segunda-feira, 10 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
MINHAS MÃES

Tenho duas mães neste mundo: Peregrina Gomes Serra e Maria da Cruz Machado. Agradeço infinitamente a Deus por merecer o amor e as bênçãos delas todo santo dia. Dona Maria aniversaria nesta data. É tão bela e jovem que os desavisados a confundem como sendo minha irmã. Que Deus prolongue ao máximo neste mundo as lições de fé e amor dessas duas mulheres.
Viva o Dia das Mães!
REVISTA VEJA É LIXO

Supunhetamos, leitor (a), que você é jornalista e recebe pelo Correio um dossiê com comprovantes indicando que o ex-governador Paulo Maluf (ou o prefeito de uma capital do norte do país) roubou US$ 50 milhões e depositou tudo num paraíso fiscal. Os documentos -você percebe logo- foram grosseiramente falsificados. O que você faz? Joga tudo no lixo ou, ignorando a fraude, publica seu conteúdo como se fosse informação correta?
Essa pergunta feita no primeiro dia de aula sempre gerava polêmica no Curso de Jornalismo entre alunos da disciplina Ética e Legislação na Mídia que ministrei durante anos seguidos na Universidade Federal do Amazonas e, depois, na UERJ.
De um lado, estudantes mais afoitos justificavam: “O dossiê é falso, mas nos faz chegar a uma conclusão verdadeira: a de que Maluf é ladrão. Portanto, devemos publicá-lo, porque assim estaremos escrevendo certo por linhas tortas. No frigir dos ovos, o uso dessa mentira acaba deixando o leitor com a informação certa”.
Embora igualmente antimalufistas, outros alunos mais escrupulosos discordavam. Diziam: “se existe desconfiança de que Maluf é um ladrão de casaca -e as evidências são muitas- o repórter deve procurar provas do delito. Esse é o trabalho do jornalismo investigativo, que deve apresentar fato por fato e não vender fato por lebre. Inventar ou aceitar provas forjadas mesmo contra o pior crápula não é jornalismo. Quem renuncia à apuração dos fatos, engana os leitores, é um profissional incompetente e imoral.”
Esse parece ser o caso dos jornalistas da revista Veja Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, que na semana passada assinaram uma reportagem encomendada intitulada “A Farra da antropologia oportunista”. Com uma diferença: como o dossiê falso não lhes foi remetido pelo Correio, eles saíram à caça não dos fatos, mas da lebre. O que nos faz pensar que aí tem dente de coelho.
Eles juram -mas não querem ver suas respectivas mães mortinhas no inferno se estiverem mentindo- que durante um mês visitaram onze municípios em sete estados, percorreram mais de 3 mil quilômetros de carro e barco e entrevistaram 70 pessoas em busca de fatos. Encontraram lebres. Não viram nem conversaram, por exemplo, com o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, mas registraram declarações que ele nunca deu e que são exatamente o contrário de tudo aquilo que escreveu.
Mentiram pra cacete. Nem sequer uma vírgula ou um ponto de exclamação da matéria são verdadeiros. É tudo lorota! Entrevistas inventadas, números manipulados, informações fantasiosas, dados falsos, provas forjadas, fabricação de fatos. Tudo isso a troco de quê? Só a questão da luta pela terra pode ajudar a explicar tamanha agressão aos fatos e tanta falta de pudor.
Terra à vista
Desde o grito dado por Cabral, tudo se resume à briga pela terra. Durante quase cinco séculos, armados até os dentes, os colonizadores, os bandeirantes, as frentes expansionistas invadiram, saquearam, pilharam, usurparam, deceparam e ocuparam os territórios indígenas, sempre protegidos pela lei do mais forte. No entanto, em 1988, com o processo de redemocratização, a Constituição -lei maior do país- deu um basta a essa violência que passou a ser ilegal, quando cometida.
O novo pacto funciona mais ou menos assim. É como se o Estado dissesse aos índios: vocês perderam 87% de seus territórios e não é mais possível recuperá-los. O que perderam, perdido está. Nós nos comprometemos, porém, de que a partir de agora ninguém mais tirará aquilo que sobrou. Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, o brasileiro vai aprender a ser gente, respeitando as terras dos índios que resistiram ao extermínio.
A Constituição, nesse caso, afetou os interesses econômicos que a revista Veja representa. Quem quer se apropriar do resto das terras indígenas ficou inconformado com esse novo pacto, que garante aos índios não a propriedade -que continua a ser da União- mas o usufruto permanente das terras mantidas até aqui. Por isso, a revista desencadeou uma campanha organizada para questionar o lugar que as populações indígenas ocupam hoje na sociedade brasileira.
A estratégia discursiva é bem primária. Veja jura que as terras ocupadas por “falsos índios” ou por “ex-indios’ “diminuem ainda mais o território destinado aos brasileiros que querem produzir”. Reforça, assim, o preconceito de que os índios são improdutivos e preguiçosos. Insiste na falácia de que as terras indígenas -que são propriedade da União- arrancam um pedaço do Brasil, mutilam a pátria. O Brasil da Veja fica pequenininho, sem 77,6% que constituem áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e antigos quilombos que, para a revista, foram subtraídos do país.
