sexta-feira, 17 de junho de 2011

PALÁCIO RIO BRANCO

O buraco é mais embaixo

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"EMBARGOS AURICULARES"

Fábio Pontes, Agazeta.Net

Menos de uma semana após o Tribunal de Justiça do Acre entrar com mandato de segurança contra o governador Tião Viana (PT) no Supremo Tribunal Federal (STF), os senadores Jorge Viana (PT) e Anibal Diniz (PT), além do próprio governador, fizeram uma visita ao ministro relator da ação, José Antonio Dias Toffoli.

Na mesma hora em que os políticos saiam do gabinete do ministro, na Praça dos Três Poderes, o presidente do TJ-AC, desembargador Adair Longuini, estava à espera para ser atendido.

Os três se cumprimentaram e seguiram seus caminhos. O governador Tião Viana entrou por uma porta privativa, não se encontrando com Longuini.

O presidente Adair Longuini estava acompanhado de seu colega de Corte e corregedor-geral de Justiça, desembargador Arquilau de Castro Melo.

Leia mais em Agazeta.Net.

ADAIR LONGUINI ACIONA STF CONTRA TIÃO VIANA

O presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), desembargador Adair Longuini, ingressou com mandado de segurança (leia) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o governador Tião Viana (PT). O ministro Dias Toffoli é o relator do processo em que o Executivo é acusado de ter retido indevidamente R$ 35,8 milhões do Judiciário nos últimos cinco anos.

Longuini requer, em caráter liminar, que o STF ordene que o governador abstenha-se de computar, como parte integrante da parcela do duodécimo do Judiciário, o montante da contribuição previdenciária descontada de seus servidores e magistrados, e passe a efetuar o repasse dos valores dos duodécimos sem nenhuma retenção injustificada.

A retenção indevida de parte dos duodécimos constitui, em tese, ato de improbidade administrativa, sujeitando o governador e sua equipe econômica às sanções da legislação. O TJ-AC também pede ao STF que, após o trânsito em julgado da ação, envio de cópia dos autos do mandado de segurança ao Ministério Público Federal e Estadual, assim como ao Tribunal de Contas do Estado.

Longuini espera que sejam tomadas providências administrativas, civis e criminais, se for o caso, já que se trata de verba indevidamente retida e possivelmente utilizada fora da sua destinação específica.
Relatórios, cópias de empenhos e folhas de pagamento foram anexados para provar que o Judiciário arca integralmente com a folha de pagamento dos seus aposentados e pensionistas, que nada recebem do Executivo ou do Instituto de Previdência do Estado do Acre (Acreprevidência).

A contribuição previdenciária recolhida dos servidores do Judiciário, depois de ser repassada, apenas para fins contábeis, ao Acreprevidência, é devolvida mensalmente, já que os benefícios são pagos pelo próprio Judiciário, e não pelo Acreprevidência.

- Contudo, apesar de assumir integralmente o ônus de pagar os seus aposentados e pensionistas, o Poder Judiciário historicamente tem recebido os seus duodécimos com o desconto de montante igual ao valor que é recolhido dos seus segurados - assinala o desembargador.

Segundo Longuini, o Judiciário não tem permanecido alheio à “apropriação indevida” de suas verbas orçamentárias. Mensalmente, o TJ-AC solicita ao governador repasse dos duodécimos com o valor previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Como resposta, de forma invariável, em todos os meses do exercício financeiro, é feito repasse inferior à efetivamente devida.

Na verdade, na quantia repassada é descontado o valor equivalente ao recolhido dos servidores, verba que é legalmente destinada ao custeio parcial da folha de pagamento de inativos e pensionistas, pagos pelo próprio Judiciário, e não pelo Executivo.

Para Longuini, se o Judiciário paga os seus aposentados e pensionistas à custa do seu próprio duodécimo, é inaceitável que o governador, ao arrepio da lei e da Constituição, retenha, indevidamente, parcela da verba orçamentária do Judiciário.

- Pior ainda quando tal verba é retida, todos os meses, sem a correspondente despesa, já que aquele Poder, na verdade, não gasta um só tostão no pagamento dos nossos segurados. Tal circunstância, sem dúvida alguma, desautoriza a contabilização do valor correspondente como parte do duodécimo - explica o presidente do TJ-AC na petição.

O Judiciário alega que apesar das tentativas em discutir a questão e reaver os R$ 35,8 milhões, o governador Tião Viana e sua equipe econômica preferiram o silêncio, deixando de explicar o destino da verba retida indevidamente.

- O Chefe do Poder Executivo, por seu próprio e significativo silêncio fez surgir a certeza de que não vai suspender a retenção indevida de parte substancial dos valores relativos aos duodécimos e, pior ainda, de que não vai fazer a suplementação do valor que deixou de ser repassado nos últimos cinco anos, forçando o TJAC a ocupar o tempo da Suprema Corte com questões que sequer deveriam chegar às barras da Justiça.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

TRONCO DO PÉ DE MOGNO


Plantei no quintal de minha casa, em meados de 2002, algumas mudas de mogno que formei a partir de sementes obtidas em Brasiléia. Quatro mognos estão de pé, sendo que apenas dois crescem com vigor e medem cerca de 10 metros de altura.

Olhei com mais carinho para eles nesta tarde ao conversar com meu amigo Luiz Caversan, a quem continuo devendo o envio de novas sementes de mogno.

