terça-feira, 27 de março de 2007

NO DIA DO CRIME

Roberto Vaz

Começo da noite de 22 de dezembro de 1988. Lembro como se fosse hoje. Estávamos eu, o governador Flaviano Melo e o jornalista Sílvio Martinello tomando alguns drinques e comendo um saboroso pato no tucupi na mansão do jornalista. Comemorávamos o aniversário do Sílvio, quando o ajudante de ordens do governador interrompeu a nossa festa com o argumento de que tinha algo importante para falar.

Flaviano Melo não gostou de ser interrompido, mas o capitão insistiu e o governador mandou que falasse ali mesmo. Ele se abaixou e falou ao ouvido do governador.

Flaviano franziu a testa e reproduziu o que ouviu do seu ajudante de ordens: o sindicalista Chico Mendes havia sido assassinado em Xapuri.

- Porra! Esse cara acha de morrer logo hoje - protestou o governador, que não tinha noção do estrago que o assassinato causaria na história de sua gestão.

- Flaviano, isso vai dar um problema. Se eu fosse você iria cuidar deste caso pessoalmente - sugeriu Martinello.

O governador preferiu continuar tomando uísque e comendo as guloseimas servidas pelo anfitrião. Mandou que o seu ordenança procurasse o secretário de Segurança Pública para tomar as providências.

Martinello, que até então mantinha alguma ligação com os movimentos sociais, perdeu a alegria. Por baixo da mesa, cutucou-me com o pé, o que entendi como um pedido para me ausentar do local. E eu saí, deixando os dois a na sala.

Quando retornei, depois de quase meia hora, o governador se levantou e saiu. No mesmo momento Sílvio Martinello me convidou para voltarmos ao jornal A Gazeta, do qual éramos sócios do governador. Naquela noite mudamos a edição do dia seguinte.

E foi no dia 23 de dezembro de 1988 que A Gazeta bateu seu recorde de venda. Foram mais de oito mil exemplares vendidos. Fazia fila na frente do jornal e tivemos que manter uma equipe em hora-extra para atender aos leitores.

Certamente estes fatos não serão mostrados na minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", mas que fique registrado aqui para a história.

O jornalista Roberto Vaz ainda é sócio do jornalista Silvio Martinello e do deputado Flaviano Melo na Rádio Gazeta FM93, além de diretor do portal AC 24 Horas.

12 comentários:

Anônimo disse...

Altino,
Não sei que importância tem para a minissérie "Amazônia de Galvez a Chico Mendes" ou mesmo para a história do Acre, esse fato narrado pelo Vaz, uma vez que somente demonstrou o pouco caso do então governador Flaviano Melo em relação ao assacinato do líder Sindical Chico Mendes.
Um sujeito que investido de cargo majoritário no Estado, em épocas festivas como Carnaval e Revellon se mandava com sua patota para a cidade maravilhosa... Sua reação diante da trágica notícia trazida por seu Chefe de Gabinete, teve menos importância do que a bebida e os canapés que estava degustando com seus amigos-sócios.
E pensar que essas figuras ainda querem brilhar no senário Acreano...
Tenham dó, me poupem!!!

Editor do blog disse...

Anônimo, estás a me sugerir que remova o post assinado pelo Roberto Vaz?

Anônimo disse...

Boa noite Altino,
Que vergonha tomar conhecimento de como o então governador Flaviano Melo reagiu ao receber a notícia do assacinato do Sindicalista Chico Mendes...É que os assacinos não atinaram que iriam estragar a bebedeira do governador. Mas eu nem deveria fazer malassombro da reação do chefe, pois todos sabiam que Flaviano Melo tinha coisas mais importantes pra cuidar do que se preocupar com a morte de um seringueiro conhecido, reconhecido, respeitado, prestigiado e condecorado nacional e internacionalmente.
É uma pena que o assacinato de Chico ainda serviu para aumentar a venda do periódico de Flaviano Melo.

Anônimo disse...

Amigo Altino,
De forma nenhuma, meu comentário de indignação foi feito em relação ao pouco caso que o governador fez ao receber a notícia do assacinato de Chico Mendes. Deixa o texto aqui, pra que seus leitores saibam como as coisas aqui eram tratatas pelos governantes da época.
Abraços.

Anônimo disse...

Que pena!Pois é ... e ainda hoje a morte do sindicalista continua vendendo e dando IBOPE. No passado a gazeta faturou e no presente tem mais gente faturando. Que Flaviano era um governador sem compromissos com as causas da Floresta e dos florestanos todos sabemos. Agora que os "companheiros" do sindicalista assassinado no dia 22 de dezembro o abandonaram à sorte, poucos sabem. inclusive( o pedófilo que se encontra atrás das grades) o chamavam de pelego, e por isso talvez não foram fazer vigília na noite do fatídico dia que marcou de sangue mais uma página da história do Acre. Todos devem se penitenciar como fez D. Moacir logo após sua morte. Deixem o sindicalista descasar!

Anônimo disse...

As víceras abertas da Floresta. Altino você possibilita o raio x da história dessa terra de Galvez a PT. Rogério

Anônimo disse...

Assassinato - assacinato. Acho que nas mensagens acima mataram alguma coisa além do Chico...

Anônimo disse...

Pensando bem! Muitas informações "históricas" vão aparecer pós minissérie,alguns por terem testemunhado fatos se acharão, no sentido do "tá se achando".Depois, quem conta um conto aumenta um ponto. Além da imaginação, tem também a má intenção.Tem muito historiento por aqui querendo "se aparecer".

Anônimo disse...

Por aqui, todo dia é dia do crime,lendo num site local vi que estava sobrando mortes. O número de dias ficou pouco para as muitas mortes provocadas por violência,segundo o site são 98 mortes no período de 82 dias.Se for verdade é um caso patológico social sério, somos uma população excluída do mínimo bem social.Uma sociedade barbárica.

Anônimo disse...

Altino,
além do assassinato do Chico, alguns de seus leitores assassinaram o vernáculo ao escreverem: "senário" o certo é cenário e "assacinato".

Anônimo disse...

VAZ, ONDE ACHAS QUE VAIS?

Anônimo disse...

O "assacinato" terminou roubando a cena do assassinato, o cenário também perdeu para o "senário".A turma fugiu da escola e foi direto para os orgãos de comunicação e Assembléias de Deus e dos deputados.