A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) anunciou que o abastecimento de aviões está comprometido no Aeroporto Internacional Plácido de Castro, de Rio Branco (AC), devido à falta de acesso fluvial para as empresas fornecedoras do querosene de aviação (QAV).
Nesta quarta-feira, a TAM alterou o horário de um voo e a quantidade de poltronas que à disposição dos passageiros por falta de combustível no no aeroporto. O voo JJ 3534 (Brasília – Rio Branco), cuja decolagem era prevista para as 11h32, teve que realizar uma escala para abastecimento em Porto Velho (RO).
O governador do Acre, Tião Viana (PT), reagiu nesta manhã duramente no Twitter contra a empresa aérea.
- É uma vergonha que uma empresa como a TAM se preste a mentir e emita nota dizendo não haver combustível no Aeroporto de RB.
Reportando-se à superintendência da Infraero, Viana disse que no momento há 80 mil litros de querosene, sem restrição para a BR Distribuidora atender à Shell, que abstece os aviões da TAM.
- Há sim uma omissão da Shell em não procurar resolver suas demandas neste momento difícil da região. Já comuniquei, inclusive, à ANP. Vamos à verdade… Pois, ontem, houve, sim, algumas horas, em que o estoque BR era de 14000 litros no Aeroporto… – acrescentou o governador.
A TAM havia havia explicado que o motivo da alteração do voo foi a “impossibilidade de abastecimento da aeronave em Rio Branco, visto que as chuvas que atingem a região bloquearam as vias que dão acesso ao aeroporto, impedindo a chegada do combustível ao local. A previsão de pouso na capital do Acre é às 13h53”.
- Tendo em vista a manutenção das operações regulares, as companhias aéreas estão abastecendo suas aeronaves na cidade de origem dos voos com capacidade de combustível suficiente para atender a uma ou mais etapas previstas na viagem, como pode ser o caso se a próxima etapa for Porto Velho (RO) , que também apresenta problemas de abastecimento do QAV, e as etapas subsequentes – afirma a nota da Abear.
Segundo a entidade, a medida impacta na capacidade de transporte de passageiros, já que a aeronave deve respeitar o peso máximo de decolagem permitido.
- A restrição de passageiros acontece para garantir a segurança das operações – reforçou Ronaldo Jenkins, diretor de operações e segurança de voo da Abear.
Por causa da cheia do Rio Madeira, mais de 10,5 mil pessoas deixaram suas casas em Rondônia. A BR-364 teve que ser fechada para ônibus e automóveis porque alguns trechos estão inundados. Apenas caminhões podem trafegar durante o dia na rodovia federal, que é a na única via de acesso terrestre do Acre ao restante do país.
O Acre enfrenta problemas de abastecimento de insumos para construção civil, alimentos perecíveis, combustível e gás de cozinha. Aviões da Força Aérea Brasileira estão sendo usados para transportar alimentos de Porto Velho (RO) para Rio Branco.
A Abear disse lamentar os transtornos e esclareceu que os clientes que não puderem embarcar receberão toda a assistência necessária e serão isentos da cobrança de taxa de remarcação, reembolso e diferenças de tarifa, pelo prazo de 15 dias.
Comentário do Janu Schwab
- Um
Airbus A320, aeronave que a Tam utiliza no trecho Brasília-Rio Branco
tem capacidade para 24 mil litros de combustível e, segundo consta, a
média de consumo é 2.700 litros/hora de voo. Ou seja, se até ontem o
aeroporto só tinha 14 mil litros e hoje tem 80 mil, a preocupação da Tam
é pontual, afinal, ela tem que arcar com os custos e punições de
atraso, respondendo a Anac, Procon e ao seu público, certo? O governo
estadual não tem culpa. O desabastecimento está acontecendo por motivos
de força suprema, maior e além. Então, porque essa resposta cheia de
zanga?
quinta-feira, 13 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Falta de querosene em Rio Branco impacta na capacidade de transporte de passageiros
A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) divulgou nota anunciando que o abastecimento de aeronaves está comprometido em Rio Branco devido à falta de acesso fluvial para as empresas fornecedoras do querosene de aviação (QAV).
Tendo em vista a manutenção das operações regulares, as companhias aéreas estão abastecendo suas aeronaves na cidade de origem dos voos com capacidade de combustível suficiente para atender a uma ou mais etapas previstas na viagem, como pode ser o caso se a próxima etapa for Porto Velho (RO) , que também apresenta problemas de abastecimento do QAV, e as etapas subsequentes.
A ABEAR explica que a medida impacta na capacidade de transporte de passageiros, já que a aeronave deve respeitar o peso máximo de decolagem permitido.
- A restrição de passageiros acontece para garantir a segurança das operações - reforça Ronaldo Jenkins, diretor de operações e segurança de voo da Abear.
O setor lamenta os transtornos e esclarece que os clientes que não puderem embarcar receberão toda a assistência necessária e serão isentos da cobrança de taxa de remarcação, reembolso e diferenças de tarifa, pelo prazo de 15 dias.
Nesta quarta-feira (12), a TAM se viu forçada a alterar nesta quarta-feira (12) o horário de um voo e a quantidade de poltronas que estarão à disposição dos passageiros por falta de combustível no Aeroporto Internacional Plácido de Castro, em Rio Branco (AC). O voo JJ 3534 (Brasília – Rio Branco), cuja decolagem era prevista para as 11h32, teve que realizar uma escala para abastecimento em Porto Velho (RO).
A companhia aérea explicou que o motivo da alteração foi a “impossibilidade de abastecimento da aeronave em Rio Branco, visto que as chuvas que atingem a região bloquearam as vias que dão acesso ao aeroporto, impedindo a chegada do combustível ao local. A previsão de pouso na capital do Acre é às 13h53”.
- Além disso, por conta de uma restrição de peso para pousos no aeroporto de Porto Velho, a aeronave programada para operar esse voo terá sua capacidade reduzida para 88 passageiros.
Por causa da cheia do Rio Madeira, mais de 10,5 mil pessoas deixaram suas casas em Rondônia. A BR-364 teve que ser fechada para ônibus e automóveis porque alguns trechos estão inundados. Apenas caminhões podem trafegar durante o dia na rodovia federal, que é a na única via de acesso terrestre do Acre ao restante do país.
O Acre enfrenta problemas de abastecimento de insumos para construção civil, alimentos perecíveis, combustível e gás de cozinha. Aviões da Força Aérea Brasileira estão sendo usados para transportar alimentos de Porto Velho (RO) para Rio Branco.
Hidrelétricas do Madeira: “Usinas podem resultar em catástrofe”, alerta pesquisador
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| Artur Moret: "Sem estudos e planos de contingência, o futuro é incerto". Foto: Zeca Ribeiro |
O pesquisador Artur Moret, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), alerta que as usinas hidrelétrica de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, terão o que os hidrólogoss denominam de “curva de remanso” capa de produzir resultados catastróficos em Rondônia e no Bolívia.
- No lago de Santo Antônio, a altura pode chegar a 2 metros. No lago de Jirau, a “curva de remanso” pode chegar a 6 metros, por causa do sedimento que vai ficar represado nesse lago, aumentando assim as possibilidades futuras de alagamento da Bolívia, da BR-364 e de outros lugares que ainda não sofreram cheias desse porte. Sem estudos e planos de contingência, o futuro é incerto – afirma.
Moret explica que atrás da represa existe a “curva de remanso”, que é um nível modificado pela represa, que pode chegar a 2 metros no lago da hidrelétrica Santo Antônio, uma altura considerada razoável para aumentar o alagamento acima da barragem.
- Já podemos ver os efeitos na BR-364. No Distrito de Jacy Paraná, a água invadiu a estrada interrompendo-a. Sem o efeito da curva de remanso, a altura não passaria da mesma cota da barragem porque as usinas hidrelétricas do Madeira são estruturantes, ou seja, não alteram a cota. Entretanto, a curva de remanso eleva a altura do lago e os alagamentos em locais que não seriam afetados – acrescenta o pesquisador.
Moret assinala a existências duas situações a montante (antes da barragem) e a jusante (após a barragem) em relação ao alagamento em Rondônia. Afirma que o alagamento a montante é resultado direto da construção das barragens.
- A jusante não podemos dizer que tenha relação direta, porque a barragem está bombeando toda a água que chega e isso nos informa que se não tivesse a barragem a enchente seria igual. A altura do alagamento já chegou a valores menores de 18 metros. Nesse ano as estimativas afirmam que o valor pode chegar a 18,30 metros.
Outra questão considerada importante pelo pesquisador se referente a operação das hidrelétricas.
- Não podem segurar água para diminuir o alagamento a jusante, tampouco bombear para diminuir o algamento a montante. Caso segure água no lago para diminuir o alagamento a jusante, o resultado a montante seria ainda maior. Caso bombeie mais água do que a vazão para diminuir o alagamento a montante, o resultado na cidade de Porto Velho seria sério, porque a barragem é muito próxima da cidade e os efeitos do aumento da água nos igarapés aumentaria o alagamento no centro da cidade.
