domingo, 7 de dezembro de 2008

FRANÇOISE HARDY

Dica do Zeca Louro


Françoise Hardy, cantora e compositora francesa, interpreta "Mon amie la rose"

sábado, 6 de dezembro de 2008

XAPURI DE CHICO MENDES




Estas são imagens de um esgoto a céu aberto na confluência das ruas Dr. Batista de Moraes e Pio Nazário, em Xapuri (AC), a menos de 20 metros da casa onde o líder sindical e ecologista Chico Mendes foi assassinado há 20 anos.

A cidade já foi administrada durante oito anos pelo prefeito petista Júlio Barbosa, ex-companheiro de Chico Mendes, e a casa do seringueiro tombada como patrimônio histórico nacional. Mas permanece o cenário dessa cratera fétida, publicada originalmente, em junho, no blog Xapuri Agora, de Raimari Cardoso.

- Em plena epóca de eleição. Aos políticos. Respeite a comunidade. Veja a cituação desta bueira ao lado da Fundação Chico Mendes. Vocês querem votos - escreveu Luiz Targino, destacado ex-companheiro de Chico Mendes no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.


No mês passado, o jornalista Robert-Jan Friele (foto), correspondente na América Latina da agência holandesa GPD, contatou-me para obter informação e indicação de fontes para uma reportagem sobre a exploração sustentável da Amazônia.

Antes de regressar nesta noite para Buenos Aires, a partir de onde escreverá três longos artigos sobre a luta de Chico Mendes para 15 jornais europeus, Friele veio até minha casa agradecer o modesto apoio deste blogueiro.

E então relatou que presenciara Luiz Targino com uma enxada tentando abrir uma vala para escoar a água fétida do esgoto nas proximidades da casa e da Fundação Chico Mendes. Lembrei imediatamente das fotos que foram publicadas no Xapuri Agora.

Bem, o mito Chico Mendes permanece, mas nos distanciamos cada vez mais de seu ideário. Ou melhor: cada um interpreta-o como lhe convém - a pintura que fazem dele varia de referência da luta armada a passivo apoiador das obras do PAC na Amazônia.

Em Xapuri existem realidades mais fétidas que esgoto a céu aberto.

O PREÇO DE UMA ELEIÇÃO

Governo decidiu negociar a presidência do Congresso. O PMDB já apresentou a conta

Otávio Cabral, de Veja


O presidente Lula sempre procurou manter uma estratégica e prudente distância das disputas intestinas que envolvem os partidos políticos da base aliada do governo. Só interfere diretamente quando a situação está mesmo se degenerando. Diante da ameaça do PMDB de lançar um candidato próprio à presidência do Congresso, o que poderia inviabilizar a eleição do senador Tião Viana, do PT do Acre, Lula convocou as principais lideranças peemedebistas e selou um acordo de paz – nos moldes peemedebistas, evidentemente. Em troca do apoio ao PT, o PMDB apresentou sua lista de desejos para 2009. O partido reivindicou apenas a manutenção do que já está sob seu comando. Em vista da voracidade notória do PMDB, o pedido pareceu até comedido. Acordo fechado, então? Não. Seguindo sua tradição, o PMDB fez a proposta, mas, à sombra, se arma para dobrar o pedido.

Para isso, o partido conta com a atuação de sua "ala de rebeldes", liderada pelo senador Renan Calheiros. Desde que renunciou à presidência do Congresso para salvar o mandato, no ano passado, Renan tenta recuperar poder. Em sua investida para assegurar a eleição de Tião Viana, o presidente negociou diretamente com três caciques do PMDB. Ao senador José Sarney prometeu a manutenção de seus afilhados no comando do setor elétrico. Ao senador Valdir Raupp, atual líder do PMDB no Senado, garantiu a vice-presidência do Congresso na chapa de Tião Viana. Com o senador Romero Jucá comprometeu-se a apoiá-lo para a presidência do partido. Faltou falar com Renan Calheiros, que disse a amigos que o governo lhe deve muitos favores e ele merece ser tratado com mais deferência. Para mostrar que não é líder apenas dele mesmo, Renan convocou uma reunião da qual participaram os senadores que haviam acabado de acertar o acordo com Lula. Ao final, Renan anunciou que o partido vai lançar um candidato próprio para enfrentar Tião Viana.

