O Inpe revela, a partir de imagens do satélite NOAA, que o Acre hoje, com 325 focos, foi o que mais contribuiu com o total de 1329 queimadas no país. Os municípios mais atingidos continuam sendo Acrelândia, Brasiléia e Xapuri, onde uma brigada combate os focos de queimadas.
O assessor especial da Diretoria de Proteção Ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), Kleber Alves, disse à Agência Brasil que especialistas em combate ao fogo e a força-tarefa de Bombeiros de Brasília irão auxiliar no planejamento da ação para conter o incêndio que há uma semana castiga áreas de preservação florestal no Acre.
"Estamos fortalecendo e ampliando as equipes que estão no combate, aumentando a logística e incorporando mais homens", disse.
Segundo o assessor, o incêndio está concentrado no Vale do Rio Acre, principalmente dentro da reserva Chico Mendes, mas ainda não é possível fazer uma estimativa da área queimada.
A meteorologia prevê chuvas na região até amanhã. "A chuva é fundamental e vai, de fato, eliminar totalmente todo o risco de incêndios florestais", declarou.
Na última semana, 12 municípios do Acre decretaram estado de emergência por conta da fumaça que vem das queimadas no Mato Grosso, Rondônia e Bolívia.
A longa estiagem na Amazônia e o agravamento das queimadas no Arco do Desmatamento continuam sendo acompanhados de modo superficial e incompetente pela mída brasileira.
A mídia prefere destacar, por exemplo, o trabalho da repórter da BBC Brasil Denize Bacoccina, que está em Houston, no Texas, próxima às áreas atingidas pelo furacão Rita. Ela conta como está a cidade, o que as pessoas estão fazendo e quais as reações de todos devido à tempestade.
Katarina, Rita, Severino... A mídia prefere permanecer de costas ou tratando com preconceito a região mais rica do Planeta.
domingo, 25 de setembro de 2005
RIQUEZA DA HORA

Já estou cansado de revelar aqui ou registrar denúncia no Instituto de Meio Ambiente do Acre contra o tráfego permanente de caminhões carregados de madeira que transitam, sobretudo à noite e nos finais de semana, na frente de minha casa, na estrada da Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra.
Os caminhões com madeira supostamente ilegal vêm da estrada de Porto Acre e seguem com destino aos pátios das serrarias do Distrito Industrial de Rio Branco. Quando alguém registra denúncia junto aos órgãos de fiscalização, ouve sempre a alegação de que é madeira oriunda de área de manejo.
Pesquisa da engenheira agrônoma Simone Aparecida Vieira, da Universidade de São Paulo, revela que existem nas florestas e nos pátios das serrarias do Acre árvores de porte pequeno, sendo que as mais jovens têm 200 anos.
A agrônoma datou, com Carbono 14, a idade de várias árvores em Rio Branco, tais como: castanheira (1050 anos), andiroba (920), angelim rajado (572), bálsamo (542), catuaba rosa (540), cumaru ferro (445). O manejo florestal de madeira estabelece ciclos de exploração de 25 ou 30 anos.
- Esta constatação pode alterar o enfoque dado até o momento aos planos de manejo florestal nos quais os pontos principais são as árvores de interesse econômico e o tempo que estas levam para atingir o diâmetro comercial - afirma Simone Vieira.
A dinâmica do crescimento e mortalidade das árvores e os fatores que controlam estes processos, ainda são pouco conhecidos. Alguns trabalhos revelam que de maneira geral, nas florestas tropicais a biomassa acima do solo é constituída de poucas árvores muito grandes, que representam a maior fração da biomassa total, e algumas árvores menores, que juntas constituem uma pequena porção da biomassa.
A floresta de terra firme da Amazônia compreende 41% da área total de florestas úmidas do planeta (FAO 1991), com aproximadamente 250 milhões de hectares e cerca de 30% do estoque global de carbono vegetal. Acima de 50% do carbono presente na floresta Amazônica, encontra-se na biomassa dos tecidos lenhosos como troncos, galhos e raízes grossas.
A pesquisa foi apresentada ao Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Universidade de São Paulo, para obtenção do título de doutora.
O trabalho faz parte do projeto “Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia” (LBA), que é uma iniciativa de pesquisa internacional liderada pelo Brasil e tem por objetivo “gerar novos conhecimentos para entender o funcionamento climatológico, ecológico, biogeoquímico e hidrológico da Amazônia, o impacto das mudanças no uso da terra nesses funcionamentos e as interações entre a Amazônia e o sistema biogeofísico global da terra”.
Nota do blog: o economista Mário Lima envia o seguinte comentário:
Caro Altino, não faz sentido o Assuero Veronez reclamar da falta de trabalhos acadêmicos ou de base científica. Peço que destaque a seguinte passagem da tese da doutora Simone Vieira:
"A vegetação e o clima coexistem num equilíbrio dinâmico, que pode ser alterado por perturbações diversas em qualquer um dos dois componentes. Com o crescente desmatamento nos trópicos úmidos (Lawrence et al., 2001), vários estudos vêm sendo conduzidos visando entender as interações existentes entre mudanças ocorridas tanto na distribuição dos diversos tipos de vegetação, como na sua estrutura e composição química, e o clima (Semazziet al., 2001, Foley et al., 2002). Dentre esses estudos pode-se citar experimentos de microescala em torres meteorológicas, perfis de umidade e de fluxos gasosos entre a superfície e a atmosfera (Gash & Nobre, 1997; Shuttleworth et al., 1991). Tais experimentos mostraram os efeitos do desmatamento sobre a precipitação e a evaporação, demonstrando que mudanças na vegetação podem influenciar o clima regionalmente".
COTIDIANO
sábado, 24 de setembro de 2005
VIVA TXAI TERRI!

A história contemporânea do Acre, marcada por lutas e sacrifícios do movimento social em defesa das florestas e dos povos que nela habitam, teria tomado outro rumo sem a presença do antropólogo Terri Vale de Aquino. Dá até para dividir essa história em antes e depois de Terri Aquino.
Até 1974, em plena ditadura militar, o Brasil não reconhecia oficialmente, no Acre, a existência das nações indígenas. Foi o então governador Geraldo Mesquita, pai do senador Geraldo Mesquita Jr., o primeiro a solicitar à Funai que tratasse de identificá-las.
Coube ao acreano Terri Aquino, recém-formado, iniciar o trabalho há 35 anos, quando fez sua primeira viagem subindo o rio Jordão, com destino à fronteira do Brasil com o Peru, onde os índios kaxinawá viviam como escravos dos patrões seringalistas.
Terri Aquino abriu caminhos para que os kaxinawá se organizassem para conduzir a própria história de libertação. Os primeiros passos foram a reivindicação pela demarcação da terra, alfabetização e a criação de cooperativas de produção e consumo.
Libertos do cativeiro, o povo kaxinauá e Terri Aquino transformaram a experiência num movimento que envolveu as demais etnias na luta por conquista de suas terras, prosperidade e afirmação cultural. O mapa do Acre teve que ser redesenhado pela força da dedicação do antropólogo e da organização dos povos indígenas.
Wilson Pinheiro e Chico Mendes se espelharam na organização indígena para liderarem os trabalhadores rurais no movimento de resistência à pecuária extensiva que expulsava milhares de seringueiros de suas colocações.
Mas adiante, após o assassinato de Chico Mendes, a aproximação de índios e seringueiros foi batizada de Aliança dos Povos da Floresta.
Terri Aquino foi decisivo para que os índios conquistassem mais de 30 terras no Estado, que hoje estão em graus variados de demarcação, reconhecimento e regularização. As terras estão distribuídas em 11 municípios e ocupam mais de 2 milhões de hectares.
Acompanhado de vários amigos e amigas, tive o prazer de passar a tarde comemorando os 59 anos do Txai Terri. Comemos muito peixe moqueado.
Terri continua humilde e desapegado de qualquer ambição material, preocupado que é com o destino dos índios. Não possui bens a declarar ao imposto de renda, o que inclui terreno ou casa para morar.
- Isso é coisa pra vocês. No dia que eu comprar um palmo de terra, vai acontecer comigo o mesmo que aconteceu com Guimarães Rosa. O Rosa avisou que morreria quando aceitasse ingressar na Academia Brasileira de Letras. E morreu mesmo no ano que aceitou o convite.
Vida longa ao Txai Terri!
HONROSA CONDECORAÇÃO
Por Toinho AlvesQuando eu era um jovem trotskista, em Brasília, fiquei sabendo de um acreano que fazia pós-graduação em Antropologia e tinha uma certa atitude de desprezo pelo movimento estudantil, que considerava “pequeno-burguês”.
