quarta-feira, 12 de setembro de 2012

FILHOTE DE COBRA


Essas criaturas adoram invadir meu ambiente de ócio e bem-estar.

Minha mãe não deixou que fosse morta e a despachou num capinzal, no outro lado da rua.

- Quanto mais a gente mata cobras, mais elas aparecem - ensina dona Maria.

Agora resta saber onde está o ninho delas no meu quintal.

"DEPUTADOS LADRÕES, JUSTIÇA CEGA"


Estive no Museu da Borracha, que dispõe de uma arquivo razoável de jornais do Acre das últimas décadas.

É um programa imprescindível e divertido para quem quer conhecer melhor o dinamismo da política e dos políticos.

Embora o calor no ambiente seja infernal, a funcionária Dora exigiu que eu usasse máscara e luvas para manusear os jornais. Foi bom mesmo.

Num exemplar de O Rio Branco, de agosto de 1996, aparece a então sindicalista Naluh Gouveia, que depois fo eleita deputada estadual pelo PT e atualmente é conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Acre.

- Deputados são corruptos e a Justiça é cega - afirmava a sindicalista em entrevista.

Clique aqui e veja outros três recortes de jornais.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

UM DESERTO MAIS OCIDENTAL

Amanhecer numa fazenda na BR-317 e o que sobrou na região que formava o maior castanhal do Planeta



"1877" - canção de autoria do poeta Beto Brasiliense

Mil oitocentos e setenta e sete
Tudo seco no Nordeste
Foi o tempo que eu saí de lá
À procura de um lugar

Iaco, Acre, Alto Purus
Peru, Bolívia e mares azuis
Muy tiempo antes
Viemos também dos Andes

Mil oitocentos e setenta e sete
La seca es todo que se me ofrece
Los seringueiros perecem
Estoy acá, estoy allá
Estoy além de ustedes

Agora cem anos depois
A mata pega fogo e eu sei que sou dois
Sou ainda quem ficou lá
Sou também quem veio pra cá

Mil oitocentos e setenta e sete
Tudo seco no Nordeste
Foi o tempo que eu saí de lá
À procura de um deserto mais ocidental

Faz cem anos que isto aconteceu
Outra vez não tenho nada de meu
Agora a mata pega fogo e eu quero ir
Sei, não tenho mais onde fugir

Mil novecentos e setenta e sete
É quando tudo começa
Seringa, bala e coisa e tal
Essa história acaba mal

TRÊS RECORTES DE JORNAIS

Em 22 de setembro de 1996, o então prefeito de Rio Branco, Jorge Viana (PT), anunciava em entrevista ao jornal O Rio Branco, que o candidato petista à prefeitura, Marcos Afonso, ia derrotar Mauri Sérgio (PMDB) com cinco mil votos de diferença



Em A Gazeta, famoso articulista considerava Marcos Afonso uma fraude: "Do Marcos Afonso revolucionário, ao que me consta, restou apenas aquele que gosta do braço de um violão, de conversa com amigos numa mesa de bar".


Manchete de O Rio Branco no dia 4 de outubro de 1996

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Acre terá que demitir servidores admitidos sem concurso



Termina nesta semana o prazo estabelecido pela Justiça do Trabalho para que o governo do Acre cumpra o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e declare a nulidade dos contratos de trabalho firmados após a Constituição de 1988, quando 11 mil trabalhadores foram admitidos na máquina pública estadual sem concurso público.

Uma decisão da juíza Luciana Jereissati Nunes, da 2ª Vara do Trabalho de Rio Branco, determina que a nulidade dos contratos seja iniciada com o fim da relação de trabalho mantida com 31 servidores da Secretaria de Fazenda.

Por causa do descumprimento do TAC, o governo do Acre já deve R$ 42 milhões em multas apenas em relação aos 31 trabalhadores da Fazenda.

Após esgotar o prazo e não havendo comprovação do cumprimento das obrigações determinadas pela Justiça do Trabalho, o governo do Acre terá que pagar mais multa diária no valor de R$ 1 mil por contrato de trabalho não rescindido.

A juíza indeferiu o pedido do Ministério Público do Trabalho que pretendia a comprovação de imediata cassação das pensões dos trabalhadores falecidos. Ela considerou que o falecimento do trabalhador é forma de extinção do contrato de trabalho, sendo esta a obrigação prevista no item 2 do TAC, razão pela qual entendeu que a obrigação restou cumprida por via transversa com o falecimento dos empregados.

