quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Acre é quem mais reprime e elucida crimes no país", diz secretário


O aumento da violência no Acre nos últimos meses levou o Ministério da Justiça a autorizar, a pedido do governador Tião Viana (PT), o uso da Força Nacional de Segurança Pública para atuar durante seis meses no Estado, na região de fronteira com a Bolívia e Peru, mas o prazo poderá ser prorrogado caso seja necessário.

Com apoio logístico e supervisão dos órgãos de segurança pública estaduais, a presença da Força Nacional será empregada na fiscalização, inibição, prevenção, coibição e repressão aos crimes de contrabando, de tráfico de drogas e de armas.

O Acre, cuja população é de 700 mil habitantes, já registrou este ano 184 homicídios, dos quais 84 em Rio Branco, a capital, onde o índice é 14% maior do que foi registrado no mesmo período de 2012. Com mais de 4 mil presos, o Acre é o estado com a maior taxa de encarceramento no país (496 presos para cada 100 mil habitantes).

Mas o secretário de Polícia Civil do Acre, Emylson Farias, considera que Estado está cumprindo bem o seu papel e se destaca por ser o que mais reprime e elucida crimes no país.

- A repressão é forte no Acre. Temos, de janeiro a setembro, 2.583 pessoas presas apenas em Rio Branco, a capital. Não tem nenhum estado do Brasil que prenda tanto quanto o Estado do Acre.  Não estou dizendo que lá em São Paulo, no sul maravilha, isso não ocorra. O que lá não ocorre é a repressão forte. O que não vemos lá é polícia prendendo rapidamente como no Acre. Onde é que você ver três crimes de latrocínio sendo elucidados e os criminosos presos em uma semana? Você não vê isso em nenhum outro lugar do Brasil - afirma.

Veja a entrevista exclusiva com o secretário Emylson Farias:

Como será a atuação da Força Nacional de Segurança no Acre?

A Força Nacional tem muito mais o objetivo de fortalecer as fronteiras, pois a Bolívia e o Peru são reconhecidos como dois grandes produtores de cocaína para o Brasil e o mundo. Portanto, o objetivo dela é bastante específico. Fortalecendo o combate ao tráfico de entorpecentes se reduz os demais indicadores de criminalidade.

A presença da Força Nacional não está relacionada à violência crescente no Estado?

Recentemente, tivemos um final de semana com três latrocínios, crimes que causaram um clamor público grande. Tivemos um pouco antes registro de evento em que um policial e um assaltante morreram após confronto numa loja em Rio Branco. Em todos esses e outros casos os criminosos envolvidos foram presos. A repressão tem sido muito forte.

O senhor costuma enaltecer o fato de que o Acre é o estado que mais prende e menciona isso como eficiência de segurança pública. Não é o contrário?

Eu não falo que seja sinal de eficiência. O que tenho dito é que a repressão é forte. Precisamos fortalecer outras situações, como a prevenção. Por isso que traçamos outras estratégias. O termo de cooperação assinado pelas forças de segurança com o sistema de justiça criminal traz para o debate outros atores. Estamos discutindo a segurança em sua integralidade. A repressão é forte no Acre. Temos, de janeiro a setembro, 2.583 pessoas presas apenas em Rio Branco, a capital. Não tem nenhum estado do Brasil que prenda tanto quanto o Estado do Acre.  Não estou dizendo que lá em São Paulo, no sul maravilha, isso não ocorra. O que lá não ocorre é a repressão forte. O que não vemos lá é polícia prendendo rapidamente como no Acre. Onde é que você ver três crimes de latrocínio sendo elucidados e os criminosos presos em uma semana? Você não vê isso em nenhum outro lugar do Brasil.

Quais os crimes que motivam tantas prisões?

Ninguém vai preso por crime de menor potencial ofensivo.

As prisões expressam a eficiência da polícia ou expressam os problemas sociais do Acre?

A repressão forte no Acre mostra a eficiência e elucidação por parte das polícias. Não sou eu que estou dizendo. O Conselho Nacional do Ministério Público veio ao Acre no ano passado premiar a Polícia Civil do Estado do Acre pelos melhores indicadores do Brasil em elucidação de crimes.

Mas as prisões expressam os problemas sociais do estado?

Problema social… Na Suíça existe a Polícia do Rei. Quanto crimes ocorrem lá por ano?

Não sei secretário e nem dá para comparar a Suíca com o Acre.

Exatamente, não dá para comparar. Problemas sociais sempre existem em qualquer lugar. Por isso que estou dando o exemplo de lá.

O senhor não admite mesmo que as prisões expressam os problemas sociais do Acre?

O que é crime, em qualquer lugar, sempre está relacionado com educação, polícia, segurança pública. O crime tem sempre uma matriz. Isso ninguém pode discutir. Os indicadores de criminalidade que existe no Rio de Janeiro mostram isso, assim como os indicadores de Minais Gerais, que já foi um exemplo de segurança pública e hoje tem indicadores disparados de criminalidade. Em nenhum desses lugares existe uma repressão tão forte quanto no Acre. O crime ocorre. Prendeu? Não. Quantos inquéritos de homicídio em Minas Gerais são elucidados? Quantos inquéritos de homicídios são elucidados em São Paulo? Quantos inquéritos de homicídios são elucidados no Rio de Janeiro? Pouquíssimos. É isso o que estou dizendo.

9 comentários:

joaomaci disse...