Por causa da cheia do Madeira, mais de 10,5 mil pessoas deixaram suas casas em Rondônia. A BR-364 teve que ser fechada para ônibus e e automóveis porque alguns trechos estão inundados. Apenas caminhões podem trafegar durante o dia na rodovia federal, que é a na única via de acesso terrestre do Acre ao restante do país. O Acre enfrenta problemas de abastecimento de insumos para construção civil, alimentos perecíveis, combustível e gás de cozinha.
Professor do mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente da Unir, com experiência na área de planejamento em energia elétrica, Artur Moret também alerta que, "sem estudos e planos de contingência, o futuro é incerto". Veja a entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia:
Por que nunca se viu o Rio Madeira, antes da construção das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau, transtornar simultaneamente a vida das populações do Acre e Rondônia?
Essa enchente é histórica. A última data de 1997, chegando a uma vazão de 47mil m³ por segundo. Recebi informação, na semana passada, que a vazão já era de 54,3 mil m³ por segundo e com possibilidade de aumentar mais, ou seja, essa vazão já está em torno de 15% maior do que aquela de 1997. As grandes enchentes são cíclicas, entretanto, as mudanças climáticas e o uso da terra ou desmatamento alteram sobremaneira o clima, o que faz incidir mais chuvas sobre a região. Quero chamar atenção para duas questões. A primeira, me detenho nas mudanças climáticas. O Rio Madeira recebe água de dois grandes tios bolivianos, o Madre Dios e o Beni, que escoam água do degelo dos Andes. Com o aumento da temperatura do planeta é possível que a incidência de descongelamento seja cada vez mais. Da mesma forma, as chuvas resultam da evaporação desse processo de aquecimento, portanto, há todos os indícios que levam a um maior índice pluviométrico. Aliando maior degelo e maior incidência de chuvas, poderemos ter eventos cada vez mais intensos de alagamento na região.
Qual a outra questão?
Trata-se de um evento nominado pelos hidrólogos de “curva de remanso”, como explica o hidrólogo Jorge Molina. Atrás da represa provoca-se, como é chamada, uma “curva de remanso”, que é um nível modificado pela represa. Esse nível modificado da represa, como projetado pelo hidrólogo, pode chegar a dois metros no lago da Usina hidrelétrica Santo Antônio, ou seja, é uma altura razoável para aumentar o alagamento acima da barragem. Já podemos ver os efeitos na BR-364. No Distrito de Jacy Paraná, a água invadiu a estrada interrompendo-a. Sem o efeito da curva de remanso, a altura não passaria da mesma cota da barragem porque as usinas hidrelétricas do Madeira são estruturantes, ou seja, não alteram a cota. Entretanto, a curva de remanso eleva a altura do lago e os alagamentos em locais que não seriam afetados.
Pode detalhar melhor isso?
No que tange aos alagamentos, temos duas situações: a montante (antes da barragem) e a jusante (após a barragem). O alagamento a montante é resultado direto da construção das barragens. A jusante não podemos dizer que tenha relação direta, porque a barragem está bombeando toda a água que chega e isso nos informa que se não tivesse a barragem a enchente seria igual. A altura do alagamento já chegou a valores menores de 18 metros. Nesse ano as estimativas afirmam que o valor pode chegar a 18,30 metros.
Uma situação delicada, de difícil controle?
Uma outra questão importante, referente a operação: as hidrelétricas do Madeira não podem segurar água para diminuir o alagamento a jusante, tampouco bombear para diminuir o algamento a montante. Caso segure água no lago para diminuir o alagamento a jusante, o resultado a montante seria ainda maior, como mostrado anteriormente. Caso bombeie mais água do que a vazão para diminuir o alagamento a montante, o resultado na cidade de Porto Velho seria sério, porque a barragem é muito próxima da cidade e os efeitos do aumento da água nos igarapés aumentaria o alagamento no centro da cidade.
O Movimento dos Atingidos por Barragens diz que a inundação o Madeira foi intensificada após ilegal e descompassado aumento dos reservatórios de água das usinas hidrelétricas. Concorda com isso?
Os efeitos do aumento de 0,8m de aumento do lago não pode ser a causa de tanto alagamento.
O Acre jamais havia ficado isolado do restante do país por causa do fechamento da BR-364 em decorrência do alagamento de trechos da rodovia. A causa disso é ou não a barragem da hidrelétrica de Santo Antonio?
As duas usinas hidrelétricas terão curva de remanso que podem produzir resultados catastróficos, como já explicitei. No lago de Santo Antônio, a altura pode chegar a 2 metros. No lago de Jirau, a curva de remanso pode chegar a 6 metros, por causa do sedimento que vai ficar represado nesse lago, aumentando assim as possibilidades futuras de alagamento da Bolívia, da BR-364 e de outros lugares que ainda não sofreram cheias desse porte. Sem estudos e planos de contingência, o futuro é incerto.
Qual é a série histórica de cheias do Madeira? Ela foi ignorada pelos engenheiros durante a reconstrução de trechos da rodovia que poderiam sofrer alagamento e efetivamente estão submersos.
É inadmíssível que empresas do porte dos consórcios construtores deixem de considerar as cheias históricas e cíclicas para balizar os plano de construção. Ou seja, se há possibilidade de que a vazão chegue a um ponto “x” elevando a altura do lago em “y”, a reconstrução das estradas ou diques deveriam ter sido projetados para evitar danos. Os plano de contigência são posteriores aos planos construtivos. Ou seja, os planos de contigência deveriam ser feitos para balizar as ações das empresas e das instituições públicas no que tange aos alagamentos e outros eventos adversos. Mais que isso, a construção já deveria minimizar os alagamentos baseando nos dados históricos de cheia.
Algum exemplo disso?
As empresas no momento do licenciamento, por exemplo, não entregaram o Estudo de Impacto de Vizinhança, exigido no Estatuto da Cidade, ou seja, o poder público licenciou os empreendimentos sem saber quais seriam os impactos na cidade de Porto Velho, tanto na cidade quanto nos distritos. O evento do isolamento do Acre e de parte de Rondônia deve impulsionar as instituições que fiscalizam estes empreendimentos, no caso Ibama, Aneel e MPF, a suspenderem a licença de operação até que planos sérios sejam elaborados.
Acredita que os problemas se agravarão e que as populações do Acre e Rondônia, sobretudo ribeirinhos, vão enfrentar problemas maiores por causa das barragens no Madeira?
Pelo menos, as informações e dados do passado devem ser considerados para projetar o que pode acontecer no futuro. Há tecnologias e metodologias disponíveis para isso. Com os recursos financeiros que as empresas tem é possível fazer esses estudos. Como eu disse anteriormente, os problemas construtivos das usinas hidrelétricas podem provocar problemas às populações que vivem sobre influência do Rio Madeira. Agregando-se a isso, não menos importantes, são os efeitos das mudanças climáticas.
Como vê o silêncio ou a mera perplexidade de organizações ambientalistas e até de políticos do Acre e Rondônia que defendiam a construção das hidrelétricas como redenção econômica da região?
As empresas e instituições que apoiaram a construção das hidrelétricas no Rio Madeira receberam as benesses dos empreendimentos, portanto, estão de mãos atadas para as críticas. Mais grave que isso, as duas empresas proprietárias das hidrelétricas estão em silêncio, estão deixando a poeira baixar, entretanto, detém informações que deveriam ser repassadas à sociedade sobre a operação, a contingência na situação atual, o tamanho do lago, os locais alagados na situação atual e noutras situações de maior ou menor vazão.
terça-feira, 11 de março de 2014
Acre sofre com o desinteresse do Brasil
POR MARCIO BITTAR
O Acre depende do Brasil, mas o Brasil parece não precisar do Acre. Esta é a conclusão que chegamos diante da indiferença que cerca a atual tragédia das cheia do Rio Madeira, que isolou o Acre do resto do país.
No dia 10 de março o Rio Acre alcançou a marca de 16,20 metros, deixando mais de 2.000 pessoas desabrigadas. No dia anterior, uma das pontes de Rio Branco foi interditada por causa das grandes quantidades de galhos e troncos de árvores acumulados na sua pilastra.
O Estado já está há 15 dias isolado. Em alguns postos de combustível já falta gasolina, gás de cozinha também começa a faltar na cidade. O abastecimento de alimentos perecíveis está sendo feito através de três aviões da FAB, além de quatro caminhões do Exército com suspensão elevada para transportar cargas nos trechos da BR-364, a lâmina d’água que cobre alguns pontos da BR chega a 80 cm.
Diante do quadro caótico de desabastecimento e de perdas materiais que assola o Acre, salta aos olhos o silêncio de todos os órgãos que deveriam nos dar respostas sobre as causas estruturais que levaram à interdição na ligação terrestre do Estado do Acre.
Lembro que as obras da BR 364 foram interrompidas para conclusão de estudos ambientais. Tais estudos não indicaram o risco da estrada ser coberta pela água com enchentes no Rio Madeira? Não sabemos e não ouvimos nenhuma manifestação sobre o assunto. Diante da hipótese de que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau possam ter ampliado a tragédia, por represarem o Madeira em Porto Velho, o mesmo silêncio imperou.