Como nenhum cientista social assina embaixo de tal babaquice, Veja ataca então os antropólogos, acusando-os de serem os inventores desses “índios falsos”, juntamente com alguns padres, indigenistas e ONGs. Os três repórteres advogam uma pureza racial, quando decidem, por conta própria, que os Tupinambá e os Pataxó da Bahia não são índios por existir entre eles casamentos com “negros, mulatos e até brancos de cabelos louros”, como se índio fosse um modo de parecer e não um modo de ser.
Se os Pataxó e os Tupinambá são “falsos índios”, então podemos dizer que Victor Civita e Roberto Civita são falsos brasileiros, em função dos seus laços com a Itália e os Estados Unidos? A comunidade científica nacional fica tão estarrecida com isso quanto ficou com um fator sanguíneo -o “Fator Diego”-, que os coronéis da Funai, na época da ditadura militar, queriam instituir como referência para determinar a pureza racial dos índios.
Racismo na mídia
Numa interessante análise sobre o racismo na mídia, publicado em 1997, o pesquisador Van Dijck critica o tratamento que a imprensa européia dispensa às minorias étnicas. Ele questiona o principio da neutralidade e da objetividade dos meios de comunicação e propõe que a imprensa seja estudada como uma instituição social submetida a um conjunto de demandas políticas, sociais, econômicas e técnicas. Dessa forma, a imprensa deve ser pensada menos como um lugar neutro de observação e mais como uma voz ativa, como um agente produtor de imagens e representações.
Van Dijck, em sua análise, privilegia as manchetes e títulos de reportagem, considerando-os elementos indicados dos tópicos relevantes da informação, orientando a leitura na construção de significados. Os subtítulos da reportagem da Veja, nesse sentido, são muito sugestivos: “os novos canibais”, “lei da selva”, “um país loteado”, “macumbeiros de cocar”, “made in Paraguai”, “índio bom é índio pobre”.
Como sinalizou com indignação a nota oficial da Associação Brasileira de Antropólogos (ABA), assinada por João Pacheco, o repórter da Veja não faz “qualquer esforço em ser analítico, em ouvir os argumentos dos que ali foram violentamente criticados e ridicularizados. A maneira insultuosa com que são referidas diversas lideranças indígenas e quilombolas, bem como truncadas as suas declarações, também surpreende e causa revolta e explicitam o desprezo e o preconceito com que foram tratadas tais pessoas”.
O objetivo da revista é mobilizar opiniões contra os direitos indígenas, que são apresentados como se fossem “privilégios”. Para isso, acionam os estereótipos historicamente operantes sobre o índio, para dar cor e sensacionalismo à narrativa. Chegam a inventar que os índios guarani da Aldeia Morro dos Cavalos, em Santa Catarina, são falsos índios, vieram do Paraguai. Veja acha que índio é como uísque: se veio do Paraguai, é falso.
“Nós não precisamos provar quem somos. A própria história, construída pelos não indígenas, identifica o povo guarani como etnia tradicional desta terra. O povo guarani nunca desrespeitou a propriedade alheia; ao contrário, sempre foram usurpados de suas terras, impedidos de desenvolver seu modo de vida e cultura” - declarou, indignado, em nota oficial, o cacique de M’Biguaçu, Hyral Moreira. A nota critica “reportagem tendenciosa e preconceituosa” e lamenta que “os autores desta reportagem, em passagem por nossa região”, não ouviram os representantes da cultura guarani.
Nesse momento, estou no interior do Rio Grande do Sul, ministrando curso para professores indígenas. No intervalo, escrevo a coluna. Morri de vergonha ao ler junto com os índios a reportagem da Veja. Seu conteúdo, carregado de preconceitos, é mentiroso, ofensivo e elimina aquilo que eu estou vendo diante de mim. Um índio guarani do Morro dos Cavalos, cuja existência é negada pela revista, me tranquilizou:
-Nda’orerexai ramo ndoroexai avi - ele me disse em sua língua. Pedi que traduzisse:
-Se a Veja não nos vê, nós também não vemos a Veja.
É isso ai. Há muito tempo eu também não vejo a Veja. Desculpem a linguagem: Veja é um lixo, um produto do sub-jornalismo marrom, que contribui para desinformar seus incautos leitores.
P.S.: Agradeço as indicações dadas pela antropóloga Maria José Alfaro Freire, cuja dissertação de mestrado (PPGAS-UFRJ) - “A construção de um réu: Payakã e os índios na imprensa brasileira” - analisa o papel da VEJA e dos jornais de circulação nacional na acusação de estupro dirigida ao índio kayapó Paulinho Payaká em junho de 1992.
O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti.
sábado, 8 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
VIVER A VIDA

