quinta-feira, 23 de novembro de 2006

AÇÃO CIVIL

Prefeito de Xapuri responderá por crime ambiental

Elson Martins

A procuradora Márcia Regina Pereira, da Procuradoria do Meio Ambiente do Estado, entrou ontem com ação civil na Justiça de Xapuri contra o prefeito Wanderley Viana, acusado de ter causado danos irreparáveis em 18 árvores da praça de São Sebastião, naquela cidade.

A ação se baseia em noticiário da imprensa divulgado há duas semanas e num laudo de vistoria feito pelo Instituto do Meio Ambiente do Acre, Imac, que comprovou a destruição das árvores. A procuradora pede que a Justiça condene o prefeito a pagar indenização e que o impeça de cometer outros crimes contra o ambiente em áreas públicas.

Wanderley Viana será citado e, se não responder à ação, o que é bem de seu estilo, poderá ser julgado à revelia. Caso seja condenado e se oponha a cumprir a pena prevista, receberá multas diárias.

Márcia Regina esclareceu que a ação é uma resposta da procuradoria à comunidade de Xapuri, que ficou chocada com a atitude criminosa do prefeito.

- Ele não pode tratar o espaço público como se fosse sua propriedade particular e, o que é mais grave, ignorar as leis ambientais - afirmou a procuradora.

Elson Martins é jornalista e "sócio" deste blog.

5 comentários:

carla soares disse...

Esse MP é rapidinho quando é pra processar os "inimigos do reizinho". Mas ficou oito anos cego para ler o Jornal O Rio Branco e engavetou as representações dos cidadãos.

Nayara Lessa disse...

BEM FEITO....
O QUE A JUSTIÇA PUDER FAZER CONTRA ESSE MALUCO E POUCO AINDA, OS DANOS CAUSADOS POR ELE SÃO QUASE IRREVERSIVEIS!

Mário disse...

Em frente a minha casa, em Campinas, plantei três pés de resedás, um rosa, um branco, outro amarelo. Cuidei zelosamente para que crescessem frondosos - água, fertilizantes, etc. Um dia, ouvi um barulho de serra em frente a minha casa e sai para verificar do que se tratava. Um grupo de funcionários da prefeitura estava fazendo podas nas árvores que estavam atingindo a fiação elétrica, a telefônica e não sei mais o quê. Meu resedá rosa, estava lá, desfigurado, tinham cortado um dos suportes de sua copa formada por dois grandes galhos. Indignado perguntei porque tinham feito aquilo. Responderam que tinham ordem para podar todas as árvores no lado da rua por onde passasse a fiação. O pobre resedá não poderia, nunca, atingir os fios na posição e altura em que estava.

Há poucos meses, passando em frente a uma das cabeceiras da praça da República, tropecei num pequeno grupo de pessoas olhando para o lado da praça. Olhei na mesma direção e lá estavam cerca de uns dez marmanjos com serras em punho atacando as árvores. Ouvindo um comentário meu - por quê cortam os galhos daquela árvore? - uma senhora começou um comício. Afinal, a árvore estava sendo impiedosamente desfigurada - como fez o cotôco, em xapuri - sem qualquer motivo aparente para tal. Atravessei a rua e conversei com um senhor que me pareceu ser o encarregado. Indaguei por que faziam aquela poda. Porque devia cortar todas as árvores no caminho dos fios, respondeu. Mas, senhor, ponderei, essa árvore não está no meio de nada parecido. Ele pensou um pouco e chamou o outro da motoserra: chega! tá bom! A árvore ficou lá, destroçada.

Talvez se indagado o prefeito de Xapuri teria respondido o mesmo. Como é mais abusado poderia ter dito que era para evitar que os "cornos ficassem com a galhada presa nos galhos".

Esses são exemplos da forma como nossa sociabilidade mercantil encara a natureza. A natureza só atrapalha, é algo a ser vencido, submetido, destroçado. Foi essa a posição que o presidente da República manifestou em seu recente discurso para o pessoal da soja (este blog noticiou o pronunciamento do presidente). No discurso, onde se despiu dos compromissos ambientais que costumavam rechear seu discurso de candidato - falo do tempo do Lula lá.

O que se perde de vista é que o quadro urbano, como exemplo acabado dessa visão, é um deserto sem possibilidade nenhuma de garantir a qualidade de vida das pessoas. Somos cada dia mais vulneráveis, mais pobres e tristes na posição de seres humanos que negam suas bases naturais.

jaycelene@bol.com.br disse...

Vou te contar já diz o velho ditado " Educar dá trabalho então pense na ignorãncia"!!! e este cidadão é o exemplo da mais grotesca ignorância!

Jaycelene Brasil disse...

Educar é difícil , mais então pense na ignorância!!!
E este cidadão atual prefeito de Xapurí é o maior exemplo da mais grotesca ignorãncia.