Era um tal de Terri Aquino que, com isso, ganhou minha antipatia imediata. Quando voltei para o Acre e ele já estava por aqui, não quis saber de proximidade com ele.
Mas eu era casado com a Isla e ele com a Vera, as duas eram muito amigas e viviam “fazendo o cartaz” de um para o outro, querendo promover uma aproximação.
Diziam que éramos muito parecidos, dois velhos que gostavam de ficar em casa falando sobre livros ao invés de ir para as festas. Tanto fizeram que o encontro acabou acontecendo. Deu certo e para sempre.
Sou padrinho da Isabel, filha dele com a Vera, e ele é “padrinho de apresentação” do Samuel, meu filho com a Rejane.
Trabalhei sob a liderança dele na Comissão Pró Índio. Não recebi nenhum centavo, pois os repasses dos projetos foram suspensos e o Terri mandou nossos salários para as aldeias.
Viajei com ele pelo Juruá e Tejo. Tomamos juntos muita ayahuasca. Aprendemos muita coisa juntos. Aprendi e aprendo muita coisa com ele. Ser seu amigo é uma honrosa condecoração que a vida me deu.
SAUDOSA MALOCA
Por GiselaTerri, seu bobo. Nem me convidou pra sua festa! Não vou mais dançar com você na Saudosa Maloca.
RUTIN
Por Elson MartinsEm 1975 comecei a atuar como repórter regional de O Estado de S.Paulo em Rio Branco e conheci o sertanista José Porfírio de Carvalho, que estava instalando a Ajudância da Funai na capital do Acre. Ele passou a ser uma fonte preciosa sobre a questão indígena que estava sendo retomada no Estado.
Na época, a sociedade acreana não contava mais com a existência de índios na região, embora a Funai estivesse iniciando os trabalhos de identificação de grupos étnicos e de suas terras.
Numa manhã de 1976, Carvalho reclamou de um antropólogo contratado pela Funai que não teria concluído seu trabalho de identificação nos rios Tarauacá e Jordão:
-Eu recebi a informação de que o “fila da puta” passa a maior parte do tempo na cidade, no fundo de uma rede. Mandei um avião teco-teco busca-lo e vou recomendar sua demissão - disse-me, furioso.
Decidi acompanhá-lo até o aeroporto para conhecer o antropólogo vadio. Quando Terri Aquino desembarcou em Rio Branco era um fiapo de gente. Sofrera uma meia dúzia de malárias e ainda não tinha curado a última.
Enquanto Carvalho se entendia com o piloto sobre o frete do avião, nós nos apresentamos na estação de passageiros. Fiquei feliz de saber que aquele sujeito debilitado era acreano e tinha história de vida parecida com a minha, com passagem pelo seringal. Quando Carvalho se desembaraçou do piloto nós já éramos “cúmplices”.
Mas o sertanista, que havia trabalhado na frente de atração dos índios waimiri-atroari, no Estado do Amazonas, e tinha temperamento até policialesco em defesa dos índios, era sujeito de bom caráter, com senso de justiça: mudou logo sua opinião sobre o antropólogo que também estava conhecendo naquela ocasião.
Daquele dia em diante, eu e Terri nos tornamos parceiros-irmãos, aliados na luta em defesa dos povos da floresta...Uma luta que ainda não terminou. Ele se metia nos matos e minha casa passou a ser seu endereço para correspondência. De onde estivesse, me escrevia cartas falando dos problemas e dificuldades que encontrava.
A partir de 1977 tornou-se repórter e redator especial do alternativo Varadouro para produção de textos sobre os índios do Acre. E dentro da redação do jornal criou com outras pessoas a Comissão Pró-Índio do Acre, que se transformou na prestigiada ONG acreana que todos reconhecem.
Em 1996 recebi um exemplar do livro “Kaxinawa do Rio Jordão –História, Território, Economia e Desenvolvimento Sustentado”, que ele escreveu em parceria com o Marcelo Piedrafita Iglesias.
Na dedicatória me trata de “Rutin” (irmão mais velho na linguagem dos Kaxis) afirmando: “Você foi a pessoa que me fez ficar aqui no Acre por esses longos anos”.
E acrescenta, avaliando sua própria obra: “Às vezes penso que escrevo para espíritos que ainda vão ser encarnados”.
Vida longa para você, Txai Terri!
FUMAÇA E FAZENDEIROS
Por Assuero Veronez
Tempos duros estes. De um lado sofrendo, como toda a sociedade, os efeitos danosos das queimadas em relação à saúde e qualidade de vida. De outro lado, os prejuízos vultosos das benfeitorias e plantações destruídas, gado emagrecendo e morrendo, noites em claro lutando contra o fogo tentando proteger as propriedades, desespero total daqueles que já perderam tudo. Futuro sombrio pela frente. Menos produtividade, maiores custos de recuperação, dívidas bancárias vencendo, etc. O quadro é dramático.
Mas, como miséria pouca é bobagem, ainda levamos peia como os responsáveis pela situação. Mais um prejuízo, agora político, de imagem, que vínhamos lutando para mudar.
A bem da verdade devo-1he dizer o seguinte: se existe o fogo, alguém o ateou. E esse alguém, na maioria das vezes, foi um produtor rural. A prática e a tradição da queimada do roçado ou da capoeira continua. As campanhas de educação ambiental têm sido tímidas e a introdução de tecnologias que substituem o fogo são ainda incipientes.
Exceção: os fazendeiros, assim entendidos aqueles de médio e grande porte, que têm acesso à informação, ao conhecimento e às tecnologias, que já aprenderam, há muito tempo, que o fogo é não só desnecessário como também prejudicial às pastagens. Portanto, fazendeiro não queima mais pastagens (ressalvo alguma exceção, porque sempre há algum energúmeno). Estamos sim sendo as maiores vítimas dessa situação e ainda levando "pau" da mídia. Assim é dose...
Para alongar um pouquinho a discussão, devemos lembrar da atipicidade do clima este ano (e aí as queimadas se tornam incêndios) e do fator fumaça dos últimos dias que sabidamente não é nossa (veja que até Cruzeiro do Sul está na mesma situação).
Não quero discutir aqui a questão do modelo de desenvolvimento tão criticado por você. Mas seria bom levantar esse debate em qualquer outra ocasião. Todavia discordo, juntando os mesmos argumentos "científicos", de que a seca deste ano decorre do desmatamento. Isso não é verdade. O argumento é simplista e desprovido de embasamento técnico. Qualquer trabalho nesse sentido é falsa ciência. Lembro apenas que o Acre tem 90% de florestas e a Amazônia tem 86%. Para comparar, a Mata Atlântica tem apenas 7% remanescente. E não me consta que o Sul/Sudeste tenha tido grandes secas por esse motivo.
Períodos secos no Acre têm sido descritos anteriormente. No livro de Genesco de Castro que descreve a história de Plácido de Castro há um trecho em que cita que o batalhão atravessou o Rio Acre a pé, com água pelos joelhos, face a seca daquele ano onde mal se podia navegar de canoa. Os mais antigos referem-se à grande seca de 1972, que teria sido mais severa que esta. Fenômenos climáticos são de causas e explicações bem mais complexas. Portanto é melhor não atribuirmos culpa a algo ou alguém sem um fundamento mais sólido. É, no mínimo, injusto.
Vamos torcer pra chover. Talvez mandar trazer aquele índio que por ocasião do incêndio de Roraima fez a dança da chuva e choveu.
Nota do blog: O pecuarista Assuero Veronez é presidente da Federação de Agricultura do Acre. A opinião dele foi dirigida ao jornalista Sílvio Martinelo e publicada hoje em sua Gazeta.
Tempos duros estes. De um lado sofrendo, como toda a sociedade, os efeitos danosos das queimadas em relação à saúde e qualidade de vida. De outro lado, os prejuízos vultosos das benfeitorias e plantações destruídas, gado emagrecendo e morrendo, noites em claro lutando contra o fogo tentando proteger as propriedades, desespero total daqueles que já perderam tudo. Futuro sombrio pela frente. Menos produtividade, maiores custos de recuperação, dívidas bancárias vencendo, etc. O quadro é dramático.
Mas, como miséria pouca é bobagem, ainda levamos peia como os responsáveis pela situação. Mais um prejuízo, agora político, de imagem, que vínhamos lutando para mudar.
