quinta-feira, 6 de outubro de 2005

NISHI PAY DÁ GRANA

A sequência de papo de índio parece não ter mais fim aqui nessa semana.

Leio no blog Alto das Estrelas, da antropóloga Bia Labate, o recado de autoria de Cecília Barros dando conta que meus amigos kaxinawá Banê Huni Kuin e Fabiano Yawabanê Huni Kui vão comandar um ritual xamânico com ayahuasca (nishi pay), em São Paulo, no dia 22 de outubro.


Os dois jovens índios cobram R$ 100,00 por pessoa e exigem que os interessados em participar do ritual se inscrevam com antecedência. Avisam que a programação é fechada e as vagas limitadas.

Banê e Fabiano são apresentados como conhecedores de sua cultura original, que vêm trabalhando na divulgação do pensamento e conhecimento tradicional do seu povo.

- Discípulos do importante pashuy (pajé) Mêtu Huni Kuin, netos do Shannêibu Sueiro Huni Kuin e filhos do líder Siã Huni Kuin, conhecido por sua luta em defesa do território e da soberania de seu povo - assinala a nota do blog.

Existe um recomendação incompleta para antes do ritual: uma alimentação leve e não consumir nenhum tipo de bebida alcoólica.

Na verdade, para o ritual com ayahuasca, o participante deve se abster de álcool e sexo, durante vários dias, antes e depois de tomar a bebida. Sem respeitar isso, passa mal e geralmente culpa nishi pay pela peia certa.

Fico com medo disso tudo, dos meninos fazendo meio de vida no meio dessa onda neoxamânica. Correm até o risco de a Polícia Federal aparecer por lá para ver qual é a do movimento.


Veja detalhes, como e-mail e telefones para inscrição, no blog Alto das Estrelas.

Comentário do líder indígena Joaquim Tashka Yawanawá:
"Saudações com todo respeito aos meus amigos Yube e Bane. Mas isto é uma aberração aos rituais sagrados do povo indígena que usa nossas bebidas sagradas para curar e se comunicar com o mundo espiritutal. Não conheço meus amigos como pajés ou estudantes de pajé. Aqui no Acre, conhecemos eles apenas como estudantes indígenas urbanos, de Rio Branco, que há muito tempo se desligaram de sua comunidade para se aventurarem nas cidades de pedras. Por favor, não façam isto e não nos envergonhem com essa onda "new age" do Sul do país e do mal uso de nossas bebidas sagradas visando lucro pessoal. Não manchem com tintas negra a memória e o ritual de nossos pajés verdadeiros. Abraço e saudações, Tashka".

33 comentários:

ivini disse...

Olá ALtino. Por favor retificar que este texto foi escrito por Cecilia Barros . Também recebi o email dela . O erro de Bia foi não ter aberto aspas. Ela apenas divulgou no Blog. A organização não é do alto das estrelas caso deseje saber ...

Discordo do comentário disse...

Acho tão engraçado criticarem essas coisas. Porque quando cobram para curar todo mundo reclama? Quando pagam nas farmácias uma grana absurda ninguém critica, mas quando são duas pessoas trazendo a medicina, todo mundo cai de pau. Acho que a organizadora do evento tem todo direito de pedir inscrição antecipada, pois tudo e qualquer movimentação tem gastos, de passagem, de hospedagem, de alimentação, de telefone... se é uma petrobrás da vida que causa uma série de danos ambientais que dá o seu "apoio" a projetos para manter a fachada, ninguém reclama. mas quando é a iniciativa de pessoas comuns querendo conhecer a cura, isto vira exploração. Repensem estes conceitos. acho uma injustiça este tipo de critica. Estamos num tempo onde a humanidade precisa ser curada, independente de etnia, cor, raça... acho que estes comentários são um tipo de fobia desnecessaria.Vivam e deixem viver.

Adriana Souza de Macedo Kaiser disse...

Amigos,
Quando não estamos falando em torno de uma bebida qualquer, todos que realmente conhecem a ayahuasca tem nela um enorme respeito e essa questão vai além dos "honorários" (se essa é a palavra) graças ao bom Jesus essa Santa Bebida tem sido distribuida em sérios rituais e constatadamente vem aliviando algumas feridas adquiridas no longo caminho de nossa caminhada. Respeitemos pois, e sigamos em frente na luz, na paz e no amor. e como diz em um sábio hino: Só Vóis, só vóis, só vóis com seu poder, que me faz permanecer, suportar os meus irmãos, vóis queira me esclarecer, resolver "nossa questão".
Sereno de luz

Cássio disse...

Nos dias dos neotantrismos, zilionésima nova era, neoxamanismos e adaptações de riquíssimas figuras mística-culturas indígenas para santos cristãos arianos(nada contra, mas e a imparcialidade, e sinceridade com o conhecimento e a cultura de outro povo-lugar?) de hoje; fica ainda mais difícil manter um "filtro" ou organização com qualquer movimento que haja nesse tipo de "ciência"(aspas enormes), principalmente para qualquer um que só veja essa área um bom terreno para acumular bens em cima de outros(não acho que seja o caso dos índios organizadores desse ritual, ou espero que não seja).
Mas por outro lado as hã, regras, como por exemplo, a afirmação de ser necessário estar em abstinência de álcool e sexo vários dias antes e depois; não são nem de longe coisas tão fixas como regras e dependem muito do indivíduo( e sensibilidade, conhecimento esó-exóterico, claro).Ainda mais se for contado o fato que o ser humano ainda está em uma fase completamente experimental na área de enteógenos(mas que péssimo termo esse também...).
Feliz, ou infelizmente não há certos e errados.
Dói só de se enxergar o mundo urbano moderno e desumano depois de ferir toda uma terra, cultura e povo, distorcer o sagrado dos feridos para as suas igrejas, repressões e razões mecanizadas do ocidente(ocidente não literal, entende?).Pelo menos me alivia saber que isso também é uma auto-destruição.

