sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ACRIANO É ALIENÍGENA

José Augusto Fontes

Acadêmicos, membros de institutos, de grupos e de casas ligadas às Letras e à Educação, em bom número, publicam livros didáticos, gramáticas, dicionários e obras afins. A eles é interessante renovar, em dados períodos, as edições de suas obras, por razões técnicas, editoriais e comerciais. O surgimento de uma reforma na língua, como, por exemplo, o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, tão comentado por estes tempos em razão das muitas novidades, das mudanças aqui e ali, das normas fixadas e também de diversas esquisitas regras novas, algumas até engraçadas, outras imponderáveis, até injustificáveis, é um momento assim bastante propício à renovação de obras e ao lançamento de outras, como dicionários, gramáticas e guias. E essas ocasiões são propícias exatamente porque o sucesso de vendas é bem palpável. Ainda que as reformas digam pouco, ou quase nada, as gramáticas e dicionários lucram bem, tanto aqui quanto além mar.

Mas há limites que devem ser respeitados, em se tratando de determinadas grafias, limites tais que não podem ser suplantados por interesse ou argumento secundário, seja qual for, ainda que internacional. Tais limites marcam tradições etimológicas, históricas e culturais, dentre outras várias, como acontece com grafias que denotam a naturalidade de um povo. A palavra acreano é uma dessas.

Leia mais:

Acreanos reagem ao gentílico "acriano" do Acordo Ortográfico

O Acordo, a Reforma e seus ilustres articuladores, invariavelmente, sabem disso. Têm que saber. E se ignoram, é porque são e foram muito descuidados, ocupados com outros interesses. Mas o importante é saber que as línguas são do povo, dos seus falantes, e não de acadêmicos ou gramáticos. As línguas têm contexto e história, têm tradições, e não apenas regras. O fundamental da linguagem é viabilizar a comunicação, e não, ao avesso, criar dificuldades, inventar regras. Estabelecer acriano como grafia correta (e pretensiosamente única), revela falta de conhecimento sobre a etimologia, a tradição e a história, tanto da palavra quanto do povo que ela representa. Além de falta de conhecimento, é pura falta de respeito!


Já escrevemos meses atrás neste mesmo espaço sobre a grafia acreano e o alienígena acriano, esquisito e incabível. O texto está disponibilizado no site. Ali dissemos, dentre outras coisas, que essas reformas não devem ter comointenção modificar a tradição lingüística, tampouco alterar substancialmente a grafia de palavras vinculadas, por exemplo, pela historiografia ou pela tradição, ou vinculadas à naturalidade de um povo. Reforma como essa, com a intenção disfarçada de padronizar a escrita entre nações lusofônicas (Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) ou de buscar maior reconhecimento internacional, está baseada mesmo em interesses comerciais.

Se o pressuposto do Acordo era unificar, esse pressuposto afundou lá pelo Tejo. Portugal, especificamente, que retrata a concepção da Língua Portuguesa, ainda não adotou efetivamente as regras da Reforma. Aliás, Portugal historicamente (como mencionamos no texto anterior) rejeitou regras gerais oriundas de reformas e até deu início a consolidação de regras bem peculiares, a seu talante. E nada há de extravagante nisso. A tradição lingüística, as situações históricas, as variações sociais em face dos falantes e os usos específicos de Portugal com relação ao Português são mesmo diferentes em relação à mesma aplicação no Brasil ou na Guiné-Bissau! Isto parece óbvio. É até possível unificar em linhas gerais, em usos genéricos, mas não é possível, sem máculas, estabelecer regras únicas para situações peculiares de casa país. Generalidades são burras, em regra.

Se a academia para para o bom senso, a palavra acreano não para para dar passagem ao acriano, pois ele é alienígena. Você notou algo estranho nas linhas logo acima? Não explico, mas informo. Ocorreu que a Reforma retirou o acento que antes existia em pára. Por isso, esse para para, E aí o usuário da língua que se vire para entender. Pode?