Ele é testemunha de que os mognos foram plantados por mim. Para entender a história, leia “O bem-te-vi e o mogno”, que Caversan escreveu na Folha.

terça-feira, 14 de junho de 2011

KATIE MELUA - NINE MILLION BICYCLES

CONTAS PÚBLICAS

Ministério Público pede investigação sobre gastos de R$ 21 milhões do Governo do Acre com consultoria em um ano e meio


O Ministério Público do Estado do Acre já começou a investigar supostas irregularidades envolvendo gastos do governo estadual na contratação de empresas que prestam serviços de consultoria.

O procurador-geral de Justiça do Acre, Sammy Lopes, pediu a abertura do procedimento ao procurador de Justiça Álvaro Pereira, da Coordenadoria de Combate ao Crime Organizado.

Consultoria é uma atividade legítima, mas o MPE quer apurar como ocorreram as contratações e se os serviços foram efetivamente prestados.

Leias mais no Blog da Amazônia.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CARANGUEJEIRA

A CEREJA DO BOLO

Em 2010, último ano do mandato do governador Binho Marques (PT), o Acre gastou R$ 18,3 milhões com serviços de consultoria. Após seis meses de gestão, o governador Tião Viana (PT) já gastou R$ 2,7 milhões com a mesma atividade.

Leia mais: 

EPM Experts recebeu R$ 7,7 milhões por consultoria em três anos 

Veja a evolução mês a mês em 2010, ano eleitoral:

R$ 10.990,55 (janeiro), R$ 130.722,44 (fevereiro), R$ 287.924,61 (março), R$ 488.518,19 (abril), R$ 709.659,29 (maio), R$ 949.019,29 (junho), R$ 1.096.839,04 (julho), R$ 1.522.832,52 (agosto), R$ 2.058.599,47 (setembro), R$ 2.503.692,98 (outubro), R$ 3.129.079,89 (novembro), R$ 5.452.677,14 (dezembro).

Gastos com consultoria deste ano:

R$ 56.196,00 (janeiro), R$ 85.996,00 (fevereiro), R$ 160.851,48 (março), R$ 414.647,33 (abril), R$ 865.180,31 (maio) e R$ 1.119.820,31 até esta segunda-feira (13) de junho.

Portanto, foram mais de R$ 21 milhões gastos com serviços de consultoria em um ano e meio.

Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Estado do Acre.

EPM EXPERTS

Empresa recebeu R$ 7,7 milhões por consultoria ao governo do Acre em três anos


Dados do sistema de gastos do governo do Acre revelam que a empresa EPM Experts Ltda. recebeu nos  últimos três anos mais de R$ 7,7 milhões por contratos de prestação de serviço de consultoria. O  PT caminha para o terceiro mandato consecutivo no comando do governo estadual.

A EPM Experts abocanhou recursos de empréstimos feitos pelo governo do Acre junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) , tendo a participação de um analista de planejamento e de uma pregoeira do Estado. O casal criou até uma imobiliária com website para administrar parte do patrimônio acumulado.

A empresa foi registrada na Junta Comercial do Acre, no final de dezembro de 2008, por Rodrigo Nascimento da Silva, de 31 anos, e Luis Fernando Rodrigues dos Santos, de 24 anos, consultores de tecnologias, ambos naturais de Belo Horizonte (MG).

Surgiu oferecendo serviços de desenvolvimento de programas de computador, consultoria em tecnologia da informação, suporte técnico de software e comércio varejista especializado em equipamentos de informática.

Os R$ 7,7 milhões que a EPM Experts recebeu do governo do Acre foram basicamente por contratos com o gabinete do então secretário de Planejamento Gilberto Siqueira e de outras áreas que estavam sob o controle direto dele - Secretaria de Habitação, Fundação de Tecnologia do Acre e Departamento Estadual de Águas e Saneamento.

Este e outros casos levaram o governador Tião Viana (PT) a interromper a trajetória de Gilberto Siqueira como secretário de Planejamento. Ele ocupou o cargo durante 16 anos, na prefeitura de Rio Branco e no Estado, nas gestões petistas dos governadores Jorge Viana e Binho Marques.

Consta no Portal da Transparência do Acre que Viana já gastou mais de R$ 1 milhão nos primeiros cinco meses com o programa de controle interno, prevenção e combate a corrupção. O antecessor Binho Marques gastou R$ 2,1 milhões com o mesmo programa. Mas a corrupção está longe de diminuir no Estado.

Registro de preços

O primeiro contrato da Secretaria de Planejamento (Seplan) com a EPM Experts, de R$ 1,5 milhão, foi assinado em abril de 2008, para criação do Sistema Integrado de Monitoramento (SIM), ferramenta usada na gestão de projetos do governo estadual.

Em setembro do ano seguinte, o então secretário Gilberto Siqueira homologou concorrência para o primeiro registro de preços e técnica de preços a favor da EPM Experts, no valor de R$ 1,9 milhão. Antes de deixar o cargo, Siqueira homologou, em 30 de dezembro de 2010, registro de preços em favor da mesma empresa no valor de R$ 11,3 milhões.

A partir do registro de preços, a empresa se tornou referência na atividade de prestação de serviços de consultoria no governo estadual.

No mês seguinte, a EPM Experts passou a realizar o planejamento estratégico do Judiciário antes mesmo da licitação e da assinatura do contrato.

A empresa fora indicada por Gilberto Siqueira e José Carlos da Silva Costa - este havia deixado o cargo de diretor executivo do Tribunal de Justiça do Acre dois anos antes e passara a trabalhar como analista da Seplan.

