sexta-feira, 12 de novembro de 2010
CRICA DEIXA O PTB SEM AVISAR LEITORES
Deu na coluna de Luiz Carlos Moreira Jorge, o Crica, em A Gazeta, a mais lida no Acre, nesta sexta-feira (12):
"Só no pincel
Houve desfiliação ontem de toda a direção do PTB: deixaram a presidente Iolanda Lima só.
Nada a reivindicar
Ao bem da verdade, o PTB não tem força para reivindicar nenhum espaço no futuro governo, porque não conseguiu eleger um deputado estadual e ainda se fracionou em brigas internas."
Clique aqui e veja no site do PTB a lista dos ex-integrantes da Comissão Provisória do partido no Acre. Entre eles, o colunista Luiz Carlos Moreira Jorge, que faz o Blog do Crica.
Na verdade a comissão foi destituída pela direção nacional do PTB.
Sendo assim, Crica perde força como candidato a Secretário de Comunicação? Quem, em nome do PTB, a partir de agora vai negociar cargos com o governador eleito Tião Viana (PT)?
Resposta:
"Caro amigo Altino:
Posso lhe garantir que não estou entre os cortados pela direção nacional do PTB, onde nem militei, fui mais a convite de amigos. Se sair será por decisão pessoal. Quanto a ser secretário de Comunicação, já disse na minha coluna que não quero, não devo, não posso, pelas minhas posições que você conhece de ter sido um crítico do governo e de muitos dos seus auxiliares. Nunca passou pela minha cabeça ocupar o cargo. Ademais, meu tempo de administração pública passou, tem que se buscar cara nova. Bem melhor para mim é continuar escrevendo livremente meu blog.
No mais, um abraço do amigo Luis Carlos Moreira Jorge"
Houve desfiliação ontem de toda a direção do PTB: deixaram a presidente Iolanda Lima só.
Nada a reivindicar
Ao bem da verdade, o PTB não tem força para reivindicar nenhum espaço no futuro governo, porque não conseguiu eleger um deputado estadual e ainda se fracionou em brigas internas."
Clique aqui e veja no site do PTB a lista dos ex-integrantes da Comissão Provisória do partido no Acre. Entre eles, o colunista Luiz Carlos Moreira Jorge, que faz o Blog do Crica.
Na verdade a comissão foi destituída pela direção nacional do PTB.
Sendo assim, Crica perde força como candidato a Secretário de Comunicação? Quem, em nome do PTB, a partir de agora vai negociar cargos com o governador eleito Tião Viana (PT)?
Resposta:
"Caro amigo Altino:
Posso lhe garantir que não estou entre os cortados pela direção nacional do PTB, onde nem militei, fui mais a convite de amigos. Se sair será por decisão pessoal. Quanto a ser secretário de Comunicação, já disse na minha coluna que não quero, não devo, não posso, pelas minhas posições que você conhece de ter sido um crítico do governo e de muitos dos seus auxiliares. Nunca passou pela minha cabeça ocupar o cargo. Ademais, meu tempo de administração pública passou, tem que se buscar cara nova. Bem melhor para mim é continuar escrevendo livremente meu blog.
No mais, um abraço do amigo Luis Carlos Moreira Jorge"
LUGAR COMUM
João Donato Trio foi o único premiado (melhor álbum de jazz) entre os brasileiros que concorriam ao Grammy Latino em sete categorias gerais.
- Sou muito grato a academia pela lembrança, e ao Acre, que é meu povo - disse Donato emocionado.
- Sou muito grato a academia pela lembrança, e ao Acre, que é meu povo - disse Donato emocionado.
A proeza foi ignorada pela imprensa local.
O destaque nos quatro diários do Acre é a reprodução integral de um press release da assessoria do governador eleito Tiao Viana (PT) sobre a TV Senado, que terá transmissão aberta em Rio Branco.
Sílvio Martinello, sócio da família do ex-governador Flaviano Melo no jornal A Gazeta, afirmou na noite de quinta-feira (11), durante debate com estudantes de jornalismo da Universidade Federal do Acre, que o controle do governo estadual prejudica o jornalismo acreano.
Não é verdade, pois o próprio Martinello não faz nada para escapar do suposto controle. Há anos bajula diariamente todos que surgem como donos do Acre.
A imprensa acreana se autocensura e até implora para ser cerceada, censurada ou controlada em troca de um punhado de dinheiro repassado pelos políticos que gerenciam verbas públicas.
Esse tipo de imprensa não premia talentos. Promove apenas a mediocridade que impera nas colunas sociais e de política.
É por isso que acreanos como João Donato só são reconhecidos "lá fora".
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
JOÃO DONATO RECEBE PRÊMIO NO GRAMMY
O álbum Sambolero, de João Donato Trio, foi o grande vencedor do prêmio de jazz latino anunciado na cerimônia de entrega do 11º Grammy Latino, realizado nesta noite de quinta-feira (11) em Las Vegas.
João Donato subiu ao palco para receber o prêmio e, muito emocionado, mal conseguiu falar. Mas agradeceu à Academia e também à terra natal.
- Sou muito grato a academia pela lembrança, e ao Acre, que é meu povo - disse.
Na foto, com a filha Jodel, americana.
Leia mais no Blog da Amazônia.
João Donato subiu ao palco para receber o prêmio e, muito emocionado, mal conseguiu falar. Mas agradeceu à Academia e também à terra natal.
- Sou muito grato a academia pela lembrança, e ao Acre, que é meu povo - disse.
Na foto, com a filha Jodel, americana.
Leia mais no Blog da Amazônia.
ACREDITE SE QUISER
Totais de despesas pessoais de campanhas que foram declarados à Justiça Eleitoral do Acre por dois deputados reeleitos, um senador eleito e um governador eleito:
Perpétua Almeida (PCdoB): R$ 400 mil.
Gladson Cameli (PP): R$ 2,3 milhões.
Jorge Viana (PT): R$ 54 mil.
Tião Viana (PT): R$ 71,5 mil.
Todos os candidatos têm duas contas: uma do Comitê Financeiro e a conta pessoal.
Alguns, como Perpétua Almeida e Gladson Cameli, optam por declarar tudo na conta pessoal.
A receita/despesa declarada, por exemplo, pelo Comitê Financeiro de Tião Viana foi de R$ 4,2 milhões.
A receita/despesa declarada pelo Comitê Financeiro de Jorge Viana foi de R$ 932,2 mil.
Não existe sobra de campanha? Eu quero.
"DO ACRE PARA O MUNDO"
Homenageado com o Prêmio à Excelência Musical na noite de quarta-feira (10), em Las Vegas (EUA), o cantor e compositor acreano João Donato, 76 anos, concorreré na noite desta quinta-feira (11) na categoria Álbum de Jazz Latino, com “Sambolero”, que conta com a participação do contrabaixista Luiz Alves e do baterista Robertinho Silva.
A cerimônia de entrega dos troféus do 11º Grammy Latino, acontece no Mandalay Bay Events Center. Cantoras brasileiras concorrem em duas das quatro categorias gerais, consideradas as mais importantes do prêmio. Maria Gadú é uma das indicadas à Revelação. A canção “Tua”, de Adriana Calcanhotto, gravada por Maria Bethânia, disputa em Gravação do Ano.
Chamada no Skype. É João Donato com cara de eterno menino pedindo para exibir ao Blog da Amazônia o prêmio que recebeu da Academia Latina de Artes y Ciencias de la Grabación.
- Estou muito, muito feliz. Tudo começou no Acre, a minha terra querida. Quando eu era criança, lá em casa, no centro de Rio Branco, tinha uma pilha de discos e um gramofone. Um dos meus discos preferidos era “Tristeza de amor”, do Fritz Kreisler. O outro era “No mar negro”, do Georges Boulanger. Ambos eram de 78 rotações. Eu ficava mexendo na vitrola e ninguém se incomodava. Lembro disso porque o prêmio tem o mesmo formato da minha velha vitrolinha, que era acionada por uma manivela de dar corda. Minha maior satisfação é porque existem milhares de pessoas gravando discos no mundo inteiro e ser indicado para o Grammy significa passar por uma grande seleção. Já estou entre os 10 melhores do mundo e sou o único brasileiro do Acre. Caso você não tenha idéia melhor, faça um post com o título “do Acre para o mundo”.
Donato estará em Rio Branco na próxima semana, para participar do Festival Varadouro. Ele permanecerá no Acre durante uma semana e aproveitará para dar continuidade ao documentário que a cineasta Tetê Moraes prepara sobre sua vida e obra.
A cerimônia de entrega dos troféus do 11º Grammy Latino, acontece no Mandalay Bay Events Center. Cantoras brasileiras concorrem em duas das quatro categorias gerais, consideradas as mais importantes do prêmio. Maria Gadú é uma das indicadas à Revelação. A canção “Tua”, de Adriana Calcanhotto, gravada por Maria Bethânia, disputa em Gravação do Ano.
Chamada no Skype. É João Donato com cara de eterno menino pedindo para exibir ao Blog da Amazônia o prêmio que recebeu da Academia Latina de Artes y Ciencias de la Grabación.
- Estou muito, muito feliz. Tudo começou no Acre, a minha terra querida. Quando eu era criança, lá em casa, no centro de Rio Branco, tinha uma pilha de discos e um gramofone. Um dos meus discos preferidos era “Tristeza de amor”, do Fritz Kreisler. O outro era “No mar negro”, do Georges Boulanger. Ambos eram de 78 rotações. Eu ficava mexendo na vitrola e ninguém se incomodava. Lembro disso porque o prêmio tem o mesmo formato da minha velha vitrolinha, que era acionada por uma manivela de dar corda. Minha maior satisfação é porque existem milhares de pessoas gravando discos no mundo inteiro e ser indicado para o Grammy significa passar por uma grande seleção. Já estou entre os 10 melhores do mundo e sou o único brasileiro do Acre. Caso você não tenha idéia melhor, faça um post com o título “do Acre para o mundo”.
Donato estará em Rio Branco na próxima semana, para participar do Festival Varadouro. Ele permanecerá no Acre durante uma semana e aproveitará para dar continuidade ao documentário que a cineasta Tetê Moraes prepara sobre sua vida e obra.
LEILÃO DE MADEIRA EM BENEFÍCIO DOS ÍNDIOS
A Justiça Federal em Ji-Paraná (RO) realizará leilão de 7 mil m³ de madeira retirados ilegalmente das terras indígenas das etnias Cinta Larga, Suruí e Zoró. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) avaliou a madeira em tora em R$ 674 mil e a madeira serrada em R$ 159 mil.
O dinheiro que for arrecadado no leilão será aplicado em projetos que serão apresentados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e pelo Ibama, após aprovação do Ministério Público Federal (MPF).
- Há mais de 30 anos verifica-se extração irregular de madeira em terras indígenas, sendo que o distrito de Boa vista do Pacarana, em Espigão D’Oeste, é considerado um polo convergente de tais ações criminosas - argumentou o procurador da República Daniel Fontenele ao pedir o leilão.
Boa Vista do Pacaranã é um pequeno distrito, com poucas ruas. Sua principal atividade produtiva é a serragem e estocagem de toras de madeira. Das onze madeireiras existentes no distrito, apenas uma possui licença de operação.