A bem da verdade devo-1he dizer o seguinte: se existe o fogo, alguém o ateou. E esse alguém, na maioria das vezes, foi um produtor rural. A prática e a tradição da queimada do roçado ou da capoeira continua. As campanhas de educação ambiental têm sido tímidas e a introdução de tecnologias que substituem o fogo são ainda incipientes.
Exceção: os fazendeiros, assim entendidos aqueles de médio e grande porte, que têm acesso à informação, ao conhecimento e às tecnologias, que já aprenderam, há muito tempo, que o fogo é não só desnecessário como também prejudicial às pastagens. Portanto, fazendeiro não queima mais pastagens (ressalvo alguma exceção, porque sempre há algum energúmeno). Estamos sim sendo as maiores vítimas dessa situação e ainda levando "pau" da mídia. Assim é dose...
Para alongar um pouquinho a discussão, devemos lembrar da atipicidade do clima este ano (e aí as queimadas se tornam incêndios) e do fator fumaça dos últimos dias que sabidamente não é nossa (veja que até Cruzeiro do Sul está na mesma situação).
Não quero discutir aqui a questão do modelo de desenvolvimento tão criticado por você. Mas seria bom levantar esse debate em qualquer outra ocasião. Todavia discordo, juntando os mesmos argumentos "científicos", de que a seca deste ano decorre do desmatamento. Isso não é verdade. O argumento é simplista e desprovido de embasamento técnico. Qualquer trabalho nesse sentido é falsa ciência. Lembro apenas que o Acre tem 90% de florestas e a Amazônia tem 86%. Para comparar, a Mata Atlântica tem apenas 7% remanescente. E não me consta que o Sul/Sudeste tenha tido grandes secas por esse motivo.
Períodos secos no Acre têm sido descritos anteriormente. No livro de Genesco de Castro que descreve a história de Plácido de Castro há um trecho em que cita que o batalhão atravessou o Rio Acre a pé, com água pelos joelhos, face a seca daquele ano onde mal se podia navegar de canoa. Os mais antigos referem-se à grande seca de 1972, que teria sido mais severa que esta. Fenômenos climáticos são de causas e explicações bem mais complexas. Portanto é melhor não atribuirmos culpa a algo ou alguém sem um fundamento mais sólido. É, no mínimo, injusto.
Vamos torcer pra chover. Talvez mandar trazer aquele índio que por ocasião do incêndio de Roraima fez a dança da chuva e choveu.
Nota do blog: O pecuarista Assuero Veronez é presidente da Federação de Agricultura do Acre. A opinião dele foi dirigida ao jornalista Sílvio Martinelo e publicada hoje em sua Gazeta.
"EMPATE" NO ACRE

O Movimento dos Pequenos Agricultores do Acre assina o manifesto "Governo devasta a floresta: vamos empatar" no qual convoca a população a impedir a retirada de madeira do projeto de manejo sustentado da Floresta Estadual do Antimary. O "empate" está marcado para ocorrer a partir das 8 horas de segunda-feira, na BR-364, no município Bujari, a 32 quilômetro de Rio Branco.
Na última entrevista de Chico Mendes, publicada no Jornal do Brasil no Natal de 1988, quatro dias após o seu assassinato, o líder sindical e ecologista explicou o que é "empate" ao jornalista Edilson Martins:
- É uma forma de luta que nós encontramos para impedir o desmatamento. É forma pacífica de resistência. No início, não soubemos agir. Começavam os desmatamentos e nós, ingenuamente, íamos à Justiça, ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), e aos jornais denunciar. Não adiantava nada. No empate, a comunidade se organiza, sob a liderança do sindicato, e, em mutirão, se dirige à área que será desmatada pelos pecuaristas. A gente se coloca diante dos peões e jagunços, com nossa famílias, mulheres, crianças e velhos, e pedimos para eles não desmatarem e se retirarem do local. Eles, como trabalhadores, a gente explica, estão também com o futuro ameaçado. E esse discurso, emocionado sempre gera resultados. Até porque quem desmata é o peão simples, indefeso e inconsciente.
A Floresta Estadual do Antimary abrange uma área de 66.168 hectares, no centro-leste do Estado do Acre, no município de Bujari, com o nordeste da área fazendo fronteira com o Estado do Amazonas. O Plano de Manejo de Uso Múltiplo da Floresta Estadual do Antimary é financiado pela International Tropical Timber Organization (ITTO), com contrapartida do Governo do Brasil, sendo executora a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (FUNTAC).
O projeto representa um passo importante para o desenvolvimento de técnicas para utilização dos recursos florestais sob um regime de rendimento sustentado e integrado envolvendo as populações tradicionais no processo.
O botânico Evandro Ferreira, do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre, considera que o Antimary e demais projetos em curso no Acre poderão contribuir para o futuro da exploração florestal sustentada da região.
Segundo alerta de Ferreira, uma radicalização dos "empateiros", que resulte na paralização dessas experiências agora, antes de sua finalização, trará mais prejuízos do que benefícios para aqueles que querem formar uma opinião embasada em fatos e dados científicos sobre a validade do modelo atual de exploração sustentada.
- Portanto, "empateiros", critiquem e protestem, mas deixem democraticamente a experiência do Antimary finalizar, pois sem os resultados dela, ninguem vai poder ter argumentos sólidos para contestar ou celebrar o sucesso ou fracasso do modelo de exploração. Nem o pessoal de lá, nem vocês - adverte o pesquisador.
Em nome da "diversidade de opiniões", Evandro Ferreira foi o primeiro a tornar pública, no blog Ambiente Acreano, a organização do "empate". Ele até criou o blog temporário Biodiversidade Acreana para publicar a íntegra do manifesto do MPA.
sexta-feira, 23 de setembro de 2005
FUMAÇA NA AMAZÔNIA
O portal da organização Amigos da Terra - Amazônia Brasileira destaca reportagens especiais sobre a fumaça que encobre o Acre.
Além de citado na reportagem principal, a editoria do portal fez bom uso de texto e imagens desse modesto blog.
Amigos da Terra distribui diariamente uma newsletter para extensa lista de assinantes dentro e fora do país.
Veja em Amazônia.
Além de citado na reportagem principal, a editoria do portal fez bom uso de texto e imagens desse modesto blog.
Amigos da Terra distribui diariamente uma newsletter para extensa lista de assinantes dentro e fora do país.
Veja em Amazônia.
TRÓPICOS EM CHAMAS
O botânico Evandro Ferreira destaca no blog Ambiente Acreano uma imagem assustadora que reúne os pontos de fogo ocorridos no mundo nos últimos 10 dias.
O arco do fogo, que se estende do Acre ao norte do Pará, é bem visível na imagem. A novidade é um braço do arco adentrando na direção de Cuiabá e Campo Grande.
Dá para ver a enorme quantidade de queimadas na Bolívia, na região de Santa Cruz de La Sierra, em Rondônia e no Acre. O mundo está em chamas.
- Os mais patriotas vão respirar aliviados e achar reconfortante saber que a "tecnologia do fogo" não é exclusividade dos brasileiros - alfineta Ferreira.
O arco do fogo, que se estende do Acre ao norte do Pará, é bem visível na imagem. A novidade é um braço do arco adentrando na direção de Cuiabá e Campo Grande.
Dá para ver a enorme quantidade de queimadas na Bolívia, na região de Santa Cruz de La Sierra, em Rondônia e no Acre. O mundo está em chamas.
- Os mais patriotas vão respirar aliviados e achar reconfortante saber que a "tecnologia do fogo" não é exclusividade dos brasileiros - alfineta Ferreira.
UM PRESENTÃO!
A ex-vereadora Maria Lenice da Silva Barros, mulher do deputado Roberto Filho, foi nomeada pelo governador Jorge Viana para ocupar o cargo em comissão de gerente de suporte técnico operacional, referência G-3, da Secretaria Extraordinária de Gestão Governamental.
O deputado estadual Roberto Filho é aquele que, em 20 de dezembro de 1996, invadiu a Redação do jornal Página 20, em Rio Branco, capital do Acre, para agredir e ameaçar de morte dois jornalistas. Munido de uma pistola engatilhada, o deputado atacou a pontapés o então diretor do jornal, Antônio Stélio de Castro. O jornal havia publicado reportagem da Agência Jornal do Brasil, assinada pelo então correspondente Altino Machado, sobre fraudes no vestibular na Universidade Federal do Acre.
A então vereadora Maria Lenice, mulher do deputado, fazia parte do grupo de pessoas cujas provas tiveram o mesmo número de erros e acertos. "O Stélio pagou sem culpa, mas vou pegar o Altino e matá-lo", ameaçou Roberto Filho, diante de toda a Redação do jornal.