Um mês depois, o então presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Ranzi, assinou com a EPM Experts contrato no valor de R$ 618,6 mil pelo planejamento estratégico.

Ameaça de morte

Como o cofre do Acre se abria para a EPM Experts com muita facilidade, a empresa passou a ser vista como a galinha dos ovos de ouro, embora, além dos sócios, fosse formada por meia dúzia de computadores numa sala apertada no centro de Rio Branco.

Em junho de 2009, Luis Fernando Rodrigues dos Santos chamou Rodrigo Nascimento da Silva e sugeriu ao sócio que se desligasse da empresa.

Luis Fernando argumentou que o analista de planejamento José Carlos da Silva Costa havia condicionado a contratação de novos projetos de consultoria ao afastamento do sócio.

Rodrigo Silva, que havia idealizado a empresa e convidado Luis Fernando a mudar de Belo Horizonte para Rio Branco, tentou resistir. Disse ao sócio que não aceitaria se afastar no melhor momento, quando vários projetos estavam sendo negociados com o governo.

- Foi quando o Luis Fernando me disse que, a partir daquele momento, recebia ordens do José Carlos e que eu passaria a correr risco de morte caso não aceitasse me desligar da empresa com a venda de minhas cotas. Isso aconteceu logo depois que ganhamos o registro de preços. Fiquei apavorado, vendi minhas cotas por R$ 300 mil, mas recebi apenas R$ 100 mil até agora. Ainda tenho medo de ser assassinado por conta da sujeira que está por trás de tudo isso - conta Rodrigo Silva.

No lugar dele, indicado pelo analista da Seplan, entrou na EPM Experts Otto Márcio Andrade Moura, de 26 anos, outro mineiro e consultor de tecnologias.

Pregoeira assume tudo

Na terceira alteração do contrato social da EPM Experts, em novembro de 2008, o capital social da empresa, que era de R$ 185 mil, passou para R$ 1 milhão.

Luis Fernando ficou com 75% de participação e Otto Moura com 25%. No mês seguinte, nova alteração no contrato social, quando o capital da empresa passou para R$ 1,5 milhão.

No dia 20 de janeiro deste ano, os dois sócios promoveram a quinta alteração contratual: ambos cederam e transferiram R$ 765 mil em cotas do capital social da EMP Experts para Clenilda Viana Barbosa, mulher de José Carlos da Silva Costa.

Clenilda Viana Barbosa ocupava o cargo de pregoeira da Secretaria Adjunta de Compras e Licitações Públicas do Acre. Ela é irmã do pastor Ildson (PPS), candidato derrotado como vice-governador de Tião Bocalom (PSDB).

Com 51% das cotas, a mulher de Jose Carlos da Silva Costa passou a ser a administradora da EPM Experts, “com total, irrestrito e amplos poderes e atribuições”. Luis Fernando ficou com 37% das cotas e Otto Márcio com apenas 12%.

A segunda cláusula da última alteração contratual estabeleceu que Clenilda Viana Barbosa está autorizada a usar o nome da EPM Experts, assumir obrigações de qualquer natureza, inclusive junto a instituições bancárias e financeiras, seja em favor de qualquer dos cotistas ou de terceiros, bem como alienar bens móveis e imóveis da sociedade.

Imobiliária

Para administrar os imóveis comprados a partir dos R$ 7,7 milhões que a EPM Experts recebeu pelas consultorias prestadas ao governo do Acre, a mulher do ex-analista da Seplan registrou na Junta Comercial do Acre a Ideal Imóveis - Corretores Associados Ltda.

O registro da imobiliária, com capital social de R$ 15 mil, aconteceu em fevereiro, 20 dias após Clenilda Viana Barbosa assumir o controle da EPM Experts.

Com 34% das quotas, a ex-pregoeira do governo do Acre tem como sócios o corretor de imóveis Celso Vila Feltrini (33%) e a estudante Juliane Guedes Lemos Corrêa (33%).

No site da Ideal Imóveis (veja), Clenilda Viana aparece como corretora estagiária, sendo o corretor responsável Renato Lemos, pai da sócia Juliane Guedes Lemos Corrêa.

Eles administram dois imóveis comerciais, dois galpões, dois terrenos, dois lotes, 15 imóveis residenciais, três apartamentos, oito casas e duas chácaras.

O site anuncia a venda de uma chácara por R$ 600 mil, no quilômetro 16 da estrada que liga a capital Rio Branco ao município de Senador Guiomard. Numa das fotos do escritório da casa, em cima de um móvel, aparecem duas fotos do casal José Carlos e Clenilda Viana Barbosa.

Há mais de um mês, sempre como “destaque da semana”, o site anuncia por R$ 450 mil a venda de uma casa, localizada no conjunto na Tucumã II, em Rio Branco, endereço usado pela EPM Experts.

Duro golpe

Com uma placa de venda no portão, a casa está fechada porque a empresa sofreu um duro golpe no dia 25 de março. Por causa de falcatruas que chegaram ao conhecimento do governador Tião Viana, a Seplan cancelou a ata de registro de preços da EPM Experts.

O objeto das atas de registro de preços em favor da empresa era sempre abrangente: Serviços de Consultoria e Assessoria em Processos e Rotinas, Arranjo Institucional, Capacitação e Treinamento em Gerenciamento e Monitoramento de Projetos, Desenvolvimento e Customização de Software, Modernização, Reestruturação, Melhorias e Manutenção de Sistema de Monitoramento, Operação Assistida e Assistência em Projetos, Revendas de Licenças, Gestão, Planejamento e Integração de Soluções de Projetos, Prestação de Serviços Técnicos Especializados de Gerenciamento, Supervisão, Fiscalização e Consultoria em Programas, Projetos, Ações, Obras, Engenharia e Empreendimentos.