O distrito está localizado a 80 quilômetros de Espigão D’Oeste; a cinco quilômetros da Reserva Roosevelt, dos índios Cinta Larga; a três quilômetros da Terra Indígena Zoró e a nove da Terra Indígena Sete de Setembro, da etnia Suruí.
Segundo o procurador, o meio ambiente e os índios são os mais prejudicados com a ação ilegal e por isso devem ser compensados com os recursos obtidos no leilão.
A madeira que costuma ser apreendida em operações de repressão geralmente apodrece por ficar exposta a céu aberto ou é furtada pela falta de local adequado a seu armazenamento e ausência de vigilância.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
JOSÉ CARLOS CALAZANE
Marina Silva é a única liderança política no Acre que não está sendo investigada, diz superintendente da Polícia Federal


A senadora Marina Silva (PV-AC), terceira colocada com quase 20 milhões de votos na disputa presidencial, é a única liderança política de expressão no Acre que não está sendo investigada por supostos crimes eleitorais no Estado, especialmente o de compra de votos.
- Eu posso antecipar que não existe nenhum procedimento instaurado até agora que vise investigar a conduta da senadora Marina Silva. Não existe nenhuma investigação em curso contra Marina Silva. Isso eu posso afirmar - declara em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia o superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane.
Ações de combate aos crimes eleitorais no Acre chamaram a atenção do País nos últimos dois meses. A evangélica Antônia Lúcia (PSC), candidata eleita deputada federal, foi flagrada ao transportar do Amazonas para o Acre R$ 472 mil dentro de uma caixa de papelão.
Boa parte das provas do inquérito que resultou no pedido de cassação da candidata eleita, inclusive o flagrante do transporte de dinheiro para o “caixa-dois” da campanha, foram obtidas a partir de interceptação telefônica autorizada judicialmente.
Os escritórios do senador Tião Viana (PT), governador eleito do Acre, e do irmão dele, o ex-governador Jorge Viana (PT), senador eleito, foram alvos de mandados de busca e apreensão. A mesma ofensiva contra crimes eleitorais atingiu repartições públicas na Assembléia Legislativa, governo estadual e na prefeitura de Rio Branco.
As ações culminaram com Arnete Guimarães renunciando ao cargo de juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Acre, após ter sido filmada e fotografada em visita ao apartamento da engenheira Dolores Nietto, mulher de Jorge Viana (PT).
Na véspera do primeiro turno, quando foram apreendidos dois laptops, três discos rígidos e cinco pen drives de Jorge Viana, a então juíza determinou a devolução do material e a destruição de toda e qualquer informação já copiada ou espelhada.
Todas as ações de combate aos crimes eleitorais, principalmente o de compra de votos, envolveram o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral e foram precedidas por meticulosas investigações da Polícia Federal.
A superintendência da Polícia Federal no Acre é ocupada há um ano e meio pelo gaúcho José Carlos Calazane, 47 anos, que se manifesta pela primeira vez sobre as ações de combate aos crimes eleitorais.
Veja a entrevista na íntegra:
Qual a sua explicação para a visibilidade alcançada neste ano pela Polícia Federal do Acre no combate aos crimes eleitorais?
A sociedade tem reconhecido esse esforço da Polícia Federal e nós reputamos isso a uma série de fatores, dentre os quais devo destacar o trabalho em parceria. A Polícia Federal sozinha não teria condições de realizar nada do que realizou. Nós trabalhamos em parceria com a Justiça Eleitoral e com o Ministério Público Eleitoral. Tivemos sincronia no Estado inteiro e não apenas em Rio Branco, a capital.
Por que antes não a sociedade não tinha percepção de que as eleições no Acre estavam sendo acompanhadas e os crimes sendo investigados? O que mudou?
Sinceramente, não sei lhe responder. Particularmente, não estava aqui em pleitos anteriores. Só posso me manifestar em relação a este pleito em que estamos à frente da superintendência no Acre. Não sei o que ocorreu em outros anos e não tenho como avaliar essa situação. O que posso dizer é que neste ano houve perfeita sintonia entre todos os órgão intervenientes que atuam contra crimes eleitorais, além de um incremento do efetivo da própria Polícia Federal, que realizou o trabalho de inteligência que antecedeu a todas as ações. Nada disso teria acontecido sem a perfeita sincronia com o Ministério Público Eleitoral e com a Justiça Eleitoral.
A Polícia Federal às vezes se vale de denúncias anônimas para investigar um crime. Isso desqualifica o trabalho dela, como alguns políticos no Acre estão alegando em relação aos crimes eleitorais?
De forma alguma. O procedimento de investigações com base em denúncias anônimas, através do Disque-Denúncia Eleitoral, foi utilizado corriqueiramente para algumas ações da Policia Federal, a qual, após a feitura de triagem dessas informações, atuava. E muitas delas ensejaram várias investigações de relevância. Não podemos, obviamente, estarmos adstritos apenas às informações anônimas para atuar, mas também não podemos desencorajar a população, que muitas vezes quer contribuir com a alguma denúncia, mas, por receio, não quer aparecer. Não podemos desprezar e desmotivar essa rica fonte de informação.
Embora as investigações que envolvem políticos e empreiteiros do Acre em supostos crimes eleitorais estejam sob sigilo, o senhor admite que é realmente grave o que foi apurado até agora?
Não gosto de fazer juízo de valor nem de gradação. Para mim não existe crime mais ou menos grave. Todo tipo de crime tem seu potencial ofensivo contra a sociedade e nós temos o dever de reprimi-los de forma equânime. O que nós temos são investigações ainda em andamento, muitas delas realmente em segredo de justiça e por isso nós não podemos nos manifestar nem adiantar a respeito. Existem procedimentos instaurados com vistas a coibir crimes eleitorais ainda em andamento, mas não podemos divulgar os nomes dos envolvidos.
Como os políticos e empresas operam no Estado?
O crime eleitoral tem o cunho de passar por uma série de condutas que levam um candidato, em tese, de forma ilícita, a ser alçado a um cargo eletivo no qual ele vai representar uma comunidade. Como ele tem que angariar os votos? De forma lícita, claro, com poder de convencimento, da apresentação de argumentos, de propostas e de plano de governo. Acontece que muitas vezes são alçados candidatos que se utilizam do poder econômico ou político para a compra de votos. A Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Eleitoral existem para coibir isso. A apuração desses delitos é o que está sendo feito, para cada implicado responda perante a Justiça se utilizaram meios ilícitos para conseguir se eleger.
Políticos da oposição, como Antonia Lúcia, e da situação, como o ex-governador Jorge Viana, agora senador eleito, além do senador Tião Viana, governador eleito do Acre, já criticaram duramente o envolvimento deles na apuração de crimes eleitorais no Estado. A Polícia Federal tem exorbitado?
Não. Nós encaramos todas essas críticas com muita naturalidade. A Polícia Federal atua no País inteiro de modo uniforme. Como bem dizia o nosso ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a Polícia Federal não persegue os inimigos nem protege os amigos. Aqui no Acre não tem sido diferente. Tivemos uma atuação que teve como investigados membros da oposição e da situação. Ninguém pode alegar que esteja havendo perseguição em prol de oposição ou de situação. Nossa ação tem sido uniforme para qualquer tipo de candidato contra o qual pesasse qualquer tipo de informação de que estivesse cometendo delito eleitoral. Nós encaramos com muita naturalidade as críticas por parte dessas pessoas. Nós vamos continuar o nosso trabalho, sempre pautado na lei, que é a quem nós temos que prestar contas sempre. Agir de forma republicana é uma característica da Polícia Federal no País.
Quando a Polícia Federal concluirá essas investigações?
Os prazos dos inquéritos policiais são prorrogáveis. Independente do prazo legal, todas as investigações exigem um prazo específico por causa de análises e perícias dos materiais apreendidos. Isso demanda tempo e enquanto não acontecer esse tipo de trabalho, não poderemos concluir os procedimentos que já estão instaurados. Isso deve acontecer após as oitivas e perícias. A partir disso, o procedimento será concluído e encaminhado à Justiça Eleitoral para que seja dado andamento ao processo.
As investigações contra supostos crimes eleitorais no Acre estão sob segredo de justiça, mas o País sabe que envolvem políticos como Antonia Lúcia, Jorge Viana, Tião Viana e outros. Existe algum político no Estado que o senhor possa asseverar que não está sendo investigado pela Polícia Federal?
Eu posso antecipar que não existe nenhum procedimento instaurado até agora que vise investigar a conduta da senadora Marina Silva. Não existe nenhuma investigação em curso contra Marina Silva. Isso eu posso afirmar.
A experiência acumulada neste pleito gera experiência para que tenhamos no futuro um combate mais duro aos crimes eleitorais no Estado?
Sim, sem dúvida. No próximo pleito, com certeza nossos policiais estarão muito mais treinados e ambientados com essas ações. Vamos esconder a modéstia para afirmar que todas as ações foram feitas de forma muito profissional. Logicamente, existem ainda falhas a ser corrigidas e isso acontecerá no decorrer de cada pleito eleitoral. Cada vez teremos que ter muito mais profissionalismo do que já foi demonstrado até aqui. Mas não posso deixar de afirmar que fizemos tudo de uma forma impecável, sem exposição de quem quer que seja. Não houve, por parte da Polícia Federal, a exposição de nomes de pessoas e empresas. Nós sempre tivemos esse cuidado. Todas as ações se deram de forma impessoal.
Qual será o próximo passo?
Vou antecipar a você uma notícia que ainda estamos comemorando e que eu pretendia anunciar mais adiante. Conseguimos concluir a licitação para construção da nova sede da Polícia Federal no Acre. Era um sonho acalentado por todos. Teremos um prédio moderníssimo, de 10 mil metros quadrados, com cinco pavimentos, heliponto, stand de tiro, garagem subterrânea e auditório com sistema de acústica. O Acre vai receber uma sede com o que há de mais moderno em termos de engenharia, arquitetura e tecnologia. Ainda nesta semana vamos assinar o contrato de construção da sede. Será uma obra de R$ 31 milhões. O Acre merece isso, pois o Estado está se projetando com a Zona de Processamento de Exportação e com a conclusão da rodovia Interoceânica. A Polícia Federal não pode estar dissociada desse crescimento. Dentro de três anos, nesta tríplice fronteira, teremos uma das sedes da Polícia Federal mais modernas do Brasil. A Superintendendência da Polícia Federal do Acre, que já é considerada uma das mais operacionais do País, vai melhorar ainda mais seu desempenho com essa estrutura e com a vinda de mais policiais. No ano passado, na relação de inquéritos instaurados e relatados, nós do Acre estávamos em penúltimo lugar. Saltamos para o segundo lugar neste ano em termos de rendimento. Demos um salto de qualidade.
- Eu posso antecipar que não existe nenhum procedimento instaurado até agora que vise investigar a conduta da senadora Marina Silva. Não existe nenhuma investigação em curso contra Marina Silva. Isso eu posso afirmar - declara em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia o superintendente da Polícia Federal no Acre, José Carlos Calazane.