As ONGs, e os protagonistas de sempre, com suas velhas fórmulas para o desenvolvimento do Acre, permanecem calados, agindo como se a tragédia não lhes dissesse respeito. Demonstram só se lembrar do Estado quando se trata de ditar fórmulas alienígenas para cuidar das nossas florestas.
O Governo do Estado demonstra perplexidade com a dimensão da alagação e avisa que vai cobrar responsabilidades, esquecendo-se que o Acre está sendo governado pelo mesmo grupo político há 16 anos e que tem, portanto, sua parcela de responsabilidade.
A única atitude concreta foi tomada pela Justiça Federal, que determinou que os consórcios responsáveis pelas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, refaçam o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental levando em consideração os impactos decorrentes da vazão e volume histórico do maior afluente do Rio Amazonas.
Ora, isso significa que os estudos feitos até então não levaram em consideração tais impactos? E os órgãos ambientais responsáveis pela aprovação dos estudos, não vão se manifestar?
O Acre sofrerá os efeitos desta alagação por muitos anos. A população perdeu suas plantações, suas casas, poços artesianos foram contaminados. Mas, o mais grave para nosso estado é a constatação do nosso abandono e da indiferença do Brasil para conosco.
Não merecemos, sequer, um sobrevoo de helicóptero por parte da Presidente da República, que, a despeito de pertencer ao mesmo partido político do governador, parece esquecer a existência do Acre.
O nosso Estado é vítima de uma tragédia gerada pela incompetência governamental e sofre com o desinteresse do restante do Brasil, que demonstra não precisar do Acre.
Marcio Bittar é deputado federal do Acre pelo PSDB, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB
O Acre depende do Brasil, mas o Brasil parece não precisar do Acre. Esta é a conclusão que chegamos diante da indiferença que cerca a atual tragédia das cheia do Rio Madeira, que isolou o Acre do resto do país.
No dia 10 de março o Rio Acre alcançou a marca de 16,20 metros, deixando mais de 2.000 pessoas desabrigadas. No dia anterior, uma das pontes de Rio Branco foi interditada por causa das grandes quantidades de galhos e troncos de árvores acumulados na sua pilastra.
O Estado já está há 15 dias isolado. Em alguns postos de combustível já falta gasolina, gás de cozinha também começa a faltar na cidade. O abastecimento de alimentos perecíveis está sendo feito através de três aviões da FAB, além de quatro caminhões do Exército com suspensão elevada para transportar cargas nos trechos da BR-364, a lâmina d’água que cobre alguns pontos da BR chega a 80 cm.
Diante do quadro caótico de desabastecimento e de perdas materiais que assola o Acre, salta aos olhos o silêncio de todos os órgãos que deveriam nos dar respostas sobre as causas estruturais que levaram à interdição na ligação terrestre do Estado do Acre.
Lembro que as obras da BR 364 foram interrompidas para conclusão de estudos ambientais. Tais estudos não indicaram o risco da estrada ser coberta pela água com enchentes no Rio Madeira? Não sabemos e não ouvimos nenhuma manifestação sobre o assunto. Diante da hipótese de que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau possam ter ampliado a tragédia, por represarem o Madeira em Porto Velho, o mesmo silêncio imperou.
As ONGs, e os protagonistas de sempre, com suas velhas fórmulas para o desenvolvimento do Acre, permanecem calados, agindo como se a tragédia não lhes dissesse respeito. Demonstram só se lembrar do Estado quando se trata de ditar fórmulas alienígenas para cuidar das nossas florestas.
O Governo do Estado demonstra perplexidade com a dimensão da alagação e avisa que vai cobrar responsabilidades, esquecendo-se que o Acre está sendo governado pelo mesmo grupo político há 16 anos e que tem, portanto, sua parcela de responsabilidade.
A única atitude concreta foi tomada pela Justiça Federal, que determinou que os consórcios responsáveis pelas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, refaçam o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental levando em consideração os impactos decorrentes da vazão e volume histórico do maior afluente do Rio Amazonas.
Ora, isso significa que os estudos feitos até então não levaram em consideração tais impactos? E os órgãos ambientais responsáveis pela aprovação dos estudos, não vão se manifestar?
O Acre sofrerá os efeitos desta alagação por muitos anos. A população perdeu suas plantações, suas casas, poços artesianos foram contaminados. Mas, o mais grave para nosso estado é a constatação do nosso abandono e da indiferença do Brasil para conosco.
Não merecemos, sequer, um sobrevoo de helicóptero por parte da Presidente da República, que, a despeito de pertencer ao mesmo partido político do governador, parece esquecer a existência do Acre.
O nosso Estado é vítima de uma tragédia gerada pela incompetência governamental e sofre com o desinteresse do restante do Brasil, que demonstra não precisar do Acre.
Marcio Bittar é deputado federal do Acre pelo PSDB, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB
Justiça manda hidrelétricas do Rio Madeira refazerem estudos de impacto ambiental
A Justiça Federal determinou nesta segunda-feira (10) que os consórcios Santo Antonio Energia e Energia Sustentável do Brasil, responsáveis pela construção das usinas hidrelétricas do Rio Madeira, em Porto Velho (RO), refaçam o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) considerando todos os impactos decorrentes da vazão e volume histórico do maior afluente do Rio Amazonas.
Por causa da cheia do Madeira, mais de 10,5 mil pessoas deixaram suas casas em Rondônia. A BR-364 teve que ser fechada para ônibus e e automóveis porque alguns trechos estão inundados. Apenas caminhões podem trafegar durante o dia na rodovia federal, que é a na única via de acesso terrestre do Acre ao restante do país. O Acre enfrenta problemas de abastecimento de insumos para construção civil, alimentos perecíveis, combustível e gás de cozinha.
A decisão liminar da Justiça Federal foi pleiteada em ação civil pública do Ministério Público Federal, que solicitava a suspensão das atividades nas usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. A ação também foi assinada pelo Ministério Público do Estado de Rondônia, Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia, além das Defensorias Públicas da União e do Estado de Rondônia.
O juiz federal Herculano Martins Nacif, da 5ª Vara Ambiental e Agrária, decidiu por dispensar o Ibama de oitiva prévia por considerar a “excecpcionadlidade do caso, a revelar uma verdadeira tragédia vivida pelas populações atingidas no Estado de Rondônia”.
Os signatários da ação civil pública estabelecem nexo de causalidade entre a implantação e atividades dos aproveitamentos hidrelétricos com o agravamento dos danos causados pela enchente do Madeira. Eles sustentam que os impactos ambientais não decorrem apenas da cheia, mas se relaciona à área de influência direta dos lagos das usinas, que teria ultrapassado em muito as previsões dos estudos realizados pelos consórcios.
Para as institições que assinaram a ação, estão subdimencionados os impactos dos empreendimentos sobre infraestruturas e elementos sociais e naturais da região, assumindo os empreendedores o risco de uma cheia com tempo de recorrência de 100 anos, que pese o alerta e as previsões dos estudos realizados pelos consórcios.
De acordo com a decisão do juiz, os aspectos mais relevantes que devem ser considerados pelos consórcios com o novo EIA-RIMA envolve a ictiofauna de todo o rio, o tamanho dos reservatórios a montante e os reflexos a jusante, o que abrange curva de remanso, populações afetadas, estradas alagadas, patrimônio histórico, reservas ambientais afetadas, desbarrancamento e movimentação de sedimentos.
- Parte da população de Porto Velho, incluindo-se as de seus distritos, já padecem com os efeitos diretos da inundação. Não escapam o setor de comércio, mais próximos ao leito do rio Madeira, assim órgãos públicos, cujos prédios foram desativados, ou estão em via de se sujeitarem a essa medida, como é o caso desta Seção Judiciária, com três vias de acesso tomadas pelas águas, operando em níveis de alerta, e com água já avançando sobre seu suboslo – relata o juiz na decisão.
As hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio têm prazo de 90 dias para comprovar à Justiça Federal o andamento dos novos estudos sob pena de suspensão de suas licenças de operação. O reestudo dever ser supervisionado, entres outros, pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Agência Nacional de Águas, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
O magistrado também determinou que as usinas de Santo Antônio e Jirau estão obrigadas a atender imediatamente as necessidades básicas (moradia, alimentação, transporte, educação, saúde etc) das populações atingidas pelas enchentes nas áreas acima das barragens, às margens dos reservatórios subdimensionados no EIA-RIMA.
O auxílio deve ser feito enquanto durar a situação de emergência e até que haja uma decisão definitiva sobre compensação, indenização ou realojamento. As populações atingidas deverão ser identificadas pelas defesas civis municipal, estadual e federal.
As duas hidrelétricas têm prazo de 10 dias para comprovar à Justiça Federal que estão cumprindo a assistência determinada pela decisão liminar.