Vejamos alguns outros exemplos. Aqui no Brasil nós teremos que escrever a palavra corréu deste jeito. Ainda que cientes de escrever “certo”, também ficamos cientes da esquisitice. É uma grafia dúbia, feia, esquisita. Pouca gente vai entender o contexto. Corréu (que o editor do meu Word insiste em querer consertar), significa um réu que agiu em companhia de outro, em determinado fato considerado crime, em tese, e assim passou a ser chamado por haver sido denunciado em conjunto com o outro réu. Virou corréu. A palavra era escrita co-réu. Fica ao critério do leitor considerar qual a grafia mais simples para a comunicação no Brasil. E principalmente, se a Reforma ajudou ou complicou...

E há muitas outras. Pense sobre coerdeiro e me diga o que você entende sobre tal palavra. Herdeiro sem ‘h’ e o hífen retirado dão ou não dão a impressão de referência a cordeiro? Antes era co-herdeiro. Pense, reflita muito, debata-se e me diga, era melhor antes? A Reforma facilitou?

Voltemos ao acreano. Não é nem mais a possibilidade de ficar mantida a aceitação da dupla grafia, acriano e acreano. O Leitor conhece alguém que escrevia acriano, ao invés de acreano, antes dessa invencionice da Reforma? Havia a possibilidade da opção por uma ou outra grafia, mas eu tenho convicção de que sequer um por cento (1%) dos falantes do Português, no Brasil ou alhures, conhecia ou escrevia acriano. Nas escolas, no serviço público privado, na comunicação, nos jornais, nas conversas, nunca se viu acriano, sequer como opção considerável. E agora, é essa Reforma que vai mandar nos nossos usos e na nossa tradição?

Então, pergunte-se o leitor, a quem e a que interessa essa regra nova? Qual a utilidade prática desse acordo? Com que base, seus mentores se acharam acima de tudo, a ponto de desrespeitar a significação histórica, cultural e etimológica de determinadas grafias?

Nada de muito importante foi “unificado” com a tal mudança descuidada, mal pensada e desrespeitosa! Só filigranas. Tanto assim que a relutância dos portugueses persiste. E a de muitos brasileiros. Quanto aos acreanos, qualquer pesquisa pode demonstrar que a imensa maioria nem mesmo ouviu falar de acriano. E isso também comprova que tal grafia é alienígena.

A palavra acreano representatradição, tem conteúdo histórico, é palavra vinculada e inteiramente ligada à naturalidade de um povo. É palavra patenteada pelo sentimento e consagrada pela etimologia. As línguas são usadas no convívio das pessoas, nas interações, na estruturação social, acompanhando a tradição histórica, exatamente, para facilitar o entendimento. A ortografia nada mais é que uma convenção sobre uma parte do uso da língua, relacionada à escrita. Por isto, mera reforma ortográfica não é capaz de gerar a mudança social muito maior que seria modificar a grafia da naturalidade de um povo . Como é óbvio, usos, costumes e tradição não acontecem por imposição! Só o uso reiterado pode provocar a história lingüística!

Como dito no texto anterior, acreanodiz respeito a uma naturalidade. Quem nasce no Estado do Acre é acreano. Há também os acreanos por opção. E é assim há muito tempo, o que envolve toda uma História, uma bela e respeitável História. Há tradição e sentimento. Ser acreano não é algo que se adjetiva ou diminui por acordos, regras ou tratados. Ser acreano é algo único, é aptidão revolucionária, é a caracterização de um povo, e isto não é mutante. Ser acreano é perene! A palavra acreano também é perene, inclusive, pela aplicação da ortografia etimológica, que preserva palavras e suas letras de origem. Mudar acreano para acriano desvirtua e desnatura o que é natural, subtrai toda a carga histórica, detona o arcabouço cultural e fere o sentimento de um povo. Há componentes históricos e culturais inestimáveis. Há tradições imutáveis. Sendo assim, está bem adiante de mera regra ortográfica, que não passa de uma convenção bem restrita e de pequenos grupos, se comparada à convenção social, histórica e etimológica de um povo inteiro.

