quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

RIO ACRE

Próxima de recorde, enchente alaga cidades e desabriga mais de 7 mil pessoas

Mais de 7 mil pessoas estão desabrigadas em Rio Branco (AC) por causa da enchente do Rio Acre, que atingiu 17,45 m de profundidade às 9h local (11h em Brasília) desta quarta-feira (22). O nível do Rio Acre está a 21 centímetros da maior enchente da série histórica, registrada em 1997, quando atingiu 17,66 m na capital do Estado.

A cota de transbordamento do Rio Acre é de 14 m em Rio Branco, onde 14,3 mil imóveis e 57,2 mil pessoas já foram atingidas pela enchente, segundo estimativa da Defesa Civil.

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A segunda maior enchente da série histórica, cuja medição começou em 1970, também já causou transtornos, danos e desabrigou milhares de pessoas nos municípios de Assis Brasil, na fronteira com o Peru e a Bolívia, Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, e em Xapuri.

Por causa da enchente do Rio Acre, Brasiléia permanece sem comunicação por telefone, internet e sem energia elétrica. A cidade chegou a ficar 95% coberta pelas águas, de acordo com a Defesa Civil Estadual.

A prefeitura de Xapuri decretou situação de emergência no final da tarde de domingo (21) e o Exército enviou 45 homens, barcos e caminhões para ajudar no atendimento aos desabrigados.

A Defesa Civil está preocupada com a enchente porque o Rio Acre chegou a apresentar uma curta tendência de estabilidade, mas seu principal afluente, o Riozinho do Rola, continua subindo.

Em Boca do Acre (AM), na confluência dos rios Acre e Purus, este último continua subindo também, o que ajuda a represar o primeiro.

O prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim (PT), que decretou situação de emergência na cidade na quinta-feira (16), disse que a enchente já causou prejuízo avaliado em R$ 12,4 milhões na produção agrária de 16 comunidades rurais, afetando principalmente os plantios de mandioca, banana, grãos e frutas, que se perderam com a alagação de roçados.

A Defesa Civil opera com dificuldade em 45 bairros e comunidades rurais de Rio Branco e tem sido comum apelos nas redes sociais para que a população disponibilize barcos e carros para o trabalho de socorro de desabrigados, que estão em alojamentos improvisados do governo estadual e prefeituras.

A Diocese de Rio Branco criou a conta SOS Enchente Rio Branco - (Banco do Brasil, agência 0071-X, 100.000-4 - CNPJ 14.346.589/0001-99 ) para receber doações de qualquer valor, que serão destinadas às vítimas da enchente que atinge o Estado. O dinheiro arrecadado será administrado pelo Fórum Tático Operacional do Banco do Brasil, em parceria com a Defesa Civil.

- O pouco que você pode contribuir é muito para os desabrigados. As entidades envolvidas na gestão do dinheiro arrecadado vão prestar contas publicamente da destinação de cada centavo doado pela solidariedaede nacional ou internacional - afirmou Marcolino Rodighero, gerente do Banco do Brasil em Rio Branco.

O governo do Estado decretou ponto facultativo nas repartições públicas para possibilitar a permanência de servidores nas equipes que auxiliam a Defesa Civil. Segundo a secretária de Gestão Administrativa e Humanização, Flora Valladares, é crescente a demanda nos abrigos públicos, o que exige voluntários nos três turnos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

SOS ENCHENTE RIO ACRE


Já está ativa, a partir deste domingo (21), a conta SOS Enchente Rio Acre (Banco do Brasil, agência 0071-X, 100.000-4, CNPJ 14.346.589/0001-99) para receber doações de qualquer valor, que serão destinadas às vítimas da enchente que atinge o Estado.

O CNPJ usado pelo Banco do Brasil é da Diocese de Rio Branco. O dinheiro arrecadado será administrado pelo Fórum Tático Operacional do banco.




Segundo a Defesa Civil, o Rio Acre estava com 17,38 m de profundidade na medição de meio-dia e dá sinal de estabilização, mas existem milhares de homens, mulheres e crianças enfrentando o flagelo decorrente da enchente.

Assim como eu, você nem precisa levantar da cadeira para ajudar às vítimas.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AS ÁGUAS VÃO ROLAR

Entre 12 e 15 horas, o nível do Rio Acre subiu de 17,30m para 17,31m. São 4,6 mil pessoas desabrigadas em Rio Branco.