Ações de combate aos crimes eleitorais no Acre chamaram a atenção do País nos últimos dois meses. A evangélica Antônia Lúcia (PSC), candidata eleita deputada federal, foi flagrada ao transportar do Amazonas para o Acre R$ 472 mil dentro de uma caixa de papelão.
Boa parte das provas do inquérito que resultou no pedido de cassação da candidata eleita, inclusive o flagrante do transporte de dinheiro para o “caixa-dois” da campanha, foram obtidas a partir de interceptação telefônica autorizada judicialmente.
Os escritórios do senador Tião Viana (PT), governador eleito do Acre, e do irmão dele, o ex-governador Jorge Viana (PT), senador eleito, foram alvos de mandados de busca e apreensão. A mesma ofensiva contra crimes eleitorais atingiu repartições públicas na Assembléia Legislativa, governo estadual e na prefeitura de Rio Branco.
As ações culminaram com Arnete Guimarães renunciando ao cargo de juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Acre, após ter sido filmada e fotografada em visita ao apartamento da engenheira Dolores Nietto, mulher de Jorge Viana (PT).
Na véspera do primeiro turno, quando foram apreendidos dois laptops, três discos rígidos e cinco pen drives de Jorge Viana, a então juíza determinou a devolução do material e a destruição de toda e qualquer informação já copiada ou espelhada.
Todas as ações de combate aos crimes eleitorais, principalmente o de compra de votos, envolveram o Ministério Público Eleitoral, a Justiça Eleitoral e foram precedidas por meticulosas investigações da Polícia Federal.
A superintendência da Polícia Federal no Acre é ocupada há um ano e meio pelo gaúcho José Carlos Calazane, 47 anos, que se manifesta pela primeira vez sobre as ações de combate aos crimes eleitorais.
Veja a entrevista na íntegra:
Qual a sua explicação para a visibilidade alcançada neste ano pela Polícia Federal do Acre no combate aos crimes eleitorais?
A sociedade tem reconhecido esse esforço da Polícia Federal e nós reputamos isso a uma série de fatores, dentre os quais devo destacar o trabalho em parceria. A Polícia Federal sozinha não teria condições de realizar nada do que realizou. Nós trabalhamos em parceria com a Justiça Eleitoral e com o Ministério Público Eleitoral. Tivemos sincronia no Estado inteiro e não apenas em Rio Branco, a capital.
Por que antes não a sociedade não tinha percepção de que as eleições no Acre estavam sendo acompanhadas e os crimes sendo investigados? O que mudou?
Sinceramente, não sei lhe responder. Particularmente, não estava aqui em pleitos anteriores. Só posso me manifestar em relação a este pleito em que estamos à frente da superintendência no Acre. Não sei o que ocorreu em outros anos e não tenho como avaliar essa situação. O que posso dizer é que neste ano houve perfeita sintonia entre todos os órgão intervenientes que atuam contra crimes eleitorais, além de um incremento do efetivo da própria Polícia Federal, que realizou o trabalho de inteligência que antecedeu a todas as ações. Nada disso teria acontecido sem a perfeita sincronia com o Ministério Público Eleitoral e com a Justiça Eleitoral.
A Polícia Federal às vezes se vale de denúncias anônimas para investigar um crime. Isso desqualifica o trabalho dela, como alguns políticos no Acre estão alegando em relação aos crimes eleitorais?
De forma alguma. O procedimento de investigações com base em denúncias anônimas, através do Disque-Denúncia Eleitoral, foi utilizado corriqueiramente para algumas ações da Policia Federal, a qual, após a feitura de triagem dessas informações, atuava. E muitas delas ensejaram várias investigações de relevância. Não podemos, obviamente, estarmos adstritos apenas às informações anônimas para atuar, mas também não podemos desencorajar a população, que muitas vezes quer contribuir com a alguma denúncia, mas, por receio, não quer aparecer. Não podemos desprezar e desmotivar essa rica fonte de informação.
Embora as investigações que envolvem políticos e empreiteiros do Acre em supostos crimes eleitorais estejam sob sigilo, o senhor admite que é realmente grave o que foi apurado até agora?
Não gosto de fazer juízo de valor nem de gradação. Para mim não existe crime mais ou menos grave. Todo tipo de crime tem seu potencial ofensivo contra a sociedade e nós temos o dever de reprimi-los de forma equânime. O que nós temos são investigações ainda em andamento, muitas delas realmente em segredo de justiça e por isso nós não podemos nos manifestar nem adiantar a respeito. Existem procedimentos instaurados com vistas a coibir crimes eleitorais ainda em andamento, mas não podemos divulgar os nomes dos envolvidos.
Como os políticos e empresas operam no Estado?
O crime eleitoral tem o cunho de passar por uma série de condutas que levam um candidato, em tese, de forma ilícita, a ser alçado a um cargo eletivo no qual ele vai representar uma comunidade. Como ele tem que angariar os votos? De forma lícita, claro, com poder de convencimento, da apresentação de argumentos, de propostas e de plano de governo. Acontece que muitas vezes são alçados candidatos que se utilizam do poder econômico ou político para a compra de votos. A Justiça Eleitoral, o Ministério Público Eleitoral e a Polícia Eleitoral existem para coibir isso. A apuração desses delitos é o que está sendo feito, para cada implicado responda perante a Justiça se utilizaram meios ilícitos para conseguir se eleger.
Políticos da oposição, como Antonia Lúcia, e da situação, como o ex-governador Jorge Viana, agora senador eleito, além do senador Tião Viana, governador eleito do Acre, já criticaram duramente o envolvimento deles na apuração de crimes eleitorais no Estado. A Polícia Federal tem exorbitado?
Não. Nós encaramos todas essas críticas com muita naturalidade. A Polícia Federal atua no País inteiro de modo uniforme. Como bem dizia o nosso ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a Polícia Federal não persegue os inimigos nem protege os amigos. Aqui no Acre não tem sido diferente. Tivemos uma atuação que teve como investigados membros da oposição e da situação. Ninguém pode alegar que esteja havendo perseguição em prol de oposição ou de situação. Nossa ação tem sido uniforme para qualquer tipo de candidato contra o qual pesasse qualquer tipo de informação de que estivesse cometendo delito eleitoral. Nós encaramos com muita naturalidade as críticas por parte dessas pessoas. Nós vamos continuar o nosso trabalho, sempre pautado na lei, que é a quem nós temos que prestar contas sempre. Agir de forma republicana é uma característica da Polícia Federal no País.
Quando a Polícia Federal concluirá essas investigações?
Os prazos dos inquéritos policiais são prorrogáveis. Independente do prazo legal, todas as investigações exigem um prazo específico por causa de análises e perícias dos materiais apreendidos. Isso demanda tempo e enquanto não acontecer esse tipo de trabalho, não poderemos concluir os procedimentos que já estão instaurados. Isso deve acontecer após as oitivas e perícias. A partir disso, o procedimento será concluído e encaminhado à Justiça Eleitoral para que seja dado andamento ao processo.
As investigações contra supostos crimes eleitorais no Acre estão sob segredo de justiça, mas o País sabe que envolvem políticos como Antonia Lúcia, Jorge Viana, Tião Viana e outros. Existe algum político no Estado que o senhor possa asseverar que não está sendo investigado pela Polícia Federal?
Eu posso antecipar que não existe nenhum procedimento instaurado até agora que vise investigar a conduta da senadora Marina Silva. Não existe nenhuma investigação em curso contra Marina Silva. Isso eu posso afirmar.
A experiência acumulada neste pleito gera experiência para que tenhamos no futuro um combate mais duro aos crimes eleitorais no Estado?
Sim, sem dúvida. No próximo pleito, com certeza nossos policiais estarão muito mais treinados e ambientados com essas ações. Vamos esconder a modéstia para afirmar que todas as ações foram feitas de forma muito profissional. Logicamente, existem ainda falhas a ser corrigidas e isso acontecerá no decorrer de cada pleito eleitoral. Cada vez teremos que ter muito mais profissionalismo do que já foi demonstrado até aqui. Mas não posso deixar de afirmar que fizemos tudo de uma forma impecável, sem exposição de quem quer que seja. Não houve, por parte da Polícia Federal, a exposição de nomes de pessoas e empresas. Nós sempre tivemos esse cuidado. Todas as ações se deram de forma impessoal.
Qual será o próximo passo?
Vou antecipar a você uma notícia que ainda estamos comemorando e que eu pretendia anunciar mais adiante. Conseguimos concluir a licitação para construção da nova sede da Polícia Federal no Acre. Era um sonho acalentado por todos. Teremos um prédio moderníssimo, de 10 mil metros quadrados, com cinco pavimentos, heliponto, stand de tiro, garagem subterrânea e auditório com sistema de acústica. O Acre vai receber uma sede com o que há de mais moderno em termos de engenharia, arquitetura e tecnologia. Ainda nesta semana vamos assinar o contrato de construção da sede. Será uma obra de R$ 31 milhões. O Acre merece isso, pois o Estado está se projetando com a Zona de Processamento de Exportação e com a conclusão da rodovia Interoceânica. A Polícia Federal não pode estar dissociada desse crescimento. Dentro de três anos, nesta tríplice fronteira, teremos uma das sedes da Polícia Federal mais modernas do Brasil. A Superintendendência da Polícia Federal do Acre, que já é considerada uma das mais operacionais do País, vai melhorar ainda mais seu desempenho com essa estrutura e com a vinda de mais policiais. No ano passado, na relação de inquéritos instaurados e relatados, nós do Acre estávamos em penúltimo lugar. Saltamos para o segundo lugar neste ano em termos de rendimento. Demos um salto de qualidade.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
DESCULPA AÍ, BINHO
POR ANTONIO ALVES
Sempre fui procurado por repórteres dos jornais locais ou nacionais, que me pedem análises e informações sobre diversos assuntos do Acre. Atendo a todos; penso que não se deve fechar a porta para a imprensa, mesmo uma imprensa de péssima qualidade. Quase sempre me dou mal. Os artigos já estão prontos antes de serem escritos e as declarações dos entrevistados servem apenas para que os editores coloquem aspas em suas próprias opiniões pré-formadas.
Desde que a Frente Popular do Acre passou por dificuldades nas eleições recentes, tenho evitado publicar qualquer análise política. Faço críticas e brincadeiras com os amigos, cheguei até a dizer duas ou três palavras mais duras a alguns, mas não aderi a essa “malhação” comemorativa incentivada por uma oposição maldosa à qual jamais pertenci.
Minhas discordâncias sempre foram abertas e claras, em todos esses anos. Nunca me calei e sei que provoquei muitas contrariedades a alguns companheiros que não sabem aceitar críticas. Mas agora, depois da pancada que levaram, preferi não ficar cutucando feridas.
Esta semana, entretanto, escorreguei. Abri inadvertidamente minha boca para responder às perguntas de jornais do Sul [leia], que não conhecem nem querem entender as coisas da província e publicam, na maioria das vezes, matérias “de encomenda” para favorecer esse ou aquele grupo político.
Obviamente, não vou ficar explicando que não foram exatamente aquelas as minhas palavras, que as frases de num assunto foram usadas em outro, que não sabia que era uma entrevista e achava que era uma conversa ou qualquer outra justificativa. O fato é que eu já estou cansado de saber que, para jornalistas, não devo contar nem mesmo piada.