O patrimômio histórico identificado pelo Iphan também deverá ser protegido com recursos das hidrelétricas. As usinas também estão obrigadas a abrir rotas alternativas às vias interditadas nas proximidades de seus reservatórios. As rotas serão identificadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem de Rondônia ou DNIT, conforme o caso.
segunda-feira, 10 de março de 2014
É só um repiquete, gente
Jorge Viana em camarote do Sambódromo
domingo, 9 de março de 2014
Falta bom senso e preços disparam nos supermercados por conta da cheia
O governo do Acre mantém na TV uma propaganda em que recomenda que as pessoas não se guiem por boatos (de blogueiro, digamos) e confiem apenas nas informações oficiais, ou seja, dele, o governo. Diz, ainda, na propaganda, que as pessoas andam boatando que falta isso e aquilo, mas que fiquemos tranquilos porque está tudo sob controle.
Sabemos que o governo estadual sempre quis manter controle absoluto de tudo mesmo. Realizou várias reuniões com a direção da Associação Comercial e da Associação de Supermercados do Acre, para definir estratégia com o objetivo de assegurar o abastecimento do Estado, incluindo o uso de aviões da (Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte de hortifrutigranjeiros de Porto Velho para Rio Branco.
Após postagens neste blog sobre majoração de preços, podem anotar: as entidade vão explicar que o aumento não está relacionado à cheia do Rio Madeira, mas a fatores do mercado produtor, em outros estados.
Por que não disseram isso bem antes ao governo, à sociedade, quando estiveram reunidos para tratar dessas questões em momento tão delicado da vida no Acre? Por que ficam com a cantilena de que não haverá aumento de preços, que está tudo sob controle, que não haverá desabastecimento?
Em vão, um empresário, diretor da Associação Comercial do Acre, chegou a sugerir à diretoria "antecipação muito clara da entidade sobre aumento de preços".
- Eu, particularmente, não acredito na possibilidade de não acontecer, principalmente se a cheia perdurar por mais tempo. Assunto para reunião de terça, mas é muito sério e temos que tomar uma posição - disse ao blog.
O ego de cada um finda sendo bem maior que a gravidade da situação. Ontem, por exemplo, armaram até uma pequena solenidade para receber a balsa com as botijas de gás. Um monte de políticos na beira do Rio Acre aguardando a chegada da balsa, com cobertura da grande imprensa acreana. Eles não se dão conta do ridículo em que nos meteram e seguem delirando na batatinha.
Como o transporte de produtos hortifrutigranjeiros está sendo subsidiado pelo governo federal via FAB, a sociedade espera um basta na extorsão nos supermercados.
Sabemos que o governo estadual sempre quis manter controle absoluto de tudo mesmo. Realizou várias reuniões com a direção da Associação Comercial e da Associação de Supermercados do Acre, para definir estratégia com o objetivo de assegurar o abastecimento do Estado, incluindo o uso de aviões da (Força Aérea Brasileira (FAB) no transporte de hortifrutigranjeiros de Porto Velho para Rio Branco.
Após postagens neste blog sobre majoração de preços, podem anotar: as entidade vão explicar que o aumento não está relacionado à cheia do Rio Madeira, mas a fatores do mercado produtor, em outros estados.
Por que não disseram isso bem antes ao governo, à sociedade, quando estiveram reunidos para tratar dessas questões em momento tão delicado da vida no Acre? Por que ficam com a cantilena de que não haverá aumento de preços, que está tudo sob controle, que não haverá desabastecimento?
Em vão, um empresário, diretor da Associação Comercial do Acre, chegou a sugerir à diretoria "antecipação muito clara da entidade sobre aumento de preços".
- Eu, particularmente, não acredito na possibilidade de não acontecer, principalmente se a cheia perdurar por mais tempo. Assunto para reunião de terça, mas é muito sério e temos que tomar uma posição - disse ao blog.
O ego de cada um finda sendo bem maior que a gravidade da situação. Ontem, por exemplo, armaram até uma pequena solenidade para receber a balsa com as botijas de gás. Um monte de políticos na beira do Rio Acre aguardando a chegada da balsa, com cobertura da grande imprensa acreana. Eles não se dão conta do ridículo em que nos meteram e seguem delirando na batatinha.
Como o transporte de produtos hortifrutigranjeiros está sendo subsidiado pelo governo federal via FAB, a sociedade espera um basta na extorsão nos supermercados.
sábado, 8 de março de 2014
Toma
Mais casos de suposto crime contra a economia popular, em Rio
Branco, por conta do isolamento do Acre em decorrência da cheia do Rio
Madeira que resultou no fechamento da BR-364.
A dúzia de ovos vermelhos subiu de R$ 3,68 para R$ 5,90 - a do branco passou de R$ 2,65 para R$ 4,79. Batata, que custava R$ 1,98, agora é vendida por R$ 3,39 o quilo. O óleo subiu de R$ 2,65 para R$ 3,25. O pacote de 5 kg quilo de arroz custa agora R$ 13,53, sendo que o preço era de R$ 10,98. E por aí vai.
Saltitantes com a situação, os empresários e comerciantes só não conseguem conter a bajulação ao governo por conta do uso de aviões da FAB no transporte gratuito de produtos hortifrutigranjeiros de Porto Velho para Rio Branco. Reconheça-se que o governo estadual fez a parte dele ao solicitar apoio da FAB, mas alguém tem que tomar providências para conter a fúria comercial.
A dúzia de ovos vermelhos subiu de R$ 3,68 para R$ 5,90 - a do branco passou de R$ 2,65 para R$ 4,79. Batata, que custava R$ 1,98, agora é vendida por R$ 3,39 o quilo. O óleo subiu de R$ 2,65 para R$ 3,25. O pacote de 5 kg quilo de arroz custa agora R$ 13,53, sendo que o preço era de R$ 10,98. E por aí vai.
Saltitantes com a situação, os empresários e comerciantes só não conseguem conter a bajulação ao governo por conta do uso de aviões da FAB no transporte gratuito de produtos hortifrutigranjeiros de Porto Velho para Rio Branco. Reconheça-se que o governo estadual fez a parte dele ao solicitar apoio da FAB, mas alguém tem que tomar providências para conter a fúria comercial.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Querida Marlúcia,
POR VITOR ALBANO
Primeira dama, nós não nos conhecemos.
E, pra falar bem a verdade, eu nunca tinha ouvido falar muito sobre a senhora até agora. Mas depois de aparecer essa semana em quase todos os veículos de comunicação que eu acesso, agora sei algumas coisas sobre você: goiana, arquiteta e esposa do décimo sétimo governador do Acre.
Não estou escrevendo esse texto para criticar o partido A, ou o partido B, e nem para tentar criticar o governo do seu esposo, até porque morei pouco tempo no Acre e não tenho o conhecimento necessário para julgar se o governador tem feito um bom governo ou não.
Tudo o que eu sei é que o estado tem passado por alguns problemas de uns tempos pra cá. Conflitos entre policiais civis e militares; haitianos cruzando a fronteira todos os dias sem ter para onde ir; e, o mais grave dos problemas, esse rio que não para de subir e está deixando muita gente desabrigada. E que deixou o Acre isolado do resto do país, diga-se de passagem! Não tem chegado nem comida direito. E andei lendo que pode faltar combustível e gás nos próximos dias se a situação não voltar ao normal logo.
Mas ninguém quer isso e também não é culpa de ninguém se resolveu chover demais esse ano.
O problema, primeira dama, é que no meio de tantas coisas ruins que estão acontecendo no estado que seu marido governa, a senhora apareceu em rede nacional desfilando em uma das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Não que a senhora não tenha o direito de ser divertir! Pelo contrário! Você me pareceu bem jovem na foto que eu vi e acho que uma mulher da sua idade tem mais é que aproveitar as delicias da vida mesmo.
Ainda mais desfilando na Sapucaí. Acho que muita gente tem essa vontade, inclusive eu que nem sei dançar direito (e vou confessar que te invejo um pouquinho).
É tudo sobre timing, primeira dama. Se você não sabia que era tão importante assim, deveria saber. Você é a primeira dama. O povo não escolheu você pra governar, escolheu o seu marido. E eu acredito que ele te ama bastante e deve confiar muito em você. Deve pedir até um conselho, ou outro, de vez em quando.
Você pode não ter nenhum poder administrativo, mas tem muito poder simbólico. Você sabe a influência que tem, principalmente com outras mulheres. A pessoa mais próxima do chefe do estado desperta bastante interesse.
Temos tantos exemplos na história de primeiras damas que foram figuras poderosas: Michelle, Cristina, Evita, Sarah, Jacqueline, Hillary, Eleanor...
E claro que pega muito mal a senhora aparecer desfilando em rede nacional quando o Acre está a beira de uma crise de abastecimento. Muito mal mesmo. Olha que imagem péssima você acabou passando.
Sabe o que me lembrou um pouquinho, guardada as devidas proporções?
Uma senhora chamada Maria Antonieta, rainha da França, que quando informada que o povo da Paris reclamava da falta de pão, disse que eles deviam comer brioches.
E isso deu uma merda! Teve todo aquele lance de Revolução e no final cortaram a cabeça dela.
E ninguém aqui quer cortar sua cabeça, que horror! Só que seu desfile na Sapucaí foi sua mensagem pro povo.
