quarta-feira, 21 de julho de 2010

A CULPA É DO PÉ DE FUMO

Juarez Nogueira

Nunca antes na História desse país se viu tanto comunista e tanto socialista defender tanto interesse de pecuarista. Não, não há de se estranhar que PT, PC do B e ruralistas do DEM ou de qualquer outro credo se enlacem na farra do boi. Ou da vaca, que além da capa de costela dá maminha. Qualquer ideologia partidária não vale rasa plantinha do chão. Vale sim muitos hectares, um Acre inteiro.

O Bruxo do Cosme Velho é que tem razão e direito: “a principal vantagem dos estudos da língua é que com eles não perdemos a pele, nem a paciência, nem, finalmente, as ilusões, como acontece aos que se empenham na política, essa fatal Dalila (deixem-me ser banal), a cujos pés Sansão perdeu o cabelo.”

Não, aqui não quero ofender Dalila comparando-a com a senadora Kátia Abreu. Só faço confirmar que o estudo da língua é mesmo muito importante, senão vejamos que pérola de ecologia essa dona oferece: “Quem dera fôssemos capazes de produzir comida sem ter que desmatar uma área, sem ter que arrancar do chão nenhuma espécie de plantinha.” Plantinha...

E ainda: “Aldo é um símbolo porque não é da direita e não é fazendeiro, portanto as pessoas puderam enxergar honestidade, bom senso e isenção na matéria.”

Muitas dessas pessoas aí estão se dobrando de tanto rir dessa declaração, mas aqui, de novo insisto na importância dos estudos da língua: o humor nesse país já foi coisa mais séria, minha gente. Agora virou esculhambação.

Aldo Rebelo é aquele símbolo de deputado mais conhecido pela paternidade de um projeto xenófobo que proíbe o uso de estrangeirismos no Brasil. O que ele fez agora foi oficializar a xenofobia dos ruralistas com as plantinhas. Xenofobia com as plantinhas RÁ-RÁ-RÁ...

Bom senso e isenção de matéria é isso RÁ-RÁ-RÁ... e é nisso que dá quando se junta tanto símbolo de bom senso e isenção de matéria: a culpa é do pé de fumo.

Ainda com a importância dos estudos da língua: a política é menos, muito menos, questão de opinião. Deveria ser questão de ética, valores, bem comum – enfim, essas coisas que não valem uma plantinha, tudo muito simbólico. Deveria ser questão de princípios, mas princípios são muito menos ainda questão de opinião. A diferença é que opinião qualquer um tem.

Para encerrar, com o velho Machado (de Assis, e não o primo pobre da motosserra): isto de política pode ser comparado à paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: não falta nem o discípulo que nega nem o discípulo que vende.

Não, não estou comparando petista, socialista e ruralista a discípulo que nega e que (se) vende, até porque a questão aqui não é de opinião, nem de princípios e muito menos ainda tem a ver com o estudo da língua. A questão é que a culpa é do pé de fumo RÁ-RÁ-RÁ...

Juarez Nogueira é professor e escritor mineiro em Divinópolis (MG), autor do "Manual de Sobrevivência na Redação" e "O Menino Alquimista".

10 comentários:

REDE Os Verdes disse...

Olá Altino!!
Muito Bom o artigo, vamos postar aqui nos pagos do Sul.
Ainda acho que a melhor arma contra estes 'aloprados governamentais' é a ironia, o sarcasmo e a ironia de novo, não dá para dar trégua....
Julio Wandam
Os Verdes de Tapes/RS

fatima almeida disse...

A Kátia Abreu está em ascensão e até poderia usar a estrela do PT como signo, por que não? Pode vir a ser a próxima candidata á presidencia..E ela já está em campanha, veio fortalecer os pecuaristas do Acre com o desembaraço e a tranquilidade que a Dilma Roussef não têm. A bancada ruralista sempre mandou neste país.A classe média só pensa em consumir e os pobres adoram doação. o povão lá sabe o que é desenvolvimento sustentável, o povão quer é comer churrasco.Claro que a Kátia Abreu sabe disso, seus parâmetros são os do mercado de consumo e de exportação.Está segura, convicta, montada na realidade. Ele sabe que é tudo virtual, essa coisa de florestania.Os caminhões abarratados com assombrosos troncos de árvores transitam diariamente, às dezenas, pelas rodovias locais. Não há uma câmera sequer mostrando. Tapete vermelho prá ela,afinal a estrela está de fato, é com ela...