Estou particularmente chateado com isso. Não porque as críticas que faço ao PT e à Frente Popular possam ser confundidas com as da oposição, pois qualquer pessoa com inteligência mediana percebe as diferenças. Mas justamente porque podem ser confundidas com as fofocas oportunistas que surgem dentro da própria Frente Popular. Há “companheiros” –e todo mundo sabe disso- que estão muito interessados em esquivar-se de suas responsabilidades ou talvez estejam querendo puxar o saco dos eleitos e, por isso, jogam a culpa do revés eleitoral no governo e no governador Binho Marques. Não quero, nem de longe, ser confundido com essa turma.
Não estive no Acre durante a campanha, não vi os programas da propaganda eleitoral. Ouvi falar que a campanha da Frente Popular não mostrou as realizações do governo atual e não o defendeu das críticas da oposição. Era como se Tião Viana fosse um candidato avulso, que ganharia a eleição por seus próprios méritos, não como um candidato da “continuidade”.
Não sei se essa avaliação é certa. Mas conheço gente que trabalha no governo e que suspirava para que ele terminasse logo, para que Tião assumisse ou Jorge voltasse. Talvez alguém tenha passado a suspirar pela oposição. Não é pouca gente que resmunga críticas, mas não as expressa em público.
Que o governo tem falhas é óbvio. Para mim, tudo deriva de um erro geral, estratégico: Binho deixou a política para os políticos, não quis ou não pode promover rupturas com as orientações dos caciques. Fez um governo bem comportado com uma missão impossível: manter critérios técnicos e diminuir a interferência política. Mas não se pode dar eficiência e impessoalidade ao serviço público sem mexer nos privilégios das oligarquias. Resultado: a parte do “para todos” até andou bem, mas o “com todos” ficou lá atrás -pois os processos de participação política continuaram na mão dos mesmos atravessadores, que se fazem passar por lideranças.
Apesar de tudo, Binho fez um excelente governo. Com uma quantidade inacreditável de obras e serviços, chegou aos municípios mais distantes da capital. Como se diz nos corredores: fez mais casas que o Flaviano, mais estrada que o Orleir e mais pontes que o Jorge. Todos os serviços públicos melhoraram e alguns, que quase não existiam, começaram a funcionar. O sistema de atendimento social foi ampliado e começou a se mexer, um conjunto desarticulado de projetos assistenciais ganhou institucionalidade, espaços adequados, orçamento e poder.
A Educação continua ruim, mas não é mais uma das piores do Brasil. A Saúde continua precária, mas não é mais o caos. A Segurança é péssima, mas isso é uma coisa que piora continuamente em todo o Brasil e aqui piorou menos. É uma avaliação ruim? Paciência, não tenho nenhum talento para mentiras marqueteiras do tipo “revolução na educação”. Reconheço que melhorou um pouco e o povo inteiro também reconhece, isso é sincero e verdadeiro e deve bastar.
Mas não quero fazer avaliação de governo, nem tenho pra isso informações além daquelas a que o público em geral tem acesso. Quero apenas ressaltar o fato de que o governo não deveria ter sido abandonado pelas lideranças políticas que dele se beneficiaram. Não merecia ficar agüentando indiferença e até antipatia de “formadores de opinião”, inclusive jornalistas, sustentados pelo próprio governo e colocados a serviço dos caciques políticos da própria Frente Popular.
O governador, pessoalmente, tampouco merece ser cercado por esse clima de fim-de-feira, com todo mundo correndo para agradar ao novo rei e anunciar a “humanização” que ele promoverá. Binho Marques sempre foi discreto e leal, nunca disputou poder nem prestígio, não reivindicou autoria pessoal das realizações do seu governo e sempre manteve relações cordiais com todos –até com a oposição. Não há nenhuma dúvida sobre sua honestidade, nem suspeitas de que tenha permitido atos ilícitos de seus auxiliares. Permanece uma pessoa simples e andará nas ruas como um cidadão acreano de dignidade intacta.
Por isso fico deveras chateado, envergonhado mesmo, com a simples idéia de que minhas críticas à política desastrosa do PT e seus aliados –partidos e “lideranças” políticas e empresariais- possam ser confundidas com essa oportunista culpabilização do governo pelos resultados da eleição. Só posso esclarecer precariamente, pois cada um entende como quer: quem me quer mal, só pode me interpretar mal. Mas posso lançar um alerta a todos os que se escondem no silêncio ou no palavreado hipócrita: senhores, vosso rabo está de fora; o povo está vendo e cada um terá o que bem merece.
Posso também, sem vergonha ou hesitação, pedir desculpas ao Binho e aos companheiros sinceros que estejam no governo por amor ao trabalho e não ao poder. Lamento qualquer constrangimento que possa ter causado, não foi essa minha intenção. Só o que quis, e sempre fiz, foi exercer aquela velha liberdade que conquistamos nas assembléias, nos teatros, nas praças, onde depositamos os ideais de nossa juventude.
Tudo o que quero é permanecer, ao menos em espírito, um daqueles meninos que éramos. E que a política e o poder, se já nos levaram a ingenuidade, não nos levem jamais a inocência.
Não tenho mais companheiros. Não quero perder os amigos.
Sempre fui procurado por repórteres dos jornais locais ou nacionais, que me pedem análises e informações sobre diversos assuntos do Acre. Atendo a todos; penso que não se deve fechar a porta para a imprensa, mesmo uma imprensa de péssima qualidade. Quase sempre me dou mal. Os artigos já estão prontos antes de serem escritos e as declarações dos entrevistados servem apenas para que os editores coloquem aspas em suas próprias opiniões pré-formadas.
Desde que a Frente Popular do Acre passou por dificuldades nas eleições recentes, tenho evitado publicar qualquer análise política. Faço críticas e brincadeiras com os amigos, cheguei até a dizer duas ou três palavras mais duras a alguns, mas não aderi a essa “malhação” comemorativa incentivada por uma oposição maldosa à qual jamais pertenci.
Minhas discordâncias sempre foram abertas e claras, em todos esses anos. Nunca me calei e sei que provoquei muitas contrariedades a alguns companheiros que não sabem aceitar críticas. Mas agora, depois da pancada que levaram, preferi não ficar cutucando feridas.
Esta semana, entretanto, escorreguei. Abri inadvertidamente minha boca para responder às perguntas de jornais do Sul [leia], que não conhecem nem querem entender as coisas da província e publicam, na maioria das vezes, matérias “de encomenda” para favorecer esse ou aquele grupo político.
Obviamente, não vou ficar explicando que não foram exatamente aquelas as minhas palavras, que as frases de num assunto foram usadas em outro, que não sabia que era uma entrevista e achava que era uma conversa ou qualquer outra justificativa. O fato é que eu já estou cansado de saber que, para jornalistas, não devo contar nem mesmo piada.
Estou particularmente chateado com isso. Não porque as críticas que faço ao PT e à Frente Popular possam ser confundidas com as da oposição, pois qualquer pessoa com inteligência mediana percebe as diferenças. Mas justamente porque podem ser confundidas com as fofocas oportunistas que surgem dentro da própria Frente Popular. Há “companheiros” –e todo mundo sabe disso- que estão muito interessados em esquivar-se de suas responsabilidades ou talvez estejam querendo puxar o saco dos eleitos e, por isso, jogam a culpa do revés eleitoral no governo e no governador Binho Marques. Não quero, nem de longe, ser confundido com essa turma.
Não estive no Acre durante a campanha, não vi os programas da propaganda eleitoral. Ouvi falar que a campanha da Frente Popular não mostrou as realizações do governo atual e não o defendeu das críticas da oposição. Era como se Tião Viana fosse um candidato avulso, que ganharia a eleição por seus próprios méritos, não como um candidato da “continuidade”.
Não sei se essa avaliação é certa. Mas conheço gente que trabalha no governo e que suspirava para que ele terminasse logo, para que Tião assumisse ou Jorge voltasse. Talvez alguém tenha passado a suspirar pela oposição. Não é pouca gente que resmunga críticas, mas não as expressa em público.
Que o governo tem falhas é óbvio. Para mim, tudo deriva de um erro geral, estratégico: Binho deixou a política para os políticos, não quis ou não pode promover rupturas com as orientações dos caciques. Fez um governo bem comportado com uma missão impossível: manter critérios técnicos e diminuir a interferência política. Mas não se pode dar eficiência e impessoalidade ao serviço público sem mexer nos privilégios das oligarquias. Resultado: a parte do “para todos” até andou bem, mas o “com todos” ficou lá atrás -pois os processos de participação política continuaram na mão dos mesmos atravessadores, que se fazem passar por lideranças.
Apesar de tudo, Binho fez um excelente governo. Com uma quantidade inacreditável de obras e serviços, chegou aos municípios mais distantes da capital. Como se diz nos corredores: fez mais casas que o Flaviano, mais estrada que o Orleir e mais pontes que o Jorge. Todos os serviços públicos melhoraram e alguns, que quase não existiam, começaram a funcionar. O sistema de atendimento social foi ampliado e começou a se mexer, um conjunto desarticulado de projetos assistenciais ganhou institucionalidade, espaços adequados, orçamento e poder.
A Educação continua ruim, mas não é mais uma das piores do Brasil. A Saúde continua precária, mas não é mais o caos. A Segurança é péssima, mas isso é uma coisa que piora continuamente em todo o Brasil e aqui piorou menos. É uma avaliação ruim? Paciência, não tenho nenhum talento para mentiras marqueteiras do tipo “revolução na educação”. Reconheço que melhorou um pouco e o povo inteiro também reconhece, isso é sincero e verdadeiro e deve bastar.
Mas não quero fazer avaliação de governo, nem tenho pra isso informações além daquelas a que o público em geral tem acesso. Quero apenas ressaltar o fato de que o governo não deveria ter sido abandonado pelas lideranças políticas que dele se beneficiaram. Não merecia ficar agüentando indiferença e até antipatia de “formadores de opinião”, inclusive jornalistas, sustentados pelo próprio governo e colocados a serviço dos caciques políticos da própria Frente Popular.
O governador, pessoalmente, tampouco merece ser cercado por esse clima de fim-de-feira, com todo mundo correndo para agradar ao novo rei e anunciar a “humanização” que ele promoverá. Binho Marques sempre foi discreto e leal, nunca disputou poder nem prestígio, não reivindicou autoria pessoal das realizações do seu governo e sempre manteve relações cordiais com todos –até com a oposição. Não há nenhuma dúvida sobre sua honestidade, nem suspeitas de que tenha permitido atos ilícitos de seus auxiliares. Permanece uma pessoa simples e andará nas ruas como um cidadão acreano de dignidade intacta.
Por isso fico deveras chateado, envergonhado mesmo, com a simples idéia de que minhas críticas à política desastrosa do PT e seus aliados –partidos e “lideranças” políticas e empresariais- possam ser confundidas com essa oportunista culpabilização do governo pelos resultados da eleição. Só posso esclarecer precariamente, pois cada um entende como quer: quem me quer mal, só pode me interpretar mal. Mas posso lançar um alerta a todos os que se escondem no silêncio ou no palavreado hipócrita: senhores, vosso rabo está de fora; o povo está vendo e cada um terá o que bem merece.
