quarta-feira, 14 de julho de 2010

O CRIME COMPENSA

A direção do Tribunal de Justiça do Acre esteve reunida na terça-feira (13) para esclarecer a situação do presidiário Gleisson da Silva Andriola, 25, acusado de assassinar com 20 facadas a assessora parlamentar Ana Eunice Moreira Lima, na madrugada de domingo (11), em Rio Branco. Ao exigir a presença do comando da Polícia Militar na casa da vítima, negociar a rendição por mais de cinco horas e mesmo assim cometer o crime, Andriola gozava de regime aberto concedido pela Justiça com o aval do Ministério Público Estadual.

A gente sempre busca uma doença mental ou uma causa nas drogas e na bebida para tentar explicar crimes bárbaros. Andriola parece não se encaixar nisso. A ficha dele é interessante e deduz-se facilmente que cumpriu o que devia e ganhou a liberdade de acordo com o que determina a lei.

Na semana passada, quatro dias antes do crime, procurou a juíza Maha Kouzi Manasfi e Manasfi para informar mudança de endereço. Demonstrava mudança de vida também ao cumprir as exigências, e chegou a revelar que seria pai pela terceira vez.

Disse que estava morando na rua Cel. Alexandrino, frequentando a Igreja Universal do Reino de Deus, no Bosque, bem próximo do local onde assassinou a assessora e atirou na cabeça, tórax e perna de um comerciante. Andriola estava em fuga
quando cometeu os dois crimes, após ter tomado a arma de um segurança do Pronto Socorro de Rio Branco.

Consta na ficha que o jovem é artesão e trabalhava com marchetaria em Cruzeiro do Sul, onde nasceu. Concluiu o 2º grau, é comunicativo e sonha trabalhar com vendas. Não bebe e não usa droga e supostamente não estava sob efeito de nada na madrugada dos crimes.

Andriola responde a duas condenações. A primeira é oriunda da comarca de Cruzeiro do Sul, onde foi condenado, em junho de 2005, a 10 anos e 6 meses em regime fechado por furto de R$ 14 mil de um circo que fazia apresentações na cidade.

Foi transferido um ano depois para Rio Branco, por medida de segurança, porque organizava motins no presídio. Em 28 de junho de 2007, foi beneficiado com a progressão para o regime semi-aberto, após análise dos requisitos objetivos e subjetivos, inclusive, com parecer favorável do exame criminológico.

Posteriomente, em 31 de agosto daquele ano, obteve a progressão para o regime aberto. No dia 27 de novembro de 2007, após audiência na Vara de Execuções, obteve o livramento condicional. No entanto, no dia anterior, havia cometido novo delito -assalto na Vila dos Engenheiros, em Rio Branco.

Passou então a responder pelo segundo crime na 2ª Vara Criminal de Rio Branco. Intimado, não foi encontrado no endereço informado no processo, mas foi localizado em Cruzeiro do Sul, em fevereiro de 2008, e trazido novamente para a Capital.

Andriola foi condenado pelo segundo crime, em fevereiro do ano passado, a seis anos de reclusão em regime fechado. A defesa recorreu da sentença condenatória, enquanto o livramento condicional referente ao primeiro processo foi suspenso.

Em março de 2010, as penas de Andriola foram somadas e totalizaram 16 anos e 6 meses de reclusão. Como preencheu os requisitos previstos pela Lei de Execuções Penais, como bom comportamento, cumprimento do período de detenção, obteve a liberdade condicional em 2 de junho deste ano.

Gleisson Andriola vinha cumprindo com as condições estabelecidas para o regime aberto, tendo sido submetido a acompanhamento por psicóloga e assistente social, e avaliado como apto e de comportamento normal.

De sua parte, o procurador-geral de Justiça, Sammy Barbosa Lopes, ao comentar sobre o caso deu uma declaração pirotécnica ao repórter Resley Saab:


- O Ministério Público vem clamando no deserto há algum tempo que o crime compensa no Brasil, infelizmente.

Compensa mesmo, doutor? É por isso que Andriola foi posto em liberdade pela Justiça com a concordância do Ministério Público Estadual? O MPE não pode posar de pregador. Não é. Também não pode se alinhar ao erro.

10 comentários:

Marcel Marques disse...

No mínimo infeliz a declaração do senhor Sammy Barbosa.

carlos franco disse...

A Justiça tem q tomar mais cuidado com os profissionais q fazem "avaliações" e perícias. Tem muita gente fazendo bico e realizando serviços sem nenhum critério científico. A sociedade paga o preço.

Marcos Lopes disse...

Altino, eu sou afavor de uma ampla reforma constitucional onde se defina um novo modelo de federalismo, dando aos Estados mais autonomia para lesgislarem sobre assuntos polêmicos, como pena de morte, prisão perpétua...etc, pois o Brasil é um país de dimensões continental e muitas das leis que são boas para o sul, sudeste as vezes não é boa para outras regiões, por isso não adiata nós estarmos discutindo de quem é a culpa, ela é de todos nós que não temos legitimidade de cobrar de nossos congressistas com a leslislação vigente.

Hercules disse...

