Leila Jalul
Caro Walmir,
posso assumir a parte da culpa que me pertence, sem qualquer problema. A Glória e o Altino, por certo, assumirão a que lhes cabe. Dito isso, você deve mesmo é escrever sempre. Sempre e muito, além de promover, para o cargo de gerente, esse menino descuidado que saiu da risca das normas da empresa.
Aliás, se você administra a bodega da forma como escreve, logo, logo, aparecerá na lista dos dez mais competentes empreendedores do ano. Sobrinho do Padre José? E do Padre Peregrino? Uma coisa é certa: cacife não vai faltar. Tem. Em dose dupla!
Sabe, Walmir, o Padre José era tão exibido, tão feiticeiro, provocador e fantasioso – a palavra que encontrei para não falar mal do homem de Deus -, que empanava a figura do Frei Peregrino, como carinhosamente o chamávamos. Não raramente atacavam em parceria. Mesmo assim, o José brilhava mais. Tinha dotes, o rapaz!
Suas primas Letícia e Cecília fizeram parte de minha infância. Até hoje ainda vejo Cecília, lá pelas bandas da Cadeia Velha. Sempre alegre, freqüenta o tapiri que o Seu Chico Peixe tem na beira do rio. É gente muito fina!
Continue lendo o Blog do meu "patrão". Não apenas leia. Venha estar conosco nessa caminhada. Comecei a “trabalhar” em novembro último. Você lerá uns textos que podem interessar, ou não. Esteja à vontade para críticas e correções.
A Glória vai continuar escrevendo. As gravações, assim como a saga, não terminaram. O Blog é sempre rico em material e notícias. Outra recomendação é que acesse os textos do Elson Martins, na coluna Almanacre, aos domingos, e O Espírito da Coisa, do Toinho Alves. Outros mais poderão ser indicados pelo Altino.
Blog não dói!
Grande abraço.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
A CULPA É DE VOCÊS
Walmir de Lima Lopes
Leila, a culpa é de vocês! Estou meio triste porque quebrei uma promessa. Não seria escravo de micros. E tendo ampliado o raio da promessa até os limites da pequena bodega que tento administrar com esmerado zelo, restringi o uso da ferramenta exclusivamente aos ossos do ofício. Nada de acesso a joguinho, MSN, Orkut, blog e outros besteiróis da vida. E assim era. Até ontem.
Ao chegar à empresa, vazia em hora de almoço, descobri furioso que o édito havia sido infringido. Um funcionário descuidado (ou não), havia saído para o repasto e largado a estação de trabalho acintosamente conectada ao "Blog da Autora", da Glória Perez, num gesto aparentemente casual, mas que a mim, imperador da bodega, aparecia como preocupante tentativa de cunho libertário. Um Bolívar da comunicação agindo em meu reino?
Vendo minha autoridade real ameaçada pelo infame, sento-me na frente da máquina à cata de uma prova que justificasse uma punição exemplar por tamanho ato de rebeldia. Pra desencanto do meu orgulho e encanto do meu espírito, vejo aqui uma foto do padre José, ali um pedaço do meu Quixadá, mais além os imponentes barrancos do meu Rio Acre. A emoção me trai, desequilibro, tropeço num link e escorrego até o blog do Altino Machado.
Quando creio a emoção no fim, eis que surge você, toda legítimo orgulho, a homenagear sua heroína. A comparação é inevitável. Em termos de orgulho e heroína, estamos no mesmo batente. Minha heroína também é de 23, também era acreana das machas e também meu orgulho. Viajou aos 76.
Certamente mora hoje no pedaço de céu reservado aos acreanos de bom caráter, ouvindo as estórias engraçadas do seu irmão, padre José, enquanto cofia carinhosamente os cabelos de minha avó Benvinda (só por castigo, pois detestava catar a cabeça da mãe).
Ah, ia esquecendo. Liberei geral a internet na bodega. O pequeno Bolívar já recebeu o décimo com 20% a mais como bônus pelo desacato. Meu sócio chiou. Eu disse a ele que cobrasse da Leila Jalul, da Glória Perez e do Altino Machado. Nada mais justo, considerando que a culpa pelo prejuízo foi de vocês.
Blog: A ferramenta mais democrática para a construção social do conhecimento. Achei interessante esta definição de blog. Não é de minha autoria e desconheço o autor. Ouvi numa conversa de botequim, enquanto...
◙ Walmir de Lima Lopes deixou o comentário acima sem revelar onde vive ou se é mais um daqueles da freguesia da Leila Jalul. Este blog vai esperar por mais informações do distinto emissário, que, todos vêem, escreve muito bem e já pode se considerar sócio desta outra bodega.
Leila, a culpa é de vocês! Estou meio triste porque quebrei uma promessa. Não seria escravo de micros. E tendo ampliado o raio da promessa até os limites da pequena bodega que tento administrar com esmerado zelo, restringi o uso da ferramenta exclusivamente aos ossos do ofício. Nada de acesso a joguinho, MSN, Orkut, blog e outros besteiróis da vida. E assim era. Até ontem.
Ao chegar à empresa, vazia em hora de almoço, descobri furioso que o édito havia sido infringido. Um funcionário descuidado (ou não), havia saído para o repasto e largado a estação de trabalho acintosamente conectada ao "Blog da Autora", da Glória Perez, num gesto aparentemente casual, mas que a mim, imperador da bodega, aparecia como preocupante tentativa de cunho libertário. Um Bolívar da comunicação agindo em meu reino?
Vendo minha autoridade real ameaçada pelo infame, sento-me na frente da máquina à cata de uma prova que justificasse uma punição exemplar por tamanho ato de rebeldia. Pra desencanto do meu orgulho e encanto do meu espírito, vejo aqui uma foto do padre José, ali um pedaço do meu Quixadá, mais além os imponentes barrancos do meu Rio Acre. A emoção me trai, desequilibro, tropeço num link e escorrego até o blog do Altino Machado.
Quando creio a emoção no fim, eis que surge você, toda legítimo orgulho, a homenagear sua heroína. A comparação é inevitável. Em termos de orgulho e heroína, estamos no mesmo batente. Minha heroína também é de 23, também era acreana das machas e também meu orgulho. Viajou aos 76.
Certamente mora hoje no pedaço de céu reservado aos acreanos de bom caráter, ouvindo as estórias engraçadas do seu irmão, padre José, enquanto cofia carinhosamente os cabelos de minha avó Benvinda (só por castigo, pois detestava catar a cabeça da mãe).
Ah, ia esquecendo. Liberei geral a internet na bodega. O pequeno Bolívar já recebeu o décimo com 20% a mais como bônus pelo desacato. Meu sócio chiou. Eu disse a ele que cobrasse da Leila Jalul, da Glória Perez e do Altino Machado. Nada mais justo, considerando que a culpa pelo prejuízo foi de vocês.
Blog: A ferramenta mais democrática para a construção social do conhecimento. Achei interessante esta definição de blog. Não é de minha autoria e desconheço o autor. Ouvi numa conversa de botequim, enquanto...
◙ Walmir de Lima Lopes deixou o comentário acima sem revelar onde vive ou se é mais um daqueles da freguesia da Leila Jalul. Este blog vai esperar por mais informações do distinto emissário, que, todos vêem, escreve muito bem e já pode se considerar sócio desta outra bodega.
OPINIÃO PÚBLICA
Gustavo Faleiros
Para quem anda desanimado com as demonstrações de cidadania do povo brasileiro, um alento: a população não aceita e se cala diante tudo que acontece em Brasília. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira confirma o que o presidente Lula ainda não aparenta saber: a maioria não engole o discurso que o meio ambiente impede o crescimento do país. De acordo com um levantamento da WWF-Brasil (World Wildlife Fund) encomendado ao Ibope, a maioria dos brasileiros (62%) tem plena convicção de que o que realmente trava o desenvolvimento é corrupção. Também foram mencionados os “entraves” dos juros, da burocracia e em último lugar, estava lá, com apenas 7%, as restrições ambientais.
A pesquisa da WWF ouviu 1001 pessoas em 217 municípios em todas as regiões do país. Os entrevistados foram escolhidos proporcionalmente à composição etária, de renda e de escolaridade do país. O resultado não poderia ter sido mais oportuno no momento em que se acirra o debate sobre crescimento econômico e meio ambiente. A maior parte das pessoas (64%) afirmou ser possível conciliar desenvolvimento com proteção dos recursos naturais. Apenas 10% disseram acreditar que é impossível crescer sem degradar.
Entre os dados que mais animaram os ambientalistas da WWF está a declaração de que 80% dos entrevistados não aceitam conviver com mais degradação ambiental mesmo que isso represente mais emprego e renda. Essa constatação, na opinião do diretor de Políticas Públicas da ONG, Mauro Armelin, indica que na cabeça do brasileiro não existe antagonismo entre desenvolvimento e qualidade ambiental. “Isso mostra que a sociedade quer um crescimento que respeite os recursos naturais, que leve em conta as peculiaridades de cada região”, observou.
◙ Leia a reportagem completa no site O Eco.
Para quem anda desanimado com as demonstrações de cidadania do povo brasileiro, um alento: a população não aceita e se cala diante tudo que acontece em Brasília. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira confirma o que o presidente Lula ainda não aparenta saber: a maioria não engole o discurso que o meio ambiente impede o crescimento do país. De acordo com um levantamento da WWF-Brasil (World Wildlife Fund) encomendado ao Ibope, a maioria dos brasileiros (62%) tem plena convicção de que o que realmente trava o desenvolvimento é corrupção. Também foram mencionados os “entraves” dos juros, da burocracia e em último lugar, estava lá, com apenas 7%, as restrições ambientais.
A pesquisa da WWF ouviu 1001 pessoas em 217 municípios em todas as regiões do país. Os entrevistados foram escolhidos proporcionalmente à composição etária, de renda e de escolaridade do país. O resultado não poderia ter sido mais oportuno no momento em que se acirra o debate sobre crescimento econômico e meio ambiente. A maior parte das pessoas (64%) afirmou ser possível conciliar desenvolvimento com proteção dos recursos naturais. Apenas 10% disseram acreditar que é impossível crescer sem degradar.
Entre os dados que mais animaram os ambientalistas da WWF está a declaração de que 80% dos entrevistados não aceitam conviver com mais degradação ambiental mesmo que isso represente mais emprego e renda. Essa constatação, na opinião do diretor de Políticas Públicas da ONG, Mauro Armelin, indica que na cabeça do brasileiro não existe antagonismo entre desenvolvimento e qualidade ambiental. “Isso mostra que a sociedade quer um crescimento que respeite os recursos naturais, que leve em conta as peculiaridades de cada região”, observou.
◙ Leia a reportagem completa no site O Eco.
JORGE VIANA NO EXÍLIO
A imprensa não pára de especular sobre o destino do governador Jorge Viana, apontado como virtual ministro do presidente Lula. Cada dia mais mineiro na política, convém considerar o que o acreano confidenciou a um velho aliado:- Não serei ministro. O meu plano é aproveitar o próximo ano para descansar, aprender línguas e participar de expedições aos altos rios da Amazônia. Quero me exilar do Acre para não parecer que estarei interferindo na gestão do governador Binho Marques.
Em tempo: o ex-senador João Capiberibe e a deputada reeleita Janete Capiberibe estão em Rio Branco. Jorge Viana vai homenagear o ex-senador, juntamente com o jornalista e escritor Zuenir Ventura, com a Ordem da Estrela do Acre, no grau de Gran Cruz.
