quarta-feira, 23 de abril de 2008

ATÉ LEITOR DA GAZETA É CONTRA

A pedido de um leitor do blog, reproduzo nota do jornalista Sílvio Martinello, na coluna Gazetinhas, do diário A Gazeta:

"O telefone toca. É um dos 36 da coluninha dizendo que leu e concordou com os argumentos do professor Mário Lima contra a mudança do fuso horário.

Nada contra o senador Tião Viana, disse que é um dos seus eleitores, mas acha que o senador foi mal assessorado ao propor a mudança.

Deu o exemplo das crianças da Vila Califórnia, que segue o horário de Rondônia, as quais em certa época do ano acordam ainda no escuro e vão para a escola de lanterna".

PERSEGUIÇÃO VERSUS FAVORECIMENTO

Narciso Mendes

Sérgio Petecão foi presidente da Assembléia Legislativa do Acre por oito anos consecutivos, fato que se constituiu numa das maiores ilegalidades e imoralidades que aquele poder foi capaz de patrocinar. À luz da independência dos poderes, o governador de então, Jorge Viana, nada teve a ver com tamanha violência, entretanto, sob a ótica da política partidária, isto só foi possível pela ação e omissão da própria Frente Popular do Acre (FPA), afinal de contas, amplamente majoritária naquela casa parlamentar, a coligação governista elegeria o presidente que melhor conviesse aos seus interesses.

Beneficiário direto de tão equivocada decisão política, Sérgio Petecão foi eleito presidente da Assempara o biênio 1998/2000, reeleito para o biênio 2000/2002, re-reeleito para o biênio 2002/2004 e por fim, re-re-reeleito para o biênio 2006. Ao longo de todo o tempo em que presidiu aquele poder, Sérgio Petecão sempre foi o primeiro a levar sua voz em defesa FPA ou do próprio governo Jorge Viana quando um ou outro (ou ambos) era acusado de fazer perseguição política.

Hoje, ao vê-lo se dizer vítima de perseguição política, cumpre-me perguntá-lo: favorecimento e perseguição, politicamente falando-se, não são as duas faces de uma mesma moeda? Para responder a esta pergunta simplesmente lanço mão de um velho adágio popular: “quem come do meu pirão fica sujeito ao meu cinturão”, ou numa linguagem mais elevada: “uma ameaça a um é uma afronta a todos”.

Quando a FPA fê-lo tetra presidente da Assembléia e de lambuja ainda permitiu que ele indicasse gestores públicos para ocupar destacadas funções na máquina do Estado e os referidos órgãos serem transformados, a seu bel prazer, em comitês a serviço de suas candidatura, a FPA era boazinha, democrática, honesta, não perseguidora, enfim, um exemplo de dignidade política. Hoje, por não ter cedido as suas ambições pessoais e políticas, a dita cuja virou uma máquina de produzir maldades.

Em síntese: se a FPA o aceitasse como candidato a prefeito de Rio Branco ou se o governador Binho Marques houvesse aceitado a indicação de sua irmã para Secretária de Ação Social do governo do Estado do Acre será que Sérgio Petecão estaria dizendo que estava sendo vítima de perseguição política?
Particularmente, acho que não.

O empresário Narciso Mendes, dono da TV e do jornal Rio Branco, escreve neste blog às quartas-feiras.

O RETRATO DE UM PODER SEM LIMITES

Venício A. de Lima

Não creio, todavia, que o poder dos radiodifusores jamais tenha se manifestado de forma mais contundente e acintosa do que na recente aprovação do projeto do senador Tião Viana (PT-AC), apenas quatro dias após a entrada em vigor da Portaria 1.220/07 determinando que as emissoras de TV adaptem suas transmissões aos diferentes fusos horários do país em função da Classificação Indicativa. Note-se que, por pressão dos radiodifusores, houve cinco adiamentos da data para a entrada em vigor da portaria no período de 9 meses.

Quando se convenceram que não seria mais possível alterar a própria portaria, os radiodifusores passaram a trabalhar pela aprovação do projeto que muda os fusos horários.

O projeto de lei, apresentado em 2006, foi aprovado no Senado no início de 2007 e encaminhado à Câmara dos Deputados. Durante a tramitação na Câmara houve forte pressão da Abert, expressa pela deputada Rebecca Garcia (PP-AM), vinculada à TV Rio Negro Ltda. (afiliada da Rede Bandeirantes), que defendia a existência de um único fuso horário em todo o país. Foi da deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA) – esposa do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), ambos vinculados à Rede Brasil Amazônia de Televisão Ltda. (RBA, afiliada da Rede Bandeirantes) – a alteração determinando que o estado do Pará tenha somente um fuso horário (hoje tem dois). Com essa modificação o projeto voltou para o Senado, onde foi novamente aprovado.

A jornalista Laura Mattos, em matéria publicada na Folha de S.Paulo ("Lobby das TVs está por trás da mudança", , 15/4) relata que "o lobby [das emissoras de TV] era tão claro que, na segunda passada [7/4], quando a obrigatoriedade de respeito aos fusos entrou em vigor, a Record, questionada pela Folha sobre quais alterações faria, disse aguardar `a tramitação do projeto de lei que iguala o fuso horário do Acre ao do Amazonas´".