Quem entende de PMDB conhece bem a manobra. Ela é vendida como uma insurreição de rebeldes do partido, mas ao mesmo tempo o governo é alertado de que "o movimento pode crescer". Nessas horas sempre surge um nomão para emprestar seriedade ao jogo. Desta vez não deu e saiu da cartola o nome do senador gaúcho Pedro Simon. Pelo jeito, contra a vontade dele. "Eu me recuso a fazer papel de espantalho para assustar o governo. Desautorizo o uso de meu nome", reagiu Simon na reunião. Deu-se então mais uma das "surpresas" típicas do PMDB e quem se apresentou como voluntário para a missão? José Sarney. Mas não foi Sarney que, dias antes, teria fechado um acordo com Lula? Sim. Porém a política é volátil como as nuvens. A eleição para a presidência do Congresso será no início de fevereiro e, até lá, as nuvens peemedebistas vão continuar se mexendo até que chova tudo o que eles querem na horta do partido. Tião Viana deverá ser o novo presidente do Senado, mas a conta vai ser mais alta.

FAUSTO NILO

Meninas do Brasil


O poeta, letrista e arquiteto Fausto Nilo interpreta a sua "Meninas do Brasil". Clique aqui para baixar dois "cederes" dele.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

PAÇOCA


Do Cartunista Braga citando Leon Eliachar: "Se um gênio nasce a cada cem anos, de quantos em quantos minutos nascerá um colunista social?"

PARQUE AMBIENTAL CHICO MENDES

Mais visitado pelos acreanos que o Arena da Floresta


Após enfrentar há quatro anos uma grave crise de gerenciamento, quando chegou a ser fechado e sofreu perdas de fauna e flora, o Parque Ambiental Chico Mendes conseguiu, a partir da gestão do prefeito Raimundo Angelim (PT), se transformar num dos pontos mais visitados de Rio Branco, a capital do Acre.

Localizado na rodovia AC-40, a 10 km do centro da cidade, o Parque foi criado em 1996 em homenagem ao seringueiro Chico Mendes, cujo assassinato completa 20 anos no dia 22 de dezembro, sendo seu nome reconhecido internacionalmente pela defesa que fez dos povos da floresta e do uso racional dos recursos naturais da Amazônia.

- Recebemos em média, de terça a sexta-feira, 12 mil estudantes. Nos finais de semana, o público varia de três a quatro mil visitantes. Recebemos ao todo 190 mil visitantes no ano passado, o que supera o número de torcedores que compareceu ao estádio Arena da Floresta - afirma o secretário de Meio Ambiente de Rio Branco, Arthur Leite.

Leia mais no Blog da Amazônia.


BREGA PERDE


O Acre não é mesmo um lugar sério. Agora tem até uma Associação Acreana de Colunistas Sociais, mas ninguém explica o interesse ou o que faz a entidade.

Lendo é possível observar o que faz, por exemplo, a colunista social Ivete Martinello (veja), mulher do jornalista Sílvio Martinello, sócio da família do ex-governador Flaviano Melo em A Gazeta.

Como sempre, das cinco notas da coluna dela, quatro enaltecem a si e à própria família.

O Orçamento do Estado do Acre para 2009 prevê R$ 15 milhões para gastos com a "divulgação de atos oficiais". Indiretamente, é o din-din que alimenta nosso breguérrimo colunismo social

Em tempo: no Blog do Venícios, relato segundo o qual a apresentadora e colunista social Beth Passos foi vitima do humorístico Pânico na TV na semana passada, em São Paulo.



