Ufac tem "mostrador" de chuva
Da coluna Via Pública, do Página 20:
Na matéria “Chuva ácida pode destruir vegetação”, veiculada na edição de ontem, o geógrafo Claudemir Mesquita afirmou que é impossível fazer a medição em percentual da acidez das chuvas no Acre por falta de um equipamento apropriado.
No entanto, o responsável pelo Laboratório de Monitoramento Atmosférico da Universidade Federal do Acre (Ufac), Eduardo Eron, rebateu a declaração e disse que a instituição possui um mostrador de chuva, que, através de um sensor automático, mede a acidez da água.
Ele informou ainda que a amostragem passa por três avaliações, sendo a primeira no laboratório de monitoramento, a segunda na Unidade Tecnológica de Alimentos (Utal) e, por fim, no laboratório da Universidade de São Paulo (USP). (Renata Brasileiro)
sexta-feira, 19 de agosto de 2005
quinta-feira, 18 de agosto de 2005
CHUVA ÁCIDA OU DELÚBIO?
Contrariando o prognóstico lúgubre do jornal Página 20, que anunciou chuva ácida no Acre quando supostamente terminar a estiagem daqui a 10 dias, caiu uns pinguinhos hoje no centro da cidade, por volta das 17h20.
A chuva, que demorou uns 10 minutos, foi a típica chuva de molhar besta. Não é possível que não tenha alcançado a redação do jornal, onde existem goteiras assustadoras. Mas parece que não era chuva ácida. Pelo menos não vi pessoas ou carros sendo corroídos.
"Especialistas", cujos nomes não foram citados pelo jornal, teriam alertado que "ferro, alumínio, agrotóxico, esgoto e fumaça" são "alguns dos elementos que serão despejados em todo o Estado com as primeiras chuvas pós-estiagens previstas para ocorrer daqui a dez dias".
Disseram até que essa tal chuva é capaz de destruir vegetações, atacar estruturas metálicas, monumentos e edificações, além de causar diversos danos à "saúde do ser humano".
Isso seria chuva ácida ou um Delúbio Soares?
Bem, as condições do tempo registradas pelo Inmet no período das últimas 12 horas em Rio Branco indicam temperatura de 27,2°C e umidade relativa de 74%.
Vento na direção oeste com velocidade de 1 metro por segundo, isto é, quase parado, o que causa a sensação de que estamos numa bolha de calor do inferno.
Em que pese o terrorismo do Página 20, não existe em nenhum site de meteorologia qualquer boletim contendo alertas ou avisos para o Acre.
A previsão do Inmet para sexta-feira: o tempo em Rio Branco estará parcialmente nublado a nublado, com temperatura máxima de 36°C e mínima de 21°C. No sábado, o tempo estará nublado a parcialmente nublado com pancadas de chuva.
Depois da chuva ácida anunciada pelo jornal, muita gente já deve ter desistido de pedir pra Deus ou São Pedro mandar chuva. Dizem que Deus sabe o que faz e até escreve certo por linhas tortas. Putz! Não acredito que as linhas tortas do jornal sejam de Deus.
A chuva, que demorou uns 10 minutos, foi a típica chuva de molhar besta. Não é possível que não tenha alcançado a redação do jornal, onde existem goteiras assustadoras. Mas parece que não era chuva ácida. Pelo menos não vi pessoas ou carros sendo corroídos.
"Especialistas", cujos nomes não foram citados pelo jornal, teriam alertado que "ferro, alumínio, agrotóxico, esgoto e fumaça" são "alguns dos elementos que serão despejados em todo o Estado com as primeiras chuvas pós-estiagens previstas para ocorrer daqui a dez dias".
Disseram até que essa tal chuva é capaz de destruir vegetações, atacar estruturas metálicas, monumentos e edificações, além de causar diversos danos à "saúde do ser humano".
Isso seria chuva ácida ou um Delúbio Soares?
Bem, as condições do tempo registradas pelo Inmet no período das últimas 12 horas em Rio Branco indicam temperatura de 27,2°C e umidade relativa de 74%.
Vento na direção oeste com velocidade de 1 metro por segundo, isto é, quase parado, o que causa a sensação de que estamos numa bolha de calor do inferno.
Em que pese o terrorismo do Página 20, não existe em nenhum site de meteorologia qualquer boletim contendo alertas ou avisos para o Acre.
A previsão do Inmet para sexta-feira: o tempo em Rio Branco estará parcialmente nublado a nublado, com temperatura máxima de 36°C e mínima de 21°C. No sábado, o tempo estará nublado a parcialmente nublado com pancadas de chuva.
Depois da chuva ácida anunciada pelo jornal, muita gente já deve ter desistido de pedir pra Deus ou São Pedro mandar chuva. Dizem que Deus sabe o que faz e até escreve certo por linhas tortas. Putz! Não acredito que as linhas tortas do jornal sejam de Deus.
PODEM COBRAR
Do manifesto de lideranças do PT do Acre, encabeçado pelo governador Jorge Viana, sobre a crise política:
"Ao nosso partido e ao nosso governo apelamos: vamos receber com humildade as lições desta crise. Ela não teria surgido em nosso meio e não teria chegado ao ponto que chegou se não tivéssemos, ao longo de muitos anos, alimentado a arrogância e perdido a capacidade de aprender. É necessário recuperá-la.
No Acre, estamos tomando medidas para reforçar a vigilância e evitar possíveis erros administrativos. É fundamental que nossas administrações sejam mais transparentes, abertas e participativas. Isso pode incluir a revisão de procedimentos administrativos e requer, principalmente, a adoção de uma nova atitude política: mais humilde, mais cordial, mais paciente.
Vamos ter mais contato com as bases sociais que deram surgimento aos nossos mandatos e governos. Vamos ouvir mais, especialmente as críticas. Vamos dialogar mais com a sociedade, com as instituições, com a imprensa, com nossos aliados e até com os opositores".
"Ao nosso partido e ao nosso governo apelamos: vamos receber com humildade as lições desta crise. Ela não teria surgido em nosso meio e não teria chegado ao ponto que chegou se não tivéssemos, ao longo de muitos anos, alimentado a arrogância e perdido a capacidade de aprender. É necessário recuperá-la.
No Acre, estamos tomando medidas para reforçar a vigilância e evitar possíveis erros administrativos. É fundamental que nossas administrações sejam mais transparentes, abertas e participativas. Isso pode incluir a revisão de procedimentos administrativos e requer, principalmente, a adoção de uma nova atitude política: mais humilde, mais cordial, mais paciente.
Vamos ter mais contato com as bases sociais que deram surgimento aos nossos mandatos e governos. Vamos ouvir mais, especialmente as críticas. Vamos dialogar mais com a sociedade, com as instituições, com a imprensa, com nossos aliados e até com os opositores".
VALHA-NOS DEUS!
Enganei-me ao esperar que a vida fosse melhorar no Acre quando começasse a chover após um dos períodos de estiagem mais intensos da história da região.
Em verdade vos digo que toda a população terá que estar preparada para o pior que virá depois de meses sendo castigada pela fumaça, falta d'agua, poeira e baixa umidade relativa do ar.
O jornal Página 20, mensageiro da florestania, traz hoje a manchete "Chuva ácida pode destruir vegetação", baseado em reportagem assinada por Renata Brasileiro, que teria consultado "especialistas", mas cita apenas o nome de um geógrafo.
Reproduzo a seguir o relato da situação dramática que haveremos de viver em 10 dias, mas não deixe de ler a reportagem na íntegra:
"Ferro, alumínio, agrotóxico, esgoto e fumaça. Estes são alguns dos elementos que serão despejados em todo o Estado com as primeiras chuvas pós-estiagens previstas para ocorrer daqui a dez dias.
O fenômeno, conhecido como chuva ácida, tem efeito corrosivo e é capaz de destruir vegetações, atacar estruturas metálicas, monumentos e edificações, além de causar diversos danos à saúde do ser humano".
Meu Deus! Alguém já imaginou uma chuva de ferro, alumínio, esgoto e fumaça?
Isso tudo vai acontecer depois daquela cena surrealista das autoridades municipais, contritas, ao lado dos pastores evangélicos, na beira do rio Acre, pedindo a Deus que mandasse chuva?
Não acredito mais em nada após ter encontrado Je$us dirigindo ontem um carro popular, acompanhado de uma bela morena. Depois da leitura dessa reportagem, vou mesmo é tomar um antiácido e providenciar um abrigo.
Perdi a paciência para tentar explicar mais qualquer coisa. Quem tiver coragem de saber o que é realmente chuva ácida, clique aqui.
Ainda bem que poucos lêem e quase ninguém acredita nos jornais do Acre.
Em verdade vos digo que toda a população terá que estar preparada para o pior que virá depois de meses sendo castigada pela fumaça, falta d'agua, poeira e baixa umidade relativa do ar.
O jornal Página 20, mensageiro da florestania, traz hoje a manchete "Chuva ácida pode destruir vegetação", baseado em reportagem assinada por Renata Brasileiro, que teria consultado "especialistas", mas cita apenas o nome de um geógrafo.
Reproduzo a seguir o relato da situação dramática que haveremos de viver em 10 dias, mas não deixe de ler a reportagem na íntegra:
"Ferro, alumínio, agrotóxico, esgoto e fumaça. Estes são alguns dos elementos que serão despejados em todo o Estado com as primeiras chuvas pós-estiagens previstas para ocorrer daqui a dez dias.
O fenômeno, conhecido como chuva ácida, tem efeito corrosivo e é capaz de destruir vegetações, atacar estruturas metálicas, monumentos e edificações, além de causar diversos danos à saúde do ser humano".
Meu Deus! Alguém já imaginou uma chuva de ferro, alumínio, esgoto e fumaça?
Isso tudo vai acontecer depois daquela cena surrealista das autoridades municipais, contritas, ao lado dos pastores evangélicos, na beira do rio Acre, pedindo a Deus que mandasse chuva?
Não acredito mais em nada após ter encontrado Je$us dirigindo ontem um carro popular, acompanhado de uma bela morena. Depois da leitura dessa reportagem, vou mesmo é tomar um antiácido e providenciar um abrigo.