Trata-se da maior honraria oferecida pelo Governo do Acre a personalidades civis ou militares, nacionais ou estrangeiras, com serviços prestados ao Estado e ao país e reconhecidos pelo povo acreano.
A Mesa Diretora da Câmara declarou, em janeiro, a perda dos mandatos do casal Capiberibe, ambos do PSB, cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral em abril de 2004, sob a acusação de compra de votos.
ACRE PREMIA REDE GLOBO
José Roberto Marinho é um dos vencedores
do Prêmio Chico Mendes de Florestania
O vice-presidente das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, receberá amanhã, em Rio Branco, o Prêmio Chico Mendes de Florestania. Ele está sendo reconhecido pelo governo estadual pela dedicação às causas em defesa do meio ambiente. Marinho já presidiu o conselho diretor e atualmente integra o conselho consultivo do WWF Brasil, uma das maiores organizações não-governamentais do mundo na área ambiental, que incentiva ações na Amazônia e, em especial, no Acre.
A Fundação Roberto Marinho realiza no Estado, em parceria com o governo estadual, o projeto Poronga, que, desde 2003, já formou 8,2 mil jovens e adultos no ensino fundamental, além de 1,2 mil alunos no ensino médio. O projeto, que utiliza a metodologia do Telecurso 2000, está presente na capital e também oferece educação aos povos da floresta, moradores de localidades de difícil acesso, que agora têm a oportunidade de concluir o ensino básico.
O governador Jorge Viana entrega o prêmio, a partir das 10 horas, no Teatro Plácido de Castro, como parte da programação da Semana Chico Mendes. No mesmo evento acontece o lançamento da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", de Glória Perez. O prêmio está em sua terceira edição. Nas duas anteriores os agraciados na categoria nacional ou internacional foram a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (2004), e a antropóloga Mary Allegretti (2006).
A comissão julgadora do Prêmio Chico Mendes de Florestania divulgou os ganhadores nas respectivas categorias: José Roberto Marinho (iniciativa de origem nacional ou internacional), CIA Garatuja (iniciativa de origem estadual), com o espetáculo “Chapurys”, e a Saboaria Xapur (iniciativa de origem comunitária, rural/florestal).
As iniciativas de origem nacional ou internacional e origem estadual são premiadas com um certificado de reconhecimento assinado pelo governador Jorge Viana, acompanhado de um troféu. Os projetos de origem comunitária, rural/florestal, além do certificado e do troféu, recebem premiação no valor de R$ 10 mil.
Veja a lista de premiados:
José Roberto Marinho (Iniciativa nacional ou internacional) - Ele sempre apostou no desenvolvimento do Brasil a partir da preocupação com as causas sociais e ambientais. Formar e educar jovens conscientes da importância do patrimônio natural brasileiro seja na Amazônia ou na caatinga é uma de suas preocupações.
CIA. Garatuja dee Artes Cênicas (Iniciativa estadual) - Foi criada em 1990. A primeira vertente desenvolveu trabalhos com o universo infantil, depois passou a pesquisas e encenações de espetáculos infanto-juvenis. Com o trabalho mais amadurecido, a CIA voltou-se para a contextualização de projetos de linguagem adulta, além de contação de histórias. O espetáculo "Chapurys", é um trabalho cênico desenvolvido a partir do mergulho no conceito de florestania. Ganhador do Prêmio Funarte/Petrobras, em 2005, circulou em Xapuri, Cobija, Brasiléia, Senador Guiomard e Rio Branco.
Saboaria Xapuri (Iniciativa comunitária, rural/florestal) - A marca da floresta iniciou suas atividades em 1990, composta por 20 mulheres trabalhadoras que produziam sabões. Os adolescentes da comunidade também participavam do processo que era ensinado pelas mulheres mais velhas. Os jovens vendiam os produtos nas ruas de Xapuri. Hoje, a Saboaria possui sede própria ligada a Associação dos Moradores da Sibéria e atende aos padrões determinados pela Anvisa, com o objetivo de desenvolver práticas populares de produção de sabões, sabonetes e outros produtos naturais, utilizando recursos da floresta, na busca pela sustentabilidade.
◙ Mais informações:
Secretaria de Comunicação do Estado do Acre
Aníbal Diniz – Fone: (68) 9984-2206
Assessoria de Imprensa da Fundação Roberto Marinho
Adriana Martins - Fones: (21) 3232-8864/8901
do Prêmio Chico Mendes de Florestania
O vice-presidente das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, receberá amanhã, em Rio Branco, o Prêmio Chico Mendes de Florestania. Ele está sendo reconhecido pelo governo estadual pela dedicação às causas em defesa do meio ambiente. Marinho já presidiu o conselho diretor e atualmente integra o conselho consultivo do WWF Brasil, uma das maiores organizações não-governamentais do mundo na área ambiental, que incentiva ações na Amazônia e, em especial, no Acre.
A Fundação Roberto Marinho realiza no Estado, em parceria com o governo estadual, o projeto Poronga, que, desde 2003, já formou 8,2 mil jovens e adultos no ensino fundamental, além de 1,2 mil alunos no ensino médio. O projeto, que utiliza a metodologia do Telecurso 2000, está presente na capital e também oferece educação aos povos da floresta, moradores de localidades de difícil acesso, que agora têm a oportunidade de concluir o ensino básico.
O governador Jorge Viana entrega o prêmio, a partir das 10 horas, no Teatro Plácido de Castro, como parte da programação da Semana Chico Mendes. No mesmo evento acontece o lançamento da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", de Glória Perez. O prêmio está em sua terceira edição. Nas duas anteriores os agraciados na categoria nacional ou internacional foram a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (2004), e a antropóloga Mary Allegretti (2006).
A comissão julgadora do Prêmio Chico Mendes de Florestania divulgou os ganhadores nas respectivas categorias: José Roberto Marinho (iniciativa de origem nacional ou internacional), CIA Garatuja (iniciativa de origem estadual), com o espetáculo “Chapurys”, e a Saboaria Xapur (iniciativa de origem comunitária, rural/florestal).
As iniciativas de origem nacional ou internacional e origem estadual são premiadas com um certificado de reconhecimento assinado pelo governador Jorge Viana, acompanhado de um troféu. Os projetos de origem comunitária, rural/florestal, além do certificado e do troféu, recebem premiação no valor de R$ 10 mil.
Veja a lista de premiados:
José Roberto Marinho (Iniciativa nacional ou internacional) - Ele sempre apostou no desenvolvimento do Brasil a partir da preocupação com as causas sociais e ambientais. Formar e educar jovens conscientes da importância do patrimônio natural brasileiro seja na Amazônia ou na caatinga é uma de suas preocupações.
CIA. Garatuja dee Artes Cênicas (Iniciativa estadual) - Foi criada em 1990. A primeira vertente desenvolveu trabalhos com o universo infantil, depois passou a pesquisas e encenações de espetáculos infanto-juvenis. Com o trabalho mais amadurecido, a CIA voltou-se para a contextualização de projetos de linguagem adulta, além de contação de histórias. O espetáculo "Chapurys", é um trabalho cênico desenvolvido a partir do mergulho no conceito de florestania. Ganhador do Prêmio Funarte/Petrobras, em 2005, circulou em Xapuri, Cobija, Brasiléia, Senador Guiomard e Rio Branco.
Saboaria Xapuri (Iniciativa comunitária, rural/florestal) - A marca da floresta iniciou suas atividades em 1990, composta por 20 mulheres trabalhadoras que produziam sabões. Os adolescentes da comunidade também participavam do processo que era ensinado pelas mulheres mais velhas. Os jovens vendiam os produtos nas ruas de Xapuri. Hoje, a Saboaria possui sede própria ligada a Associação dos Moradores da Sibéria e atende aos padrões determinados pela Anvisa, com o objetivo de desenvolver práticas populares de produção de sabões, sabonetes e outros produtos naturais, utilizando recursos da floresta, na busca pela sustentabilidade.
◙ Mais informações:
Secretaria de Comunicação do Estado do Acre
Aníbal Diniz – Fone: (68) 9984-2206
Assessoria de Imprensa da Fundação Roberto Marinho
Adriana Martins - Fones: (21) 3232-8864/8901
GAROTO DEMOVE SENADOR
Santiago Queiroz
Altino,
Por causa da "Carta aberta ao Tião", que escrevi e você fez a gentileza de publicá-la no seu blog, na segunda-feira fui acordado de maneira estranha. Era meu pai me perguntando se podia dar o número do meu telefone a um conhecido seu. Disse que sim. Esse conhecido dele, diretor-geral de um importante jornal da situação (e qual não é no nosso Estado?), disse que o senador Tião Viana desejava marcar uma reunião comigo. E assim ficou acertado.
No mesmo dia, à tarde, me encontrei com o Senador no gabinete dele, em Rio Branco, situado no Conjunto Habitasa. Na verdade cheguei lá um pouco depois da hora marcada. O senador já estava a me esperar. O que me deixou mais pensativo foi ver que o líder do PT no Senado e 1º Vice-Presidente, teve o trabalho de me procurar e falar comigo pessoalmente. Ação que me mostrou o político que ele é.
Nos reunimos em uma sala, eu, ele e mais alguns de seus companheiros. O senador fez de tudo para me deixar à vontade. Apresentou-me a todos e começou a responder meu questionamento, que ele disse ter achado muito pertinente.
Bem, devem estar se perguntando se ele me explicou o que se julgou "inexplicável". Pois bem, ele me deixou a par da sua opinião e posição. O mesmo que ele me explicou, o Noblat, no seu blog, relatou no dia de ontem.
O senador Tião Viana propôs às mesas diretoras da Câmara e do Senado que os parlamentares continuem a receber o salário de R$ 12.847 nos próximos quatro anos e que sejam cortadas as verbas mensais de R$ 15.000 e os 14º e 15º salários que os parlamentares têm direito.
Outra proposta: uma alteração da Constituição, para baixar o aumento de 91% para 28%, que é o acumulado da inflação nos últimos quatro anos, data do último reajuste. O salário cairia de R$ 24,6 mil para R$ 16,5 mil. E também isso alteraria o teto do serviço público, que ficaria no limite de R$ 16.500. Isso afetaria principalmente os ministro do STF que teriam seus salários reajustados para R$ 16.500.
Mas vocês devem se perguntar: "Se ele acha tudo isso, por que votou a favor?". Foi uma das coisas que eu tive que pensar por conta própria. E o que me veio a cabeça foi que se ele faz parte da Mesa Diretora do Senado, ele tem que, no final das contas, votar no que é a opinião de todos. São decisões unânimes e as vezes alguém pode ter que votar a favor do que não concorda.
Esse pelo menos é o meu pensamento. A impressão maior que ficou foi de um homem íntegro, que se deu ao trabalho de me procurar e de me encontrar pessoalmente para esclarecer uma dúvida minha. Creio que se todos os parlamentares fizessem isso e todas as pessoas se dispusessem a indagar, talvez pudéssemos, num futuro não tão distante, mudar a nossa situação. Me tratou muito bem e pra falar a verdade, fez o que eu, nos meus pensamentos mais otimistas, esperava que ele fizesse.
Que fique registrado publicamente que consegui o que queria. O fato me fez lembrar da letra da música "Faroeste Caboclo", do Renato Russo: "... E João não conseguiu o que queria quando veio para Brasília, com o diabo ter. Ele queria era falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer..."
◙ O estudante Santiago Queiroz tem 17 anos. Por autocensura e a pretexto de não desagradar ao senador, a carta do adolescente jamais seria publicada num dos "jornais da situação". Tião Viana preferiu se valer do blog do Noblat para anunciar a boa nova. Até parece que santo de casa não faz milagre. Vale a pena ler, ainda, a "Carta aberta a Santiago", de autoria do professor e escritor mineiro Juarez Nogueira.