TOMARA QUE CHOVA

Sugestão pra tocar no trio-elétrico Brunão, do "Carnaval tá legal que só", organizado pelo governo estadual

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CHEIA OFUSCA O "CARNAVAL TÁ LEGAL QUE SÓ"


Com a ponte Juscelino Kubitschek interditada, muitas sereias aproveitaram para mergulhar no Rio Acre e desfilar depois sem medo de boto.

A enchente do Rio Acre virou espetáculo "de grátis" e tem ofuscado o milionário "Carnaval tá legal que só", promovido pelo governo estadual.

Milhares de pessoas têm ocupado a "orla" para apreciar o sonhado mar dos acreanos.

E segue a canção que não será tocada no estacionamento do estádio Arena da Floresta.

RIO ACRE SOBE MAIS

O Rio Acre está com 17,19m de profundidade, de acordo com a última medição, às 18 horas. Já é a segunda maior enchente da série histórica iniciada em 1970.

Veja série histórica do Rio Acre acima dos 15 metros:

17,66m (14/03/1997)

17,11m (17/02/1988)

16,90m (26/12/1978)

16,86m (04/03/1974)

16,73m (21/02/2006)

16,38m (29/03/1979)

16,29m (24/02/1971)

16,25m (01/03/1972)

16,17m (12/04/1984)

16,16m (17/04/2011)

RIO ACRE VAI CONTINUAR SUBINDO


Em Rio Branco, o nível do Rio Acre atingiu na manhã deste domingo a marca de 17,12m de profundidade, igualando-se à cota da segunda maior enchente da série histórica, registrada em 1988.

Existem 4.115 pessoas desabrigadas, que estão sob responsabilidade da Defesa Civil em abrigos improvisados, mas outro tanto buscou refúgio em casas de parentes e não foi contabilizado oficialmente.

Mais de 12 mil casas e mais de 49 mil pessoas já foram atingidas pela enchente, segundo estimativa da Defesa Civil.

A cota de transbordamento do Rio Acre é de 14 metros.

A Defesa Civil já registrou vazante do Rio Acre em Assis Brasil, na fronteira com o Peru, onde a cota está em 10 metros.

Em Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, o Rio Acre estava neste sábado com 10,80m, mas está sem medição neste domingo porque a régua amanheceu submersa.

Em Xapuri, o rio Acre estava com 14,84m na noite de sábado. Amanheceu no domingo com 14,10m.

O Riozinho do Rola, principal tributário do Rio Acre, próximo de Rio Branco, está com 18,02m de profundidade.

Portanto, o Riozinho do Rola está está 90cm acima do Rio Acre.

Previsão da Defesa Civil: em Rio Branco, o Rio Acre vai continuar subindo.

Atualização às 12h40

O Rio Acre subiu mais 3cm nas ultimas três horas. Está com 17,15m de profundidade, de acordo com a última medição, feita às 12 horas. Já é a segunda maior enchente da série histórica iniciada em 1970, de acordo com a Defesa Civil de Rio Branco.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"SKINHEADS" ESPANCAM GAY EM RIO BRANCO

POR GERMANO MARINO



O jovem Enderson Elan Barros Souza Nogueira, de 22 anos, esteticista, saiu de bicicleta da casa dele, no bairro Tropical, em Rio Branco, e foi atropelado propositadamente por três rapazes que estavam num automóvel, modelo Gol, preto, de rodas rebaixadas, na Rua Milton Matos, no bairro Bosque, na ultima quarta-feira (15), às 21h30.

Fantasiados de skinheads, de bonés e jaquetas pretas, os rapazes desceram do carro e disseram:

- Vamos bater neste viado.

Um dos maníacos segurou Ederson Nogueria pelas costas, prendendo suas mãos, enquanto outro acertava murros no rosto, e o terceiro, aplicava chutes, mandando o jovem virar homem, além de outros xingamentos.

Ferido pelo primeiro golpe na boca, Enderson Nogueira teve os seus dentes quebrados e caiu na rua, tentando se proteger de vários chutes e pontapés que os três maníacos desferiram.

Com varias escoriações pelo corpo, sangrando muito, retornou para casa com receio de ser seguido. Estava tomado de pavor e medo com tamanha violência.

Enderson Nogueira, que nunca imaginara que um dia pudesse se tornar vitima de violência por ser homossexual, somente na sexta-feira (17) buscou ajuda na Associação de Homossexuais do Acre (AHAC), que registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil da 1ª Regional.