Consultado pela reportagem, o sócio Luis Fernando disse que a empresa agora atua em outros Estados e não mais possui projetos de consultoria no Acre.

- Estamos agora envolvidos com grandes investimentos, como Rio Madeira, em Rondônia, e Copa do Mundo. Não é estratégico falar sobre isso agora - acrescentou.

Homem articulado

Desde que foi recusado pelo governador Tião Viana para continuar na Seplan, Gilberto Siqueira se tornou uma espécie de “secretário” da Amazônia e passou a articular projetos de consultoria para governos da região.

Siqueira é amigo do governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB). No começo do ano, ambos estiveram juntos no Acre para conhecer o “modelo de gestão” implantado pelo ex-secretário no Estado.

No dia 7 de janeiro, o governador de Rondônia escreveu no blog dele:

- Gilberto Siqueira está em Porto Velho. Foi Secretário de Planejamento do Acre por cerca de 16 anos. É um camarada acelerado, competente, articulado com o Brasil inteiro. Sabe fuçar as coisas e conseguir dinheiro até no meio das pedras. Bem-vindo a Rondônia.

domingo, 12 de junho de 2011

SETE MIL VEZES

(Caetano Veloso)

Sete mil vezes
Eu tornaria a viver assim
Sempre contigo
Transando sob as estrelas
Sempre cantando a música doce
Que o amor pedir pra eu cantar
Noite feliz
Todas as coisas são belas

Sete mil vezes
E em cada uma outra vez querer
Sete mil outras
Em progressão infinita
Quando uma hora é grande e bonita assim
Quer se multiplicar
Quer habitar
Todos os cantos do ser

Quarto crescente pra sempre
Um constante quando
Eternamente o presente você me dando
Sete mil vidas
Sete milhões e ainda um pouco mais
É o que eu desejo
E o que deseja esta noite
Noite de calma e vento
Momento de prece e de carnavais
Noite de amor
Noite de fogo e de paz

sábado, 11 de junho de 2011

O ACRE NO LAÇO


Sobrinho do ex-secretário de Planejamento Gilberto Siqueira, Aloisio Mestriner Detomini é ex-diretor do programa BNDES, uma das maiores fontes de recursos do governo do Acre.

O governador Tião Viana (PT) nomeou Aloisio Detomini, em janeiro, para o cargo de diretor executivo da Secretaria de Planejamento.

Em seguida, Detomini foi designado pelo secretário de Planejamento Márcio Veríssimo Carvalho Dantas como coordenador geral da Unidade de Gestão do PROACRE - Programa de Inclusão Social e Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Acre.

Mas Detomini gosta mesmo é das atividades da Comitiva Laço Acreano, que realizará no dia dia 23 de julho uma carreata com trio elétrico.

Haverá cerveja e refrigerante para quem comprar ingresso para participar da carreata, além de uísque, vodca e energéticos para quem optar pelo trio elétrico.

Encarregado de pré-vendas, Detomini usa o celular (68) 9971-9010, do governo do Acre, para suas atividades particulares de expansão da cultura cowboy na terra da florestania.

- Eu uso o telefone do governo apenas para receber as chamadas - alega o coordenador do programa financiado pelo Banco Mundial, de onde sai o dinheiro que abastece empresas como a Tellus Consultoria.

O domínio da Comitiva Laço Acreano está registrado (veja) em nome de Otto Márcio de Andrade, um dos três sócios da empresa de consultoria EPM Experts Ltda.

Atualização às 22h15: por causa do blog, Aloisio Detomini já removeu o número do celular do governo do Acre que usava para vender ingressos. O blog sempre serve.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

TERRA DA CONSULTORIA

Vejo no Portal da Transparência do Acre que o governo Tião Viana (PT) já gastou mais de R$ 1 milhão com o programa de controle interno, prevenção e combate a corrupção.

Em 2010, o governo Binho Marques (PT) gastou R$ 2,1 milhões com o mesmo programa.

Apesar dos gastos para combatê-la, a corrupção está longe de acabar ou diminuir no Acre.

O governo estadual gasta muito, por exemplo, com empresas de consultoria.

No ano passado, uma delas faturou R$ 5,6 milhões.

QUEBRA DE SIGILO FISCAL

O Ministério Público Federal no Acre enviou ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado 253 representações por doações acima do limite previsto em lei durante a campanha para as eleições gerais de 2010 e pediu a quebra do sigilo fiscal dos doadores.

O limite para as doações é calculado usando o valor bruto declarado à Receita Federal no ano anterior ao das eleições.

Segundo o procurador regional eleitoral Paulo Henrique Ferreira Brito, pessoas físicas não podem doar mais que 10% do total declarado, enquanto as pessoas jurídicas não podem ultrapassar 2% do seu faturamento bruto declarado.

- Pessoas físicas que não declararam Imposto de Renda não poderiam ter doado mais que R$ 1.725,00, equivalente a 10% do valor de renda isenta de IR em 2009 - assinala o procurador.

As representações atingem 179 pessoas físicas, 37 pessoas jurídicas e 37 dirigentes dessas empresas.

A penalidade para as pessoas físicas e jurídicas condenadas pelo ilícito é  o pagamento de multa de cinco a dez vezes o valor excedido. Pessoas físicas podem ficar inelegíveis por 8 anos.