O próprio texto do Acordo sustenta estas afirmações. Na Base V, que trata especificamente do caso das vogais átonas (parte que modificaria, em tese, acreano para acriano), se lê no item 1º que “ o emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em sílaba átona, regula-se fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da história das palavras...”. Antonio Houaiss, um dos idealizadores da Reforma, pronunciou:“Uma língua é muito mais que um meio de comunicação; ela é, sobretudo, um patrimônio historicamente construído pelas sociedades que a falam e, em muitos casos, também a escrevem... As variedades de uso fazem parte da língua e jamais estão sujeitas aos efeitos de atos normativos emanados de qualquer autoridade pública... Unificação ortográfica nada tem a ver com uniformização da língua. As línguas são como são em virtude do uso que seus falantes fazem dela, e não de acordos de grupos ou de decretos de governo”. (Escrevendo Pela Nova Ortografia’. 2ª edição. Rio de Janeiro: Instituto Antonio Houaiss. Publifolha, 2008).

Quem escreve acriano é desinformado, descuidado e obedece, cego, a uma regra que nada diz. Aliás, quem escreve acriano obedece a uma regra de intenções pouco claras. E assim fazendo, comunga com os interesses menores daquela, é servil. Quem escreve acriano supõe estar obedecendo um Acordo, mas nem mesmo sabe a quem está servindo. Quem escreve acriano é ingênuo. E se tornará tolo e vazio, porque também tola é a regra, já que vazia de sentido lógico, prático, muito menos histórico, cultural ou etimológico. E mais. Quem escreve acriano desrespeita o Acre, sua história e sua gente, preferindo respeitar uma regra órfã, desafinada e desgovernada, que não conhece a academia das ruas, a língua dos mortais nem a linguagem do uso diário, comunicativo, que possibilita o entendimento simples e efetivo.

Reforma e unificação em nome de quem e para quê? Será que Estados Unidos e Inglaterra, que falam inglês, aceitariam abrir mão de suas peculiaridades no trato do mesmo idioma, em detrimento das tradições de cada povo e de suas peculiaridades? Será que abririam mão do costume etimológico e da história, perdendo cada um, os seus traços individualizados? Ao contrário, como indica a lógica, o correto é manter a tradição linguística e a etimologia histórica dos termos e expressões, de acordo com os falantes, com as naturalidades e as regiões que usam um idioma, sem descaracterizá-lo, em prol de interesses menores e, em certos casos, puramente comerciais.

Acrianoatenta contra a história do Acre e de seu povo, atenta contra um estado político e jurídico estabelecido e solidificado. E mais, atenta contra a soberania do acre, quanto a dispor de sua identidade, de sua tradição, de seus costumes e da vontade de seu povo, pois a mudança nos atinge inteiramente contra nossa prática histórica, etimológica, social, tradicional e política. E para quê?

A toda hora é possível ver anúncios sobre a venda de um novo dicionário, atualizado pela Reforma, de uma gramática ‘reformada’, conforme o Acordo, de obras várias para entender o que mudou, para aprender como ficou etc. Pululam livros, gramáticas, dicionários e outras diversas publicações à venda, em face do “acordo”, sequer em uso efetivo na maioria dos países “acordantes”. Imaginem o retorno para autores, editores e editoras, livrarias, distribuidoras e gráficas. Não é tão difícil imaginar. Isso sem falar no grosso, que é a compra e venda de livros didáticos para a rede escolar, pública e privada, aqui, ali e alhures. Ainda que a Reforma não nos mostre claramente suas intenções, essa turma agradece. E os acreanos, vão apenas bater palmas?

Pasquale Cipro Neto, conhecido professor de Português, com várias obras publicadas, questionado sobre a Reforma Ortográfica, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro deste ano, fez duras críticas às mudanças. Para o professor, a sua implementação produziu somente problemas para os cidadãos. Vejamos um trecho:"A reforma gerou confusão. O texto foi mal escrito e houve desperdício de dinheiro, água, papel e energia elétrica por um acordo que entrou em vigor precipitadamente, pois nem sequer Portugal ainda o adotou."(site Folha on line, junho de 2009).