Esta é a fachada da modesta sede da Associação Riobranquense de Deficientes Físicos. O slogan dela é "Aqui construimos cidadania". Difícil mesmo é alguém atravessar a precária rampa de madeira na rua José Maria Rios, 526, asfaltada, mas sem calçada. Pra viver a vida o buraco é mais embaixo. Foto sugerida pelo olhar atento e verde de minha filha Iara.
FALTA SANEAMENTO NO PAÍS

Estudo divulgado no final da tarde de ontem (6) pelo Instituto Trata Brasil mostra que, diariamente, 5,9 bilhões de litros de esgoto produzido nas 81 maiores cidades do país – que abrigam cerca de 72 milhões de pessoas- , vão direto para a natureza sem nenhum tipo de tratamento, contaminando solo, rios, mananciais e praias, e com efeitos diretos na saúde da população.
O levantamento, realizado anualmente, mostra que de 2003 a 2008 o Brasil conseguiu melhorar em 11,7% a coleta de esgoto nas cidades observadas e 4,6% o tratamento deles. Mesmo com o avanço, o Instituto alerta que o país “não atingirá a universalização dos serviços sem um maior engajamento das prefeituras”. A base de dados utilizada foi extraída do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgado anualmente pelo Ministério das Cidades. O último ano com dados atualizados pelo ministério foi 2008.
O quadro de saneamento das cidades está diretamente ligado aos investimentos que cada município faz no setor. A cidade melhor colada no ranking foi Jundiaí (SP), que passou de quinto lugar em 2009 para a primeira posição este ano, por ter aumentado em 86% os investimentos no setor no período, entre outros motivos. Já a cidade de Franca (SP), que conquistou o primeiro lugar no ranking passado, caiu para a segunda posição, devido a uma redução de investimento de 31%. Porto Velho (RO) aparece na lanterninha do grupo, com 81% de déficit no saneamento. A segunda pior cidade é Duque de Caxias (RJ), com déficit de 80%.
O levantamento também mostra que os maiores avanços ocorreram nas cidades que uniram os esforços públicos a empresas privadas, por meio de parcerias, como é o caso de Ribeirão Preto (SP), pioneira neste tipo de gestão e que passou da 19º posição em 2007 para 6º lugar em 2008. Para que a universalização ao acesso a coleta e tratamento do esgoto seja alcançada até a meta estipulada, em 2027, segundo o Instituto, seria necessário investimento anuais de no mínimo R$ 10 bilhões.
Clique no mapa e veja as 10 melhores e as 10 piores em coleta e tratamento de esgoto

Texto de Cristiane Prizibisczki, repórter de O Eco. Foto de Marcos Vicentti mostra o encontro do canal do Parque da Maternidade com o Rio Acre. Clique aqui para conhecer o estudo do Instituto Trata Brasil.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
PF PRENDE "COIOTE" BENGALÊS NO ACRE
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (6), no município de Epitaciolândia (AC), na fronteira Brasil-Bolívia, o comerciante bengalês Belal Hossain, de 41 anos.
Também prendeu o brasileiro A.L.S.S., auxiliar de serviços gerais, de 32 anos, natural de Aracaju (SE), que ajudava Hossain na tentativa de introduzir clandestinamente no país oito pessoas originárias de Bangladesh.
O grupo tinha São Paulo como destino.
A PF disse que Belal Hossain é um “coiote” - termo empregado comumente para designar pessoas que transportam imigrantes ilegais nas fronteiras dos Estados Unidos com o México e serve para designar aqueles que auxiliam a entrada de imigrantes ilegais em outros países.
VERÁGUA POLUI NASCENTE DE IGARAPÉ



Tirei essas fotos na localidade conhecida como Ramal do Triunfo, no município de Senador Guiomard, a cerca de 30 quilômetros de Rio Branco.
A empresa Verágua, que capta água mineral no município, polui umas das nascentes do igarapé Judia. Ela joga no local sacos e rótulos plásticos de suas embalagens.
No meio do lixo existe também material plástico de outra empresa de água mineral da região, a Riberágua.