As pessoas jurídicas ainda podem ser proibidas de participar de licitações e de celebrar contratos com o poder público pelo período de cinco anos. Os dirigentes das pessoas jurídicas, e as pessoas físicas representadas, caso sejam condenados, serão declarados inelegíveis por oito anos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SURPRESA E INDIGNAÇÃO

Governo do Acre alija Justiça e Assembléia da elaboração do orçamento estadual, diz Adair Longuini

O presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Adair Longuini, apresentou nesta quarta-feira(8), aos demais membros da corte, um levantamento sobre a situação orçamentária do Judiciário Estadual.

Descontentes com a situação financeira, servidores realizaram nas ruas do centro de Rio Branco (AC), nesta quarta, uma manifestação com cortejo e enterro simbólico da justiça acreana.

Preocupado com a exclusão do Judiciário na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, o desembargador Adair Longuini revelou que o governador Tião Viana (PT) comunicou oficialmente que não poderá atender suas reclamações para o orçamento de 2012 sob pena de retirar recursos para educação, saúde, habitação e segurança.

- É de causar surpresa e até indignação esta situação - afirmou Longuini.

Segundo o desembargador, Viana já “sentenciou” aquilo que os deputados ainda irão discutir na Assembléia.

- Isso demonstra que o Judiciário e o Legislativo estão alijados do processo democrático de construção do orçamento estadual, preceito que deveria reger a coisa pública - acrescentou.

Conforme os dados apresentados por Longuini, o orçamento aprovado para o exercício de 2011 está muito abaixo das despesas básicas do Judiciário.

O valor mínimo apurado para os gastos que serão realizados neste ano é de R$ 147 milhões – R$ 127 milhões somente de despesas com pessoal. No entanto, o valor aprovado foi de R$ 139 milhões.

- Na verdade ainda teremos que viabilizar outras despesas extraordinárias no corrente ano, e teremos uma grande dificuldade para a execução do orçamento e a cobertura de todas as despesas do Judiciário - declarou Longuini.

A proposta apresentada no ano passado foi de R$ 224 milhões, tendo havido um corte de cerca de R$ 85 milhões.

O desembargador afirmou ainda que, ao longo dos anos, o Executivo tem reservado para o Judiciário um orçamento que classificou como “minguado”, que vai pouco além da folha de pagamento.

Dessa forma, segundo o presidente, a única maneira de administrar o Tribunal é fazer acordo com o Poder Executivo para que haja suplementações, ficando, assim, em uma situação de dependência.

A administração do Tribunal busca garantir o direito, previsto na Constituição Federal, de que a Lei de Diretrizes Orçamentárias seja elaborada entre os três Poderes da República.

Pior orçamento

O Tribunal de Justiça realizou levantamento entre os Tribunais de Justiça do  país, especialmente entre os que apresentam estruturas semelhantes à do TJAC (Amapá, Alagoas, Rondônia, Roraima, Tocantins e Piauí).

Os dados indicam que o repasse total para o Tribunal de Justiça de Rondônia foi de R$ 311 milhões, enquanto o do Acre recebeu R$ 139 milhões.

Considerando o valor total, o Acre teve o segundo pior orçamento, perdendo apenas para Roraima (R$ 115 milhões).

Em termos percentuais, calculados sobre a receita líquida de cada Estado, o TJAC aparece na última colocação, com repasse de apenas 4,98% da receita estadual. Rondônia apresentou percentual de 7,38%, acima da média dos estados avaliados, que foi de 6,13%.

terça-feira, 7 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

FALB SARAIVA DE FARIAS

“Tenho de 6 a 7 milhões de hectares de terra”, diz o acreano, maior latifundiário do Brasil


O controvertido empresário Falb Saraiva de Farias, de 78 anos, ainda não desistiu de ser reconhecido como dono de 12,7 milhões de hectares e de ficar rico com a exploração de suas propriedades em sete municípios do Amazonas e um do Acre.

- A verdade mesmo é que tenho de 6 a 7 milhões de hectares de terra bem documentados. Documentos de 1800 e não sei quanto - afirma.

Faz 10 anos que Falb Farias, após prestar depoimento na CPI da Grilagem, foi conduzido algemado até a Superintendência da Polícia Federal do Amazonas.

O maior latifundiário do mundo passou oito meses preso sob a acusação de crimes de grilagem, falsificação de documentos, estelionato e sonegação.

- O que fizeram comigo foi uma palhaçada. Quando chegou o alvará de soltura, me tiraram pela porta lateral do prédio para impedir que eu falasse com a imprensa. Existe gente no país que pensa que ainda continuo preso.

Falb Farias nasceu em Sena Madureira (AC), começou a trabalhar aos 11 anos, estudou até a 7ª série e se tornou regatão - dono de barco que vende e compra produtos de ribeirinhos.

- Meu barco queimou durante uma viagem no Rio Iaco. Era tudo o que eu tinha. Fiquei apenas de calção, na praia, vendo o barco pegar fogo, sem poder fazer nada. Passei dois anos na penúria e dava até recados.

No começo dos 1970, quando a propaganda do governo do Acre apresentava o Estado como “um sertão sem secas e um sul sem geadas”, Falb Farias virou cicerone dos “paulistas” e corretor de imóveis.

A vida começou a mudar em 1972, quando conheceu em Manaus (AM) a viúva Maria Luisa Hidalgo Lima Barros, herdeira das áreas de terra que se declara dono.