Perdi a paciência para tentar explicar mais qualquer coisa. Quem tiver coragem de saber o que é realmente chuva ácida, clique aqui.
Ainda bem que poucos lêem e quase ninguém acredita nos jornais do Acre.
quarta-feira, 17 de agosto de 2005
RIO ACRE

Embora pareça não mais existir o que possa virar fumaça no Acre, o Instituto de Meio Ambiente decidiu publicar amanhã uma portaria na qual proíbe queimadas na região.
Comentário do jornalista Tom-in Alves, no blog O Espírito da Coisa, que está com a crônica imperdível "A bondade e a justiça":
- Fiquei sabendo que o Instituto de Meio Ambiente vai publicar, amanhã, uma portaria suspendendo as queimadas no Acre e anunciando medidas de fiscalização e controle. Gostaria de sugerir que na mesma portaria o Imac faça um pedido de desculpas por não ter tomado antes tão necessária decisão.
Bem, por último, a legenda da foto: em primeiro plano, o início das obras de construção de uma passarela sobre o rio Acre, tendo ao fundo a ponte Juscelino Kubitschek, o Calçadão da Gameleira e o Pavilhão Acreano.
Mais informações sobre a agonia do rio Acre podem ser obtidas no blog Andando pela Cidade, do engenheiro Roberto Feres.
TÔ DENTRO! TÔ FORA!
Aprenda a nunca confiar na imprensa. O site Notícias da Hora, baseado em outro site de Rondonia, foi induzido ao seguinte erro:
VERSÃO I
Governador de Rondônia é afastado do cargo
RIO BRANCO, AC – O Superior Tribunal de Justiça acatou a denúncia contra o governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido). Ele deverá ficar afastado do cargo por 120 dias. A acreana Odaíssa Fernandes (PSDB), vice-governador, deverá assumir o cargo.
Fonte: Da Redação
VERSÃO II
STJ: Cassol permanece no cargo em Rondônia
BRASÍLIA - Por dez votos a oito, os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mantiveram Ivo Cassol no cargo de governador de Rondônia. O resultado final do julgamento da ação penal proposta pelo Ministério Público Federal contra o governador é que a denúncia foi aceita, mas o governador não será afastado.
Fonte:
VERSÃO I
Governador de Rondônia é afastado do cargo
RIO BRANCO, AC – O Superior Tribunal de Justiça acatou a denúncia contra o governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido). Ele deverá ficar afastado do cargo por 120 dias. A acreana Odaíssa Fernandes (PSDB), vice-governador, deverá assumir o cargo.
Fonte: Da Redação
VERSÃO II
STJ: Cassol permanece no cargo em Rondônia
BRASÍLIA - Por dez votos a oito, os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mantiveram Ivo Cassol no cargo de governador de Rondônia. O resultado final do julgamento da ação penal proposta pelo Ministério Público Federal contra o governador é que a denúncia foi aceita, mas o governador não será afastado.
Fonte:
JE$US NO TRÂNSITO

Je$us circulou hoje, às 8h25, ao volante de seu Pálio EDX, na avenida Getúlio Vargas. Ele estava acompanhado de uma bela morena. Por culpa do trânsito caótico de Rio Branco, fracassei em tirar uma foto histórica do casal. Vou orar mais para reencontrá-lo e para pedir também que nos mande chuva. O Acre arde.
P.S.: Destaco o comentário que um anônimo deixou: "Essa história de propriedade exclusiva de Jesus é quando o crente compra o carro financiado. Aí ele fica com o tobinha piscando de medo de não pagar as prestações e coloca logo nas costas de Jesus".
CLÓVIS ROSSI
Governo, partido e país
SÃO PAULO - Vem do PT do Acre a sugestão mais sensata ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: convocar, além do Conselho da República, os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco, já que eles "também enfrentaram crises de grandes proporções e podem contribuir com suas experiências".
O documento é assinado pelo governador Jorge Viana, pelos dois senadores petistas do Estado, por outras lideranças políticas e também pelo presidente da CUT-AC.
Diz uma coisa que nem o presidente nem seus conselheiros foram capazes de enxergar: "A primeira responsabilidade do presidente da República não é com o partido nem com o governo, mas com o país".
É incrível que o PT federal não consiga ver o que se vê "desta pontinha da pátria que é o Estado do Acre", como diz o texto, para acrescentar: "A angústia que sentimos ao ver os nossos melhores sonhos transformados num pesadelo horrível é igual a de todos os brasileiros em todos os lugares desse imenso país".
A sugestão é sensata não apenas por chamar a atenção para o óbvio mas por admitir, implicitamente, que, sozinho, o presidente não irá a lugar nenhum.
Como já não há solução ótima nem boa, apenas ruim ou pior, é melhor tentar esse caminho do que insistir em ficar trancado no bunker do Torto -que é mais torto que bunker.
A questão não é apenas se haverá ou não batom na cueca de Lula suficiente para iniciar um processo de impeachment. A questão é com quem Lula vai governar se não houver impeachment. Seu partido, o único que conheceu na vida toda, está em concordata, sob nova direção, que pode "refundá-lo", como passou a ser moda dizer, ou decretar falência.
Sua base de apoio está toda ela, salvo micropartidos, apodrecida pela já comprovada participação no criminoso esquema do PT.
Indignação não basta. É preciso tentar refazer o pantanoso e movediço solo em que pisa o governo.
Fonte: Folha de S. Paulo
SÃO PAULO - Vem do PT do Acre a sugestão mais sensata ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: convocar, além do Conselho da República, os ex-presidentes José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco, já que eles "também enfrentaram crises de grandes proporções e podem contribuir com suas experiências".
O documento é assinado pelo governador Jorge Viana, pelos dois senadores petistas do Estado, por outras lideranças políticas e também pelo presidente da CUT-AC.
Diz uma coisa que nem o presidente nem seus conselheiros foram capazes de enxergar: "A primeira responsabilidade do presidente da República não é com o partido nem com o governo, mas com o país".
É incrível que o PT federal não consiga ver o que se vê "desta pontinha da pátria que é o Estado do Acre", como diz o texto, para acrescentar: "A angústia que sentimos ao ver os nossos melhores sonhos transformados num pesadelo horrível é igual a de todos os brasileiros em todos os lugares desse imenso país".
A sugestão é sensata não apenas por chamar a atenção para o óbvio mas por admitir, implicitamente, que, sozinho, o presidente não irá a lugar nenhum.
Como já não há solução ótima nem boa, apenas ruim ou pior, é melhor tentar esse caminho do que insistir em ficar trancado no bunker do Torto -que é mais torto que bunker.
A questão não é apenas se haverá ou não batom na cueca de Lula suficiente para iniciar um processo de impeachment. A questão é com quem Lula vai governar se não houver impeachment. Seu partido, o único que conheceu na vida toda, está em concordata, sob nova direção, que pode "refundá-lo", como passou a ser moda dizer, ou decretar falência.
Sua base de apoio está toda ela, salvo micropartidos, apodrecida pela já comprovada participação no criminoso esquema do PT.
Indignação não basta. É preciso tentar refazer o pantanoso e movediço solo em que pisa o governo.
Fonte: Folha de S. Paulo
terça-feira, 16 de agosto de 2005
NA CAPITAL DA FLORESTANIA

Sufocada pela fumaça? Muito calor? O rio secou? Sem água em casa? Ah! Já se alimentou hoje? Agradeça aos fazendeiros!
Acima, vista parcial de Rio Branco (AC), às 14h11, sob 36°C, com apenas 47% de umidade relativa do ar.
O Inmet revela que nas últimas 12 horas (UTC) as menores umidades relativas do ar foram registradas em Cruzeiro do Sul (92%), Tarauacá (94%), Rio Branco (95%) e no aeroporto de Rio Branco (98%).
Como Deus ainda não atendeu aos pastores e autoridades que estiveram implorando por chuva às margens do rio Acre, sugiro que convoquem os pajés da etnia caiapó Kucrit e Mantii.
Eles estiveram em Boa Vista (RR) durante o megaincêndio de 1998. A Funai 'importou' os índios para a "dança da chuva". O resultado veio no dia 31 de março, após sete meses sem chuva em Roraima.
Consultando o arquivo on-line da Folha de S. Paulo, encontrei a reportagem que André Lozano e eu escrevemos naquele dia, ilustrada por foto do Sérgio Lima: dois índios comemorando a chegada da chuva em hotel de Boa Vista.
Lideranças indígenas de Roraima chegaram a criticar a Funai por se valer de supostos poderes sobrenaturais de pajés e duas crianças da etnia caiapó para fazer chover na região.
Eis o trecho de abertura da reportagem "Chuva começa a debelar o fogo em Roraima", publicada no dia 1 de abril de 1998:
"Choveu forte ontem em Roraima. As ruas da capital, Boa Vista, chegaram a se alagar. A chuva chegou na manhã seguinte ao "ritual da chuva'', realizado na cidade pelos pajés da etnia caiapó Kucrit e Mantii. Para o cacique caiapó Megaron, a chuva resultou da pajelança realizada anteontem à noite na praia do Curupira, em Boa Vista. No entanto, a mudança de clima já era prevista pelo serviço de meteorologia".
Acima, vista parcial de Rio Branco (AC), às 14h11, sob 36°C, com apenas 47% de umidade relativa do ar.
O Inmet revela que nas últimas 12 horas (UTC) as menores umidades relativas do ar foram registradas em Cruzeiro do Sul (92%), Tarauacá (94%), Rio Branco (95%) e no aeroporto de Rio Branco (98%).
Como Deus ainda não atendeu aos pastores e autoridades que estiveram implorando por chuva às margens do rio Acre, sugiro que convoquem os pajés da etnia caiapó Kucrit e Mantii.
Eles estiveram em Boa Vista (RR) durante o megaincêndio de 1998. A Funai 'importou' os índios para a "dança da chuva". O resultado veio no dia 31 de março, após sete meses sem chuva em Roraima.
Consultando o arquivo on-line da Folha de S. Paulo, encontrei a reportagem que André Lozano e eu escrevemos naquele dia, ilustrada por foto do Sérgio Lima: dois índios comemorando a chegada da chuva em hotel de Boa Vista.