Parece que você não se importa com o que está acontecendo no Acre. Parece que o rio pode estar engolindo Rio Branco que você não vai mexer um dedo. Afinal, o povo elegeu o seu marido e não você.
E, como eu já disse, não te conheço e acredito que você não pense assim. Você até explicou na sua carta aberta que participa de muitos projetos estatais e que não quer ficar em casa cuidando dos botões das camisas do governador. E isso é admirável, já que é o que se espera de uma primeira dama como você.
Entende agora porque tanta revolta da população? Não tem jogo político aí. Você só tomou uma atitude errada.
Eu não estou desabrigado por causa da subida do rio e nem está faltando nada na minha despensa, mas se eu estivesse na posição de uma dessas famílias que está passando tanta dificuldade, eu gostaria que você escrevesse um pedido de desculpas e não uma carta reclamando das pessoas que criticaram você.
E olha só, ainda dá tempo hein? Mas isso é problema seu.
Espero que fique tudo bem logo e que você possa desfilar mais vezes na Sapucaí, pois deve ser inesquecível.
Um beijo,
Vitor.
Vitor Albano é palmeirense apaixonado, aspirante a redator publicitário e nerd roots. Escreve no blog A Qinta Dimensão.
Primeira dama, nós não nos conhecemos.
E, pra falar bem a verdade, eu nunca tinha ouvido falar muito sobre a senhora até agora. Mas depois de aparecer essa semana em quase todos os veículos de comunicação que eu acesso, agora sei algumas coisas sobre você: goiana, arquiteta e esposa do décimo sétimo governador do Acre.
Não estou escrevendo esse texto para criticar o partido A, ou o partido B, e nem para tentar criticar o governo do seu esposo, até porque morei pouco tempo no Acre e não tenho o conhecimento necessário para julgar se o governador tem feito um bom governo ou não.
Tudo o que eu sei é que o estado tem passado por alguns problemas de uns tempos pra cá. Conflitos entre policiais civis e militares; haitianos cruzando a fronteira todos os dias sem ter para onde ir; e, o mais grave dos problemas, esse rio que não para de subir e está deixando muita gente desabrigada. E que deixou o Acre isolado do resto do país, diga-se de passagem! Não tem chegado nem comida direito. E andei lendo que pode faltar combustível e gás nos próximos dias se a situação não voltar ao normal logo.
Mas ninguém quer isso e também não é culpa de ninguém se resolveu chover demais esse ano.
O problema, primeira dama, é que no meio de tantas coisas ruins que estão acontecendo no estado que seu marido governa, a senhora apareceu em rede nacional desfilando em uma das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Não que a senhora não tenha o direito de ser divertir! Pelo contrário! Você me pareceu bem jovem na foto que eu vi e acho que uma mulher da sua idade tem mais é que aproveitar as delicias da vida mesmo.
Ainda mais desfilando na Sapucaí. Acho que muita gente tem essa vontade, inclusive eu que nem sei dançar direito (e vou confessar que te invejo um pouquinho).
É tudo sobre timing, primeira dama. Se você não sabia que era tão importante assim, deveria saber. Você é a primeira dama. O povo não escolheu você pra governar, escolheu o seu marido. E eu acredito que ele te ama bastante e deve confiar muito em você. Deve pedir até um conselho, ou outro, de vez em quando.
Você pode não ter nenhum poder administrativo, mas tem muito poder simbólico. Você sabe a influência que tem, principalmente com outras mulheres. A pessoa mais próxima do chefe do estado desperta bastante interesse.
Temos tantos exemplos na história de primeiras damas que foram figuras poderosas: Michelle, Cristina, Evita, Sarah, Jacqueline, Hillary, Eleanor...
E claro que pega muito mal a senhora aparecer desfilando em rede nacional quando o Acre está a beira de uma crise de abastecimento. Muito mal mesmo. Olha que imagem péssima você acabou passando.
Sabe o que me lembrou um pouquinho, guardada as devidas proporções?
Uma senhora chamada Maria Antonieta, rainha da França, que quando informada que o povo da Paris reclamava da falta de pão, disse que eles deviam comer brioches.
E isso deu uma merda! Teve todo aquele lance de Revolução e no final cortaram a cabeça dela.
E ninguém aqui quer cortar sua cabeça, que horror! Só que seu desfile na Sapucaí foi sua mensagem pro povo.
Parece que você não se importa com o que está acontecendo no Acre. Parece que o rio pode estar engolindo Rio Branco que você não vai mexer um dedo. Afinal, o povo elegeu o seu marido e não você.
E, como eu já disse, não te conheço e acredito que você não pense assim. Você até explicou na sua carta aberta que participa de muitos projetos estatais e que não quer ficar em casa cuidando dos botões das camisas do governador. E isso é admirável, já que é o que se espera de uma primeira dama como você.
Entende agora porque tanta revolta da população? Não tem jogo político aí. Você só tomou uma atitude errada.
Eu não estou desabrigado por causa da subida do rio e nem está faltando nada na minha despensa, mas se eu estivesse na posição de uma dessas famílias que está passando tanta dificuldade, eu gostaria que você escrevesse um pedido de desculpas e não uma carta reclamando das pessoas que criticaram você.
E olha só, ainda dá tempo hein? Mas isso é problema seu.
Espero que fique tudo bem logo e que você possa desfilar mais vezes na Sapucaí, pois deve ser inesquecível.
Um beijo,
Vitor.
Vitor Albano é palmeirense apaixonado, aspirante a redator publicitário e nerd roots. Escreve no blog A Qinta Dimensão.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Toc! Toc! Toc!
POR LETÍCIA MAMED
Enchente, isolamento, carnaval, primeira-dama, críticos e defensores, incluindo muitos vassalos (aquele típico cargo comissionado alienado que todos conhecemos) ... Mas o que me surpreende mesmo são as imagens dos aviões transportando alimentos para o Acre em pleno século XXI.
Volto a perguntar: onde está mesmo a "nova classe média rural" do Acre e aquela "política agrícola forte", baseada na "diversificação da produção", que possibilita a retirada de uma "renda média de mais de quatro salários mínimos por mês"?
A intelligentsia governista, que adora usurpar para si o poder sobre a "verdade" das coisas, poderia explicar.
Publicidade, propaganda e censura são meios eficazes de sustentação de muitos governos, mas não para todo o sempre. Um dia, a realidade bate à porta.
Letícia Mamed é professora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre
Enchente, isolamento, carnaval, primeira-dama, críticos e defensores, incluindo muitos vassalos (aquele típico cargo comissionado alienado que todos conhecemos) ... Mas o que me surpreende mesmo são as imagens dos aviões transportando alimentos para o Acre em pleno século XXI.
Volto a perguntar: onde está mesmo a "nova classe média rural" do Acre e aquela "política agrícola forte", baseada na "diversificação da produção", que possibilita a retirada de uma "renda média de mais de quatro salários mínimos por mês"?
A intelligentsia governista, que adora usurpar para si o poder sobre a "verdade" das coisas, poderia explicar.
Publicidade, propaganda e censura são meios eficazes de sustentação de muitos governos, mas não para todo o sempre. Um dia, a realidade bate à porta.
Letícia Mamed é professora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre
Eu não sabia que eu era tão importante
POR MARLÚCIA CÂNDIDA
Eu não sabia que eu era tão importante.
Pensava que era apenas uma imigrante da década de setenta de Goiás para o Acre. Nascida em uma família simples, que gosta mesmo é de trabalhar. Meus pais sempre nos disseram que a mulher precisava “estudar para não depender de marido”. Isto significava o seguinte: seja dona das suas ideias, assim você será admirada, respeitada e amada por um homem que a mereça. E, assim foi. O destino me colocou um homem, que por causa do seu brilho, eu de repente virei vitrine.
Se eu fosse do tipo que não aproveita as oportunidades para fazer o BEM e projetos ousados, digo na gastronomia e no design. Se não participasse da vida política do meu marido e ficasse apenas cuidando da sua agenda e dos botões das suas camisas eu não estaria passando por todos estes comentários. Mas, fui inventar de criar o ACRE SOLIDÁRIO, a ESCOLA DE GASTRONOMIA e promover o DESIGN de produtos acreanos. E, ainda motivar grupos de pessoas para debater a política. E ai eu perdi completamente a minha liberdade. Deixei de ser a Marlúcia para ser apenas a esposa, ou seja, a sombra.
Tudo bem, com muito orgulho sou Primeira Dama do Acre. Mas, gostaria que me descrevessem o papel de uma primeira dama. Mas, por gentileza cuidado com o que vão dizer, pois saibam de ante mão que eu não aceito receitas. Afinal de contas eu sou arquiteta, trabalho com a criação. Sei que muitos gostariam de me ver com os cabelos loiros e lisos, vestindo um vestidinho Chanel e sapatinhos meio salto, com pequenos sorrisos acenasse um tchauzinho com a mãos, usasse bolsa de marca importada, sempre maquiada e não abrisse a boca, pousasse com uma criança pobre no colo e fosse sempre fotografada entrando nas igrejas e nos asilos.