- A morena passou por uma saia justa com os repórteres humoristas Vesgo (Rodrigo Scarpa) e Sílvio Santos (Welligton Muniz). Ela tentou entrevistar os dois na premiação, mas recebeu as repostas, no mínimo, grosseiras. No começo da conversa, Silvio a chamou de mulher berinjela e o repórter Vesgo perguntou se ela era do sexo masculino ou feminino - conta o estudante de jornalismo.

Assista ao vídeo no Blog do Venícios.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

GRANDE GOVERNO LULA

O projeto apresentado pelo ministro da Agricultura, Reynhold Stephanes, que prevê, entre outras medidas, anistia aos desmatadores e redução da reserva legal na Amazônia para 30%, forçou as principais organizações ambientalistas que atuam na Amazônia a anunciarem em nota que se retiram das negociações sobre o Código Florestal.

As organizações consideram a proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária "uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis".

- Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional - afirmam as entidades.

A nota é assinada por Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Conservação Internacional, Greenpeace, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), TNC Brasil e WWF - Brasil.

Além de se retirar das negociações sobre o Código Florestal, as entidades ambientalistas pedem ao presidente Lula seriedade por parte do governo. Leia a nota na íntegra no Blog da Amazônia.

MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMAZÔNIA

20 anos sem Chico Mendes


Resumo do artigo "Movimentos sociais na Amazônia Brasileira: Vinte anos sem Chico Mendes", de autoria dos professores Elder Andrade de Paula e Sílvio Simione da Silva, da Universidade Federal do Acre:

"Governo do Estado do Acre, instituições do governo federal, Comitê Chico Mendes, representantes do sindicalismo rural e Rede Globo tomaram a iniciativa em 2008, de marcar através de uma série de eventos, os “vinte anos sem Chico Mendes”. As diversas encenações anunciadas procuram coroar em “alto estilo” uma monumental transmutação do legado revolucionário de uma das principais lideranças do sindicalismo rural na Amazônia brasileira, convertido em pacato “ambientalista”. O objetivo desta Comunicação é mostrar que essa transmutação foi habilmente articulada pelo Estado (no sentido ampliado) na tentativa de re-significar a natureza e a cultura para fins de legitimação da ideologia do “desenvolvimento sustentável” e assim, facilitar o processo de espoliação em curso na Amazônia. Nas conclusões, procura-se mostrar que apesar de bem sucedida no decorrer dessas duas décadas, essa estratégia começa a mostrar sinais de esgotamento, existem evidências de retomada da “voz” por parte de alguns movimentos sociais na região, como é o caso da Via Campesina. A abordagem está referenciada no método histórico comparativo e na análise de processos e fenômenos sociais vinculados ao ambientalismo internacional".

Clique aqui para leitura do artigo. As imagens que ilustram o artigo foram suprimidas pelo blog com autorização.

■ ATENÇÃO: hoje, a partir das 20 horas, no Teatro Hélio Melo, o jornalista e escritor Laurentino Gomes participa de evento organizado pelo projeto Sempre Um Papo.

CHICO MENDES: VIVO LÁTEX


A antropóloga Mary Allegretti, ex-colaboradora de Chico Mendes, conta ao repórter Adriano Belisário, da Revista História da Biblioteca Nacional, detalhes de seu trabalho ao lado do líder seringueiro e comenta os avanços na preservação da Amazônia.

Veja o que Mary Allegretti diz a respeito do legado de Chico Mendes:

"O legado de Chico Mendes não é só de conquistas. É também de impasses. A reserva extrativista é uma espécie de contrato entre os moradores e gestores da área e o Estado. Cabe aos primeiros proteger os territórios e usar os recursos de forma sustentável; cabe ao segundo, viabilizar recursos e políticas de educação, saúde, desenvolvimento econômico; cabe também ao governo fiscalizar, evitar invasões e assegurar a parceria na gestão destes territórios. O poder público se concentrou mais em criar novas unidades do que em implementá-las.