Lideranças indígenas de Roraima chegaram a criticar a Funai por se valer de supostos poderes sobrenaturais de pajés e duas crianças da etnia caiapó para fazer chover na região.
Eis o trecho de abertura da reportagem "Chuva começa a debelar o fogo em Roraima", publicada no dia 1 de abril de 1998:
"Choveu forte ontem em Roraima. As ruas da capital, Boa Vista, chegaram a se alagar. A chuva chegou na manhã seguinte ao "ritual da chuva'', realizado na cidade pelos pajés da etnia caiapó Kucrit e Mantii. Para o cacique caiapó Megaron, a chuva resultou da pajelança realizada anteontem à noite na praia do Curupira, em Boa Vista. No entanto, a mudança de clima já era prevista pelo serviço de meteorologia".
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
GUERRILHA DO ARAGUAIA

Já deveria ter contado o que fiz no sábado. Mais uma vez, como faço há pelo menos 10 anos, almocei na casa do Baía e da Ana. Esse casal paraense, que vive há 33 anos no Acre, costuma reunir uma legião de amigos para comemorar o aniversário dele, de modo extravagante, com as mais deliciosas comidas típicas do Acre e do Pará.
Antes do casamento, em Belém, Ana foi babá da Kátia, a minha mulher. Os pais de Kátia mudaram para o Acre, logo em seguida Ana casou com o soldado Baía e foram transferidos para cá. Lutadora, Ana se tornou uma gabaritada professora da rede estadual de ensino.
Baía hoje é um pacato cabo reformado do Exército, a quem várias vezes já tentei convencer a conceder uma entrevista para contar as histórias que viveu em decorrência da participação dele em Xambioá (PA), contra a Guerrilha do Araguaia, entre abril de 1972 e janeiro de 1975.
- O que fiz e vi é segredo e não posso falar - responde quando tento convencê-lo a falar publicamente sobre o que se passou lá.
Baía estava entre os militares que prenderam os guerrilheiros Geraldo (José Genoino Neto) e Dina (Dinalva Oliveira Teixeira).
- O Genoino era um cagão. Ele começava a chorar quando a gente ameaçava matá-lo no dia seguinte, caso não abrisse o bico.
O cabo, que se destacou no Exército como um requintado mateiro, não acredita que alguém possa localizar corpos de guerrilheiros que tombaram na selva.
- Agora já se passaram muitos anos, mas antes eu seria capaz de localizar os cemitérios de cova rasa que fizemos. Quem tombava, a gente arrancava apenas a cabeça e levava para identificação. Os corpos eram enterrados ou não.
O cabo Baía votou em Ciro Gomes para presidente, mas não compareceu às urnas no segundo turno.
- Preferi pagar multa a ter que estragar meu voto no Lula. Hoje, quando vejo tudo isso que está acontecendo, sobretudo o que fez o Genoino, fico pensando se não teria sido melhor ter dado um tiro na cabeça dele lá dentro do mato.
O cabo, que completou 61 anos, estava com 29 anos quando começou a combater em Xambioá. Disse que não chega a perder o sono pelo que viveu na luta contra os guerrileiros.
- Para mim, foi uma missão cumprida. Eu cumpria ordens. O que sinto, às vezes, é um nervosinho. Nada mais.
O velho cabo ganhou de presente o livro "A Semente da Vitória", de autoria do professor e preparador físico Nuno Cobra, para quem, para se ter uma boa qualidade de vida, é necessário uma boa noite de sono.
IPÊ

O ipê -designação comum às árvores do gênero Tabebuia (antes, Tecoma), da família das bignoniáceas- é considerado a verdadeira árvore nacional. Existe também o ipê roxo, mas a espécie amarela é a mais utilizada em paisagismo por causa da floração belíssima, entre julho e agosto.
Nativas do Brasil, as duas espécies proporcionam espetáculo na arborização de ruas em algumas cidades brasileiras. Embelezam e promovem colorido. São conhecidas também como por pau-d'arco-amarelo, ipê-do-morro, ipê-tabaco, ipê-amarelo-cascudo, ipê-açu, aipe...
Suas folhas primeiramente caem e a árvore fica completamente despida. Em seguida, cobre-se inteiramente com sua floração amarela, dando origem ao famoso espetáculo do ipê-amarelo florido. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior é a intensidade da florada. A madeira é muito resistente, flexível e difícil de serrar.
Ipê, do tupi, significa 'árvore cascuda'. A casinha e o ipê-amarelo da foto estão na estrada Irineu Serra, antes do cemitério Jardim da Saudade. Clique aqui para ver os dois ipês que transformaram o quintal da minha casa num tapete de flores.
domingo, 14 de agosto de 2005
REDAÇÃO EM PANE
Não é necessário fé em Deus para acreditar no que o site Notícias da Hora publicou sobre o susto vivido pelo governador Jorge Viana:
Motor de avião pára e Jorge é forçado a voltar para Rio Branco
"Um avião monomotor da Rio Branco Táxi Aéreo que levava o governador Jorge Viana e sua comitiva para o município de Feijó, no sábado, apresentou falhas em um dos motores, que parou de funcionar. O governador deu ordens para o comandante voltar para Rio Branco, o que foi feito com apenas um motor em operação. Além de Viana, seguiam no avião o senador Sibá Machado e outras lideranças políticas. O governador segue viagem nesta Segunda para Cruzeiro, onde participa do encer-ramento da festa do Novenário".
Se era um monomotor, o avião tinha um só motor, não é? Bem, não acredito que o governador tivesse um complexo de motores na manga. Talvez fosse apenas um bimotor.
A imprensa também gosta de exagerar na babação. Não consigo acreditar que Jorge Viana tenha dado ordens ao piloto. Ele tem muitas horas de smiles acumuladas, mas elas não o credenciam a decidir o que é melhor numa situação de risco em aviação.
Essa mania da imprensa, de apresentar o governador como senhor da terra e dos céus, é prejudicial à imagem dele.
Motor de avião pára e Jorge é forçado a voltar para Rio Branco
"Um avião monomotor da Rio Branco Táxi Aéreo que levava o governador Jorge Viana e sua comitiva para o município de Feijó, no sábado, apresentou falhas em um dos motores, que parou de funcionar. O governador deu ordens para o comandante voltar para Rio Branco, o que foi feito com apenas um motor em operação. Além de Viana, seguiam no avião o senador Sibá Machado e outras lideranças políticas. O governador segue viagem nesta Segunda para Cruzeiro, onde participa do encer-ramento da festa do Novenário".
Se era um monomotor, o avião tinha um só motor, não é? Bem, não acredito que o governador tivesse um complexo de motores na manga. Talvez fosse apenas um bimotor.
A imprensa também gosta de exagerar na babação. Não consigo acreditar que Jorge Viana tenha dado ordens ao piloto. Ele tem muitas horas de smiles acumuladas, mas elas não o credenciam a decidir o que é melhor numa situação de risco em aviação.
Essa mania da imprensa, de apresentar o governador como senhor da terra e dos céus, é prejudicial à imagem dele.
EM VÃO

Tirei do site Notícias da Hora essa "fotinha" um tanto surrealista na qual aparecem o prefeito, o vice-prefeito e o diretor da empresa pública de distribuição de água de Rio Branco, implorando para que Deus faça chover. A última vez que choveu na cidade foi no dia 17 de julho.
Acho que Deus anda tão puto com a humanidade que não vai mandar chover sem que a gente encare os criminosos ambientais responsáveis pela morte lenta do rio. Nossos pecados têm sido mais graves do que aquele cometido por quem comeu a maçã.
Ao ver a foto, o jornalista Elson Martins não conteve a picardia:
- Seria mais fácil as autoridades forçarem os fazendeiros a reunir todas as vacas e bois para mijarem nas cabeceiras do rio.
O jornalista Antonio Alves tem outra sugestão:
- O que o governo tem a fazer é notificar todos os fazendeiros que desmataram as margens dos rios e igarapés, dar-lhes um prazo para reflorestar tudo novamente, ajudá-los distribuindo sementes e mudas, mobilizar milhares de desempregados para esse serviço. Mas pra fazer isso tem que estar disposto a gastar dinheiro com Meio Ambiente, não apenas com obras, e tem que ter coragem pra arriscar-se a perder as “doações” dos “empresários” nas campanhas eleitorais.
sábado, 13 de agosto de 2005
DIA DOS PAIS
Elson Martins (*)
Não sei - nem quero saber – quem inventou a data e com que objetivo. Imagino que existem versões diversas utilizadas pelos comerciantes em diferentes regiões do mundo. A versão que conheço parece com as de outras datas como dia das mães, dia dos namorados, dia da criança etc. Todas induzindo as pessoas a comprar presentes no comércio, ou pacotes de turismo.
Como socialista à moda antiga, sempre procurei livrar meus filhos da hipocrisia da sociedade consumista e mercantilista. “Isso é coisa da burguesia” – argumentava num tom quase raivoso. E pouco me importava que acabassem por passar algum tipo de humilhação diante de seus colegas “alienados”.
Talvez fosse mais honesto ter dito a eles e a vocês que me lêem agora, que minha aversão a esse tipo de festejo está relacionada à origem de seringal, nos cafundós da floresta acreana, onde nasci e me criei. Lembro que as relações familiares se expressavam naqueles confins sem atenção a datas.
Até o aniversário de um e outro de meus irmãos, em número de 12 ou 13, era marcado apenas pelo cardápio do almoço. Minha mãe pedia à sua auxiliar de cozinha que matasse uma galinha, grande e gorda, permitindo à mesa que alguém, sem afetação, comentasse o motivo.
Creio que o estilo de educação formatado longe dos centros urbanos e no adentrado das matas prevaleceu sobre o aprendizado que acumulei na cidade grande e nas teorias revolucionárias de esquerda. E teria resistido até aos condicionamentos das comunidades conservadoras em que me meti. Até a fase adulta, meus filhos ainda se mostram encabulados ao oferecer presentes - mesmo no Natal e Ano Novo.