Em Rio Branco, crimes de espancamentos de homossexuais estão ficando cada vez mais constantes. Como há um modismo de bater em homossexuais nos grandes centros urbanos, denominando-se os agressores de "skinheads", no Acre alguns jovens estão copiando a imaginação de se tornarem tais monstros e descem pancada em gays.

A agressão contra o jovem Ederson Nogueria segue para investigação policial, como o de outras vítimas já seguiram.

Rio Branco é uma cidade grande geograficamente, mas não é difícil identificar um veiculo com aquelas características.

Se você souber de alguma informação, entre em contato conosco pelos telefones (68) 9958-3297 ou (68) 8124-1191.

A denúncia ficará no sigilo. Ajude com que esse tipo de violência não faça parte do cotidiano Rio Branco.

Não podemos tolerar ou aceitar que andem batendo em gays, lésbicas, travestis ou transexuais por serem homossexuais.

Não podemos silenciar diante dessa barbárie, como a de tantas outras. Nós ajude, denuncie.

Germano Marino é presidente da Associação de Homossexuais do Acre

JUSTIÇA LIBERA ENTRADA DE HAITIANOS

Processo corre em segredo para evitar perturbação internacional

O juiz Guilherme Michelazzo Bueno, da 1ª Vara Federal de Rio Branco (AC), deferiu integralmente uma ação civil pública do Ministério Público Federal no Acre (MPF-AC) contra a União para que sejam garantidos direitos humanos dos imigrantes haitianos que vêm ao Brasil em busca de trabalho e condições dignas de sobrevivência, após o terremoto que devastou o Haiti há pouco mais de um ano.

Ao decidir o caso liminarmente, na segunda-feira (13), o juiz federal colocou o processo sob sigilo para evitar perturbações internacionais. A Polícia Federal foi intimada a cumprir a parte da decisão que lhe cabe, que é não barrar mais os haitianos na fronteira.

Uma fonte da Polícia Federal consultada pelo Blog da Amazônia neste sábado (18) afirmou que a Advocacia Geral da União (AGU) recorreu e que a decisão do magistrado foi reformada na noite de sexta-feira (17), em Brasília, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Porém, no sistema de consulta processual do TRF, consta apenas que a AGU pegou, às 10h51, o processo para recorrer da decisão.

Leia mais no Blog da Amazônia.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

RIO BRANCO E A ENCHENTE DO RIO ACRE







Comentário do procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes:

- Um monte de gente lembra de pedir doação de cestas básicas para as vítimas da alagação causada pela cheia do Rio Acre, mas poucos lembram que uma das principais causas de tal desequilíbrio ambiental é o desflorestamento da vegetação que impacta a bacia do Rio Acre. Muitos dos que estão pedindo as tais cestas básicas agora são os mesmos que criticaram o MPF nas nossas principais ações contra o desmatamento e as queimadas neste Estado. Parece que muitos se preocupam em parecer solidários, mas poucos questionam as reais causas do problema. Sempre assim...

Fotos: Sérgio Vale/Secom

NA RIBEIRA DESTE RIO

Fernando Pessoa


Na ribeira deste rio
Ou na ribeira daquele
Passam meus dias a fio
Nada me impede, me impele
Me dá calor ou dá frio

Vou vivendo o que o rio faz
Quando o rio não faz nada
Vejo os rastros que ele traz
Numa seqüência arrastada
Do que ficou para trás

Vou vendo e vou meditando
Não bem no rio que passa
Mas só no que estou pensando
Porque o bem dele é que faça
Eu não ver que vai passando

Vou na ribeira do rio
Que está aqui ou ali
E do seu curso me fio
Porque se o vi ou não vi
Ele passa e eu confio

Ele passa e eu confio

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ANGELIM DECRETA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA



O prefeito de Rio Branco (AC), Raimundo Angelim (PT), decretou situação de emergência na cidade por causa da enchente do Rio Acre, que amanheceu nesta quinta-feira (16) com 16,22m de profundidade, superando em 2,22m a cota de transbordamento.

Mais de 500 famílias (1960 pessoas) foram desabrigadas e tiveram que ser acomodadas pela Defesa Civil num parque onde é realizada anualmente a Feira Agropecuária do Acre.

De acordo com levantamento do Sistema de Georreferenciamento (SIG), da prefeitura de Rio Branco, mais de cinco mil edificações já foram atingidas pela enchente.

Desde janeiro, são registradas chuvas abundantes em toda a bacia do Alto Acre, Riozinho do Rola e na região de fronteira com o Peru, nascente do Rio Acre.