A criação de novas reservas é sempre importante porque elimina os conflitos a que estas pessoas estão sujeitas em diferentes partes da Amazônia. Mas não é suficiente. Sem projetos e recursos voltados para o desenvolvimento sustentável, como vem ocorrendo em toda a Amazônia, as pessoas voltam-se à exploração do que está mais próximo e mais viável, a pecuária e a agricultura. O preço dos produtos florestais, como borracha e castanha, ficou muito abaixo do rentável e os projetos de agregação de valor são pontuais e sem escala.

A política de bolsa família tem aplacado as demandas urgentes por benefícios sociais em várias comunidades. Mas todos são unânimes em afirmar que não querem viver de esmola do governo quando o que fazem – a proteção da Amazônia – tem um valor infinitamente maior e mais nobre".

Clique aqui para ler a entrevista.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

GAVIÃO-REAL








Mais tarde, uma breve nota sobre o zelo do prefeito Raimundo Angelim (PT), do secretário de Meio Ambiente Arthur Leite e da gerente do Zoológico do Parque Chico Mendes Joseline Guimarães em benefício de nossa fauna e flora. Não deu para segurar as imagens do jovem gavião-real (Harpia harpyja).

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

IARA JACCOUD MACHADO


Ela é bela, protegida pelos espíritos das águas e infinitamente mais inteligente que o pai. Minha felicidade é compartilhada por Kátia, Jael, Dan, Samuel e avós. Que a luz de seus de olhos (veja) ajude a iluminar o mundo. Parabéns!

A DOR QUE NUNCA PASSA

Marina Silva

Nos anos 1970, quando abriam a BR-364 no Acre, ela cortou ao meio o Seringal Bagaço, onde eu morava com minha família. À derrubada da mata seguiu-se uma epidemia violenta e incontrolável de sarampo e malária. Era gente doente ou morrendo em quase todas as casas. Perdi um primo e meu tio Pedro Ney, que foi uma das pessoas mais importantes da minha infância. Morreu minha irmã de quase dois anos e, quinze dias depois, outra irmã, de seis meses. Seis meses depois, morreu minha mãe. Tudo era avassalador, assustador. Uma dor enorme, extrema, que nunca passou. Para sair disso, tivemos que reconstruir, praticamente, o sentido inteiro do mundo. Aceitar o inaceitável, mas carregá-lo para sempre dentro de si. Ir em frente, enfrentar a dureza do cotidiano, sobreviver, cuidar dos outros. Viver, enfim, e dar muito valor à vida e às pessoas.

Em 1985, numa das maiores enchentes do rio Acre em Rio Branco, eu morava no bairro Cidade Nova, na periferia da cidade, numa pequena casa de onde tivemos que sair às pressas, levando o que foi possível numa canoa. O resto foi levado pelas águas, inclusive o único retrato que tínhamos de minha mãe.

Penso agora nisso tudo e acho que consigo entender o que sentem os catarinenses, mas ainda estou longe de alcançar o significado estarrecedor de uma perda tão total e instantânea como a que sofreram. Na escuridão, o morro descendo, destruindo tudo, a busca desesperada pelos filhos, a impotência. E, depois, descobrir-se só em meio ao caos: acabou a casa, foram-se as pessoas amadas, o lugar no mundo. Não há mais nada, só a vida física e a força do espírito.

Meus filhos andam pela casa com todo vigor, com toda a beleza da juventude, e sequer consigo imaginar o que seria, de uma hora para outra, vê-los engolidos pela terra, debaixo de toneladas de escombros ou mutilados para o resto da vida. É algo terrível demais até no plano da imaginação. Fere a própria alma tão fundo que chega a ser impossível entender plenamente a profunda tristeza de quem enfrenta essa realidade.

