quarta-feira, 18 de maio de 2011

"MEU SONHO É A DITADURA DA FELICIDADE"


Trechos da entrevista do senador Jorge Viana ao jornal Opinião

O "susto" da última eleição deu uma sacudida no PT para mostrar que algumas mudanças precisam ser feitas?

Não só por parte da eleição em si. Eu acredito que o resultado da eleição é parte do jogo democrático. Nós tínhamos os três senadores e lamentavelmente na eleição de 2002 quando elegemos o senador de um partido da base da Frente Popular e um ano depois ele nos abandonou foi uma coisa muito ruim para nós. Acho que a população também observou isso: a própria saída da senadora Marina Silva do PT foi uma situação também diferenciada. Eu não diria que essa última eleição nos deu um susto, mas que as urnas nos mandaram alguns recados. Devemos ter a humildade de ouvir e tentar entender esses recados: a senadora Marina Silva, por exemplo, foi pessimamente votada no Acre e a Marina sempre era a campeã de votos no Acre.

E com relação à eleição para governador, qual a lição que ficou?

O governador Tião Viana não teve a votação esperada e eu não tive a votação que podia ter. Agora nós saímos ganhando nas eleições, mas recebemos uma série de recados. Temos que absorver isso. O governador Binho Marques fez um grande trabalho e eu também, modesta à parte, dei a minha contribuição. O governador Tião Viana já está absorvendo esses recados das urnas: ele está trabalhando, está visitando mais lugares, está conversando mais com as pessoas. Temos que repactuar alguns compromissos com a sociedade e temos que ficar mais atentos, porque o próprio tempo desgasta. Não vamos culpar o tempo e nem tampouco vamos culpar o eleitor.

O que deve ser feito, então, a partir de agora?

O que temos de compreender é que o eleitor mandou alguns recados e nós temos que absorver esses recados. De alguma maneira temos que recompor a união entre os partidos. O exemplo disso é a presidenta Dilma Roussef ter sido muito mal votada no Acre é muito mais grave do que eu que tive a quantidade de votos. Todos sabem que o ex-presidente Lula ajudou tanto o Acre, mas eu compreendo. Precisamos corrigir isso agora para que, na próxima eleição, quem não votou na gente, possa votar se a gente for candidato.

Como deve ser o comportamento do PT e dos partidos da Frente com o "recado" das urnas?

Precisamos entender as urnas como sendo uma manifestação das pessoas. Elas estão se manifestando, o eleitor está querendo passar alguma mensagem e essa mensagem deve ser compreendida. Vamos ter que compreender e não ter raiva do eleitor. Temos que ficar agradecido ao eleitor que deu as vitórias ao governador Tião Viana e à presidenta Dilma Rousseff. Fomos eleitos, mas o eleitor aproveitou e mandou alguns bilhetinhos, nos mandou alguns recados. Se tivermos a humildade de consertar essas falhas, talvez sejamos merecedores não só pelo que já fizemos, mas pelo que podemos fazer com o apoio no futuro.

O senhor saiu de um processo em que a acusação era a utilização do poder econômico na campanha. Como é que o senhor avalia este tipo de ação?

Pois é. É até bom que você me pergunte isso. Até agora eu não entendi porque que houve uma ação tão dirigida contra o Tião Viana, contra mim, contra a Frente Popular. Foi uma ação dirigida à Justiça, que é dirigida por homens, onde há grande chance de errar. Lamentavelmente setores da Justiça do Acre cometeram um erro gravíssimo: primeiro tentaram arranhar, atingir aquilo que nós temos de mais precioso, que é a nossa honra, que é a nossa credibilidade. O processo não deu em nada porque não houve a menor prova, um único documento provando nada contra nós.

Porque, então, houve a acusação?

Fizemos uma campanha dentro da lei. Agora tentaram nos pegar de bode expiatório, enquanto que alguns políticos que compraram votos, que abusaram do poder econômico não foram importunados. Essa é uma pergunta que temos que fazer para algumas pessoas que estavam com responsabilidade de fazer com que as eleições transcorressem com tranquilidade e fizesse valer o sentimento de Justiça. Eu, particularmente, tive que entrar na Justiça depois de me sentir injustiçado contra pelo menos seis daqueles que estavam agindo contra a Lei que, do meu ponto de vista, descumpriram a Lei. Por isso eu entrei na Justiça contra eles, não que eu queria ser mais do que ninguém, porque não sou. Entretanto, não é justo que em um período de eleição você consiga atingir a honra de quem tem honra ao invés de fazer a defesa dos interesses públicos.

Existe algum processo ou pedido de autorização no Senado para que o senhor seja processado porque era assessor da empresa que vendeu um helicóptero para o Estado?

Eu fui prefeito por quatro anos e governador em dois mandatos. Não existe um único processo contra mim no Tribunal de Justiça do Estado ou no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Agora sou senador e volto a afirmar que não tem um único processo contra mim no Supremo Tribunal Federal e no Supremo Tribunal de Justiça. O que existe é uma ação do Ministério Público Federal no Acre fazendo uma investigação da compra de um helicóptero do governo. E é justo que se apure: se tem ilegalidade ou não, que se prove.

Mas o seu nome é citado nesta ação?

Uma pessoa que estava na investigação resolveu fazer uma carta precatória e citou meu nome com uma pergunta: se eu tinha ocupado um cargo ou não em uma empresa. O fato de terem colocado meu nome em uma carta, perguntando isso, de ter ocupado o cargo e nada mais, fez com que o processo fosse para o Senado Federal, o que é talvez, a coisa mais absurda. Eu volto a falar novamente: não tem nenhum pedido para me processar em nenhum Tribunal do Brasil. Eu não estou sendo investigado por nada a partir do Supremo Tribunal Federal e não respondo a nenhum processo. Isso então é uma questão de tempo.