Em raras ocasiões, entretanto, eles conseguiram romper com a “disciplina” para, ao seu modo, homenagear-me. Uma delas foi em junho de 2004, quando completei 65. Embora contrariado, me submeti a uma festa montada na casa de um amigo de Rio Branco, percebendo, desde a véspera, que haviam armado cumplicidade contra meus velhos hábitos.
Olha, os dois filhos maiores (tenho seis) – Vássia e Tissiano – me surpreenderam naquele dia (melhor dizendo: naquela noite) ao montar um painel com fotos minhas, em diferentes momentos de minha vida, colando nele textos carinhosos e respeitosos. Nunca me senti tão pai e tão herói!
Lembram da música “ainda somos como nossos pais”, gravada e cantada nos anos 70, com críticas à ditadura militar? Parece que estou vendo a saudosa Elis Regina se desmanchando de emoção no palco ao interpretá-la como ninguém!
Pois meu pai, Chico Martins, em que me vejo, não dava trela a filho. O amor dele se escondia por trás de gestos duros, de difícil tradução. E isso quase nos fez intrigados. Eu, que numa determinada época me tornei boçal a partir de leituras equivocadas, não conseguia ler a ternura que ele, já velhinho, transmitia através de seus olhos umedecidos e embaçados.
Certa vez, eu e um grupo de amigos fizemos um programa na Rádio Educadora de Macapá, que pertencia à Prelazia, sobre o Dia de Finados. Lemos, com voz solta e em jogral, poemas de Manuel Bandeira, Carlos Drummond e João Cabral de Melo Neto, entre outros grandes poetas brasileiros. Ao voltar para almoçar (num domingo pela manhã), vi que meu pai tinha estado o tempo todo com o ouvido colado no seu velho rádio Phillips, cujas válvulas gastas e quentes provocavam chiadeira..
Percebi, então, e minha mãe confirmou de jeito excessivamente cauteloso, que ele tinha chorado em várias ocasiões. Um delas quando lemos versos de Manuel Bandeira, em que o grande poeta pernambucano recomendava a quem o lia:
-Vai ao cemitério, acende uma vela e reza: Não pelo pai, que está morto, mas pelo filho que está vivo!
A memória disso me dói tanto nos dias de hoje! Pai: celebro seu dia com enorme saudade e respeito.
(*) Elson Martins é jornalista acreano
Não sei - nem quero saber – quem inventou a data e com que objetivo. Imagino que existem versões diversas utilizadas pelos comerciantes em diferentes regiões do mundo. A versão que conheço parece com as de outras datas como dia das mães, dia dos namorados, dia da criança etc. Todas induzindo as pessoas a comprar presentes no comércio, ou pacotes de turismo.
Como socialista à moda antiga, sempre procurei livrar meus filhos da hipocrisia da sociedade consumista e mercantilista. “Isso é coisa da burguesia” – argumentava num tom quase raivoso. E pouco me importava que acabassem por passar algum tipo de humilhação diante de seus colegas “alienados”.
Talvez fosse mais honesto ter dito a eles e a vocês que me lêem agora, que minha aversão a esse tipo de festejo está relacionada à origem de seringal, nos cafundós da floresta acreana, onde nasci e me criei. Lembro que as relações familiares se expressavam naqueles confins sem atenção a datas.
Até o aniversário de um e outro de meus irmãos, em número de 12 ou 13, era marcado apenas pelo cardápio do almoço. Minha mãe pedia à sua auxiliar de cozinha que matasse uma galinha, grande e gorda, permitindo à mesa que alguém, sem afetação, comentasse o motivo.
Creio que o estilo de educação formatado longe dos centros urbanos e no adentrado das matas prevaleceu sobre o aprendizado que acumulei na cidade grande e nas teorias revolucionárias de esquerda. E teria resistido até aos condicionamentos das comunidades conservadoras em que me meti. Até a fase adulta, meus filhos ainda se mostram encabulados ao oferecer presentes - mesmo no Natal e Ano Novo.
Em raras ocasiões, entretanto, eles conseguiram romper com a “disciplina” para, ao seu modo, homenagear-me. Uma delas foi em junho de 2004, quando completei 65. Embora contrariado, me submeti a uma festa montada na casa de um amigo de Rio Branco, percebendo, desde a véspera, que haviam armado cumplicidade contra meus velhos hábitos.
Olha, os dois filhos maiores (tenho seis) – Vássia e Tissiano – me surpreenderam naquele dia (melhor dizendo: naquela noite) ao montar um painel com fotos minhas, em diferentes momentos de minha vida, colando nele textos carinhosos e respeitosos. Nunca me senti tão pai e tão herói!
Lembram da música “ainda somos como nossos pais”, gravada e cantada nos anos 70, com críticas à ditadura militar? Parece que estou vendo a saudosa Elis Regina se desmanchando de emoção no palco ao interpretá-la como ninguém!
Pois meu pai, Chico Martins, em que me vejo, não dava trela a filho. O amor dele se escondia por trás de gestos duros, de difícil tradução. E isso quase nos fez intrigados. Eu, que numa determinada época me tornei boçal a partir de leituras equivocadas, não conseguia ler a ternura que ele, já velhinho, transmitia através de seus olhos umedecidos e embaçados.
Certa vez, eu e um grupo de amigos fizemos um programa na Rádio Educadora de Macapá, que pertencia à Prelazia, sobre o Dia de Finados. Lemos, com voz solta e em jogral, poemas de Manuel Bandeira, Carlos Drummond e João Cabral de Melo Neto, entre outros grandes poetas brasileiros. Ao voltar para almoçar (num domingo pela manhã), vi que meu pai tinha estado o tempo todo com o ouvido colado no seu velho rádio Phillips, cujas válvulas gastas e quentes provocavam chiadeira..
Percebi, então, e minha mãe confirmou de jeito excessivamente cauteloso, que ele tinha chorado em várias ocasiões. Um delas quando lemos versos de Manuel Bandeira, em que o grande poeta pernambucano recomendava a quem o lia:
-Vai ao cemitério, acende uma vela e reza: Não pelo pai, que está morto, mas pelo filho que está vivo!
A memória disso me dói tanto nos dias de hoje! Pai: celebro seu dia com enorme saudade e respeito.
(*) Elson Martins é jornalista acreano
JORGE VIANA NO GLOBO
‘O presidente deveria repensar a reeleição’

Ilimar Franco
Perplexo com a crise política que o PT provocou no governo Lula, o governador do Acre, Jorge Viana, diz que a hora é de pensar no país e esquecer projetos de poder político. O petista, que esteve na noite de quinta-feira com o presidente, afirma que, em nome da estabilidade institucional, Lula deveria abrir mão da reeleição. Viana também quer que o PT encare seus horrores de frente e diz que o partido não pode esperar pela CPI e pela Polícia Federal para punir os que erraram. Para o governador do Acre, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu deveria dar explicações sobre o que ocorreu. Dizendo-se atônito com o que está acontecendo, Viana também critica a oposição, a quem acusa de ter sido irresponsável na votação do salário-mínimo no Senado.
Qual sua avaliação do pronunciamento do presidente Lula?
JORGE VIANA: O presidente falou como um chefe de governo. Espero que em breve ele fale como um chefe de Estado. Falar foi importante, mas a situação chegou num ponto, depois do depoimento do Duda Mendonça, que exige mais do que fala, exige atitudes. O PT, por exemplo, tem seus fóruns, não precisa esperar pela CPI nem pela Polícia Federal. Não é possível que ninguém tenha sido punido até agora. É necessário que o PT tome atitudes.
O senhor esteve com o presidente Lula na noite de quinta-feira. Como o presidente se sente na crise?
VIANA: O presidente precisa falar diretamente com o povo. Ele precisa passar a indignação que ouvi dele. O presidente se sente traído. Ouvi dele que se sente como um passarinho sendo devorado por cobras.
O que aconteceu com o PT?
VIANA: Acho que nós confundimos governo e poder. Entendo que, quando se chega no governo, o projeto de poder tem que ficar de lado. Você só tem mais poder se fizer um bom governo. Lamentavelmente montamos um projeto de poder mesmo com a gente já estando no governo. O PT no poder procurou fazer a política que os outros faziam. Não tínhamos o direito de fazer isso.
O que levou o PT a esta situação?
VIANA: Não podemos satanizar o PT. Foram dirigentes que tinham a missão de conduzir o partido que incorreram nesse desvio de conduta gravíssimo. O partido corre risco. O Duda estabeleceu uma conexão entre o partido e a prática de organizações criminosas, como a lavagem de dinheiro.
O que fazer?
VIANA: Para começar quero ouvir a verdade dos petistas. Quero meu partido de volta. Estou absolutamente solidário com o presidente Tarso Genro. Entendo que é preciso dar um choque petista no próprio PT. Há uma luta surda no partido. Isso é inaceitável. Nós já perdemos tempo demais. Não é preciso esperar pela CPI e pela Polícia Federal para agirmos. Sua Excelência, os fatos, estão aí. Agora chegou a vez de Sua Excelência, as atitudes. Não dá para aceitar que ninguém tenha sido punido ainda.
Quais os petistas que deveriam dar explicações?
VIANA: Não podemos ouvir a verdade dos outros, do Marcos Valério e do Duda Mendonça. Temos que cobrar explicações até mesmo dos que se afastaram. Na mais grave crise do partido, não se cobra nada de ninguém.
O presidente diz que foi traído. Por quem?
VIANA: Pelos que montaram e alimentaram esse esquema. Esse esquema não foi criado agora nem inventado por nós. O esquema do Marcos Valério começou em Belo Horizonte com o PSDB.
O presidente se refere ao ex-ministro José Dirceu?
VIANA: Em relação ao José Dirceu estou atrás dessa verdade. O ministro vai ter que falar. Estamos diante de situações novas depois do depoimento do Duda Mendonça. Quem conviveu com isso vai ter que se responsabilizar. Não sei se é o Sílvio, o Delúbio, o Genoino. O José Dirceu também vai ter que dar esclarecimentos.
O senhor se sente traído?
VIANA: Todos os petistas se sentem muito mal. Estamos desamparados. Roubaram nosso sonho. O PT era para ser uma referência e passou a ser um exemplo ruim.