Na Londres de 1624, os sinos da catedral de São Paulo, onde o poeta John Donne era o Deão, tocavam quase ininterruptamente anunciando as milhares de mortes causadas pela peste. Atingido por grave enfermidade (que chegou a ser confundida com a peste) Donne escreveu então um de seus textos mais conhecidos, a Meditação XVII: "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de teus amigos ou mesmo tua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."

Hoje, no mundo, os sinos dobram por todos nós e para nos acordar. Grandes desastres podem virar acontecimentos corriqueiros. Não se pode afirmar peremptoriamente que a tragédia de Santa Catarina deriva, em linha direta, das mudanças climáticas identificadas no relatório do IPCC, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU. Mas em tudo se assemelha às previsões de possíveis impactos da mudança no clima do sul do Brasil, até o final do século 21.

A natureza, numa pedagogia sinistra, parece exemplificar o que significam esses fenômenos extremos que, em várias regiões do planeta, tenderão a provocar períodos de seca muito mais severos e outros com precipitações intensas.

As ações de mitigação necessárias e as adaptações para enfrentar esses efeitos e reduzir nossa vulnerabilidade diante deles, ainda são precárias e estão atrasadas. Os países ricos, detentores de recursos, conhecimento e tecnologia, já avançam em medidas para se proteger. As piores conseqüências deverão recair sobre os países pobres e os em desenvolvimento. A urgência é auto-explicável. Não é um cientista quem o diz e nem um livro. É a natureza, cujos avisos e alertas têm sido insanamente ignorados.

O Brasil, que ontem lançou o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, não tem como deixar de fazer a sua parte, mesmo sem os meios disponíveis nos países ricos. O acontecido em Santa Catarina é um sintoma e deve ser seguido de um esforço de grandes proporções, de início imediato, para tentar evitar que se repita.

É preciso que cada um de nós, autoridades públicas, empresas e cidadãos, pensemos nos mortos, nas famílias inteiras soterradas, nas vidas destroçadas debaixo do barro, antes de sermos tolerantes com ocupação em encostas, com destruição de matas ciliares, com o adensamento de áreas de risco, com mudanças de conveniência nas legislações. Não há mais espaço para empurrar os problemas ambientais com a barriga, como tentam fazer alguns, e deixar para "o próximo" o ônus de medidas ditas antipáticas. A omissão que ceifa vidas humanas tem que acabar, mesmo à custa de incompreensões.

Nos tempos atuais, há mais um componente na agenda ética: não se deixar corromper diante das pressões para ignorar a proteção ambiental e as medidas de precaução exigidas pela intensificação dos fenômenos naturais. Quem detém algum tipo de representação pública deve se convencer de que é preciso mudar profunda, rápida e estruturalmente os usos e costumes, de modo a preparar o País para um futuro de sérios desafios ambientais. Cada vez mais, não é só uma questão de errar, corrigir o erro e aprender com ele. Agora a palavra de ordem é prevenir o erro, para que não se repitam os olhares perdidos, os rostos esvaziados, o choro inconsolável, a desesperança e as mortes que vimos nesses últimos dias em Santa Catarina.

■ Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

AJUDE SANTA CATARINA


Campanha da Federação das Indústrias do Estado Acre de ajuda às vítimas das chuvas em Santa Catarina. As doações podem ser feitas até a sexta-feira, no Ginásio do Sesi. Fone para contato: 68 3212-4202.

REFUGIADOS INVISÍVEIS

Vera Reis e Enock Pessoa


No dia 11 de setembro de 2008, no Departamento de Pando, na Bolívia, aconteceu um episódio inédito: mais de 20 mortes provocadas por violência política. Os responsáveis têm que ser identificados, a fim de que ocorra a justiça imediatamente.

Logo depois, militares bolivanos ocuparam Cobija, prenderam o governador Leopoldo Fernandez, invadiram casas e criaram um ambiente de medo. Centenas de residentes de Pando fugiram para o Brasil e se mantém nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia como refugiados.