Alguns setores insistem que o senhor está sendo processado...

Eu lamento porque enquanto algumas pessoas dirigem ou tentam dar uma repercussão a este tipo de notícia, alguma coisa que é, no fundo, um grande equívoco só por conta de uma citação porque agora eu sou senador. O pedido foi encaminhado ao Senado, mas já já vai voltar. É uma questão de tempo. Na verdade, pessoas que têm contas a ajustar com a Justiça tentam se esconder atrás das inverdades, das agressões aos outros. Isso ai é uma questão de tempo. Nada como trabalhar com a verdade e por isto estou tranquilo. A minha preocupação é que esse mandato seja útil para o Acre, para o governo do Tião Viana, para o governo da presidenta Dilma Rousseff e, principalmente, para as pessoas que mais precisam.

Qual é o sonho do político Jorge Viana?

O sonho é o Acre ser uma referência para o Brasil e para o mundo. É de ter um modelo econômico sustentável baseado na relação inteligente e harmoniosa do homem com a natureza. Que todo o povo possa viver com um padrão de vida que seja digno e poder criar, assim, condições para que as pessoas sejam felizes. Meu sonho é do Acre ser um cantinho do mundo aonde a gente viva a ditadura da felicidade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

AMANDA GURGEL

Depoimento da professora em audiência pública sobre educação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte

AMAZONSUCHUS HEXAODONTOSINSIZIALIS

Fóssil de jacaré encontrado no Acre é novo gênero e espécie para a ciência


Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) localizaram uma mandíbula fragmentada de jacaré, aparentemente sem nenhuma importância científica, que se constitui em material inédito e deverá ser atribuída a um novo gênero e nova espécie para a ciência.

A sínfise mandibular (ponto de ligação entre os dois ramos mandibulares, na linha média do crânio) se estendia posteriormente até a altura do sexto dente mandibular.

O comum nos Alligatoridae (família que reúne os jacarés, aligatores e caimans) é que o limite chegue até a altura do quarto dente, no máximo, o que é considerado um padrão quase de diagnóstico do grupo.

- Em Purussaurus, o nosso mais famoso jacaré, é assim. Batizamos a nova descoberta de Amazonsuchus hexaodontosinsizialis, que significa jacaré da Amazônia com seis seis dentes de sínfise - afirma Jonas Filho, do Laboratório de Pesquisas Paleontológicas da Universidade Federal do Acre.

A condição de uma sínfise mandibular estendida até a altura do sexto dente, concluem os pesquisadores, é condição singular do novo material e que permitirá distingui-lo de qualquer outra espécie, fóssil ou atual, até então conhecida.

Segundo o paleontólogo Jonas Filho, o registro de um novo jacaré na Bacia do Acre reforça a discussão de que durante o período Mioceno (8 milhões de anos), em toda a região da Amazônia Ocidental predominava grandes e profundos lagos, abastecidos por um diversificado sistema de rios meandrantes e megaleques associados, originários dos Andes peruano.

A divulgação do novo gênero e espécie está em fase de conclusão para ser encaminhada para publicação em uma revista especializada.
A peça foi encontrada por Jonas Filho ao revisar materiais fósseis coletados em pesquisas realizadas no final da década de 1990, armazenados no Laboratório de Pesquisas Paleontológicas.

O material encontrava-se acondicionado em uma velha caixa de papelão, empoeirado pelo tempo, sem exame detalhado, misturado a outros que até então não ofereciam informações consideradas relevantes para os estudos paleontológicos.

A partir da observação do aparente pequeno detalhe, o peleontólogo Jonas Filho passou a dialogar com o seu colega da UFAC, Edson Guilherme, traçando algumas teses a propósito do “esquecido” material fóssil.

Posteriormente, Jonas Filho encaminhou uma mensagem de texto ao seu colaborador de pesquisas, Daniel Fostier, da Universidade Federal de Minas Gerais, contando da novidade e convidando-o para participar dos estudos conclusivos do novo material.

A partir de um minucioso estudo, os pesquisadores concluíram que a peça trata-se de material inédito e deverá ser atribuída a um novo gênero e nova espécie para a ciência.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O GOVERNO DO ACRE E AS PESQUISAS

Resultado da última pesquisa do Ibope no ano passado, divulgado em outubro, um dia antes da disputa no primeiro turno eleitoral:

Governo
Tião Viana (PT): 52%
Tião Bocalom (PSDB): 39%

Senado
Jorge Viana (PT): 60%
Sérgio Petecão (PMN): 56%

Resultado oficial das urnas:

Governo
Tião Viana (PT): 170.202 votos (50,51%)
Tião Bocalom (PSDB): 165.705 votos (49,18%)

Senado
Jorge Viana (PT): 205.593 votos (31,77%)
Sérgio Petecão (PSDB): 199.996 votos (30,90%)

Tião Viana venceu apertado no primeiro turno, com uma diferença de 4.497 votos.

Jorge Viana não se tornou o senador proporcionalmente mais votado do País.

O PT perdeu em Rio Branco, o maior colégio eleitoral do Estado, e o opositor Sérgio Petecão ficou com a cadeira que Marina Silva ocupava no Senado.

Na disputa pela presidência da República José Serra (PSDB) derrotou Dilma Roussef (PT) em 21 dos 22 municípios do Estado.

Após os primeiros 120 dias da gestão do governador Tião Viana, surge nova pesquisa, do Vox Populi, encomendada pelo governo estadual.

Viana aparece com aprovação de 76% dos acreanos.

Apenas 13% (mera coincidência) não aprovam a atual administração e 11% não souberam opinar.

Para 80% dos entrevistados, o governador é simpático. Outros 83% afirmam que é competente. Sobre se Viana conhece bem o Acre, 83% responderam que sim e 70% o avaliaram como um bom administrador.

Vox Populi concluiu que o acreano gosta de morar no Estado e que nada menos do que 92% dos entrevistados estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida que levam.