Cássio disse...

Sem querer me prolongar demais, ou só mesmo para não encher o saco:
Muitas pessoas argumentam sobre cura de rituais assim e sobre remédios em farmácias também terem seu preço monetário.
Então, não discordo que Yage-Ayahuasca-Dáime curem.Mas a cura verdadeira não vem de coisas assim, a cura verdadeira vem da mudança, da vontade e da vida.Se alguém realmente deseja se curar, que saia das metrópoles, que passe a alimentar direito, e que fuja do seu viver-para-trabalhar-para-viver.
A ayahuasca serve sim, para desraizar grandes males psicológicos pronfundos nas pessoas ou para um enorme avanço espiritual(digo isso por experiência empírica, enteógenos tem quase o mesmo efeito que o sistema enochiano, em alguém), mas tudo isso tem que ser controlado.
E, desde quando os remédios nas farmácias foram plenos em sua função?Muito menos a manuntenção da saúde devia ser cobrada.Oras.

Agnaldo Barcaro disse...

Esta questão de preço/custo e bastante relativa... Eu já tomei a ayahuasca a 7 reais e, hoje, tomo a 15 reais... Quer dizer se o "cara" é índio e vem de um local distante, isto, é óbvio tem que ter um custo. Sou contra a cobrança com lucro, pois acho que não se deve lucrar com plantas de poder ou qualquer forma de religião. Deve-se cobrar o preço do custo na minha opião, pois senão, daqui a pouco muitos estarão se profissionalizando e criando mais um "modismo". No meu caso eu adoraria participar de um ritual com um índio de verdade, mas a este preço, para mim, no momento, é algo proibitivo... Mas para quem pode...tudo bem!
Dias virão em que eu produzirei meu próprio Vinho das Almas, pois plantei alguns pés de jagube e chacrona em minha chácara e, deste modo, a bebida sairá quase de graça...

Neta Novaes disse...

Participei do último ritual Kaxinawá pela primeira vez e devo dar meu depoimento de que foi muito especial para mim. A condução abrindo o contato com a jibóia e a vibração gerada pela PRESENÇA e os cantos/maracás dos índios abriu uma conexão limpa, positiva e extremamente elevada, amorosa e cuidadosa! Quero novamente agradecer MUITÍSSIMO à eles pela oportunidade! Sinto uma profunda admiração e um amor mesmo pela raça indígena e até saudades do que eu não tive. A experiência profunda com a Natureza. Foi muito forte estar com eles, ainda que por pouco tempo.
Vejo muito preconceitos nas palavras que foram ditas. Como se "seres urbanos" não tivessem direito a esse tipo de contato. Não pode morar em cidade grande? Que que é isso? Considero esse julgamento raso e generalizado!!! É justamente onde precisa de mais contatos já que a cidade fecha os canais com a natureza!
Sou de São Paulo e pretendo continuar sendo. É aqui que está minha família desde que nasci e onde desenvolvo meu trabalho que eu amo muito, mas busco me trabalhar diariamente para melhorar a qualidade de vida, a qualidade das minhas relações e a qualidade de desfrutar da vida contra a corrente da dita "realidade". A realidade verdadeira de cada um de nós é sagrada, única, infinita e tevemos nos tratar e comportar com essa consciência.
A Ayahuasca e as bebidas sagradas trazem consciência. Graças a Deus!!! São muito bem vindas na realidade urbana.
O "mundo espiritual" não é só para um determinado grupo em uma determinada condição. É para qualquer um que esteja embuído em buscar a Verdade.
Quero mandar uma mensagem aos índios, guardiões destas forças há tantos séculos e, em especial, ao líder indígena Joaquim Tashka Yawanawáque que se manifestou: Nas experiências que tenho tido há verdadeiramente muito respeito e muita reverência. Podem ter certeza! Sugiro que procurem olhar os caminho das plantas sagradas para fora das florestas como uma NECESSIDADE e uma oportunidade de cura e ampliação de consciência dos homens brancos que construíram uma forma de sociedade tão egoísta e desconectada.
Muito obrigada.
Muito amor e saúde à todos!

armeniocelso disse...

dai de graca o que de graca receber, diria Jesus.

Antônio José Tôrres Santos disse...

Acho que relamente deve-se ter uma orientação espiritual pra se fazer rituais com a bebida(não importa a etnia q d prigem) se realmente oe dois não são pajés ou estudamtes e não sabem fazer o rito estão vacilando...pois de onde eles tirm o chá? Eles estão realmente preparados? Seus "professores" deram-lhe o aval para este tipo de coisa?

Quanto a amiga que divulgou acho que ela fez de ótimas intenções e acredita que os 2 meninos estão sabendo o que fazem...resta mesmo é eles estarem sabendo.

Elias Ulrich disse...

A discussão é interessante, e ao meu ver envolve este fenômeno crescente de retorno dos usos tradicionais das plantas de poder (psicoativas) à cena histórica moderna.

