segunda-feira, 26 de março de 2007

CONTRA A PROSPECÇÃO

Manifesto da diocese de Cruzeiro do Sul critica duramente o projeto de prospecção de petróleo e gás

A Campanha da Fraternidade deste ano de 2007 nos convida a refletir sobre Fraternidade e Amazônia. Refletir e assumirmos uma nova mentalidade e atitude. Num contexto de profundas transformações climáticas, resultantes do aquecimento global, a Amazônia e os que aqui vivem se fazem fraternidade, pedem solidariedade e reciprocidade nas relações.

Ao falar em Amazônia, vem imediatamente à memória a grave questão ambiental: devastação das florestas, ameaça à riquíssima biodiversidade, terra ocupada de forma desordenada e predatória. O egoísmo e a ganância na exploração das riquezas ameaçam seriamente esse patrimônio natural.

No entanto a Amazônia também faz pensar em situações humanas e questões sociais preocupantes: indígenas expulsos de suas terras e agredidos em sua cultura, crescimento caótico dos grandes centros urbanos, conflitos pela posse da terra, iniciativas econômicas inadequadas ao ambiente. O impacto da globalização econômico e cultural sobre as populações originárias e tradicionais gera migrações e desenraizamento social, cultural e religioso. Na Amazônia está acontecendo a perda irreparável de inestimáveis riquezas humanas e culturais.

Nos últimos dias a imprensa tem vinculado informações sobre um projeto, apresentado pelo Senador Tião Viana (PT- AC), para prospecção de petróleo e gás em solo acreano, notadamente no Parque Nacional da Serra do Divisor e em áreas indígenas.

Neste contexto, a Diocese de Cruzeiro do Sul, no seu exercício de pastoreio, vem externar sua profunda insatisfação frente ao projeto de prospecção de petróleo e gás. Sentimo-nos ainda mais impulsionados a esse posicionamento contrário sabendo que a prospecção incide diretamente em áreas de grande concentração biológica e cultural.

Experiências em outras regiões nos dão a dimensão dos danos que esse tipo de exploração e geração de energia provocam ao meio ambiente e as alterações no modo de vida da população local sem, no entanto, melhorar a vida e sem solucionar os problemas derivados da má distribuição de lucros.

Somos convidados à conversão, a mudarmos de mentalidade e atitude. Superar o consumismo desenfreado, zelar pelo ambiente em que vivemos respeitar as diferenças culturais, humanizar nossas relações econômicas e sociais são formas de construirmos a fraternidade. A idéia de desenvolvimento e progresso começa com uma esperança e termina com grande ansiedade.

Propomos a adoção de uma economia solidária que se baseie em relações mais fraternas e na reciprocidade, onde o desenvolvimento se dê de forma sustentada e em profundo respeito ao meio ambiente e às pessoas. Defender a vida em todas as suas formas é missão central do cristão e é o que nos convida a praticar a Campanha da Fraternidade: Vida e Missão neste chão.

Cruzeiro do Sul, 26 de março de 2007

6 comentários:

Anônimo disse...

Pra falar a verdade...

A diocese de Cruzeiro do Sul é a única que não deveria intervir nesse processo. Hoje a diocese de Cruzeiro do Sul se resume a Ir. Adila e mais nada. Os demais viraram políticos.

Lindomar Padilha disse...

Caro Altino,

A Diocese de Cruzeiro do Sul, por meio de seu bispo e em profunda sintonia com as pastorais e com o nosso tempo, se posicionaou sobre um assunto tão importante por ser missão da igreja (seja ela de qual denominação for) cuidar para que o seu rebanho tenha vida em plenitude. A vida em plenitude implica em se preocupar com a qualidade do meio em que o ser humano vive. Não existe o humano fora da natureza. Creio que a Diocese agiu corretamente no sentido de dar aos crentes católicos pistas para que vivam melhor.
De fato a irmã Adila é uma peça importante mas deve ser vista dentro de um conjunto de transformações que têm ocorrido no Vale do Juruá e a estrutura de uma diocese é muito mais complexa e exige mais que simples boa vontade.
Quando a Igreja toma o lado dos poderosos ninguém a critica. Qundo toma o lado dos empobrecidos e excluídos, dizem os desinformados e defensores de um sistema injusto que não respeita o outro, é politica.
Aproveito para parabenizar a Diocese, o bispo D. Mosé, pela coragem de vir a público e sair em defesa dos seus fieis menos afortunados.

Bom trabalho.

Lindomar Padilha

Lindomar Padilha disse...

Caro Altino,

Normalmente não comentaria posicionamentos de anônimos, mas é que me veio mais uma informação que acho que vai interessar ao nobre anônimo, adepto da esperitualidade absoluta, dos anjos, já que não vive na terra pois não é um ser político.
Para desgosto do anônimo a irmã Adila foi uma das principais incentivadoras para que a nota fosse feita. Ela participou das reuniões que resultaram na confecção desta nota. Logo, ela é co-autora do texto e assina em baixo.

Bom trabalho.

Lindomar Padilha

Anônimo disse...

Ah sim...

Logo vi que tinha "dedo" de alguem que ainda mantém a causa.

Eu tinha estranhado mesmo que os demais tivessem tido esse trabalho e essa idéia. Mas agora tá explicado.

Obrigado.

Lindomar Padilha disse...

Caro Altino,

Só tenho a lamentar que pessoas como o "anônimo" precisem se esconder e acovardar já que lutamos muito para superar a censura e promover uma democracia mais próxima da sonhada.
Se ele (a) realmente tivesse interesse no bem coletivo e coerência com aquilo que diz defender, se apresentaria de forma franca para o debate, sem a necessidade de se esconder. Mas vamos lá. O debate é para quem faz e assume que faz por convicção e responsabilidade.

Bom trabalho.

Lindomar Padilha

Anônimo disse...

Caro Sr.

A vantagem de um meio de comunicação como esse, é que podemos falar o que pensamos [desde que com seriedade].

Ser anônimo não influencia no teor da mensagem, pelo contrário, a torna mais honesta; porque é o que pensamos realmente.

Faço parte da comunidade católica e até arrisco em dizer que sou praticante, por isso resolvi escrever justo nesse tópico. Bem antes do Sr. chegar em Cruzeiro do Sul eu já fazia parte dessa comunidade católica. Sou dessas que chega a vender comida para a Igreja no novenário por uma boa causa. Não tive o sucesso que os demais tiveram, mas sigo com meus ideais.