No mais, o IBGE revelou na semana passada que o Acre ocupa o sexto lugar entre os Estados com a maior concentração de pessoas em condições extremas de pobreza.

Existem 133.410 pessoas (19,6% da população) que recebem até R$ 70 por mês.

domingo, 15 de maio de 2011

VÁ TOMAR TACACÁ, BOLSONARO

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Quando o finado Waldick Soriano entrava no centro de lazer ‘Lá Hoje’, em Manaus, cantando o bolero A Carta, as meninas iam ao delírio, especialmente com a frase final: “Espero que um dia / tudo se combine / e a quem ama não seja negado / o direito de ser amado”. Ele dava uma paradinha em “ser” e esgoleava: “aaaaamado”. Esse modelo epistolar do cantor baiano inspirou a forma e o conteúdo da carta abaixo enviada ao deputado Bolsonaro (PP- vixe, vixe!). Ai vai.

Manaus, 15 de maio de 2011

Excelentíssimo Sr. Deputado Jair Messias Bolsonaro

Saudações. Escrevo essa carta, mas não repare os senões, para dizer o que senti na última quinta-feira, quando vi sua imagem na TV, atrás da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Ela concedia entrevista sobre o projeto de lei que tipifica como crime a homofobia. V. Ex.ª , muito enxerido, interrompeu-a com um panfleto antigay, promovendo o maior arranca-rabo com a senadora Marinor Brito (PSOL-PA). Sua truculência, deputado, me faz lembrar o Nego Valdir, da Rua das Flores, no Bairro de Aparecida.

Nem seu Anquises nem dona Almerinda entendiam porque Valdir, o filho caçula, odiava tanto os homossexuais. É verdade que, na década de 1950-60, quase todo mundo era preconceituoso, os moleques riam, debochavam, faziam piadinha, mas ninguém era tão fervorosamente e tão visceralmente virulento como o Valdir. Quando ele via um cara mais delicado, um fiu-fiu, sentava logo a porrada, proclamando sua própria macheza aos quatro ventos. Parece que bater em gays o tornava mais macho.

Era um ódio doentio. Um dia, num banho coletivo de igarapé, sem mais nem menos, Valdir quase mata afogado no bosteiro de São Vicente o Heraldinho Bebê, suspeito de ‘correr na floresta’, segundo as más línguas. O que é que Valdir perdia ou deixava de ganhar com a existência de mariquinhas? Nada. Em que o fato de alguém desmunhecar prejudicava a vida dele? Em nada. Então, por que tanta violência? Mistério. O certo é que o Nego Valdir, durante algum tempo, foi uma espécie de Bolsonaro amazonense, aterrorizando qualquer um que fosse suspeito de ‘carregar bandeja’.

Deputado Bolsonaro, V. Ex.ª, em entrevista no ano passado, deu a receita para acabar com as bichas, preconizando surras: “O filho começa a ficar assim meio gayzinho leva um coro, ele muda o comportamento dele. Tem muita gente que diz: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”. V. Ex.ª acha que o homossexualismo é uma doença que se cura com porrada. Não sei se V. Ex.ª apanhou muito, se está falando por experiência própria. Mas esse era também o pensamento do Valdir, sua alma gêmea. Macho pacas!

A raiva descabida do Nego Valdir contra os homossexuais, como a sua, deputado, também foi transferida, muitas vezes, para as mulheres. V. Ex.ª já agrediu várias delas em público. O seu discurso, contraditoriamente, exalta sempre a própria masculinidade. Na briga com a senadora paraense Marinor, V. Ex.ª declarou aos berros:

- Já que está dificil ter macho por aí, eu estou me apresentando como macho. Ela (Marinor) deu azar duas vezes: uma, que sou casado, e outra, que ela não me interessa. É muito ruim. Não me interessa.

Pois é, com idêntica fúria proclamando macheza, o Nego Valdir também dizia que mulheres não o interessavam. Com unhas afiadas como navalha, Valdir arranhou um dia as costas de uma das paraibanas, filha do seu Walter Cordeiro, e ainda ameaçou dar porrada na minha irmã Tequinha, quando ela protestou. Taí a Tequinha que não me deixa mentir.

V. Ex.ª insinuou razões estéticas para justificar a falta de interesse na senadora Marinor. Será? E a atual ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT-RS), inteligente e sensível, de beleza unanimemente estonteante? Em vez de lhe dar merecidos carinhos, V. Ex.ª discutiu com ela, em novembro de 2003, diante das câmaras de televisão, chamou-a de “vagabunda”, empurrou-a e ameaçou esbofeteá-la. Macho pacas! Como o Valdir, sua alma gêmea.

V. Ex.ª não sabe lidar com o sexo feminino, da mesma forma que não sabe conviver com homossexuais. Por isso, tantas bravatas, gritos e ameaças. Pai de quatro filhos homens, se tivesse tido pelo menos uma única filha ou um filho declaradamente gay, poderia, talvez, ser educado por eles, que certamente estariam cantarolando em casa a música do Pepeu Gomes: “Olhei tudo que aprendi / e um belo dia eu vi / Uh! Uh! Uh! / que ser um homem feminino / não fere o meu lado masculino / Se Deus é menina e menino / Sou masculino e feminino”.

Quando não tem um gay ou uma mulher por perto, o objeto de sua agressão pode ser qualquer um, desde que seja frágil. Serve negro, como Preta Gil, ou índia como Joênia Wapaixana. Num pronunciamento em audiência na Câmara dos Deputados sobre a demarcação da terra indígena Raposa/Serra do Sol, V. Ex.ª declarou que os índios eram todos “fedorentos e não educados, não falantes de nossa língua” e, por isso, não tinham direito à terra. “O índio devia comer capim para voltar às suas origens”.