Creio que o fato do Bane estar em sampa atuando com o nishi pay, antes de ser algo reprovável sob qualquer ótica moral pré-concebida, ilustra como a sociedade moderna está buscando este conhecimento. Sob certo aspecto, deveria ser motivo de orgulho para a cultura indígena brasileira que os dois jovens estejam lá nas 'cidades de pedras' representando o conhecimento de seu povo. Mas certamente é preciso cuidado com a forma como tais conhecimentos podem ser cooptados pelo mercantilismo capitalista, e banalizados como a 'última novidade' da cena cult urbana.

É por isso que considero importante a abordagem das pesquisas que as ciências humanas vêm lançando sobre o fenômeno das substâncias psicoativas em suas diversas manifestações, modernas e antigas. Este estudo pode ajudar-nos a compreender os motivos do fracasso das políticas proibicionistas no combate ao abuso e ao tráfico de drogas, e a entender como a alteração da consciência foi positivamente desenvolvida e assimilada por culturas antigas. Sugiro a visita aos arquivos de áudio do simpósio promovido pelo Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos - NEIP na USP mês passado.

Cesar G. disse...

Caro Altino,

Acho que para condenar (julgar) nesta situação é meio complicado, pois a primeira vista até parece coisa de comercio do chá ou afim, mas e se analizar-mos a palavra da outra parte? Talvez vejamos uma provavel razão para o custo de R$100,00 por pessoa e se a turma forem só de 10 pessoas ? R$1.000,00 dá pra pagar as passagens e transporte dos 2 Xamãs? E a estadia deles?, acho que tem que se examinar direitinho pesando os dois pesos.
Quanto a sexo antes da cerimonia com o chá, eu tbm sou contra, desde que não atrase a sessão ;)
abraço,

Cesar G.

Yoshihiro disse...

Caro Altino Machado.
Permita-me dirigir esta carta pela primeira vez.
Antes de mais nada, meus respeitosos cumprimentos pelos trabalhos desenvolvidos por vocês junto ao seu Blogspot.
Sou Yoshihiro Odo, Psicólogo e Acupuntor, Tradutor de lingua japonesa, e um dos organizadores do Ritual de Nishi pay, a ser dirigido pelos irmãos Banê e Fabiano Kaxinawá. Venho colaborando na divulgação da alma ancestral brasileira, do conhecimento e do respeito à floresta aqui em São Paulo e no Japão, desde a década de 1980.
Fiquei sabendo da sua opinião a respeito do evento que estamos organizando, mas lamento o seu posicionamento e divulgação precoce, e por isso mesmo injusto para com este evento e para com os irmãos Kaxinawá. Deixe-me explicar:
UM POUCO DA HISTÓRIA:
Vimos realizando rituais mensais, desde julho de 2003, sob o comando do Leopardo Kaxinawá, que veio para São Paulo estudar e conhecer a cultura desta cidade brasileira e trabalhar na divulgação e valorização da cultura e conhecimento do seu povo.
Leopardo Kaxinawá nestes dois anos conseguiu abrir as portas desta cidade paulistana, favorecer a divulgação da cultura Kaxinawá, organizou o Nishi-pay com a participação do seu pai Siã Kaxinawá e sob o comando do Pajé Agostinho Manduca Muru, participou da organização de Ritos de passagem na qualidade de diretor da IDETI, com a presença e participação de diversas tribos de todo o Brasil, participou de palestras e debates organizados pelas universidades, escolas particulares e públicas em São Paulo.
Este mês, o trabalho ritual ficou por conta dos irmãos Fabiano e Banê. Esperamos poder receber a visita nos próximos meses de mais representantes Huni-kuin a divulgarem a sua cultura ancestral aqui em São Paulo.
SOBRE O CUSTO DO EVENTO E PREÇO.
Não sabemos como acontece aí no Rio Branco. Aqui em São Paulo, tanto para conseguirmos a passagem do pessoal Kaxinawá, como o local e a hospedagem (chácara para realizar o evento) temos uma despesa enorme. (Por exemplo, a despesa ida e volta de Rio Branco a São Paulo custa pelo menos R$ 1000, por pessoa). E ficamos sempre devendo a despesa de gasolina dos colaboradores que nos ajudam voluntáriamente. O preço cobrado é o mínimo para cobrir as despesas. Nós que ajudamos a organizar o evento temos vontade, sim, de que toda a cultura e tradição indígena seja realmente valorizada. E que isso venha a refletir inclusive na valorização econômica dos seus conhecimentos. Estamos ainda na fase inicial dos trabalhos de sua divulgação.
SOBRE A ONDA NEO-XAMNICA.
A maioria dos participantes deste Encontro vêm à procura de ter contato com o uso original da ayahuasca, fora do contexto urbano e cristão, relacionado ao conhecimento tradicional do índio e da floresta. Os irmãos Yawabanê, mesmo tão jovens, conseguem ensinar e conduzir o encontro com o Nishi-pay transmitido na sua memória ancestral, através dos seus cantos sagrados na sua lingua tradicional. O trabalho deles prepara a visita futura dos pajés e valoriza o conhecimento do seu povo e dos demais povos sobreviventes e ancestrais do Acre. Na cidade grande aonde a onda neo-xamânica vem favorecendo a confusão no consumo do Ayahusca, o trabalho dos Kaxinawá se destaca pelo simples e revelador. Tem uma verdade inegável daqueles que são filhos da jibóia branca. Traz o conhecimento e respeito à floresta. Permite-nos uma re-descoberta de que a verdadeira alma do Brasil, alma com mais de 30 mil anos de história está, sim, depositada nestes sobreviventes do massacre promovido pela invasão ocidental. Por isso a sua colocação de que os “meninos fazem o meio de vida no meio da onda neo-xamânica” é profundamente injusta. Não há ninguém trabalhando em proveito pessoal. O tempo e a planta sagrada deverão mostrar isto a todos que estão atuando com sinceridade.
SOBRE A INSINUAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL.
Não há qualquer preconceito contra esta ou aquela profissão, uma ou outra religião e nem contra imigrantes e estrangeiros. Participaram até agora do Encontro com Nishi pay, policiais, advogados, estudantes, professores, psicólogos, médicos, acupuntores, economistas, bancários, fotógrafos, cineastas, antropólogos, jornalistas, artistas... Assim como budistas, católicos, judeus, shintoístas, japoneses, alemães, italianos, negros, xavantes, guaranis… O Ritual é livre e legal. Não há medo nem perseguições.
SOBRE A AUTORIA DO CONVITE.
O convite e o material de divulgação é oficial dos irmãos Leopardo e Fabiano Kaxinawá. E este trabalho vem sendo realizado com a autorização dos líderes da sua Aldeia. A Cecília é apenas a organizadora da divulgação e inscrição, sempre sob a orientação dos Kaxinawá.

