pau-brasil, a seringa, a quinina e a ayahuasca e, mais recentemente, o cupuaçu, o açaí, a unha-de-gato, a “vacina do sapo kambô”, a espinheira santa, o jaborandi, entre outros.

Seus representantes se manifestaram com muita ênfase em relação ao tema do acesso aos recursos da biodiversidade e de conhecimentos tradicionais associados na ECO-92, cujo temática foi discutida na Convenção da Diversidade Biológica (CDB) realizada no Rio de Janeiro em 1992 e assinada por mais de 150 países, entre eles o Brasil.

A CDB inaugurou novos paradigmas, conceitos e princípios dos quais se destacam: a soberania estatal sobre os recursos da biodiversidade, a repartição justa e eqüitativa de benefícios com comunidades tradicionais, valorização e respeito das culturas tradicionais e o uso adequado dos recursos naturais pelas presentes e futuras gerações.

Neste contexto o Brasil busca consolidar a implantação da CDB, em especial o processo de desenvolvimento sustentável seja por meio de políticas públicas e regulamentação legal ou por incremento de políticas públicas e iniciativas da sociedade civil.

Contudo, um dos grandes desafios para essa consolidação é, sem dúvida, o de integrar a idéia de desenvolvimento científico, tecnológico e progresso convencional com os valores éticos e respeito às culturas e saberes tradicionais, de forma a contemplar os princípios estabelecidos na CDB e, principalmente, as reivindicações e direitos dos povos tradicionais do mundo.

Para contatos: Michael Franz Schimdlehner, diretor da Amazonlink, fone 68 3223-8085 - Rua Itaparica, 44, Conjunto Village Maciel - Bairro Vila Ivonete - Rio Branco (Acre) Brasil. CEP: 69900-000.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Altino,

que árvore é essa, você sabe, a da foto que ilustra este texto ?
Nasci na Amazônia, mas só conheci essa espécie dia desses na chácara do meu cunhado. Fiquei impressionada com a beleza assustadora desses "espinhos" gigantes.

Anônimo disse...

Golby, é uma samaúma que brotou do tronco que sobrou da antiga samaúma que havia no meu quintal. É realmente muito bonita. Mais bonitas são as lagartas que vivem amontoadas no tronco dela, que mostrei outro dia em foto aqui no blog. Em menos de dois anos, a árvora atingiu quase 10 metros de altura. Vou derrubá-la brevemente porque promete agigantar-se mais ainda e seus galhos costumam apodrecer facilmente, tornando-se uma ameaça ao meu telhado de barro.