domingo, 23 de fevereiro de 2014

Receita para fazer caiçuma de pupunha


Dia desses o sertanista José Meirelles veio almoçar comigo e contou que, além da caiçuma de milho e macaxeira, os índios do Acre fazem também caiçuma de pupunha. Resolvi preparar a minha a partir da receita que Meirelles aprendeu com os ashaninka: cozinhar a pupunha sem sal, deixar 48 horas fermentando na água do cozimento, depois amassar, adicionar água e coar. É simplesmente delicioso e me arrependo de ter preparado apenas dois litros.

O mestre Meirelles me corrigiu:

- Tem uma pequena falha no seu fazimento. Não que não ficou boa, mas pode ser melhor: cozinhe a pupunha. Derrame a água. Machuque a pupunha até virar uma pasta (tire os caroços). Aí vem a parte da mastigação. Coloque o mastigado na massa e misture bem. Deixe a massa descansar por 24, ou 48 horas (depende se o tempo está mais quente ou frio). Mais quente: 24 horas. Mais frio: 48 horas.

No site do Instituto socioambiental, receita de caiçumas da etnia katukina, do Acre:

“Sempre que houver tempo disponível, uma mulher deverá ainda fazer caiçuma, que pode ser de macaxeira (atsa matxu) ou banana (mane mutsa). O preparo da caiçuma de banana é simples: basta cozinhar a banana, amassá-la (não é mascada) e adicionar um pouco de água. Já o preparo da caiçuma de macaxeira demanda maior tempo e esforço e a iniciativa de fazê-la é sempre de mulheres adultas. Para preparar a caiçuma, a primeira coisa a fazer é colher a macaxeira no roçado; após descascada e lavada, a macaxeira deve ser cortada em pequenos cubos que são colocados numa panela com água e cobertos com folhas de bananeira; podem também acrescentar algumas batatas-doces. Após o cozimento, as mulheres amassam bem a macaxeira com uma colher de madeira e deixam a massa esfriar. Posteriormente, mascam toda a macaxeira cozida até que adquira a consistência de uma pasta. A etapa seguinte consiste em coar essa pasta. Feito isso a caiçuma está pronta e para consumi-la é necessário apenas acrescentar um pouco de água. Em tempos passados, as mulheres dizem que faziam também caiçuma de pupunha e de milho.

3 comentários:

Carlos Floresta disse...

Dá pra fazer sorvete disso aí, Seu Altino?
Tô a fim de faturar uma grana com os gringos...

ALTINO MACHADO disse...

Dá, Carlos. Aproveita e faça contato. Meu e-mail tá no topo do blog. Abraço

silene disse...

Fiz minha primeira caiçuma, de banana com gengibre e amendoim, sem fermentação e sem mastigação.