A sua injusta colocação, creio, devido a falta das informações acima, está resultando em visões e opiniões distorcidas sobre o trabalho desenvolvido pelos Kaxinawá em São Paulo. E até mesmo numa colocação equivocada, mas claro, como um aviso amigo, do Joaquim Tashka Yawanawá. O equívoco entre os Kaxinawá e Yawanawá se desfaz no seu Encontro direto. Mas o equívoco da opinião dos seus leitores… Espero estar esclarecendo e contribuindo para desfazê-lo.
Por fim, coloco-me à sua inteira disposição para outras informações que possam contribuir no seu trabalho de jornalismo em defesa da verdade e justiça.

Yoshihiro Odo

Zabironga disse...

Rpz, quer beber ayahuaska, vai num grupo SÉRIO, ORGANIZADO, BEM ACEITO SOCIALMENTE, LIMPO, etc...
Acordem! Povo de Deus!! Ficar perdendo tempo com coisa sem futuro?
O pior cego é aquele q não quer ver.
Persistir no erro é estupidez.
Vamos nos unir em grupos que podem nos levar pra frente! e para o alto!

Luis Enrique disse...

Venho por meio deste relatar que participei de um ritual em Rio Branco com o Sr. Fabiano Kaxinawá. Foi o melhor ritual do qual participei em minha visita ao Acre. Foi feito com muito Amor, Carinho, Responsabilidade e DE GRAÇA!!!
Aliás, de graça para os participantes. O Sr. Fabiano ficou com receio de que o Ayahuasca que ele tinha (que trouxe de sua tribo) não fosse o bastante e comprou com seu dinheiro um pouco mais para garantir o trabalho. Repito, não cobrou nada de ninguém por isso. Sou contra lucros com qualquer trabalho espiritual, realizo trabalhos em Campinas a R$10,00, porém tais colocações foram injustas. Se informe antes de comentar sobre a vida das pessoas e não fale de assuntos dos quais não domina!

fabiano disse...

Permita – mem.
Só para fica claro.
Meus queridos amigos e irmão.
Sou Fabiana kaxinawa filho do Cacique SIA kaxinawa e neto lide Suero kaxinawa
Que descansa em seu lugar onde o destino lhes reservou.
Aqueles que mim conhece como eu sou, e a aqueles mim conhece como falam de mim.
Sou um jovem que estou lutando pelo meu povo Huni kui
Respeitosamente venho a esta cidade do nosso Brasil aprende novos conhecimento.
Para pode valoriza a nossa tradição do meu povo.
E mostra a verdadeira cultura do brasil
Eu fico feliz em ver outros povo mostrando a suas tradições e falorizando.
eu não sou o sábio das coisa,
A sabedoria que eu tenho são do meu povo huni kui.
Sinto mim honrado para pode compartilha esta bebida sagrado do meu povo
Com outros irmão e irmã.
Todos nos temos o nosso valores na vida por riso
Respeitando as pessoas e defendendo a vida e dignidade, com esperança de encontra a razão
Que somos brasileiro.
Que os espíritos abram mente dos homem e mulheres
Que nos tratam com indiferença ou inferiores porque diferente e cada um de nos.
Desejo a todos nós que possamos caminha assim ao lado uns dos outros fazendo acontecer
Muita luz aqueles mim conhece e também aqueles não mi conhecem
Força para meu amigo Altino.
Respeitosamente ao meu quereiro taska yawanawa
Que os deuses transmitam ao coração de cada um a revolução da amizade construindo a paz
Sejamos simplesmente gente .{Fabiano kaxinawa}
Desculpe por não escreve muito bem.

Obrigado

Henrique Barcellos disse...