Altino,
Por causa da "Carta aberta ao Tião", que escrevi e você fez a gentileza de publicá-la no seu blog, na segunda-feira fui acordado de maneira estranha. Era meu pai me perguntando se podia dar o número do meu telefone a um conhecido seu. Disse que sim. Esse conhecido dele, diretor-geral de um importante jornal da situação (e qual não é no nosso Estado?), disse que o senador Tião Viana desejava marcar uma reunião comigo. E assim ficou acertado.
No mesmo dia, à tarde, me encontrei com o Senador no gabinete dele, em Rio Branco, situado no Conjunto Habitasa. Na verdade cheguei lá um pouco depois da hora marcada. O senador já estava a me esperar. O que me deixou mais pensativo foi ver que o líder do PT no Senado e 1º Vice-Presidente, teve o trabalho de me procurar e falar comigo pessoalmente. Ação que me mostrou o político que ele é.
Nos reunimos em uma sala, eu, ele e mais alguns de seus companheiros. O senador fez de tudo para me deixar à vontade. Apresentou-me a todos e começou a responder meu questionamento, que ele disse ter achado muito pertinente.
Bem, devem estar se perguntando se ele me explicou o que se julgou "inexplicável". Pois bem, ele me deixou a par da sua opinião e posição. O mesmo que ele me explicou, o Noblat, no seu blog, relatou no dia de ontem.
O senador Tião Viana propôs às mesas diretoras da Câmara e do Senado que os parlamentares continuem a receber o salário de R$ 12.847 nos próximos quatro anos e que sejam cortadas as verbas mensais de R$ 15.000 e os 14º e 15º salários que os parlamentares têm direito.
Outra proposta: uma alteração da Constituição, para baixar o aumento de 91% para 28%, que é o acumulado da inflação nos últimos quatro anos, data do último reajuste. O salário cairia de R$ 24,6 mil para R$ 16,5 mil. E também isso alteraria o teto do serviço público, que ficaria no limite de R$ 16.500. Isso afetaria principalmente os ministro do STF que teriam seus salários reajustados para R$ 16.500.
Mas vocês devem se perguntar: "Se ele acha tudo isso, por que votou a favor?". Foi uma das coisas que eu tive que pensar por conta própria. E o que me veio a cabeça foi que se ele faz parte da Mesa Diretora do Senado, ele tem que, no final das contas, votar no que é a opinião de todos. São decisões unânimes e as vezes alguém pode ter que votar a favor do que não concorda.
Esse pelo menos é o meu pensamento. A impressão maior que ficou foi de um homem íntegro, que se deu ao trabalho de me procurar e de me encontrar pessoalmente para esclarecer uma dúvida minha. Creio que se todos os parlamentares fizessem isso e todas as pessoas se dispusessem a indagar, talvez pudéssemos, num futuro não tão distante, mudar a nossa situação. Me tratou muito bem e pra falar a verdade, fez o que eu, nos meus pensamentos mais otimistas, esperava que ele fizesse.
Que fique registrado publicamente que consegui o que queria. O fato me fez lembrar da letra da música "Faroeste Caboclo", do Renato Russo: "... E João não conseguiu o que queria quando veio para Brasília, com o diabo ter. Ele queria era falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer..."
◙ O estudante Santiago Queiroz tem 17 anos. Por autocensura e a pretexto de não desagradar ao senador, a carta do adolescente jamais seria publicada num dos "jornais da situação". Tião Viana preferiu se valer do blog do Noblat para anunciar a boa nova. Até parece que santo de casa não faz milagre. Vale a pena ler, ainda, a "Carta aberta a Santiago", de autoria do professor e escritor mineiro Juarez Nogueira.
UMA GLÓRIA ACREANA
Fernando Mello
Grande e querido amigo, Altino.
Esperava encontrá-lo no show "Uma Glória acreana", da Casa do Acre, em homenagem à Glória Perez, no Teatro do Sesi, aqui no Rio. Lá estivemos eu e César, e foi revelador, no mínimo, encontrar meu povo, o povo do Acre, moreno, mestiço, caboclo, índio, e belo.
Revi alguns velhos amigos de infância, amigos que fizeram parte da história dessa época da minha vida, e por isso senti a sua falta. Julguei que fosse uma boa chance para revê-lo também, e, por um momento, achei que você pudesse vir.
Já que não veio, arvoro-me a contar um pouco do show, como outros já devem ter feito. Pois bem, o evento começou com um coquetel no saguão do teatro, com direito a refrigerantes muito bem vindos, pois o calor estava forte, e com a presença e o brilho da homenageada, que distribuía gentilezas, sorrisos e atendia com prestreza a todos os que queriam guardar uma foto, uma palavra, enfim, uma lembrança qualquer de tão ilustre conterrânea.
Presenças ilustres também se viam pelo referido saguão, como as da atriz Eva Todor, o presidente da casa do Acre, Afonso D'Anzicourt, e o ator da Rede Globo, Alexandre Borges, que acabou por ser o mestre de cerimônias no final do evento.
No show, alguns problemas com a equipe de som não impediram a grata surpresa de ter o contato mais direto com o trabalho de Sérgio Souto, que, visivelmente, preparou um roteiro mais temático, com belas canções de motivos mais acreanos, e com a genialidade e o talento universal de João Donato, que desperta na cabeça, toma o corpo todo e chega às pontas dos dedos na forma de suingue, bossa-jazz, e de temas geniais.
Levei um material, pois tinha a intenção de, humildemente, mostrar-lhe um pouco de minhas composições, e sempre relutei porque um fã na presença de seu ídolo, muitas vezes silencia, e comigo não foi diferente.
Depois de ouvir aquele desfile de coisas belas e imortais como "A rã", "Bananeira", "A Paz" (que contou com uma participação do Sérgio na interpretação), "Nasci para bailar" e outras pérolas do João, só restou recolher-me à minha insignificância, colocar meus CD's na mochila e ir pra casa feliz, assobiando "Lugar Comum", depois, obviamente, de um chope com nosso amigo César no "Amarelinho" da Cinelândia.
Sentimos a sua falta, para que pudessemos compartilhar das belas canções e do trabalho revelador de Sérgio Souto, do brilho incontestável de Glória Perez, e também do gigantismo e do talento de João Donato, esse acreano universal.
Um grande abraço e que você possa estar aqui em breve.
◙ Fernando Mello é cantor e compositor acreano radicado no Rio de Janeiro. Quem quiser saber mais sobre o movimento da comunidade acreana no Rio deve visitar o site da Casa do Acre.
Grande e querido amigo, Altino.
Esperava encontrá-lo no show "Uma Glória acreana", da Casa do Acre, em homenagem à Glória Perez, no Teatro do Sesi, aqui no Rio. Lá estivemos eu e César, e foi revelador, no mínimo, encontrar meu povo, o povo do Acre, moreno, mestiço, caboclo, índio, e belo.
Revi alguns velhos amigos de infância, amigos que fizeram parte da história dessa época da minha vida, e por isso senti a sua falta. Julguei que fosse uma boa chance para revê-lo também, e, por um momento, achei que você pudesse vir.
Já que não veio, arvoro-me a contar um pouco do show, como outros já devem ter feito. Pois bem, o evento começou com um coquetel no saguão do teatro, com direito a refrigerantes muito bem vindos, pois o calor estava forte, e com a presença e o brilho da homenageada, que distribuía gentilezas, sorrisos e atendia com prestreza a todos os que queriam guardar uma foto, uma palavra, enfim, uma lembrança qualquer de tão ilustre conterrânea.
Presenças ilustres também se viam pelo referido saguão, como as da atriz Eva Todor, o presidente da casa do Acre, Afonso D'Anzicourt, e o ator da Rede Globo, Alexandre Borges, que acabou por ser o mestre de cerimônias no final do evento.
No show, alguns problemas com a equipe de som não impediram a grata surpresa de ter o contato mais direto com o trabalho de Sérgio Souto, que, visivelmente, preparou um roteiro mais temático, com belas canções de motivos mais acreanos, e com a genialidade e o talento universal de João Donato, que desperta na cabeça, toma o corpo todo e chega às pontas dos dedos na forma de suingue, bossa-jazz, e de temas geniais.
Levei um material, pois tinha a intenção de, humildemente, mostrar-lhe um pouco de minhas composições, e sempre relutei porque um fã na presença de seu ídolo, muitas vezes silencia, e comigo não foi diferente.
Depois de ouvir aquele desfile de coisas belas e imortais como "A rã", "Bananeira", "A Paz" (que contou com uma participação do Sérgio na interpretação), "Nasci para bailar" e outras pérolas do João, só restou recolher-me à minha insignificância, colocar meus CD's na mochila e ir pra casa feliz, assobiando "Lugar Comum", depois, obviamente, de um chope com nosso amigo César no "Amarelinho" da Cinelândia.
Sentimos a sua falta, para que pudessemos compartilhar das belas canções e do trabalho revelador de Sérgio Souto, do brilho incontestável de Glória Perez, e também do gigantismo e do talento de João Donato, esse acreano universal.
Um grande abraço e que você possa estar aqui em breve.
◙ Fernando Mello é cantor e compositor acreano radicado no Rio de Janeiro. Quem quiser saber mais sobre o movimento da comunidade acreana no Rio deve visitar o site da Casa do Acre.
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
CIDADÃO ACREANO
O título de Cidadão Acreano, concedido pela Assembléia Legislativa a alguns privilegiados de plantão no Acre, perde expressão ao ser banalizado a cada ano. Conheço gente que dignifica o Acre com trabalho honesto, mas jamais vai merecer a honraria. Também conheço outros, inclusive assassinos e corruptos, que se tornaram cidadãos acreanos, encheram os bolsos e, longe daqui, não escondem a ojeriza pelo Acre e seu povo.
DESABAFO DE MÃE
Caro Altino, tudo bem?
Estou coordenando um portal de conteúdo, lançado no dia 9 de outubro, que tem a missão de ser a comunidade de mães na internet, além de um canal de informações sobre cultura infantil ( teatro, música, cinema e livro).
Entro em contato contigo em busca de informações sobre mães do Acre que gostam de escrever para participar da equipe do Desabafo de Mãe, que busca ter uma colaboradora em cada Estado.
Não precisa ser obrigatoriamente jornalista porque a proposta do "Desabafo" é escrever em formato de blogs. Mas se for uma jornalista pode colaborar com a outra vertente editorial, que visa a área cultural.
Desculpe pelo incômodo, mas não tenho a quem recorrer na região.
Muito obrigada!
Ceila Santos
◙ Quem estiver interessada em escrever pode contatar a jornalista Ceila Santos a partir do blog "Freelancer" ou do portal "Desabafo de Mãe". Clique aqui para ter acesso ao e-mail dela.
Estou coordenando um portal de conteúdo, lançado no dia 9 de outubro, que tem a missão de ser a comunidade de mães na internet, além de um canal de informações sobre cultura infantil ( teatro, música, cinema e livro).
Entro em contato contigo em busca de informações sobre mães do Acre que gostam de escrever para participar da equipe do Desabafo de Mãe, que busca ter uma colaboradora em cada Estado.
Não precisa ser obrigatoriamente jornalista porque a proposta do "Desabafo" é escrever em formato de blogs. Mas se for uma jornalista pode colaborar com a outra vertente editorial, que visa a área cultural.
Desculpe pelo incômodo, mas não tenho a quem recorrer na região.