Onde o PT errou?
VIANA: No governo estamos indo bem. O nosso problema desde o primeiro momento foi a política. Foi na construção da maioria. Fizemos relações com aliados, especialistas nesse negócio de governabilidade, pelas regras deles e não pelas nossas. De que isso adiantou? Acabamos de fazer uma reforma ministerial e na primeira votação importante para o país, a do salário-mínimo, perdemos. O Senado se apequenou ao votar o mínimo.
É uma crítica à oposição?
VIANA: A oposição se apequenou. Não teve uma postura compatível com o momento por que passamos. Espero que ela não tente agora adotar um caminho golpista.
O que o presidente deveria fazer para sair da crise?
VIANA: O presidente deveria reunir o Conselho da República e estabelecer um diálogo direto com a sociedade para tratar da crise. Se eu fosse o presidente faria uma grandiosa mudança no governo, uma radical e profunda reforma. Faria um Ministério para governar um ano e meio desatrelado de qualquer tentativa de construir uma maioria. O presidente Lula, dependendo da intensidade da crise, deveria até mesmo considerar abrir mão de sua candidatura à reeleição.
Essa é uma proposta da oposição?
VIANA: A oposição está cumprindo o papel dela. Sabe os danos que está criando para o PT e para o governo. O presidente não faria isso para atender a oposição. O acordo do presidente não seria com a oposição nem com o Congresso, mas com a sociedade brasileira. O presidente faria a opção de governar um ano e meio com uma agenda objetiva, desvinculada de reeleição, e que propusesse uma mudança na legislação eleitoral e partidária. O sistema político brasileiro apodreceu.
O presidente do PT, Tarso Genro, e o presidente da OAB, Roberto Busato, sugerem convocar o Conselho da República.
VIANA: Estou sugerindo que isso seja feito há 15 dias. A crise envolve uma instituição, o Congresso. É fato. Acho que seria fundamental convocar o Conselho e os ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. O presidente tem que abrir o coração, abrir o jogo e pedir ajuda. Nós vivemos uma crise institucional. A primeira responsabilidade do presidente não é com o PT nem com o governo, mas com a República.
Governador...
VIANA: Olha, estou me sentindo bastante travado. Não estou legal. Quero pontuar algumas coisas, não quero ficar dando voltas. O presidente precisa adotar outras medidas administrativas. Estou muito descontente com os responsáveis pela execução orçamentária. O risco para a estabilidade econômica não está na execução de programas de governo. A política econômica pode preservar seus objetivos sem prejudicar a eficiência do governo. Nós temos compromisso com os que não têm, com os que não sabem, com os que não podem. O presidente Lula não merece uma execução controlada com mão-de-ferro porque isso prejudica os excluídos, aqueles que para serem atendidos dependem do funcionamento de governos estaduais e de prefeituras. O pessoal está passando dos limites. Falta sensibilidade.
Fonte: O Globo
Ilimar Franco
Perplexo com a crise política que o PT provocou no governo Lula, o governador do Acre, Jorge Viana, diz que a hora é de pensar no país e esquecer projetos de poder político. O petista, que esteve na noite de quinta-feira com o presidente, afirma que, em nome da estabilidade institucional, Lula deveria abrir mão da reeleição. Viana também quer que o PT encare seus horrores de frente e diz que o partido não pode esperar pela CPI e pela Polícia Federal para punir os que erraram. Para o governador do Acre, o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu deveria dar explicações sobre o que ocorreu. Dizendo-se atônito com o que está acontecendo, Viana também critica a oposição, a quem acusa de ter sido irresponsável na votação do salário-mínimo no Senado.
Qual sua avaliação do pronunciamento do presidente Lula?
JORGE VIANA: O presidente falou como um chefe de governo. Espero que em breve ele fale como um chefe de Estado. Falar foi importante, mas a situação chegou num ponto, depois do depoimento do Duda Mendonça, que exige mais do que fala, exige atitudes. O PT, por exemplo, tem seus fóruns, não precisa esperar pela CPI nem pela Polícia Federal. Não é possível que ninguém tenha sido punido até agora. É necessário que o PT tome atitudes.
O senhor esteve com o presidente Lula na noite de quinta-feira. Como o presidente se sente na crise?
VIANA: O presidente precisa falar diretamente com o povo. Ele precisa passar a indignação que ouvi dele. O presidente se sente traído. Ouvi dele que se sente como um passarinho sendo devorado por cobras.
O que aconteceu com o PT?
VIANA: Acho que nós confundimos governo e poder. Entendo que, quando se chega no governo, o projeto de poder tem que ficar de lado. Você só tem mais poder se fizer um bom governo. Lamentavelmente montamos um projeto de poder mesmo com a gente já estando no governo. O PT no poder procurou fazer a política que os outros faziam. Não tínhamos o direito de fazer isso.
O que levou o PT a esta situação?
VIANA: Não podemos satanizar o PT. Foram dirigentes que tinham a missão de conduzir o partido que incorreram nesse desvio de conduta gravíssimo. O partido corre risco. O Duda estabeleceu uma conexão entre o partido e a prática de organizações criminosas, como a lavagem de dinheiro.
O que fazer?
VIANA: Para começar quero ouvir a verdade dos petistas. Quero meu partido de volta. Estou absolutamente solidário com o presidente Tarso Genro. Entendo que é preciso dar um choque petista no próprio PT. Há uma luta surda no partido. Isso é inaceitável. Nós já perdemos tempo demais. Não é preciso esperar pela CPI e pela Polícia Federal para agirmos. Sua Excelência, os fatos, estão aí. Agora chegou a vez de Sua Excelência, as atitudes. Não dá para aceitar que ninguém tenha sido punido ainda.
Quais os petistas que deveriam dar explicações?
VIANA: Não podemos ouvir a verdade dos outros, do Marcos Valério e do Duda Mendonça. Temos que cobrar explicações até mesmo dos que se afastaram. Na mais grave crise do partido, não se cobra nada de ninguém.
O presidente diz que foi traído. Por quem?
VIANA: Pelos que montaram e alimentaram esse esquema. Esse esquema não foi criado agora nem inventado por nós. O esquema do Marcos Valério começou em Belo Horizonte com o PSDB.
O presidente se refere ao ex-ministro José Dirceu?
VIANA: Em relação ao José Dirceu estou atrás dessa verdade. O ministro vai ter que falar. Estamos diante de situações novas depois do depoimento do Duda Mendonça. Quem conviveu com isso vai ter que se responsabilizar. Não sei se é o Sílvio, o Delúbio, o Genoino. O José Dirceu também vai ter que dar esclarecimentos.
O senhor se sente traído?
VIANA: Todos os petistas se sentem muito mal. Estamos desamparados. Roubaram nosso sonho. O PT era para ser uma referência e passou a ser um exemplo ruim.
Onde o PT errou?
VIANA: No governo estamos indo bem. O nosso problema desde o primeiro momento foi a política. Foi na construção da maioria. Fizemos relações com aliados, especialistas nesse negócio de governabilidade, pelas regras deles e não pelas nossas. De que isso adiantou? Acabamos de fazer uma reforma ministerial e na primeira votação importante para o país, a do salário-mínimo, perdemos. O Senado se apequenou ao votar o mínimo.
É uma crítica à oposição?
VIANA: A oposição se apequenou. Não teve uma postura compatível com o momento por que passamos. Espero que ela não tente agora adotar um caminho golpista.
O que o presidente deveria fazer para sair da crise?
VIANA: O presidente deveria reunir o Conselho da República e estabelecer um diálogo direto com a sociedade para tratar da crise. Se eu fosse o presidente faria uma grandiosa mudança no governo, uma radical e profunda reforma. Faria um Ministério para governar um ano e meio desatrelado de qualquer tentativa de construir uma maioria. O presidente Lula, dependendo da intensidade da crise, deveria até mesmo considerar abrir mão de sua candidatura à reeleição.
Essa é uma proposta da oposição?
VIANA: A oposição está cumprindo o papel dela. Sabe os danos que está criando para o PT e para o governo. O presidente não faria isso para atender a oposição. O acordo do presidente não seria com a oposição nem com o Congresso, mas com a sociedade brasileira. O presidente faria a opção de governar um ano e meio com uma agenda objetiva, desvinculada de reeleição, e que propusesse uma mudança na legislação eleitoral e partidária. O sistema político brasileiro apodreceu.
O presidente do PT, Tarso Genro, e o presidente da OAB, Roberto Busato, sugerem convocar o Conselho da República.
VIANA: Estou sugerindo que isso seja feito há 15 dias. A crise envolve uma instituição, o Congresso. É fato. Acho que seria fundamental convocar o Conselho e os ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. O presidente tem que abrir o coração, abrir o jogo e pedir ajuda. Nós vivemos uma crise institucional. A primeira responsabilidade do presidente não é com o PT nem com o governo, mas com a República.
Governador...
VIANA: Olha, estou me sentindo bastante travado. Não estou legal. Quero pontuar algumas coisas, não quero ficar dando voltas. O presidente precisa adotar outras medidas administrativas. Estou muito descontente com os responsáveis pela execução orçamentária. O risco para a estabilidade econômica não está na execução de programas de governo. A política econômica pode preservar seus objetivos sem prejudicar a eficiência do governo. Nós temos compromisso com os que não têm, com os que não sabem, com os que não podem. O presidente Lula não merece uma execução controlada com mão-de-ferro porque isso prejudica os excluídos, aqueles que para serem atendidos dependem do funcionamento de governos estaduais e de prefeituras. O pessoal está passando dos limites. Falta sensibilidade.
Fonte: O Globo
MANIFESTO SOBRE A CRISE
Ao Presidente Lula e à Direção Nacional do PT
Na crise política e institucional que estamos vivendo, a ausência da verdade só tem contribuído para piorar cada vez mais a situação e aumentar a decepção e a revolta do povo brasileiro. Queremos mais que nunca a verdade. Não apenas em palavras, mas em atitudes e ações.