Posso também, sem vergonha ou hesitação, pedir desculpas ao Binho e aos companheiros sinceros que estejam no governo por amor ao trabalho e não ao poder. Lamento qualquer constrangimento que possa ter causado, não foi essa minha intenção. Só o que quis, e sempre fiz, foi exercer aquela velha liberdade que conquistamos nas assembléias, nos teatros, nas praças, onde depositamos os ideais de nossa juventude.
Tudo o que quero é permanecer, ao menos em espírito, um daqueles meninos que éramos. E que a política e o poder, se já nos levaram a ingenuidade, não nos levem jamais a inocência.
Não tenho mais companheiros. Não quero perder os amigos.
Antonio Alves é jornalista e assessor do governador Binho Marques
sábado, 6 de novembro de 2010
HOSPITAL VIRA INFERNO EM NOME DE JESUS
E assim acordei após anestesia geral na Fundação Hospital do Acre. Evangélicos aproveitam o horário de visita para suas pregações barulhentas. Fazia quase 40 graus na sala.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
POLÍCIA FEDERAL FAZ OPERAÇÃO TERRA CAÍDA
Caixa dois, compra de votos e abuso de poder econômico no Acre
A Polícia Federal (PF) no Acre deflagrou na manhã desta quinta-feira (4) a "Operação Terra Caída" e cumpriu mandados de busca e apreensão em seis endereços em Rio Branco (AC) e três no Estado de São Paulo.
O escritório do empreiteiro Sérgio Nakamura, ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagens do Acre (Deracre), foi um dos locais onde a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em Rio Branco.
Nakamura dirigiu o Deracre durante os dois mandatos do ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT), senador eleito que está sendo investigado pela PF por suposta compra de votos.
Nakamura é um dos três assessores do ex-governador e quatro empreiteiros denunciados no ano passado pelo Ministério Público Federal à Justiça Federal por desvio de R$ 22,8 milhões destinados às obras de pavimentação e restauração de trechos da rodovia BR-364, que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, na região do extremo-oeste do país.
A PF informou que a operação tem por objetivo investigar o financiamento irregular de campanha eleitoral disputada no Estado do Acre.
De acordo com a própria PF, empresas privadas, contratantes com o poder público, estariam doando recursos não declarados à Justiça Eleitoral.
"O dinheiro estaria sendo empregado a princípio na compra de votos e conseqüente abuso de poder econômico", informa a PF.
Os materiais recolhidos durante as buscas serão alvo de análise para posterior instrução do inquérito policial que corre em segredo de justiça.
Na execução dos trabalhos nenhuma pessoa foi presa, por não haver representação por prisão cautelar dos investigados. Segundo a PF, após concluído, o inquérito será remetido à Justiça Eleitoral no Acre para continuidade da persecução penal.
Nome da operação
A operação faz menção ao romance Terra Caída, do cearense José Potyguara, um dos livros que inspiraram a minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes, da novelista acreana Glória Perez. Potyguara descreve a saga dos seringueiros que protagonizaram o ciclo da borracha.
Em Terra Caída, a condição desigual das personagens encontra um destino comum na destruição: todos serão vítimas da floresta impiedosa (com seus animais ferozes e dilúvios devastadores) e da perversidade que emaranha pais e filhos em disputas sexuais, transforma mulheres em mercadoria e envolve compadres e camaradas em rivalidades homicidas.
O escritório do empreiteiro Sérgio Nakamura, ex-diretor do Departamento de Estradas de Rodagens do Acre (Deracre), foi um dos locais onde a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em Rio Branco.
Nakamura dirigiu o Deracre durante os dois mandatos do ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT), senador eleito que está sendo investigado pela PF por suposta compra de votos.
Nakamura é um dos três assessores do ex-governador e quatro empreiteiros denunciados no ano passado pelo Ministério Público Federal à Justiça Federal por desvio de R$ 22,8 milhões destinados às obras de pavimentação e restauração de trechos da rodovia BR-364, que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, na região do extremo-oeste do país.
A PF informou que a operação tem por objetivo investigar o financiamento irregular de campanha eleitoral disputada no Estado do Acre.
De acordo com a própria PF, empresas privadas, contratantes com o poder público, estariam doando recursos não declarados à Justiça Eleitoral.
"O dinheiro estaria sendo empregado a princípio na compra de votos e conseqüente abuso de poder econômico", informa a PF.
Os materiais recolhidos durante as buscas serão alvo de análise para posterior instrução do inquérito policial que corre em segredo de justiça.
Na execução dos trabalhos nenhuma pessoa foi presa, por não haver representação por prisão cautelar dos investigados. Segundo a PF, após concluído, o inquérito será remetido à Justiça Eleitoral no Acre para continuidade da persecução penal.
Nome da operação
A operação faz menção ao romance Terra Caída, do cearense José Potyguara, um dos livros que inspiraram a minissérie Amazônia: de Galvez a Chico Mendes, da novelista acreana Glória Perez. Potyguara descreve a saga dos seringueiros que protagonizaram o ciclo da borracha.
Em Terra Caída, a condição desigual das personagens encontra um destino comum na destruição: todos serão vítimas da floresta impiedosa (com seus animais ferozes e dilúvios devastadores) e da perversidade que emaranha pais e filhos em disputas sexuais, transforma mulheres em mercadoria e envolve compadres e camaradas em rivalidades homicidas.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
OBAMA FAZ MEA CULPA SOBRE ELEIÇÃO
Horas depois de os republicanos conquistarem a maioria na Câmara de Representantes dos EUA, o presidente Barack Obama admitiu sua parcela de responsabilidade na derrota e disse que "precisa fazer um trabalho melhor" para os americanos.
O chefe da Casa Branca disse acreditar que o resultado das urnas mostra que os americanos estão frustrados com a recuperação econômica dos EUA.
- Algumas noites de eleição são mais divertidas que outras... Algumas são excitantes, outras nos deixam modestos. O voto de ontem confirmou o que eu tinha ouvido em minhas viagens pelos EUA. As pessoas estão frustradas (....) Como presidente, eu assumo a responsabilidade por isso - afirmou.
Em tom humilde e visivelmente abatido, o presidente declarou:
- Eu tenho que fazer um trabalho melhor, assim como todos em Washington.
"Acre foi injusto"
No Acre, o senador Tião Viana (PT), governador eleito, não faz mea culpa e acusa o povo acreano de ter sido injusto com o presidente Lula. O eleitorado do Estado, governado há 12 anos pelo PT, preferiu o tucano José Serra (69%) a petista Dilma Rousseff (30%). Clique aqui para ler mais.
"Acre foi injusto"
No Acre, o senador Tião Viana (PT), governador eleito, não faz mea culpa e acusa o povo acreano de ter sido injusto com o presidente Lula. O eleitorado do Estado, governado há 12 anos pelo PT, preferiu o tucano José Serra (69%) a petista Dilma Rousseff (30%). Clique aqui para ler mais.
COMEÇA A RENOVAÇÃO NO ACRE
O senador Tião Viana (PT), governador eleito do Acre, anunciou nesta quarta-feira (3), em Rio Branco (AC), que a equipe de transição será coordenada pelo professor José Fernandes do Rego e afirmou que haverá uma "renovação expressiva" na estrutura do governo estadual.
Agrônomo, Rego coordena desde 1998 as equipes de transição e a elaboração dos planos de governo da Frente Popular, a coligação de 15 partidos que governa o Acre há 12 anos.
Nascido em Pau dos Ferros (RN), Rego foi nomeado pelo general Ernesto Geisel, em 1978, como vice do governador do Acre Joaquim Falcão Macedo. Ambos pertenciam à extinta Aliança Renovadora Nacional (Arena). Macedo era tio dos irmãos Jorge e Tião Viana.
Rego é apresentado nos sites oficiais com um dos pensadores da proposta de administração participativa na prefeitura de Rio Branco, também administrada pelo PT, e como alguém que ajudou a construir o projeto da Frente Popular do Acre, como secretário de produção e assessor econômico do Governo da Floresta.
Agrônomo, Rego coordena desde 1998 as equipes de transição e a elaboração dos planos de governo da Frente Popular, a coligação de 15 partidos que governa o Acre há 12 anos.
Nascido em Pau dos Ferros (RN), Rego foi nomeado pelo general Ernesto Geisel, em 1978, como vice do governador do Acre Joaquim Falcão Macedo. Ambos pertenciam à extinta Aliança Renovadora Nacional (Arena). Macedo era tio dos irmãos Jorge e Tião Viana.
Rego é apresentado nos sites oficiais com um dos pensadores da proposta de administração participativa na prefeitura de Rio Branco, também administrada pelo PT, e como alguém que ajudou a construir o projeto da Frente Popular do Acre, como secretário de produção e assessor econômico do Governo da Floresta.
QUEM SABE FAZ A HORA
POR MOISÉS DINIZ
A divulgação dos números sobre o referendo jogou um balde de “me desculpe” no ímpeto de alguns políticos acreanos que tentavam “partidarizar” a disputa entre os dois fusos. Os números de cada município indicam causas mais “naturais”.
O cúmulo da “esperteza política” atingiu o ápice quando se tentou vincular a disputa para governador ao debate sobre fusos. Quando Tião Viana (PT) perdeu a eleição em Rio Branco, não faltou “cientista político” para explicar a derrota à luz da disputa entre fusos.
Agora sai o resultado do referendo e os números demonstram que o povo votou sob outra lógica, apegado a outras razões.
Em Acrelândia, aonde Tião Bocalom teve uma vitória estrondosa, o povo votou a favor da manutenção do fuso atual. Que vexame! Em Rio Branco, aonde Tião Viana perdeu a disputa, o fuso empatou.
Em todos os municípios do interior, à exceção de Acrelândia, o resultado é praticamente o mesmo: o povo quis a volta do velho fuso. Independente do voto dado a Tião Viana ou a Tião Bocalom.
Nos municípios do Juruá, aonde Tião Viana venceu, o povo pediu a volta do velho fuso. Cruzeiro do Sul tem uma diferença de 28 minutos a mais em relação a Rio Branco, por isso que lá o início das aulas foi empurrado pra frente em uma hora, no lugar dos 30 minutos do resto do Estado.
No vale do Tarauacá, por exemplo, Tião Viana disparou para governador, mas o velho fuso ganhou na mesma proporção. Lá, Bocalom teve 35% dos votos e o NÃO que ele pregava teve 69%. O povo de lá gostou mais do velho fuso do que dele.
Em Jordão, Bocalom teve 35% dos votos e o velho fuso, que ele defendia, obteve 64%. Em Feijó, Bocalom teve 27% dos votos e o velho fuso obteve 63%. Em contrapartida, Tião Viana teve praticamente os mesmos votos dados ao velho fuso.
Como dizia um índio lá no Jordão: “ Bocalona, até tua voz é chata. Nós queremos o velho fuso, mas não queremos tu”.
Naquela região, os números do velho fuso são iguais aos números de Tião Viana para governador: acima de 60%. Os números do fuso não levaram em conta os votos para governador e presidente, a filiação do prefeito local ou os discursos dos políticos.