A Associação Nacional de Jornais - ANJ enviou correspondência ao então governador do Acre, Oleir Messias Cameli, e ao deputado César Messias, que presidia a Assembléia Legislativa, manifestando preocupação com a agressão e ameaça de morte aos jornalistas. A ANJ solicitou garantia de integridade física minha e de Antonio Stélio de Castro e o pleno exercício da liberdade de imprensa. O governo do Acre, em resposta à ANJ, garantiu que as providências solicitadas foram tomadas pela Secretaria de Segurança Pública.
Por causa das ameaças, tive que passar um ano e nove meses refugiado em Brasília e Manaus. No dia 29 de dezembro daquele ano, o jornalista Elio Gaspari, escreveu a nota "O sargento cego é um deputado que enxerga", publicada em sua coluna na Folha de S. Paulo. Eis a nota:
"A banda podre do Acre, onde o governador tem quatro CPFs e sete inquéritos, acaba de ganhar um símbolo. É o ex-sargento da PM Roberto Filho, aposentado por cego e, por bom de vista, eleito deputado estadual pelo PMN. Já espancou médico de pronto-socorro e percorreu redações de jornais com um secretário de governo sob a pontaria de seu revólver.
Agora anunciou que pretende matar o jornalista Altino Machado, de 33 anos, com 15 de profissão e três filhos. Seu pecado foi ter divulgado a existência de um balcão de venda de gabaritos no vestibular (anulado) da Universidade Federal do Acre. A mulher do deputado e o filho do prefeito de Rio Branco, bem como alguns iluminados, fizeram provas idênticas.
Alguém poderia ensinar ao deputado que seria mais fácil sua mulher estudar um pouco, porque matar jornalista sempre acaba dando algum trabalho.
O pior da história, teme Altino Machado, é que quadrilhas insatisfeitas com o que escreve acabem usando a ameaça do deputado para ensinar uma lição ao Brasil, como fizeram quando mataram Chico Mendes".
O vestibular daquele ano foi anulado. Lenice responde a dois processos na Justiça Federal, sendo que um é uma ação civil pública por improbidade administrativa. Para conhecer detalhes, clique em Justiça Federal e busque pelo nome dela.
A nomeação é um presentão para quem lançou o filho candidato em sua vaga temendo a condenação num dos processos. Felizmente Bebeto Jr. foi derrotado pelo povo.
Perdôo, claro, mas não esqueço.
O deputado estadual Roberto Filho é aquele que, em 20 de dezembro de 1996, invadiu a Redação do jornal Página 20, em Rio Branco, capital do Acre, para agredir e ameaçar de morte dois jornalistas. Munido de uma pistola engatilhada, o deputado atacou a pontapés o então diretor do jornal, Antônio Stélio de Castro. O jornal havia publicado reportagem da Agência Jornal do Brasil, assinada pelo então correspondente Altino Machado, sobre fraudes no vestibular na Universidade Federal do Acre.
A então vereadora Maria Lenice, mulher do deputado, fazia parte do grupo de pessoas cujas provas tiveram o mesmo número de erros e acertos. "O Stélio pagou sem culpa, mas vou pegar o Altino e matá-lo", ameaçou Roberto Filho, diante de toda a Redação do jornal.
A Associação Nacional de Jornais - ANJ enviou correspondência ao então governador do Acre, Oleir Messias Cameli, e ao deputado César Messias, que presidia a Assembléia Legislativa, manifestando preocupação com a agressão e ameaça de morte aos jornalistas. A ANJ solicitou garantia de integridade física minha e de Antonio Stélio de Castro e o pleno exercício da liberdade de imprensa. O governo do Acre, em resposta à ANJ, garantiu que as providências solicitadas foram tomadas pela Secretaria de Segurança Pública.
Por causa das ameaças, tive que passar um ano e nove meses refugiado em Brasília e Manaus. No dia 29 de dezembro daquele ano, o jornalista Elio Gaspari, escreveu a nota "O sargento cego é um deputado que enxerga", publicada em sua coluna na Folha de S. Paulo. Eis a nota:
"A banda podre do Acre, onde o governador tem quatro CPFs e sete inquéritos, acaba de ganhar um símbolo. É o ex-sargento da PM Roberto Filho, aposentado por cego e, por bom de vista, eleito deputado estadual pelo PMN. Já espancou médico de pronto-socorro e percorreu redações de jornais com um secretário de governo sob a pontaria de seu revólver.
Agora anunciou que pretende matar o jornalista Altino Machado, de 33 anos, com 15 de profissão e três filhos. Seu pecado foi ter divulgado a existência de um balcão de venda de gabaritos no vestibular (anulado) da Universidade Federal do Acre. A mulher do deputado e o filho do prefeito de Rio Branco, bem como alguns iluminados, fizeram provas idênticas.
Alguém poderia ensinar ao deputado que seria mais fácil sua mulher estudar um pouco, porque matar jornalista sempre acaba dando algum trabalho.
O pior da história, teme Altino Machado, é que quadrilhas insatisfeitas com o que escreve acabem usando a ameaça do deputado para ensinar uma lição ao Brasil, como fizeram quando mataram Chico Mendes".
O vestibular daquele ano foi anulado. Lenice responde a dois processos na Justiça Federal, sendo que um é uma ação civil pública por improbidade administrativa. Para conhecer detalhes, clique em Justiça Federal e busque pelo nome dela.
A nomeação é um presentão para quem lançou o filho candidato em sua vaga temendo a condenação num dos processos. Felizmente Bebeto Jr. foi derrotado pelo povo.
Perdôo, claro, mas não esqueço.
DILEMA DO ACRE
Jornais daqui destacam hoje dois fatos que expressam bem o, digamos, dilema acreano:
1) Depois de ter decretado situação de emergência no Estado por conta dos estragos causados pelas queimadas e pela fumaça, o governador Jorge Viana sobrevoou ontem a área da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, mas não avistou nenhum foco de incêndio durante a vistoria que fez acompanhado da procuradora Patrícia Rego, coordenadora de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, do superintendente do Ibama, Anselmo Forneck, e do coordenador da Defesa Civil, coronel Henrique Jardim.
2) Após o sobrevôo, o governador viajou para participar da solenidade de abertura da primeira Feira Agropecuária do Juruá, no município de Cruzeiro do Sul, que torna realidade o sonho dos prefeitos da região. Eles consideram o evento, que é estimulado pelo Sebrae e Banco da Amazônia, importante para impulsionar os negócios da pecuária.
Em tempo: sugestão do jornalista Tom-in Alves, do blog O Espírito da Coisa:
- Ação emergencial contra a fumaça? Tenho uma sugestão: o governo do estado deve convocar todos os seus dirigentes e ocupantes de cargos comissionados e convidar as demais autoridades legislativas e judiciárias para se reunirem na entrada da cidade de Rio Branco, na rodovia BR 364. Ali, de frente para Rondônia, todos devem assoprar com a força máxima de seus pulmões. Quando estiverem cansados, o governo distribuirá abanos, que todos deverão agitar pronunciando as palavras mágicas aprendidas na infância, nos tempos em que acendiam inocentes fogueiras juninas: “bandeira pra cá, fumaça pra lá/ bandeira pra cá, fumaça pra lá”.
1) Depois de ter decretado situação de emergência no Estado por conta dos estragos causados pelas queimadas e pela fumaça, o governador Jorge Viana sobrevoou ontem a área da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, mas não avistou nenhum foco de incêndio durante a vistoria que fez acompanhado da procuradora Patrícia Rego, coordenadora de Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, do superintendente do Ibama, Anselmo Forneck, e do coordenador da Defesa Civil, coronel Henrique Jardim.
2) Após o sobrevôo, o governador viajou para participar da solenidade de abertura da primeira Feira Agropecuária do Juruá, no município de Cruzeiro do Sul, que torna realidade o sonho dos prefeitos da região. Eles consideram o evento, que é estimulado pelo Sebrae e Banco da Amazônia, importante para impulsionar os negócios da pecuária.
Em tempo: sugestão do jornalista Tom-in Alves, do blog O Espírito da Coisa:
- Ação emergencial contra a fumaça? Tenho uma sugestão: o governo do estado deve convocar todos os seus dirigentes e ocupantes de cargos comissionados e convidar as demais autoridades legislativas e judiciárias para se reunirem na entrada da cidade de Rio Branco, na rodovia BR 364. Ali, de frente para Rondônia, todos devem assoprar com a força máxima de seus pulmões. Quando estiverem cansados, o governo distribuirá abanos, que todos deverão agitar pronunciando as palavras mágicas aprendidas na infância, nos tempos em que acendiam inocentes fogueiras juninas: “bandeira pra cá, fumaça pra lá/ bandeira pra cá, fumaça pra lá”.