Temos visto a crise de longe, desta pontinha da pátria que é o estado do Acre. Mas a angústia que sentimos, ao ver os nossos melhores sonhos transformados num pesadelo horrível, é igual a de todos os brasileiros em todos os lugares desse imenso país.
Somos militantes do Partido dos Trabalhadores e lamentamos que, passados tantos dias e revelados tantos fatos desde o início desta crise, nenhum dos petistas envolvidos tenha sido punido. Para isso não há desculpa, porque o PT tem seus fóruns próprios de decisão e não precisa esperar as investigações da CPI ou da polícia.
É possível e necessário excluir do partido aqueles que dele se aproveitaram para montar seus esquemas de domínio político ou financeiro. É possível e necessário pedir desculpas à nação brasileira por ter permitido que se desenvolvesse, entre nós, as práticas que tanto condenávamos no passado. Só assim o PT poderá se limpar, reconstruir seus ideais e reconquistar a confiança do povo brasileiro.
Não basta argumentar que a política brasileira sempre acobertou as práticas agora reveladas. Não basta dizer que tudo isso começou há muito tempo e que sempre foi praticado nos outros partidos. O sistema político brasileiro está podre, é um fato, mas nós do PT não poderíamos ter incorrido nesses crimes, pois nosso partido nasceu para combatê-los e conquistou o respeito da sociedade por combatê-los.
O PT precisa punir exemplarmente com expulsão pública todos aqueles que conceberam e executaram as operações que resultaram neste escândalo. E o Presidente Lula, independente das instâncias partidárias, precisa tomar atitudes administrativas urgentes.
Por isso nos dirigimos também ao Presidente Lula para expressar nossa confiança de que é capaz de encontrar caminhos para a superação dessa crise, que não coloca em risco apenas o desempenho ou a continuidade do nosso governo, mas o próprio equilíbrio do nosso país.
E a primeira responsabilidade do Presidente da República não é com o partido nem com o governo, mas com o país.
É fundamental que o Presidente examine a possibilidade de convocar imediatamente o Conselho da República, nos termos previstos na Constituição Federal. Sugerimos que, entre os cidadãos convocados estejam os ex-presidentes Fernando Henrique, Itamar Franco e José Sarney, que também enfrentaram crises de grandes proporções e podem contribuir com suas experiências.
E alertamos para que, na análise das atitudes necessárias à superação da crise, todas as alternativas sejam consideradas. Ao Presidente Lula, por exemplo, cabe considerar que uma possível candidatura à reeleição não pode se sobrepor à unidade do país num pacto de governabilidade.
É necessário acelerar a execução orçamentária para aumentar os investimentos sociais e o crescimento econômico do país, porque os riscos para a estabilidade econômica não estão nos programas do governo, mas na crise social que a falta desses programas pode provocar. A política macroeconômica pode, perfeitamente, preservar seus objetivos sem sacrificar as políticas sociais.
A composição política para o Ministério esgotou-se. O Ministério não pode continuar refém de chantagens ou de acomodações políticas. O governo precisa de Ministros do país, com projetos claros e com capacidade para conquistar o apoio no Congresso e a confiança da sociedade.
Na agenda política, sem prejuízo às investigações das CPIs e o combate à corrupção, é possível dialogar com as lideranças e garantir a aprovação de projetos essenciais, incluindo não só uma reforma, mas uma profunda mudança no sistema político do país.
Ao nosso partido e ao nosso governo apelamos: vamos receber com humildade as lições desta crise. Ela não teria surgido em nosso meio e não teria chegado ao ponto que chegou se não tivéssemos, ao longo de muitos anos, alimentado a arrogância e perdido a capacidade de aprender. É necessário recuperá-la.
No Acre, estamos tomando medidas para reforçar a vigilância e evitar possíveis erros administrativos. É fundamental que nossas administrações sejam mais transparentes, abertas e participativas. Isso pode incluir a revisão de procedimentos administrativos e requer, principalmente, a adoção de uma nova atitude política: mais humilde, mais cordial, mais paciente.
Vamos ter mais contato com as bases sociais que deram surgimento aos nossos mandatos e governos. Vamos ouvir mais, especialmente as críticas. Vamos dialogar mais com a sociedade, com as instituições, com a imprensa, com nossos aliados e até com os opositores.
Queremos aprender com a crise, na esperança de que possamos, com nosso modesto exemplo, ajudar nosso partido e nosso país a encontrar os caminhos para superá-la.
Que a esperança, mais uma vez, seja vencedora.
Jorge Viana – Governador do Acre
Arnóbio Marques – Vice-Governador do Acre
Raimundo Angelim – Prefeito de Rio Branco e Presidente da Associação de Prefeitos do Acre
Tião Viana – Senador
Sibá Machado – Senador – Presidente do Diretório Regional do PT Acre
Nilson Mourão – Deputado Federal
Henrique Afonso – Deputado Federal
Zico Bronzeado – Deputado Federal
Juarez Leitão – Deputado Estadual e líder do PT na ALEAC
Ronald Polanco – Deputado Estadual – 1º Secretário da Assembléia Legislativa
Naluh Gouveia – Deputada Estadual
Padre Valmir - Deputado Estadual
Fernando Melo – Deputado Estadual
Manuel Lima – Presidente da Central Única dos Trabalhadores – CUT – Acre
Na crise política e institucional que estamos vivendo, a ausência da verdade só tem contribuído para piorar cada vez mais a situação e aumentar a decepção e a revolta do povo brasileiro. Queremos mais que nunca a verdade. Não apenas em palavras, mas em atitudes e ações.
Temos visto a crise de longe, desta pontinha da pátria que é o estado do Acre. Mas a angústia que sentimos, ao ver os nossos melhores sonhos transformados num pesadelo horrível, é igual a de todos os brasileiros em todos os lugares desse imenso país.
Somos militantes do Partido dos Trabalhadores e lamentamos que, passados tantos dias e revelados tantos fatos desde o início desta crise, nenhum dos petistas envolvidos tenha sido punido. Para isso não há desculpa, porque o PT tem seus fóruns próprios de decisão e não precisa esperar as investigações da CPI ou da polícia.
É possível e necessário excluir do partido aqueles que dele se aproveitaram para montar seus esquemas de domínio político ou financeiro. É possível e necessário pedir desculpas à nação brasileira por ter permitido que se desenvolvesse, entre nós, as práticas que tanto condenávamos no passado. Só assim o PT poderá se limpar, reconstruir seus ideais e reconquistar a confiança do povo brasileiro.
Não basta argumentar que a política brasileira sempre acobertou as práticas agora reveladas. Não basta dizer que tudo isso começou há muito tempo e que sempre foi praticado nos outros partidos. O sistema político brasileiro está podre, é um fato, mas nós do PT não poderíamos ter incorrido nesses crimes, pois nosso partido nasceu para combatê-los e conquistou o respeito da sociedade por combatê-los.
O PT precisa punir exemplarmente com expulsão pública todos aqueles que conceberam e executaram as operações que resultaram neste escândalo. E o Presidente Lula, independente das instâncias partidárias, precisa tomar atitudes administrativas urgentes.
Por isso nos dirigimos também ao Presidente Lula para expressar nossa confiança de que é capaz de encontrar caminhos para a superação dessa crise, que não coloca em risco apenas o desempenho ou a continuidade do nosso governo, mas o próprio equilíbrio do nosso país.
E a primeira responsabilidade do Presidente da República não é com o partido nem com o governo, mas com o país.
É fundamental que o Presidente examine a possibilidade de convocar imediatamente o Conselho da República, nos termos previstos na Constituição Federal. Sugerimos que, entre os cidadãos convocados estejam os ex-presidentes Fernando Henrique, Itamar Franco e José Sarney, que também enfrentaram crises de grandes proporções e podem contribuir com suas experiências.
E alertamos para que, na análise das atitudes necessárias à superação da crise, todas as alternativas sejam consideradas. Ao Presidente Lula, por exemplo, cabe considerar que uma possível candidatura à reeleição não pode se sobrepor à unidade do país num pacto de governabilidade.
É necessário acelerar a execução orçamentária para aumentar os investimentos sociais e o crescimento econômico do país, porque os riscos para a estabilidade econômica não estão nos programas do governo, mas na crise social que a falta desses programas pode provocar. A política macroeconômica pode, perfeitamente, preservar seus objetivos sem sacrificar as políticas sociais.
A composição política para o Ministério esgotou-se. O Ministério não pode continuar refém de chantagens ou de acomodações políticas. O governo precisa de Ministros do país, com projetos claros e com capacidade para conquistar o apoio no Congresso e a confiança da sociedade.
Na agenda política, sem prejuízo às investigações das CPIs e o combate à corrupção, é possível dialogar com as lideranças e garantir a aprovação de projetos essenciais, incluindo não só uma reforma, mas uma profunda mudança no sistema político do país.
Ao nosso partido e ao nosso governo apelamos: vamos receber com humildade as lições desta crise. Ela não teria surgido em nosso meio e não teria chegado ao ponto que chegou se não tivéssemos, ao longo de muitos anos, alimentado a arrogância e perdido a capacidade de aprender. É necessário recuperá-la.
No Acre, estamos tomando medidas para reforçar a vigilância e evitar possíveis erros administrativos. É fundamental que nossas administrações sejam mais transparentes, abertas e participativas. Isso pode incluir a revisão de procedimentos administrativos e requer, principalmente, a adoção de uma nova atitude política: mais humilde, mais cordial, mais paciente.
Vamos ter mais contato com as bases sociais que deram surgimento aos nossos mandatos e governos. Vamos ouvir mais, especialmente as críticas. Vamos dialogar mais com a sociedade, com as instituições, com a imprensa, com nossos aliados e até com os opositores.
Queremos aprender com a crise, na esperança de que possamos, com nosso modesto exemplo, ajudar nosso partido e nosso país a encontrar os caminhos para superá-la.
Que a esperança, mais uma vez, seja vencedora.