A Defesa Civil está preocupada porque, no município de Assis Brasil, na fronteira com o Peru, o Rio Acre subiu 3m na quarta-feira. O Riozinho do Rola, maior afluente do Rio Acre, está 1,40m acima do principal rio da região.

O aumento do nível do Rio Acre nos municípios acreanos na fronteira com Peru e Bolívia e do Riozinho do Rôla, à montante da capital, ocasionam uma elevação acentuada do rio que banha a capital do Acre.

As chuvas dos últimos dias já resultaram numa elevação significativa do nível do Rio Acre nos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Xapuri e Riozinho do Rola.

Nos últimos 46 dias, o nível do Rio Acre permaneceu acima da cota de alerta por 23 dias. No mesmo tempo, apresentou cinco períodos de elevação acima da cota de alerta, deixando mais de 300 famílias desabrigadas.

A variação positiva já apresentou 18,42m e a variação negativa é de 7,09m, indicando tendência de elevação de seu nível. O total de precipitação pluviométrica acumulada, em Rio Branco, em 2012 é de 634,3mm.

Em Rio Branco, o Rio Acre atingiu, pela quinta vez, sua cota de alerta (13,50m) no dia 4 de fevereiro de 2012, e, pela terceira vez, a cota de transbordamento (14,00m) no dia 05 de fevereiro de 2012.

Ao decretar situação de emergência o prefeito Angelim também considerou o avanço da água nas áreas ocupadas pela população vulnerável a ocorrência das enchentes.

O prefeito considerou a “quebra da situação de normalidade” e da rotina das famílias atingidas pela enchente, bem como os impactos negativos causados no sistema de transporte, na saúde pública e na segurança global, afetando a integridade e a incolumidade da população.

Angelim menciona no decreto da situação de emergência o “exaurimento” da capacidade do município de Rio Branco “de arcar com o imenso ônus causado pela ocorrência e magnitude deste evento”.

Carnaval

No Facebook, a juíza Mirla Regina Cutrim, titular da Vara de Execução Fiscal da Comarca de Rio Branco, sugeriu o cancelamento do "Carnaval tá legal que só", organizado pelo governo estadual.

- Por razões humanitárias, sugiro em caráter excepcional o cancelamento do carnaval e a reversão de despesas em auxílio aos desabrigados. Prestarei minha colaboração com doações nos postos de coleta. Nos anos anteriores disponibilizei também os serviços da Justiça comunitária, mas agora não respondo mais por esse serviço, oferecendo apenas igual sugestão. Vamos lá gente, não é hora de diversão, é hora de mobilização e solidariedade. Diversão fica pra depois - escreveu a juíza.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ACRE SEM DIVISÃO ENTRE BEM E MAL

POR MÁRCIO BITTAR

Após quase 16 anos de governo petista, o Acre abriu mão de suas potencialidades e aprofundou seus desequilíbrios sociais e econômicos. O povo acreano pode ousar mais e, neste momento, surge um cenário ideal para renovar esperanças e formular projetos, com parcerias políticas ousadas, voltadas para construir um novo modelo de políticas públicas que promova o crescimento econômico e o desenvolvimento de nossa gente, zelando nosso patrimônio ambiental e o transformando em fruto que traga verdadeiras melhorias ao nosso povo.

O Acre é detentor de uma história revolucionária, mas, lamentavelmente, a política do nosso Estado deixou de permitir um confronto franco de ideias e posturas acerca das nossas mazelas sociais.

Vivenciamos uma oligarquia que, para se perpetuar no poder, sustenta-se na imensa estrutura estatal e nas instituições privadas dependentes do governo. Este é o momento de nos reencontrar com nossa história, e entender que existe um único Acre, em que é possível e desejável a convivência dos contrários. Precisamos deixar para trás esse período de opinião única, em que divergências são tratadas como uma ofensa.

Nós, da oposição, oferecemos um plano de governo que pretende fazer as correções necessárias, mantendo o que de bom está em andamento, mudando para melhor o que precisa mudar, mas, principalmente, permitindo que as diversas forças políticas possam conviver, sem medos ou ameaças. A marca do nosso governo deve ser a tolerância.

Não podemos esquecer que a política tem como maior desafio, incluir pessoas. Contemplamos um Acre em que a inclusão ainda é um projeto não alcançado. Este, então, é nosso grande desafio: Oferecer uma alternativa política que inclua o acreano em um processo de desenvolvimento de longa duração, tendo como eixo central três pontos:

1 - Transformar o Governo do Estado em indutor do crescimento econômico - Portanto, no estabelecimento de políticas públicas devemos buscar, incessantemente, o profissionalismo, promovendo a pesquisa, a qualificação dos seus quadros técnicos e o financiamento para a garantia do desenvolvimento do Estado.