- Já em relação ao pleito de cassação das aposentadorias dos trabalhadores admitidos sem concurso público após a Constituição de 1988, apesar de a aposentadoria espontânea, por si só, não extinguir o contrato de trabalho, extrai-se da relação apresentada pelo executado que houve a efetiva extinção do contrato de trabalho daqueles trabalhadores aposentados, pelo que entende-se que a obrigação prevista no item 2 do Termo de Ajustamento de Conduta também já foi cumprida por via transversa no tocante aos aposentados - escreveu Luciana Jereissati Nunes.

Consultado pelo Blog da Amazônia, um procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) afirmou que não cabe mais recurso ao governo do Acre, pois o processo já está na fase de execução.

Segundo o MPT, ninguém pode deixar de cumprir a lei sob o argumento de que a não conhecia. A Constituição Federal de 1988 é clara no sentido de contratação pela administração pública somente por concurso público.

- O concurso público é um principio constitucional que reflete a democracia, ou seja, oportunidade para todos em nossa sociedade. O descumprimento disso é o mesmo que lesionar não só o erário, mas toda a sociedade.

O procurador assinalou que são 11 mil servidores em situação irregular contra 290 mil que tiveram a oportunidade lesionada por culpa única e exclusivamente de um agente político que seguiu o modo ilícito e irregular de contratação.

- Somos responsáveis por nossos atos. A população ou qualquer cidadão não pode ser refém da má gestão pública. Quem foi contratado assim, sabia ou desconfiava, que o método não era o mais legítimo.

Em 2005, a Assembléia do Acre aprovou acréscimo de artigo ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, de autoria da então deputada Naluh Gouveia (PT), atualmente conselheira do Tribunal de Contas do Acre.

Servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, admitidos sem concurso até 31 de dezembro de 1994, foram efetivados e passaram a integrar o quadro temporário em extinção à medida que os cargos ou empregos respectivos vagarem.

A Procuradoria Geral da República ajuizou no Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2005, uma ação direta de inconstitucionalidade contra a decisão da Assembleia por afronta aos princípios do artigo 37 da Constituição, que elenca os princípios inerentes à Administração Pública, que são: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. O processo está parado no STF desde o ano passado.

O procurador-geral do Estado, Rodrigo Fernandes das Neves, disse ao Blog da Amazônia que o governo do Acre, por meio da Procuradoria-Geral do Estado, trabalha judicialmente há cerca de duas décadas, em todas as instâncias, para manutenção dos chamados servidores “irregulares” contratados após a Constituição de 1988.

- Nós temos considerado a necessidade de pacificação social, utilizando-se o princípio da razoabilidade. Por decisão própria, o Estado não demitirá ninguém nessas condições. Eventuais decisões judiciais em que não caibam mais qualquer recurso terão que ser cumpridas.

O TAC tem valor de decisão judicial e tem que ser cumprido, de acordo com o Ministério Público do Trabalho.

APATIA DE TIÃO E JORGE VIANA NA CAMPANHA

POR EVANDRO FERREIRA

Os eleitores de Rio Branco já notaram e os observadores mais curiosos estão querendo entender: Por que os irmãos Tião e Jorge Viana ainda não se engajaram totalmente na campanha de Marcus Alexandre, candidato do PT à prefeitura de Rio Branco, ao contrário do que fizeram em 2010, quando tentaram eleger Edvaldo Magalhães senador?

Falta um mês para o pleito e nem sinal dos dois nos programas eleitorais de rádio e TV, nos materiais impressos e em outdoors. Não dá para entender, pois Tião e Jorge Viana são as maiores expressões políticas do PT local e, ocupando os cargos de governador e senador, podem ser classificados na atualidade como os políticos mais relevantes do Acre no cenário nacional.

Além disso, considerando que a candidatura de Marcus Alexandre é fruto de uma imposição de Tião e Jorge Viana ao conjunto de partidos que formam a Frente Popular, era de se esperar que eles usassem seu imenso prestígio político e popular para alavancar o seu candidato noviço.

Parece que os manos estão cientes de que a aposta em Marcus Alexandre é muito arriscada e a passividade que estão demonstrando nesta altura da campanha eleitoral é incompreensível.