Há três anos, mudou com a mulher e dois filhos para Porto Velho (RO). Paga aluguel e leva a mesma vida simplória de antes. Está longe de ser o homem que foi acusado de testa-de-ferro de narcotraficantes, que lavava dinheiro na especulação imobiliária.

Falb Farias todos os dias manuseia algumas das dezenas de pastas com centenas de documentos, mantidas em vários armários do escritório de sua casa.

Não perde a esperança de ficar muito rico. Conta com o apoio incondicional da mulher e tenta despertar o interesse dos filhos pelo patrimônio do qual se declara “herdeiro universal”.

- Tenho todos os documentos do que possuo, mas o Incra nunca quis conferir as provas. Eu sou teimoso e vou vencer todas as batalhas - diz, referindo-se aos registros de milhões de hectares que foram cancelados pela justiça.

De todos os documentos, Farias não se cansa de exibir um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de junho de 2008, que extinguiu uma condenação em primeiro grau a três anos de reclusão pela prática do crime de uso de documento falso. Como era maior de 70 anos quando foi condenado, o STJ declarou a prescrição da pretensão punitiva.

Falb Farias se tornou fiel da Igreja Universal do Reino de Deus quando passou 243 dias na prisão da Polícia Federal. Recebeu assistência de pastores e começou a redigir o documento intitulado “Planejamento da futura vida familiar e econômica de Falb com as benção de Deus”.

Em 16 páginas, o acreano detalha planos para construção de uma casa de 3,6 mil m2, com piscina e quadra de esportes, adquirir duas lanchas de luxo, um avião bimotor, cinco carros novos, “todos de boa qualidade e marca, dentro dos gostos de seus proprietários: Lourdes [mulher], Alex, Flabinho, Weverton e Falbão [filhos]“, além de uma chácara.

O plano com a igreja inclui a criação da incorporada Mega S.A., além da Mega Preser S.A., de preservação ambiental, e da Mega Solidário S.A, de assistência social.

Como fonte de capital de giro inicial, Falber Farias afirma no “plano de vida” que conta com o patrimônio de 12 milhões de hectares, sendo 20% para exploração e 80% para preservação.

- Mas mesmo assim, no momento atual, não deixa de ser um grande desafio, porque as terras mencionadas, apesar de serem legítimas da organização, tiveram suas matrículas canceladas nos cartórios por decisão judicial (…) Essas terras não poderão ser utilizadas até que, através da justiça verdadeira, sejam restituídas, o que acontecerá em breves dias, pois a decisão arbitrária da justiça da terra não prevalecerá perante a justiça reta e eficaz do Todo Poderoso Senhor do Universo - assinala no documento.

Leia a entrevista no Blog da Amazônia.

domingo, 5 de junho de 2011

PORTUGUÊS E LÍNGUAS INDÍGENAS NO BRASIL

JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

No litoral brasileiro, uma parte expressiva da população falava tupi, tupinambá, além da língua portuguesa que chegou com os colonizadores e foi se impondo gradualmente; essas línguas conviveram em situação de bilingüismo até meados do século XVIII. Na Amazônia, até meados do século XIX, grande parte da população não falava o português, mas a Língua Geral, de base tupi, que ficou conhecida como Nheengatu. Metade da população de Manaus, em 1850, não era usuária da língua portuguesa.

O contato permanente dessas línguas durante vários séculos acabou mudando tanto o português regional como a chamada língua geral. Essa e outras informações são discutidas no livro “O Português e o Tupi no Brasil”, organizado por dois lingüistas alemães, Volker Noll e Wolf Dietrich, com artigos de dez pesquisadores especialistas vinculados a universidades européias e brasileiras, que têm publicações sobre o tema.

O livro, que começou a circular no Brasil numa edição da Editora Contexto, de São Paulo, formula questões esclarecedoras para o recente debate promovido pela mídia sobre o português falado aqui. Qual a contribuição do tupi no falar dos brasileiros? Quais as influências que o tupi exerceu tanto na forma de pronunciar como na morfologia e, especialmente, no vocabulário da língua portuguesa? Como é que uma língua européia conseguiu se firmar como língua nacional nos trópicos?

“O Brasil é um país de muitas cores. A formação do seu povo e da sua língua, variante da portuguesa, no solo americano, está estreitamente ligada à população autóctone, sobretudo nos primeiros séculos da colonização. Portanto, o português brasileiro, comparado com a variedade européia, caracteriza-se não só pelos seus arcaísmos lexicais e a fonética, mas também pela tradição tupi, que se manifesta em inúmeros nomes de lugares… na flora, na fauna e nas cozinhas regionais” – escrevem os organizadores.

A variedade do português

Os dois lingüistas alemães, professores titulares da Universidade de Münster, já publicaram diversos livros na área de Lingüística Hispano-Americana. Aos artigos deles dois, se somaram outros de seus colegas, também alemães, Martina Schrader-Kniffki, professora da Universidade de Bremen, que escreveu sobre “O Nheengatu atual falado na Amazônia Brasileira” e Roland Schmidt-Riese, professor da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, autor de um artigo sobre as gramáticas dos jesuítas Anchieta (1595) e Figueira (1621).