Leia mais no Blog da Amazônia.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ACRE SOLIDÁRIO COM SANTA CATARINA

Quem disse que blog é coisa inútil? Após o post "Cade a solidariedade acreana?", de domingo, recebo do secretário de Segurança Pública Antonio Monteiro Neto um telefonema de agradecimento e uma cartinha com as imagens que ilustram este post:

"Caro Amigo Altino Machado,

Encaminho a você material do lançamento da campanha "Acre Solidário: doe roupas e alimentos não perecíveis”, que estará sendo lançada no dia 3 de dezembro (quarta feira), às 10 horas, no pátio da Secretaria de Estado de Segurança Pública, com duração de 90 (noventa) dias, com o objetivo de arrecadar 20 toneladas de alimentos, medicamentos, roupas, produtos de limpeza e higiene pessoal.

Abraços,

Antonio Monteiro Neto"

VAMOS LÁ, COMPANHEIROS


O que não fazemos pelo Brasil? Tem passagem aérea, hotel e comida? Repasso o convite aos leitores do blog:

O Núcleo de Paris do Partido dos Trabalhadores (PT) tem o prazer de convidar para encontro com João Felício, ex-Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), atualmente acumulando os cargos de Secretário Sindical Nacional do PT e Secretário de Relações Internacionais da CUT, que falará sobre "o impacto da crise financeira sobre os trabalhadores e as estratégia da CUT e do PT".

11 dezembro de 2008 (quinta –feira)
das 19 às 21 horas
7 bis, rue de Trétaigne - 75018 – Paris
(metrô Jules Joffrin – linha 12)

■ O núcleo do PT em Paris se reúne todas as primeiras quartas-feiras do mês. As reuniões são abertas a todos (as) interessados. Para contatar o núcleo do PT em Paris, escreva para paris@pt.org.br

DEU NO CORREIO BRAZILIENSE

Suspeita de fraude eleitoral no Acre

Lúcio Vaz


O cruzamento das informações dos livros de assinaturas das eleições de 2006 e 2008, em Sena Madureira (AC), aponta indícios de fraude nas eleições de outubro. Foram encontrados casos de eleitores que assinaram a lista em 2006 e colocaram a digital neste ano, como se fossem analfabetos. Em algumas seções, há excesso de analfabetos (19,15% do total). Em outra situação, os eleitores "votaram", mas não assinaram o livro. Na maioria dos casos, as assinaturas simplesmente não conferem. As possíveis fraudes estão sendo investigadas pela Polícia Federal.

As suspeitas surgiram no dia das eleições, quando foi constatado que Ilzo Nascimento da Silva foi votar na seção 69, mas outra pessoa já havia votado por ele. O caso foi registrado no cartório eleitoral. No mesmo dia e também após a eleição, surgiram outras evidências de irregularidades, o que levou a coligação de Toinha Vieira (PSDB) a desconfiar da possibilidade de fraude eleitoral. A coligação solicitou ao cartório eleitoral os livros de assinaturas das eleições de 2006 e 2008 para fazer uma comparação.

Foram conferidas oito das 63 seções eleitorais do município, o que corresponde a 12,7% do total. Indícios de irregularidades foram encontradas nas assinaturas de 77 eleitores. Na seção 38, 54 dos 282 eleitores seriam analfabetos, um índice muito elevado para o município. Na seção 56, foram confirmados seis votos que estão sem as devidas assinaturas no livro. Um indício de que esses eleitores não compareceram, mas alguém votou por eles. Pode ter acontecido o mesmo nos 39 casos em que as assinaturas não conferem. Em alguns casos, são absolutamente diferentes. Como o voto é secreto, somente uma investigação policial, com o depoimento dos envolvidos, poderá apurar quem seria o responsável pelas supostas irregularidades.