MENSAGENS DO BEM
"Caro Altino
Usei seu blog para informar um monte de gente sobre a situção no Acre, inclusive às embaixadas do Brasil em Londres e da Inglaterra, em Brasilia.
Varias cartas foram escritas ao governador Jorge Viana. Joaquim Tashka, líder do povo yawanawá, me informou que o governador ficou muito impressionado com os contatos internacionais de um povo tão isolado, e como esse mesmo povo está tão bem informado!
Te agradeço, companheiro na luta pela vida nesse mundo.
Grande abraço
Hylton"
Nota do blog: Hylton Murray-Philipson é um jovem milionário inglês que já viveu no Brasil, diretor de uma influente organização ambiental, que financia projetos em várias regiões do planeta. Clique em Gratia dei para saber mais a respeito dele.
"Altino,
Que triste a situação no Acre, hein? E a gente, por estas bandas, só fica sabendo mesmo através do seu blog. Parabéns pelo seu trabalho.
Alcinéa Cavalcante"
Nota do blog: Alcinéa Cavalcante é jornalista no Amapá, de onde costuma colaborar para vários jornais e revistas do país. Clique aqui para conhecer o blog dela.
"Caro Altino,
A imprensa dita nacional acompanha a contento a tragédia vivida em Rio Branco, em decorrência das queimadas? Aceita fazer um comentário para o Observatório da Imprensa? Você pode também aproveitá-lo no seu blog. Aliás, daremos o link do blog no rodapé do artigo. Topa fazer? Pode mandar até sábado, a qualquer hora. Começamos a fechar no domingo cedo.
Meu abraço.
Luiz Egypto"
Nota do blog: Luiz Egypto é editor do site Observatório da Imprensa. Topei o convite.
"Altino,
Sou blogueira de Atibaia (SP), cidade onde o Partido Verde tem a prefeitura. Estou repercutindo sua matéria por aqui. Não sou filiada a nenhum partido, mas tento fazer o melhor que posso para melhorar as coisas. Sempre que precisar, estou a disposição.
Abraços
Lorenza Pavani Agostini"
Nota do blog: Clique em Lorenza Pavani Agostini para conhecer o blog dela.
Usei seu blog para informar um monte de gente sobre a situção no Acre, inclusive às embaixadas do Brasil em Londres e da Inglaterra, em Brasilia.
Varias cartas foram escritas ao governador Jorge Viana. Joaquim Tashka, líder do povo yawanawá, me informou que o governador ficou muito impressionado com os contatos internacionais de um povo tão isolado, e como esse mesmo povo está tão bem informado!
Te agradeço, companheiro na luta pela vida nesse mundo.
Grande abraço
Hylton"
Nota do blog: Hylton Murray-Philipson é um jovem milionário inglês que já viveu no Brasil, diretor de uma influente organização ambiental, que financia projetos em várias regiões do planeta. Clique em Gratia dei para saber mais a respeito dele.
"Altino,
Que triste a situação no Acre, hein? E a gente, por estas bandas, só fica sabendo mesmo através do seu blog. Parabéns pelo seu trabalho.
Alcinéa Cavalcante"
Nota do blog: Alcinéa Cavalcante é jornalista no Amapá, de onde costuma colaborar para vários jornais e revistas do país. Clique aqui para conhecer o blog dela.
"Caro Altino,
A imprensa dita nacional acompanha a contento a tragédia vivida em Rio Branco, em decorrência das queimadas? Aceita fazer um comentário para o Observatório da Imprensa? Você pode também aproveitá-lo no seu blog. Aliás, daremos o link do blog no rodapé do artigo. Topa fazer? Pode mandar até sábado, a qualquer hora. Começamos a fechar no domingo cedo.
Meu abraço.
Luiz Egypto"
Nota do blog: Luiz Egypto é editor do site Observatório da Imprensa. Topei o convite.
"Altino,
Sou blogueira de Atibaia (SP), cidade onde o Partido Verde tem a prefeitura. Estou repercutindo sua matéria por aqui. Não sou filiada a nenhum partido, mas tento fazer o melhor que posso para melhorar as coisas. Sempre que precisar, estou a disposição.
Abraços
Lorenza Pavani Agostini"
Nota do blog: Clique em Lorenza Pavani Agostini para conhecer o blog dela.
GABEIRA FALOU COM JORGE
Do articulista Merval Pereira, do jornal O Globo:
"O deputado federal Fernando Gabeira, do Partido Verde, depois de ter dado o início ao movimento político que culminou na saída de Severino Cavalcanti da presidência da Câmara, volta-se para uma das suas prioridades, o meio ambiente. Ele alerta que a situação na Amazônia “está muito séria”, com 40 mil focos de incêndio. Há também um grande incêndio na Bolívia. Os relatos são de que o dia está acabando às três horas da tarde por causa da nuvem de fumaça que tomou conta de toda a região, provocando inclusive doenças respiratórias graves que já provocaram a morte de nove crianças no Acre.
A população da região já está se mobilizando, e as primeiras passeatas, com populares com máscaras, começam a protestar nas ruas. Gabeira preocupa-se com a atuação pouco eficiente do governo, e propôs ao governador do Acre, o petista Jorge Viana, e ao líder do governo, Arlindo Chinaglia, que levassem ao presidente Lula a sugestão de fazer uma reunião dos governadores da região para definir uma política emergencial.
Fernando Gabeira avalia que até mesmo para a imagem internacional do país é ruim que essas queimadas prossigam sem que haja uma intervenção firme do governo brasileiro. “Não adianta a gente ficar criticando o Bush, que não cuidou do Katrina, e deixar que essas coisas aconteçam aqui no Brasil”.
"O deputado federal Fernando Gabeira, do Partido Verde, depois de ter dado o início ao movimento político que culminou na saída de Severino Cavalcanti da presidência da Câmara, volta-se para uma das suas prioridades, o meio ambiente. Ele alerta que a situação na Amazônia “está muito séria”, com 40 mil focos de incêndio. Há também um grande incêndio na Bolívia. Os relatos são de que o dia está acabando às três horas da tarde por causa da nuvem de fumaça que tomou conta de toda a região, provocando inclusive doenças respiratórias graves que já provocaram a morte de nove crianças no Acre.
A população da região já está se mobilizando, e as primeiras passeatas, com populares com máscaras, começam a protestar nas ruas. Gabeira preocupa-se com a atuação pouco eficiente do governo, e propôs ao governador do Acre, o petista Jorge Viana, e ao líder do governo, Arlindo Chinaglia, que levassem ao presidente Lula a sugestão de fazer uma reunião dos governadores da região para definir uma política emergencial.
Fernando Gabeira avalia que até mesmo para a imagem internacional do país é ruim que essas queimadas prossigam sem que haja uma intervenção firme do governo brasileiro. “Não adianta a gente ficar criticando o Bush, que não cuidou do Katrina, e deixar que essas coisas aconteçam aqui no Brasil”.
É BOM GRANADO OU BARLA
Da coluna do Cláudio Humberto:
Só no sapatinho
Com o calor do incêndio do Acre nos pés, o senador Sibá Machado (PT-AC) passou parte da sessão de ontem só de meias, sem sapatos. Ao lado, Ideli Salvatti (PT-SC) e Geraldo Mesquita (PSOL-AC) fizeram cara de fedor.
Só no sapatinho
Com o calor do incêndio do Acre nos pés, o senador Sibá Machado (PT-AC) passou parte da sessão de ontem só de meias, sem sapatos. Ao lado, Ideli Salvatti (PT-SC) e Geraldo Mesquita (PSOL-AC) fizeram cara de fedor.
PARA ONDE VAMOS?
Arthur Cezar P. Leite (*)
Amanhecemos de novo com a fumaça cobrindo a cidade. A primeira reação é de indignação e cobrança aos órgãos ambientais. Brados de cadê a fiscalização, o Imac, a Semeia, o Ibama? Efeito prático, nenhum. Parece com a situação de alguém que teve a casa arrombada e quer colocar uma grade de ferro menor que a janela para fazer de conta que vai resolver o problema.
A maior parte da fumaça vem de outros estados e países? Certo! Mas aqui se queima, e muito. No último fim de semana, a impressão que tivemos em Rio Branco foi que resolveram tocar fogo tão logo acabou o prazo de 30 dias da portaria que suspendia as queimadas. Ela foi renovada, mãs não foi divulgada a tempo ou as pessoas fizeram de conta que não sabiam.