Outro co-autor é o renomado lingüista brasileiro Aryon Dall´Igna Rodrigues, professor emérito da Universidade de Brasília, que aborda o “Tupi, Tupinambá, Línguas Gerais e Português do Brasil”. Ele afirma que “o português do Brasil é um mosaico de variedades fonético-fonológicas, morfossintáticas, estilísticas e lexicais, ainda carente de documentação”. Além do grande enriquecimento do léxico, Aryon destaca, no âmbito gramatical, entre outras, as diferenças na flexão de número nos nomes, obrigatória no português e inexistente no tupi e no tupinambá.

“No português falado do Brasil, ou em grande número de suas variedades, houve mudança nesse processo: a flexão de plural não se aplica aos nomes, nem a seus qualificadores, mas só aos especificadores (Aqueles gato amarelo são mansos)”. Para Aryon, “é possível que a ausência de flexão nas línguas tupi e tupinambá tenha contribuído para a alteração da regra de concordância portuguesa” em sua variedade popular.

Outra diferença morfológica apontada por Aryon está na flexão de pessoa nos verbos. Para a distinção da pessoa de seus sujeitos, a flexão do português é sufixal, enquanto nas línguas tupi e tupinambá é prefixal. Em português, por exemplo, na norma padrão, se conjuga: eu fico, tu ficas, ele fica, nós ficamos… No tupi, “a parte final do verbo não varia para concordar com o sujeito”. O verbo que corresponde a ‘ficar’ permanece invariável, mudando o prefixo correspondente à pessoa: apytá, erepytá, opytá, japytá ou oropytá…

O lingüista da UnB pensa que essa diferença pode ter  “contribuído para a redução da flexão sufixal de pessoa nos verbos em grande número de variedades do português do Brasil: eu fico, tu fica ou você fica, ele fica, nós fica, vocês fica, eles fica”.

Segue-se um artigo da pesquisadora do Museu Goeldi, de Belém, Cândida Barros, que discorre sobre “O uso do tupi na Capitania de São Paulo no século XVII” e outro, de dois professores da USP – Silvio de Almeida Toledo Neto e Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida – especialistas em dialetologia, que tratam da “Variedade do Português brasileiro na trilha das bandeiras paulistas”.

O livro contém ainda mais dois artigos. Um sobre “A Língua Guarani e o Português no Brasil”, escrito por Valéria Faria Cardoso, doutora em Lingüística pela UNICAMP e professora da Universidade do Estado do Mato Grosso. O outro – “As relações históricas entre o português e o Nheengatu nos universos urbano e rural da Amazônia”, de autoria desse locutor que vos fala, ex-professor da Universidade Federal do Amazonas e atualmente Professor da UERJ e do Programa de Pós Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

O Nheengatu na Amazônia

Na abordagem da trajetória histórica da Língua Geral, o artigo por mim escrito recupera dados proporcionados pelo Comandante Militar do Alto Amazonas, Lourenço Amazonas, que registrou em 1850 os usos e funções do Nheengatu. Da mesma forma que um falante de português encontra dificuldades na flexão prefixal em Tupinambá, falantes dessa última língua estranham a flexão sufixal em português. Lourenço Amazonas chama a atenção para o fato no caso dos falantes de Nheengatu:
“A Língua Geral é a universal intérprete em toda a Província do Pará. Fala-a toda a nação indígena, que se relaciona nas Povoações. Nas Cidades, fala-se da porta da sala para dentro; e nas Vilas e demais Povoações, excetuada Pauxis no Baixo-Amazonas, é a única, não por se ignorar a portuguesa, mas porque, constrangidos os indígenas e os mamelucos em falá-la, pela dificuldade de formarem os tempos dos verbos, do que os dispensa a Geral, respondem por esta se lhes pergunta por aquela”.

Com o apoio de documentos históricos do século XIX, desenhamos o mapa da distribuição geográfica dos falantes de Língua Geral em toda a Amazônia brasileira, mostrando como foi desacelerando o seu processo de expansão, que ocorria desde o período colonial. Analisamos ainda como as fronteiras do Nheengatu, extremamente flutuantes, começaram a se retrair progressivamente até o início do século XX, quando ficou confinado à região do Rio Negro, onde originariamente não existiam falantes de qualquer língua da família Tupi.

Essa transformação não ocorreu de forma súbita, mas, ao contrário, foi um longo processo envolvendo muitas gerações que foram abandonando gradualmente o uso de suas línguas indígenas, incluindo o Nheengatu, em troca do português, e assim transformaram suas próprias referências identitárias.
Não era comum no século XIX, mas existem registros de alguns casos em que filhos dos próprios portugueses, que viviam em pequenos povoados, acabaram monolíngües em Nheengatu, segundo o testemunho, em 1850, de Wallace, um naturalista inglês que viajou pelo Amazonas: “Encontrei também diversos colonos portugueses, cujos filhos não sabiam expressar-se senão em língua geral”.

Há também noticias da atitude dos falantes dessas línguas, seja de lealdade ou de deslealdade lingüística, registrada como vergonha ou identificação com elas. Viajantes e naturalistas que percorreram a região permaneceram por algum tempo em alguns desses povoados, tomando notas do que viram e ouviram. Eles registraram informações sobre o quadro lingüístico local. A seleção desses dados depende do interesse de cada viajante pelo tema, do acesso que tiveram às comunidades lingüísticas e da concepção que tinham sobre a importância social da língua.

Todas as línguas faladas na Amazônia atravessaram diversos espaços, mas cada uma tinha um lugar preferencial onde predominava revitalizada e fortalecida; a mudança para outros espaços significava o seu enfraquecimento. As línguas vernáculas se conservavam hegemônicas dentro das aldeias indígenas; o português crescia nos núcleos urbanos e no contacto com o resto do país; o Nheengatu articulava esses dois universos nas vilas e povoados.