Muito obrigada!
Ceila Santos
◙ Quem estiver interessada em escrever pode contatar a jornalista Ceila Santos a partir do blog "Freelancer" ou do portal "Desabafo de Mãe". Clique aqui para ter acesso ao e-mail dela.
EM DEFESA
Do jornalista Jânio de Freitas, na Folha de S. Paulo:
"A ministra Marina Silva foi objeto aqui, certa vez, de comentário negativo. Não só naquela ocasião, as concessões que fez, sobretudo no caso dos transgênicos, não são justificáveis.
Pessoas e entidades que dão atenção ao ambiente natural procuram fortalecer Marina Silva, posta sob risco de destituição desde que Lula proclamou a conclusão brilhante, mais uma, de que a natureza é um "entrave para o desenvolvimento". Isto é, a degradação é que gera desenvolvimento.
Para quem não compartilhe a conclusão de Lula, apoiar Marina Silva é a única atitude sensata. Quem vier a sucedê-la, seja quem for, só estará escolhido por ser capaz das piores concessões".
"A ministra Marina Silva foi objeto aqui, certa vez, de comentário negativo. Não só naquela ocasião, as concessões que fez, sobretudo no caso dos transgênicos, não são justificáveis.
Pessoas e entidades que dão atenção ao ambiente natural procuram fortalecer Marina Silva, posta sob risco de destituição desde que Lula proclamou a conclusão brilhante, mais uma, de que a natureza é um "entrave para o desenvolvimento". Isto é, a degradação é que gera desenvolvimento.
Para quem não compartilhe a conclusão de Lula, apoiar Marina Silva é a única atitude sensata. Quem vier a sucedê-la, seja quem for, só estará escolhido por ser capaz das piores concessões".
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
BINHO MARQUES

Arnóbio Marques de Almeida e Arnóbio Marques de Almeida Júnior: o pai é abraçado pelo filho governador na diplomação.
Discurso do governador eleito Binho Marques durante a solenidade de diplomação pelo Tribunal Regional Eleitoral do Acre, nesta noite, no Teatro Plácido de Castro:
"Tanto quanto a legalidade, este momento sela a legitimidade do processo democrático de escolha dos governantes e representantes do nosso Estado.
A tranqüilidade com que se completam os procedimentos relativos às eleições de 2006 atesta a maturidade da sociedade acreana e a isenção do seu Tribunal Regional Eleitoral, traduzindo, por extensão, a competência e a qualidade do nosso Poder Judiciário.
Presto, aqui, meu reconhecimento à magistratura, ao Ministério Público, aos serventuários e a todos que fazem nossa Justiça, especialmente a Justiça Eleitoral.
Pela atuação digna do correto conceito do termo política, é justo destacar ainda os partidos políticos, aos quais homenageio lembrando a Frente Popular do Acre como um exemplo de aliança partidária construída com respeito ao interesse público.
Quero expressar meus parabéns a todos os senhores e senhoras aqui diplomados, fazendo uma menção especial ao vice-governador eleito César Messias, pela lealdade em campanha, pelo compromisso de trabalho e pelo desprendimento pessoal em favor da causa acreana, qualidades que bem traduzem a sua condição de acreano do Juruá.
Parabéns aos deputados estaduais eleitos. Aos novatos, que chegam renovando a representação e o sentimento popular, e aos reeleitos, que aqui voltam com o mérito do reconhecimento da população.
Parabéns aos oito deputados federais eleitos, portadores da confiança do nosso povo para uma relação positiva e produtiva do Acre com o Brasil.
É meu desejo manter unida a nossa bancada federal, tendo os interesses do Estado como fator de conciliação.
E parabéns ao senador Tião Viana, de quem posso destacar todos os esforços e qualidades, mas nada seria tão eloqüente quanto lembrar que o povo acreano lhe reconduz ao Congresso Nacional como o senador proporcionalmente mais votado do Brasil.
Pessoalmente, recebo agradecido o diploma de Governador eleito do Estado do Acre. Ele tanto me honra, quanto me estimula a continuar servindo à causa da minha vida.
Só lamento que o destino tenha me privado de compartilhar esse momento com as três mulheres da minha vida: Simony, minha esposa, minha filha Maria Clara e minha mãe, Clélia – justo elas que a tanto renunciaram para me colocar aqui.
Mas Deus me conforta enormemente pela presença de meu pai, meus irmãos e do meu filho Gabriel.
Faço parte de uma geração que descobriu na floresta e no povo humilde da Amazônia um sentido para a atividade profissional e política, um sentido mesmo para a vida.
Meu desejo sincero é dar conta da minha responsabilidade e ainda preparar a próxima geração, especialmente através da educação, para que renovem os sonhos, as lutas e a vida do nosso Acre.
Este é um momento de celebração. Mas, aqui reunidos, podemos nos olhar e perceber que somos nós, sim, senão o todo, pelo menos uma forte representação da parcela da sociedade que pode agir, motivar e movimentar este estado na direção do desenvolvimento sustentável.
E devemos fazer com os mais pobres, os mais sofridos, aquela parcela menos favorecida da sociedade a quem devemos a conjugação do verbo incluir.
É preciso ter em mente que, além das responsabilidades de cada um, temos responsabilidades coletivas, compartilhadas, das quais só poderemos dar conta trabalhando unidos.
Não temos e nunca teremos condições ideais de trabalho, mas as conquistas dos últimos oito anos mostram que é possível sonhar e fazer.
Somos um estado pequeno, com poucos recursos e as dificuldades naturais de uma região vasta e variada como é a Amazônia. Mas ninguém pode negar que já atravessamos momentos mais difíceis e que hoje, todas as instituições tem ao menos as condições básicas para funcionamento.
É necessário reconhecer o empenho pessoal do governador Jorge Viana e de cada componente de sua equipe para que as condições de trabalho de todos melhorassem significativamente.
Os desafios que temos pela frente são diferentes, porém não são menos intensos que aqueles enfrentados no passado.
É preciso entender o papel do Brasil diante do mundo globalizado para perceber que nos desafios ambientais, sociais e políticos que envolvem o planeta, convivem os riscos e as oportunidades de futuro do Acre.
Agora cabe ao Acre escolher entre ser levado pela história do mundo ou fazer história com o mundo. Para fazer história precisamos assumir nossa vocação revolucionária e não ter medo do que é novo. E o novo não se manifesta na invenção ou no modismo, mas na atitude para fazer aquilo que se sabe necessário, mas nunca se faz.
O novo é a educação de qualidade para todos, é o acesso ao trabalho, é a valorização das diferenças culturais, é a inovação na produção, é a solidariedade entre as pessoas – propósitos que o governador Jorge Viana ousou iniciar e estruturar para nos permitissem ir muito além.
Nós oferecemos conhecimentos para o mundo. A partir da floresta e da sabedoria das populações tradicionais, Chico Mendes e Marina Silva expressaram valores e formularam conceitos que estão sendo aproveitados nas sociedades mais adiantadas.
Mas o mundo ainda desconhece muito do que temos para oferecer. Assim como nós precisamos buscar conhecimento e tecnologia para desenvolver todo o nosso potencial econômico, social e, sobretudo, humano. O desenvolvimento sustentável é um conceito que, antes de tudo, inclui e valoriza as pessoas.
Por tudo isso, concluímos que o nosso desafio é abrir as fronteiras do conhecimento para buscar a felicidade nos limites do nosso Estado. Para tanto, o Poder Executivo Estadual é imprescindível, mas não o bastante. Infelizmente, ainda é comum se pensar que o governo pode tudo.
O voluntarismo da ação pública também alimenta expectativas que não se pode atender, e puxa para a conta dos governos uma responsabilidade que é de todos. Tenho, portanto, o dever de alertar e convocar a todos para uma comunhão de responsabilidades.
O Poder Executivo não pode abrir mão da iniciativa, da autonomia, nem da liberdade das instituições do Estado e das organizações da sociedade.
Meu Governo será solidário e não fugirá de seus compromissos, o que inclui a responsabilidade de lembrar essa verdade da qual não podemos fugir: os grandes problemas do nosso tempo só podem ser enfrentados por todos e é necessário que cada um, antes de pensar em receber ajuda, pense no que pode fazer para ajudar.
Senhoras e senhores diplomados;
Peço a Deus que nos ilumine e nos permita corresponder à honra e aos deveres que o povo nos conferiu e a Justiça nos atesta com os diplomas que recebemos agora.
Obrigado a Justiça Eleitoral.
Obrigado ao povo acreano.
Obrigados a todos vocês, aqui presentes.
E obrigado aos amigos e companheiros, muitos dos quais parceiros de longa jornada.
Dom Hélder Câmara afirmava que “precisamos mudar todos os dias para continuar sendo nós mesmos”.
E este é o nosso compromisso: continuar fazendo mudanças para não abrir mão do Acre bom e solidário que começamos a viver com o Governo da Floresta".
LIÇÃO DE ANATOMIA
Leila Jalul
Dizia uma amiga que as coisas se tornam maiores se vistas quando a gente é pequena. Não vou questionar isso. Nunca tive noções de topologia, nem de profundidade. Aliás, defendo a tese de que, nós, amazônicos, temos a megalomania incrustrada nos ossos. Aqui tudo é grande, inclusive o que poderia ser minúsculo. Herança natural. O Camaleão Ovado era grande.
“Ele era um rei que brincou com a sorte/ hoje ele é nada e retrata a morte.../ Ele olhou pras estrelas e disse coisas lindas/ Fez um poema prum poste, me veio lágrimas/ o que foi que fizeram com ele, não sei/ eu só sei que este pobre, este homem, foi um rei”.
Camaleão, talvez pelo poder de trasformação. Ovado, sabe Deus! Teria hérnia? Híbrido de poeta e bêbado. Bebia para poetar, ou, na melhor das hipóteses, fazia poesia para beber. Não importava a fase da lua e lá estava ele carregando seu velho saco, seguido da meninada e cravejado de impropérios.
Numa dessas madrugadas infames, contam que, no Mercado do Quinze, Camaleão foi flagrado numa relação passiva. Deve ter sido com outro pé inchado. Sei lá! Só sei que, no outro dia, estava armado o xabu. No boteco do Cabeleira, na pensão da Aretusa, só se ouvia o buxixo.
Camaleão circulava livremente. Não estava nem aí pro azar do Papa, nem queria saber quem era o Governador. Livre. Apenas. Mas existem uns cabras, espinhos de garganta, línguas soltas, sem rédeas, que não agüentam mais do que cinco minutos armazenando um segredo. Foi um desses que se vira e diz:
- Camaleão, até tu, Brutus? Como pode?
Com toda a decência, a bem do decoro e da felicidade humana, Camaleão Ovado respondeu:
- Calma, amigo, calma! Acaso com tanta sabedoria, tanta indignação, me responda: em algum dia dessa sua miserável vida, você já cagou pra dentro?
E lá se foi, com seu saco, recitando seu mais belo poema:
"Ó relógio, ó relógio, por que não páras?/ Por que insistes em marcar-me as dores?/ Se, ainda que por um momento, estancasses as horas, daria cordas em meus sentimentos/ Mas, já que insistes em marcar o tempo/ vou por um fim em todos meus lamentos.../ Ó relógio, ó relógio".
Dizia uma amiga que as coisas se tornam maiores se vistas quando a gente é pequena. Não vou questionar isso. Nunca tive noções de topologia, nem de profundidade. Aliás, defendo a tese de que, nós, amazônicos, temos a megalomania incrustrada nos ossos. Aqui tudo é grande, inclusive o que poderia ser minúsculo. Herança natural. O Camaleão Ovado era grande.