Atacar a fumaça e as queimadas agora é querer atacar a conseqüência de um problema e não a origem dele. A discussão e os esforços devem ser concentrados na mudança da base de produção que está estabelecida na Amazônia. A retirada da floresta acaba inicialmente capitalizando a pecuária com a madeira. Este modelo é piorado pelo uso do fogo como ferramenta para renovação de pastagens.
O fogo é uma ferramenta indígena que foi apropriada no sistema da produção familiar de pequenos roçados de corte e queima, e que agora é usual na renovação das pastagens pelos pecuaristas, colonos, seringueiros e até por algumas comunidades indígenas que adotaram o gado como sistema de produção, investimento ou poupança. Para o produtor, o fogo é uma excelente ferramenta. E para nós?
Acabamos ficando com a fumaça, as doenças, o rio seco, aeroporto fechado, acidentes rodoviários etc. O grande problema é que a maioria da sociedade acaba referendando este modelo econômico e de desenvolvimento. Basta ver a aceitação da Feira Agropecuária (nada contra pecuária), eu não sou vegetariano, mas este modelo de produção como está sendo aplicado é finito e ninguém agüenta mais a fumaceira.
A fiscalização como solução. Não acho que isoladamente como vem acontecendo resolva. Cobra-se muito na área rural (responsável pela maior parte da fumaça), mas na urbana têm ocorrido diversos transtornos e acidentes com fogo. Todo mundo adora a fiscalização na casa do vizinho, todos que são pegos em flagrante queimando lixo inclusive onde passa a coleta, com som alto ou qualquer outro tipo de infração ambiental não consideram isto um crime, mas é. Devendo se tratado como tal, fogo pode ser até uma prática cultural, mas que deve ser mudada.
A cobrança para a solução desta situação deve ser dividida entre os órgãos ambientais, o sistema institucional de produção do Estado, as federações patronais de trabalhadores e bancos que financiam este modelo, além do Incra e Embrapa. É preciso primeiro viabilizar e disponibilizar alternativas que já existem, mas não são difundidas e aplicadas, seja pelo custo ou pela comodidade do uso do fogo pelos produtores. Comodidade esta que gera transtornos para todo o resto da população, ou seja, devem ser disponibilizadas e incentivadas as alternativas, aí sim entrar de sola com a fiscalização.
A fiscalização somente é efetiva se ocorrer a identificação de quem faz o dano e se a sociedade estiver disposta a denunciar e apoiar. A situação mais comum é se denunciar o fogo e não o autor, que na maioria dos casos é descritos como “acidental”. O descontrole pode até ser acidental devido ao quadro climático de baixa umidade e inflamabilidade da vegetação, mas o início é sempre provocado.
O combate ao fogo começa no inverno e não depois das derrubadas. Antes, a maioria dos licenciamentos era voltada para a produção agrícola familiar dos roçados. Hoje, boa parte é feita para legalizar a madeira de conversão. Essas áreas muitas vezes viram pasto direto, sem que sequer sejam cultivados roçados nela.
É um ciclo estabelecido, que se não for quebrado quem se quebra somos nós. A moratória das queimadas foi uma medida radical, que ao que parece deve ser cada vez mais utilizada.
A solução para estes problemas já está perto: São Pedro deve estar providenciando chuvas agora em outubro, talvez. Se ele atender os pedidos em demasia, teremos outra enchente, aí nos preocuparemos com outro problema. Esqueceremos o que passou e ano que vem, quando a fumaça chegar, recomeçaremos gritar com a fiscalização.
(*) Arthur Cezar P. Leite é Secretário de Meio Ambiente de Rio Branco, mestre em agroecossistemas e pesquisador do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre.
Amanhecemos de novo com a fumaça cobrindo a cidade. A primeira reação é de indignação e cobrança aos órgãos ambientais. Brados de cadê a fiscalização, o Imac, a Semeia, o Ibama? Efeito prático, nenhum. Parece com a situação de alguém que teve a casa arrombada e quer colocar uma grade de ferro menor que a janela para fazer de conta que vai resolver o problema.
A maior parte da fumaça vem de outros estados e países? Certo! Mas aqui se queima, e muito. No último fim de semana, a impressão que tivemos em Rio Branco foi que resolveram tocar fogo tão logo acabou o prazo de 30 dias da portaria que suspendia as queimadas. Ela foi renovada, mãs não foi divulgada a tempo ou as pessoas fizeram de conta que não sabiam.
Atacar a fumaça e as queimadas agora é querer atacar a conseqüência de um problema e não a origem dele. A discussão e os esforços devem ser concentrados na mudança da base de produção que está estabelecida na Amazônia. A retirada da floresta acaba inicialmente capitalizando a pecuária com a madeira. Este modelo é piorado pelo uso do fogo como ferramenta para renovação de pastagens.
O fogo é uma ferramenta indígena que foi apropriada no sistema da produção familiar de pequenos roçados de corte e queima, e que agora é usual na renovação das pastagens pelos pecuaristas, colonos, seringueiros e até por algumas comunidades indígenas que adotaram o gado como sistema de produção, investimento ou poupança. Para o produtor, o fogo é uma excelente ferramenta. E para nós?
Acabamos ficando com a fumaça, as doenças, o rio seco, aeroporto fechado, acidentes rodoviários etc. O grande problema é que a maioria da sociedade acaba referendando este modelo econômico e de desenvolvimento. Basta ver a aceitação da Feira Agropecuária (nada contra pecuária), eu não sou vegetariano, mas este modelo de produção como está sendo aplicado é finito e ninguém agüenta mais a fumaceira.
A fiscalização como solução. Não acho que isoladamente como vem acontecendo resolva. Cobra-se muito na área rural (responsável pela maior parte da fumaça), mas na urbana têm ocorrido diversos transtornos e acidentes com fogo. Todo mundo adora a fiscalização na casa do vizinho, todos que são pegos em flagrante queimando lixo inclusive onde passa a coleta, com som alto ou qualquer outro tipo de infração ambiental não consideram isto um crime, mas é. Devendo se tratado como tal, fogo pode ser até uma prática cultural, mas que deve ser mudada.
A cobrança para a solução desta situação deve ser dividida entre os órgãos ambientais, o sistema institucional de produção do Estado, as federações patronais de trabalhadores e bancos que financiam este modelo, além do Incra e Embrapa. É preciso primeiro viabilizar e disponibilizar alternativas que já existem, mas não são difundidas e aplicadas, seja pelo custo ou pela comodidade do uso do fogo pelos produtores. Comodidade esta que gera transtornos para todo o resto da população, ou seja, devem ser disponibilizadas e incentivadas as alternativas, aí sim entrar de sola com a fiscalização.
A fiscalização somente é efetiva se ocorrer a identificação de quem faz o dano e se a sociedade estiver disposta a denunciar e apoiar. A situação mais comum é se denunciar o fogo e não o autor, que na maioria dos casos é descritos como “acidental”. O descontrole pode até ser acidental devido ao quadro climático de baixa umidade e inflamabilidade da vegetação, mas o início é sempre provocado.
O combate ao fogo começa no inverno e não depois das derrubadas. Antes, a maioria dos licenciamentos era voltada para a produção agrícola familiar dos roçados. Hoje, boa parte é feita para legalizar a madeira de conversão. Essas áreas muitas vezes viram pasto direto, sem que sequer sejam cultivados roçados nela.
É um ciclo estabelecido, que se não for quebrado quem se quebra somos nós. A moratória das queimadas foi uma medida radical, que ao que parece deve ser cada vez mais utilizada.
A solução para estes problemas já está perto: São Pedro deve estar providenciando chuvas agora em outubro, talvez. Se ele atender os pedidos em demasia, teremos outra enchente, aí nos preocuparemos com outro problema. Esqueceremos o que passou e ano que vem, quando a fumaça chegar, recomeçaremos gritar com a fiscalização.
(*) Arthur Cezar P. Leite é Secretário de Meio Ambiente de Rio Branco, mestre em agroecossistemas e pesquisador do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre.
quinta-feira, 22 de setembro de 2005
ANIMAIS MORREM DE FOME
FORA DE FOCO E DO FOGO
Após mais de 32 horas em vigor, a situação de emergência no Acre está sendo noticiada pela Folha Online. A situação de emergência foi decretada na quarta-feira e não na terça-feira conforme consta da reportagem a seguir, apurada por telefone por Sílvia Freire.
