quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fábio, marido de Marina, sobre escândalo Usimar: ‘Pago caro por erro que não cometi’



O técnico agrícola Fábio Vaz de Lima é o discreto marido de Marina Silva, a ex-senadora do Acre que o PSB vai anunciar oficialmente nesta quarta-feira (20) na cabeça de chapa como candidata à Presidência da República no lugar de seu antecessor, Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na quarta da semana passada após a queda de seu avião em Santos, no litoral paulista.

Fábio Vaz, como é mais conhecido, nasceu em Santos e passou 13 anos e oito meses de seus 49 anos como assessor e secretário de governadores do PT no Acre, onde o partido comanda o Estado há 16 anos. Seu último cargo, do qual pediu para ser afastado nesta semana, era o de Secretário Adjunto da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis.

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Quando Marina se desfiliou do PT, em 2009, e ingressou no PV, o marido dela também se desligou do PT, mas não aderiu ao PV. Mais recentemente, por não ter conseguido registro do Rede, Marina ingressou no PSB e ele continuou sem filiação partidária, tendo sido muito criticado por petistas por não ter deixado o governo do PT no Acre.

Sempre que Marina Silva ganha maior visibilidade na política, Fábio Vaz sofre as consequências. Em maio de 2001, o então relator do projeto do Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo o acusou de  “fraudador de contrabando de madeira”.

- Esse episódio é muito triste, pois foi uma acusação, uma desonestidade intelectual de uma pessoa com uma historia em defesa da democracia. A democracia não se faz com mentiras e atos torpes como ele fez. Ele me usou, que sou desconhecido, para atacar Marina. Na época falei que não ia agir com o fígado e assim fiz. Junto com Marina, pedimos investigação por parte do Ministério Público Federal para verificar a veracidade da denúncia do deputado. Depois de meses, recebi a posição do MPF (veja) de que nada foi constatado capaz de haver ligação de meu nome com a acusação feita por Aldo Rebelo – afirma.

O nome de Fábio Vaz consta no processo do “caso Usimar”, que envolve 40 pessoas em suposto desvio de R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís, no Maranhão, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Também aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge  Murad.

- Infelizmente colocaram meu nome de maneira indevida, pois naquela reunião do Conselho Deliberativo da Sudam eu participava apenas como ouvinte. Não votei, pois não era titular e nem suplente do Conselho Deliberativo. Estou pagando caro por um erro que não cometi.
Tímido e discreto, Fábio Vaz aceitou pela primeira conceder uma entrevista para falar  da trajetória dele de São Paulo ao Acre, da família, de política, das acusações e das críticas recorrentes pelo fato de ser casado com a presidenciável. Quem é Marina Silva?

- Não é fácil responder em poucas palavras. Marina é a pessoa que todos conhecem. Mulher forte, de caráter, verdadeira em tudo o que faz. Para Marina não há nada morno. Ou é quente ou é frio. Assim também é no aspecto pessoal. Tudo deve ser com a mais profunda verdade. No entanto, na vida familiar existem outras dimensões que me fazem amar Marina ainda mais, a cada dia. São pequenas coisa entre nós que é difícil de explicitar. Existe um comprometimento profundo pelas nossas vidas e dos outros, um carinho e atração sempre renovada, que rega o amor, e um forte compromisso com a palavra de Deus. Gosto do perfume dela, do seu toque, do seu jeito, do seu caráter. Gosto, gosto gosto… Isso é o meu amor por ela.

Veja a entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia:

Você participou três anos como assessor de Jorge Viana na prefeitura de Rio Branco, três anos na gestão dele como governador do Acre, quatro anos no governo de Binho Marques e mais três anos e oito meses no governo de Tião Viana. Ao todo, de forma intercalada, você foi um graduado assessor dos governos do PT durante 13 anos e oito meses. Por que somente agora decidiu se afastar do governo do PT?

Por uma razão bem simples: agora terei de estar perto de minha esposa em função dos acontecimentos políticos nacionais. Se nada disso tivesse acontecido talvez sairia mais adiante. O motivo é de ordem particular, mas com o componente político decorrente da tragédia.