Thiago Silva disse...

Marina na cabeça!

Marcel Marques disse...

É Thiago Silva, Marina na cabeça, Bob Marley no som e Tchê Guevara na pele certo? Poupe-me.

Sempre tive algo comigo, pomba não voa com urubu, os acreanos tem que acordar e parar de endeusar Marina Silva (segunda vez que afirmo isto em menos de 36 horas).

Quando ao texto do professor, foi perfeito, e a análise de Fátima Almeida, sóbria e coerente, como a verdade com a qual a mesma nos ilumina no Acre.

Thiago Silva disse...

Ei Marcel Marques, perdoe a minha opinião. Não sabia que temos que concordar com a sua. Aproveite e fale seus eleitos, porque tenho que votar neles, não é? Para ser tão inteligente e esperto quanto vc...

Assim nós te poupamos e o mundo fica melhor, não é?

Só explica para um leigo como eu, o que o Tchê poderia fazer na sua pele?? Acho que essa eu vou ter que criar coragem para ser seu seguidor..


paz no seu coração.

Thiago.

Marcel Marques disse...

Thiago, você entende que quando digo Tchê refiro-me ao Tchê Guevara, herói cubano e líder de uma revolução naquele país, que hoje é adorado como um Deus certo?

Tirando isso, adorei seu comentário, para quem utiliza 'paz no seu coração' ao final, seu texto foi escrito como o de um verdadeiro monge budista.

Yin e Yang diz que o melhor caminho é o do meio, para mim, adoração é seguida de fanatismo, e não acho saudável para nenhuma democracia pessoas extremistas.

Quanto aos meus votos, bem, eles são secretos.

No mais, perdoe-me sinceramente, em nenhum momento quis me sobressair em cima de você, citei seu nome porque seu comentário mostra algo, que vejo cada vez mais presente entre acreanos, e que acho um pouco exagerado, é claro que não sou dono da razão, só quis mostrar uma perspectiva diferente, agora vejo que fui muito ácido.

Recentemente fiz uma pequena viagem a Sena Madureira, na volta me surpreendi com a quantidade de toras de madeira que são escoadas por aquela estrada, o que acho estranho, já que vivemos na terra da florestania, de Chico Mendes e de Marina Silva.

Thiago Silva disse...

Caro Marcel,

Desculpe a falta de modéstia, mas acho provocativo perguntar se eu tenho conhecimento de quem foi o sr. Guevara. Sem comentários.

Sobre o rogativo de paz em seu coração, explico que fora para amenizar o desconforto da provocação. E reafirmo que foi extremamente sincero, e não sarcástico.

Só fica uma dúvida, seu julgamento enfático sobre o que é florestania ou da exploração madeireira tem base onde? Qual sua formação? Pois parece uma declaração de um leigo, apesar da convicção que demonstra.

Sobre política (assunto que não sou especialista, apenas eleitor), reafirmo meu voto à Marina pela causa que ela batalha, seja qual for o partido que ela esteja.

Não estou disposto a um desgaste nessa conversa enfarpada. Muito menos, em um ambiente público. Se quiser continuar, mande um e-mail: thcaapi@gmail.com

"Partido é uma parte, nunca um todo."
"O mal de quem não gosta de política é ser governado por aqueles que gostam."

Juarez Nogueira disse...

Meninos, sem perder “a pele, nem a paciência, nem, finalmente, as ilusões, como acontece aos que se empenham na política”. Nem a ternura. Um abraço a todos!
Fátima, um beijo em especial. Saudades!

Juarez Nogueira disse...

Meninos, sem perder “a pele, nem a paciência, nem, finalmente, as ilusões, como acontece aos que se empenham na política”. Nem a ternura. Um abraço a todos!
Fátima, um beijo em especial. Saudades!

Marcel Marques disse...

Verdade Thiago, nosso pequeno debate até retirou de foco o belo texto que foi escrito pelo professor.

Não tenho intenção nenhuma de discutir isso a fundo, muito menos de criar uma inimizade, prefiro pensar como Cazuza, que dizia que veio ao mundo nem mesmo para somar, mas multiplicar, abraços.