Penso que muitos não percebem que o mundo mudou. Somos plurais. Vejam o nosso Papa, que lição de aproximação com as pessoas. Pergunto, por um acaso há diferença no meu caráter se sambo na Sapucaí ou se rezo no templo na segunda de carnaval?
Vou informar aos desinformados. Eu através do ACRE SOLIDÁRIO, com apoio do governo e da Prefeitura de Rio Branco, antes do carnaval promovi um baile que arrecadou dinheiro para as vítimas da alagação. Este baile rendeu aproximadamente R$ 45.000,00 que estão sendo destinados a Rio Branco e a Sena Madureira. Visitei as famílias abrigadas no Parque de Exposição e coloquei o ACRE SOLIDÁRIO a disposição de todos. Saibam, que foi a meu pedido que o meu marido adiou o carnaval para o mês de maio. Visto os problemas que estamos passando, mas não podemos anular do calendário uma festa tão importante para a cultura e a economia local.
Vejam, diferentemente de outras Primeiras Damas do passado sombrio deste estado, eu não sou Secretária de Ação Social. Quem não se lembra de donativos que desapareceram numa grande enchente ocorrida há algumas décadas?
O Governo do Estado do Acre é composto por secretarias e secretários com alto nível de responsabilidade e competência os quais não precisam da minha pessoa para resolverem questões relevantes como as enchentes dos nossos rios.
É público e notório, só não enxerga quem está querendo a derrota do meu marido, o trabalho que faço para ajudar o estado. Eu poderia apenas desfrutar das boas coisas que uma esposa de governador tem a oportunidade, como: ir a coquetéis, jantares, viagens e fotos com pessoas importantes. Poderia optar em cuidar apenas da educação dos meus filhos enquanto o pai governa um estado. Poderia gastar a maior parte do meu tampo cuidando da minha pele, do meu cabelo, das minhas unhas. Poderia ao invés de ser feliz dançando tomar remédio controlado, assim não incomodaria os olhos dos falsos profetas.
Mas, a minha opção foi de ser verdadeira, nunca fingir ser o que não sou. Saibam que gosto muito das expressões da cultura popular e de estar próxima a elas. Gosto de abraçar as pessoas, olhar nos seus olhos, ouvi-las, procurar compreende-las, ajuda-las e conhecê-las ... pessoas me inspiram. Por isto, não posso e não devo seguir o receituário de uma Primeira Dama que fica longe das pessoas ou com elas apenas no sofrimento. Me desculpem os que não convivem comigo, mas eu sou e serei uma Primeira Dama com a minha essência, cheia de responsabilidade e de postura que o mundo atual pede de um ser humano.
Sendo assim fui a Sapucaí a convite da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel com a minha consciência tranquila prestigiar os acreanos ali homenageados. Era justo que eu fosse, pois coordenei durante 2013 o projeto CHICO MENDES VIVE MAIS. Lembrem que, até ajuda ao Rio de Janeiro o ACRE SOLIDÁRIO já enviou no momento daquela catástrofe em Petrópolis. Pena que os falsos profetas não queiram falar disso. Não gastei dinheiro público, mas sim o ganhado com o meu trabalho de arquiteta.
Agradeço imensamente todas as manifestações de apoio a minha pessoa e ao meu marido. Nunca esquecerei das palavras daqueles que me compreenderam e ficaram felizes, por eu ser uma das pessoas que estava ali com orgulho de ser acreana. Agradeço o carinho da Vila Isabel com a minha pessoa e com o Acre. Eu não imaginava sair na pista acompanhando os puxadores e a bateria. Infelizmente não conseguiu o título tão sonhado, mas para o Acre foi muito importante ser lembrado de maneira tão digna.
Para finalizar, quero dizer-lhes que sempre que possível, nunca abrirei mão da meu direito de ir e vir. E tenho dito.”
Marlúcia Cândida é arquiteta
Eu não sabia que eu era tão importante.
Pensava que era apenas uma imigrante da década de setenta de Goiás para o Acre. Nascida em uma família simples, que gosta mesmo é de trabalhar. Meus pais sempre nos disseram que a mulher precisava “estudar para não depender de marido”. Isto significava o seguinte: seja dona das suas ideias, assim você será admirada, respeitada e amada por um homem que a mereça. E, assim foi. O destino me colocou um homem, que por causa do seu brilho, eu de repente virei vitrine.
Se eu fosse do tipo que não aproveita as oportunidades para fazer o BEM e projetos ousados, digo na gastronomia e no design. Se não participasse da vida política do meu marido e ficasse apenas cuidando da sua agenda e dos botões das suas camisas eu não estaria passando por todos estes comentários. Mas, fui inventar de criar o ACRE SOLIDÁRIO, a ESCOLA DE GASTRONOMIA e promover o DESIGN de produtos acreanos. E, ainda motivar grupos de pessoas para debater a política. E ai eu perdi completamente a minha liberdade. Deixei de ser a Marlúcia para ser apenas a esposa, ou seja, a sombra.
Tudo bem, com muito orgulho sou Primeira Dama do Acre. Mas, gostaria que me descrevessem o papel de uma primeira dama. Mas, por gentileza cuidado com o que vão dizer, pois saibam de ante mão que eu não aceito receitas. Afinal de contas eu sou arquiteta, trabalho com a criação. Sei que muitos gostariam de me ver com os cabelos loiros e lisos, vestindo um vestidinho Chanel e sapatinhos meio salto, com pequenos sorrisos acenasse um tchauzinho com a mãos, usasse bolsa de marca importada, sempre maquiada e não abrisse a boca, pousasse com uma criança pobre no colo e fosse sempre fotografada entrando nas igrejas e nos asilos.
Penso que muitos não percebem que o mundo mudou. Somos plurais. Vejam o nosso Papa, que lição de aproximação com as pessoas. Pergunto, por um acaso há diferença no meu caráter se sambo na Sapucaí ou se rezo no templo na segunda de carnaval?
Vou informar aos desinformados. Eu através do ACRE SOLIDÁRIO, com apoio do governo e da Prefeitura de Rio Branco, antes do carnaval promovi um baile que arrecadou dinheiro para as vítimas da alagação. Este baile rendeu aproximadamente R$ 45.000,00 que estão sendo destinados a Rio Branco e a Sena Madureira. Visitei as famílias abrigadas no Parque de Exposição e coloquei o ACRE SOLIDÁRIO a disposição de todos. Saibam, que foi a meu pedido que o meu marido adiou o carnaval para o mês de maio. Visto os problemas que estamos passando, mas não podemos anular do calendário uma festa tão importante para a cultura e a economia local.
Vejam, diferentemente de outras Primeiras Damas do passado sombrio deste estado, eu não sou Secretária de Ação Social. Quem não se lembra de donativos que desapareceram numa grande enchente ocorrida há algumas décadas?
O Governo do Estado do Acre é composto por secretarias e secretários com alto nível de responsabilidade e competência os quais não precisam da minha pessoa para resolverem questões relevantes como as enchentes dos nossos rios.
É público e notório, só não enxerga quem está querendo a derrota do meu marido, o trabalho que faço para ajudar o estado. Eu poderia apenas desfrutar das boas coisas que uma esposa de governador tem a oportunidade, como: ir a coquetéis, jantares, viagens e fotos com pessoas importantes. Poderia optar em cuidar apenas da educação dos meus filhos enquanto o pai governa um estado. Poderia gastar a maior parte do meu tampo cuidando da minha pele, do meu cabelo, das minhas unhas. Poderia ao invés de ser feliz dançando tomar remédio controlado, assim não incomodaria os olhos dos falsos profetas.
Mas, a minha opção foi de ser verdadeira, nunca fingir ser o que não sou. Saibam que gosto muito das expressões da cultura popular e de estar próxima a elas. Gosto de abraçar as pessoas, olhar nos seus olhos, ouvi-las, procurar compreende-las, ajuda-las e conhecê-las ... pessoas me inspiram. Por isto, não posso e não devo seguir o receituário de uma Primeira Dama que fica longe das pessoas ou com elas apenas no sofrimento. Me desculpem os que não convivem comigo, mas eu sou e serei uma Primeira Dama com a minha essência, cheia de responsabilidade e de postura que o mundo atual pede de um ser humano.
Sendo assim fui a Sapucaí a convite da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel com a minha consciência tranquila prestigiar os acreanos ali homenageados. Era justo que eu fosse, pois coordenei durante 2013 o projeto CHICO MENDES VIVE MAIS. Lembrem que, até ajuda ao Rio de Janeiro o ACRE SOLIDÁRIO já enviou no momento daquela catástrofe em Petrópolis. Pena que os falsos profetas não queiram falar disso. Não gastei dinheiro público, mas sim o ganhado com o meu trabalho de arquiteta.
Agradeço imensamente todas as manifestações de apoio a minha pessoa e ao meu marido. Nunca esquecerei das palavras daqueles que me compreenderam e ficaram felizes, por eu ser uma das pessoas que estava ali com orgulho de ser acreana. Agradeço o carinho da Vila Isabel com a minha pessoa e com o Acre. Eu não imaginava sair na pista acompanhando os puxadores e a bateria. Infelizmente não conseguiu o título tão sonhado, mas para o Acre foi muito importante ser lembrado de maneira tão digna.