“Ele era um rei que brincou com a sorte/ hoje ele é nada e retrata a morte.../ Ele olhou pras estrelas e disse coisas lindas/ Fez um poema prum poste, me veio lágrimas/ o que foi que fizeram com ele, não sei/ eu só sei que este pobre, este homem, foi um rei”.
Camaleão, talvez pelo poder de trasformação. Ovado, sabe Deus! Teria hérnia? Híbrido de poeta e bêbado. Bebia para poetar, ou, na melhor das hipóteses, fazia poesia para beber. Não importava a fase da lua e lá estava ele carregando seu velho saco, seguido da meninada e cravejado de impropérios.
Numa dessas madrugadas infames, contam que, no Mercado do Quinze, Camaleão foi flagrado numa relação passiva. Deve ter sido com outro pé inchado. Sei lá! Só sei que, no outro dia, estava armado o xabu. No boteco do Cabeleira, na pensão da Aretusa, só se ouvia o buxixo.
Camaleão circulava livremente. Não estava nem aí pro azar do Papa, nem queria saber quem era o Governador. Livre. Apenas. Mas existem uns cabras, espinhos de garganta, línguas soltas, sem rédeas, que não agüentam mais do que cinco minutos armazenando um segredo. Foi um desses que se vira e diz:
- Camaleão, até tu, Brutus? Como pode?
Com toda a decência, a bem do decoro e da felicidade humana, Camaleão Ovado respondeu:
- Calma, amigo, calma! Acaso com tanta sabedoria, tanta indignação, me responda: em algum dia dessa sua miserável vida, você já cagou pra dentro?
E lá se foi, com seu saco, recitando seu mais belo poema:
"Ó relógio, ó relógio, por que não páras?/ Por que insistes em marcar-me as dores?/ Se, ainda que por um momento, estancasses as horas, daria cordas em meus sentimentos/ Mas, já que insistes em marcar o tempo/ vou por um fim em todos meus lamentos.../ Ó relógio, ó relógio".
ARENA DA FLORESTA
Seleção sub-20 perde primeiro amistoso no Acre

Aníbal Diniz
Veja que maravilha, Altino!
Na inauguração do estádio Arena da Floresta, ontem, a atração especial acabou sendo o Rio Branco Futebol Clube, que derrotou a seleção brasileira sub-20 pelo placar de dois a um, com espetaculares gols de Rogério Tarauacá, aos 34 do primeiro tempo, e Luiz Rômulo, aos 9 minutos do segundo tempo. O gol da seleção foi marcado de cabeça aos 35 do primeiro tempo, por Tiago Heleno, um jovem talento da equipe do Cruzeiro de Belo Horizonte.
Por ter sido o autor do primeiro gol do estádio Arena da Floresta, o tarauacaense Rogério Tarauacá será homenageado esta semana com uma placa que perpetuará o seu feito. O governador Jorge Viana faz questão de que a homenagem aconteça no Palácio Rio Branco, na presença dos companheiros de equipe e de dirigentes de clubes de futebol do Acre.
Altino, você há de convir que ficaria muito legal uma notícia na imprensa nacional com o título: “Seleção sub-20 perde primeiro amistoso no Acre”.
Ah, sobre o questionamento que você e o Elson estão fazendo a respeito do nome do novo estádio, deu para perceber que futebol não é a vossa praia. Arena é exatamente o que foi descrito pelo Elson. É o espaço onde os embates acontecem sob vaias e aplausos da multidão.
Além do mais, nosso estádio tem características arquitetônicas similares ao estádio do Atlético Paranaense, um dos mais modernos do Brasil, que se chama Arena da Baixada.
Aquela idéia de homenagear uma pessoa foi descartada porque, por mais justa que seja, não condiz com o espírito do futebol, que é um esporte cujo sucesso depende menos dos talentos pessoais do que do trabalho disciplinado de equipe. Vide a excepcional vitória que o trabalho de equipe do Internacional de Porto Alegre, nosso novo campeão mundial, teve sobre a constelação de estrelas do Barcelona, um dos times que reúne alguns dos maiores talentos individuais do mundo.
Arena da Floresta, acredite, se comunica muito bem com os apaixonados pelo futebol e também é a cara deste monumento que a ousadia do governador Jorge Viana fez existir.
Um abraço.
◙ O jornalista Aníbal Diniz é torcedor fanático do Santos, secretário de Comunicação do Governo da Floresta e suplente do senador reeleito Tião Viana. Vive o dilema de ter que decidir nos próximos dias entre caminhar para completar 12 anos no cargo ou chefiar o Gabinete Civil do governador eleito Binho Marques.

Aníbal Diniz
Veja que maravilha, Altino!
Na inauguração do estádio Arena da Floresta, ontem, a atração especial acabou sendo o Rio Branco Futebol Clube, que derrotou a seleção brasileira sub-20 pelo placar de dois a um, com espetaculares gols de Rogério Tarauacá, aos 34 do primeiro tempo, e Luiz Rômulo, aos 9 minutos do segundo tempo. O gol da seleção foi marcado de cabeça aos 35 do primeiro tempo, por Tiago Heleno, um jovem talento da equipe do Cruzeiro de Belo Horizonte.
Por ter sido o autor do primeiro gol do estádio Arena da Floresta, o tarauacaense Rogério Tarauacá será homenageado esta semana com uma placa que perpetuará o seu feito. O governador Jorge Viana faz questão de que a homenagem aconteça no Palácio Rio Branco, na presença dos companheiros de equipe e de dirigentes de clubes de futebol do Acre.
Altino, você há de convir que ficaria muito legal uma notícia na imprensa nacional com o título: “Seleção sub-20 perde primeiro amistoso no Acre”.
Ah, sobre o questionamento que você e o Elson estão fazendo a respeito do nome do novo estádio, deu para perceber que futebol não é a vossa praia. Arena é exatamente o que foi descrito pelo Elson. É o espaço onde os embates acontecem sob vaias e aplausos da multidão.
Além do mais, nosso estádio tem características arquitetônicas similares ao estádio do Atlético Paranaense, um dos mais modernos do Brasil, que se chama Arena da Baixada.
Aquela idéia de homenagear uma pessoa foi descartada porque, por mais justa que seja, não condiz com o espírito do futebol, que é um esporte cujo sucesso depende menos dos talentos pessoais do que do trabalho disciplinado de equipe. Vide a excepcional vitória que o trabalho de equipe do Internacional de Porto Alegre, nosso novo campeão mundial, teve sobre a constelação de estrelas do Barcelona, um dos times que reúne alguns dos maiores talentos individuais do mundo. Arena da Floresta, acredite, se comunica muito bem com os apaixonados pelo futebol e também é a cara deste monumento que a ousadia do governador Jorge Viana fez existir.
Um abraço.
◙ O jornalista Aníbal Diniz é torcedor fanático do Santos, secretário de Comunicação do Governo da Floresta e suplente do senador reeleito Tião Viana. Vive o dilema de ter que decidir nos próximos dias entre caminhar para completar 12 anos no cargo ou chefiar o Gabinete Civil do governador eleito Binho Marques.
domingo, 17 de dezembro de 2006
"TEZÃO" DO ACRE
"Caro Altino:
Você pode informar quem teve a infeliz idéia de colocar o nome “Arena da Floresta” ao novo e moderno estádio construído pelo Governo do Estado?
A mim Arena lembra coisa ruim. Na antiguidade, era o espaço onde lutavam os gladiadores para divertir os soberanos, e também onde os cristãos serviam de comida para leões.
No tempo da ditadura militar brasileira (1964/1985), era a sigla do partido do governo (Aliança Renovadora Nacional) onde se refestelavam as raposas mais reacionárias da política.Se tivessem me consultado, eu teria uma sugestão melhor.
Alguns velhos amigos acreanos que vivem no Rio têm me perguntado por que o governo da floresta ainda não homenageou o grande desportista Walter Felix de Souza , o Té, professor de educação física do Colégio Acreano nos anos 50 e técnico do Rio Branco Footbal Club durante uma pá de anos!
No caso, o nome do estádio poderia ser “Té”, logo passando para o aumentativo pelos torcedores. Ficaria então: “Tezão” ou estádio “Tezão do Acre”, bem mais sugestivo".
Elson Martins
◙ Caro Elson, até onde sei o nome resultou de um entendimento do presidente da Federação Acreana de Futebol, Antônio Lopes de Aquino, com o governador Jorge Viana. Coincidência ou não, ambos foram militantes aguerridos da extina Aliança Renovadora Nacional (Arena). Como o nome de muita coisa já mudou no Acre, quem sabe mais adiante alguém também resolve mudar o nome do estádio. O mais importante é a gente não perder o tesão. Nem que seja pelo jornalismo. Lula disse que tem algum problema quem continua socialista aos 60 anos. Você já tem mais de 60. Algum problema?
Você pode informar quem teve a infeliz idéia de colocar o nome “Arena da Floresta” ao novo e moderno estádio construído pelo Governo do Estado?
A mim Arena lembra coisa ruim. Na antiguidade, era o espaço onde lutavam os gladiadores para divertir os soberanos, e também onde os cristãos serviam de comida para leões.
No tempo da ditadura militar brasileira (1964/1985), era a sigla do partido do governo (Aliança Renovadora Nacional) onde se refestelavam as raposas mais reacionárias da política.Se tivessem me consultado, eu teria uma sugestão melhor.
Alguns velhos amigos acreanos que vivem no Rio têm me perguntado por que o governo da floresta ainda não homenageou o grande desportista Walter Felix de Souza , o Té, professor de educação física do Colégio Acreano nos anos 50 e técnico do Rio Branco Footbal Club durante uma pá de anos!
No caso, o nome do estádio poderia ser “Té”, logo passando para o aumentativo pelos torcedores. Ficaria então: “Tezão” ou estádio “Tezão do Acre”, bem mais sugestivo".
Elson Martins
◙ Caro Elson, até onde sei o nome resultou de um entendimento do presidente da Federação Acreana de Futebol, Antônio Lopes de Aquino, com o governador Jorge Viana. Coincidência ou não, ambos foram militantes aguerridos da extina Aliança Renovadora Nacional (Arena). Como o nome de muita coisa já mudou no Acre, quem sabe mais adiante alguém também resolve mudar o nome do estádio. O mais importante é a gente não perder o tesão. Nem que seja pelo jornalismo. Lula disse que tem algum problema quem continua socialista aos 60 anos. Você já tem mais de 60. Algum problema?
JORGE VIANA NO ESTADÃO
'Ficaram grandes e graves cicatrizes', afirma Viana
Cotado para assumir a coordenação política do Planalto, petista diz que seu partido não pode mais atrapalhar Lula
Vera Rosa, BRASÍLIA
A poucos dias de encerrar o seu segundo mandato, o governador do Acre, Jorge Viana, fala como ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, raciocina como articulador político, mas diz que não é bem assim. Cotado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, Viana afirma que o PT precisa parar de criar problemas para Lula. “Ficaram grandes e graves cicatrizes no primeiro mandato”, constata ele, numa referência à avalanche de crises que se abateram sobre o partido e o Planalto.
Viana avalia que, para o governo de coalizão funcionar, não bastam apenas reuniões de Lula com as cúpulas dos partidos e prega a aproximação com os deputados. Mais: acha que “a coalizão nascerá morta” se os aliados não superarem as divergências para a apresentação de uma única candidatura à presidência da Câmara. Aos 47 anos, sem medo de desagradar aos petistas, ele também diz que o governo não pode ficar preso à meta de crescimento de 5%. “É uma armadilha”, resume.