Na ocasião, V. Ex.ª interrompeu o debate, adiando a decisão sobre uma questão vital para o Brasil. A advogada Joênia Wapichana respondeu à agressão descabida, dizendo: “Temos cheiro de terra, porque da terra é que vivemos”. O sateré-mawé Jecinaldo Barbosa perdeu a paciência e fez o que quase todo o Brasil gostaria de fazer: jogou um copo de água na cara de V. Ex.ª.

V. Ex.ª não gosta de gays, de mulheres, de indios, nem do debate. Faz um discurso que seria apenas burro, ‘folclórico’ e ‘troglodita’ se não incitasse à violência e ao crime. O antropólogo da UFBA, Luiz Mott, registrou 205 assassinatos de gays no Brasil de janeiro a novembro de 2010. De onde vem tanto ódio e tanta intolerância com a diversidade e a diferença? O seu, eu não sei. Mas o seu Anquises e dona Almerida descobriram que o do Valdir, sua alma gêmea, era pura inveja. Olhe só o que aconteceu, deputado.

Aos 15 anos, Valdir, o terror dos gays de Aparecida, resolveu escancarar, assumindo corajosamente a sua homossexualidade e aí sim, foi macho pacas. Saiu do armário. Adotou o nome de Katya Cylene, assim com dois ipisilones. Pintou as unhas com cores berrantes, vestiu roupas com toques femininos, calçou sapato alto e se tornou uma pessoa adorável, tolerante e alegre. Deixou de agredir mulheres e gays.

Todas as tardes, Valdyr Katya Sylene, com tres ipisilones, comparecia à banca de tacacá da dona Alvina, levando de casa sua própria cuia personalizada, uma peça artística de Santarém, feita pelas índias de Monte Alegre, toda bordada, onde aparecia a imagem de uma iara poderosa saindo das águas de um lago amazônico, com a cara da Charufe Nasser, a sultana dos seringais.

Um dia, senhor deputado, em 2006, caminhando pelas ruas de Quito, Equador, para onde fui participar de um evento, vi uma pichação com letras garrafais num muro próximo à Praça de Armas, que me enterneceu: “Hetero de costumbre, gay de corazón”. É isso aí, deputado, Vossa Excelência não corre qualquer “perigo”, pode ser gay apenas de coração, se humanizando, e convivendo com quem é diferente. Mas se quiser seguir o exemplo de sua alma gêmea, nós, que somos gay de coração, damos o maior apoio a V. Ex.ª, não deixaremos ninguém espancá-lo.

Deputado, seja mais Messias e menos Bolsonaro. Vá tomar tacacá, deputado. Se precisar, Manaus te oferece uma cuia bordada com florzinhas e toda sua solidariedade

Amos. Atos. Obros.

Taquiprati.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

MARINA PEDE INVESTIGAÇÃO AO MPF

Ex-senadora quer que acusações contra ela e seu marido sejam apuradas

A ex-senadora Marina Silva (PV-AC) entrará nesta segunda-feira (16), com representação no Ministério Público Federal para que sejam investigadas as acusações de que seu marido, o técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, teria envolvimento com irregularidades em negócios que envolveriam órgãos federais vinculados ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), durante a gestão de Marina (2003-2008).

A própria Marina também pedirá para ser alvo das averiguações da Procuradoria, já que foi acusada, pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), relator das mudanças no Código Florestal, de agir em favorecimento de seu marido para impedir que ele fosse convocado a depor na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados sobre sua suposta participação em fraudes.

De acordo com a ex-presidenciável, sua iniciativa decorre "da profusão de denúncias requentadas que surgiram nos últimos dias nos meios de comunicação e da transformação de suas versões em fatos, sem que me tenha sido assegurado o direito de ter o mesmo espaço para que eu possa apresentar à opinião pública os meus esclarecimentos".

"Quando se está na vida pública, não basta dizer que é você é inocente. Não basta fazer apelos para as pessoas acreditarem que você fala a verdade. Por isso é fundamental que cada denúncia seja investigada para comprovação da inocência ou da culpa por uma instituição que busca a isenção e tem por objetivo defender o interesse público, o Ministério Público Federal (MPF)", afirma Marina.

Assim, nesta segunda-feira, às 18h30, a ex-ministra do Meio Ambiente se reunirá com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na sede do MPF, para lhe entregar representação com pedido de abertura de apuração de cada denúncia em que ela e seu marido são citados.

Convicta de que a verdade dos fatos será revelada, Marina aponta que as acusações levianas feitas pelo deputado Aldo Rebelo e outros têm origem em dossiês apócrifos que circularam nos corredores do Congresso Nacional e foram parar nas mãos de alguns jornalistas durante sua passagem no MMA. "Foi uma campanha difamatória, retomada agora."

"Os autores dessas falsas informações são aqueles que tiveram seus interesses espúrios contrariados por minha decisão de, à frente do Ministério do Meio Ambiente, combater o comércio ilegal de madeira e o desmatamento criminoso na Amazônia", diz.

Marina relembra que, com o apoio da Polícia Federal e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), foram presas mais de 700 pessoas envolvidas em crimes, apreendidos 1 milhão de metros cúbicos de madeira ilegal, aplicadas mais de R$ 4 bilhões em multas, além de  o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) ter inibido a grilagem cerca de  35 mil propriedades.

Em vídeo no YouTube (veja), a ex-senadora apela para que seus simpatizantes  divulguem a sua defesa, com base em informações que têm apresentado em seu site na internet (www.minhamarina.org.br).
- Tudo tem sido feito de forma leviana e mentirosa com o objetivo de calar a minha voz no debate promovido pelo Congresso Nacional sobre as mudanças no Código Florestal e, assim, promover um grande retrocesso em prejuízo da proteção das florestas e do interesse do Brasil - conclui Marina.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

BLOGUEIRO DEIXA MENSAGEM DEPOIS DE MORRER

Derek Miller, um blogger canadiano que relatou durante quatro anos a sua luta contra um cancro, deixou uma mensagem online depois de falecer.