Eu vejo que existem muitas patrulhas ideologicas no Brasil, que pena !!!!!
PAREM DE DISCUTIR O SEXO DOS ANJOS !!!!
e nao tratem de decidir o que e bom para o indio, ele sabe o que e bom para ele !
Todo trabalho terapeutico deve ser cobrado, por acaso eles nao comem ? nao pagam passagem ? nao se vestem ?
Porque os criticos nao vao trabalhae de voluntários gratuitamente no meio do mato ? ao invés de andar con filosofias BARATAS ?
A AYAHUASCA É UNIAO,E NAO POLEMICA !!
Queren de graça ? PLANTEM E FAÇAM TUDO NA SUA PROPIA CASA !!!!!
DEIXEM QUE ELES TRABALHEM EM PAZ !!!!
Existe muito a fazer no campo da Ayahuasca, e nao e falando abobrinha que vao ajudar !!!
Na França foi proibido, na Italia existe a possibilidade de terminarem em prisao um grupo de daimistas, no Peru estao vendendo por correio para qualquer um, na Espanha inventarom uma mezcla analoga que batizarom de Ayahuasca. NO BRASIL ESTA LEGALIZADO E BEM ORGANIZADO, e porque um grupo de pessoas quer dar a conhecer uma tradiçao autentica, fora do contexto cristao predominante no Brasil (a qual eu pertenço) e obvio, tem gastos, e tanbem tem que sobrar dinheiro , senao nao podem seguir...O acaso os criticos vivem de brisa ?Por fazer um trabalho que na minha opiniao deve ser serio,digo deve porque nao sei detalhes, mas estou seguro que e serio, la Ayahuasca sempre e seria. Vem um monte de gente por duvida, que e o que esta acontecendo ?
Eu nao acredito no que estou lendo, ANTES DE CRITICAR, OU DE POR DUVIDADAS , DEVEM IR PESSOALMENTE CONHECER PRIMEIRO.
DEVEMOS APOIAR TODA CORRENTE , E NAO TER DIVISIONISMOS, E DEIXEM DE FOFOCA .
Henrique

Eduardo disse...

É um absurdo ficar repreendendo o Leopardo e o Fabiano. Conheci os dois no acre e são pessoas muito simples. Com certeza eu percebo uma problematica em dizer que eles são Xamãs. É obvio que não são e nem eles mesmo falam algo assim. O problema são esses brancos que botam as coisas como querem para fazer divulgação.
Creio que não existiu lucros, no maximo uma ajuda para os dois amigos acreanos.
Vamos deixar de onda e seguir a luta...

Simone Antunes Rios disse...

Este tipo de discussão não me surpreende ... Na história da humanidade observamos homens discutindo calorosamente referente aos mais diversos assuntos... Por conta disso alguns foram crucificados, outros foram para a fogueira, e os que não foram deixaram de trabalhar em prol do seu próximo ... Nós deixamos de ser beneficiados por isto ...

Sempre quando algum ser humano ou algum grupo toma a iniciativa de promover alguma atividade e qdo tal atividade modifica os que estão em sua volta, necessariamente aquele será submetido a opiniões, julgamentos e etc ...
Mas eu pergunto: será que realmente temos dados suficientes para julgar (perg)
E ainda, se temos tais dados será que a nossa perceção é tão boa assim para que possamos julgar (perg)

De qualquer modo, já que trata-se de expor opiniões, de nada custa expressar nossa humilde percepção:
- qto ao fato de Bane e Fabiano Kaxinawa serem apresentados como `conhecedores de sua cultura original` tenho para mim que isto é natural, por se tratar de índios, pessoas que nasceram e foram criadas em sua tribo, com pais e avós índios, vivendo e crescendo inseridos em uma cultura indígena, acho que não poderia ser diferente...
- qto ao fato de haver cobrança para o trabalho, percebo como algo natural, já que como todos sabem, vivemos em um mundo onde paga-se para comer, dormir, se transportar... Como eles fariam tudo isto sem cobrar(perg) Se não cobrassem, eles teriam que voltar para sua tribo, é isto que desejamos (perg) Em que pese as palavras diretas do Sr Joaquim Tashka Yawanawá (meus respeitos), qdo utilizou a expressão ´lucro pessoal´, percebo tal cobrança como ´necessidade de sobrevivência´. Não sei se o líder indígena já sentiu como é viver nesta ´cidade de pedra´... Aqui é triste, nós necessitamos do dinheiro para sobrevivermos... (experiências diferentes e paradigmas tb - e de novo eu pergunto: quem somos nós para julgar e entender o próximo (perg))
O problema é que muitos de nossa sociedade interpretam o dinheiro como meio de acumular simplesmente por acumular (daí muitas vezes haver interpretações do próximo no mínimo equivocadas; já outros, de modo mais sensato, vêem o dinheiro como meio de sobrevivência...
- Qto ao comentário oferecido referente a ´aventura na cidade de pedra´, tenho grande vontade de manifestar minha CONCORDÂNCIA. Realmente trata-se de uma grande, de uma enorme aventura sair de sua paz, natureza e etc para vir a cidade, fazer um trabalho de cura, ajudar as pessoas e ainda se submeter a críticas pejorativas quando não maliciosas ...

Tive a oportunidade de participar de um trabalho com Bane e Fabiano Kaxinawá e notei o respeito, seriedade e honradez. Sobretudo percebi como eles reverenciam e amam e valorizam a sua cultura, a cultura de seus ancestrais e naturalmente, como eles pintam a lembrança de `sua gente´ com cores brilhantes...

Deixo aqui minha percepção relativa (David Hume) e que em verdade `tudo que sei é que nada sei´(Sócrates)- que em verdade, todos nós estamos aqui para aprender, aprenderemos até a morte, e nas outras vidas e nas outras vidas... Inclusive, com todo respeito, o Sr Altino, o Sr Joaquim Tashka Yawanawa, o Sr Bane, o Sr Fabiano Kaxinawa, Maria, João, Fulano, Beltrano, ... Quem somos nós senão eternos aprendizes (perg)

Estou certa da boa fé e da seriedade do trabalho questionado, espero não perder a oportunidade de participar de outros por conta de julgamentos infundados... Eu sairia perdendo, não eles...

Juan disse...

Camaradas>

La ayahuasca es una planta maestra que no debe usarse para lucro personal, mas que aquel que involucra su uso y difusion.

No lucren con ella, ni jueguen a ser chamanes.