Quando temos situações nas quais um candidato sem qualquer expressão e experiência política concorre a um cargo majoritário, como é o caso de Marcus Alexandre, o normal é seus aliados e patrocinadores políticos mais tarimbados se colocarem ao seu lado –muitas vezes à sua frente– ao longo de todo o processo eleitoral para garantir aos eleitores que a inexperiência do mesmo não irá comprometer seu desempenho em caso de vitória.

Está provado que esse apoio ostensivo tem um efeito psicológico positivo no eleitorado, pois deixa claro que por trás do candidato inexperiente existe uma equipe extremamente experiente e competente. Adotar essa postura é, portanto, uma estratégia inteligente para ganhar votos. O ex-presidente Lula está fazendo isso com Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo, e por causa disso Haddad tem subido como um foguete nas pesquisas de intenções de votos.

Em Rio Branco Marcus Alexandre está livre, leve e solto, aparentemente fazendo o que bem quer na sua campanha. Nada de material impresso de campanha, inserções no rádio, jornais e TV ao lado dos caciques dos partidos que o apóiam.

As pesquisas de intenções de votos revelam um aumento na sua popularidade, mas nada excepcional e fora dos limites que se espera que ele alcance, considerando que nunca disputou eleições e que no pleito de 2010 a frente de partidos que o apóia foi derrotada em Rio Branco.

Por essas razões, era de se esperar que o alarme de perigo de derrota já deveria estar tocando no comitê eleitoral de Marcus Alexandre. Não só não está, como, por incrível que possa parecer, deverá em breve soar no quartel general da campanha do líder na preferência dos eleitores, Tião Bocalom (PSDB).

Acontece que os equívocos cometidos por Bocalom, o franco favorito para vencer a eleição antes do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, estão favorecendo a campanha de Marcus Alexandre. Até a sonhada polarização da disputa, almejada pelos planejadores da campanha do então inexpressivo Marcus Alexandre desde a oficialização de sua candidatura, se tornou uma realidade. Isso era fundamental para estancar um possível crescimento de Bocalom na preferência eleitoral – que era acima de 40% antes do início da campanha –, e garantir a ida de Marcus Alexandre para o segundo turno.

Depois do início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, a equipe de Marcus Alexandre não teve que fazer absolutamente nada para derrubar o prestígio eleitoral de Bocalom. Ele e sua equipe de apoiadores, com uma campanha vazia de propostas de trabalho e recheada de rancor contra todos e tudo que tem alguma relação com o PT e seus aliados, tem sido bastante eficientes em convencer os eleitores de que ele talvez não seja a melhor opção para comandar a nossa cidade pelos próximos quatro anos.

Um bom exemplo é a sua oposição ao programa Ruas do Povo, que está tirando da lama e da poeira milhares de pessoas de bairros periféricos da capital. Sem apresentar melhor alternativa, Bocalom deveria ser avisado que se continuar a criticar cegamente essa iniciativa sua candidatura irá minguar ainda mais. Custava prometer que iria adotar o programa, ampliar e fazer com mais qualidade?

Nesse contexto, pode-se atribuir que a garantia da realização de um segundo turno nas eleições, a campanha equivocada de Bocalom e a dificuldade de Fernando Melo (PMDB) em melhorar sua preferência junto aos eleitores, são responsáveis pela visível passividade de Jorge e Tião Viana na campanha de Marcus Alexandre. Em contraste, no interior do estado eles estão a todo vapor e participam intensamente das campanhas dos candidatos dos partidos da Frente Popular.

E como será a atuação de Jorge e Tião Viana no segundo turno da eleição em Rio Branco? Para muitos eles estão sendo resguardados para o segundo turno. Serão usados como trunfo, a arma secreta, a bala de prata que a Frente Popular precisa para vencer a eleição.

Outros consideram que a derrota da Frente Popular em Rio Branco nas eleições desse ano é inevitável – independente do candidato apresentado – e que por isso eles não querem associar suas trajetórias vitoriosas com essa derrota. Querem se resguardar para as eleições de 2014.

Uns poucos propõem que o apoio explícito deles nos programas de rádio, TV e em materiais impressos iria mais prejudicar do que ajudar e por isso eles não podem – embora queiram – aparecer na campanha. O choque de realidade vivido na eleição de 2010 deixou traumas, receios e mostrou que a capacidade de transferir prestígio eleitoral – votos – não é algo automático. A derrota de Edvaldo Magalhães para o Senado é a melhor prova.