"Aqui está. Estou morto", lê-se no último post de Derek Miller de 41 anos, que faleceu na passada terça-feira, depois de mais de quatro anos a escrever num blogue sobre a luta que travava contra um cancro colo-rectal.

"De antemão, pedi para que quando o meu corpo finalmente se desligasse dos castigos do cancro, a minha família e os meus amigos publicassem esta mensagem - A primeira parte do processo de passar isto de um website activo para um arquivo", escreveu Derek Miller no blogue "Pen Machine".

Um dia depois da morte, uma amiga de longa data, Alistair Calder, publicou a mensagem. Em pouco tempo, a notícia da morte de Derek e a sua última mensagem corriam o mundo e o blogue atingiu os 3 milhões de visitantes.

O músico e compositor de Banbury na Colômbia Britânica, Canadá, deixou ainda mensagens à esposa, Airdrie, e às duas filhas, Marina de 13 anos e Lauren de 11.

"Hoje não há respostas", escreveu. "Enquanto estive vivo a escrever isto, fiquei triste por saber que ia sentir falta destas coisas - não porque não poderei testemunha-las, mas porque Air, Marina e Lauren não me terão cá para apoiar os seus esforços".

Miller escreveu, entre outras coisas, sobre a sua deterioração física, documentou a tosse no peito ou as dores abdominais, falou da perda de voz e do desgaste emocional provocado por ter que usar fraldas e a sucessiva perda de mobilidade e independência.

Jornal de Notícias, Portugal

"ALDO É LEVIANO E USA MEIOS TORPES"

Acre reage em defesa de Marina Silva e Fábio Vaz


O secretário-adjunto de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia do Acre, Fábio Vaz de Lima, marido da ex-senadora Marina Silva (PV), disse em Rio Branco que avalia a possibilidade de mover uma ação judicial contra o relator do projeto do novo Código Florestal, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que o chamou de “fraudador de contrabando de madeira”.

- O deputado Aldo Rebelo foi leviano, mas não posso agir da mesma maneira como ele agiu. Não posso pensar com o fígado. Estou avaliando se devo recorrer ou não à justiça. Infelizmente tenho que conviver com esse ambiente da política brasileira - afirmou em conversa exclusiva com o Blog da Amazônia.

Fábio Vaz, como é mais conhecido, disse que Aldo Rebelo deveria gastar energia no mérito dos grandes temas.

- É lamentável que o deputado esteja se desviando por meios torpes. Em vez de debater, o deputado busca subterfúgios para desviar a atenção da opinião pública daquilo que está acontecendo de grave no País, que é essa mudança açodada do Código Florestal Brasileiro.

O secretário-adjunto do governo do Acre disse que tem “plena clareza” de que Aldo Rebelo e alguns ruralistas querem usar o nome dele para atingir a “justa luta” de Marina Silva.

- Eles julgam que é mais fácil atacar a mim, que o público não conhece, o que torna mais fácil fazer com quem pairem dúvidas sobre a minha conduta. Nunca respondi a nenhuma denúncia formal como “fraudador de contrabando de madeira”. Essa é uma leviandade apócrifa que tem sido recorrente na tentativa de atingir Marina e agora foi reverberada de forma torpe pelo deputado. No Acre, onde as pessoas me conhecem mais, estou contando com a solidariedade até do segmento que o deputado defende.

Fábio Vaz é adjunto do secretário Edvaldo Magalhães, ex-deputado estadual e candidato derrotado ao Senado pelo PCdoB. No Twitter, a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), casada com Magalhães, disse que Fábio Vaz é mais que o braço direito do secretário. “É o esquerdo inteiro”.

Leia mais:

Em nota, governador Tião Viana é solidário a Fábio Vaz

Jorge Viana discursa em defesa de Marina e Fábio Vaz

PCdoB apóia Fábio Vaz

AVISO AOS LEITORES

Estimado leitorado,

O Blogger (leia aqui) está em manutenção desde a quinta-feira (12) e voltou a funcionar com instabilidade.

As últimas postagens foram removidas, mas o Blogger afirma que o problema é temporário.

Enquanto isso, aconselho a leitura de A Gazeta, Página 20, A Tribuna, O Rio Branco e Agência de Notícias do Acre.

Saiba mais sobre a autoavaliação pra lá de positiva (99,99%) que o governador Tião Viana (PT) faz há mais de uma semana sobre seus primeiros meses de gestão.

Aproveito para entrar em manutenção e autoavaliação também.

É sexta-feira 13.

Até mais.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

SÓ NÃO PODE SABOTAR

Janu Schwab comenta reportagens do G1 sobre o Acre

"As matérias são bem equilibradas, como devem ser matérias de bom jornalismo.

Você tem ali as vantagens e desvantagens, a internet que funciona e a que não funciona, quem tem medo e quem não tem, o cabo de vassoura e a antena instalada corretamente.

Não tem que ter vergonha do cabo de vassoura e da floresta digital que oscila. Tem que ver e saber que faz parte, mas que não devia e correr atrás pra corrigir.

Alguns vieram me dizer: "essa matéria joga contra o Acre." Bobagem. Ela só constata as coisas como são. O esforço do Governo (sim, ele existe) em fazer as coisas, e as coisas dando errado (sim, elas dão).

O Brasil inteiro faz suporte de antena com cabo de vassoura ou "bamburi". O Brasil inteiro vive com medo e insegurança, do sul maravilha ao norte "do futuro", da cidade grande a pequena.

Nosso papel é pedir, exigir, solicitar, fazer cumprir os planos pra que as coisas deixem de ser assim. E as tais matérias cumprem bem o papel da imprensa de informar, na base do "tá sendo feito, teoricamente é assim, na prática, assado; uns enxergam X, outros Y", etc, etc.