JCBT

tmoef@yahoo.com

Mauricio de Bebedouro disse...

há muito tempo quero conhecer o uso da ayahuasca dentro de um contexto tradicional, sem as influências judaico-cristãs.

eu gastaria muito mais dinheiro se saisse daqui e fosse para a aldeia Kaxinawá no Acre.

ainda não participei e portanto não posso julgar, mas sinto que não está havendo uma "aberração aos rituais sagrados" como disse o sr. Tashka Yawanawá

Felix disse...

Certo dia, quando o Mestre Zen Hotetsu do monte Mayoku estava se abanando,
um monge se aproximou e lhe perguntou: “A natureza do vento é imutável e penetra em toda parte então porque você está se abanando? ”O mestre respondeu: “Apesar de você saber que a natureza do vento é imutável você não sabe o significado dela penetrar em toda parte.” O monge então perguntou: “Então, qual é o significado dela penetrar em todas as partes?” Hotetsu apenas continuou se abanando. O monge compreendeu e prostrou-se com profundo respeito diante do mestre.

Gabriela disse...

Por que a polêmica ante a possibilidade de haver lucro por dois dirigentes de um trabalho espiritual com a ayahuasca?Qual é o problema em se lucrar em um trabalho espiritual? Não é um trabalho? Não exige dedicação, seriedade, responsabilidade? Por que não questionam o lucro dos banqueiros ou dos padres?

E qual o problema da divulgação de uma tradição cultural indígena na cidade? Os brancos "divulgaram" e "divulgam" tanto lixo entre os índios (doenças, consumismo, destruição...).

E, quando, ainda por cima, será compartilhada uma bebida que pode propiciar consequencias maravilhosas, qual é o problema?

E, quanto ao questionamento sobre a seriedade dos dois coordeandores do trabalho, é bom que se tenha bastante clareza sobre o que se fala antes de colocar na rede. Isto é fato ou apenas difamação?

O que incomoda afinal?

Onde se pretende chegar com todo esse barulho?

Yoshihiro disse...

A resposta do Fabiano em relação a este acontecimento é uma grande lição de humildade e sabedoria.
(Ler: http://altino.blogspot.com/2005/10/fabiano-kaxinaw.html)
Se ele consegue dar este nível de resposta em lingua portuguesa, que mal domina, o que deverá estar pensando na sua lingua?
Que formação teve este jovem a quem os outros desautorizam a comandar o Nishi pay ?
Imaginemos a sabedoria que este e outros povos conectados com a Ayahuasca dominam na sua cultura e tradição.
E reflitamos as nossas atitudes moralistas e preconceituosas, frutos do mecanismo inconsciente de projeção da cultura dominante. É por meio destas atitudes que continuamos a reproduzir o esquema de dominação ocidental que levou ao desaparecimento de centenas de povos ancestrais com a capacidade de diálogo direto com o plano espiritual.
Yoshiodo@terra.com.br

Luzmarina disse...

Acho que o Sr. Altino está certíssimo. Não concordo com a cobrança de taxas para se tomar ayahuasca. Um ritual xamanico desse genero tem que estar inserido, digamos assim, no seu habitat. Num centro urbano nunca teremos todos os efeitos benéficos que esta planta pode nos trazer, além de haver muita deturpação do que os índios, inocentemente, repassam para os "urbanos".
Sei que os indios tiveram e têm muita boa fé. Nós, brancos, é que nos metemos a querer entender em algumas sessões o que eles milenarmente aprenderam.
Para mim quem quisesse participar desse ritual, tinha sim, que se escambar lá pro Acre, mesmo de ônibus, e ficar lá no meio do mato. Isso só seria uma grande peia. Chegariam lá limpinhos pro trabalho.
Ah! E pelo-amor-de-deus! argumentar que a gente paga pelo remédio na farmacia e por isso é aceitável se cobrar para participar do ritual, é muita hipocrisia!

pawalo disse...

que os espiritos dos nossos antepassados, da floresta, de nosso ser superior esteja com cada um de nos, meu nome é pawalo manchineri, sou da terra indigena mamoadate, conheço os 2 kaxinawa em questão e tenho grande consideração por eles, seus antepassados e sei que são pessoas capazes e responsaveis, por que assim como todo indio eles já nascem com o dom natural da floresta, já nascem com o espirito guerreiro e é destemido, e já que aiawaska é uma de nossa cultura, é de fundamental importancia que continuemos preservando-a, já que hoje foi patenteada por um americano e a maioria dos brancos no acre a utilizam com uma visão economica, exportando para outros cantos do país e até do mundo.Que a natureza esteja conosco, nos mostre o que é certo e o que é errado e que possamos sempre optar pelo caminho certo, para que não percamos nossa dignidade como seres humanos e saber que pertencemos a floresta, pawalo manchineri

Atual disse...

Há muito tempo Ayahuasca não é mais propriedade de ninguém.

Se querem cobrar 100 reais é porque tem os bananas que pagam.

Indio nenhum substitui a inteligencia vegetal da planta.

Esta é minha opnião.

pawalo disse...

tem um cidadão que afirma que aiawaska não é propriedade de ninguém, será?a verdade é que nesse mundo não á nada seguro, então só afirmamos uma coisa quando temos certeza do que estamos falando porque a diferença estar em usar com sabedoriaou usar com outra visão.
quanto ao indio não não substituir a inteligencia da planta, pessoa nenhuma pode substituir qualquer tipo de planta, por que para nós elas são sagradas, porem em se tratando da aiawaska, uns brancos, aceitando ou não que aprenderam com os indios alem disso o indio é o unico que realmente conhece os misterios dela.Estamos ai
pawalo

Atual disse...

