terça-feira, 13 de maio de 2014

Gessé faz campanha para vencer Prêmio Puskas: 'Eu fiz o gol mais bonito do mundo'


O atacante Gessé, 27 anos, estava no banco de reservas, no dia 20 de abril, no estádio Florestão, em Rio Branco, quando foi acionado no segundo tempo pelo técnico do Atlético Acreano na  partida contra o Andirá.

Em campo, improvisado como lateral, ao rebater a bola de primeira, com a intenção de afastar "lançamento perigoso" do goleiro do Andirá, Gessé, de antes do meio-campo, no final do jogo, fez um gol por cobertura considerado uma obra-prima que Pelé fracassou ao tentar duas vezes.

O Atlético Acreano venceu o Andirá por 4 a 1, Gessé admitiu que sua intenção foi “rebater para tirar o perigo para longe”, mas a vida dele mudou após o golaço casual.

O jogador acreano quer disputar o Prêmio Puskas 2014, organizado pela Fifa, com o gol que está sendo considerado por muitos como o mais bonito do ano.

Os finalistas do Puskas ainda não foram escolhidos, mas existe uma forte campanha para que Gessé entre na lista final, que é o primeiro passo para ganhar o prêmio.

Gessé trabalha como frentista, em Rio Branco, ganha R$ 1,5 mil no Atlético Acreano e planeja fazer um curso de inglês em breve para saber falar quando participar da solenidade de premiação da Fifa, “diante daquelas pessoas tão importantes no cenário do futebol mundial”. O atacante, que não possui computador e não tem acesso à internet, é muito fluente ao falar da carreira.

- Não tenho acesso. Continuo com minha rotina de trabalho como frentista. À tarde, treino. Ainda não tive oportunidade de acessar essa tecnologia, mas, quem sabe, em breve, com a melhora financeira, eu possa ter acesso a algo mais tecnológico.

Veja a entrevista com 'Gessé no Puskas':

O que aconteceu naquela partida do Atlético Acreano contra o Andirá, no Florestão?

Aconteceu algo indescritível, aquele momento em que a bola sobrou para mim, quando o goleiro tentou fazer um lançamento para o atacante adversário. Eu tive a felicidade e a honra de ter feito uma obra de arte que está correndo o mundo, sendo vista por muitas pessoas e reconhecida por gente por quem tenho a maior admiração: Ronaldo, Pelé, Carlos Alberto Torres, Murici Ramalho, entre outros. Tentei afastar o perigo para longe do nosso gol, a bola foi na direção do gol adversário e encobriu o goleiro. O melhor de tudo isso é o carinho que tenho recebido das pessoas. Desde o dia 20 de abril o Gessé não é mais Gessé. Agora sou Gessé no Puskas. As pessoas agora me chamam pela hashtag #GesséNoPuskas. Agora esse é meu nome e sobrenome, a minha identificação. É muito legal o carinho das pessoas, das crianças até as pessoas mais idosas.

Onde você trabalha?

Trabalho como frentista num posto de gasolina. Tenho prazer de trabalhar com vários companheiros lá, pessoas excepcionais que me receberam há pouco tempo como alguém da família. Tenho prazer, por exemplo, de trabalhar com o haitiano Altilus Luckener, um dos poucos imigrantes que ficaram no Acre. Ele é um cara que tem a veia de batalhador, de buscar aquilo que sonha, longe da família, tendo atravessado e ainda atravessando tantas dificuldades. É um cara que nos traz muito exemplo durante o trabalho. O Acre suportou até onde deu, abrigando os haitianos, mostrando a sua solidariedade. Ficou o Altilus e ele vai representar bem a sua nação no Acre.

Você nasceu em Rio Branco?

Não. Sou natural do município de Senador Guiomard, que também é conhecido como Quinari, que fica a 24 quilômetros de Rio Branco. Acima de tudo, hoje, estou representando o meu Estado. Eu sou Gessé do Acre e fiz o gol mais bontio do mundo. Tenho a maior responsabilidade do mundo na atualidade. Tenho tentado ser a pessoa mais coerente e transparente possível.


Você acha que aquele gol pode mudar a sua vida?

Já mudou, não é cara? Tem mudado a cada dia. Espero que mude muito mais.

O que mudou?

O reconhecimento das pessoas. As portas estão se abrindo. Inúmeras oportunidades estão surgindo e eu quero trabalhar isso cada dia mais. Eu sempre procurei uma melhora na qualidade de vida. O futebol me deu essa oportunidade. Quem sabe possa aparecer um clube para contratar o meu futebol. Se isso acontecer, vou ficar muito feliz e satisfeito. Sou casado há quatro anos, tenho uma filha de três anos. A minha mãe é só orgulho. Onde ela passa é reconhecida como a mãe do Gessé. A minha esposa também. No trabalho e na rua tem sido assim com todos da minha família. Até com os irmãos do meu pai. Pessoas de outros estados telefonam para mim. Tem sido muito bacana, nesse momento, o reconhecimento que tenho recebido e vivido.

Existem campanhas nas redes sociais para que seja o vencedor do Prêmio Puskas, mas você não tem acesso à internet?

Não tenho acesso. Continuo com minha rotina de trabalho como frentista. À tarde, treino. Ainda não tive oportunidade de acessar essa tecnologia, mas, quem sabe, em breve, com a melhora financeira, eu possa ter acesso a algo mais tecnológico.

Confiante que vai ganhar o Puskas?

Estou muito confiante, sim. Estou me preparando. No próximo mês vou entrar num curso de inglês rápido. Quando eu chegar na solenidade de premião da Fifa quero saber me expressar em inglês diante daquelas pessoas tão importantes no cenário do futebol mundial.

Acho impossível que você um dia possa repetir aquele golaço.

Não duvide do meu futebol.

Um comentário:

Kleison Albuquerque disse...

Parabéns pela confiança.