Reclamar pode. Só não pode sabotar, né, não?"

WEB EM PRAÇA PÚBLICA

Para acreanos, é preciso "coragem" para ligar PC


A estudante Ana Paula Souza Diógenes, de 17 anos, diz que é preciso mais do que simples vontade para abrir o notebook na praça diante da Biblioteca Pública de Rio Branco. “Os corajosos usam. Mas não me importo de usar o celular aqui. É mais fácil de sair correndo com ele”, diz. A praça é a mais movimentado entre os 15 pontos de wi-fi na capital acreana sob amparo do projeto Floresta Digital, do governo do estado, mas as notícias sobre o roubo de computadores no local intimidam alguns usuários potenciais.

Clique aqui e leia reportagem de Laura Brentano, do G1.

Meu comentário: a imprensa do Acre destaca nesta quarta-feira a autoavalição que o governador Tião Viana (PT) faz dos 120 primeiros dias de sua gestão. Viana diz que todas as secretarias atingiram as metas, sendo que as metas foram ultrapassadas na Segurança Pública e Saúde.

terça-feira, 10 de maio de 2011

AUTOAVALIAÇÃO DE GOVERNADOR PERFEITO


Ao avaliar os primeiros 120 dias de administração, o governador Tião Viana (PT) declarou ao telejornal da TV Acre, na noite desta terça-feira (10), como sendo o único erro de sua equipe, o atraso na assinatura de um convênio com o Educandário Santa Margarida, que presta assistência a crianças carentes de Rio Branco. Viana informou que o erro já foi reparado com a assinatura do convênio.

- O local ter que passar quatro meses sem esse convênio é sinal de que [os responsáveis] não foram visitar o espaço, que é símbolo do humanismo com as crianças pobres deste Estado. Um erro injustificável - disse ao Página 20.

Durante a reunião fechada de autoavaliação, o governador e os secretários cantaram o Hino Acreano em ritmo de samba.

Enquanto isso, dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE revelam que o Acre ocupa o sexto lugar entre os Estados com a maior concentração de pessoas em condições extremas de pobreza.

Existem 133.410 pessoas (19,6% da população) que recebem até R$ 70 por mês.

RISCOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO BRASIL

O aumento na temperatura e o decréscimo das chuvas na Amazônia acima da variação global média esperada são uma das principais conclusões do relatório final do projeto “Riscos das Mudanças Climáticas no Brasil”, divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Met Office Hadley Centre (MOHC).

O documento é resultado de três anos de trabalho de pesquisadores do Reino Unido e do Brasil, com financiamento da Embaixada Britânica.

Os estudos mostram a importância da Amazônia para o clima global e como provedora de serviços ambientais para o Brasil.

O objetivo do projeto é subsidiar os formuladores de políticas com evidências científicas das mudanças climáticas e de seus possíveis impactos no Brasil, na América do Sul e em nível global.

- A experiência do MOHC do Reino Unido, líder mundial em modelagem climática, aliada à experiência do INPE em estudos sobre mudanças climáticas na América do Sul, possibilitou a identificação de possíveis cenários e impactos, com projeções inovadoras dos efeitos das mudanças climáticas antrópicas na região - afirmou José Marengo, pesquisador do INPE que coordenou o projeto no Brasil.

O projeto utilizou um conjunto de modelos globais e regionais desenvolvidos pelo MOHC e pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE para projetar os efeitos das emissões de gases de efeito estufa no clima do mundo todo e fornecer mais detalhes sobre o Brasil. Embora as projeções abranjam todo o país, o foco do relatório se concentra na Amazônia, área de preocupação nacional, regional e mundial.

O documento está dividido em duas seções: a primeira fornece o contexto para o trabalho; a segunda detalha a nova ciência levada a cabo e antecipa avanços científicos importantes para o planejamento e a política.

O projeto “Riscos das Mudanças Climáticas no Brasil” foi criado pelo Fundo para Programas Estratégicos do Governo do Reino Unido, antigo Global Opportunity Fund (GOF).

O trabalho terá continuidade como parte do programa científico do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT para Mudanças Climáticas) e da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA), sediados no INPE.

Clique aqui para baixar a íntegra do relatório.

JUDICIÁRIO PAGA AUXÍLIO-MORADIA

Tribunal de Justiça do Acre concede benefício de até R$ 800 mil a magistrados

Os desembargadores do Conselho de Administração do Tribunal de Justiça do Acre decidiram estender o pagamento do que denominam de Parcela Autônoma de Equivalência (PAE) aos magistrados aposentados ou exonerados que exerceram suas funções durante qualquer intervalo de tempo compreendido no período de 1994 a dezembro de 2004.

O acórdão da decisão, publicado na edição do Diário da Justiça do Acre desta terça-feira (10), também “inverte o pagamento das parcelas, de modo que a quitação dos juros preceda à do capital”.

A decisão possibilitará a alguns desembargadores e juízes o recebimento de até R$ 800 mil a título de auxílio-moradia, que os magistrados denominam de PAE.

O processo foi relatado no final de dezembro do ano passado pelo desembargador Pedro Ranzi, então presidente do Tribunal de Justiça, um dos beneficiados pela decisão.

Ranzi deferiu pedido da Associação dos Magistrados do Acre e autorizou o pagamento inclusive aos aposentados e sucessores. Os valores serão parcelados no decorrer de 15 anos.

A publicação do acórdão acontece uma semana após o presidente do Tribunal de Justiça do Acre, Adair Longuini, ter recorrido ao Supremo Tribunal Federal para que seja assegurada participação dele na elaboração do orçamento estadual de 2012.

Longuini ingressou com ação cautelar (leia) no STF após esgotar suas tentativas de diálogo com o governador Tião Viana (PT). O TJ-AC também pede que o governo estadual devolva R$ 35,8 milhões, valor correspondente ao desconto previdenciário dos servidores do Judiciário. O relator do processo é o ministro Ricardo Lewandowski.