Vale ainda registrar que um dos argumentos que têm sido usado pelos defensores da mudança do fuso horário no Congresso – e, de forma velada, pelos próprios radiodifusores – é que a Portaria 1.220/07 impediria a população do Norte de assistir ao vivo os jogos de futebol realizados no Sul do país. Obviamente esse argumento é falso porque a classificação indicativa do futebol é livre e não impede, portanto, sua transmissão ao vivo.

Interesse privado vs. interesse público

O projeto de lei que altera os fusos horários ainda terá que ser sancionado pelo presidente da República, o que o líder do governo no Senado garante acontecerá nos próximos dias.

Será que o interesse dos radiodifusores privados sempre coincide com o interesse público e, portanto, não há qualquer problema que prevaleça?

Será que é assim mesmo que funciona nas democracias: os grupos que reúnem mais força política devem sempre decidir o rumo das políticas públicas?

Ou será que a anedota "no Brasil, a televisão não é uma concessão do Estado, o Estado que é uma concessão da televisão" tem um fundo de verdade?

Ou será que o interesse público, mais uma vez, deixará de ser atendido para que prevaleçam os interesses privados dos radiodifusores, concessionários do serviço público de rádio e televisão?

Leia na íntegra o artigo de Venício A. de Lima no Observatório da Imprensa.

APELO AO PREFEITO ANGELIM

Armstrong da Silva Santos

A prefeitura de Rio Branco disponibilizou no último concurso público 100 vagas para o cargo de professor. Nenhum dos candidatos aprovados tomou posse do cargo até o momento.

As escolas municipais têm funcionado normalmente e a explicação para a não contratação dos candidatos aprovados é de que serão chamados de acordo com a necessidade. A alegação não se sustenta, pois ao oferecer vagas no concurso essa necessidade já era contabilizada.

A verdade é que os candidatos aprovados (obtive a 15ª colocação) não foram convocados porque a prefeitura lotou e está lotando professores com contrato provisório nas vagas que deveriam ser destinadas àqueles que foram aprovados no concurso. Basta visitar qualquer escola de nossa capital para constatar esse fato.

Outra manobra que vem sendo utilizada para burlar a lei e a fiscalização é o convênio entre as secretarias municipal e estadual de Educação. O convênio deveria contribuir no processo de integração com o aumento de vagas e da qualidade de nossas escolas, porém tem servido basicamente para mascarar atitudes lesivas à educação e ao direito.

A prefeitura tem utilizado do artifício para oferecer ao Estado professores com contrato provisório. Como contrapartida, o Estado envia às escolas municipais trabalhadores nas mesmas condições. Desnecessário mencionar a "economia" que se faz no pagamento desses funcionários, sendo que é notória a diferença entre o subsídio pago aos provisórios e o que é percebido pelos trabalhadores de contrato efetivo.

Acredito que o prefeito Raimundo Angelim desconhece a manobra de sua equipe, que merece ser investigada pelo Ministério Público Estadual. É uma manobra que lesa aqueles que têm o direito de assumir as vagas conquistadas através da aprovação em concurso público. Lesa, ainda, àqueles que, vivendo sob a égide da provisoriedade, encontram-se obrigados à exploração e ao silêncio.

Apenas para lembrar: a lei brasileira permite a utilização de trabalhadores com contrato provisório apenas nos casos de calamidade pública ou de epidemia, o que evidentemente, não é o caso.

Armstrong da Silva Santos é formado em história

FLORES DA FLORESTANIA

Aníbal Diniz


Dona Valderícia Pereira da Silva transformou o quintal se sua casa, situada no ramal Belo Jardim, num bonito viveiro multicolorido de flores e algumas plantas de corte. Ela, que dois anos atrás dependia do benefício do Programa Bolsa Família para sobreviver, teve sua receita multiplicada ao se dedicar, com a filha Erivânia e uma amiga, à produção e comercialização de plantas ornamentais nas feiras que acontecem de quarta a domingo nos bairros.

A história de dona Valderícia coincide com a de outras 20 mulheres que participaram dois anos atrás dos cursos de jardinagem promovidos pela Coordenadoria da Mulher da Prefeitura de Rio Branco. Das 41 pessoas que receberam o treinamento, 21 aderiram à proposta e formaram quatro grupos para a produção de viveiros comunitários.

O resultado veio em forma de aumento de renda para as famílias envolvidas. Uma renda sustentável e ambientalmente correta, porque até as ervas daninhas capinadas nos viveiros são amontoadas e transformadas em adubo, ao contrário da prática tradicional da queima, que transforma todo mato em cinzas.


Leia mais na Agência de Notícias do Acre.