Tá vendo o tal do Pawalo??? O cara nem sabe escrever Ayahuasca e quer me dizer que eu não sei do que to falando. Além disso, ele nem sabe se eu sou branco ou preto ou indio.

E isso nem importa. O que vale é a minha ideia.

Eu pergunto ao Pawalo: Se fosse propriedade particular dos indios, então porque o Santo Daime, A Uniao do Vegetal, a Barquinha, enfim, uma infinidade de religiões brasileiras e outros cultos, além de peruanos e bolivianos comuns utilizam???

Ninguém é o senhor autoritário nesta história, meu amigo. Talvés seja ao contrário, Ayahuasca é que tem os seus filhos.

Eu não considero a soberania de ninguém neste assunto, seja ele um imperador padrinho do Daime, ou seja ele um indio urbano que quer 100 reais.

Quando você diz respeito da minha visão, eu digo que na minha visão Ayahuasca é superior a todos os humanos, e todos os humanos são iguais.

E tem mais! Os mistérios da Ayahuasca não estão restritos à somente um tipo de povo. Assim como os poderes da Canabis e da Iboga na Africa, ou até mesmo a Jurema no Nordeste. Enfim, a visão de propriedade particular dos indios que tem este Pawalo é totalmente ocidental.

Ayahusca é um conhecimento universal, meu caro. Seus mistérios e ensinamentos dizem que todo homem é igual, todos são os filhos de Deus.

Já que você mesmo disse que é sagrado, não foi? Se é sagrado, é para todos.

Pawalo, se você quiser entender os mistérios, seja ele qual for, pergunte ao Ayahusca, e tenha fé. Você vai descobrir, meu caro. Não é só o indio que sabe.

Atual disse...

Ayahuasca em si é uma chá de muitissimo poder. Basta seu poder. Ele ensina aos que quiserem ser ensinados.

Fazendo silêncio, em contato com a natureza, num grupo de fortes amizades, e sem nenhuma Tirania. Nenhuma tirania, nenhuma autoridade injusta.

Respeito sim, aos que consideram este ou aquele homem como lider, pois é sempre necessário um lider.

Mas que este lider seja o lider do coração do povo, e que tenha amor reciproco pelos liderados, e não uma tirania autoritária.

Não posso julgar os amigos indios NISHI PAY, mas posso dizer o que já vivi no Santo Daime.

Agora que sai do Daime, e tenho contatos com um povo da floresta que tem uma história contra as tiranias também, então temos a possibilidade de fazer algo com IGUALDADE, FRATERNIDADE E LIBERDADE.

Não haverá soberanias, não haverá desigualdades, e não haverá falta de fraternidade e liberdade.

O lider será eleito pelo grupo. Grupos poderão ser espontaneamente criados sem o centralismo espiritual e financeiro da autoridade de um imperador daimista. Os fiscais ganharão outro nome: ajudantes. E assim vai mudando o conceito de religião imposta para grupos ecleticos.

Por isto me chamo ATUAL

Nixi Päe Inu Bake disse...

Primeiro de tudo, Atual, não existe grafia correta para ayahuasca, desde que se considerem os fonemas. Posso escrever aiawaska, aiauasca, hayawaska, etc. Até pq a palavra não surge nos livros e sim na boca das pessoas.
O sr Pawalo (ou Pahualo) é da etnia Manchineri, grupo indígena que na selva peruana de Madre de Dios recebe outro nome (assisti ano passado uma grande exposição em Cusco sobre eles) e fala com autoridade sobre uma tradição ancestral muito bem fundamentada por seu povo. Não é só o índio que sabe, mas também posso dizer: "não é só o índio que nãop sabe", e vendo por esse lado, posso dizer que os índios sabem muito mais que nós brancos a esse respeito, pois vivem da floresta e na floresta há muito mais tempo. Nós "brasileiros" também não sabemos tudo, e sempre estivemos nos apropriando do saber deles para construir nossas "catedrais" de conhecimento.
Abaixo as torres de Babel!
Conheci o velho Suero, aprendi a "bíblia" cashinahua com meu amigo Siã, vi o Leopardo quando ainda nem sabia falar... Se hoje os irmãos hunikuin tem essa capacidade de apresentar seu ritual na cidade grande, o direito é mais deles de assim fazerem que das próprias sociedades religiosas, pseudo-religiosas ou céticas que aí vogam. Eles poderiam nos capacitar para uma visão transcendente dos haveres culturais, e nós poderíamos ajudá-los a se capacitarem para o manejo sustentável das plantas componentes da (do) ayahuasca.
O que falta no mundo é dar valor ESPIRITUAL aos outros, e que este valor se sobreponha aos valores materiais que este um possua.
O maior bem é a LIBERDADE, e os povos indígenas neste sentido são infinitamente mais ricos que nós, escravizados por uma civilização de consumo que consome a si própria consumindo a todos nós.
Agora, mano, vamos aguardar o que o pessoal do CONFEN vai traduzir como DEONTOLOGIA (ética de procedimentos) do uso "religioso" (eu prefiro a palavra "ritual") da (do) aiawaska, ayahuasca, oaska, jayahuasca, yage, iagé, cipózada do povo brasileiro.
Quero ver é a vinculação de toda a corrente produtiva até o consumidor final estar bem explicada, bem transparente, pra cada um saber de que árvore colheu seu fruto.
ABRAZOS
Eduardo Nixi Päe Inu Bake Nawá

Txanabane Hunikui disse...