A ementa não deixa claro, mas passa a impressão de que quem exerceu o cargo em qualquer período do intervalo receberá o auxílio moradia.

Também não esclarece se quem exerceu o cargo, por exemplo, por um ano dentro do intervalo receberá o correspondente a todo o período de 10 anos. Um juiz consultado pela reportagem afirmou que aposentados já estão incluídos e recebendo o benefício.

Os desembargadores decidiram que os cálculos deverão ser individualizados considerando-se o valor pago à época.

Desembargadores vão receber o correspondente a 90% do valor pago a Ministro do Supremo Tribunal Federal. Os juízes vão receber o correspondente a 95% do valor atribuído aos desembargadores, observado o grau de escalonamento da entrância à época.

A correção monetária deverá se dar, até outubro de 2000, pela variação da UFIR e, a partir daí, pela variação do INPC. Segundo os desembargadores, a mora resta configurada, uma vez que os valores deveriam ter sido pagos à época.

Os magistrados estalebeleceram a incidência de juros de mora no valor de 1% ao mês até agosto de 2001 e de 0,5% a partir de setembro de 2001.

Também incluíram no cômputo dos cálculos o valor correspondente ao 13º salário de cada ano. Exceto sobre a parcela relativa aos juros de mora, devem incidir os descontos relativos ao imposto de renda e previdência social, haja vista a natureza remuneratória do auxílio-moradia.

A decisão chegou a requisitar à Mesa da Câmara dos Deputados os valores correspondentes ao auxílio-moradia pagos aos seus membros, no período de setembro de 1994 a dezembro de 2004. O auxílio- moradia era pago com base nos valores pagos aos deputados federais.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

CUBA DA AMAZÔNIA

"Governo quer Judiciário ajoelhado nas escadarias do Palácio"


Os primeiros 120 dias da gestão do governador Tião Viana (PT) ficarão marcados pela inabilidade política dele e de sua equipe, que concorreram para medida extrema do Judiciário do Acre.

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Adair Longuini, se viu compelido a ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação cautelar (clique aqui e leia) que tem como réus Tião Viana e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Elson Santiago (PP).

Na posse de Adair Longuini, em fevereiro, Tião Viana afirmou que a Justiça do Acre "está em boas mãos", exaltou a trajetória do magistrado e destacou a atuação dele como juiz de Xapuri, onde presidiu o julgamento dos assassinos do líder sindical Chico Mendes.

- Vossa Excelência enaltece o nome do Judiciário do nosso Estado. Que Deus o ilumine - foram os votos do governador.

Viana e Longuini assinaram na ocasião um protocolo de intenção com o objetivo de unir forças na execução, em Rio Branco, do projeto Cidade da Justiça, destinado a reunir todas as unidades judiciárias da comarca da Capital em um mesmo local, promovendo economia de recursos, segurança patrimonial e acesso facilitado da população e da comunidade forense aos serviços da Justiça.

A lua de mel foi breve. Longuini logo se deu conta de duas situações graves que foram expostas por ele ao STF: a falta de participação do Judiciário na elaboração do orçamento estadual e a recusa do Executivo em devolver a contribuição previdenciária descontada indevidamente dos servidores da justiça.

A retenção indevida de parte dos duodécimos devidos ao Judiciário constitui, em tese, ato de improbidade administrativa, sujeitando o governador e sua equipe econômica às sanções da Lei. Nos últimos cinco anos o governo do Acre deixou de repassar R$ 35,8 milhões ao Judiciário. Segundo Longuini, isso "tem se constituído num verdadeiro abuso por parte do Executivo Estadual e enriquecimento ilícito".

O desembargador relata que tentou reiteradas vezes dialogar com o governador sobre essas questões, mas não foi atendido. Viana sequer respondeu aos ofícios encaminhados por Longuini.

Há duas semanas, Longuini enviou um último comunicado a Viana em que sinalizava que recorreria ao STF por se sentir "alijado, sistemática e propositalmente, das discussões preparatórias e, ainda, do processo legislativo para a elaboração das Leis de Diretrizes Orçamentárias”.

O gabinete do governador se movimentou e o secretário de Fazenda, Mâncio Lima Cordeiro, foi destacado para tentar dissuadir o presidente do Tribunal de Justiça de sua disposição de levar o caso para julgamento do STF.

- Não tenho o que conversar com o secretário. Necessito de diálogo é com o governador - teria dito Longuini quando consultado sobre o pedido de audiência de Mâncio Cordeiro.

Para Longuini, o silêncio de Viana aos pedidos do Judiciário, "todos legítimos, fala por si, e já reclama algum tipo de providência judicial, com a chancela do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), antes que seja tarde."

- Só a força e respeitabilidade do STF e do CNJ poderão servir de fator dissuasório para os governadores e deputados estaduais, que ainda sentem o antigo ranço autoritário, que já foi sepultado em nosso País, e preferem ver o Judiciário historicamente ajoelhado nas escadarias do Palácio do Governo à cata de migalhas para complementar o seu modesto orçamento - critica Longuini na ação.

Assim como o governador, a imprensa do Acre silencia sobre o conflito institucional que se apresenta, conforme o próprio Longuini reconhece e alerta ao STF, "de consequências imprevisíveis, que ameaça comprometer o princípio da segurança jurídica, subvertendo, irremediavelmente, o sistema de separação dos Poderes".

Financiada e controlada pela máquina pública sob domínio do governador, a imprensa na verdade negligencia os fatos. A pedido, não noticia nada a respeito da crise institucional como se isso fosse mudar a realidade.