GLOBO E TIÃO VIANA BARGANHARAM

Evandro Ferreira

Como foi divulgado na
Folha de São Paulo, no Observatório do Direito à Comunicação, no meu blog e também neste, existem fortes suspeitas de que a aprovação súbita da lei que vai mudar o fuso horário do Acre foi resultado da pressão do lobby de empresas de comunicação, que estão inconformadas com a entrada em vigor da portaria 1.229/2007.

A assessoria de imprensa do senador Tião Viana (PT-AC), patrono da lei, tentou desmentir a barganha política com nosso fuso horário afirmando que tudo foi 'mera coincidência'.

A imprensa acreana, de uma maneira geral, deu ampla cobertura à versão do Senador, se abstendo de investigar ou questionar a veracidade ou não dessa suspeita. Pode-se afirmar, literalmente, que nesse caso ela usou na plenitude o comando 'ctrl-c e ctrl-v", ou seja, publicou na íntegra as matérias enviadas pela assessoria de imprensa do Senador.

Entretanto, se existiam dúvidas de que a mudança foi mesmo objeto de barganha política, sugiro aos incrédulos acessar a página do Senador Tião Viana no site do Senado para analisar a tramitação do projeto em questão (SF PLS 305/2006 de 21/11/2006). Se preferir, cliquem aqui (para versão on line) ou aqui (para a versão em PDF) para ir diretamente à página de tramitação do projeto.

Continue a leitura do artigo de Evandro Ferreira no blog Ambiente Acreano.

terça-feira, 22 de abril de 2008

TAPAUÁ É MAIS EMBAIXO

Ribamar Bessa

Dona Lourdes Normando dava aula particular em sua casa, no Beco da Indústria, bairro de Aparecida, Manaus. Às sextas-feiras, dia de sabatina, ela sapecava bolos de palmatória em quem errava a tabuada. Um dia, em 1955, na prova oral de geografia, perguntou: - “Seu Bessa-Freire, qual o rio que banha a cidade de Tapauá?”. Era a primeira vez que eu ouvia falar em Tapauá nos meus sete anos de vida. Arrisquei: - “Rio Juruá”. Rimava. Mas não era a solução. Ela, então, me fez copiar duzentas vezes a frase: “Tapuá fica no rio Purus”. Fiquei com calos no dedo, mas nunca mais esqueci.

Lembrei do método de ensino da dona Lourdes nessa semana, quando li as declarações a O Globo do Comandante Militar da Amazônia, General Augusto Heleno. Ele aloprou. Criticou duramente o Governo, dizendo que a terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, demarcada por FHC em 1998 e homologada por Lula em 2005, constitui uma ameaça à soberania nacional, que “dar terras” aos índios em faixa de fronteira é uma ameaça à integridade nacional e blá-blá-blá, blé-blé-blé.

A leitura continua no Taqui Pra Ti.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

ACREANO DO SÉCULO


Minha eterna gratidão a Manoel Eriberto Saraiva Machado, meu saudoso pai, que num certo dia do ano de 1962 encontrou o então deputado federal José Altino Machado, ex-governador do Território Federal do Acre, e fez a seguinte promessa:

- Minha mulher está grávida. Se nascer uma menina no próximo ano, vai se chamar Ivanir. Mas, se for homem, será batizado como José Altino da Cruz Machado em sua homenagem.

E cá estou, após ter sido recebido hoje, como se filho fosse, pelo casal Ivanir e José Altino Machado (foto), no apartamento deles no Itaim Bibi, em pleno feriado nacional, em São Paulo.

Devo confessar que já não sou mais o mesmo desde então, mas agora sou capaz de matar de inveja algumas daquelas 100 figuras (dezenas delas sem o menor mérito), que receberam do então governador Jorge Viana, em 2003, espadas miniaturizadas (veja aqui a lista divertida) com o título de "Acreano do Século", durante o Centário da Revolução Acreana.

Agora posso me considerar um "Acreano do Século" de verdade. Altino Machado, que não mereceu o título naquele ano, concedeu-me uma honraria: a baioneta (arma branca pontuda que se adapta ao extremo do cano de fuzil ou espingarda, usada por soldados de infantaria em combates corpo a corpo) original que ganhou, em 1961, de um veterano da Revolução Acreana, durante a solenidade de posse no cargo de governador do Território Federal do Acre, nomeado que fora pelo então presidente Jânio Quadros.

- Matei apenas um boliviano com esta arma - contou baixinho ao governador o veterano da tropa de seringueiros e seringalistas que lutou sob o comando do coronel José Plácido de Castro pela conquista do Acre.


Na foto acima, Altino Machado aparece com o anônimo veterano (fardamento original, de óculos), que segura o sabre na mão esquerda. Alguém consegue identificá-lo pelo nome? Na foto abaixo, a velha baioneta que agora carrego comigo.


Nós, acreanos, parecemos amar a história da conquista do Acre, mas na verdade somos mesmo é bastante relapsos. Há dois anos, por exemplo, o Exército destruiu 1.450 armas obtidas durante a Campanha de Desarmamento.