O governador, porém, usa de ironia quando o assunto é o ministério. “O presidente Lula é uma pessoa iluminada, protegida. Então, quem for para o lado dele, tem de estar pronto para receber um raio na cabeça”, brinca. Questionado se está apto para a missão, desconversa: “Eu não. Deus me livre!”
O seu nome foi citado para a articulação política. O senhor chegou a conversar com o presidente sobre isso?
Se eu disser que não tive conversas com o presidente sobre mudanças no governo, estaria faltando com a verdade.
Quase todos os petistas próximos ao presidente foram atingidos por crises. O sr. não teme entrar no governo e ter um destino assim?
O presidente vai precisar, no segundo mandato, constituir um novo grupo em volta dele. Agora, todo mundo que for chamado tem que tomar cuidado e usar um bom capacete.
Por quê?
O presidente Lula é uma pessoa iluminada, protegida. Se tiver um raio para cair nele, cai no vizinho, em quem está do lado, mas nele não cai. Quem for para o lado do presidente tem que estar pronto para receber um raio na cabeça.
O sr. está preparado para tomar um raio na cabeça?
Eu não. Deus me livre!!!
Aliados reclamam que o PT foi muito apressado ao lançar a candidatura do líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), à presidência da Câmara. Houve precipitação?
O PT tem o direito de apresentar candidato, mas tenho visão diferente desse encaminhamento. Quando se está numa composição de governo com outras forças, temos de fazer com que a coalizão aconteça na prática. Ainda mais agora que contamos com o PMDB.
Mas o presidente apóia a recondução do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Chinaglia deve desistir?
Neste momento ainda não cabe desistência, mas também acho que o PT dará um passo muito prejudicial à articulação que o presidente Lula acabou de fazer e surpreendeu a todos nós se não houver unidade. A coalizão nascerá morta do ponto de vista político se não conseguirmos uma candidatura única. O PT, que ganhou a Presidência, precisa ter a grandeza de puxar essa discussão.
A coalizão para o segundo mandato do presidente pode dar certo com tantas disputas na base aliada?
É um desafio, mas é o único caminho possível para que se tenha um ambiente político no qual o governo não fique refém de uma agenda negativa. Neste último ano e meio, as crises consumiram boa parte da energia do governo e isso foi muito ruim para o País. Depois de escolhido o novo ministério, a manutenção da coalizão caberá aos responsáveis pelas áreas. Agora, há um certo risco, porque o governo não pode servir como algo a ser garimpado. Quer dizer: vai todo mundo lá, retira um pouco e cada um segue o seu caminho em 2010.
Qual a garantia de que os partidos votarão os projetos de interesse do governo e não cobrarão mensalão?
A coalizão tem de ser fiel. Mas não são suficientes reuniões com a direção dos partidos. É um grande passo, mas é preciso um trabalho muito intenso de aproximação com as bancadas, tanto no Senado quanto na Câmara, para termos unidade.
Como evitar as crises políticas?
Primeiro temos de cuidar de nós mesmos. Cometemos muitas falhas no primeiro mandato, muitos erros graves. A crise saiu de dentro. É preciso fazer uma repactuação nesse segundo mandato, respeitar princípios. Em muitos casos as pessoas ficaram embevecidas pelo poder. A experiência do poder é perigosa. Se você não estiver preparado para lidar com ele, ele o engole. Ficaram grandes e graves cicatrizes. Houve muita besteira, muita trapalhada e o presidente teve de segurar tudo sozinho. Está na hora de o PT parar de criar problema para o presidente.
É possível crescer 5% ao ano no segundo mandato?
Acho um grande erro ficarmos estabelecendo metas mínimas de crescimento. É uma armadilha. O Brasil, na gestão do presidente Lula, cresceu pouco mais de 2% ao ano, em média, mas teve qualidade no crescimento: distribuiu renda no Nordeste, no Norte, teve geração de emprego com carteira assinada. Mais importante do que meta é a qualidade do crescimento. Para alguns analistas o que conta são números. Números são coisas frias, não têm feição.
Se Marina sair, quem perde é o Brasil, avalia governador
Os dois fizeram carreira no PT do Acre e o governador Jorge Viana se tornou um dos mais fiéis aliados da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva - que corre o risco de ser substituída no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Ibama, órgão subordinado à pasta de Marina Silva, é apontado como um dos entraves ao crescimento, por dificultar a liberação de obras como hidrelétricas, sob a alegação de que elas oferecem risco à natureza.
Viana afirma que se trata de uma injustiça e que a questão ambiental é mal compreendida no Brasil. 'Marina tem sido vítima de críticas não pelos seus defeitos, mas pela qualidade demonstrada', diz ele.
A ministra Marina Silva chegou a dizer que perde o pescoço, mas não perde o juízo. O sr. concorda com as críticas feitas dentro do próprio governo à burocracia do Ibama e aos problemas que emperram os investimentos?
Tanto dentro quanto fora do governo essa questão ambiental não foi trabalhada adequadamente. Marina tem sido vítima de posicionamentos e críticas não pelos seus defeitos, mas pela qualidade demonstrada na condução da pasta que cabe a ela. Na área ambiental, ela é sem dúvida a maior autoridade que o País tem.
E ela vai ficar na equipe?
O presidente Lula tem demonstrado o carinho e o respeito que tem pela Marina. O governo tem de trabalhar melhor a questão ambiental: fortalecê-la e não enfraquecê-la. Eu vejo aí o perigo não de Marina perder o pescoço, porque ela já deixou claro que vai preservar o juízo. Eu vejo nisso o risco de o País perder a oportunidade de se firmar como nação que quer crescer, respeitando o ambiente com qualidade. Não podemos confundir pressa com ansiedade. O Brasil tem pressa, mas, se quiser crescer de forma adequada, não pode ser ansioso.
E a disputa de Marina com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff? Não há ali um fogo amigo?
A ministra Dilma atua nessa questão ambiental desde que atuou no Rio Grande do Sul. Ela tem clareza da importância do meio ambiente. Agora, isso não é uma regra dentro do nosso governo, sinceramente. Então, é preciso um exercício para as pessoas conhecerem o que não sabem e conviverem com o tema ambiental. Os países que quiserem ser desenvolvidos não têm de deixar a questão ambiental subordinada aos governos. De certa forma, são os governos que têm de estar subordinados ao tema ambiental. Não é verdade que isso signifique impedir o crescimento. É possível conciliar respeito e incorporação definitiva desse tema com crescimento no Brasil.
De que forma? O próprio presidente Lula diz que é preciso destravar essa área.
O crescimento vai depender muito mais de um grande esforço que envolva prefeitos, governadores, o setor privado e o governo federal. Não acredito que só o governo federal fazendo tudo certo garanta crescimento nesses patamares. O setor privado em muitos momentos se acovarda, não gosta de correr risco. O governo Lula controlou a inflação, estabilizou a economia, foi radical no cumprimento de contratos. Então, não tem de cobrar mais nada. Agora o setor privado tem de botar o pescoço na corda e correr risco. Se o setor privado fizer isso e o nosso governo fizer uma boa articulação com os governadores, aí sim o Brasil pode surpreender a todos e ao mundo - crescendo inclusive acima de 5%.
O tamanho do PT no governo deve permanecer igual no segundo mandato do presidente Lula ou deve haver uma despetização?
O foco do PT não deve ser em quantidade, porque o partido já tem o cargo mais importante, que é o do presidente da República. A discussão mais apropriada é a qualidade de participação. Cabe ao presidente fazer esse arranjo. Temos de reforçar nesse time a figura dos goleadores, dos que fazem gol. Hoje há uma sobrecarga muito grande na figura do presidente e da ministra Dilma Rousseff. É insustentável isso por mais quatro anos.
Como assim?
Os problemas do País não vão diminuir a curto e médio prazo. Eles vão se ampliar. Nesse arranjo novo de governo, o presidente vai necessitar de pessoas que possam assumir tarefas sem dar tanto trabalho à Casa Civil e a ele, que possam tocar as coisas com eficiência. Agora é hora de fazer esse monstro chamado Brasil andar.
◙ Vera Rosa é repórter do jornal O Estado de S. Paulo.
Cotado para assumir a coordenação política do Planalto, petista diz que seu partido não pode mais atrapalhar Lula
Vera Rosa, BRASÍLIA
A poucos dias de encerrar o seu segundo mandato, o governador do Acre, Jorge Viana, fala como ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, raciocina como articulador político, mas diz que não é bem assim. Cotado para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, Viana afirma que o PT precisa parar de criar problemas para Lula. “Ficaram grandes e graves cicatrizes no primeiro mandato”, constata ele, numa referência à avalanche de crises que se abateram sobre o partido e o Planalto.
Viana avalia que, para o governo de coalizão funcionar, não bastam apenas reuniões de Lula com as cúpulas dos partidos e prega a aproximação com os deputados. Mais: acha que “a coalizão nascerá morta” se os aliados não superarem as divergências para a apresentação de uma única candidatura à presidência da Câmara. Aos 47 anos, sem medo de desagradar aos petistas, ele também diz que o governo não pode ficar preso à meta de crescimento de 5%. “É uma armadilha”, resume.
O governador, porém, usa de ironia quando o assunto é o ministério. “O presidente Lula é uma pessoa iluminada, protegida. Então, quem for para o lado dele, tem de estar pronto para receber um raio na cabeça”, brinca. Questionado se está apto para a missão, desconversa: “Eu não. Deus me livre!”
O seu nome foi citado para a articulação política. O senhor chegou a conversar com o presidente sobre isso?
Se eu disser que não tive conversas com o presidente sobre mudanças no governo, estaria faltando com a verdade.
Quase todos os petistas próximos ao presidente foram atingidos por crises. O sr. não teme entrar no governo e ter um destino assim?
O presidente vai precisar, no segundo mandato, constituir um novo grupo em volta dele. Agora, todo mundo que for chamado tem que tomar cuidado e usar um bom capacete.
Por quê?
O presidente Lula é uma pessoa iluminada, protegida. Se tiver um raio para cair nele, cai no vizinho, em quem está do lado, mas nele não cai. Quem for para o lado do presidente tem que estar pronto para receber um raio na cabeça.
O sr. está preparado para tomar um raio na cabeça?
Eu não. Deus me livre!!!
Aliados reclamam que o PT foi muito apressado ao lançar a candidatura do líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), à presidência da Câmara. Houve precipitação?
O PT tem o direito de apresentar candidato, mas tenho visão diferente desse encaminhamento. Quando se está numa composição de governo com outras forças, temos de fazer com que a coalizão aconteça na prática. Ainda mais agora que contamos com o PMDB.
Mas o presidente apóia a recondução do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). Chinaglia deve desistir?
Neste momento ainda não cabe desistência, mas também acho que o PT dará um passo muito prejudicial à articulação que o presidente Lula acabou de fazer e surpreendeu a todos nós se não houver unidade. A coalizão nascerá morta do ponto de vista político se não conseguirmos uma candidatura única. O PT, que ganhou a Presidência, precisa ter a grandeza de puxar essa discussão.
A coalizão para o segundo mandato do presidente pode dar certo com tantas disputas na base aliada?
É um desafio, mas é o único caminho possível para que se tenha um ambiente político no qual o governo não fique refém de uma agenda negativa. Neste último ano e meio, as crises consumiram boa parte da energia do governo e isso foi muito ruim para o País. Depois de escolhido o novo ministério, a manutenção da coalizão caberá aos responsáveis pelas áreas. Agora, há um certo risco, porque o governo não pode servir como algo a ser garimpado. Quer dizer: vai todo mundo lá, retira um pouco e cada um segue o seu caminho em 2010.