Ainda houve quem vinculasse os votos dados ao deputado Flaviano Melo (PMDB) ao projeto do referendo apresentado por ele. Os números mostram Flaviano Melo tendo uma votação estrondosa em Rio Branco, aonde o fuso empatou, fraca nos municípios aonde o velho fuso venceu disparado e forte nos municípios aonde o PMDB governa.
O povo votou olhando para os ponteiros do seu próprio relógio. Há ainda uma clara evidência de que, quanto mais urbanizado o município, mais votos pelo novo fuso.
Entre Rio Branco que empatou e municípios que unificaram altos percentuais pela volta do velho fuso há, ainda, um conjunto de municípios, mais urbanizados, que tiveram uma diferença menor entre os dois fusos, como Cruzeiro do Sul, Quinari e Plácido de Castro.
Santa Rosa, como peculiaridade, teve diferença pequena entre os dois fusos. É que a sua população indígena, majoritária, não está muito interessada em ponteiro de relógio, com os seus bancos, transações comerciais e grades televisivas. Ela olha o nascer e o pôr do sol.
Mas aqui, como em outras urnas indígenas de outros municípios, os povos indígenas votaram em solidariedade ao homem das cidades, com as suas necessidades vinculadas a um fuso mais próximo de suas atividades laborais e financeiras.
Eu ouvi o Biraci Yawanawa dizer: “qualquer um desses fusos não interessa a nós aqui nas aldeias. Mas, se o novo fuso ajuda a vida do homem branco, nós vamos votar pelo 55”.
O que se destaca nesse referendo é a nulidade dos políticos em questões que não lhe dizem respeito. O povo votou do jeito que quis, fez a sua própria propaganda e disse que o fuso não é do governo e nem da oposição.
Outro fato a se destacar: foi a primeira luta aberta entre intelectuais e empresários. Os primeiros foram mais eficientes e, além do mais, vinham de uma militância de dois anos contra o novo fuso.
Registro a participação do jornalista Altino Machado, do geógrafo Evandro Ferreira e do escritor Antônio Alves. Eles foram capazes de impor uma pauta sem a ajuda da grande mídia local. Deram uma boa lição.
De parte dos políticos da Frente Popular, houve uma forte acomodação, medo e falta de solidariedade à Tião Viana, autor do projeto que mudou o fuso. Eu não ouvi uma palavra de apoio das dezenas de líderes da FPA.
Parte da oposição, com muita desqualificação, pegou carona no movimento de intelectuais e jornalistas. Virou papagaio de pirata num movimento que defendia tudo que esses políticos abominam.
Imagine que na terra de Bocalom, urbanizada, com mais 70% de suas florestas devastadas e constituída de “imigrantes da madeira”, o novo fuso teve vitória estrondosa. Logo Acrelândia, para ser o símbolo de que os políticos de oposição não interferiram em nada nos resultados do referendo.
Essa eleição de 2010, incluindo o fuso horário, me lembra a disputa de Feijó, quando os grandes líderes da oposição achavam que tinham elegido Dindim a prefeito. Veio 2010 e os números desmontaram a tese.
O referendo sobre o fuso horário serviu ainda para desmascarar um discurso de dois anos: “que Tião Viana desrespeitou a vontade popular e seria penalizado por causa disso”. O povo votou diferente.
“Então Jesus disse: Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. E o povo falou: “nós queremos o nosso velho fuso de volta e queremos o Tião Viana governador”.
Agora é seguir os ponteiros do relógio!
O cúmulo da “esperteza política” atingiu o ápice quando se tentou vincular a disputa para governador ao debate sobre fusos. Quando Tião Viana (PT) perdeu a eleição em Rio Branco, não faltou “cientista político” para explicar a derrota à luz da disputa entre fusos.
Agora sai o resultado do referendo e os números demonstram que o povo votou sob outra lógica, apegado a outras razões.
Em Acrelândia, aonde Tião Bocalom teve uma vitória estrondosa, o povo votou a favor da manutenção do fuso atual. Que vexame! Em Rio Branco, aonde Tião Viana perdeu a disputa, o fuso empatou.
Em todos os municípios do interior, à exceção de Acrelândia, o resultado é praticamente o mesmo: o povo quis a volta do velho fuso. Independente do voto dado a Tião Viana ou a Tião Bocalom.
Nos municípios do Juruá, aonde Tião Viana venceu, o povo pediu a volta do velho fuso. Cruzeiro do Sul tem uma diferença de 28 minutos a mais em relação a Rio Branco, por isso que lá o início das aulas foi empurrado pra frente em uma hora, no lugar dos 30 minutos do resto do Estado.
No vale do Tarauacá, por exemplo, Tião Viana disparou para governador, mas o velho fuso ganhou na mesma proporção. Lá, Bocalom teve 35% dos votos e o NÃO que ele pregava teve 69%. O povo de lá gostou mais do velho fuso do que dele.
Em Jordão, Bocalom teve 35% dos votos e o velho fuso, que ele defendia, obteve 64%. Em Feijó, Bocalom teve 27% dos votos e o velho fuso obteve 63%. Em contrapartida, Tião Viana teve praticamente os mesmos votos dados ao velho fuso.
Como dizia um índio lá no Jordão: “ Bocalona, até tua voz é chata. Nós queremos o velho fuso, mas não queremos tu”.
Naquela região, os números do velho fuso são iguais aos números de Tião Viana para governador: acima de 60%. Os números do fuso não levaram em conta os votos para governador e presidente, a filiação do prefeito local ou os discursos dos políticos.
Ainda houve quem vinculasse os votos dados ao deputado Flaviano Melo (PMDB) ao projeto do referendo apresentado por ele. Os números mostram Flaviano Melo tendo uma votação estrondosa em Rio Branco, aonde o fuso empatou, fraca nos municípios aonde o velho fuso venceu disparado e forte nos municípios aonde o PMDB governa.
O povo votou olhando para os ponteiros do seu próprio relógio. Há ainda uma clara evidência de que, quanto mais urbanizado o município, mais votos pelo novo fuso.
Entre Rio Branco que empatou e municípios que unificaram altos percentuais pela volta do velho fuso há, ainda, um conjunto de municípios, mais urbanizados, que tiveram uma diferença menor entre os dois fusos, como Cruzeiro do Sul, Quinari e Plácido de Castro.
Santa Rosa, como peculiaridade, teve diferença pequena entre os dois fusos. É que a sua população indígena, majoritária, não está muito interessada em ponteiro de relógio, com os seus bancos, transações comerciais e grades televisivas. Ela olha o nascer e o pôr do sol.
Mas aqui, como em outras urnas indígenas de outros municípios, os povos indígenas votaram em solidariedade ao homem das cidades, com as suas necessidades vinculadas a um fuso mais próximo de suas atividades laborais e financeiras.
Eu ouvi o Biraci Yawanawa dizer: “qualquer um desses fusos não interessa a nós aqui nas aldeias. Mas, se o novo fuso ajuda a vida do homem branco, nós vamos votar pelo 55”.
O que se destaca nesse referendo é a nulidade dos políticos em questões que não lhe dizem respeito. O povo votou do jeito que quis, fez a sua própria propaganda e disse que o fuso não é do governo e nem da oposição.
Outro fato a se destacar: foi a primeira luta aberta entre intelectuais e empresários. Os primeiros foram mais eficientes e, além do mais, vinham de uma militância de dois anos contra o novo fuso.
Registro a participação do jornalista Altino Machado, do geógrafo Evandro Ferreira e do escritor Antônio Alves. Eles foram capazes de impor uma pauta sem a ajuda da grande mídia local. Deram uma boa lição.
De parte dos políticos da Frente Popular, houve uma forte acomodação, medo e falta de solidariedade à Tião Viana, autor do projeto que mudou o fuso. Eu não ouvi uma palavra de apoio das dezenas de líderes da FPA.
Parte da oposição, com muita desqualificação, pegou carona no movimento de intelectuais e jornalistas. Virou papagaio de pirata num movimento que defendia tudo que esses políticos abominam.
Imagine que na terra de Bocalom, urbanizada, com mais 70% de suas florestas devastadas e constituída de “imigrantes da madeira”, o novo fuso teve vitória estrondosa. Logo Acrelândia, para ser o símbolo de que os políticos de oposição não interferiram em nada nos resultados do referendo.
Essa eleição de 2010, incluindo o fuso horário, me lembra a disputa de Feijó, quando os grandes líderes da oposição achavam que tinham elegido Dindim a prefeito. Veio 2010 e os números desmontaram a tese.
O referendo sobre o fuso horário serviu ainda para desmascarar um discurso de dois anos: “que Tião Viana desrespeitou a vontade popular e seria penalizado por causa disso”. O povo votou diferente.
“Então Jesus disse: Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. E o povo falou: “nós queremos o nosso velho fuso de volta e queremos o Tião Viana governador”.
Agora é seguir os ponteiros do relógio!
Moisés Diniz é deputado estadual PCdoB - Acre
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
A LIÇÃO QUE O PT NÃO APRENDE NO ACRE
Dos 11 estados onde José Serra (PSDB) venceu no segundo turno eleitoral, foi no Acre onde o tucano obteve a melhor votação - 69% contra 30% dos votos de Dilma Roussef (PT).
Serra venceu em 21 dos 22 municípios acreanos, incluindo Xapuri, considerado matriz do suposto ideário socioambiental do "governo da floresta". O tucano perdeu apenas em Feijó, que é uma das duas únicas cidades administradas pelo PSDB no Estado.
No primeiro turno, o senador Tião Viana (PT) viveu o sufoco de ser eleito governador com 50% do votos, contra 49% dos votos de Tião Bocalom (PSDB). Além disso, a cadeira da senadora Marina Silva (PV-AC) já está perdida e será ocupada pelo senador eleito Sérgio Petecão (PMN).
O Acre, que tem apenas 470.545 eleitores, é governado há 12 anos pela Frente Popular do Acre, uma coligação de 15 partidos liderada pelo PT.
- Precisamos entender o que levou o eleitorado do Acre a ter essa postura de hostilidade ao Lula e a Dilma – disse o secretário de Comunicação do governo do Acre Aníbal Diniz, suplente do senador Tião Viana.
A "hostilidade do eleitorado do Acre" não é contra o presidente Luís Inácio Lula da Silva nem contra a presidente eleita Dilma Roussef. A resposta do eleitorado acreano está sendo dada contra a maneira como o Acre vem sendo governado.
O diagnóstico tem sido dado e é constatado por quem vai para as ruas e anota num caderninho o que ouve: "o governo é perseguidor", "o governo cerceia a imprensa", "mente demais na propaganda", "o pessoal do governo é muito arrogante", "só tem vez no governo uma panelinha", "que manda mesmo é gente de fora", "acreano não tem vez".
Alguém pode até refutar com a alegação de que nada disso é verdade e que se trata de eco do discurso vazio da oposição. Não é. Quando a situação está realmente boa, não existe espaço para alguém dizer que está ruim. A prova disso é que começa a surgir perdedores porque a situação está realmente ruim e insistem em dizer que está boa.
O caso da mudança da hora legal do Acre serve para ilustrar isso. Para atender aos interesses das emissoras de TV, especialmente da Globo, o senador Tião Viana, sem consultar a população, apressou a aprovação de uma lei, sancionada pelo presidente Lula, reduzindo de duas para uma hora a diferença do fuso horário do Acre em relação à Brasília.