2 - Entender a democracia como instrumento do desenvolvimento - Também devemos colocar a democracia no centro do debate sobre desenvolvimento, e nesse modelo de gestão o reconhecimento da liberdade da imprensa é ponto central e inegociável. É fundamental, também, garantir que nenhum programa de Estado será interrompido, mas sempre aprimorado. Uma nova forma de administração deve garantir que ninguém mais será perseguido ou ameaçado por conta de sua opção eleitoral.

Não podemos aceitar a perseguição àqueles que pensam ou votam de forma diversa. Governaremos buscando a unidade do Acre e dos acreanos e não a divisão simplista entre bem e mal. Devemos governar para todos, reconhecendo que nossa história, nosso futuro e nossa sociedade não podem ser divididos entre torcidas partidárias. Prefeitos e governador não precisam ser do mesmo partido. A transigência e a ponderação serão nosso lema e governaremos sem ódios, rancores ou truculência.

3 - Incluir o Acre e os acreanos – Nosso projeto político contemplará, em primeiro lugar, a inclusão dos cidadãos. O modelo deve refletir o esforço do nosso Governo na busca de políticas públicas que consigam responder às necessidades, potencialidades e direitos da população historicamente desassistida.

Devemos buscar, também, o comprometimento de lideranças políticas nacionais com uma política de investimento e de crescimento econômico do Acre, de forma a garantir a elevação do nosso IDH, evitando a fuga da nossa maior riqueza, que é o capital humano.

O Acre não pode permanecer incorporado marginalmente ao processo de crescimento econômico brasileiro e o país deve parar de enxergar o acreano como um potencial inimigo da floresta.

Sinteticamente, a conquista do crescimento do Acre exige um estado eficiente, competente e democrático, que possa propor e implementar parcerias para resolver as principais carências da população com alternativas e soluções particulares para situações específicas, ou seja, o Acre deve experimentar um modelo de governança que privilegie a capacidade de planejar, formular e programar políticas e cumprir funções.

E é com esses pontos que nos comprometemos, buscando abrir janelas e portas para arejar o modelo político e reacender as esperanças do Acre.

Márcio Bittar é deputado federal do Acre pelo PSDB

SOMOS TODOS LÚCIO FLÁVIO PINTO

POR BRENDA TAKETA


Começou essa semana, na internet, um movimento em solidariedade ao jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, condenado por “ofender moralmente” o falecido empresário Cecílio do Rego Almeida, dono da Construtora C. R. Almeida, responsável por grave tentativa de apropriação ilegal de terras públicas na Amazônia.

O jornalista, que é editor do Jornal Pessoal, teria ofendido o empresário por “pirata fundiário” ao denunciar a tentativa de posse de quase cinco milhões de hectares na região paraense do Vale do Rio Xingu, a partir de registros imobiliários falsos, posteriormente anulados pela Justiça Federal por se tratar de patrimônio público.

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Outras duas pessoas também foram denunciadas por Cecílio do Rego Almeida, mas absolvidas pela Justiça de São Paulo, que reconheceu a ilegitimidade da acusação, considerando a importância da denúncia para a revelação desse esquema de “grilagem de terras”.

Expedida em 2006 pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, a sentença que condena Lúcio Flávio Pinto a pagar indenização à família do grileiro poderia ter sido reavaliada caso o recurso especial submetido junto ao Supremo Tribunal de Justiça não tivesse sido negado pela ausência de documentos exigidos pela burocracia do órgão - “cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante de pagamento das custas do recurso especial e do porte de remessa e retorno dos autos”.

O valor a ser pago pelo jornalista à família do grileiro será bastante superior aos R$ 8 mil estipulados pela justiça paraense à época da condenação, em virtude da correção monetária necessária para os últimos seis anos.

Além da indenização, Lúcio Flávio Pinto também perde a condição de réu primário, o que o expõe à execução de outras ações, entre as 33 que lhe foram impostas nos últimos 20 anos por grupos políticos e econômicos locais, incomodados com as informações e denúncias veiculadas em seu Jornal Pessoal.