Qual a garantia de que os partidos votarão os projetos de interesse do governo e não cobrarão mensalão?
A coalizão tem de ser fiel. Mas não são suficientes reuniões com a direção dos partidos. É um grande passo, mas é preciso um trabalho muito intenso de aproximação com as bancadas, tanto no Senado quanto na Câmara, para termos unidade.
Como evitar as crises políticas?
Primeiro temos de cuidar de nós mesmos. Cometemos muitas falhas no primeiro mandato, muitos erros graves. A crise saiu de dentro. É preciso fazer uma repactuação nesse segundo mandato, respeitar princípios. Em muitos casos as pessoas ficaram embevecidas pelo poder. A experiência do poder é perigosa. Se você não estiver preparado para lidar com ele, ele o engole. Ficaram grandes e graves cicatrizes. Houve muita besteira, muita trapalhada e o presidente teve de segurar tudo sozinho. Está na hora de o PT parar de criar problema para o presidente.
É possível crescer 5% ao ano no segundo mandato?
Acho um grande erro ficarmos estabelecendo metas mínimas de crescimento. É uma armadilha. O Brasil, na gestão do presidente Lula, cresceu pouco mais de 2% ao ano, em média, mas teve qualidade no crescimento: distribuiu renda no Nordeste, no Norte, teve geração de emprego com carteira assinada. Mais importante do que meta é a qualidade do crescimento. Para alguns analistas o que conta são números. Números são coisas frias, não têm feição.
Se Marina sair, quem perde é o Brasil, avalia governador
Os dois fizeram carreira no PT do Acre e o governador Jorge Viana se tornou um dos mais fiéis aliados da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva - que corre o risco de ser substituída no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Ibama, órgão subordinado à pasta de Marina Silva, é apontado como um dos entraves ao crescimento, por dificultar a liberação de obras como hidrelétricas, sob a alegação de que elas oferecem risco à natureza.
Viana afirma que se trata de uma injustiça e que a questão ambiental é mal compreendida no Brasil. 'Marina tem sido vítima de críticas não pelos seus defeitos, mas pela qualidade demonstrada', diz ele.
A ministra Marina Silva chegou a dizer que perde o pescoço, mas não perde o juízo. O sr. concorda com as críticas feitas dentro do próprio governo à burocracia do Ibama e aos problemas que emperram os investimentos?
Tanto dentro quanto fora do governo essa questão ambiental não foi trabalhada adequadamente. Marina tem sido vítima de posicionamentos e críticas não pelos seus defeitos, mas pela qualidade demonstrada na condução da pasta que cabe a ela. Na área ambiental, ela é sem dúvida a maior autoridade que o País tem.
E ela vai ficar na equipe?
O presidente Lula tem demonstrado o carinho e o respeito que tem pela Marina. O governo tem de trabalhar melhor a questão ambiental: fortalecê-la e não enfraquecê-la. Eu vejo aí o perigo não de Marina perder o pescoço, porque ela já deixou claro que vai preservar o juízo. Eu vejo nisso o risco de o País perder a oportunidade de se firmar como nação que quer crescer, respeitando o ambiente com qualidade. Não podemos confundir pressa com ansiedade. O Brasil tem pressa, mas, se quiser crescer de forma adequada, não pode ser ansioso.
E a disputa de Marina com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff? Não há ali um fogo amigo?
A ministra Dilma atua nessa questão ambiental desde que atuou no Rio Grande do Sul. Ela tem clareza da importância do meio ambiente. Agora, isso não é uma regra dentro do nosso governo, sinceramente. Então, é preciso um exercício para as pessoas conhecerem o que não sabem e conviverem com o tema ambiental. Os países que quiserem ser desenvolvidos não têm de deixar a questão ambiental subordinada aos governos. De certa forma, são os governos que têm de estar subordinados ao tema ambiental. Não é verdade que isso signifique impedir o crescimento. É possível conciliar respeito e incorporação definitiva desse tema com crescimento no Brasil.
De que forma? O próprio presidente Lula diz que é preciso destravar essa área.
O crescimento vai depender muito mais de um grande esforço que envolva prefeitos, governadores, o setor privado e o governo federal. Não acredito que só o governo federal fazendo tudo certo garanta crescimento nesses patamares. O setor privado em muitos momentos se acovarda, não gosta de correr risco. O governo Lula controlou a inflação, estabilizou a economia, foi radical no cumprimento de contratos. Então, não tem de cobrar mais nada. Agora o setor privado tem de botar o pescoço na corda e correr risco. Se o setor privado fizer isso e o nosso governo fizer uma boa articulação com os governadores, aí sim o Brasil pode surpreender a todos e ao mundo - crescendo inclusive acima de 5%.
O tamanho do PT no governo deve permanecer igual no segundo mandato do presidente Lula ou deve haver uma despetização?
O foco do PT não deve ser em quantidade, porque o partido já tem o cargo mais importante, que é o do presidente da República. A discussão mais apropriada é a qualidade de participação. Cabe ao presidente fazer esse arranjo. Temos de reforçar nesse time a figura dos goleadores, dos que fazem gol. Hoje há uma sobrecarga muito grande na figura do presidente e da ministra Dilma Rousseff. É insustentável isso por mais quatro anos.
Como assim?
Os problemas do País não vão diminuir a curto e médio prazo. Eles vão se ampliar. Nesse arranjo novo de governo, o presidente vai necessitar de pessoas que possam assumir tarefas sem dar tanto trabalho à Casa Civil e a ele, que possam tocar as coisas com eficiência. Agora é hora de fazer esse monstro chamado Brasil andar.
◙ Vera Rosa é repórter do jornal O Estado de S. Paulo.
sábado, 16 de dezembro de 2006
AVISO AOS NAVEGANTES
Leila Jalul
Tenho três princípios básicos quando escrevo: não me engano, apenas me equivoco; mão minto, mas ornamento os fatos; e sempre tenho o aval de provas testemunhais e posso revelar fontes.
Deveria ter muitos outros, como, por exemplo, cuidar mais das vírgulas e dos pontos de exclamações, evitar a prolixidade, vez por outra inserir um “data vênia”, só pra exibir um tiquinho de eruditismo. Deixo isso de lado ou é melhor nem escrever.
Hoje, vou contar um fato, passado e acontecido no Palácio Rio Branco. Não sei em que ano, mas faz tempo. Era interventor ou governador (os historiadores podem esclarecer), um João Kubitschek, primo do Presidente Juscelino.
Certo dia, por volta da meia-noite, se apresenta aos guardas da vigilância, uma freirinha miúda e bonitinha, pedindo insistentemente para falar com o chefão. Conversa vai, conversa vem, os guardas, alegando o adiantado da hora, tentaram convencê-la a voltar no início do expediente.
A religiosa não arredou o pé e, sem que dessem por conta, os responsáveis pela segurança do governador apenas ouviram os passos suaves subindo as escadarias. Foi aquela correria. Procura aqui, procura dali, embaixo da mesa, atrás da porta, salão principal e nada! Escafedeu-se!
Fazer o quê? Invadir o quarto do governador? Restou montar guarda no portão principal e imaginarem a punição pela grave falta. Seriam suspensos, pegariam cadeia, seriam expulsos? Temiam a expulsão.
Cadeia era coisa pouca, suspensão poderia ser encarada como umas férias forçadas. Agora, expulsão, é triste demais para um fardado, principalmente se por um fato não cometido.
É triste e leva às lágrimas até os corações pedrados. Coorporação formada, em posição de sentido, e o energúmeno meliante ali, na frente de todos, cabeça baixa, tendo que devolver a arma, o uniforme e ainda tendo de ouvir aquela ladainha do comando, de voz empostada, que penetra na alma até dos que erraram.
Por Deus, foi apenas uma noite de pesadelo. Pesadelo de pé, com os olhos bem abertos. Nada aconteceu com o Cosme, nem com o Damião.
Logo amanheceu e o governador contou seu sonho com uma freirinha, avisando sobre o passamento de um ser querido lá das Minas Gerais!
Ufa! E não deu outra! Aqui, só se confirma a verdade: uns sempre morrerão, para que outros tenham vida.
Tenho três princípios básicos quando escrevo: não me engano, apenas me equivoco; mão minto, mas ornamento os fatos; e sempre tenho o aval de provas testemunhais e posso revelar fontes.
Deveria ter muitos outros, como, por exemplo, cuidar mais das vírgulas e dos pontos de exclamações, evitar a prolixidade, vez por outra inserir um “data vênia”, só pra exibir um tiquinho de eruditismo. Deixo isso de lado ou é melhor nem escrever.
Hoje, vou contar um fato, passado e acontecido no Palácio Rio Branco. Não sei em que ano, mas faz tempo. Era interventor ou governador (os historiadores podem esclarecer), um João Kubitschek, primo do Presidente Juscelino.
Certo dia, por volta da meia-noite, se apresenta aos guardas da vigilância, uma freirinha miúda e bonitinha, pedindo insistentemente para falar com o chefão. Conversa vai, conversa vem, os guardas, alegando o adiantado da hora, tentaram convencê-la a voltar no início do expediente.
A religiosa não arredou o pé e, sem que dessem por conta, os responsáveis pela segurança do governador apenas ouviram os passos suaves subindo as escadarias. Foi aquela correria. Procura aqui, procura dali, embaixo da mesa, atrás da porta, salão principal e nada! Escafedeu-se!
Fazer o quê? Invadir o quarto do governador? Restou montar guarda no portão principal e imaginarem a punição pela grave falta. Seriam suspensos, pegariam cadeia, seriam expulsos? Temiam a expulsão.
Cadeia era coisa pouca, suspensão poderia ser encarada como umas férias forçadas. Agora, expulsão, é triste demais para um fardado, principalmente se por um fato não cometido.
É triste e leva às lágrimas até os corações pedrados. Coorporação formada, em posição de sentido, e o energúmeno meliante ali, na frente de todos, cabeça baixa, tendo que devolver a arma, o uniforme e ainda tendo de ouvir aquela ladainha do comando, de voz empostada, que penetra na alma até dos que erraram.
Por Deus, foi apenas uma noite de pesadelo. Pesadelo de pé, com os olhos bem abertos. Nada aconteceu com o Cosme, nem com o Damião.
Logo amanheceu e o governador contou seu sonho com uma freirinha, avisando sobre o passamento de um ser querido lá das Minas Gerais!
Ufa! E não deu outra! Aqui, só se confirma a verdade: uns sempre morrerão, para que outros tenham vida.
CARTA ABERTA A SANTIAGO
Juarez Nogueira
Santiago, não perturbe a sua juventude a indignação porque a resposta, moço, como na velha canção, está no ar. O silêncio que se segue a sua carta se encarrega de dizer o que você já sabe.
Mesmo assim e por isso mesmo, tomei a liberdade de responder, afligido que fui um dia pelas mesmas incertezas com que, percebo, você expõe a esperança de compreender, com dignidade e justiça.
Sou professor, Santiago, e muitas vezes tento explicar aos meus alunos um monte de coisas. E não raras vezes faltam-me palavras, falta-me um discurso convincente para dar sentido e coerência a umas tantas atitudes que fazem a cara queimar de vergonha nesse país que vive curvado pela própria grandeza.
Fico sem saber o que dizer-lhes para que, apesar de tudo, insistam nas artes da lealdade e da gentileza, sejam cavalheiros honestos, combatam o bom combate. Então eu olho para os meus alunos, assim como olho agora para a sua foto, e penso: dizer o quê?