O resultado da apuração das urnas trará a resposta e porá um fim nesse mistério. E mostrará se as lições da amarga vitória de 2010 foram aprendidas.

domingo, 9 de setembro de 2012

PALHA DE UBIM


Detalhe interior da cobertura do restaurante Las Palmas, de Cobija, na Bolívia. Essa palha nobre é conhecida pelos bolivianos como "hoja de jatata".

Em outras regiões da Amazônia brasileira é conhecida como palha de ubim. Índios e não índios a utilizam na cobertura e até nas paredes de casas.

No Acre, é mais encontrada nas florestas de Cruzeiro do Sul.

Uma cobertura de palha de ubim chega a durar 20 anos.

O conforto térmico é incomparável, apesar da palha altamente inflamável.

Quando meus pais casaram, a casa de madeira era coberta de ubim, na rua Alfredo Teles, em Cruzeiro do Sul (AC).

Anos depois a palha de ubim foi trocada como um grande avanço por um telhado de alumínio.

Barulho de chuva em telhado de ubim não tem preço. Sob um telhado de alumínio é infernal, assim como o calor em dias de sol.

Quando vejo palha de ubim sempre lembro de minha infância. Deitado, contemplava a nobreza do trançado de ubim em hastes de paxiúba.

Canaraí e jarina são outras palhas tão nobres quanto a ubim.

sábado, 8 de setembro de 2012

ILUSÃO DE ÓTICA

Uma jovem castanheira no fim da BR-317


ALVORADA

Confluência da AC-40 com BR-317, às 5h37 da hora antiga do Acre - 6h37 no HTV, ou seja, no Horário do Tião Viana


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

EXEMPLO AOS MAIS JOVENS

POR MAURO RIBEIRO

Li com a devida atenção a nota "Hipocrisia a gente vê no Acre", assinada neste blog por meu primo, o Osvaldo Neto, e também os comentários expedidos por alguns de seus leitores.

Confesso que fiquei gratificado pelo sentimento das pessoas em relação aos Ribeiro, incluindo os dois lados da portuguesada.

Tenho muito carinho pelo Neto e respeito suas ideias e até ideais já confessados, como o de “ser deputado em Brasília”.

Penso até que a decisão de assessorar o deputado Gladson Cameli é parte da estratégia de uma carreira na política.

O que é inaceitável é criar uma tese fantasiosa (“a perseguição aos Ribeiro”) apenas para atender o delivery da política.

Por isso, publicamente, faço-lhe um apelo: cite ao menos uma, isso mesmo, uma só “perseguição” de qualquer instância de governo do Acre praticada contra “o lado oposição” de nossa família e assim justificar o presente surto.

Comprometo-me a analisar e verificar qualquer dado apresentado, com a segurança de quem conhece uma boa parte dos problemas que atravessamos – e as soluções de estado que praticamos.

Ninguém vai encontrar, da nossa parte, qualquer ato para prejudicar deliberadamente quem quer que seja, como também qualquer tentativa de ajudar sem respeito à ordem legal. Isso é fato.

Posso assegurar que em nenhum dos meus dias como Secretário de Estado de Agricultura pratiquei qualquer ato ilegal para favorecer a quem quer que fosse, seja um amigo, um desconhecido ou um parente – mesmo um que todos amamos, como o tio Osvaldo. E o Neto sabe que já tivemos muito trabalho.

Os que me conhecem sabem do meu caráter e da minha fidelidade a princípios éticos. Só isso já justifica o prazer que tive em atuar, por mais de 10 anos, como secretário estadual de Agricultura.

Atuei com liberdade e autonomia em quatro governos. Convivi de perto com três governadores - Jorge Viana, Binho Marques e Tião Viana, atravessando seis eleições majoritárias e em todos estes momentos dou o testemunho da lisura com que atuam e a dedicação sem limite à causa dos acreanos.

Que eles sirvam de exemplo aos mais jovens para que se dediquem à nossa gente em igual intensidade e honestidade, pois, agindo assim, independente de que lado estejam, o Acre agradecerá.

Mauro Ribeiro é agrônomo e professor da Universidade Federal do Acre

HÉLIO MELO NO GRAFITE

No Colégio Estadual Rio Branco, grafiteiro Dedé presta homenagem ao artista plástico Hélio Melo (1926-2001), abaixo da obra pintada na parede do prédio pelo ex-seringueiro


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

DIA DA AMAZÔNIA

É o que vemos no Acre a partir do portão de nossas casas


terça-feira, 4 de setembro de 2012

DESTRUIÇÃO DO LEGADO

Da ex-ministra Marina Silva na véspera do Dia da Amazônia



- Justo reconhecimento. No Panteão, Chico Mendes e Soldados da Borracha inscritos no Livro de Aço dos Heróis Nacionais. Enquanto isso, ao lado, o Congresso, com o aval do governo, corre com a desconstrução da legislação ambiental. Homenageiam os homens e destroem seu legado.