Se a população foi consultada, conforme afirmou Tião Viana nos últimos dois anos, por que o povo aproveitou o referendo neste domingo (31) para decretar o fim da mudança da hora legal do Acre?
A arrogância no Acre permanece apesar do resultado das urnas. Políticos e militantes da Frente Popular estão se valendo de seus meios de comunicação para debochar da decisão popular de apoio a José Serra e contra a mudança do fuso horário.
O sistema operacional Windows, da Microsoft, possui uma "máquina do tempo", mais conhecida como restauração do sistema. Quando alguma coisa horrível, como o vírus 55, por exemplo, abala o seu computador, é fácil voltar ao dia anterior. Ou ao dia antes dele. Ou ainda voltar à semana ou ao mês anterior. É um recurso pouco usado que pode salvar sua pele um dia.
Para que se possa restaurar o sistema é necessário que o recurso tenha sido habilitado pelo usuário, que pode criar os próprios pontos de restauração. Como nada é perfeito, saiba que o recurso é um devorador de espaço para quem quer estabelecer um calendário de restauração do sistema.
Resta saber se o painel de controles da Frente Popular do Acre habilitou ou não a restauração do sistema. Se habilitou, muito bem. Poderá tentar restaurar-se para um ponto sem perseguição, censura, propaganda enganosa, arrogância, panelinha, onde o povo acreano tenha realmente vez.
Mas a melhor avaliação continua sendo a de Marina Silva em entrevista ao portal Terra:
- Tem uma mensagem dada pelo povo acreano a nós da Frente Popular. Temos que ter humildade e sabedoria para fazer essa leitura. Sem humildade e sabedoria, vamos tentar arranjar algum meio para explicar ou consolar a forma enfática como a sociedade sinalizou, que não está tudo bem. Se a gente tentar se explicar ou se consolar dessa maneira, não vamos tirar a aprendizagem correta, ou seja, se não mudarmos o caminho, podemos mudar a maneira de caminhar. É preciso que a gente tenha uma abertura maior para a diversidade, para a crítica, para o processo, para dividir a autoria, a realização e o reconhecimento das coisas. Se a gente continuar pondo o talento de todos em apenas alguns, daqui a pouco cada um vai reivindicar o seu talento com justa razão ou vai colocar suas insígnias em outras lideranças que imaginam possam ser mais horizontais.
Serra venceu em 21 dos 22 municípios acreanos, incluindo Xapuri, considerado matriz do suposto ideário socioambiental do "governo da floresta". O tucano perdeu apenas em Feijó, que é uma das duas únicas cidades administradas pelo PSDB no Estado.
No primeiro turno, o senador Tião Viana (PT) viveu o sufoco de ser eleito governador com 50% do votos, contra 49% dos votos de Tião Bocalom (PSDB). Além disso, a cadeira da senadora Marina Silva (PV-AC) já está perdida e será ocupada pelo senador eleito Sérgio Petecão (PMN).
O Acre, que tem apenas 470.545 eleitores, é governado há 12 anos pela Frente Popular do Acre, uma coligação de 15 partidos liderada pelo PT.
- Precisamos entender o que levou o eleitorado do Acre a ter essa postura de hostilidade ao Lula e a Dilma – disse o secretário de Comunicação do governo do Acre Aníbal Diniz, suplente do senador Tião Viana.
A "hostilidade do eleitorado do Acre" não é contra o presidente Luís Inácio Lula da Silva nem contra a presidente eleita Dilma Roussef. A resposta do eleitorado acreano está sendo dada contra a maneira como o Acre vem sendo governado.
O diagnóstico tem sido dado e é constatado por quem vai para as ruas e anota num caderninho o que ouve: "o governo é perseguidor", "o governo cerceia a imprensa", "mente demais na propaganda", "o pessoal do governo é muito arrogante", "só tem vez no governo uma panelinha", "que manda mesmo é gente de fora", "acreano não tem vez".
Alguém pode até refutar com a alegação de que nada disso é verdade e que se trata de eco do discurso vazio da oposição. Não é. Quando a situação está realmente boa, não existe espaço para alguém dizer que está ruim. A prova disso é que começa a surgir perdedores porque a situação está realmente ruim e insistem em dizer que está boa.
O caso da mudança da hora legal do Acre serve para ilustrar isso. Para atender aos interesses das emissoras de TV, especialmente da Globo, o senador Tião Viana, sem consultar a população, apressou a aprovação de uma lei, sancionada pelo presidente Lula, reduzindo de duas para uma hora a diferença do fuso horário do Acre em relação à Brasília.
Se a população foi consultada, conforme afirmou Tião Viana nos últimos dois anos, por que o povo aproveitou o referendo neste domingo (31) para decretar o fim da mudança da hora legal do Acre?
A arrogância no Acre permanece apesar do resultado das urnas. Políticos e militantes da Frente Popular estão se valendo de seus meios de comunicação para debochar da decisão popular de apoio a José Serra e contra a mudança do fuso horário.
O sistema operacional Windows, da Microsoft, possui uma "máquina do tempo", mais conhecida como restauração do sistema. Quando alguma coisa horrível, como o vírus 55, por exemplo, abala o seu computador, é fácil voltar ao dia anterior. Ou ao dia antes dele. Ou ainda voltar à semana ou ao mês anterior. É um recurso pouco usado que pode salvar sua pele um dia.
Para que se possa restaurar o sistema é necessário que o recurso tenha sido habilitado pelo usuário, que pode criar os próprios pontos de restauração. Como nada é perfeito, saiba que o recurso é um devorador de espaço para quem quer estabelecer um calendário de restauração do sistema.
Resta saber se o painel de controles da Frente Popular do Acre habilitou ou não a restauração do sistema. Se habilitou, muito bem. Poderá tentar restaurar-se para um ponto sem perseguição, censura, propaganda enganosa, arrogância, panelinha, onde o povo acreano tenha realmente vez.
Mas a melhor avaliação continua sendo a de Marina Silva em entrevista ao portal Terra:
- Tem uma mensagem dada pelo povo acreano a nós da Frente Popular. Temos que ter humildade e sabedoria para fazer essa leitura. Sem humildade e sabedoria, vamos tentar arranjar algum meio para explicar ou consolar a forma enfática como a sociedade sinalizou, que não está tudo bem. Se a gente tentar se explicar ou se consolar dessa maneira, não vamos tirar a aprendizagem correta, ou seja, se não mudarmos o caminho, podemos mudar a maneira de caminhar. É preciso que a gente tenha uma abertura maior para a diversidade, para a crítica, para o processo, para dividir a autoria, a realização e o reconhecimento das coisas. Se a gente continuar pondo o talento de todos em apenas alguns, daqui a pouco cada um vai reivindicar o seu talento com justa razão ou vai colocar suas insígnias em outras lideranças que imaginam possam ser mais horizontais.
Tenho dito.
Destaque para o comentário do jornalista Luciano Martins Costa:
"Conheci o Acre no começo dos anos 80. Rio Branco não era propriamente uma cidade, a miséria era visível por todos os lados, meninas se ofereciam na porta do hotel, havia um caboclo que ficava sentado num banco de praça esperando encomendas. Matava segundo uma tabela que começava com "um salaro". Entrevistei alguns dos personagens mais asquerosos que tive o desprazer de conhecer em mais de trinta anos de carreira. Um deles era deputado federal eleito na base do voto comprado ou roubado, e se orgulhava disso. Era um dos lideres da UDR. Entre outras coisas, contou, orgulhoso, como fazia para enganar a fiscalização do Banco do Brasil e perpetuar os empréstimos da carteira agrícola. Voltei ao Acre algumas vezes e posso testemunhar a transformação que ocorreu. O Acre evoluiu um século em vinte anos. Visto com a lente do tempo e da distância, não há como não reconhecer o trabalho que foi feito pelo chamado "governo da floresta". Só mesmo muita incompetência política poderia fazer essa população esquecer quem foi que elaborou a política que a tirou do atraso e colocou o Acre no mapa do Brasil moderno. Ou os acreanos enlouqueceram?"
Destaque para o comentário do jornalista Luciano Martins Costa:
"Conheci o Acre no começo dos anos 80. Rio Branco não era propriamente uma cidade, a miséria era visível por todos os lados, meninas se ofereciam na porta do hotel, havia um caboclo que ficava sentado num banco de praça esperando encomendas. Matava segundo uma tabela que começava com "um salaro". Entrevistei alguns dos personagens mais asquerosos que tive o desprazer de conhecer em mais de trinta anos de carreira. Um deles era deputado federal eleito na base do voto comprado ou roubado, e se orgulhava disso. Era um dos lideres da UDR. Entre outras coisas, contou, orgulhoso, como fazia para enganar a fiscalização do Banco do Brasil e perpetuar os empréstimos da carteira agrícola. Voltei ao Acre algumas vezes e posso testemunhar a transformação que ocorreu. O Acre evoluiu um século em vinte anos. Visto com a lente do tempo e da distância, não há como não reconhecer o trabalho que foi feito pelo chamado "governo da floresta". Só mesmo muita incompetência política poderia fazer essa população esquecer quem foi que elaborou a política que a tirou do atraso e colocou o Acre no mapa do Brasil moderno. Ou os acreanos enlouqueceram?"
domingo, 31 de outubro de 2010
ELES FORAM ALERTADOS ANTES E DEPOIS
De ANTONIO ALVES, em abril de 2008, antes do presidente Lula sancionar uma lei de autoria do senador Tião Viana mudando a hora legal do Acre:
"Foi só escrever que o calor estava demais e pronto, bateu a friagem, democratizando a frescura e o clima de Brasília que agora impera em terras de Galvez. Bom pra mim, que precisava esfriar a cabeça. Ainda estou bastante contrariado com a decisão do Senado, de abolir o fuso horário acreano e anexar nosso estado ao horário pretendido pelos bancos, pela Globo, pelos políticos e seus seguidores que não orientam suas vidas pelo sol ou pela lua, mas pelas leis do mercado.
O prejuízo é inavaliável. Nenhum desses vitoriosos capitães do progresso consegue ter idéia do tamanho da cagada que fizeram porque não pensam em processos culturais e civilizatórios, mas em negócios. São aqueles que, como dizia Caetano Veloso nos idos de 70, “enxergam a década, mas não conseguem ver o minuto e o milênio”.
Pensei em armar-me de paciência e explicar, para estes senhores espertos e seus seguidores bobos, pela milésima oitava vez, os fundamentos de uma economia diferente do capitalismo ao qual eles se adaptam tão bem, uma cultura diferente da alienação urbanóide na qual estão mergulhados, uma utopia que pudesse salvá-los do vazio existencial ao qual o pragmatismo os condena.
Mas não adianta. Agora, são favas contadas. O presidente da República deles sancionará a lei “dentro de alguns dias”, como dizem em seus informes oficiais. Tenho, portanto, todas as horas do futuro para escrever minhas lamentações –pois não serão mais que isso.