Em 2009, quando Marina se desfiliou do PT e ingressou no PV, você também se desligou do PT, mas não aderiu ao PV. Mais recentemente, por não ter conseguido registro do Rede, ela ingressou provisoriamente no PSB e você continuou sem filiação partidária e foi muito criticado e questionado por petistas por não ter deixado o governo do PT. Como se sentiu sendo hostilizado pelos que se diziam seus companheiros?

É verdade. Foi uma minoria, mas sempre ocorreu esse tipo de questionamentos. Importante que o governador sempre demonstrou respeito pelo meu trabalho e pediu que eu não considerasse esse tipo de abordagem em redes sociais. Alguns chegaram a me pedira desculpas. Na verdade foram jovens que vi crescer no PT e, infelizmente, foram desrespeitosos. Sempre dei mais valor às pessoas que conhecem meu trabalho de muito antes dos novos convertidos no PT. Trabalho com desenvolvimento das comunidades da floresta desde o tempo em que andava na companhia do Chico Mendes. Foi por causa dessa experiência de trabalho que os governos do Acre me convidaram e me mantiveram na equipe.

E lá se vão 16 anos de PT no governo do Acre.

Mesmo com a marina se desfiando do PT, meu entendimento é que, por mais que o partido seja majoritário, os governo no Acre não são apenas do PT. Sao diversos partidos, o que inclui o PSB do vice-governador César Messias. Mesmo não estando filiado ao PSB, entendo que minha contribuição em frentes de trabalho que acompanho há anos poderia ter conta com a minha presença. Agora ficou incompatível, pois terei de estar com minha esposa em tempo integral e não será mais possível exercer o trabalho de forma efetiva. Não tenho a visão que havia incompatibilidade política. A minha historia política e de trabalho sempre foi feita em caminho paralelo, mas independente de minha união com Marina. Minha dedicação ao chamado projeto da Frente Popular do Acre vem desde antes de ganharmos os primeiros governos. Eu me sinto parte de tudo, seja das vitórias e dos desafios que ainda existem.

Você nasceu em Santos e veio para o Acre, em 1983, aos 17 anos. Como veio parar aqui?

Até 1982 eu estudava em escolas agrícolas estaduais em São Paulo. Os meus melhores amigos eram acreanos. Eu sabia tudo a respeito do Acre só de conversar com meus amigos João Othoniel o Bá, entre outros. Eles me incentivaram para ir ao Acre para tentar trabalhar em uma fase de expansão agrícola, no fim do regime militar.  Consegui entrar, ainda com 18 incompletos, na extinta Secretaria de Desenvolvimento Agrário, para cuidar do Nucleo Rural Integrado do Bujari, que agora é município, mas à época era apenas uma vila de Rio Branco.  E assim fiquei e aconteceu tudo na minha vida. Agradeço muito aos meus amigos e ao Acre, pois foi a terra que me abraçou com muito carinho. Tenho uma identificação muito forte com o Acre, que cria até um certo aborrecimento com alguns de meus tios em Santos. Quando me apresento, costumo dizer que sou do Acre. Quando meus tios estão pode perto sou repreendido carinhosamente. Eles fazem questão de dizer que na verdade sou de Santos.  Todos sabem que tenho mais tempo de vida no Acre do que na terra que nasci e onde vivem meus pais.

E quando você conheceu Marina?

Conheci Marina quando entrei na Universidade Federal do Acre. No início, à distancia, pois ela já estava formada e a vi durante uma palestra. Isso foi em 1985. No ano seguinte, quando ela já separada  do primeiro casamento, nos aproximamos durante um festival de música promovido pelo Diretório Central dos Estudantes. Começamos a ficar juntos no dia 5 de abril de 1986, na data do meu aniversario.