Trinta delas eram de valor histórico, pois foram usadas em combates que envolveram seringueiros brasileiros contra militares bolivianos durante a Revolução Acreana. As armas foram destruídas e ninguém fez nada para protegê-las como patrimônio histórico, especialmente as autoridades que distribuíram espadinhas, que sabiam da existência delas em poder do Exército e da Polícia Federal. Leia sobre o caso neste blog, em "Memória acreana no lixo" e "Agora é lixo".


Altino Machado possui uma coleção de xícaras que já contou com 180 unidades, adquiridas nas viagens que fez pelo mundo durantes os bem vividos 84 anos. Ele presenteou-me com uma das duas xícaras que trouxe do Acre há mais 45 anos. Nela está escrito: "Sorveteria Acreana, de Mustafa Zacour El Hindi, Rua 17 de Novembro, 62, Rio Branco - Acre".


O ex-governador, que é da Academia Paulista de Letras, também presenteou-me com seus livros de contos e uma pequena pasta com capa de couro, da Presidência da República, onde estão reunidos os memorandos do Território do Acre, assinados pelo presidente Jânio Quadros, durante uma reunião de governadores em Cuiabá, em abril de 1961.

Além de tudo isso, está comigo um álbum com mais de 100 fotos inéditas dos quatros meses em que Altino Machado governou o Acre, até o dia que Jânio Quadros renunciou à presidência e uma carta do saudoso ex-governador Joaquim Macedo, tio do ex-governador Jorge Viana e do senador Tião Viana.


Cheguei a possibilitar que Altino Machado e Joaquim Macedo retomassem contato em torno da velha amizade. Na carta, com data de 14 de maio de 2003, Macedo contava ao velho amigo:

"Caríssimo Altino,

Remeto anexo o jornal Página 20, onde o Altino daqui escreve um artigo dizendo superficialmente quem é o Altino governador.

Reflete bem sua chegada no Acre e a simpatia com que você envolveu os acreanos, que lhe estimam até hoje.

Lembro-me com muitas saudades do nosso primeiro encontro em Brasiléia, na escola Brasil Bolívia. Ali nasceu uma amizade que muito me orgulha.

Espero não demore muito viajar a São Paulo, quando quero abraçá-lo.

Recomende-me a seus familiares.

Aceite afetuoso abraço do

Joaquim Macedo"

Segue o registro parcial, em vídeo, do reencontro inesquecível com o meu Xará paulista.

- O Acre é apaixonante pelo desafio que ele é - diz ele.

Parte I


Parte II


Parte III


FOTOS ANTIGAS DO ACRE


Prédios do Departamento de Saúde Pública do Acre. O primeiro, à esquerda, foi derrubado para que a área sirva como estacionamento. Atualmente, no prédio do centro, funciona a Superintendência da Polícia Federal. À direita, o prédio do Dispensário, que virou sede de um sindicato patronal rural.

O centro de Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do Acre, após enchente do rio Juruá.

Igarapé que cortava o centro de Cruzeiro do Sul.

Na Biblioteca do IBGE existem 3.775 fotos como estas de várias cidades de regiões remotas do Brasil. Centenas são da aventura da vida no Acre. Revendo as fotos tenho a sensação de que o Acre já foi o melhor lugar da Amazônia para viver. Vale a pena conferir. Clique aqui.

domingo, 20 de abril de 2008

ENTREVISTA VERGONHOSA


Foi um verdadeiro fiasco a longa entrevista exclusiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que falou pela primeira vez com jornalistas sobre o assassinato de Isabella, de cinco anos, arremessada viva pela janela do sexto andar do prédio onde morava em São Paulo.

Para obter a entrevista o repórter Walmir Salaro, da Rede Globo de Televisão, parece ter feito algum acordo com a defesa da família Nardoni para não questionar o casal. Nada explica que um profissional experiente tenha se revelado apático diante dos supostos assassinos, limitando-se a fazer perguntas bobas.

Alexandre e Anna Carolina ganharam algo além de uma cópia da entrevista em DVD. Uma vergonha para o jornalismo. Gostei do comentário de uma leitora, no Blog do Noblat:

- O repórter tem que rasgar seu diploma. Não os confrontou contra as provas periciais. Não fez uma pergunta mais contundente. Parecia uma foquinha servindo de escada para o casal atuar. La-men-tá-vel. Uma aula de como não deve ser feita uma entrevista.

Quem duvidar que assista a fantástica entrevista. Clique aqui.

MANHÃS DE ESCURIDÃO


A foto acima foi tirada pelo pesquisador Evandro Ferreira às 4h48 da madrugada, em Rio Branco. Mostra que nesse horário ainda é noite e a única luz que guia as pessoas vem das lâmpadas da iluminação pública. Em breve esse será o panorama não das 4h48 da madrugada, mas das 5h48 da manhã, caso o presidente Lula sancione a mudança de fuso horário do Acre, proposta pelo senador Tião Viana (PT-AC) para atender à Rede Globo.

- Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis - advertiu o dramaturgo Bertolt Brecht. Leia mais no blog Ambiente Acreano.