Faço, por agora, apenas um aviso amigo. Ao desprezar a modesta opinião e a frágil resistência dos poucos que se manifestam contra essa desastrosa mudança, os vitoriosos defensores do novo confuso horário estão desligando a pouca sintonia que ainda mantinham com parcelas ao mesmo tempo elevadas e profundas da alma amazônica (que são minoritárias justamente por serem elevadas e profundas, pois a muito pouca gente é permitida maior distância no mergulho e no vôo).
Entendam como quiserem, ironizem à vontade. Sei o que estou dizendo.
E agora vou aproveitar um pouco a friagem, antes que acabe."
Leia mais nos blogs Edmilson Alves e Ambiente Acreano.
"Foi só escrever que o calor estava demais e pronto, bateu a friagem, democratizando a frescura e o clima de Brasília que agora impera em terras de Galvez. Bom pra mim, que precisava esfriar a cabeça. Ainda estou bastante contrariado com a decisão do Senado, de abolir o fuso horário acreano e anexar nosso estado ao horário pretendido pelos bancos, pela Globo, pelos políticos e seus seguidores que não orientam suas vidas pelo sol ou pela lua, mas pelas leis do mercado.
O prejuízo é inavaliável. Nenhum desses vitoriosos capitães do progresso consegue ter idéia do tamanho da cagada que fizeram porque não pensam em processos culturais e civilizatórios, mas em negócios. São aqueles que, como dizia Caetano Veloso nos idos de 70, “enxergam a década, mas não conseguem ver o minuto e o milênio”.
Pensei em armar-me de paciência e explicar, para estes senhores espertos e seus seguidores bobos, pela milésima oitava vez, os fundamentos de uma economia diferente do capitalismo ao qual eles se adaptam tão bem, uma cultura diferente da alienação urbanóide na qual estão mergulhados, uma utopia que pudesse salvá-los do vazio existencial ao qual o pragmatismo os condena.
Mas não adianta. Agora, são favas contadas. O presidente da República deles sancionará a lei “dentro de alguns dias”, como dizem em seus informes oficiais. Tenho, portanto, todas as horas do futuro para escrever minhas lamentações –pois não serão mais que isso.
Faço, por agora, apenas um aviso amigo. Ao desprezar a modesta opinião e a frágil resistência dos poucos que se manifestam contra essa desastrosa mudança, os vitoriosos defensores do novo confuso horário estão desligando a pouca sintonia que ainda mantinham com parcelas ao mesmo tempo elevadas e profundas da alma amazônica (que são minoritárias justamente por serem elevadas e profundas, pois a muito pouca gente é permitida maior distância no mergulho e no vôo).
Entendam como quiserem, ironizem à vontade. Sei o que estou dizendo.
E agora vou aproveitar um pouco a friagem, antes que acabe."
Leia mais nos blogs Edmilson Alves e Ambiente Acreano.
sábado, 30 de outubro de 2010
MARINA ELOGIA SERRA E DILMA
E critica o "eu sei", "eu faço", "eu posso" de ambos
A senadora Marina Silva (PV-AC), terceira colocada no primeiro turno da disputa presidencial, elogiou os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) durante entrevista coletiva em Rio Branco (AC), onde nasceu e votará no domingo (31). Segundo Marina, Serra e Dilma são pessoas com qualidades inquestionáveis, contribuiram para o País nos cargos que ocuparam na gestão pública e se doaram na luta em defesa da democracia brasileira durante a juventude.
"Mas ambos são muito parecidos, com um perfil gerencial e com atitudes muito centralizadas em si. 'Eu sei', 'eu faço', 'eu posso', 'eu tenho', 'eu vou', não é? Além disso, têm uma visão de desenvolvimento que eu discordo completamente", ponderou.
Leia mais no portal Terra.
"Mas ambos são muito parecidos, com um perfil gerencial e com atitudes muito centralizadas em si. 'Eu sei', 'eu faço', 'eu posso', 'eu tenho', 'eu vou', não é? Além disso, têm uma visão de desenvolvimento que eu discordo completamente", ponderou.
Leia mais no portal Terra.
LINGUARUDOS ISOLAM MILITANTE DO 55
Estávamos reunidos nesta manhã, na lanchonete Rio Branco, no mercado da cidade, para comemorar o aniversário do linguarudo Cléber Cara Rachada. Éramos mais de 20 pessoas e nos retiramos quando o assessor do governo do Acre, Dudé Lima, chegou para distribuir material de propaganda do 55 no referendo. Dudé não esconde simpatia pelo 77, mas confessa que anda preocupado com o cargo após a transição de governo.
Agora é sério: clique aqui para ler a reportagem de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação. Ela revelou, em 2007, as negociatas de políticos com emissoras de TV para mudar fuso horário do País.
Agora é sério: clique aqui para ler a reportagem de Cristina Charão, do Observatório do Direito à Comunicação. Ela revelou, em 2007, as negociatas de políticos com emissoras de TV para mudar fuso horário do País.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
MARINA DECLARA VOTO NO 77
Entrevistei a senadora Marina Silva (PV-AC) sobre política para o portal Terra nesta sexta-feira. Como está de volta ao Acre para votar no segundo turno, no final da entrevista indaguei sobre o voto dela no referendo que definirá no domingo (31) a hora legal do Estado. Eis a resposta:
"Compreendo os que querem a mudança do fuso horário por uma série de razões práticas. Não faço demonização disso, pois existem argumentos sérios. Mas sou pela volta do nosso horário antigo, de duas horas de diferença em relação ao horário de Brasília, por uma série de razões.
Na realidade do Acre, tem um momento em que a comunidade é afetada pela mudança da hora. Imaginem as crianças que moram longe, na zona rural ou nos seringais, que necessitam acordar no escuro, se deslocar em canoas para chegar nas escolas. Existem muitas situações em que de fato a vida das pessoas é prejudicada.
Na realidade do Acre, tem um momento em que a comunidade é afetada pela mudança da hora. Imaginem as crianças que moram longe, na zona rural ou nos seringais, que necessitam acordar no escuro, se deslocar em canoas para chegar nas escolas. Existem muitas situações em que de fato a vida das pessoas é prejudicada.
Mas existem aspectos de ordem cultural que considero simbolicamente muito importantes para o nosso Estado. A diferença de duas horas em relação ao horário oficial brasileiro tem realmente a ver com a posição que o Acre historicamente ocupa. Essa diferença é constitutiva do nosso diferencial cultural.
Existem razões práticas de ambos os lados, isto é, daqueles que querem manter a mudança e daqueles que querem desfazer a mudança. Mas estou me referindo às razões culturais, históricas e simbólicas. Isso para mim é muito forte. Vou votar no 77.".
Clique aqui para ler a entrevista completa no portal Terra.
Clique aqui para ler a entrevista completa no portal Terra.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
OBRA DA SEDE DO JUDICIÁRIO É EMBARGADA
Construtora desrespeita leis de segurança do trabalho
O Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho e Emprego embargaram nesta quinta-feira (28), em Rio Branco (AC), as obras de construção da sede do Tribunal de Justiça do Acre em decorrência de desrespeito às leis de segurança do trabalho. A obra foi contratada pelo governo do Acre e vem sendo executada pela construtora Albuquerque Construções Ltda.
As irregularidades foram constatadas pelo procurador do Trabalho Everson Carlos Rossi, acompanhado do perito da Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª. Região, Antenor Garcia de Oliveira Junior, e do auditor do Trabalho Leonardo Lani de Abreu.
O grupo encontrou escadas sem rodapé, estruturas, inclusive poço de elevador sem guarda-corpo, máquinas sem sinalizador sonoro de ré, andaimes instalados em base precária e sem piso de apoio aos trabalhadores e falta de capacetes.
Não havia abafadores de som em quantidade suficiente para todos os trabalhadores, sendo que alguns usavam chinelos. A situação colocava em risco a vida dos trabalhadores, o que autorizou o embargo da obra.
Também foi constatado que muitos operários que trabalhavam sem proteção e sob risco de morte haviam sido contratados por empresas terceirizadas.
- Isso não afasta a responsabilidade solidária da empresa construtora responsável pela obra do Judiciário no Acre - assinalou o procurador do Trabalho Everson Rossi.
A inspeção encontrou 60 trabalhadores da construtora responsável pela obra e mais 75 trabalhadores das empresas terceirizadas. A construtora comprometeu-se a regularizar a obra e requerer ao MTE o levantamento do embargo.
O MPT no Acre instaurou procedimento de investigação para aferir a regularidade a ser implementada. O embargo da obra não prejudicará o recebimento dos salários dos trabalhadores.
A pedra fundamental da nova sede do Tribunal de Justiça do Acre foi lançada em junho de 2006, com financiamento integral do Governo do Estado. Em março do ano passado, o governador do Acre Arnóbio Marques (PT) prometeu que até o final de sua gestão, em dezembro de 2010, a obra seria entregue.
Recentemente, por determinação do governador, foi instalada na obra uma placa imensa com a seguinte mensagem: "Uma obra a altura da Justiça Acreana".
Consultado pela reportagem, o secretário de Obras do governo do Acre, Eduardo Vieira, disse que a empresa foi notificada para corrigir as falhas.
- A empresa já providenciou o que foi exigido e a fiscalização ficou de retornar para conferir - acrescentou.
As irregularidades foram constatadas pelo procurador do Trabalho Everson Carlos Rossi, acompanhado do perito da Procuradoria Regional do Trabalho da 14ª. Região, Antenor Garcia de Oliveira Junior, e do auditor do Trabalho Leonardo Lani de Abreu.
O grupo encontrou escadas sem rodapé, estruturas, inclusive poço de elevador sem guarda-corpo, máquinas sem sinalizador sonoro de ré, andaimes instalados em base precária e sem piso de apoio aos trabalhadores e falta de capacetes.
Não havia abafadores de som em quantidade suficiente para todos os trabalhadores, sendo que alguns usavam chinelos. A situação colocava em risco a vida dos trabalhadores, o que autorizou o embargo da obra.
Também foi constatado que muitos operários que trabalhavam sem proteção e sob risco de morte haviam sido contratados por empresas terceirizadas.
- Isso não afasta a responsabilidade solidária da empresa construtora responsável pela obra do Judiciário no Acre - assinalou o procurador do Trabalho Everson Rossi.
A inspeção encontrou 60 trabalhadores da construtora responsável pela obra e mais 75 trabalhadores das empresas terceirizadas. A construtora comprometeu-se a regularizar a obra e requerer ao MTE o levantamento do embargo.
O MPT no Acre instaurou procedimento de investigação para aferir a regularidade a ser implementada. O embargo da obra não prejudicará o recebimento dos salários dos trabalhadores.
A pedra fundamental da nova sede do Tribunal de Justiça do Acre foi lançada em junho de 2006, com financiamento integral do Governo do Estado. Em março do ano passado, o governador do Acre Arnóbio Marques (PT) prometeu que até o final de sua gestão, em dezembro de 2010, a obra seria entregue.
Recentemente, por determinação do governador, foi instalada na obra uma placa imensa com a seguinte mensagem: "Uma obra a altura da Justiça Acreana".
Consultado pela reportagem, o secretário de Obras do governo do Acre, Eduardo Vieira, disse que a empresa foi notificada para corrigir as falhas.
- A empresa já providenciou o que foi exigido e a fiscalização ficou de retornar para conferir - acrescentou.
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