Santos é marcante na vida ou no destino de Marina? Você nasceu lá, Marina estava lá quando Chico Mendes foi assassinado em Xapuri, em dezembro de 1988. Na semana passada, Eduardo Campos morreu em acidente aéreo em Santos…

Na vida de todos nós acontecem fatos difíceis de explicar, pois acabam sendo muito marcantes. Alguns podem ver significados nisso tudo, mas vejo apenas como acontecimentos. Marina conheceu Santos por minha causa. Quando ficou muito doente, fomos para a casa dos meus pais, onde vivi minha infância. Numa dessas vezes, em 1988, soubemos da morte de Chico. Era perto do Natal e tínhamos ido para Santos após as eleições, quando ela foi eleita vereadora em Rio Branco. Na verdade, naquele dia estávamos em Ribeirão Pires em uma consulta médica e voltamos para Santos. Agora aconteceu essa tragédia lamentável com Eduardo Campos e muda tudo na vida dela. Mas para mim nada tem de significado especial. Faz parte da vida, de termos boas e tristes lembranças de um lugar, seja ele qual for.

Por ser marido de Marina e por ter atividade política e executiva no governo do Acre, várias vezes você esteve no centro de furacões. Está preparado para lidar com isso novamente?

Este é o ônus de quem tem uma vida pública. Eu estou não só acostumado como tranquilo sobre isso. Quem me conhece e eu sabemos de minha conduta em cada espaço publico que atuei. Infelizmente as pessoas não apenas fiscalizam ou exercem o controle das coisas públicas. Algumas são levianas, sórdidas, e isso revolta um pouco. Mas minha fé e consciência me dão grande tranqüilidade no coração e na alma. Temos que estar preparados para lidar com pessoas que não exercem nenhum tipo de função de controle, mas usam da mentira para atingir alguém, infelizmente. Nos resta acreditar nas instituições, esclarecer, e ficar de cabeça erguida quando temos consciência de nossa postura ética na coisa publica. Revolta um pouco, mas minha fé também ajuda minha alma, dando-me tranquilidade durante as tempestades.

Seu nome consta no processo do “caso Usimar”, que envolve 40 pessoas em suposto desvio de R$ 44,2 milhões da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia para a construção, em São Luís, no Maranhão, de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Além de você, aparecem como envolvidos a governadora Roseana Sarney e o marido dela, Jorge  Murad. Como você foi parar no centro desse escândalo?

Infelizmente colocaram meu nome de maneira indevida, pois naquela reunião do Conselho Deliberativo da Sudam eu participava apenas como ouvinte. Não votei, pois não era titular e nem suplente do Conselho Deliberativo, que, à época, eram o então governador Jorge Viana e o então secretario de Planejamento, Gilberto Siqueira. Eles eram titular e suplente, respectivamente, mas não puderam estar presentes, pois recebiam a visita de uma delegação de uma instituição internacional no Acre. Fui deslocado para a São Luis de maneira inesperada. Viajei uma noite toda, cheguei no final da manhã, mas atrasado para a reunião da Sudam. Por ter assinado a lista de presença, acredito que meu nome foi colocado na ata, e depois não ocorreu atenção de retificar. Assim, se me lembro, o processo tem duas partes: uma é da investigação principal, de desvio de dinheiro; a outra é de improbidade administrativa dos membros do conselho da Sudam, que votaram no projeto. Como fui incluído na lista de presentes, na ata, acabei sendo envolvido.

Por que chegou atrasado?

A reunião foi rápida, cheguei atrasado e nem era conselheiro, apenas ouvinte. Mas esta lá e poderá ser usado por pessoas com má intenção. Mas, acredito, quando as investigações avançarem, poderei mostrar não ter participado efetivamente da votação. Viajei de Rio Branco para São Luís com a roupa do corpo. Cheguei atrasado porque pois tive primeiro que comprar roupa e um paletó para participar. O fato de assinar talvez lista de presença me levou a ser incluído na ata da reunião, mas eu não tinha nem delegação oficial, pois não era titular e nem suplente. Estou pagando caro por um erro que não cometi. Outras pessoas foram incluídas apenas por assinarem presença. Uma delas é a Flora Valadares Coelho, que na época era dirigente do Banco da Amazônia, atualmente secretária de Fazenda e Administração do governo Tiao Viana. É uma pessoa séria, da mais alta credibilidade, funcionária de carreira do Banco Central, em quem acredito muito, mas infelizmente também foi citada. São percalços de quem está na administração publica. Mas é importante destacar que muitos reclamam de investigações, mas eu acho melhor sofrer injustiça inicialmente a não ter instituições de investigações fortes no País. Eu acredito em Ministério Publico, Polícia Federal, n Tribunal de Contas da União e na Advocacia Geral da União. Todas são importantes para o equilíbrio, precaução e controle da coisa publica.