ATO PÚBLICO - Quarta-feira, dia 23 de abril, no Terminal Urbano de Rio Branco, às 9 horas. Leia O convite dos organizadores:

Respeitem os telespectadores do Acre

A Portaria 1220, do Ministério da Justiça, que determina que a vinculação entre categorias de classificação e faixas horárias de exibição implique a observância dos diferentes fusos horários vigentes no país, vem sendo utilizada pelas emissoras de televisão para impor uma programação específica para o Estado do Acre. Esta programação exclui a transmissão direta das partidas de futebol e telejornais e demais programas com classificação livre. Por entendermos que as emissoras estão agindo de maneira arbitrária e discriminando seus telespectadores no Estado do Acre, dez entidades abaixo mencionadas se reuniram na segunda-feira na sede do STIU-AC e decidiram se articular e cobrar o cumprimento da Portaria, mas exigindo que ela seja cumprida integralmente, especialmente no seu artigo 5º que trata dos programas não sujeitos à classificação indicativa. Na mesma reunião também ficou decidido que as entidades vão convocar um ato público na próxima quarta-feira, dia 23 de abril, no Terminal Urbano de Rio Branco. É preciso lembrar que as emissoras de televisão são concessões públicas e, portanto, devem respeitar os cidadãos e tratá-los com igualdade, independente de seus interesses comerciais. Salientamos que a sociedade civil, religiosos e sindicatos devem estar juntos na defesa da portaria, como instrumento de proteção aos direitos das crianças e dos adolescentes, mas não favoráveis ao atraso da programação LIVRE exibida pelos canais.

GENERAL FALASTRÃO


Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, diz no Estadão de hoje que os guerrilheiros das Farc entram no lado brasileiro como cidadãos comuns e que o Exército nada pode fazer.

Diz, ainda, uma obviedade: que a Polícia Federal já constatou que há mais cocaína entrando em Belém pelo Rio Amazonas, de onde vai para o exterior, e que a droga consumida no Brasil entra principalmente pela Bolívia.

Segundo o comandante, os militares não têm treinamento para reconhecer a cocaína.


Por que no te callas, general? Já sei: porque não é apenas presidente de república que tem o direito de ser falastrão.

Clique aqui para ler a reportagem de José Maria Tomazela
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sábado, 19 de abril de 2008

"ROBÔ"


No Largo de S. Bento (SP)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

FAVAS CONTADAS

Antonio Alves

Foi só escrever que o calor estava demais e pronto, bateu a friagem, democratizando a frescura e o clima de Brasília que agora impera em terras de Galvez. Bom pra mim, que precisava esfriar a cabeça. Ainda estou bastante contrariado com a decisão do Senado, de abolir o fuso horário acreano e anexar nosso estado ao horário pretendido pelos bancos, pela Globo, pelos políticos e seus seguidores que não orientam suas vidas pelo sol ou pela lua, mas pelas leis do mercado.

O prejuízo é inavaliável. Nenhum desses vitoriosos capitães do progresso consegue ter idéia do tamanho da cagada que fizeram porque não pensam em processos culturais e civilizatórios, mas em negócios. São aqueles que, como dizia Caetano Veloso nos idos de 70, “enxergam a década, mas não conseguem ver o minuto e o milênio”.

Pensei em armar-me de paciência e explicar, para estes senhores espertos e seus seguidores bobos, pela milésima oitava vez, os fundamentos de uma economia diferente do capitalismo ao qual eles se adaptam tão bem, uma cultura diferente da alienação urbanóide na qual estão mergulhados, uma utopia que pudesse salvá-los do vazio existencial ao qual o pragmatismo os condena.

Mas não adianta. Agora, são favas contadas. O presidente da República deles sancionará a lei “dentro de alguns dias”, como dizem em seus informes oficiais. Tenho, portanto, todas as horas do futuro para escrever minhas lamentações –pois não serão mais que isso.

Faço, por agora, apenas um aviso amigo. Ao desprezar a modesta opinião e a frágil resistência dos poucos que se manifestam contra essa desastrosa mudança, os vitoriosos defensores do novo confuso horário estão desligando a pouca sintonia que ainda mantinham com parcelas ao mesmo tempo elevadas e profundas da alma amazônica (que são minoritárias justamente por serem elevadas e profundas, pois a muito pouca gente é permitida maior distância no mergulho e no vôo).

Entendam como quiserem, ironizem à vontade. Sei o que estou dizendo.

E agora vou aproveitar um pouco a friagem, antes que acabe.

Antonio Alves escreve no blog O Espírito da Coisa.

VOLTA, JORGE

Não fosse o compromisso com o leitorado deste blog, estejam certos, já estaria na disputa pela liderança do "Volta, Jorge" - aquele movimento que se forma no Acre desde o ano passado em defesa do retorno do ex-governador Jorge Viana ao centro do poder político.

Embora o senador Tião Viana (PT) permaneça em campanha para suceder ao governador Binho Marques (PT) em 2010, duas ações do mandato dele -os estudos para prospecção de petróleo e gás e o projeto de mudança do fuso horário do Acre- serviram para expor a diferença de estilo que há entre ele e o irmão Jorge Viana.