Pleito acirrado
A coligação "Por uma Sena Melhor", liderada por Toinha, atribui as supostas fraudes à coligação "Frente Popular por Sena", liderada pelo prefeito reeleito Nilson Areal (PR), com apoio do PT, do PMDB e mais seis partidos. Areal venceu a eleição com 9.555 votos (53,7% dos votos válidos), contra 8.229 de Toinha, num colégio eleitoral de 22,6 mil votos. O Correio telefonou para a prefeitura de Sena Madureira na terça-feira à tarde e solicitou uma entrevista com o prefeito. Não houve resposta.

O juiz eleitoral que responde por Sena Madureira, Pedro Longo, disse que a denúncia foi apresentada à Polícia Federal e "está sendo investigada". "O pleito foi muito acirrado, com representações recíprocas. Todas as denúncias estão sendo apuradas e nada vai ficar sem resposta judicial", acrescentou Longo. Depois de consultar a PF, ele informou que estão sendo feitas as apurações preliminares. Se a denúncia for consistente, a polícia vai solicitar ao Ministério Público Eleitoral autorização para abrir um inquérito. No caso de serem encontradas provas de fraude, o promotor eleitoral apresentará denúncia à Justiça Eleitoral.

Longo disse que recebeu da coligação "Por uma Sena Melhor", liderada por Toinha, o pedido de acesso aos livros de assinaturas de 2006 e 2008. "Em homenagem à transparência do processo eleitoral, autorizamos o acesso aos livros. Eles passaram dias analisando os documentos", lembra. O juiz eleitoral acrescentou que foram apresentadas dezenas de representações pelas duas coligações.

CAIÇUMA DE GOIANO


Enquanto Jordão (AC), onde 40% da população é indígena, está sendo conduzido pelo senador Tião Viana e o deputado Fernando Melo ao ciclo do etanol de macaxeira, goianos de Luziânia (GO) se lançam no mercado oferecendo a caiçuma. Bebida fermentada de macaxeira, de origem indígena, a caiçuma foi rebatizada pelo goianos como kaxyry. Clique aqui e confira.

PROJETO GENIAL PARA JORDÃO

Tião Viana e Fernando Melo prometem usina de etanol de macaxeira para um dos municípios mais pobres e isolados do país

No Índice de Desenvolvimento Familiar criado pelo governo federal, Jordão, no Acre, e Uiramutã, em Roraima, aparecem (leia) como os dois municípios onde os pobres são os mais pobres do Brasil. A situação de Jordão é agravada pelo fato de ser um dos municípios mais isolados do país, na remota fronteira com o Peru.

Sensibilizados com a realidade, o senador Tião Viana e o deputado federal Fernando Melo, ambos do PT, resolveram unir inteligência e força política para montar em Jordão uma usina de produção de etanol extraído de macaxeira. Idealizado por Dione Sallas, o projeto de R$ 1,3 milhão será apresentado à Eletronorte.

Sallas afirma que o etanol extraído da macaxeira é melhor e mais abundante do que o extraído da cana-de-açúcar - cada tonelada de cana resulta em 84 litros de etnol, contra 180 litros de etanol da tonelada de macaxeira.

Jordão é tão isolado que dura ao menos cinco dias uma viagem de barco para Tarauacá, uma das cidades mais próximas. Lá, o preço de um litro de gasolina custa R$ 4,30 e o botijão de gás R$ 65.

Leia o relato da assessoria de imprensa do senador no jornal Página 20. Em tom jocoso, Luiz Calixto, deputado estadual da oposição, sugere no blog dele (leia) que a futura usina de etanol de macaxeira seja batizada com o nome do senador Tião Viana.

■ Meu comentario: Jordão necessita mesmo é de uma usina capaz de melhorar a escolaridade, o acesso ao trabalho, a renda, o desenvolvimento infantil e as condições de habitação. A foto é de J. Diaz, tirada durante colheita de macaxeira no Seringal Sai Cinzas, na Reserva Extrativista Chico Mendes.