A reação do Judiciário reforça minha opinião de que o Acre virou a Cuba da Amazônia.

domingo, 8 de maio de 2011

COM O CORAÇÃO ENTERRADO NA CURVA DO RIO


O professor José Ribamar Bessa Freire considera que uma das chaves para entender o assassinato de Osama bin Laden talvez esteja no codinome “Geronimo”, escolhido para designar a missão norte-americana, formada por 79 membros da tropa de elite da Marinha, que entrou em território do Paquistão com quatro helicópteros ultra-sofisticados, invadiu a casa do ex-aliado da CIA, encontrou-o desarmado e o executou.

Leia no Blog da Amazônia o que Geronimo, chefe Apache do século XIX, tem a ver com essa história.

CORAÇÃO MATERNO

sábado, 7 de maio de 2011

FOTOS DE RAIMUNDO PACCÓ

Do acreano Raimundo Paccó, fotógrafo da agência EFE: "Publica e saiba que estou contigo até o fim como profissional. Te amo."

Carnaval da Lama, Curuçá (PA)

Círio de Nazaré, Belém (PA)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

JUDICIÁRIO PROCESSA EXECUTIVO NO STF

Justiça do Acre está a “pão e água”, afirma presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Adair Longuini (foto), alijado pelo governador Tão Viana na elaboração do orçamento estadual



O presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), Adair Longuini, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja assegurada participação dele na elaboração do orçamento estadual de 2012.

Longuini ingressou com ação cautelar no STF após tentativas de diálogo com o governador Tião Viana (PT). O relator do processo é o ministro Ricardo Lewandowski.

Segundo Longuini, nos últimos anos o Tribunal de Justiça “tem sido alijado, sistemática e propositalmente, das discussões preparatórias e, ainda, do processo legislativo para a elaboração das Leis de Diretrizes Orçamentárias”.

O desembargador quer que o governo estadual forneça imediatamente todas as informações técnicas necessárias para a participação do TJ-AC nas discussões e elaboração do orçamento, que deve ser enviado para a Assembléia Legislativa até 15 de maio.

Longuini argumenta que a Constituição garante a autonomia administrativa e financeira do Judiciário, além de prever que as propostas orçamentárias do Judiciário devem ser elaboradas em conjunto com os demais Poderes da República.

- Há necessidade de se evitar o agravamento de um conflito institucional de consequências imprevisíveis, que ameaça comprometer o princípio da segurança jurídica, subvertendo, irremediavelmente, o sistema de separação dos Poderes. O Judiciário acreano está a pão e água - afirma o desembargador.

Longuini também pede que o STF determine o governo estadual a devolver valores da contribuição previdenciária descontada mensalmente dos servidores do Judiciário.

Segundo o desembargador, o Judiciário paga, com recursos próprios, os seus servidores aposentados e pensionistas, que nada recebem do Fundo de Previdência do Estado do Acre. Ele afirma que o governo estadual não se pronuncia sobre a questão.

- Esse silêncio fez surgir a certeza de que não vai suspender a retenção indevida de parte substancial dos valores relativos aos duodécimos e, pior ainda, de que não vai fazer a suplementação do valor que deixou de ser repassado nos últimos cinco anos.

Longuini informa que a suplementação devida pelo governo estadual ultrapassa R$ 35 milhões.


Comentário do juiz Ednaldo Muniz:

"Colegas, finalmente aconteceu (apenas iniciou) o que eu esperava. Está no site: “TJAC pede que STF assegure sua participação na discussão orçamentária do estado”. Eu achava (e acreditei; vejam que ingenuidade) que isso ia ser detonado ainda na discussão da LOA 2011. Pensei isso depois daquela famosa carta eletrônica do desembargador Adair (quando ele ainda era o vice) mobilizando a magistratura por um orçamento justo e legalmente correto. Lembram!? Ocorre que, pouco depois, estabeleceu-se um péssimo ‘acordo de cúpula’ (a Asmac incluída; o Giordane ‘assinou’ o ‘acordo’) e o resultado foi a tragédia orçamentária que estamos vivenciando agora. A ‘base’ sequer foi avisada do armistício, apesar de ter sido convidada para a ‘guerra’. Por isso, mesmo que somente agora (perdemos um ano) é muito bem vinda a iniciativa da Presidência (o exemplo que vem do Amapá é promissor). Todos devemos apoiá-la. Aqui não pode haver diferenças. Devemos fazer agora o que tivemos vontade (eu pelo menos tive, e muita) lá na discussão da LOA 2011. Devemos unir a magistratura contra esse doloso arrocho orçamentário imposto pelo Executivo (e a hora de começar é agora mesmo, ainda na fase da LDO 2012; depois partiremos para a batalha da LOA 2012). Desembargador Adair, Vossa Excelência pode contar comigo nessa batalha. E não tenho nenhuma dúvida que pode contar com todos os magistrados. Todos! Faremos ‘greve’, por orçamento, se necessário (olha que coisa linda; o povo vai adorar e apoiar isso) (depois daquela ‘greve’ por salário, nós devemos isso ao povo do Acre). Faremos passeata, marcha, vigília, o que for necessário para o alcance do orçamento justo e legalmente correto. Mas, se novamente houver um armistício de cúpula (o que, a princípio, não está errado; desde que bem feito), que desta vez ao menos os soldados rasos sejam avisados, e não apenas convidados, depois, a suportar o arrocho. Viva o Judiciário Acreano! Edinaldo."

Leia mais no site do Tribunal de Justiça do Acre.

CASARÃO NO ESCURO


Por falta de pagamento, a Eletrobras suspendeu na tarde desta sexta-feira (6) o fornecimento de energia elétrica para o Casarão, imóvel tombado como Patrimônio Histórico do Acre. O corte deveria ter acontecido na semana passada, mas a Eletrobras, a pedido dos funcionários do Casarão, concedeu prazo que não foi honrado para quitação da conta. Clique aqui e veja como foi animada a reinauguração do Casarão, em dezembro.