Para os acreanos, na parte que nos toca, o momento não é mais de consultar academias ou imortais. Nem sequer é de pareceres. O momento é de afirmar que a palavra acreano é significativa, tem uso secular, possui história ímpar, traduz cultura sólida e representa um povo, que tem direito fundamental à expressão da sua naturalidade. Além das academias, há todo um ordenamento jurídico para assegurar isto. E a palavra acreano está acima das academias e dos institutos, das reformas e dos acordos, pois é mais imortal que todos eles!

O acreano José Augusto Fontes é poeta, cronista e juiz de direito.

24 comentários:

Rosangela Barros disse...

Desprezando tudo que acima estava descrito: apenas espero que um dia nós deixemos de falar o português e nos afirmemos no nosso falar brasileiro: isso sim é uma necessidade secular, “possui história ímpar, traduz cultura sólida e representa um povo”. Agora dá licença, quando eu penso que a sociolingüística no Brasil vai fazer valer algumas necessidade básicas que evitam tantos desvios na escrita vem esse tipo de contra argumento: acriano não desfaz nem um valor nosso de acreano, o primeiro expressa o falar de uma comunidade lingüística; o segundo afirma uma regra gramatical. Qual dos dois traduz a história secular da cultura sólida de um povo?
“o momento não é mais de consultar academias ou imortais. Nem sequer é de pareceres. O momento é de afirmar que a palavra acreano é significativa, tem uso secular, possui história ímpar, traduz cultura sólida e representa um povo, que tem direito fundamental à expressão da sua naturalidade.”
Para mim isso é a própria afirmação da baixa estima, do preconceito e da falta de uma afirmação de identidade cultural, pois desvalorizar um falar que expressa a sonoridade de um povo e afirmar as regras gramaticais, é no mínimo, além da falta de identidade cultural, a falta de visão histórica das línguas humanas!

...vdj... disse...

Mais explicativo e justificativo, impossível.

Sempre escrevi, escrevo e sempre escreverei "ACREANO" da forma que aprendi e da forma histórica que a palavra vai sempre significar.

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Iberê Thenório disse...

Nas minhas matérias, continuo escrevendo acreano. Acho que essa "desobediência gramatical" é a melhor forma de reagir.

ALTINO MACHADO disse...

Comentário da Fátima Almeida:

Eduardo Bueno chama atenção, em um de seu livros sobre História do Brasil que brasileiros era o nome dado ao homens que trabalhavam com o pau brasil, como baleeiros para os que trabalhavam no negócio das baleias, negreiros, e por aí vai. O certo, disse ele, é que deveríamos ser chamados de brasilienses..No entanto as novas regras só mexeram com o acreanos..

Ivone Vope disse...

Fica na tua, Rosângela!
Que coisa! Pelos erros que você comete, não deveria escrever em nenhum bolg sobre qualquer assunto, quanto mais dar opinião sobre gramática. É capaz de escrever cinco palavras e cometer dez erros. Ainda brada aos quatro ventos que é formada. Só se for em "analfabetismo".

Não tenho mais paciência ante tanta bobagem.
Ler o Dr José Augusto e depois ler seu comentário... é bem cruel!

Ivone

Ivone Vope disse...

Altino

Essa Rosângela tira-me a paciência de tal forma que me esqueci de parabenizar o Dr. José Augusto. Muito bem, doutor. Comungo com tudo o que o senhor externou e desejo afirmar-lhe que nunca trocarei o "acreana" pelo "acriana". Pode parecer bobagem para alguns, mas para mim muito significa. É uma questão de honra e respeito pelas tradições e pelos costumes de nosso povo.

Muito obrigada e parabéns.

Ivone.

Rosangela Barros disse...