O livro citado, sempre apoiado em documentos históricos, destaca a função das cidades no processo de hegemonia da língua portuguesa e de declínio do Nheengatu, assim como das línguas indígenas. No caso específico da cidade de Manaus, o quadro mudou a partir da segunda metade do século XIX, com a escola, a navegação a vapor e a inserção da Amazônia na divisão internacional do trabalho como produtora de borracha. É somente a partir daí que a língua portuguesa se torna majoritária na região.

O Nheengatu, que se tornou língua materna dos índios Baré, está se revitalizando, agora. Contribuiu para isso a declaração, em dezembro de 2002, do Nheengatu como língua co-oficial no município de São Gabriel da Cachoeira, o que implica, em tese, ensiná-lo nas escolas regionais, usá-lo nos tribunais e na produção de textos escritos da documentação municipal, além de uso na mídia.

O livro organizado pelos dois lingüistas alemães, com a contribuição de estudiosos brasileiros, representa uma contribuição no sentido de ativar a memória e de alimentar o debate de forma mais racional e objetiva num campo de batalha como é esse da língua.

P.S. - Aos interessados em continuar esse debate, existe no Facebook um grupo aberto denominado SGC Línguas.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

FILHOTE DE GAVIÃO-REAL


Um filho de gavião-real (Harpia harpyja) foi fotografado no ninho na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus (AM). Escalador especialista em dossel de florestas, Olivier Jaudoin fotografou o filhote a 35 metros do chão, após vários dias de observação.

- Estou satisfeito em ter registrado pela primeira vez imagens de um filhote tão pequeno aparecendo naquele enorme ninho que atinge dois metros de diâmetro - comemorou Jaudoin.

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ACORDA MARIA BONITA

De Antonio dos Santos


Acorda Maria Bonita
Levanta vai fazer o café
Que o dia já vem raiando
E a polícia já está de pé

Se eu soubesse que chorando
Empato a tua viagem
Meus olhos eram dois rios
Que não te davam passagem

Cabelos pretos anelados
Olhos castanhos delicados
Quem não ama a cor morena
Morre cego e não vê nada

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A MORTE DE ALEXANDRE

A Polícia Civil do Acre decidiu ampliar o leque da investigação que tenta esclarecer o assassinato do acadêmico de direito e servidor público Alexandre Leal Ferreira, de 23 anos.

Na madrugada de terça-feira (31), Leal estava acompanhado da ex-namorada Janaira Barros, de 21 anos, no estacionamento do estádio Arena da Floresta.

O casal foi levado por dois bandidos para a estrada do Amapá, onde apenas o estudante foi espancado brutalmente até desmaiar.

Janaira conseguiu usar o celular para pedir socorro ao pai dela, o capitão Balica, da Polícia Militar, e foi encontrada apenas de roupas íntimas. Disse que não foi espancada nem violentada pelos bandidos.

O delegado Robert Alencar conta que o relacionamento de Alexandre e Janaira terminara há sete meses.

- Mas o casal freqüentemente se encontrava e essa situação era do conhecimento da atual namorada do Alexandre, que vinha recebendo chamadas inconvenientes no celular. No dia do crime ambos se desentenderam por causa disso - afirma o delegado.

Homens da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Especiais, da Força Nacional e até o helicóptero do governo do Acre foram acionados para interceptar o carro onde estavam o casal e os bandidos.

O comando da PM assumiu o controle da investigação, prendeu cinco homens, sendo dois menores de idade. Foram eles que aplicaram os socos e pontapés que causaram a morte de Alexandre Ferreira. Os três adultos já foram liberados pela polícia.

- Existem muitas ilações sobre o crime. Já apuramos que o Alexandre reagiu e desferiu um soco no olho e no nariz de um dos adolescentes - revela o delegado.

Porém, de acordo com outra fonte da Secretaria de Segurança, a ação da PM na defesa da filha do capitão Balica causou mal-estar dentro da Polícia Civil.

- A PM levantou uma enorme cortina neste caso. A Polícia Civil ficou praticamente andando em círculo. A partir dos interrogatórios, uma série de novos fatos estão surgindo.

O delegado Robert Alencar minimiza a situação e considera normal a ação da PM.

- Se fosse um jornalista que tivesse sido assassinado, os colegas de profissão certamente estariam empenhados em prender os criminosos. Foi o que a PM fez. Não vejo problema nisso.

O delegado também afirmou que todas as informações que estão chegando à polícia serão investigadas.

- Já pedimos a quebra do sigilo telefônico para que possamos esclarecer tudo de forma técnica. Além disso, a quadrilha já havia cometido crimes semelhantes envolvendo sequestros, espancamentos e desmonte de carros.

A Polícia Civil já investiga, por exemplo, a suspeita de que o assassinato possa ter tido motivação passional.

- O problema agora é que essa história envolveu todo o sistema da Segurança Pública do Estado e resultou numa pessoa morta. A questão é tão séria que a Polícia Civil quase foi proibida de investigar o caso. Tudo foi conduzido pela própria PM, que não tem competência para isso. A ex-namorada da vítima foi encontrada sem nenhuma lesão. A crise com a PM está sendo abafada - assinala a fonte da Secretaria de Segurança.

Familares, amigos e colegas de faculdade de Alexandre Ferreira organizam manifestação contra a violência no Acre, nesta sexta-feira (3), a partir das 9 horas, em frente o Palácio Rio Branco.

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