Os companheiros de Tião Viana na Frente Popular do Acre (FPA) costumam reconhecê-lo como um parlamentar influente da política brasileira, mas assinalam que o mesmo demonstra enorme incapacidade para "construir consenso" na política estadual. É bem diferente de Jorge Viana, cuja enorme habilidade lhe permite eventualmente temperar a política com manteiga rançosa, não sem antes convencer a todos os seus aliados de que consomem baunilha da floresta.

Nos últimos meses, várias lideranças da FPA dizem oficiosamente que o ex-governador Jorge Viana começa a dar sinais de que será ele e não Tião Viana o sucessor de Binho Marques. Dizem até que a candidatura de Tião Viana ao governo poderia significar o esgotamento do discurso que originou o avanço do PT no Acre.

E surgem pareceres do tipo quem é mais ou menos líder, criativo, executivo, democrata, rancoroso, de esquerda ou de direita etc. O certo é que permanece aquele impasse já observado neste blog: caso Tião Viana seja o candidato eleito em 2010, a volta de Jorge Viana ao governo estadual estará comprometida por mais de uma década por força da legislação eleitoral.


Ele não poderia ser candidato para suceder Tião Viana após quatro ou oito anos de mandato. Teria que ser eleito um novo governador-tampão, como o é Binho Marques, cuja assessoria nega até debaixo d'agua que tenha a pretensão de concorrer à reeleição. Portanto, é inimaginável que Jorge Viana venha a amargar no mínimo 12 anos longe do Poder Executivo.

Faço essas observações após ler em A Tribuna que Jorge Viana passou o dia em conversas com os publicitários da Companhia de Selva e que "havia um clima de descontração, mas com certeza não falavam de helicópteros nem da morte da bezerra".

- É sempre bom saber o que Jorge Viana anda pensando - disse ao jornal o presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães (PC do B).

Poucos acreditam naquela declaração do ex-governador, segundo a qual, se for convidado, disputará uma vaga do Senado.

- Mas se não for convidado (sic) a disputar cargos estarei ajudando os companheiros com a minha experiência e dedicação - completou Jorge Viana na mesma entrevista.

Cargos, bem entendido. De senador nem tanto, mas sobretudo de governador. O que ele espera é que não falte gente disposta a liderar o "Volta, Jorge".

IMPRENSA VOLÚVEL

Evandro Ferreira

Vejam como são as coisas. Algum tempo atrás, quando a assessoria de imprensa do senador Tião Viana (PT-AC) 'mandou' os diários locais divulgar que ele era a favor de um plebiscito para modificar nosso fuso horário, todos correram para caprichar na apresentação da matéria. Para agradar ao senador, a maioria fez chamadas de primeira página, dando o maior destaque possível.

Agora o projeto de mudança do 'nosso' fuso horário foi aprovado no Senado sem plebiscito algum. Aliás, o projeto de plebiscito foi 'silenciosamente' arquivado a pedido de seu autor, Tião Viana, e a mesma imprensa que deu manchetes de primeira página sobre o assunto, não deu sequer uma nota de rodapé informando o seu arquivamento.

Questionar o senador para saber as razões? Quem seria maluco de cometer uma loucura dessas? Parece cômico, mas dá até para imaginar que seria mais fácil os integrantes da imprensa local, quando questionados, tentarem desconversar e responder:

- Plebiscito? O que é isso? Não estou sabendo disso não!

Pois bem. Agora sabemos que a mudança do 'nosso' fuso horário foi uma barganha política usada para aplacar a ira dos empresários do setor de comunicação que estão lutando pela revogação da Portaria 1.220/2007, que obriga as emissoras de TV a obedecerem a classificação indicativa da programação que exibem.

Em outras palavras: o senador acreano, que o seu assessor de imprensa reputa "um dos homens mais importantes da República", não precisou articular nada para garantir a aprovação do mesmo. Nem mesmo brigar para que ele entrasse em pauta. O lobby das empresas de comunicação fez tudo.

E o que a imprensa local publica sobre o assunto? Uma versão fantasiosa da aprovação, tentando passar ao público acreano a idéia de que o senador é um "herói" do povo ao garantir a aprovação do projeto.

Agora vem a etapa mais fácil da mudança do fuso horário. A sanção do presidente Lula. Mais uma vez, a pressão e a razão da sanção presidencial vêm toda do lobby das empresas de comunicação, que, se pudessem, revogariam a Portaria 1.220/2007. Na impossibilidade disso, estão garantindo a mudança do nosso fuso horário. É importante dizer que sem isso, sem o lobby da Globo e companhia, o projeto do senador acreano iria dormir, como estava, em berço esplêndido no Senado por um longo tempo.

E tem mais: se ninguém fizer nada, as empresas de comunicação vão tentar impor o fuso horário único nacional. Vão tentar, inclusive, acabar com o horário de verão ou fazer com que todo o país passe a adotar o mesmo. Tudo para que elas possam economizar na adequação da programação para regiões que não adotam o referido horário, como tem sido o caso do Norte e Nordeste do país.