HIPOCRISIA A GENTE VÊ NO ACRE

POR NETO RIBEIRO

Queiram me desculpar os meus amigos da situação, que não precisam ler essa breve nota, mas a minha paciência chegou ao limite. Sou oposição ao PT desde o berço e os mais antigos sabem bem disso.

Antes que os mais novos digam algo, esclareço que já estive por um tempo atrelado, por capacidade técnica, à administração do prefeito de Rio Branco, o professor Raimundo Angelim, do PT, pessoa por quem nutro enorme respeito.

Mas daí a ver, na mídia local, publicações segundo as quais a oposição abriga gente incompetente e no PT é onde se encontra a "nata de la creme", é simplesmente confirmar a eterna demonstração de arrogância e prepotência características dessa cúpula que está no poder no Acre. E não irei aqui elencar currículo, pois quem precisa conhecê-lo já o esquadrinhou.

Minha família tem mais de 100 anos de trabalho prestado a essa terra. Meus ancestrais aqui chegaram em 1904 e trabalharam duro. Trabalho, se é que me entendem.

Meu avô, de 73 anos, apesar de todo o patrimônio que construiu com trabalho, ainda levanta todos os dias, às 5 horas da manhã, para percorrer seus negócios. Meu pai, apesar de não necessitar, não se furta a subir em um trator e gradear terra nas fazendas. Eles gostam de trabalhar.

Há mais de 15 anos não temos nenhum vínculo econômico-financeiro com o governo do Estado do Acre - não vendemos por carta convite, não participamos de licitação. Apesar das inúmeras formas de perseguição que sofremos, conseguimos crescer. Sabe por quê? Por causa do trabalho.

Nos momentos em que estivemos no poder (já tive tios que foram presidente da Assembléia Legislativa e Prefeito Municipal) jamais foi quesitonada a idoneidade moral ou honestidade deles. Ilson Ribeiro, por exemplo, presidiu a Assembleia quando o governador do Acre era Romildo Magalhães, esse nome que a maioria talvez só conheça por "ouvi falar", porque nem os livros de história trazem, de tão ruim que foi.

Portanto, mandões do Acre, ao expor suas opiniões, respeitem a história de vida de pessoas íntegras e honestas, não generalizem. Na minha casa, no lado oposição da família Ribeiro, nunca houve quem mamasse nas tetas do governo. Mas todos conhecemos os que vivem às custas do erário há mais de 20 anos e outros a vida toda.

Outro dia, num passeio virtual numa rede social, encontrei a seguinte pérola do governador do Acre, Sebastião Viana:

- É de impressionar a presença tão expressiva de Servidores Públicos e militantes, fora do horário de expediente, no bandeiraço do Centro. Carinho e entusiasmo irradiados por tantos...o pedido firme de voto [...]".

E eu pergunto: quantos desses realmente são servidores efetivos? Quantos desses que lá estavam não eram ocupantes de cargos comissionados (e até secretários), gestores e afins, todos com vínculos empregatícios precários com o Município ou Estado, tentando, na realidade, apenas manter o seu cargo para o próximo mandato?

Quantos desses "militantes" não estão buscando uma "boquinha", na base do apadrinhamento político, para se dar bem a partir de 2013? Porque, embora haja militantes e ocupantes de cargos comissionados que atuam por acreditar no "projeto" (e conheço alguns, bons e de valor, mas alguns poucos), a maioria, sem medo de errar, está lá para garantir o seu bolso. E que se dane o interesse público e todo o resto. O importante é manter o seu.

Mesmo que a oposição ganhe as eleições no Acre, continuaremos a manter os mesmos princípios e formas de trabalhar, não vinculados ao Estado. Ao contrário desses "empreendedores" que estão atrelados ao erário, não precisamos das tetas da viúva para viver.

Hipocrisia a gente vê no Acre.