Eu penso que o senador Tião Viana, talvez, se ele ou um de seus assessores leu sua carta, esteja tomado pela mesma dúvida: dizer o quê? Porque, afinal, tudo o que se disser, parecerá - e é - a defesa do indefensável.
O que sei é que uma voz ou outra, a sua, protestam aqui e ali, demandam um esforço em compreender e explicar os lances, as jogadas políticas nas quais o povo - ora, o povo - é useiro e vezeiro perdedor ludibriado.
Depois se calam as vozes, os protestos. Calam e esquecem. Até que de novo outras negligências, outros desmandos, outros acintes nos venham devolver a nossa condição de gente envergonhada. Envergonhada, mas mansa. Mansa demais, Santiago.
Agora mesmo, no momento em que lhe escrevo nesta madrugada de sábado, leio na página da UOL que quatro adolescentes atearam fogo num morador de rua, em Tangará da Serra, no Mato Grosso. A juventude me comove e surpreende, Santiago.
Note: enquanto você questiona o aumento - segundo suas próprias palavras, imoral e descabido - do salário das Excelências, outros resolvem fazer do semelhante uma tocha humana. Por isso é que sua carta tanto me tocou, Santiago, e resolvi respondê-la, antes mesmo do destinatário senador.
Eu não sei o motivo, mas imagino que aqueles quatro jovens devessem estar muito, muito indignados com o morador de rua no qual atearam fogo, assim como você me parece tão indignado com o reajuste salarial dos nossos - sim, nossos - laboriosos representantes.
O meu alento, Santiago, é que há mais, muitos mais jovens mansos ou questionadores que incendiários, não estamos em França. Já imaginou, se fosse o contrário? É bom nem pensar.
Por isso, uma vez mais, não perturbe a indignação a sua juventude nem alegue seus 17 anos de ignorância como incapacidade de entender. Porque você sabe, Santiago, você sabe e entende. A resposta está no ar. Mas tenha fé, Santiago, tenha fé. Porque entender exige.
Um abraço,
P.S.: Vou reler algum trecho do Eclesiastes, minha leitura preferida, na falta de alento ou de conduta.
◙ O professor e escritor mineiro Juarez Nogueira mora em Divinópolis (MG). É autor dos livros Manual de Sobrevivência na Redação e O Menino Alquimista.
Santiago, não perturbe a sua juventude a indignação porque a resposta, moço, como na velha canção, está no ar. O silêncio que se segue a sua carta se encarrega de dizer o que você já sabe.
Mesmo assim e por isso mesmo, tomei a liberdade de responder, afligido que fui um dia pelas mesmas incertezas com que, percebo, você expõe a esperança de compreender, com dignidade e justiça.
Sou professor, Santiago, e muitas vezes tento explicar aos meus alunos um monte de coisas. E não raras vezes faltam-me palavras, falta-me um discurso convincente para dar sentido e coerência a umas tantas atitudes que fazem a cara queimar de vergonha nesse país que vive curvado pela própria grandeza.
Fico sem saber o que dizer-lhes para que, apesar de tudo, insistam nas artes da lealdade e da gentileza, sejam cavalheiros honestos, combatam o bom combate. Então eu olho para os meus alunos, assim como olho agora para a sua foto, e penso: dizer o quê?
Eu penso que o senador Tião Viana, talvez, se ele ou um de seus assessores leu sua carta, esteja tomado pela mesma dúvida: dizer o quê? Porque, afinal, tudo o que se disser, parecerá - e é - a defesa do indefensável.
O que sei é que uma voz ou outra, a sua, protestam aqui e ali, demandam um esforço em compreender e explicar os lances, as jogadas políticas nas quais o povo - ora, o povo - é useiro e vezeiro perdedor ludibriado.
Depois se calam as vozes, os protestos. Calam e esquecem. Até que de novo outras negligências, outros desmandos, outros acintes nos venham devolver a nossa condição de gente envergonhada. Envergonhada, mas mansa. Mansa demais, Santiago.
Agora mesmo, no momento em que lhe escrevo nesta madrugada de sábado, leio na página da UOL que quatro adolescentes atearam fogo num morador de rua, em Tangará da Serra, no Mato Grosso. A juventude me comove e surpreende, Santiago.
Note: enquanto você questiona o aumento - segundo suas próprias palavras, imoral e descabido - do salário das Excelências, outros resolvem fazer do semelhante uma tocha humana. Por isso é que sua carta tanto me tocou, Santiago, e resolvi respondê-la, antes mesmo do destinatário senador.
Eu não sei o motivo, mas imagino que aqueles quatro jovens devessem estar muito, muito indignados com o morador de rua no qual atearam fogo, assim como você me parece tão indignado com o reajuste salarial dos nossos - sim, nossos - laboriosos representantes.
O meu alento, Santiago, é que há mais, muitos mais jovens mansos ou questionadores que incendiários, não estamos em França. Já imaginou, se fosse o contrário? É bom nem pensar.
Por isso, uma vez mais, não perturbe a indignação a sua juventude nem alegue seus 17 anos de ignorância como incapacidade de entender. Porque você sabe, Santiago, você sabe e entende. A resposta está no ar. Mas tenha fé, Santiago, tenha fé. Porque entender exige.
Um abraço,
P.S.: Vou reler algum trecho do Eclesiastes, minha leitura preferida, na falta de alento ou de conduta.
◙ O professor e escritor mineiro Juarez Nogueira mora em Divinópolis (MG). É autor dos livros Manual de Sobrevivência na Redação e O Menino Alquimista.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
A ARARA DA GLÓRIA PEREZ
Glória Perez ficou tão empolgada com a notícia das camisetas que começam a circular no Acre com a logomarca da minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", que ontem mesmo tratou de reproduzir no Blog da Autora a foto da estudante de jornalismo Jannice Dantas, aquela a quem pedi para fazer pose de modelo para este blog.Pois bem, quando contei que Jannice é neta de Zé Higino e Antonio Dantas, Glória logo quis saber:
- Altino querido, ela é filha da Jeize, da Jane ou da Janete? Seu Zé Higino e dona Mariinha eram nossos vizinhos, e as meninas minhas amigas de infância! Tenho retratos delas aqui em casa com a minha arara. Nossa, que saudade! Nessa última vez que fui ao Acre vi seu Zé Higino e a Janete. Nem deu tempo de conversar, matar saudades!
Glória enviou a foto na qual aparecem Janete, Jeize e Dona Arara no portão da casa onde ela morava em Rio Branco, na rua Benjamin Constant, em frente à Rádio Difusora Acreana - A Voz das Selvas.
Agora todos sabemos que, além de carregar no ombro o Tico, o periquito (leia aqui) que melecava seu uniforme em sala de aula, a novelista também criava uma arara. Glória e Jeize eram atrizes do teatro infantil que organizavam.
O mais impressionante na foto é altura dos muros. Ainda somos uma terra de muro baixo.
CARTA ABERTA AO TIÃO
"Excelentíssimo Senador Tião Viana,
Venho por meio desta questioná-lo a respeito do seu voto a favor do aumento de 91% do salário dos parlamentares. O salário passará de R$ 12,8 mil para R$ 24,6 mil.
Eu, na minha ignorância de um jovem de 17 anos, não consigo entender o porquê deste aumento. Todos os parlamentares têm ajuda de custo em tudo que é possível, desde gasolina até copos descartáveis.
De acordo com notícia do portal Terra (leia aqui), você foi um dos senadores que votaram a favor do aumento imoral e descabido.
Fica a impressão que estamos sem nenhum tipo de problema econômico no país, pois temos os parlamentares com o maior salário do mundo. Além disso, parece que em nosso país não existe desigualdade social.
Mais uma vez lhe pergunto: por quê, senador? Por que esse aumento? E por que você, que sempre lutou pelos ideais do povo acreano, desde o tempo em que faltava o tal dinheiro para a gasolina etc, votou a favor disso?
Eu gostaria de entender, porque eu e mais 66% dos eleitores acreanos, temos na sua imagem, uma imagem íntegra e sempre a favor dos ideais mais populares.
Por que, Tião?
Santiago Queiroz
P.S.: Caro Altino, você se incomodaria em publicar no seu blog a minha carta? É a única maneira que tenho de protestar contra o que considero uma injustiça descabida. Fico esperando a sua resposta. Obrigado".
ÍNDIOS INVADEM IBAMA
Lindomar Padilha
Caro Altino,
Durante duas semanas os índios apolima-arara tentaram, sem êxito, uma solução para o conflito existente na Terra Indígena do Arara do Amônia, em Marechal Thaumaturgo, por conta de autorizações emitidas palo Ibama para retirada de madeira e construção de casas para os não-índios, ocupantes da terra indígena. Sou testemunha desse esforço dos índios.
A construção das casas é fruto de um convênio entre o Ibama e o Incra, que fizeram o convênio sabendo tratar-se de terra indígena, mas sem que tenham considerado o laudo de identificação da Funai. Este blog mesmo pôde cobrir parte da angústia nossa e, principalmente, dos índios.
Com as declarações do superintendente do Ibama ontem à tarde, de que não impediria a retirada de madeira e que chegou a pedir para os índios esperarem por apenas mais um mês acampados na sede da Opirj, a situação chegou ao limite e, hoje pela manhã, os índios ocuparam a sede do Ibama em Cruzeiro do Sul.
Os índios dizem que vão esperar lá na sede do Ibama até que tenham uma solução definitiva para o impasse. Afirmam que o que vier a acontecer será de total responsabilidade do Ibama e do Incra.
Lamentamos profundamente que a situação tenha chegado a esse ponto e já não temos mais o que fazer, infelizmente. A omissão e o não cumprimento de acordos, por parte das autoridades, não nos permite mais acreditar que resolverão o problema.
Só podemos rezar e torcer para que o conflito não piore ainda mais.
Bom trabalho.
◙ Lindomar Padilha é coordenador do Conselho Indigenista Missionário em Cruzeiro do Sul (AC).
Caro Altino,
Durante duas semanas os índios apolima-arara tentaram, sem êxito, uma solução para o conflito existente na Terra Indígena do Arara do Amônia, em Marechal Thaumaturgo, por conta de autorizações emitidas palo Ibama para retirada de madeira e construção de casas para os não-índios, ocupantes da terra indígena. Sou testemunha desse esforço dos índios.
A construção das casas é fruto de um convênio entre o Ibama e o Incra, que fizeram o convênio sabendo tratar-se de terra indígena, mas sem que tenham considerado o laudo de identificação da Funai. Este blog mesmo pôde cobrir parte da angústia nossa e, principalmente, dos índios.
Com as declarações do superintendente do Ibama ontem à tarde, de que não impediria a retirada de madeira e que chegou a pedir para os índios esperarem por apenas mais um mês acampados na sede da Opirj, a situação chegou ao limite e, hoje pela manhã, os índios ocuparam a sede do Ibama em Cruzeiro do Sul.
Os índios dizem que vão esperar lá na sede do Ibama até que tenham uma solução definitiva para o impasse. Afirmam que o que vier a acontecer será de total responsabilidade do Ibama e do Incra.
Lamentamos profundamente que a situação tenha chegado a esse ponto e já não temos mais o que fazer, infelizmente. A omissão e o não cumprimento de acordos, por parte das autoridades, não nos permite mais acreditar que resolverão o problema.
Só podemos rezar e torcer para que o conflito não piore ainda mais.
Bom trabalho.
◙ Lindomar Padilha é coordenador do Conselho Indigenista Missionário em Cruzeiro do Sul (AC).
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