- Não pretendo o papel de herói (pobre do país que precisa dele, disse Bertolt Brecht pela boca de Galileu Galilei). Sou apenas um jornalista. Por isso, preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar essas iniqüidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos. Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização. Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime, passível de punição - afirma o jornalista em nota divulgada em busca de apoio dos leitores.

Apoio financeiro

Para ajudar o jornalista a indenizar o grileiro, foi criado um fundo para a arrecadação de doações: Banco do Brasil, agência 3024-4, conta-poupança 22.108-2, em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista e administrador dos recursos.

Brenda Taketa é jornalista paraense

ÍNDIO DO ACRE É APROVADO EM MEDICINA

Kaxinawá Ornaldo Ibã espera apoio da Funai e do governo do Acre para estudar na Universidade Federal de São Carlos


Um jovem indígena de 22 anos foi aprovado para cursar Medicina na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, mas sabe que vai enfrentar muita dificuldade para se manter com uma bolsa-auxílio da Fundação Nacional do Índio (Funai), no valor de R$ 250,00, cuja aprovação ainda está sendo analisada pela burocracia estatal.

Ornaldo Baltazar Sena Ibã, da etnia hunikuin (homem verdadeiro), também conhecida como kaxinawá, é filho do pajé e agente de saúde Francisco Sereno Sena, da aldeia Novo Segredo, em Jordão (AC), considerado um dos municípios mais isolados e pobres do país.

O jovem indígena contou com o apoio da família do “nawá” (branco) Carlos Freire, cujas filhas Fátima e Graziela compraram a passagem dele de avião, do Acre até São Paulo, para que pudesse se matricular na UFSCar.

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Filho de uma família pobre, Ornaldo conta que a família Freire continua a ajudá-lo na medida do possível. Em São Carlos, onde aguarda ansioso o dia 27 de março, data do início das aulas, ele tem recorrido a amigos na tentativa de sensibilizar o governo do Acre ou a prefeitura de Jordão a lhe conceder uma bolsa de estudo.

Ornaldo aceita qualquer tipo ajuda que possa contribuir para a permanência dele na UFSCar, pois terá despesas com alimentação, livros e instrumentos do curso de Medicina.

- Também preciso, de vez em quando, ir visitar a minha família no Acre. A minha situação aqui é estável. Estou morando no alojamento da Universidade, almoço e janto grátis, de segunda-feira a sexta. Mas, nos finais de semana, tenho que arcar com as minhas despesas. Acho que tenho direito de pedir apoio do governo estadual como estudante acreano e por ser indígena. Pretendo voltar formado para trabalhar por melhorias na saúde pública e atender especialmente à comunidade indígena - disse o indígena.

Ornaldo Ibã é o quinto indígena do Acre a cursar Medicina. Em Cuba estudam duas jovens da etnia yawanawa, além de outros dois jovens kaxinawá.

- O governador do Acre, Tião Viana, é médico infectologista e conhece como ninguém a realidade da saúde das populações indígenas. O governador tem pregado a humanização da saúde no Estado e por isso acredito que ele se sensibilizará com a minha situação. Quero me formar para servir a meu povo. É este o meu compromisso - afirma.

Veja os melhores trechos da entrevista com Ornaldo Baltazar Sena Ibã:

Quando você saiu da aldeia para estudar na cidade?
Saí de lá quando estava com sete anos de idade.

Chegou a estudar em escola particular?
Não. Sempre estudei em escola pública.

Você tem quantos irmãos? Onde eles vivem?
Somos oitos irmãos. Uns moram com a minha mãe, em Tarauacá, e outros com o meu pai,  em Jordão.

Por que foi viver com a família de Carlos Freire?
Ele e seus familiares conhecem a minha família antes mesmo do nascimento do meu pai. Fui morar com eles para estudar. Eles me convidaram, pois minha mãe vivia a maior parte do tempo na aldeia, e isso prejudicaria meus estudos.

Como foi o apoio que recebeu da família?
Eles me deram suporte como se eu fosse filho deles. Moro com eles desde os nove anos de idade. Carlos Freire é aposentado. Ele era comerciante em Tarauacá.

Medicina era um sonho?
Desde quando tinha sete anos de idade comecei a sonhar em ser médico. É uma área que pode beneficiar a sociedade em geral. Tenho como principal objetivo, como foco, o meu povo. A saúde pública é precária no Acre. Também acredito que a medicina é uma área capaz de me proporcionar a possibilidade de ajudar as pessoas, no sentido de ser mais humano, de atender bem aos meus pacientes.