Neto Ribeiro é advogado. É da terceira geração da família dos “portugueses”, uma das mais tradicionais do Acre e reconhecida por sua disciplina ao trabalho. O patriarca da família, Osvaldo Alves Ribeiro, é o pecuarista mais bem sucedido do Estado, dono do maior rebanho e frigorífico do Acre. Mesmo assim, aos 73 anos, acorda cedo todos os dias para trabalhar, mantendo um estilo de vida austero e reservado.

NA VÉSPERA DO DIA DA AMAZÔNIA

Governo do Acre considera uso do fogo na agricultura uma necessidade real e, no momento, insuperável

Nesta terça-feira (4), véspera do Dia da Amazônia, o governo do Acre recorreu à Justiça Federal contra a ação civil pública dos Ministérios Públicos Federal e Estadual que resultou na proibição do uso do fogo, em todo o Estado e em qualquer situação, a ser substituído por melhores técnicas agrícolas para solucionar o problema das queimadas na região.

Em nome do governo e do Instituto de Meio Ambiente do Acre, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) pede a revogação da decisão antecipatória de tutela para possibilitar a autorização de queima controlada de três hectares para a agricultura familiar e de subsistência, e do limite da área de conversão para a limpeza do terreno.

O governo estadual considera o uso do fogo na agricultura uma "necessidade real e, no momento, insuperável" para se assegurar o direito à alimentação de milhares de famílias. A proposta de queimar três hectares chegou a ser apresentada pelo governo estadual quando se buscou acordo judicial, mas foi rejeitada pelos Ministério Público.

O governo alega que não dispões de recursos materiais, humanos e financeiros para substituir essa antiga técnica (coivara) a curto ou a médio prazo, sendo um processo de longo prazo, até mesmo devido à cultura arraigada dos produtores familiares.

O governo do Acre também alega que a proibição do fogo na agricultura familiar está ameaçando a segurança alimentar de milhares de pessoas, gerando uma comoção na sociedade civil, a qual aguardava com expectativa a análise, pelos Ministérios Públicos, da proposta de acordo apresentada pelo Estado.

De acordo com a PGE, as premissas da proibição se revelaram inconsistentes, a começar pelo "cálculo ingênuo e simplista" de que R$ 19,9 milhões bastariam para substituir o uso do fogo. O governo estadual estima que seriam necessários mais de R$ 4 bilhões para se chegar perto de acabar com o uso do fog.

O procurador-geral do Estado, Rodrigo Fernandes das Neves, disse ao Blog da Amazônia que o Acre possui políticas públicas sociais e econômicas voltadas à substituição do uso do fogo na agricultura familiar, o que inclui o "Plano Integrado de Prevenção, Controle e Combate às Queimadas e aos Incêndios Florestais do Estado”.

- O que estamos pleiteando não é divergente da sustentabilidade e tem o apoio dos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, de Floresta e de Desenvolvimento Rural Sustentado. A política do Estado tem o objetivo de chegar numa situação em que não se faça uso do fogo, mas isso exige muito investimento em equipamento e assistência ao longo de muitos anos.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Edegard de Deus, assinalou que o governo do Acre tem dificuldade em alcançar com seus programas as regiões mais remotas, onde existem mais de 35 mil de pequenos agricultores envolvidos na agricultura familiar.
A PRG afirma que o Acre é mundialmente conhecido por sua luta para promover a economia verde, estando na vanguarda do pagamento por serviços ambientais e tendo um portfólio de políticas públicas e ações que importam na redução do uso fogo.

Segundo a PGE, o Estado é o segundo menor PIB do Brasil e tem 133.410 pessoas em extrema pobreza, não sendo razoável exigir que substitua o uso do fogo a curto e médio prazo em detrimento de outras necessidades básicas da população, constitucionalmente protegidas.

COMO LA CIGARRA

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PARA QUE SERVE UMA BANDEIRA VERMELHA


O deputado estadual Moisés Diniz (PCdoB), líder do governo do Acre na Assembleia, publicou no Facebook a foto de uma criança de Tarauacá (AC) com o comentário a seguir:

"Que os vencedores desta eleição, nos 22 municípios, não esqueçam desta imagem e cuidem de nossas crianças como um tesouro, porque representam a parte mais frágil da sociedade.

Quando defendemos sem-teto, sem-terra, povos indígenas, flanelinhas, é porque acreditamos que eles são tão frágeis quanto esta criança.

Que as bandeiras vermelhas nunca esqueçam a sua origem e nunca abandonem a sua utopia."