Jorge Viana – Governador do Acre
Arnóbio Marques – Vice-Governador do Acre
Raimundo Angelim – Prefeito de Rio Branco e Presidente da Associação de Prefeitos do Acre
Tião Viana – Senador
Sibá Machado – Senador – Presidente do Diretório Regional do PT Acre
Nilson Mourão – Deputado Federal
Henrique Afonso – Deputado Federal
Zico Bronzeado – Deputado Federal
Juarez Leitão – Deputado Estadual e líder do PT na ALEAC
Ronald Polanco – Deputado Estadual – 1º Secretário da Assembléia Legislativa
Naluh Gouveia – Deputada Estadual
Padre Valmir - Deputado Estadual
Fernando Melo – Deputado Estadual
Manuel Lima – Presidente da Central Única dos Trabalhadores – CUT – Acre
"LULA ESCONDE A SUJEIRA"
O jurista Hélio Bicudo, de 83 anos, tem uma longa militância em favor dos direitos humanos, na qual se destaca o combate à ação do Esquadrão da Morte paulista, no fim dos anos 60. Relutou muito antes de decidir manifestar sua opinião sobre o governo Lula e o PT, ao qual é filiado há 25 anos. Decidiu falar incentivado pela família e por alguns amigos, inclusive da base petista. "Não posso admitir que dentro da história que venho construindo, muitas vezes penosamente, eu possa ser considerado partícipe do que está acontecendo", disse Bicudo à editora de VEJA Lucila Soares, a quem concedeu a seguinte entrevista.
O SENHOR ACREDITA QUE O PRESIDENTE LULA SABIA DOS FATOS QUE ESTÃO VINDO A PÚBLICO?
Lula é um homem centralizador. Sempre foi presidente de fato do partido. É impossível que ele não soubesse como os fundos estavam sendo angariados e gastos e quem era o responsável. Não é porque o sujeito é candidato a presidente que não precisa saber de dinheiro. Pelo contrário. É aí que começa a corrupção.
POR QUE O PRESIDENTE NÃO TOMOU NENHUMA ATITUDE PARA IMPEDIR QUE A SITUAÇÃO CHEGASSE AONDE CHEGOU?
Ele é mestre em esconder a sujeira embaixo do tapete. Sempre agiu dessa forma. Seu pronunciamento de sexta-feira confirma. Lula manteve a postura de que não faz parte disso e não abre espaço para uma discussão pública.
HÁ OUTROS EXEMPLOS DESSA CARACTERÍSTICA?
Há um muito claro. Em 1997, presidi uma comissão de sindicância do PT para apurar denúncias contra o empresário Roberto Teixeira, que estava usando o nome de Lula para obter contratos de prefeituras em São Paulo. A responsabilidade dele ficou claríssima. Foi pedida a instalação de uma comissão de ética, e isso foi deixado de lado por determinação de Lula, porque o Roberto Teixeira é compadre dele. O único punido foi o Paulo de Tarso Venceslau, autor da denúncia. Ainda que não existisse necessariamente um crime, havia um problema sério, ético, político, que tinha de ter sido discutido e não foi. Essas coisas todas vão se acumulando e, no final, acontece o que se vê hoje.
ESSES MESMOS SINAIS ESTÃO PRESENTES NO ASSASSINATO DO PREFEITO DE SANTO ANDRÉ, CELSO DANIEL?
A história de Santo André ainda não está clara. Houve uma intervenção do próprio partido para caracterizar o crime como crime comum, do que eu discordo. Houve a eliminação do Celso, ou porque ele não concordava com a corrupção ou porque ele quis interromper o processo num determinado ponto.
O SENHOR FOI VICE-PREFEITO DE MARTA SUPLICY. COMO FOI PARTICIPAR DE UM GOVERNO PETISTA?
O que me realizou na prefeitura foi constituir a Comissão de Direitos Humanos do município. Fora isso, tudo passou ao largo do meu gabinete, por opção de Marta. E, em dezembro de 2004, já no fim do governo, quando assumi interinamente a prefeitura e houve uma chuva muito forte, com graves prejuízos à população, pude verificar que os serviços públicos estavam totalmente omissos. Convoquei uma reunião do secretariado e apareceram dois ou três. Para mim foi uma experiência extremamente negativa.
EM QUE MOMENTO O SENHOR COMEÇOU A PERCEBER QUE O PARTIDO ESTAVA NO CAMINHO ERRADO?
Quando a direção passou a tomar a frente das campanhas políticas. No início a militância era a grande força eleitoral. Isso foi mudando na medida em que o partido começou a abandonar os princípios éticos. A partir da campanha eleitoral de 1998, instalou-se definitivamente a política de atingir o poder a qualquer preço.
O PRESIDENTE LULA TAMBÉM QUERIA CHEGAR AO PODER A QUALQUER PREÇO?
Sim. Mas ele quer a representatividade, sem o ônus do poder. Ele dividiu o governo como se estivéssemos num sistema parlamentarista. É o chefe do Estado, mas não do governo. Nisso há, aliás, uma clara violação da Constituição, que é presidencialista. A conseqüência foi o aparelhamento do Estado, um governo sem projeto e essa tática de alcançar resultados pela corrupção do Congresso Nacional.
O EX-MINISTRO JOSÉ DIRCEU ERA O PRINCIPAL NOME DESSE GRUPO A QUEM LULA DELEGOU O PODER. QUAL SUA AVALIAÇÃO SOBRE ELE?
Dirceu é um trator. Ele é um homem que luta, sem restrição a meios, pelo poder. Está impregnado desse objetivo. Ele é o melhor representante de um grupo que aspirava ao poder pelo poder, não para fazer as reformas que sempre defendemos. O PT chegou ao governo sem projeto. Se Lula quisesse transformar o sonho petista em realidade, poderia ter se cercado de gente que o ajudaria nisso. Pessoas como Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Fábio Konder Comparato, Maria Victoria Benevides, Paulo Nogueira Batista Junior trabalharam no programa e foram depois pura e simplesmente deixadas de lado. Foi uma escolha. Que continua. Em vez de buscar as pessoas autênticas, que comungam do ideal que acho que ainda é dele também, Lula se reúne com o Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela). Para quê?
O SENHOR TAMBÉM SE CONSIDERA DEIXADO DE LADO?
Eu entrei no PT porque achei que devia entrar, ajudei o Lula em vários momentos porque achei que devia ajudar e nunca pedi nada em troca. Ele é que, espontaneamente, me disse que eu assumiria uma posição. Um dia, o ministro Celso Amorim mandou seu chefe-de-gabinete me oferecer um lugar de conselheiro da Unesco. Eu pedi que me explicasse o que representava exatamente essa posição. A resposta foi: "É formidável. Três viagens por ano a Paris". Ou seja, estavam me oferecendo uma mordomia. Eu não aceitei.
EM ALGUM OUTRO MOMENTO O SENHOR FOI CHAMADO A COLABORAR COM O GOVERNO?
Sim. O então presidente do PT, José Genoíno, me pediu ajuda para convencer meus amigos deputados federais do PT a retirar seu apoio à formação da CPI dos Correios.
EXISTEM ELEMENTOS PARA QUE SE PEÇA O IMPEACHMENT DO PRESIDENTE?
Os fatos podem vir a caracterizar crime de responsabilidade e, portanto, motivar um pedido de impeachment. Mas eu gostaria de lembrar que as primeiras pessoas que pediram o impeachment de Fernando Collor foram o Lula e eu. O pedido foi engavetado. Só quando houve pressão popular é que se concretizou um processo. Se você não tem apoio popular, isso cai numa discussão de juristas que não leva a nada, a não ser ao prejuízo da democracia.
COMO O SENHOR VÊ O FUTURO DO PT?
Depende muito de como esse processo vai prosseguir. Se continuarmos com uma direção chapa-branca, não vamos chegar a lugar algum – a não ser no "desfazimento" de um partido que poderia ter chegado ao poder para realizar as reformas necessárias, mas só conseguiu promover um grande isolamento do Lula.
Fonte: Revista Veja
O SENHOR ACREDITA QUE O PRESIDENTE LULA SABIA DOS FATOS QUE ESTÃO VINDO A PÚBLICO?
Lula é um homem centralizador. Sempre foi presidente de fato do partido. É impossível que ele não soubesse como os fundos estavam sendo angariados e gastos e quem era o responsável. Não é porque o sujeito é candidato a presidente que não precisa saber de dinheiro. Pelo contrário. É aí que começa a corrupção.
POR QUE O PRESIDENTE NÃO TOMOU NENHUMA ATITUDE PARA IMPEDIR QUE A SITUAÇÃO CHEGASSE AONDE CHEGOU?
Ele é mestre em esconder a sujeira embaixo do tapete. Sempre agiu dessa forma. Seu pronunciamento de sexta-feira confirma. Lula manteve a postura de que não faz parte disso e não abre espaço para uma discussão pública.
HÁ OUTROS EXEMPLOS DESSA CARACTERÍSTICA?
Há um muito claro. Em 1997, presidi uma comissão de sindicância do PT para apurar denúncias contra o empresário Roberto Teixeira, que estava usando o nome de Lula para obter contratos de prefeituras em São Paulo. A responsabilidade dele ficou claríssima. Foi pedida a instalação de uma comissão de ética, e isso foi deixado de lado por determinação de Lula, porque o Roberto Teixeira é compadre dele. O único punido foi o Paulo de Tarso Venceslau, autor da denúncia. Ainda que não existisse necessariamente um crime, havia um problema sério, ético, político, que tinha de ter sido discutido e não foi. Essas coisas todas vão se acumulando e, no final, acontece o que se vê hoje.
ESSES MESMOS SINAIS ESTÃO PRESENTES NO ASSASSINATO DO PREFEITO DE SANTO ANDRÉ, CELSO DANIEL?
A história de Santo André ainda não está clara. Houve uma intervenção do próprio partido para caracterizar o crime como crime comum, do que eu discordo. Houve a eliminação do Celso, ou porque ele não concordava com a corrupção ou porque ele quis interromper o processo num determinado ponto.
O SENHOR FOI VICE-PREFEITO DE MARTA SUPLICY. COMO FOI PARTICIPAR DE UM GOVERNO PETISTA?