Como foi seu processo seletivo?
A Universidade Federal de São Carlos tem um processo seletivo específico para indígenas e vim até São Paulo para fazer a prova. De 30 candidatos, só tinha uma vaga para o curso de medicina. Foi assim que fui aprovado.

Você já buscou apoio da Funai e do governo estadual?
A Funai pode ajudar com apenas R$ 250,00 por mês, mas isso ainda está em processo de aprovação. Do governo estadual ainda não busquei apoio, apenas enviei e-mail para um amigo que faz parte do governo comunicando o fato de o curso de medicina ser muito caro.

Como tem passado em São Carlos?
Continuo recebendo ajuda de custo da família do senhor Carlos Freire, especificamente das filhas dele. Estou morando no alojamento da universidade.

O que você espera?
Espero que a Funai me conceda a bolsa-auxílio de R$ 250,00. Espero continuar recebendo o apoio dos meus familiares, isto é, da família do senhor Carlos Freire, pois a minha família indígena não tem condições financeiras. Também espero que a Universidade Federal do Acre adote um processo seletivo que permita o ingresso de estudantes indígenas do Estado. Todos nós sabemos que a situação da saúde indígena no Acre não é boa e isso precisa ser mudado. O governador do Acre, Tião Viana, é médico infectologista e conhece como ninguém a realidade da saúde das populações indígenas. O governador tem pregado a humanização da saúde no Estado e por isso acredito que ele se sensibilizará com a minha situação. Quero me formar para servir a meu povo. É este o meu compromisso.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

UM POÇO SEMI-ARTESIANO DE R$ 406,4 MIL


A Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) contratou por R$ 406,4 mil a empresa J.E. Comércio de Produtos Eletro-Eletrônicos Ltda. para construção de um poço semi-artesiano, de 100 metros de profundidade, no aeroporto de Cruzeiro do Sul (AC), no extremo-oeste do país, onde a mesma obra poderia ter sido contratada pagando-se no máximo R$ 50 mil.

Embora o superintendente da Infraero em Cruzeiro do Sul não tenha parte no processo, deixaram o rabo de fora, pois tinham que fixar a placa da obra e tornaram-na pública. A placa ficou de pé somente por dois dias, mas foi fotografada antes de ser removida.

A obra foi orçada, licitada e administrada pela Gerência Regional da Infraero, que fica em Manaus (AM), onde existem funcionários que se dedicam a cuidar de obra supostamente superfaturada.

ESPERANDO DEUS

José Augusto Fontes

No ônibus lotado, em todo trem apertado, nas canoinhas que cruzam os rios, Deus deve estar seguindo. Nos escondidos e nos ares, Deus deve estar sabendo, há sempre alguém acenando, esperando. Ele está olhando quem está parado, quem quase não tem para onde ir; está vendo quem paga penitência e pede passagem, esperando o troco da salvação. Mas ela é depois de agora. É numa próxima estação que Deus nos encontra e paga, estando quitadas nossas vidas. Isso é depois, precisamos seguir. Deus precisa esperar condução? Ele está acima disso? Enquanto cremos e esperamos, não custa muito ajudar quem espera nas filas, quem espera esquecido, quem espera humilhado, com olhar caído e dor elevada.

Para os homens de boa-fé, para todos que vivem na terra mirando o céu, para os que pouco vêem, para os que não cansam de esperar, para os que não podem deixar de trabalhar e com o trabalho alegram a esperança, para os que estão acostumados com a indiferença, para os que se entregam a uma crença, o jeito é esperar pelos homens, esperar ser vistos e acolhidos, adiante dos votos e das cédulas. É o jeito esperar serenidade, utilidade, alguma palavra, algum agir. Deus é para sentir, o homem é para abraçar. Em cada dia, em cada instante, existe a possibilidade de estar o homem ao lado do homem, o momento é o que vivemos. Depois, um clarão vai partir ares e mares. E Deus dará.

Para os que não têm terra, os que não têm onde morar, nem sabem o que é teto salarial, para os que mal vão passando, levando, sentindo. Para os que plantam e não colhem, para os que nem plantam, para os que têm o olhar distante, meio perdido, para os que estão nos campos e sertões, cidades e seringais, estradas e esquinas. Para os que têm sede e coragem, para os que têm necessidades e virtudes, para os que vão ficando, para os que continuam seguindo, para os que não têm voz, para todos assim, para que não fiquem sós, espera-se dos homens, de todos os homens, boa vontade, oportunidade, a mão e a sensibilidade, a possibilidade, alguma alegria, carinho, a chance para conquistar o pão, para seguir o estirão do rio que lhes deixa à margem.