E este foi meu comentário: Nem dá pra "curtir" isso. E ainda existe gente defendendo a multiplicação de bandeiras vermelhas nesta campanha eleitoral. É para isso que elas servem? Aliás, a bandeira que separa a terra do corpo da criança é do PT.

COMO MATAR UM RIO


A água fétida e poluída que desce pelo canal do majestoso Parque da Maternidade continua a ser lançada no leito do Rio Acre, a 557 metros em linha reta do Palácio Rio Branco.

Repito: imagem negativa para o Acre - a terra de Chico Mendes, Marina Silva e tantos outros santos milagreiros da política local.

A foto abaixo, de Marcos Vicentti, de setembro de 2007, serviu para ilustrar a nota "Encontro das águas" neste blog.

É a imagem do ponto de confluência do canal com o Rio Acre, próximo ao Mercado Municipal Elias Mansour. Não é por falta de verbas da União que nada mudou desde então. 

domingo, 2 de setembro de 2012

BR-364 DESMORONA NO ACRE

Que Dilma chute canelas



O governador do Acre, Tião Viana, e os senadores Aníbal Diniz e Jorge Viana serão recebidos na terça-feira (4), no Palácio do Planalto, em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff.


Embora o governo estadual tenha anunciado que a pauta do encontro seja os avanços do Acre com apoio do governo federal, tenho certeza que a presidente não convocou o trio petista para elogiá-lo pela qualidade das obras da BR-364.


Veja o que a presidente declarou no Blog do Planalto em 20 de março deste ano sobre a estrada que já custou mais de R$ 1 bilhão:

- As construtoras são obrigadas por lei a entregar as obras com a qualidade especificada no contrato. Quando o trabalho é mal executado as empresas são obrigadas a corrigir as falhas, como ocorreu, por exemplo, com a BR-174 (Roraima), com a BR-101 (Nordeste), e agora com a BR-364 (Acre), que está sendo refeita. Para evitar a ocorrência desses problemas, o DNIT está intensificando a fiscalização. O órgão está sendo mais rigoroso quanto à notificação das empresas, que podem ser multadas e serem declaradas inidôneas, o que impede que venham a firmar novos contratos com a administração federal.


O líder indígena Joaquim Tashka Yawanawa publicou neste domingo, no Facebook, sete fotos da BR-364. Ele percorreu a rodovia no trecho de Rio Branco a Tarauacá.


- É incrível como o asfalto papelim que fizeram está desmoronando todo. Tirei as fotos hoje. Caso não acredite, faça como eu: viaje de carro de Rio Branco até Tarauacá - recomentou Tashka Yawanawa ao blog.


A reunião dos três políticos do Acre com a presidente também tem a ver com o que escreveu o colunista Ilimar Franco, do Globo:

- Mesmo com o apoio do novo presidente do STJ, Félix Fischer, Sérgio Kukina não deve ser nomeado para a vaga do Ministério Público no STJ. No Planalto, ele é considerado tucano. A tendência da presidente Dilma é pela nomeação do procurador Sammy Barbosa, que tem o apoio do vice do STJ, Gilson Dipp, do governador Tião Viana (AC) e do senador Jorge Viana (PT-AC).


Depois daquele bilhete - "Porque (sic) os jornais estão dizendo que houve um acordo ontem no Congresso sobre o Código Florestal e eu não sei de nada?" -, em que a presidente perguntava a Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Ideli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais), quem duvida que o senador Jorge Viana não vai se explicar, além daquela tuitada sobre a polêmica?

- Nem tudo que se vota no Congresso é por ordem ou acordo do governo. Votação da Medida Provisória é prerrogativa do Congresso. Evitou-se um desastre - escreveu Viana.
 



"QUEREM ABAFAR O CASO, GOVERNADOR"

Monteirinho do PT faz apelo a Tião Viana



Um dos fundadores do PT no Acre, amigo de Chico Mendes, Monteirinho luta para esclarecer suposto caso de negligência médica que resultou na morte da mulher dele há dois anos e meio em hospital público de Rio Branco.

O caso foi denunciado por Monteirinho ao Ministério Público, mas o processo está parado porque o Instituto Médico Legal do Acre não fornece o laudo.

Monteirinho pede apoio ao governador Tião (PT), relembra sua militância no partido, interpreta música que compôs sobre Chico Mendes e analisa a importância histórica do seringueiro de Xapuri.

Vale a pena assistir ao vídeo. Abaixo, no quarto de casal, relato do drama e mensagens de amor. Clique na imagem.