Senhora, esposa do aurélio, dona Ivone Vope, da onde a senhora saiu com tanta estupidez assim? Com tanta fidelidade às normas gramaticais e incapaz de fazer um comentário sobre o assunto: acredito que o propósito fundamental do bloguero é obter comentários sobre os enfoques e não ter que aturar comentários sobre os erros de quem ele nem conhece!...Não descordo da senhora quanto aos meus “erros”, pois não sou fiel ao aurélio, muito menos a gramática portuguesa: meus desvios ortográficos e gramaticais breve entrarão no Acordo Ortográfico como a forma mais correta de se escrever!... Minha senhora seja mais útil, nós acrianos e acrianas estamos ávidos por comentários mais significativos. Eu sou burra na escrita, porém me esforço bastante para expressar minhas idéias!...
Prezado, Altino, compreenda minha sugestão: acredito que se fosse possível organizar (como forma de esclarecimento para a sociedade participar sem medo de errar) um Seminário: Linguagem e Coerência nos comentários de Blog: I Encontro dos Altinautas, que tal? Eu preciso conhecer seus comentaristas para saber, porque só olham para os meus erros!
Querido Vdj, isso aí que você tá dizendo, tem nada com a história não, viu? Está muito relacionado com a imposição da educação escolar que você teve, por isso é muito difícil aceitar as mudanças: fomos domados para obedecer o sistema, as normas, as regras para nos inibir em nossas críticas. Um dia você verá que o poder está na fala e não na escrita!...

Boa noite, Altino! Desconsidere minha sugestão!

Rosário Notícias disse...

Esse blog é show de bola! Abraços.

EDSON DE PAULLA disse...

Gente isso não fere nenhuma condição, seja ela humana teórica ou animal que raciocina. Na divisão do Estado de Goias, muitos não queriam ser Tocantinenses, com o tempo os são. Pois bem, metam na cabeça de vocês que Acreano ou Acriano serão sempre respeitado e amado por todos nós. Ah! sou Goiano, mas, poderia ser Tocantinense, e daí.

Acreucho disse...

Estou com o Iberê, também continuo usando "acreano", não gostaria de ser "acriucho", hehehehe.

mdmoen disse...

Altino,

Eu Agarantio, vai desculpando mais essa Rosangela, pelo que vejo está querendo ser a tal em todos os seus post. Comenta de forma querendo ser a expert, tudo bem que ela tem a intenção de apenas participar(é válido) porém já que escreve muitooooo em todos os comentários deveria ao menos tentar escrever errado. (vai desculpando meus erros de digitação mais eu apenas estou participando. :P hehhe abraço

Nilton disse...

Faça o que quiserem com a língua, ela é do povo mesmo. Mas se ela mudou vou ter que aceitar. Afinal, lei é lei, purismo é purismo. Olha que não sou purista como muitos juizes.

Rosangela Barros disse...

Bom dia, Bando de Purista!

Gente seria possível vocês me deixarem em paz? E se atentarem aos comentários necessários! Caramba! Não é apenas participar: eu ando, ultimamente, expondo minhas idéias com a intenção de aprender com vocês, sacou meu?
Muito bem lembrado Nilton: isso tudo acima é purismo! Quero só vê quando os acreanos deles levarem uma canetada vermelha! Viu só! Até o Acreucho! É tão acriano que não vai mudar! Lei é lei cumpre quem é fiel a Deus: assim diz a Constituição... Belo exemplo, senhor Juiz! Instigando o povo a burlar a Lei!
Dona Ivone Vope, a senhora comunga com o senhor Juiz, porque não tem idéias próprias!

ANCHIETA BATISTA disse...

Esta bandeira também é minha, Dr. José Augusto. Quem quiser que aceite a teoria do "tanto faz, como tanto fez". Eu, não! A indiferença quanto aos costumes, às tradições e a outros valores telúricos, é uma forma de não amar a terra onde nascemos ou vivemos.
Nosso grande poeta Castro Alves bradou que "a praça é do povo, como o céu é do condor...". Devemos nós aqui crescentar: " ... e a lingua é do povo!". Que história é esta de impor, por meio de uma lei, o modo como uma gente decidiu se autodenominar? Este gentílico faz parte de uma história! É marca nossa! Não se deve admitir qualquer imposição contrária. Discutindo este mesmo assunto, há alguns dias, ouvi um acreano dizer que se mudassem o nome do Acre para qualquer outro, ele continuaria muito satisfeito, "quanto mais uma besteira dessas". O papo teve que acabar ali! Não havia como continuar.
Minha humilde forma de ser escriba não adotará esta maldita inovação. Serei um rebelde!
Não peço que me desculpem por minha indignação, porque há um motivo extremamente justo para tanto.
Um abraço a todos.