Para finalizar, quero dizer-lhes que sempre que possível, nunca abrirei mão da meu direito de ir e vir. E tenho dito.”
Marlúcia Cândida é arquiteta
quarta-feira, 5 de março de 2014
Kilegal
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Abrigo para taxista avacalha praça que foi revitalizada no centro de Rio Branco
Isolamento do Acre
POR MARCIO BITTAR
No dia 19 de fevereiro, o governo dos petistas, depois de 16 anos de poder, informou que caso a enchente do Rio Madeira continue, o abastecimento de combustível e de alimentos poderão ser prejudicados no Acre. Sequer o estado produz o suficiente para o seu próprio abastecimento. Um dia, um grande empresário radicado aqui disse-me que é preciso importar todos os gêneros alimentícios: "até o tomate, o alface, a batata, a cenoura são alimentos importados". A falta de produção do estado, resultado de um verdadeiro marasmo econômico, é condicionada pela falta de incentivos adequados por parte do governo, pouca ou inexistente assistência técnica ao produtor, falta de investimento sério em formação de Capital Humano, falta de industrias e incompetência em dotar o Acre de infraestrutura adequada.
Com 16 anos de poder, o PT nada fez de efetivo e relevante para a infraestrutura de transporte do Acre. As obras de construção e manutenção da BR 364, em mãos petistas, andam a passos de tartaruga e nunca ficam prontas de fato. Rios de recursos foram, prontamente, desperdiçados na estrada que nunca acaba. Não é preciso ser um especialista para ver que já no verão a BR estava em péssimas condições, agora, no inverno, é fechada por causa de mais uma cheia no rio Madeira.
Até hoje, por não ter o PT investido recursos de maneira séria e consequente na infraestrutura do estado, fechar a BR 364 é isolar o Acre do resto do Brasil. Uma vergonha, em 16 anos de poder daria tempo suficiente para o desenvolvimento de todas as modalidades de transporte no estado. Um governo estadista faz planos de longo prazo e os executa meticulosamente. Os governos petistas só visam o curto prazo, apagam incêndios e estão preocupados em aparelhar o estado para apenas perpetuarem-se no poder. Não possuem visão de futuro. O Estado do Acre não tem uma ferrovia desenvolvida, não têm hidrovias como deveria ter e a malha rodoviária é precária e incompleta.
Sem infraestrutura adequada, o estado, infelizmente, é mais uma vez vítima do isolamento por causa das alagações rotineiras do Rio Acre e do Rio Madeira e o isolamento leva ao desabastecimento. São 16 anos de atraso. Inúmeras oportunidades foram perdidas ao longo dos anos petistas. Empréstimos internacionais vultosos, recursos abundantes do governo federal e dinheiro dos altos impostos não serviram para fazer o estado avançar, nada, estamos na mesma rotina de falta de estradas para escoar a produção e falta de apoio técnico consistente no incremento da produção pecuária, da produção agrícola e da industrialização do Acre.
Ficaremos isolados do resto do Brasil até quando? Quando faremos a infraestrutura necessária para trazer progresso para o Estado? Até quando ficaremos a mercê das intempéries passivelmente previsíveis? Até quando o governo do estado inibirá a iniciativa das empresas no Acre? Até quando optaremos por sufocar a produção e tratar produtores como bandidos e invasores como mocinhos ou coitados? Até quando o estado viverá de caridade estatal federal? Quando tomaremos as rédeas de nosso futuro?
Creio que não é justo o que está acontecendo com o povo acreano, ao fechar a estrada o único a prejudicar-se é o Acre, pois é ele quem depende dos demais estados. Um dia o Brasil dependeu da borracha do estado, hoje impera a inação econômica. Um dia o PT vendeu a ilusão da Florestania, uma mera ficção que não deixou sequer estória para contar. Não faltou poder e nem recursos federais para o desenvolvimento do modelo petista, que naufragou pelos próprios deméritos.
Chegamos a um ponto sem volta. Neste momento, é urgente tirar os petistas do poder com o voto consciente, livre e lúcido. Um voto de confiança em novos homens e mulheres quer darão tudo de si para instaurar uma nova ordem de mudanças para o progresso do Acre. É a confiança que falta para podermos romper com o marasmo econômico, investir seriamente em infraestrutura, qualificar o acreano e construir uma rede de assistência técnica e incentivos para crescermos, para fincarmos as bases do progresso no Estado. O acreano é um povo sofrido e que merece caminhar de cabeça erguida e orgulhoso por não ter mais o seu estado querido no isolamento.
Marcio Bittar é deputado federal do Acre pelo PSDB, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB
No dia 19 de fevereiro, o governo dos petistas, depois de 16 anos de poder, informou que caso a enchente do Rio Madeira continue, o abastecimento de combustível e de alimentos poderão ser prejudicados no Acre. Sequer o estado produz o suficiente para o seu próprio abastecimento. Um dia, um grande empresário radicado aqui disse-me que é preciso importar todos os gêneros alimentícios: "até o tomate, o alface, a batata, a cenoura são alimentos importados". A falta de produção do estado, resultado de um verdadeiro marasmo econômico, é condicionada pela falta de incentivos adequados por parte do governo, pouca ou inexistente assistência técnica ao produtor, falta de investimento sério em formação de Capital Humano, falta de industrias e incompetência em dotar o Acre de infraestrutura adequada.
Com 16 anos de poder, o PT nada fez de efetivo e relevante para a infraestrutura de transporte do Acre. As obras de construção e manutenção da BR 364, em mãos petistas, andam a passos de tartaruga e nunca ficam prontas de fato. Rios de recursos foram, prontamente, desperdiçados na estrada que nunca acaba. Não é preciso ser um especialista para ver que já no verão a BR estava em péssimas condições, agora, no inverno, é fechada por causa de mais uma cheia no rio Madeira.
Até hoje, por não ter o PT investido recursos de maneira séria e consequente na infraestrutura do estado, fechar a BR 364 é isolar o Acre do resto do Brasil. Uma vergonha, em 16 anos de poder daria tempo suficiente para o desenvolvimento de todas as modalidades de transporte no estado. Um governo estadista faz planos de longo prazo e os executa meticulosamente. Os governos petistas só visam o curto prazo, apagam incêndios e estão preocupados em aparelhar o estado para apenas perpetuarem-se no poder. Não possuem visão de futuro. O Estado do Acre não tem uma ferrovia desenvolvida, não têm hidrovias como deveria ter e a malha rodoviária é precária e incompleta.
Sem infraestrutura adequada, o estado, infelizmente, é mais uma vez vítima do isolamento por causa das alagações rotineiras do Rio Acre e do Rio Madeira e o isolamento leva ao desabastecimento. São 16 anos de atraso. Inúmeras oportunidades foram perdidas ao longo dos anos petistas. Empréstimos internacionais vultosos, recursos abundantes do governo federal e dinheiro dos altos impostos não serviram para fazer o estado avançar, nada, estamos na mesma rotina de falta de estradas para escoar a produção e falta de apoio técnico consistente no incremento da produção pecuária, da produção agrícola e da industrialização do Acre.
Ficaremos isolados do resto do Brasil até quando? Quando faremos a infraestrutura necessária para trazer progresso para o Estado? Até quando ficaremos a mercê das intempéries passivelmente previsíveis? Até quando o governo do estado inibirá a iniciativa das empresas no Acre? Até quando optaremos por sufocar a produção e tratar produtores como bandidos e invasores como mocinhos ou coitados? Até quando o estado viverá de caridade estatal federal? Quando tomaremos as rédeas de nosso futuro?
Creio que não é justo o que está acontecendo com o povo acreano, ao fechar a estrada o único a prejudicar-se é o Acre, pois é ele quem depende dos demais estados. Um dia o Brasil dependeu da borracha do estado, hoje impera a inação econômica. Um dia o PT vendeu a ilusão da Florestania, uma mera ficção que não deixou sequer estória para contar. Não faltou poder e nem recursos federais para o desenvolvimento do modelo petista, que naufragou pelos próprios deméritos.
Chegamos a um ponto sem volta. Neste momento, é urgente tirar os petistas do poder com o voto consciente, livre e lúcido. Um voto de confiança em novos homens e mulheres quer darão tudo de si para instaurar uma nova ordem de mudanças para o progresso do Acre. É a confiança que falta para podermos romper com o marasmo econômico, investir seriamente em infraestrutura, qualificar o acreano e construir uma rede de assistência técnica e incentivos para crescermos, para fincarmos as bases do progresso no Estado. O acreano é um povo sofrido e que merece caminhar de cabeça erguida e orgulhoso por não ter mais o seu estado querido no isolamento.