Esses homens, todos eles, são dos homens, enquanto Deus não vem. Se o homem não vive só de pão, não pode viver só de oração, é preciso sentir e conhecer, é preciso ser. Deus deve estar em todo lugar, deve estar com favelados e necessitados, garis, lavadeiras, domésticas, porteiros, seringueiros, gente do sertão, da solidão, deve estar com os que morrem e matam, com os que se acabam esperando, com os que já nascem devendo, com os que vivem se esbaldando e só ganhando, com os que não notam nem revoltam, até com os que não acreditam, que de tantos, dão a Ele muita ocupação. A gente quer e sente Deus, em todos os gritos que nos acodem, até nos que nos calam. Falta sentir o homem.

Todos esses, todos aqueles, não são apenas para olhar e passar, enquanto Deus não vem e mostra-se num lugar definido para os direcionar, quem sabe, para podê-los abraçar. Ele vai vir, mas já há homens aqui, bem ao lado, enquanto fingimos não haver. Todos eles são dos homens, filhos de uns e outros, da mesma cor ou de outro calor, nenhum passa disso, é fácil sentir, mas é preciso começar, ser útil, possibilitar, acreditar, enquanto dá, enquanto eles estão por aqui, enquanto é possível. Parques, cidades, florestas e subterrâneos estão cheios de gente que espera, gente que crê e quer você, gente que espera, mas gostaria de antecipar, gente que quer participar, ser vista, escutada, encontrada.

Aqui embaixo, a situação está mais apertada, apressada, sem tempo para andar nas nuvens. Há até a impressão que as nuvens estão muito carregadas, que o céu está para cair em nossas cabeças e que algum outro dilúvio será a salvação da situação pouco abençoada, que precisa zerar e reiniciar. Há esperas que vão ficando eternas, o tempo parece cruel, demorado e cruel. Antes disso, há o homem que quer ser abraçado, sentido, ainda que pouco abençoado, há o pão para comer, o riso para sorrir, a mão para segurar. Além de todas as preces, enquanto possível, muitos homens esperam para ser, para viver. Deus está em todo lugar e o homem está aqui, esperando, precisando.

Deus está sabendo, providenciando, vai dar um jeito, tudo tem hora, acreditamos. Enquanto isso, seguimos a fila do caixa, depositamos o dízimo, entregamos o suor, gastamos a fé para pagar a conta de água, para quitar o talão e receber a luz da redenção. O caixa é voraz, insaciável, incansável, sem tempo para temer a Deus ou para notar que Ele está vendo tudo. O caixa não dá descontos nem atrasa. É possível mudar e ser diferente? Deus é quem sabe? Sabemos que Ele nos paga tudo isso, depois. O paraíso é caro, mas vale a pena. E é eterno, pois para ir é preciso morrer. Não temos muitas notícias do mundo de lá, e na procura delas, vamos esquecendo o mundo de cá. Enquanto isso, o caixa só deleta o que já processou.

A fé é assim mesmo, interessante e distante, é como o amor, como a dor e a viagem, cada um vai levando a bagagem que lhe cabe, cada um sabe o que deve carregar, o que não pode esquecer. Quase todo mundo espera muito, mas viver esperando não é requisito para crer. A fé não é só no que vem, pode ser no que está. Antes da viagem, é de fé dar uma mãozinha aos que ficaram lentos, perdidos na espera. Às vezes, eles estão bem ao lado e vão sumindo, parando. Olhar e sentir, é fácil tentar. Como Deus está em todo lugar, isto deverá ser creditado, na ocasião do juízo final. Enquanto isso, aqui neste plano, creia, o homem tem fé em você. E continua esperando, querendo, precisando.

José Augusto Fontes é cronista, poeta e juiz de direito acreano

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O MENINO E A GALINHA

João Antonio venceu a peleja

VICTORIA ELISABETH

Acreana de 13 anos canta Someone Like You

sábado, 11 de fevereiro de 2012

HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE

Mulher aguarda mais de cinco horas por atendimento médico em UPA de Rio Branco e é presa por reclamar


Um fato lamentável que não pode acontecer, pois a sociedade espera que o pessoal do atendimento esteja preparado para acolher os pacientes.

A UPA é uma unidade com triagem classificatória de risco e estratégia de acolhimento para cada caso.

O episódio contraria o discurso de humanização do governador Tião Viana (PT), que está de férias nos EUA.

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