"O governador Jorge Viana decretou estado de emergência nos vales do alto e baixo Acre, na terça-feira (21). O motivo é a densa fumaça proveniente de queimadas em Estados vizinhos e na Bolívia. Ela prejudica a saúde dos moradores, o tráfego em rodovias e o funcionamento de aeroportos.
Relatório produzido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) com base em imagens de satélites contabilizou 42.740 focos de calor no Acre, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Pará e Maranhão, desde a última segunda-feira. Destes, 1.068 estão em território acreano.
Nesta quinta, porém, a fumaça dissipou um pouco, em relação aos dois dias anteriores.
O número de internações por problemas respiratórios nos hospitais do Acre do início de agosto até agora é de 1.819. Esse número é mais do que a metade das internações registradas nos sete primeiros meses deste ano --3.207, ao todo.
"Há um aumento enorme também nas consultas ambulatoriais. Só em Rio Branco nos últimos 45 dias foram 7.309 atendimentos por problemas respiratórios. Um aumento de 100% em relação ao período de janeiro a julho", disse a secretária de Saúde, Suely Melo.
Segundo a secretária, não houve registro de mortes por razão da fumaça no Estado. A fumaça irrita o sistema respiratório e torna o organismo mais vulnerável a infecções. Pessoas com histórico de alergias respiratórias são as que mais sofrem, ao lado de crianças e idosos.
Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do Estado, é a mais atingida. Foram 532 internações de janeiro a julho deste ano. Nos últimos 45 dias, 717 pessoas foram internadas. O aeroporto da cidade chegou a ser fechado para pousos e decolagens devido à fumaça.
O problema chegou a provocar interrupções de até 24 horas no aeroporto da capital Rio Branco. Os motoristas enfrentam visibilidade prejudicada nas principais rodovias que cortam o Estado. Também foi registrada queda na produção leiteira e morte de animais, devido à escassez de alimentos.
Clima
A concentração de fumaça é agravada pelas condições climáticas. Devido a uma estiagem, a umidade relativa do ar chegou a 25% nos últimos três meses. É o mais baixo percentual registrado no Acre desde o início das medições.
Os incêndios já atingiram até a floresta amazônica que, em situações normais, ajuda a barrar o fogo, pois é muito úmida.
Um levantamento parcial realizado pela Prefeitura de Acrelândia desde o início de setembro apontou que as queimadas já devastaram mais da metade da área do município, de acordo com a administração estadual. Estima-se que o prejuízo, somente lá, supere os R$ 14 milhões.
Com o estado de emergência, as prefeituras ficam autorizadas a adotar medidas emergenciais com o objetivo de minimizar os danos.
Combate
O combate ao fogo foi intensificado. Segundo Anselmo Forneck, gerente do Ibama no Acre, dobrou o número de pessoas deslocadas para o controle dos incêndios. Equipamentos especiais, como abafadores, bombas costais (mochilas com água para apagar o fogo), luvas, botas e máscaras, foram enviados em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).
Atualmente, 400 pessoas estão mobilizadas nas ações de combate e repressão às queimadas entre soldados do Exército, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e moradores dos municípios atingidos.
"O pessoal vai de manhã para a mata, a gente leva o almoço e eles só voltam no final do dia. Hoje, deve ter umas 60 pessoas entre o pessoal do sindicato e funcionários da prefeitura e da Câmara lá ajudando a apagar o fogo", disse Pedro Celestino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.
A maior causa dos incêndios são as queimadas provocadas por pequenos agricultores, que, por causa da seca, não conseguem controlar o fogo. A floresta, normalmente úmida, também está seca. E o fogo se alastra.
Cinco peritos da Defesa Civil de Brasília chegariam ao Estado à noite para ajudar no levantamento dos danos".
"O governador Jorge Viana decretou estado de emergência nos vales do alto e baixo Acre, na terça-feira (21). O motivo é a densa fumaça proveniente de queimadas em Estados vizinhos e na Bolívia. Ela prejudica a saúde dos moradores, o tráfego em rodovias e o funcionamento de aeroportos.
Relatório produzido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais) com base em imagens de satélites contabilizou 42.740 focos de calor no Acre, Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Pará e Maranhão, desde a última segunda-feira. Destes, 1.068 estão em território acreano.
Nesta quinta, porém, a fumaça dissipou um pouco, em relação aos dois dias anteriores.
O número de internações por problemas respiratórios nos hospitais do Acre do início de agosto até agora é de 1.819. Esse número é mais do que a metade das internações registradas nos sete primeiros meses deste ano --3.207, ao todo.
"Há um aumento enorme também nas consultas ambulatoriais. Só em Rio Branco nos últimos 45 dias foram 7.309 atendimentos por problemas respiratórios. Um aumento de 100% em relação ao período de janeiro a julho", disse a secretária de Saúde, Suely Melo.
Segundo a secretária, não houve registro de mortes por razão da fumaça no Estado. A fumaça irrita o sistema respiratório e torna o organismo mais vulnerável a infecções. Pessoas com histórico de alergias respiratórias são as que mais sofrem, ao lado de crianças e idosos.
Cruzeiro do Sul, a segunda maior cidade do Estado, é a mais atingida. Foram 532 internações de janeiro a julho deste ano. Nos últimos 45 dias, 717 pessoas foram internadas. O aeroporto da cidade chegou a ser fechado para pousos e decolagens devido à fumaça.
O problema chegou a provocar interrupções de até 24 horas no aeroporto da capital Rio Branco. Os motoristas enfrentam visibilidade prejudicada nas principais rodovias que cortam o Estado. Também foi registrada queda na produção leiteira e morte de animais, devido à escassez de alimentos.
Clima
A concentração de fumaça é agravada pelas condições climáticas. Devido a uma estiagem, a umidade relativa do ar chegou a 25% nos últimos três meses. É o mais baixo percentual registrado no Acre desde o início das medições.
Os incêndios já atingiram até a floresta amazônica que, em situações normais, ajuda a barrar o fogo, pois é muito úmida.
Um levantamento parcial realizado pela Prefeitura de Acrelândia desde o início de setembro apontou que as queimadas já devastaram mais da metade da área do município, de acordo com a administração estadual. Estima-se que o prejuízo, somente lá, supere os R$ 14 milhões.
Com o estado de emergência, as prefeituras ficam autorizadas a adotar medidas emergenciais com o objetivo de minimizar os danos.
Combate
O combate ao fogo foi intensificado. Segundo Anselmo Forneck, gerente do Ibama no Acre, dobrou o número de pessoas deslocadas para o controle dos incêndios. Equipamentos especiais, como abafadores, bombas costais (mochilas com água para apagar o fogo), luvas, botas e máscaras, foram enviados em aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).
Atualmente, 400 pessoas estão mobilizadas nas ações de combate e repressão às queimadas entre soldados do Exército, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e moradores dos municípios atingidos.
"O pessoal vai de manhã para a mata, a gente leva o almoço e eles só voltam no final do dia. Hoje, deve ter umas 60 pessoas entre o pessoal do sindicato e funcionários da prefeitura e da Câmara lá ajudando a apagar o fogo", disse Pedro Celestino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.
A maior causa dos incêndios são as queimadas provocadas por pequenos agricultores, que, por causa da seca, não conseguem controlar o fogo. A floresta, normalmente úmida, também está seca. E o fogo se alastra.
Cinco peritos da Defesa Civil de Brasília chegariam ao Estado à noite para ajudar no levantamento dos danos".
VAMOS PAGAR AOS INCENDIÁRIOS
"Pelo plano dos políticos, os maiores beneficiários de qualquer plano de compensação dos efeitos das queimadas serão as pessoas que, muito provavelmente, foram os principais responsáveis por elas: os incendiários que transformaram o meio rural do Acre em um inferno! Nada como um bom incentivo para que no ano que vem eles continuem a fazer o bom serviço que fizeram neste ano...
Digo isso porque fiquei meio cabreiro quando li na imprensa (Notícias da Hora) o prefeito de Acrelândia se apressando em apresentar a "conta" do prejuízo na área rural daquele município. Aliás o prejuízo em Acrelândia mais que dobrou em 24h. Ele passou de R$ 14 milhões no dia 20/9, antes de decretado o estado de emergência, para R$ 30 milhões no dia 21, dia em que foi anunciado que iria ser decretado a tal emergência".
Clique aqui para ler o artigo "O fogo, prejuízos e os espertos", do botânico Evandro Ferreira, no blog Ambiente Acreano.
Digo isso porque fiquei meio cabreiro quando li na imprensa (Notícias da Hora) o prefeito de Acrelândia se apressando em apresentar a "conta" do prejuízo na área rural daquele município. Aliás o prejuízo em Acrelândia mais que dobrou em 24h. Ele passou de R$ 14 milhões no dia 20/9, antes de decretado o estado de emergência, para R$ 30 milhões no dia 21, dia em que foi anunciado que iria ser decretado a tal emergência".