Em maio de 2001, o então relator do projeto do Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo chamou você de “fraudador de contrabando de madeira”.

Esse episódio é muito triste, pois foi uma acusação, uma desonestidade intelectual de uma pessoa com uma historia em defesa da democracia. A democracia não se faz com mentiras e atos torpes como ele fez. Ele me usou, que sou desconhecido, para atacar Marina. Na época falei que não ia agir com o fígado e assim fiz. Junto com marina, pedimos investigação por parte do Ministério Público Federal para verificar a veracidade da denúncia do deputado. Depois de meses, recebi a posição do MPF de que nada foi constatado (veja) capaz de haver ligação de meu nome com a acusação feito por Aldo Rebelo. O caso usado por um inimigo de Marina é bastante ilustrativo de como alguns setores manipulam informação. A Marina, quando era ministra do Meio Ambiente, fez um trabalho de arranjo administrativo, com orientação do MPF, no Pará, envolvendo outras instituições para doar madeira apreendida para trabalhos sociais em região onde trabalhadores foram assassinados por jagunços, como foi o caso do Deda, na Transamazonica. Tudo feito da maneira mais correta, com a participação de várias instituições, às claras. E aí falam que eu era traficante de madeira. Isso machuca, mas, graças a Deus, tudo já foi muito bem esclarecido. Quem ainda usa essa leviandade o faz por motivos muitos desonestos e espúrios.

Parece que você e Marina sempre sempre se esforçaram para blindar os filhos e outros familiares dos embates políticos. Conseguiram isso em 2010. Será possível repetir o feito neste 2014?

Não é uma blindagem. É a maneira que encontramos de termos todos envolvidos, cada um à sua maneira, na vida política minha e de especialmente de Marina. Shalon, a mais velha, é psicóloga e concursada em empresas de pesquisa nacional. Danilo, o segundo, trabalha por conta própria com marketing e comunicação e se especializou em construção de programas, tem uma carreira na área privada e é empreendedor individual. Eles são filhos do primeiro casamento de Marina e vivo com eles desde pequenos. Eu me sinto o segundo pai e falo que eles têm muita sorte, pois podem contar com dois pais quando muitos não tem nenhum. Moara, a primeira filha de Marina comigo, é formada em direito, já tem OAB, e está no início da carreira. Mayara está terminando comunicação no interior de São Paulo e já estagia em rede de TV.  Todos eles têem suas maneiras de engajamento, mas diria que, como eu, Danilo é o mais discreto e as meninas, como a mãe, quando podem, gostam de participar de maneira mais forte. Mas todos têm uma característica comum: querem conquistas em suas carreiras por méritos próprios e não querem vínculo com o meu ou com o trabalho da mãe.

Pra finalizar: quem é Marina Silva?

Não é fácil responder em poucas palavras. Marina é a pessoa que todos conhecem. Mulher forte, de caráter, verdadeira em tudo o que faz. Para Marina não há nada morno. Ou é quente ou é frio. Assim também é no aspecto pessoal. Tudo deve ser com a mais profunda verdade. No entanto, na vida familiar existem outras dimensões que me fazem amar Marina ainda mais, a cada dia. São pequenas coisa entre nós que é difícil de explicitar. Existe um comprometimento profundo pelas nossas vidas e dos outros, um carinho e atração sempre renovada, que rega o amor, e um forte compromisso com a palavra de Deus. Gosto do perfume dela, do seu toque, do seu jeito, do seu caráter. Gosto, gosto, gosto… Isso é o meu amor por ela.

Um comentário:

ARI OSVALDO MATOS DA SILVA disse...

foi em santos que ela aceitou o convite pra se candidata a senadora pelo acre do pt, na época pelos chamados meninos do pt.