José de Anchieta Batista

Marcel disse...

"quando eu penso que a sociolingüística no Brasil vai fazer valer algumas necessidade básicas que evitam tantos desvios na escrita"

Diga-me quem se confundia entre acreano e acriano? Em nenhuma matéria de jornais, revistas, livros, sites...nunca aparecia acriano no lugar de acreano. Essa palavra nem existia em nosso cotidiano.
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Creio que quem realmente conhece a história do Acre e se orgulha dela não é da política do "tanto faz como tanto fez".

Para muitos, principalmente para quem não é ACREANO como o senhor goiano Edson, isso parece ser uma besteira, mas para mim não é. É a minha designação, o meu gentílico, minha identidade, a que eu aprendi com os meus pais e com os meus professores de primário. É como se fosse parte do meu nome. Tenho orgulho dessa palavra: ACREANO!!
Vai perguntar para um gaúcho se uma reforma faria ele deixar de se identificar como GAÚCHO para se identificar como "sul-rio-grandense", por exemplo.

E ainda bem que não sou só eu que sou contra essa "bendita" reforma. Muita gente chega para mim e justifica que "precisávamos dessa unificação." Mas eu pergunto: que unificação? Nenhum outro país adotou essa reforma, e Portugal reluta em não adotá-la. Nenhum doutor em português só tem elogios para essa reforma.

Uma pessoa que aceita ser "acriano" numa boa, pra mim não é digna de nascer nessa terra. Não é digna de ser descendente de pessoas que lutaram para tornar essa terra um estado brasileiro.

Melhor que esse maravilhoso texto do José Augusto para explicar isso, impossível.

Nem que me paguem eu vou escrever,falar e me designar um "acriano". Continuarei falando, escrevendo e sendo ACREANO até a morte!!

Ivone Vope disse...

Muito bem, Rosângela.
Nossa língua vai ter que se ajustar aos teus absurdos ortográficos.
"... meus desvios ortográficos e gramaticais breve entrarão no Acordo Ortográfico como a forma mais correta de se escrever!... "

Que loucura! Ainda bem que tu mesma te dizes "burra".

Garota, nós estamos contra o "acriano", por um motivo óbvio. Não estamos querendo destruir a língua!

Para! Para! Para, pelo amor de Deus!
Se tu te calares eu te serei muito agradecida.

Ivone Vope

Rosangela Barros disse...

Prezado Marcel! Essa é para você porque citou um trecho da minha inquietude: infelizmente não poderei (também o tempo e o espaço não permitem), como eu ia dizendo, não é possível tentar esclarecer aqui o motivo que: “Diga-me quem se confundia entre acreano e acriano? Em nenhuma matéria de jornais, revistas, livros, sites...nunca aparecia acriano no lugar de acreano. Essa palavra nem existia em nosso cotidiano”. Porque as pessoas que confundem tais sinais gráfico não pertencem a sua classe social, portanto não escrevem em jornais, revistas e etc., com certeza as pessoas que algum dia transferiu a sonoridade da fala para a escrita, sempre manteve seu orgulho cultual ou de naturalidade e com certeza continuaram com tal afirmação de identidade, pois não foram protegidas com a educação burguesa que com, mais certeza eu tenho, você foi! Penso nelas quando aprecio a mudança e não em mim como fazem o povo da elite ACREANA! Sou ACRIANA nunca pertenci e jamais pertencerei a tal classe!

Rosangela Barros disse...

Olá, Altino será que terei que te implorar, agora, para postar meus absurdos comentários que combinam perfeitamente com a intolerância dessa Ivone Vope, que surgiu para me amordaçar. Como ela se acha no direito de dizer que escrevo cinco palavra e cometo dez erros (a intolerância dela começa aí, para a gramática erro é desvio), se ela tem o direito de falar esse absurdo sem contabilizar exatamente aonde esses dez erros estão em cinco palavras: eu me acho também no direito de me perceber muito burra, tanto para incomodá-la escrevendo que meus erros breve serão acertos!...