Clique aqui para ler o artigo "O fogo, prejuízos e os espertos", do botânico Evandro Ferreira, no blog Ambiente Acreano.
É PRECISO MAIS INDIGNAÇÃO
Fábio Vaz de Lima
A realidade está realmente feia com tanto fogo e fumaça na Amazônia, especialmente no Acre. Além da tragédia, o que me deixa triste são as autoridades do setor, ou que compreendem o problema, perderem a oportunidade de usar o susto com a fumaça para que seja estimulado o grau de consciência da sociedade sobre a fragilidade de nosso ecossistema.
A indignação atual deve-se ao excesso de fumaça, correto? A fumaça ocorre, é claro, por causa de fogo. Mas fogo tem todo ano, um pouco mais ou um pouco menos. A gravidade deste ano se deve, principalmente, aos fatores climáticos, de alcance global.
Parece que há mais de 60 anos não ocorre uma seca como esta na Amazônia. Toda a matéria orgânica se transformou em potencial combustível. Temos sido informados pela mídia da ocorrência de incêndios em Portugal, Espanha, Canadá e Austrália. Este é o fator global, mas temos o nosso fator local. Na verdade a soma de fatores locais podem estar gerando o global.
Do ponto de vista local, a vulnerabilidade de hoje, das nossas florestas, ocorre pelos maus tratos que fizemos em anos anteriores e neste ano, é claro. Mas o estrago deste ano é muito menor. Pasmem! Houve até regressão na Amazônia.
É aqui reside a falta de oportunidade dos gestores em dialogar com a sociedade, principalmente com o setor produtivo rural. Em vez de discutirem de onde vem a fumaça ou de tentarem minimizar as responsabilidades, deveriam ampliar a preocupação da sociedade com as queimadas e desmatamentos.
Deveriam tentar aumentar o capital político para medidas cada vez mais firmes de controle e fiscalização, principalmente de uso diferente do nosso ambiente. Deveriam estar mostrando de modo permanente o prejuízo econômico para a sociedade e até mesmo para o setor produtivo do uso de queimadas. E também deveriam apresentar outras formas de produção capazes de gerar riqueza com nível menor de agressão ao ambiente. Não é fácil, mas é o caminho.
É claro que deve haver, de imediato, medidas emergências de combate ao fogo. Mas aproveitar o momento para cunhar este assunto de vez no calendário institucional e da sociedade acreana deveria fazer parte do empenho dos envolvidos.
Neste momento de crise todos pedem medidas duras. Caso o uso do fogo e do desmatamento fossem proibidos por dois anos mesmo assim o problema não seria resolvido de vez. Mas essa hipótese não deixa de ser sedutora, principalmente para a gestores públicos. É como na corrupção. Caça-se uns 18 deputados que a pressão diminui.
Mas a verdade é que medidas desta ordem não resolvem. Apenas aliviam a pressão política e a indignação momentânea. Depois que chover e tudo ficar verdinho, sem fumaça, todos estaremos mais felizes, mas a destruição das florestas continuará acontecendo sem a nossa indignação.
O desmatamento está proibido em 80% das propriedades em toda Amazônia. O fogo é proibido por alguns períodos em diversos lugares. No entanto, a obediência e a fiscalização são e serão sempre muito baixa.
Sem uma "adesão cidadã" do setor produtivo e sem uma pressão da sociedade para que este caminho venha a ser assumido, estaremos a cada tempo assustados com a destruição do meio ambiente.
Precisamos aproveitar o momento para que a indignação seja permanente contra qualquer agressão ao ambiente. Temos que transformar um número maior de pessoas em fiscais, como você costuma agir, ou como fez a jornalista Alcinete Damasceno, que flagrou o caminhão carregada com madeira, cuja foto foi publicada em seu blog.
Nota do blogueiro: Fábio Vaz de Lima é chefe de gabinete do senador Sibá Machado (PT). Embora possa parecer inadequada a referência, é casado com a ministra do Meio Ambiente Marina Silva.
A realidade está realmente feia com tanto fogo e fumaça na Amazônia, especialmente no Acre. Além da tragédia, o que me deixa triste são as autoridades do setor, ou que compreendem o problema, perderem a oportunidade de usar o susto com a fumaça para que seja estimulado o grau de consciência da sociedade sobre a fragilidade de nosso ecossistema.
A indignação atual deve-se ao excesso de fumaça, correto? A fumaça ocorre, é claro, por causa de fogo. Mas fogo tem todo ano, um pouco mais ou um pouco menos. A gravidade deste ano se deve, principalmente, aos fatores climáticos, de alcance global.
Parece que há mais de 60 anos não ocorre uma seca como esta na Amazônia. Toda a matéria orgânica se transformou em potencial combustível. Temos sido informados pela mídia da ocorrência de incêndios em Portugal, Espanha, Canadá e Austrália. Este é o fator global, mas temos o nosso fator local. Na verdade a soma de fatores locais podem estar gerando o global.
Do ponto de vista local, a vulnerabilidade de hoje, das nossas florestas, ocorre pelos maus tratos que fizemos em anos anteriores e neste ano, é claro. Mas o estrago deste ano é muito menor. Pasmem! Houve até regressão na Amazônia.
É aqui reside a falta de oportunidade dos gestores em dialogar com a sociedade, principalmente com o setor produtivo rural. Em vez de discutirem de onde vem a fumaça ou de tentarem minimizar as responsabilidades, deveriam ampliar a preocupação da sociedade com as queimadas e desmatamentos.
Deveriam tentar aumentar o capital político para medidas cada vez mais firmes de controle e fiscalização, principalmente de uso diferente do nosso ambiente. Deveriam estar mostrando de modo permanente o prejuízo econômico para a sociedade e até mesmo para o setor produtivo do uso de queimadas. E também deveriam apresentar outras formas de produção capazes de gerar riqueza com nível menor de agressão ao ambiente. Não é fácil, mas é o caminho.
É claro que deve haver, de imediato, medidas emergências de combate ao fogo. Mas aproveitar o momento para cunhar este assunto de vez no calendário institucional e da sociedade acreana deveria fazer parte do empenho dos envolvidos.
Neste momento de crise todos pedem medidas duras. Caso o uso do fogo e do desmatamento fossem proibidos por dois anos mesmo assim o problema não seria resolvido de vez. Mas essa hipótese não deixa de ser sedutora, principalmente para a gestores públicos. É como na corrupção. Caça-se uns 18 deputados que a pressão diminui.
Mas a verdade é que medidas desta ordem não resolvem. Apenas aliviam a pressão política e a indignação momentânea. Depois que chover e tudo ficar verdinho, sem fumaça, todos estaremos mais felizes, mas a destruição das florestas continuará acontecendo sem a nossa indignação.
O desmatamento está proibido em 80% das propriedades em toda Amazônia. O fogo é proibido por alguns períodos em diversos lugares. No entanto, a obediência e a fiscalização são e serão sempre muito baixa.
Sem uma "adesão cidadã" do setor produtivo e sem uma pressão da sociedade para que este caminho venha a ser assumido, estaremos a cada tempo assustados com a destruição do meio ambiente.
Precisamos aproveitar o momento para que a indignação seja permanente contra qualquer agressão ao ambiente. Temos que transformar um número maior de pessoas em fiscais, como você costuma agir, ou como fez a jornalista Alcinete Damasceno, que flagrou o caminhão carregada com madeira, cuja foto foi publicada em seu blog.
Nota do blogueiro: Fábio Vaz de Lima é chefe de gabinete do senador Sibá Machado (PT). Embora possa parecer inadequada a referência, é casado com a ministra do Meio Ambiente Marina Silva.
CAPI E JANETE CASSADOS
Da assessoria de imprensa do STF:
Por maioria de votos, o plenário do Supremo Tribunal Federal arquivou o recurso extraordinário 446907. Assim fica mantida a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que, reformando acórdão do TRE do Amapá, cassou os mandatos do senador João Alberto Capiberibe e da deputada federal Janete Capiberibe.
Má notícia para os que defendem a Amazônia.
Por maioria de votos, o plenário do Supremo Tribunal Federal arquivou o recurso extraordinário 446907. Assim fica mantida a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que, reformando acórdão do TRE do Amapá, cassou os mandatos do senador João Alberto Capiberibe e da deputada federal Janete Capiberibe.
Má notícia para os que defendem a Amazônia.
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