Trechos da entrevista do senador Jorge Viana ao jornal Opinião
O "susto" da última eleição deu uma sacudida no PT para mostrar que algumas mudanças precisam ser feitas?
Não só por parte da eleição em si. Eu acredito que o resultado da eleição é parte do jogo democrático. Nós tínhamos os três senadores e lamentavelmente na eleição de 2002 quando elegemos o senador de um partido da base da Frente Popular e um ano depois ele nos abandonou foi uma coisa muito ruim para nós. Acho que a população também observou isso: a própria saída da senadora Marina Silva do PT foi uma situação também diferenciada. Eu não diria que essa última eleição nos deu um susto, mas que as urnas nos mandaram alguns recados. Devemos ter a humildade de ouvir e tentar entender esses recados: a senadora Marina Silva, por exemplo, foi pessimamente votada no Acre e a Marina sempre era a campeã de votos no Acre.
E com relação à eleição para governador, qual a lição que ficou?
O governador Tião Viana não teve a votação esperada e eu não tive a votação que podia ter. Agora nós saímos ganhando nas eleições, mas recebemos uma série de recados. Temos que absorver isso. O governador Binho Marques fez um grande trabalho e eu também, modesta à parte, dei a minha contribuição. O governador Tião Viana já está absorvendo esses recados das urnas: ele está trabalhando, está visitando mais lugares, está conversando mais com as pessoas. Temos que repactuar alguns compromissos com a sociedade e temos que ficar mais atentos, porque o próprio tempo desgasta. Não vamos culpar o tempo e nem tampouco vamos culpar o eleitor.
O que deve ser feito, então, a partir de agora?
O que temos de compreender é que o eleitor mandou alguns recados e nós temos que absorver esses recados. De alguma maneira temos que recompor a união entre os partidos. O exemplo disso é a presidenta Dilma Roussef ter sido muito mal votada no Acre é muito mais grave do que eu que tive a quantidade de votos. Todos sabem que o ex-presidente Lula ajudou tanto o Acre, mas eu compreendo. Precisamos corrigir isso agora para que, na próxima eleição, quem não votou na gente, possa votar se a gente for candidato.
Como deve ser o comportamento do PT e dos partidos da Frente com o "recado" das urnas?
Precisamos entender as urnas como sendo uma manifestação das pessoas. Elas estão se manifestando, o eleitor está querendo passar alguma mensagem e essa mensagem deve ser compreendida. Vamos ter que compreender e não ter raiva do eleitor. Temos que ficar agradecido ao eleitor que deu as vitórias ao governador Tião Viana e à presidenta Dilma Rousseff. Fomos eleitos, mas o eleitor aproveitou e mandou alguns bilhetinhos, nos mandou alguns recados. Se tivermos a humildade de consertar essas falhas, talvez sejamos merecedores não só pelo que já fizemos, mas pelo que podemos fazer com o apoio no futuro.
O senhor saiu de um processo em que a acusação era a utilização do poder econômico na campanha. Como é que o senhor avalia este tipo de ação?
Pois é. É até bom que você me pergunte isso. Até agora eu não entendi porque que houve uma ação tão dirigida contra o Tião Viana, contra mim, contra a Frente Popular. Foi uma ação dirigida à Justiça, que é dirigida por homens, onde há grande chance de errar. Lamentavelmente setores da Justiça do Acre cometeram um erro gravíssimo: primeiro tentaram arranhar, atingir aquilo que nós temos de mais precioso, que é a nossa honra, que é a nossa credibilidade. O processo não deu em nada porque não houve a menor prova, um único documento provando nada contra nós.
Porque, então, houve a acusação?
Fizemos uma campanha dentro da lei. Agora tentaram nos pegar de bode expiatório, enquanto que alguns políticos que compraram votos, que abusaram do poder econômico não foram importunados. Essa é uma pergunta que temos que fazer para algumas pessoas que estavam com responsabilidade de fazer com que as eleições transcorressem com tranquilidade e fizesse valer o sentimento de Justiça. Eu, particularmente, tive que entrar na Justiça depois de me sentir injustiçado contra pelo menos seis daqueles que estavam agindo contra a Lei que, do meu ponto de vista, descumpriram a Lei. Por isso eu entrei na Justiça contra eles, não que eu queria ser mais do que ninguém, porque não sou. Entretanto, não é justo que em um período de eleição você consiga atingir a honra de quem tem honra ao invés de fazer a defesa dos interesses públicos.
Existe algum processo ou pedido de autorização no Senado para que o senhor seja processado porque era assessor da empresa que vendeu um helicóptero para o Estado?
Eu fui prefeito por quatro anos e governador em dois mandatos. Não existe um único processo contra mim no Tribunal de Justiça do Estado ou no Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Agora sou senador e volto a afirmar que não tem um único processo contra mim no Supremo Tribunal Federal e no Supremo Tribunal de Justiça. O que existe é uma ação do Ministério Público Federal no Acre fazendo uma investigação da compra de um helicóptero do governo. E é justo que se apure: se tem ilegalidade ou não, que se prove.
Mas o seu nome é citado nesta ação?
Uma pessoa que estava na investigação resolveu fazer uma carta precatória e citou meu nome com uma pergunta: se eu tinha ocupado um cargo ou não em uma empresa. O fato de terem colocado meu nome em uma carta, perguntando isso, de ter ocupado o cargo e nada mais, fez com que o processo fosse para o Senado Federal, o que é talvez, a coisa mais absurda. Eu volto a falar novamente: não tem nenhum pedido para me processar em nenhum Tribunal do Brasil. Eu não estou sendo investigado por nada a partir do Supremo Tribunal Federal e não respondo a nenhum processo. Isso então é uma questão de tempo.
Alguns setores insistem que o senhor está sendo processado...
Eu lamento porque enquanto algumas pessoas dirigem ou tentam dar uma repercussão a este tipo de notícia, alguma coisa que é, no fundo, um grande equívoco só por conta de uma citação porque agora eu sou senador. O pedido foi encaminhado ao Senado, mas já já vai voltar. É uma questão de tempo. Na verdade, pessoas que têm contas a ajustar com a Justiça tentam se esconder atrás das inverdades, das agressões aos outros. Isso ai é uma questão de tempo. Nada como trabalhar com a verdade e por isto estou tranquilo. A minha preocupação é que esse mandato seja útil para o Acre, para o governo do Tião Viana, para o governo da presidenta Dilma Rousseff e, principalmente, para as pessoas que mais precisam.
Qual é o sonho do político Jorge Viana?
O sonho é o Acre ser uma referência para o Brasil e para o mundo. É de ter um modelo econômico sustentável baseado na relação inteligente e harmoniosa do homem com a natureza. Que todo o povo possa viver com um padrão de vida que seja digno e poder criar, assim, condições para que as pessoas sejam felizes. Meu sonho é do Acre ser um cantinho do mundo aonde a gente viva a ditadura da felicidade.