Marcio Bittar é deputado federal do Acre pelo PSDB, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB
terça-feira, 4 de março de 2014
Primeira-dama Marlúcia Cândida vira 'Globeleza' ao desfilar no carnaval carioca
O desfile da primeira-dama gerou muitas críticas nas redes sociais. Veja o desabafo da engenheira e advogada Laura Mamed
“SE DE UM LADO NEGRO, REAL E CAÓTICO, TEMOS:
- BR 364 fechada;
- Estado do Acre isolado por terra;
- Escassez de gêneros de primeira necessidade;
- policiais civis e militares brigando entre si e invadindo delegacias;
- violência, literalmente, saindo pela culatra;
- carnaval popular cancelado;
- famílias desabrigadas por causa da enchente do Rio Acre;
- Estado em estado de emergência;
- Passagem aérea de ida e volta para Porto Velho, Estado vizinho, custando a bagatela de R$2700,00;
- Governo da França destacando o Acre como rota a ser usada em caso de extrema necessidade;
- Infraestrutura urbana que não suporta 5minutos de chuva forte que já transforma a cidade num verdadeiro caos com ruas inundadas, esgotos transbordando, bueiros entupidos, trânsito parado;
DO OUTRO LADO TEMOS:
- O "rico" Estado do Acre contribuindo com o carnaval carioca;
- O "rico" Estado do Acre custeando passagens, hospedagens e fantasias para a comitiva real que insiste em mostrar um Acre que não condiz com o real. Sim, cabendo ao governo o ônus da prova.
- O "rico" Estado do Acre proporcionando a alegria da comitiva real que, literalmente, se apresenta sambando na nossa cara e não demonstrando nenhuma preocupação ou interesse com a situação que aqui está instalada;
E SABEM PQ?????? PQ “SOMOS” BABACAS.
BABACAS AO PONTO DE AINDA APLAUDIR E TORCER PELA VITÓRIA DA ESCOLA PATROCINADA.
Só pra lembrar: PRA MIM, CHICO MENDES MORREU e faz tempo. Morreu como qq outro mortal.
Ah, e por favor, não me venham com arrecadação, carnaval, bingo e seja lá o que for SOLIDÁRIO....Falso moralismo e Hipocrisia.
Não devemos apenas praticar a solidariedade para pobre ver. Devemos ser solidários em nossos atos e interesses. Devemos ser solidários com a situação de pobreza, fome, tristeza e com sofrimento de um Estado e seu povo.”
segunda-feira, 3 de março de 2014
Falta autocrítica e bom senso na crise das polícias Civil e Militar do Acre
O governador do Acre, os secretários de Segurança Pública e de Polícia Civil, além do comandante da Polícia Militar, deveriam fazer autocrítica diante da sociedade e buscar retratação pela lambança de seus subordinados na noite de sábado, durante invasão para resgatar um preso na Delegacia Central de Flagrantes de Rio Branco.
Não basta tratar o escândalo como um caso isolado, pois policiais militares e civis estão com queixas represadas pelo governo e a péssima relação institucional pode resultar em mortes.
São duas polícias que no fim não formam um todo como a sociedade espera. Propositadamente, o governo divide ideologicamente praças e oficiais, agentes e delegados. E no fim, divide todos entre si.
Desconsideremos, por ora, que os bandidos devem estar a comemorar a violência crescente no Acre e a “guerra” entre policiais civis e militares.
Não basta tratar o escândalo como um caso isolado, pois policiais militares e civis estão com queixas represadas pelo governo e a péssima relação institucional pode resultar em mortes.
São duas polícias que no fim não formam um todo como a sociedade espera. Propositadamente, o governo divide ideologicamente praças e oficiais, agentes e delegados. E no fim, divide todos entre si.
Desconsideremos, por ora, que os bandidos devem estar a comemorar a violência crescente no Acre e a “guerra” entre policiais civis e militares.
Nível do Rio Madeira sobe sem parar e rodovia é bloqueada entre Acre e Rondônia
| Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, no centro de Porto Velho, parece flutuar nas águas do Madeira |
Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) decidiram interromper totalmente, durante esta segunda-feira, o tráfego na BR-364, a única via terrestre de acesso entre Acre e Rondônia.
Durante todo o dia, equipes do DNIT e PRF vão avaliar trechos da BR 364, entre Rio Branco e Porto Velho, cobertos pela cheia do Rio Madeira
Por causa do serviço de medição da lâmina d’água sobre a pista, o tráfego de veículos pesados nos dois sentidos está suspenso.
Dependendo do relatório, o tráfego pode ser restabelecido no final do dia, mas, por questões de segurança, será mantido o bloqueio da estrada durante a noite.
O Rio Madeira continua a subir. O nível atingiu 18,74 metros acima do normal, em Porto Velho, às 12h15, na medição da Agência Nacional de Águas.
sábado, 1 de março de 2014
Desembargador revoga portaria de juiz de Tarauacá que impedia funcionamento de comércio a partir de 19 horas
O desembargador Adair Longuini deferiu neste sábado (1)
liminar requerida por um comerciante e revogou a portaria do juiz
substituto de Tarauacá (AC), Flávio Mariano Mundim, que havia
estabelecido as 19 horas como horário máximo de funcionamento dos bares,
restaurantes, lanchonetes, botecos, clubes, boates, lojas de
conveniência, casa de shows e congêneres, mesmo que não vendessem bebida
alcoólicas ou produtos cujos componentes pudessem causar dependência
física ou psiquica durante o carnaval.
De acordo com Adair Longuini, a norma transbordava o poder normativo que é conferido ao Juízo da Infância e Juventude, pois o seu alcance não se limitava a disciplinar o acesso, a permanência e participação de menores em certos lugares ou em determinados eventos.
- A norma é ampla a ponto de vetar, a partir das 19 horas, o funcionamento de todo e qualquer estabelecimento de bares e congêneres, independentemente de haver ou não a presença de crianças e adolescentes. Assim sendo, a conclusão inicial é de que, no ponto, a norma é contrária a lei. Avançar para além da proteção dos direitos da criança e do adolescente, o ato normativo inquinado tende a colidir com o princípio da livre iniciativa, que também tem estatura constitucional (artigo 5°, inciso XIII, e artigo 170, caput - escreveu o desembargador na decisão.
De acordo com Adair Longuini, a norma transbordava o poder normativo que é conferido ao Juízo da Infância e Juventude, pois o seu alcance não se limitava a disciplinar o acesso, a permanência e participação de menores em certos lugares ou em determinados eventos.
- A norma é ampla a ponto de vetar, a partir das 19 horas, o funcionamento de todo e qualquer estabelecimento de bares e congêneres, independentemente de haver ou não a presença de crianças e adolescentes. Assim sendo, a conclusão inicial é de que, no ponto, a norma é contrária a lei. Avançar para além da proteção dos direitos da criança e do adolescente, o ato normativo inquinado tende a colidir com o princípio da livre iniciativa, que também tem estatura constitucional (artigo 5°, inciso XIII, e artigo 170, caput - escreveu o desembargador na decisão.
Questões para os engenheiros rodoviários com o fechamento da BR-364 por inundação
POR ROBERTO FERES
Ficou crítico o abastecimento de Rio Branco, a capital do Acre, por causa da cheia do Rio Madeira, em Rondônia.
Nesses dias de Rio Madeira cheio, a água passa continuamente mais que meio metro acima do pavimento em trechos da BR-364, conforme as notícias baseadas em dados da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Mesmo assim, muitos veículos de maior porte se arriscam percorrendo trechos inundados para não perder ou atrasar mais a entrega das cargas no Acre.
O fato me causa uma preocupação que poderia ser melhor respondida por engenheiros rodoviários e o próprio DNIT.
Os aterros rodoviários, como os que existem no trecho inundado, não são preparados para trabalhar saturados pela água como as barragens de açude, por exemplo. O mesmo acontece com as camadas de base.
O tráfego sobre o terreno inundado não funciona conforme as condições de projeto da estrada.
Quanto isso pode desestabilizar o aterro? Quanto tempo o aterro suporta a inundação?
Essas, creio, são questões pertinentes que podem prevenir outras situações desagradáveis no futuro.
Roberto Feres é engenheiro civil e perito da Polícia Federal
Ficou crítico o abastecimento de Rio Branco, a capital do Acre, por causa da cheia do Rio Madeira, em Rondônia.
Nesses dias de Rio Madeira cheio, a água passa continuamente mais que meio metro acima do pavimento em trechos da BR-364, conforme as notícias baseadas em dados da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Mesmo assim, muitos veículos de maior porte se arriscam percorrendo trechos inundados para não perder ou atrasar mais a entrega das cargas no Acre.
O fato me causa uma preocupação que poderia ser melhor respondida por engenheiros rodoviários e o próprio DNIT.
Os aterros rodoviários, como os que existem no trecho inundado, não são preparados para trabalhar saturados pela água como as barragens de açude, por exemplo. O mesmo acontece com as camadas de base.
O tráfego sobre o terreno inundado não funciona conforme as condições de projeto da estrada.
Quanto isso pode desestabilizar o aterro? Quanto tempo o aterro suporta a inundação?
Essas, creio, são questões pertinentes que podem prevenir outras situações desagradáveis no futuro.
Roberto Feres é engenheiro civil e perito da Polícia Federal
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