Rosangela Barros disse...

Prezado Marcel! Essa é para você porque citou um trecho da minha inquietude: infelizmente não poderei (também o tempo e o espaço não permitem), como eu ia dizendo, não é possível tentar esclarecer aqui o motivo que: “Diga-me quem se confundia entre acreano e acriano? Em nenhuma matéria de jornais, revistas, livros, sites...nunca aparecia acriano no lugar de acreano. Essa palavra nem existia em nosso cotidiano”. Porque as pessoas que confundem tais sinais gráfico não pertencem a sua classe social, portanto não escrevem em jornais, revistas e etc., com certeza as pessoas que algum dia transferiu a sonoridade da fala para a escrita, sempre manteve seu orgulho cultual ou de naturalidade e com certeza continuarão com tal afirmação de identidade, pois não foram protegidas com a educação burguesa que com, mais certeza eu tenho, você foi! Penso nelas quando aprecio a mudança!

Mariah disse...

Minha nossa pachamama....que pasa aqui???
Eu sou Acreana e assim serei,quem quizer ser chamado(a) de acriano(feinho,feinho)que assim o faça e ja está!
Achei admirável o que escreveu o Dr José Augusto.
Bom dia a todos os Acreanos e paz na terra dos Homens!
besos, Altino teu Blog é versátil e muy tematico..adoro!!

Rosangela Barros disse...

Bom dia, Altino

Para quem se interessar em ler na revista Veja ACRIANO eis o endereço eletrônico: http://veja.abril.com.br/040902/p_048.html, estou também aguardando o resultado de uma pesquisa onde descreve o uso da palavra secularmente, baixo a palavra descrita.
“Junto com seu primo, Aureliano Pascoal, então secretário de Segurança do Estado, Hildebrando impôs um clima de terror. Ao ter seu irmão assassinado numa disputa com um grupo rival, Hildebrando iniciou uma caçada que até hoje está na memória dos acrianos.”

Ivone Vope disse...

Cala-te, Rosângela!
Se te calares, ainda estás errada!

Grata.

Ivone

Marcel disse...

Rosangela, entendi a sua posição e, de certa forma, concordo em partes com ela. Realmente não tinha pensado por esse ângulo.

Na faculdade de letras, os professores dizem que "nada está errado quando se a mensagem foi devidamente compreendida", mas mesmo assim não consigo aceitar essa mudança.

E se você pensa mais na transferência da sonoridade para a escrita, e achou a mudança positiva, o que falar das palavras "ideia", "plateia", "Coreia", que perderam o acento? "eia" de "Sereia" é diferente do "eia" de "ideia". Como você vai explicar isso para uma criança no futuro? E a nossa "tranquilidade" e a do "Pinguin", que perderam a trema? sem falar no "pára" e o "para" já citado.

Outra coisa, só porque eu leio jornais, revistas, livros, e tenho internet para acessar sites, não quer dizer que eu obrigatoriamente seja de uma classe social diferente da sua, do Ciclano e do Beltrano. Se eu tive uma educação boa (a que você cita como "burguesa"), foi porque os meus pais trabalharam e trabalham duro para conseguir me dá-la. E eu também faço a minha parte, aproveitando as oportunidades que me são dadas.

Rosangela Barros disse...

Marcel, perdoe-me se o que eu disse ficou uma generalização de classe, não me fiz entender: apenas tentei dizer que a nossa educação brasileira não é democrática o suficiente para nos permitir uma visualização das diferenças ideológica, também, na fala e na escrita! Tão logo eu consiga, te envio, o resultado da pesquisa que mostra o uso correto do ACRIANO, apenas não fazia parte do Acordo Ortográfico que vem de Portugal e isso eu discordo: quantos anos de “Independência brasileira” , ainda dependendo? Nossa educação é uma imposição!