quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Carro oficial é usado em piquenique na beira do Rio Acre


Um carro oficial da Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) foi flagrado na noite de segunda-feira (2) a serviço de um grupo de pessoas que realizou um piquenique na beira do Rio Acre, no centro de Rio Branco, em frente ao Bar e Restaurante Flutuante.

O autor das fotos que comprovam o uso indevido do carro afirma que durante o piquenique o grupo bebia tereré, refrigerante e cerveja.

O carro da Sejudh, que serve ao Conselho Tutelar da prefeitura de Rio Branco, foi usado para transportar até a churrasqueira e os banquinhos para conforto do grupo no piquenique.

A coordenadora do Conselho Tutelar, Maria Gorete Oliveira, considerou o uso indevido do carro um “lapso por parte do motorista plantonista”. Ela disse que “todos os encaminhamentos necessários estão sendo formalizados junto à secretária municipal de Direitos Humanos”.

A reportagem ouviu o motorista do carro da Sejudh, David Junior. Ele reconhece que errou, mas nega que tenham ingerido bebida alcoólica durante o piquenique. Leia as explicações de David Junior:

“Assim como acompanho o seu trabalho, confio nas suas postagens. Uma amiga recomendou que eu o procurasse para conversarmos porque você é uma pessoa justa e correta. Gostaria que você escutasse a minha versão dos fatos.

Fiquei muito nervoso ontem, mas muito nervoso mesmo, e só Deus sabe o que se passava no meu coração quando você mostrou no Facebook o carro que dirijo naquele local.
Eu sou missionário da igreja Intensidade do Leão. Aquilo era um grupo da igreja, que sabia que eu estava de plantão.

As pessoas me chamaram para comer um espetinho. Não havia ninguém ingerindo bebida alcoólica. Não ando com ninguém que bebe. Como recomenda a Bíblia, não ando em roda de escarnecedores.

Fui comer um espetinho, tomei duas cuias de tereré e fui embora. Meus amigos levaram uma churrasqueira, assaram espetinho e estavam tomando tereré. Era gente da minha igreja, assim como eu, praticantes de esportes radicais. Eu não bebo, não fumo. Sou missionário da igreja Intensidade do Leão.

Sobre a foto com o bagageiro do carro aberto, aquilo era o embarque de banquinhos que me pediram para levar. O evento era dessas pessoas da minha igreja.

Elas sabiam que eu estava no meu plantão de 24 horas. Eu fico com o carro em casa, de sobreaviso. Quando eu saí do trabalho, eles telefonaram e eu fui lá. Os demais foram em motocicletas. A churrasqueira era bem pequena e foi levada num moto. Cada um levou algo para o churrasco.

Fiquei tremendamente abalado, nervoso, quando cheguei em casa e vi as fotos em sua página no Facebook. Eu realmente cometi um erro. Estando naquele carro, não era para nem para ter parado naquele local. Não era para ter aceitado o convite para comer aquele bendito espetinho, ainda mais dando carona para os banquinhos num carro oficial.

Com a magnitude do caso, telefonei para a minha chefe, repassei o plantão e agora vou esperar. Sou funcionário efetivo da prefeitura de Rio Branco. Penso que o escangalho vai ser menor. Se eu fosse provisório já estaria na rua.

Como sei que você é um bom jornalista e admiro o seu trabalho, queria que você me ouvisse.
A sua fonte não falou a verdade. Não havia bebedeira de álcool. Eu não ando com gente que bebe. Eu sou evangélico, missionário da igreja Intensidade do Leão. Eu jamais estaria numa roda de gente que bebe, usando o carro oficial, do meu trabalho.

Não estou chateado contigo por você ter publicado. Eu quero que você continue a fazer o trabalho que você faz. Eu também sou ou uma pessoa que não suporta injustiças
Recentemente, no AC 24 Horas, denunciei a falta de medicamentos para transplantados. A doadora do meu rim, uma tia minha, toma medicação controlada que estava em falta.

Mas reconheço que cometi esse erro de ter ido para lá no carro do meu trabalho. O que não procede é a informação de que estávamos tomando cerveja. Nós estávamos tomando tereré.”

4 comentários:

Juarez Nogueira disse...

Direitos dos manos...

Gleiciane disse...

O fato de que é evangélico, de que não bebe, de que não havia cerveja no local, de que é um 'homem de Deus'... Meu querido, tudo isso é irrelevante e nada disso muda o que você fez. No entanto, foi legal assumir a culpa, afinal não tem mesmo como negar, né? Fico pensando se algum dia nos livraremos de vez da corrupção, se mesmo os que a condenam, vez ou outra a praticam e, quando pegos, apresentam desculpas tão vazias que chega a dar desgosto.

Álex Ellen silva gomes disse...

gleiciane é muito facil fazer comentarios sobre outros.deixa eu te fazer uma pergunta:você ja mentiu alguma vez por menor que seja a mentira;voce ja desejou algo que nao era seu;já odiou alguem; já desenrrou seus pais; você já errou alguma vez, se a resposta é sim voce nao tem o direito de julgar niguem para que nao venha a ser julgada.

Gleiciane disse...

Claro que sim, todos nós erramos. TODOS. E como costuma acontecer nessas ocasiões, também recebi as devidas reprimendas. Dizer que o rapaz "pisou na bola" e que o pretexto dele é fraco e refutável não é julgamento, é constatação de fato. Assim aconteceu. Quem abastece os carros públicos são os contribuintes. É o meu dinheiro, o seu e de tantos trabalhadores que sofrem com falta de saúde e educação, para não mencionar aqui a imensa lista de prejuízos que afetam diretamente a nossa vida todos os dias por conta da corrupção, algo que precisamos combater. É mau uso da coisa pública, meu rapaz. É muita ingenuidade sua pensar que ninguém iria se incomodar.