Pra fechar a balela auto-promocional, que inverte o real sentido da situação socioeconômica do Acre, derivada de uma política econômica excludente, acho que eles deveriam dizer que irão construir mais uns 10 presídios e um outro tanto de delegacias, abrir concurso para as polícias estaduais e incentivar a instalação de uma indústria de armas na virtual ZPE, medidas de geração de emprego e renda.
Assim, eles dariam continuidade ao seu forçoso otimismo com base na degradação social a qual está sujeita grande parcela da população. Seguramente, seus muito-bem-pagos marqueteiros, logo encontrariam um novo slogan para este "novo modelo de desenvolvimento". Talvez algo como "segurança pública e desenvolvimento sustentável no Acre". E ainda entusiasmaria grande parcela da apavorada classe média local que paradoxalmente apoia a "industria de bandidos".

Fred Viana disse...

Se esquivou e não respondeu a pergunta de resposta obvia: a de que o estado vive sim sérios problemas sociais e econômicos. Ser primeiro colocado em número de prisões e elucidações de crimes não significa viver em um estado seguro, mostra apenas que a violência é muito grande, derivada de péssimas politicas publicas. Se houvesse prevenção, reeducação e ressocialização, sairia muito mais barato do que investir em aparato policial (não que se deva para de investir na área).

bruno breki silva disse...

O que mais gostei nessa entrevista foi as comparações do Secretario Emilson Farias
1º -ALTINO: “ Mas as prisões expressam os problemas sociais do estado?

SSECRETARIO: Problema social… Na Suíça existe a Polícia do Rei. Quanto crimes ocorrem lá por ano?”
Fala serio, aonde o senhor mora secretario? cadê o Governador e os Deputados, que não cobram mais da nossa Policia, ñ falo só da civil a militar tbm.... sim voltando as comparações.

2º ALTINO: “O senhor não admite mesmo que as prisões expressam os problemas sociais do Acre?

SECRETARIO: O que é crime, em qualquer lugar, sempre está relacionado com educação, polícia, segurança pública. O crime tem sempre uma matriz. Isso ninguém pode discutir. Os indicadores de criminalidade que existe no Rio de Janeiro mostram isso, assim como os indicadores de Minais Gerais, que já foi um exemplo de segurança pública e hoje tem indicadores disparados de criminalidade. Em nenhum desses lugares existe uma repressão tão forte quanto no Acre. O crime ocorre. Prendeu? Não. Quantos inquéritos de homicídio em Minas Gerais são elucidados? Quantos inquéritos de homicídios são elucidados em São Paulo? Quantos inquéritos de homicídios são elucidados no Rio de Janeiro? Pouquíssimos. É isso o que estou dizendo.”
Meu irmão vou pergunta outra vez, aonde o senhor mora? Eu não quero saber de minas, são Paulo ou muito mesmo rio de janeiro, que saber de onde moro, o ACRE, agora quantos inquéritos são elucidados no acre? Se o garoto Fabrício ate hoje não foi dada uma resposta imagina o demais, PELO AMOR DE DEUS VOLTA DA SUIÇA SECRETARIO.

Alex Mamed disse...

Altino, penso que este cidadão é daqueles meninos criados por avós (nada contra, mas é um estereótipo), que tem apenas dois primos, que só andou de velocípede na varanda de casa, e foi no máximo, em um ou dois velórios na vida. Aposto que nem o preço do pão ele sabe.
O que quero dizer é que este senhor vive em um mundo de fantasia, no qual o governo do Acre encontra-se mergulhado há muito tempo, fantasiando coisas inexistentes, obras que não saem do papel, segurança que alcança 26,28 homicídios por ano, a cada 100 mil hab (São Paulo, violentíssimo tem índice de menos de 12), saúde aos frangalhos, educação que é uma piada, ou seja, é a expressão mais pura e genuína do monstrengo em que o PT se transformou.
Secretário, deixe de ser cínico. Há limites e tolerância à desfaçatez. A epidemia de violência que o país vive deve ser debitada em boa medida à política do PT de abandonar as fronteiras, incentivar o tráfico e consumo de drogas, flertar com o banditismo, disfarçado de direitos humanos, dentre outros valores e quetais que o partido e seus simpatizantes cultivam.
Especificamente no Acre, a incompetência já transbordou há muito tempo para a má fé pura.
Suíça... com uma entrevista dessas, não sei se rolo de rir no chão, ou se me sento e choro, pelas mães que perderão seus filhos e filhos que ficarão órfãos...Que Deus tenha piedade de nós.

Carlos Floresta disse...

Caso típico de autismo...

Carlos Floresta disse...

Só esclarecer...
A Suíça possui três polícias:
O Escritório Federal de Polícia;
A Polícia Cantonal e,
a Polícia Municipal.
Todas são coordenadas pela primeira.
Nenhuma delas é chamada de "Polícia do Rei". (Seria esta a polícia do Tião???)
Em termos de polícia e de Segurança Pública é evidente que o secretário não sabe do que fala.
Não sabe da Suíça, menos ainda do Acre...

bruno breki silva disse...

Concordo,

"policia do rei", e a nova categoria de policia que vai existi no ACRE, "policia dos Vianas", ops.... "policia do REI".

bruno breki silva disse...

Concordo,

"policia do rei", e a nova categoria de policia que vai existi no ACRE, "policia dos Vianas", ops.... "policia do REI".

bruno breki silva disse...

Concordo,

"policia do rei", e a nova categoria de policia que vai existi no ACRE, "policia dos Vianas", ops.... "policia do REI".