quinta-feira, 25 de maio de 2006

MEMÓRIA ACREANA NO LIXO

A reportagem do Notícias da Hora acertou ao registrar que o Exército destruiu 1.450 armas obtidas pela Campanha de Desarmamento, sendo 30 delas de valor histórico, pois foram usadas em combates de seringueiros brasileiros com os militares bolivianos durante a Revolução Acreana.

O Departamento Histórico e Cultural do Estado admite ter constatado no ano passado a existência das armas, mas esqueceu de pedir a cessão das mesmas ao Ministério da Justiça.

Que ninguém conte o mico ao Diogo Mainardi, que está sendo alvo de ações na justiça por ter dito que o Acre não vale um pangaré.

Da próxima vez, Mainardi poderá argumentar que não valemos um pangaré estropiado porque não temos memória sequer para redigir um ofício em defesa de nossa gloriosa história.

3 comentários:

sergio du areal disse...

Como disse o grande filósofo Fócrates :
È soda !!!

Leudes disse...

No início da Campanha do Desarmamento, o Departamento de Patrimônio Histórico, diante da possibilidade de que armas históricas estariam entre o arsenal que seria recolhido pelo Ministério da Justiça, entrou em contato com a Policia Federal do Estado do Acre para garantir a preservação das referidas armas. A resposta da PF do Acre é que o Patrimônio teria que contactar a PF de Brasília na tentativa de apurar as informações necessárias e propor que as possíveis armas pudessem ser doadas para compor o acervo histórico do Departamento.
Do contato com a PF de Brasília o resultado é que não haveria a possibilidade de que as armas fossem doadas, porque segundo normas jurídicas, a partir do momento que as peças são recolhidas só podem ser entregues ao Exército Brasileiro. É interessante informar que a situação se repetiu em vários estados brasileiros.
A respeito do comentário que o blogueiro Altino Machado na nota intitulada Memória Acreana no Lixo antes de publicá-la tivesse procurado o Departamento de Patrimônio Histórico para esclarecer como aconteceu todo o processo, principalmente porque o jornalista traz uma bagagem profissional em apurar fatos para construir a notícia com veracidade.

Altino Machado disse...

Leudes, desnecessário dizer de minha admiração e respeito por seu trabalho. O meu comentário se baseou no que foi relatado pelo site Notícias da Hora, que reproduziu basicamente a mesma explicação que você faz agora. Uma coisa você não pode negar: a memória da história acreana está mais pobre desde ontem, quando um trator retorceu armas que foram usadas pelos bravos conquistadores do Acre. Você, eu ou qualquer outro cidadão acreano poderíamos ter chamado a atenção da opinião pública para impedir que o Exército destruisse o patrimônio. Não temos que tentar tapar o sol com uma peneira. Ficamos preocupado com os geoglifos e esquecemos de proteger as armas histórica, não é? Lamentavelmente, neste caso, a memória acreana virou realmente ferro velho. Lixo.