O que me realizou na prefeitura foi constituir a Comissão de Direitos Humanos do município. Fora isso, tudo passou ao largo do meu gabinete, por opção de Marta. E, em dezembro de 2004, já no fim do governo, quando assumi interinamente a prefeitura e houve uma chuva muito forte, com graves prejuízos à população, pude verificar que os serviços públicos estavam totalmente omissos. Convoquei uma reunião do secretariado e apareceram dois ou três. Para mim foi uma experiência extremamente negativa.
EM QUE MOMENTO O SENHOR COMEÇOU A PERCEBER QUE O PARTIDO ESTAVA NO CAMINHO ERRADO?
Quando a direção passou a tomar a frente das campanhas políticas. No início a militância era a grande força eleitoral. Isso foi mudando na medida em que o partido começou a abandonar os princípios éticos. A partir da campanha eleitoral de 1998, instalou-se definitivamente a política de atingir o poder a qualquer preço.
O PRESIDENTE LULA TAMBÉM QUERIA CHEGAR AO PODER A QUALQUER PREÇO?
Sim. Mas ele quer a representatividade, sem o ônus do poder. Ele dividiu o governo como se estivéssemos num sistema parlamentarista. É o chefe do Estado, mas não do governo. Nisso há, aliás, uma clara violação da Constituição, que é presidencialista. A conseqüência foi o aparelhamento do Estado, um governo sem projeto e essa tática de alcançar resultados pela corrupção do Congresso Nacional.
O EX-MINISTRO JOSÉ DIRCEU ERA O PRINCIPAL NOME DESSE GRUPO A QUEM LULA DELEGOU O PODER. QUAL SUA AVALIAÇÃO SOBRE ELE?
Dirceu é um trator. Ele é um homem que luta, sem restrição a meios, pelo poder. Está impregnado desse objetivo. Ele é o melhor representante de um grupo que aspirava ao poder pelo poder, não para fazer as reformas que sempre defendemos. O PT chegou ao governo sem projeto. Se Lula quisesse transformar o sonho petista em realidade, poderia ter se cercado de gente que o ajudaria nisso. Pessoas como Celso Furtado, Maria da Conceição Tavares, Fábio Konder Comparato, Maria Victoria Benevides, Paulo Nogueira Batista Junior trabalharam no programa e foram depois pura e simplesmente deixadas de lado. Foi uma escolha. Que continua. Em vez de buscar as pessoas autênticas, que comungam do ideal que acho que ainda é dele também, Lula se reúne com o Chávez (Hugo Chávez, presidente da Venezuela). Para quê?
O SENHOR TAMBÉM SE CONSIDERA DEIXADO DE LADO?
Eu entrei no PT porque achei que devia entrar, ajudei o Lula em vários momentos porque achei que devia ajudar e nunca pedi nada em troca. Ele é que, espontaneamente, me disse que eu assumiria uma posição. Um dia, o ministro Celso Amorim mandou seu chefe-de-gabinete me oferecer um lugar de conselheiro da Unesco. Eu pedi que me explicasse o que representava exatamente essa posição. A resposta foi: "É formidável. Três viagens por ano a Paris". Ou seja, estavam me oferecendo uma mordomia. Eu não aceitei.
EM ALGUM OUTRO MOMENTO O SENHOR FOI CHAMADO A COLABORAR COM O GOVERNO?
Sim. O então presidente do PT, José Genoíno, me pediu ajuda para convencer meus amigos deputados federais do PT a retirar seu apoio à formação da CPI dos Correios.
EXISTEM ELEMENTOS PARA QUE SE PEÇA O IMPEACHMENT DO PRESIDENTE?
Os fatos podem vir a caracterizar crime de responsabilidade e, portanto, motivar um pedido de impeachment. Mas eu gostaria de lembrar que as primeiras pessoas que pediram o impeachment de Fernando Collor foram o Lula e eu. O pedido foi engavetado. Só quando houve pressão popular é que se concretizou um processo. Se você não tem apoio popular, isso cai numa discussão de juristas que não leva a nada, a não ser ao prejuízo da democracia.
COMO O SENHOR VÊ O FUTURO DO PT?
Depende muito de como esse processo vai prosseguir. Se continuarmos com uma direção chapa-branca, não vamos chegar a lugar algum – a não ser no "desfazimento" de um partido que poderia ter chegado ao poder para realizar as reformas necessárias, mas só conseguiu promover um grande isolamento do Lula.
Fonte: Revista Veja
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
SEGUNDA-FEIRA

O Governo do Acre sempre controlou e influenciou a mídia local na condição de seu maior cliente. Mas já virou balela a discussão de que o governador Jorge Viana e o secretário de Comunicação Aníbal Diniz exercem censura e pressão para eliminar os veículos de comunicação de seus opositores.
A mais recente discussão envolve o semanário Segunda-feira, cujo editor Antônio Stélio escreveu carta aberta e até ocupou um programa na TV para responsabilizar o governo estadual pelo fato de o empresário Antonio Leônidas, da gráfica Printac, ter se recusado a continuar imprimindo o jornal.
Esse fato forçou o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac) Raimundo Afonso a procurar Leônidas, para saber dele o que realmente havia acontecido.
O Sinjac pretendia se manifestar publicamente caso o empresário confirmasse ter sofrido pressão do governo para não mais imprimir o jornal.
- O Leônidas contou que deixou de imprimir o jornal porque o Stélio tem um débito com a gráfica decorrente da impressão do jornal e porque passou a se esconder quando era procurado para cobrança. Diante disso, apenas dei satisfação aos jornalistas do sindicato que me exigiam uma posição. O problema envolve negócios de dois empresários e não tem nada a ver com censura à imprensa - disse Afonso.
Telefonei para o Leônidas e fiz a seguinte pergunta: é verdade que o secretário Aníbal Diniz teria exigido de você que deixasse de imprimir o jornal Segunda-feira em sua gráfica? Resposta dele:
- Pessoas do governo evitam contratar os serviços de minha gráfica e sei até que recomendam clientes do setor privado a que façam o mesmo. Mas justiça seja feita: o Aníbal Diniz não é louco de fazer um pedido desses. Eu jamais aceitaria. O que aconteceu é que o Stélio imprimia o jornal aqui, mas não pagou. Prefiro não revelar o quanto ele deve porque espero mantê-lo como cliente e espero pelo pagamento.
Demorou, mas consegui falar com o Antônio Stélio. Ele disse:
- Não estou devendo à gráfica Printac. A impressão já foi paga pelo senador Geraldo Mesquita Jr. e por outros apoiadores do jornal.
A pessoa que tem sido mais injustiçada com essa balela é o Aníbal Diniz, que passou a ser acusado pelo Stélio de ser um próspero fazendeiro.
Também perguntei ao Secretário de Comunicação se o mesmo havia pedido ou pressionado o empresário Antônia Leônidas para deixar de imprimir o jornal.
- Acho descabida, partindo de você, que me conhece há tanto tempo, questionar sobre um desvio ético que não é do meu feitio - reagiu Diniz.
Bem, os pais do Aníbal Diniz se mudaram do Paraná para o Acre em meados dos anos 70. Minha amizade com ele começou em 1979, quando estudávamos no Colégio Acreano.
Seus pais eram modestos colonos na BR-364, onde se estabeleceram num lote de 62 hectares. Após muitos anos de trabalho, adquiriram mais um lote de 220 hectares. Portanto, Aníbal e mais oito irmãos são herdeiros de 282 hectares.
- O tamanho dessa área corresponde a uma colocação de seringa - comentou o jornalista Antonio Alves.
Devo reconhecer que o Aníbal Diniz ocupa um cargo incômodo, a partir do qual segue a política do Governo da Floresta. Comete erros aqui, se equivoca acolá, mas ninguém pode lhe imputar levianamente fatos que realmente não se adequam à sua trajetória de equilíbrio e prudência.
Sempre levou uma vida espartana e por isso quem quiser pode chamá-lo com razão de muquirana, coveiro de sonhos, hesitante...
quarta-feira, 10 de agosto de 2005
HEREDARÁS EL VIENTO

Altino, lí e envio.
Creio que se aplica ao momento brasileiro.
Um abraço!
Alceu Ranzi
Caro Alceu, há dias queria pedir desculpas aos meus filhos e ao neto Samuel. É o que tento fazer agora usando a foto dele para ilustrar o texto do Fernando Soto Nardecchia.
Outro abraço!
Altino
HEREDARÁS EL VIENTO
En algún lugar, Agosto de 2020
Querido hijo
Te escribo esta carta, para pedirte disculpas, por no haber sido todo lo enérgico, que debí ser, cuando descubrí que estaban destruyendo tu herencia.
Inocente y torpemente, decidí no entrometerme al ver como nuestras autoridades hacia la vista gorda y quizá también sus bolsillos, cuando “La Corporación”, aquel personaje oscuro e inescrupuloso surgido en la década de los 60, comenzó a transformar y destruir nuestro mundo, con la tonta y falsa ilusión de que el porvenir económico, era lo único que importaba y que el dinero, todo lo podría remediar.
Hoy te preguntas, ¿por qué debo tener hambre?, ¿por qué debo tener sed?, la respuesta es simple, no hice lo suficiente para detenerlos y ahora tu pagas las consecuencias.
Cuando murieron los cisnes, no hice nada.
Cuando contaminaron el agua, no hice nada.
Cuando destruyeron los glaciares, no hice nada.
Cuando contaminaron las tierras de cultivo, no hice nada.
Cuando destruyeron nuestro pasado, no hice nada.
Por eso ahora, solo podrás...Heredar el Viento.
Fernando Soto Nardecchia
Diretor da revista chilena Fósil
terça-feira, 9 de agosto de 2005
MANCHADA PELO JENIPAPO

Fui tirar foto da Lua para ilustrar a seguinte explicação que o jornalista Antonio Alves faz num dos três blogs dele:
- Escutei essa história do Joaquim Taskã Iawanawá, numa reunião com o Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Os povos de língua Pano a contam, com variações de uma tribo para outra. Coloquei-a em "minhas" palavras e, pelas falhas de minha memória, posso ter introduzido alguma variação pois, como há muito já se sabe, quem conta um conto acrescenta sempre um ponto.
Para ler a história contada pelo Tom-in clique em O Espírito de Qualquer Coisa.
Assinar:
Postagens (Atom)