O repórter-fotográfico Marcos Vicentti é presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre.
CORPO SOME NO IML

A Superintendência da Polícia Federal no Acre esclareceu ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre o desfecho de um inquérito que apurava o assassinato de um indígena em situação de isolamento, ocorrido há 10 anos, no igarapé D’ouro, no Alto Rio Tarauacá. Morto a tiros, o índio isolado foi emasculado, mas o corpo desapareceu do Instituto de Medicina Legal do Acre.
Segundo o delegado Flávio Augusto de Araújo Pinheiro, no curso das investigações foram identificados e indiciados todos os responsáveis pela morte e ocultação do corpo do indígena, sendo que ao final, os autos foram remetidos à Justiça.
Quanto ao corpo ao corpo do índio, segundo a PF, este de fato foi encaminhado para o Instituto Médico Legal, em Rio Branco (AC), para realização do exame necroscópico.
- Contudo, o seu destino após isso compete àquele Instituto e não é do conhecimento da Polícia Federal - acrescenta o delegado.
O indigenista Lindomar Padilha, coordenador do Cimi no Acre, disse que, embora a PF tenha respondido com presteza, “ainda tem muita coisa a ser explicada”.
- Pretendemos ir em busca dessas explicações. Vamos consultar o Ministério Público Federal para saber do andamento do inquérito e a situação dos indiciados e vamos requisitar também informações quanto ao destino do corpo - afirmou Padilha.
Leia mais no Blog da Amazônia.
TASTEVIN, PARRISSIER

O Museu do Índio lança nesta sexta-feira (7), no Rio, o livro "Tastevin, Parrissier – Fontes sobre Índios e Seringueiros do Alto Juruá", organizado pela antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, que reúne os relatos dos padres franceses Constant Tastevin e Jean-Baptiste Parrissier, ambos da Congregação do Espírito Santo.
Parrissier, entre outubro de 1897 e abril de 1898, realizou viagem missionária até o rio Tejo, no Acre.
- Parece ter sido uma figura pitoresca e de forte caráter, que se envolveu em várias brigas, uma delas com as autoridades de Manaus por ter hasteado a bandeira francesa na frente da igreja de São Sebastião - assinala a organizadora do livro.
O padre Constant Tastevin, missionário da Prefeitura Apostólica de Tefé (AM) visitou Cruzeiro do Sul (AC) pela primeira vez em setembro de 1911, tendo retornados mais duas vezes, em 1913 e em 1914.
No início de 1924, sobe o rio Muru e volta em fevereiro a Seabra (hoje Tarauacá); de 5 de abril até fins de maio, sobe parte do Tarauacá e Jordão. Em junho e julho, sobe o Tarauacá até suas cabeceiras. Visita pelo menos três aldeias kaxinawá que foram "amansadas" e fornecem serviços para os seringais.
- Sua contribuição, portanto, não pode e não deve ser ignorada. Até a década de 1980, o que se conhecia lingüística, geográfica e etnograficamente do Juruá e do Jutaí reduzia-se essencialmente aos seus trabalhos. É significativo que, durante a Segundda Guerra Mundial, quando os EUA tiveram que recorrer à borracha amazônica, tenham sido traduzidos para o inglês (sem que fossem publicados) os escritos sobretudo geográficos de Tastevin - afirma Manuela Carneiro da Cunha.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
FUTEBOL DE SALÃO
CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO

Estou participando, em São Paulo, de um workshop promovido pelo WWF e Greenpeace sobre o Código florestal Brasileiro. O objetivo é ressaltar a importância do mesmo para a conservação da natureza, com base em estudos técnicos.
Cerca de 35 jornalistas, dos principais veículos brasileiros e também correspondentes internacionais participam do workshop.
Na pauta, previsões de cenários sobre impactos em temas como biodiversidade, agricultura e clima, caso as mudanças previstas no conjunto de leis sejam aceitas.
Palestras acerca das "Origens do Código", ministrada por Paulo Adário, do Greenpeace, "Área de Proteção Permanente e seus impactos nas áreas de agricultura", com Carlos Aberto Scaramuzza (WWF-Brasil) e Gerd Sparovek (Esalq), "Os motivos científicos do Código", com Jean Paul Metzger, da USP, entre outros.
Carlos Nobre (Inpe), Eduardo Assad (Embrapa) e João de Deus (Universidade Federal de Santa Catarina) também estão entre os palestrantes.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
PREFEITO VISTORIA OBRAS