Como a imprensa local nunca se furtou em mostrar que os acreanos detestavam quando o Acre era obrigado a adotar o horário de verão, publicando até longos editoriais contra a adoção do mesmo, quero ver o que vai acontecer se o senador resolver, mais uma vez, trabalhar em favor dos empresários de comunicação.

O que vai acontecer se Tião Viana "impuser" a adoção do horário de verão no Acre? O que a imprensa local vai fazer já que sempre demonstrou ser visceralmente contra no passado?

Eu posso imaginar o que vai acontecer. A imprensa vai passar a noticiar que o horário de verão é a coisa mais maravilhosa do mundo. E por que digo isso?

Dêem uma passada rápida nas colunas de alguns jornais locais de hoje (18/04) e verão que bastou uma ligação do assessor de imprensa do senador, Romerito Aquino, e a maioria dos colunistas locais "correu" para colocar notas elogiosas ao projeto de mudança do fuso horário acreano, tendo em vista a sanção presidencial iminente do mesmo.

Esse comportamento volúvel da nossa imprensa parece cômico e lembra o comportamento da imprensa francesa na época em que Napoleão voltou, pela força, ao poder. Quanto mais se aproximava de Paris, mais elogiosas eram as matérias sobre o tirano. No dia que entrou na capital, era Deus em pessoa.

O pesquisador Evandro Ferreira escreve no blog Ambiente Acreano.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

SEMANA DO ÍNDIO


A programação da Semana do Índio começa amanhã, às 9 horas, no Mercado Velho, na Praça da Bandeiena, com uma exposição indígena. As 17 horas, na concha acústica Jorge Nazareth, no Parque da Maternidade, será realizado um mariri yawanawa.

No sábado, a partir das 9 horas, na Comissão Pró-Índio (estrada Transacreana, Km 9), a abertura do II Fórum dos POvos Índigenas do Acre, que será encerrado na segunda-feira.

No auditório da Biblioteca da Floresta, uma programação temática: filmes, mesa-redonda, exposição de publicações indígenas e produções indígenas de vídeos.

Comentário do Lindomar Padilha, coordenador do Conselho Indigenista Missionário no Acre:

"Caro Altino,

A semana dos povos indígenas deixou, pelo menos no Acre, de ser uma semana em que os indígenas posam expressar suas idéias e reivindicações para ser um momento em que pequenos detentores de pequenos poderes a serviço dos grandes poderosos se ocupam em falar da "cultura exótica" desses povos. Os índios, nesse contexto, são apenas peças de museu.

No Acre existem ainda 17 terras a serem demarcadas (no regional assistido pela Funai Acre) sem falar nas terras ocupadas por povos indígenas ainda sem contato com a sociedade nacional como é o caso dos isolados do Chandles e os isolados do Igarapé Tapada, no Parque Nacional da Serra do Divisor.

A assistência à saúde indígena está lastimável. Amargamos uma pirigosa liderança nos casos de tuberculose e hepatite nas comunidades indígenas.

De todos os casos de violência contra os povos indígenas nos últimos 12 anos, nenhum agressor ou criminoso foi condenado, como o caso do policial militar que assassinou o índio Raimundo Silvino no município de Feijó e, ao contrário de ser condenado pelo assassinato covarde, foi promovido.

Grande parte das ações e medidas de mitigação por causa da pavimentação da BR 364 que foram acordadas a partir do EIA/RIMA não foram cumpridas e ninguém recebeu indenização ainda.

Muitas outras coisas lamentáveis poderiam ser assinaladas aqui mas, vou poupar o leitor de tantas desgraças sem no entanto deixar de dizer que os índios estão mais para velório que para festa".

SÓ A PESQUISA PODE DAR RESULTADOS

Fátima Almeida

É ilusão acreditar que as pessoas que chegam ao poder no Acre, através de eleições, o façam sem uma base econômica. Aqui não se vence eleições por menos de R$ 150 mil e só quem pode bancar isso são os pecuaristas e os empreiteiros, o que dá no mesmo, pois estes servem também àqueles. Além do mais, existe o megaprojeto de embelezamento das capitais na Amazônia pobre para atender aos interesses das megaempreiteiras com extremo rigor sobre as populações carentes que moram em áreas alagadas, não podem sair de casa quando chove, não têm sistema de esgoto, e quando conseguem montar um pequeno negócio no centro são enxotados de volta para a periferia que já explodiu há muito tempo.

Na semana passada encontrei um jovem casal que veio de Tarauacá para “tomar de conta” de uma colônia, para onde conduziam, na cabeça, um sacolão, através de um ramal imprestável com três meninos cujos braços pareciam palitos.

- Vim pra cá por conta de melhoria na saúde, porque meus três filhos têm essa tal de hepatite, e lá é mais difícil de tratar. Fui eu que passei para eles mas, eu num sabia” - disse a mulher, sem nenhum dente na boca, que não sabe o que é jornal muito menos blog. Enquanto isso, a Embrapa dá início à inseminação artificial, conforme ouvi dizer.