Infelizmente no Brasil é assim, será preciso acontecer mais meia duzia de crimes barbaros como este que aconteceu contra a Ana Eunice para que se iniciem as movimentações sobre mudança disto ou daquilo, isso sem falar que, se houver um intervalo de tempo grande entre um crime e outro, há, aí continuará a mesma coisa. Esse crime estarrecedor foi participativo, do ambito dos poderes - inCOMPETENTES - a esse sujeito que cometeu uma atrocidade tão grande, nós (a sociedade) tambem temos a nossa parcela de culpa, assistimos ao noticiário, ficamos abalados e nos voltamos para o prato e voltamos a jantar, claro que nossa participação é pequena, mas existe, a sociedade precisar exigir mais destes que no poder e tem poder para mudar as nossas - frágeis - Leis.
A nossa constituição é uma peneira, o nosso sistema prisional é por sí só um criminoso, não adianta encher de gente uma sala de concreto de 4 x 4m transformando aquilo num caldeirão onde o sujeito sai pior do que entrou, criminoso no presídio tinha era que trabalhar, se ocupar de alguma coisa lá dentro, uma atividade, exemplos disso é o que não faltam mundo a fora, várias vezes o gestor tal não viaja para Fora do Brasil para "visitar" e "sentir" o exemplo de algum serviço que naquele País funciona, então, porque não vizitar um exemplo prisional que funcione.
Não, eles não vão, não vão porque preso não dá voto, mas esquecem que a família do preso pode dar.
Quando lembro da Ana Eunice, que conheci quando ela trabalhava na antiga teleacre, da sua alegria, seu entusiasmo pela vida e porque não dizer do seu eterno alto astral, uma pessoa dessas não merecia morrer do jeito que morreu. ESTARRECEDOR.
Mas nós somos o Brasil, o País do poder tudo, do jeitinho brasileiro, das jorginas, dos lalaus, dos PCs farias, dos collos, dos lulas, dos fernandos henriques, dos serras, das dilmas, dos jenoinos, dos valeriodustos, nós somos o Pais dos que não se mobilizam, dos que não brigam porque os que brigam são taxados de barraqueiros de briguentos.
Brasil, acorda.

Hércules

Magui disse...

Não sei se é genético ou o estado brasileiro que abandona seus cidadãos e os joga à própria sorte a ponto deles resolverem seus problemas à seu jeito.Entretanto, mente criminosa sempre existiu e não sõ as leis penais que educam ou modelam mas a cultura.Ultimamente só tem filme sobre vingança, justiça com as próprias mãos e não levar desaforo para casa.Conforme a formação do cognitivo de uma pessoa ela reage de acordo com a mensagem.Eu conheço mt gente que não capta o filme e confunde com a vida real.

Acreucho disse...

Sinceramente, não dá pra entender como um meliante que está condenado a 16 anos de prisão por diversos crimes, que promovia rebeliões dentro da penal de Cruzeiro do Sul, que cometeu um crime enquanto ainda estava em condicional de outro, pode ser avaliado como "apto" a ter benefícios previstos em Lei. O que aconteceu é um crime irreparável, não há como devolver a vida à Ana e há o outro homem que está ainda hospitalizado. Acho que só poderá acabar um pouco com a bandalheira dentro do Judiciário, no dia em que for preso no lugar do apenado, quem o soltou, quando ele voltar a cometer delitos.

Acreucho disse...

Em nosso país, há três poderes independentes e que deveriam ser autônomos entre si. Executivo, Legislativo e Judiciário. Porque os juízes não fazem uma campanha nacional para que seja mudado o nosso Código de Processo Civil? Porque ainda continuamos julgando com Leis que são como peneiras, cheias de furos? Quem é bobo a ponto de ainda acreditar que um adolescente de 14 anos não "saiba o que está fazendo"? O que faz o governo para minimizar o desemprego, que é o que mais gera violência?

Mazé Oliveira disse...

Há muito os valores da sociedade estão invertidos. O dinheiro, a vaidade e o poder falam mais alto que qualquer outra coisa neste País. É preciso mudar isso!
Enquanto isso não acontece vão se formando mentes doentes, psicopatas e delinquentes sociais.
Só a psiquiatria explica um caso como esse!

Marcela disse...

Acho que a Dra. Patrícia Rêgo seria um nome perfeito para está à frente da Secretaria de Segurança Pública. Ela tem todos os requisitos para desenvolver muito bem esta função. Ela é inteligente, tem coragem, muita força de vontade, tem garra como nenhuma outr mulher acreana, é lutadora, muito expressiva, é justa e faz justiça por onde passa, tem audácia, é a única valente para fazer a diferença nesta hora crítica que encontra-se nosso Estado...Só é vê o excelente trabalho que ela vem desenvolvendo do MPE Acre.....

GERA disse...

Devemos fazer uma mudanção na legislação penal, visto que um individuo que ganha uma condicional, faz novo delito, não pode de maneira nenhuma com mais um tempo ganhar um novo condicional, porque com certeza ele ira infringir a legislação. Na minha concepção o indivíduo que ganha condicional e comete novos crimes, não pode de maneira nenhuma ganhar qualquer benefício, ele devera cumprir a sua pena total.