No sábado (24), me equivoquei ao anotar neste blog que o prefeito de Rio Branco Raimundo Angelim (PT) parecia ter exagerado ao enviar uma quantidade de máquinas e homens superior à de buracos na Estrada Irineu Serra. Angelim veio conferir nesta quinta-feira (29) os serviços da operação tapa-buracos e mandou que as equipes retornassem nesta sexta-feira (30) para aperfeiçoar o trabalho. O movimento de máquinas e homens continua intenso aqui e em vários bairros da cidade.
DANIELLE MITERRAND NA FPA

Com a presença da ex-primeira-dama francesa Danielle Miterrand, a coligação Frente Popular do Acre (FPA) apresentou na manhã desta sexta-feira (30), em Rio Branco, os seus candidatos aos cargos majoritários.
- Estou Aqui em nome dos princípios inaugurados por Francois Miterrand, que buscava a união das esquerdas - disse a ex-primeira.
Leia mais no Portal Terra.
OS ÚLTIMOS SOLDADOS DA BORRACHA
Encontrei José Alves Costa no balcão de seu bar na beira da rua, em Plácido de Castro. Aos 86 anos, sem camisa, ele não parece ter se esquecido de nada do que passou como soldado da borracha.
Desfia as histórias sobre a perseguição do submarino alemão ao navio em que vinha para o Acre como se tivesse acontecido ontem. Diz que tirava de 30 a 35 latas de leite (látex) por dia.
E, dedos em riste, não acredita que a aposentadoria (dois salários-mínimos, sem décimo-terceiro) vá ser equiparada a dos pracinhas (sete salários).
Quando pergunto sobre os bichos da mata nos tempos em que viveu no seringal, abre o verbo:
- Onça não faz medo, faz medo é cobra e cabra ruim.
Digamos que seu José sabe se defender.
Realizando pesquisa para um documentário, o jornalista acreano César Garcia Lima relata seus encontros com os últimos sobreviventes do esforço de guerra. Mais de 50 mil nordestinos viraram seringueiros para ajudar os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Leia mais no blog Soldados da Borracha.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
NO PAÍS DA SUSTENTABILIDADE

Três horas dura o vôo de Brasília a Rio Branco no extremo noroeste brasileiro, no meio da selva amazônica. A cidade de Rio Branco tem cerca de 350 mil habitantes e é a capital do Estado do Acre, que apenas chega à população de 680 mil. Pouca gente dos centros urbanos de São Paulo ou Rio de Janeiro chega até aqui. Entretanto, o Acre tem um lugar garantido na recente história brasileira. Aqui, na fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia, se originou o movimento ambiental brasileiro.
Fui no início dos anos 80 do século passado. O seringueiro Chico Mendes não se cansou de protestar contra a colonização irregular e a depredação da selva amazônica por parte de pecuaristas e madeireiros, que acabaria também com as seringueiras. Chico Mendes pagou por seu compromisso com a selva amazônica com sua vida. Em 22 de dezembro de 1988 Chico Mendes foi assassinado por um criador de gado. Sua morte destapou inicialmente uma preocupação internacional pela selva amazônica.
Chico Mendes segue onipresente no Acre, 22 anos mais tarde. Uma reserva de seringueiras leva seu nome e sua estátua adorna a Praça dos Povos da Floresta. O seringueiro ascendeu ao posto de herói popular em uma Rio Branco onde o boom econômico se percebe por todos os lados. Carros novos enchem as ruas recém-asfaltadas; dois novos parques ecológicos embelezam a imagem da cidade; novas bibliotecas e praças públicas que estão conectadas via rede sem fio gratuita para todos os cidadãos. Crianças e jovens passeiam com seus uniformes escolares depois da aula, quase não se vêem mendigos. Só poucos acreanos vivem hoje em dia do látex. A tradição antiga de tirar o látex foi transportada ao museu da cidade, onde jovens guias mostram a turistas como se produzia, então, a borracha, a bola de látex.
O boom econômico tem nome e sobrenome: Brasília e Lula. “90% do nosso orçamento são transferências de Brasília”, diz o jornalista acreano Altino Machado. Com seu pacote nacional de aceleração do crescimento econômico, o Estado está onipresente: controi colégios, praças públicas, avenidas, parques. Não deve assustar frente ao grande investimento estatal que os acreanos elogiem a seus representantes estatais: primeiro o presidente Lula, depois o governador Binho Marques e seu prefeito. Os três servidores pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT), o partido brasileiro com mais bases e estruturas em todo o país.
Hildegard Willer é jornalista alemã.
Leia o artigo completo no Blog da Amazônia.