Parente Joaquim,

Sobre o seu comentário e afirmação em relação o uso do nosso Nishi-pae e também a nossa família gostaria de ti comunicar e esclarecer os seguintes fatos:

Não estamos reivindicando a condição de pajé o sábio de nosso povo, muito menos de outros. No entanto não necessitamos de autorização de nenhum povo e menos ainda de pessoas, que tem se apropriado de cultura e musicas alheia e utilizada o nome de seu povo para benefícios pessoais, no maximo família.

O fato de ser estudantes, morar na cidade não perdemos a condição de ser Hunikui. É só perguntar para ti mesmo, já que assim como eu, você não vive com o povo, tem ficado fora do país e utiliza o nome e imagem do povo para justificar suas ida e vindas.

Se nós estamos ti envergonhando por usar milenarmente nossa bebida Nichi-pae, então o que significar para aqueles que inventa ser pajés fazendo cursos e distorcendo nossos valores e ensinamentos milenares. Por tanto o favor medimos nós, que não fale sobre o que não conhecem e primeiro cuide de si mesmo, porque você não tem condição moral e conhecimento para opinar sobre meus atos ou o meu povo, alem de que não pedimos sua opinião.

Sobre o senhor que iniciou este tema, pessoas como essa é tão insignificante que não vale a pena comentar, pois sabemos que ele é um dos que utiliza o Nichi-pae (daime), vendem, compram, apropriando-se de nossos conhecimentos, pois estas esta gente que utiliza o nichi-pae aprenderam de nossos avos e agora se crê os donos e sabedores de nossos valores. Porque não questionar quanto se comercializam, distorcionando as orientações tradicionais e inclusive utilizando drogas.



Atentamente,



Txanabane Hunikui

Atual disse...

Desculpe por falar do Nichi-pae exigindo que se escreva ayahuasca da maneira mais conhecida.

Não vejo motivo para me acusarem de comercializar. Entendo pereitamente o poder que Nichi-pae tem, e sei que vender seria disperdiçar momentos de conhecimento, introspecção. E para isso, somente em rituais. Portanto, vender para alguém sem experiência seria como jogar embora no rio.

Agora queria comentar algo histórico. Lá nos Andes, onde há mais de 500 anos atrás os Incas eram os senhores da Ayahuasca. Somente os imperadores e religiosos conheciam. O povo não tinha acesso. Foi depois que os espanhois invadiram a região que o imperador chamado Inca (que deu origem ao nome do povo Inca) fugiu para a Amazônia, e difundiu o conhecimento para vários povos indigenas do Brasil.

Perceba que a expanção acontece de maneira inevitavel, lembrando que antes somente os soberanos incas tinham acesso.

Mais tarde muitos brancos conhecem, lá pelo Acre, Rondônia, Amazônia.

Aí vieram os americanos, e o pessoal das cidades para fazer o que fazem, se apropriar.

Embora um tipo de gente não entenda a cabeço do outro, fazendo acusações mutuas, o que realmente fica verdadeiro para mim, é que Ayahuasca é que é a autoridade.

Pode indio falar mal do branco, ou o branco falar mal do preto, e o preto falar mal do indio.

De nada adianta, e a verdade é que ninguém é o dono AQUI.

Perceba que ninguém se apropriou da Ayahuasca e sim, ao contrário, é uma bebida que conquista muitos corações pelo mundo, e nenhum indio pode cobrar 100 reais, se hoje em dia existe a custo 10 vezes menor.

Me desculpe a acusação, mas me parece que estes 100 reais são para pagar as idas e vindas, viajens, compras dos "Soberanos Indios".

Imagina se conseguiram arrastar 10 ou 15 pessoas. 1000 ou 1500 reais por ritual.. humm, será que tá bom?

Alcyr disse...

Após ler todos os comentários acima, sinto-me na condição de dar o meu testemunho. Fui daimista, fardado com o Padrinho Alex Polari, no final dos anos 80. A vida levou-me para outros caminhos e fiquei 15 anos afastado da doutrina. A cerca de dois anos, fui agraciado com um convite de Bia Labate, para participar de um ritual com o Jovem Leopardo. Lembro-me que paguei um valor relativamente alto, mas fui muito bem recebido em um sítio no município de São Lourenço, tive a minha disposição um colchão e um cobertor e toda a orientação e cuidados necessários para uma maravilhosa concentração. Os cantos e a percussão indígena trouxeram-me de volta à minha casa, este corpo maravilhoso que a vida me permitiu, trouxeram-me de volta à doutrina e a maneira simples de viver. Ao final, ao redor de uma fogueira, saboreamos as lendas e o conhecimento do povo Kaxinawa. Ao Jovem Leopardo e Irmão, a minha sincera gratidão.
O valor cobrado atualmente é elevado? Para mim, sim. Mas existem locais, em que a força e a luz também estão presentes, em que é possível tomar-se ayahuasca por um valor menor. Em alguns existe o bailado e em outros a concentração.
Tenho a certeza que, dispondo de um local próprio e com a colaboração dos que buscam, o Jovem Leopardo e seu Irmão ainda irão cobrar um valor menor, mas suficiente para cobrir as suas despesas.
Por outro lado, acho certo um valor elevado, ao menos nas primeiras vezes, pois isso afasta os drogaditos, aqueles que buscam apenas uma "viagem".
Quanto ao nome correto da bebida. Tomem, sintam a força, sintam a luz, sintam a força e sintam a luz, aprendam a sentir e a ouvir, e deixem as palavras para os que apenas gostam de falar.
A todos, um abraço no coração e no espírito.