Em Manaus, pelo menos existe o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que faz pesquisas voltadas para o sócioambiental. Aqui no Acre não tem sequer um núcleo do Inpa cujo ministério, o da Ciência e Tecnologia, apresenta mais resultados que o Ministério do Meio Ambiente, que é um mero aporte burocrático, com tremendo desgaste para a Marina Silva.

A pecuária no Acre está à frente de todos os demais setores da economia, pois compreenderam que não é mais possível fazer coisa alguma sem aporte científico. Os organismos de meio ambiente, desde a gestão do ex-governador Flaviano, é passagem de pesquisadores que logo se mandam para ser consultores do BID. Mas isso é compreensível porque ninguém, em sã consciência, vai desafiar grupos tão poderosos isolados em meio à uma massa de analfabetos e pequenos grupos de intelectuais de classe média altamente personalistas.

O que ainda podemos esperar é que pessoas como Perpétua Almeida, Henrique Afonso e outros deputados corram atrás do prejuízo e pressionem o Governo Federal para trazer o Inpa que, em parceria com a Universidade Federal do Acre, como ocorre em Manaus, dê impulso às pesquisas de cunho sócioambiental. Sinceramente, acho que está na hora de abandonar de vez esse personalismo generalizado que não traz nenhum resultado. Só a pesquisa pode trazer resultados.

Fátima Almeida é historiadora

quarta-feira, 16 de abril de 2008

3ª FEIRA BRASIL CERTIFICADO


Começou hoje, em São Paulo, a 3ª Feira Brasil Certificado, promovida pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), em parceria com Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), Amigos da Terra - Amazônia Brasileira e Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil).

O Acre participa com o maior dos 34 stands do evento, cujo objetivo é promover o setor florestal brasileiro comprometido com a sustentabilidade. O stand acreano é um dos mais visitados da feira, que encerra na sexta-feira, quando terá recebido cerca de 10 mil pessoas.

Cheguei a tempo de assistir a abertura, ocorrida hoje, às 13 horas, mas meia hora antes fui tirado de combate por causa de uma crise alérgica já debelada.

O secretário estadual da Floresta, Carlos Ovídio "Resende" Duarte, circula com prestígio no Centro de Eventos S. Luis por causa da imagem positiva do Acre. Na foto, o secretário sendo entrevistado por André Trigueiro, da Globo News, para o programa Cidades e Soluções.

O DILEMA DE MEDÉIA

Narciso Mendes

Instada a decidir entre a razão e a vontade irracional, ou melhor, entre seguir as orientações do seu próprio pai ou ter que ficar ao lado do marido Jazão, conta Ovídio em suas Metamorfoses, como Medéia superou o angustiante dilema que vivia: “Enxergo e louvo o que é melhor, mas sigo o que é pior”, assim reagiu.


Do mais burro ao mais letrado oposicionista, eleitoral e matematicamente falando-se, ninguém se atreve a duvidar que a retomada do poder passa necessariamente pela unidade das oposições, enfim, enquanto mantiverem-se divididas, manter-se-ão distante do poder, porquanto suas portas são bastante estreitas para permitir a entrada dos arredios e dos doidivanas.

No Acre dos dias atuais, aqueles que dizem fazer oposição à FPA, ao que tudo indica, parecem resignados a permanecer na oposição, afinal de contas, cada corrente oposicionista pensa e age isoladamente. Prova disto, já contam com uma penca de candidatos, cada um querendo engolir o outro, enquanto do outro lado, o atual prefeito Raimundo Angelim, candidato natural da Frente Popular do ACre (FPA), sequer precisou perder um só minuto do seu tempo tratando de candidaturas. Nem mesmo da sua.

Considerada a maior e mais azeitada máquina eleitoral que o Acre já conheceu, não será brincando de fazer política que seus opositores desalojarão a FPA do poder. Tampouco será com artimanhas de última hora que comporão um conjunto de forças capaz de enfrentá-la.

A unidade como condição sine qua non e a perspectiva de poder não só como objetivo, mas como uma possibilidade real, são requisitos absolutamente indispensáveis ao fortalecimento das oposições. Não satisfeitas essas condições, não faz sentido algum se falar em seu nome, a não ser, para cumprir tabela. A escolha do candidato – e não dos candidatos – é a última coisa a ser feita pelas oposições, até porque, enquanto existir mais de um candidato, com certeza, a vontade irracional continua prevalecendo sobre a razão.

Medéia ficou ao lado de Jazão, mas sabia, plena e conscientemente, que tinha feito a pior opção, diferentemente dos oposicionistas do Acre que sequer sabem avaliar a importância, ou mais precisamente, simplesmente com sua unidade, afinal de contas, da voz de nenhum dos muitos candidatos oposicionistas ainda não ouvimos as razões que justifiquem suas suicidas decisões.


Dilema é dilema! Burrice é burrice!

O empresário Narciso Mendes, dono da TV e do jornal Rio Branco, escreve neste blog às quartas-feiras.