domingo, 7 de setembro de 2008

ESPAGUETE COM PIRARUCU


Espaguete com molho de pirarucu, manjericão, alho, cebola, salsa, pimenta de cheiro, rúcula, jambu, tomate, cheiro-verde, azeitona preta, azeite extra-virgem e pimenta malagueta. O improviso demorou meia hora. Vale a pena a delícia. Já era. Clique na foto para ficar com água na boca.

sábado, 6 de setembro de 2008

MENSAGEM DO VELHO DO RIO

Do sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, na fronteira Brasil-Peru:

"Olá Pessoal!

Os parentes [índios isolados] hoje de madrugada cortaram as cordas de todas as canoas aqui do porto de casa, no igarapé Xinane, que é a casa deles.

Sábado é dia da gente pescar umas curimatãs para comer durante a semana. E então fomos dar umas tarrefeadas no Xinane.

Na volta, com o motor ligado, num poço fundo de barranco alto, eu e o trabalhador Chicão fomos flechados.

Uma flecha entrou na canoa, atras do Chicão, que ia na proa. A outra passou muito perto do meu rosto e entrou na água!. Escapamos fedendo!

Pelo jeito foi o mesmo pessoal que andou aqui no porto (quatro rastros), pois os rastros iam em direção ao Xinane.

Como ninguém pode ficar intocado em casa... Risco calculado e um pouco de sorte...

Creio ser o grupo que está vindo do Peru. Flechas lindas!

As arpoeiras eles botam como corda de arco. As grossas, de amarrar batelão, desfiam os fios finos e encastoam as flechas. Reciclagem!

Estou com as duas flechas aqui. Já temos uma bela coleção!

São duas da manhã e tem umas nambus suspeitas assoprando na boca do Xinane. O sono foi embora e o buraco do ouvido tá prá lá de calibre 12!

Fico matutando o porquê da fixação dos parentes por corda de nylon. Principalmente as grossas, de muitos fios trançados (finos) que eles desfiam e usam para amarrar as penas das flechas e as pontas de taboca.

Será que na mudança apressada do Peru prá cá perderam a semente do algodão? Ou será que o que plantaram ainda não está dando? O amarradio original é de algodão...

Ou terá ainda outro significado, tipo:

- Seu babaca, vamos no seu porto, cortamos suas cordas, encastoamos nossas flechas e de quebra flechamos vocês...

Aqui tem uma conversa assim: quando uma nambu suspeita apita fora de hora e de lugar (nambu azul não é japó para se empoleirar em tacanal), os trabalhadores dizem que é nambú dos ovos pendurados do lado de fora.

Vou ver se tiro um cochilo.

Tomara que eu ainda veja o convênio com o governo do Acre dar certo. Por favor, antes que os parentes tirem o velho do rio de circulação!

Temos internet agora, só não MSN Messenger. SIPAM. Escrevam, quebra a monotonia.

Abraço a todos".

Meu comentário: Caro Meirelles, você precisa conferir com urgência se os parentes estão estocando corda grossa para amarrá-lo no tronco de um taxizeiro. Duvido que haja no mundo outro blog com um correspondente numa das regiões mais remotas da Terra, levando flechadas de uma das últimas etnias em isolamento voluntário, munido de computador e nos deixando informado em tempo real sobre o que se passa naquela vasta região de beleza, perigo e solidão. Não é possível que o governo estadual siga postergando a assinatura de um convênio que poderá ampliar o trabalho de proteção dos índios isolados. É muito bonita aquela exposição sobre índios isolados, na Biblioteca da Floresta, mas...

SURVIVAL INTERNATIONAL

ONG cobra ações do Peru sobre índios isolados, governo do Acre e Funai não agilizam convênio para proteger etnias e jornal inglês se desculpa por chamar foto de fraude


A organização Survival International, que defende populações tribais, divulgou um comunicado no qual lembra que, 100 dias após as fotografias de um dos últimos povos isolados aparecerem nas manchetes da imprensa mundial, o governo do Peru não cumpriu a promessa de publicar um relatório sobre o assunto.

As fotografias dos índios de uma das três etnias isoladas que vivem no Acre, na fronteira com o Peru, foram publicadas pela primeira vez, com exclusividade, por Terra Magazine, no final de maio.

Durante quase 20 horas num avião monomotor, o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, da Funai, comandou o sobrevôo que resultou nas imagens onde mulheres e crianças apareceram buscando proteção na floresta, enquanto os guerreiros da tribo se posicionam e reagem atirando flechas contra o avião.

As fotos que o sertanista cedeu à Terra Magazine também foram cedidas uma semana depois à Survival International. As imagens dos índios isolados foram captadas pelo fotógrafo Gleilson Miranda, da Secretaria de Comunicação do Acre. O governo estadual financiou a expedição a pedido do sertanista.

As imagens impactaram a mídia internacional e levaram o governo peruano a anunciar que enviaria uma equipe ao Parque Nacional Alto Purus, na fronteira com o Acre, para investigar os motivos da fuga de grupos de índios isolados para o Brasil.

O governo peruano chegou prometer que o relatório da investigação seria amplamente divulgado, mas até agora não se conhece o seu teor. Não se sabe nem se a equipe de fato percorreu a região.

Survival International assinala que a aldeia fotografada em território do Brasil, perto da fronteira com o Peru, está localizada em região onde madeireiros ilegais peruanos destroem a floresta e a forçam a fuga de povos indígenas isolados do Peru para o Brasil.

- O que se passa naquela região [do Peru] é um grande crime contra a natureza, índios, e a fauna, bem como um claro indício da total irracionalidade com que nós, os “civilizados”, lidamos com o mundo, lar de todos nós - afirma o sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior.

Survival assinala que o presidente peruano Alan Garcia, antes da divulgação das fotos, já afirmara publicamente que os povos indígenas isolados foram “criados” por “ambientalistas” que se opõem à exploração petrolífera na Amazônia. O mesmo fora feito por Daniel Sabá, presidente da Perupetro SA, agência estatal que promove a concessão de contratos para a prospecção e produção de petroléo e gás.

Um porta-voz da agência chegou a comparar os isolados ao monstro de Loch Ness, “aquele sobre o qual todo mundo tem uma história, mas que nunca ninguém efetivamente viu”.

- Na verdade, existem quinze povos indígenas isolados no Peru, todos eles sob a ameaça de uma enorme exploração madeireira e da exploração de petróleo e gás - adverte comunicado da Survival.

Recentemente, milhares de indígenas da Amazônia peruana protestaram em defesa de seus territórios. Os protestos forçaram o Congresso peruano a revogar duas leis que ameaçavam o controle pelos indígenas dos seus territórios.

- Não devemos permitir que o governo peruano enterre esse assunto. O que o governo está a fazer exatamente? Os isolados são alguns dos cidadãos mais vulneráveis do Peru e estão fugindo do país. Chamá-los “refugiados sem contato” não seria exagero.

Leia reportagem completa no Blog da Amazônia.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A FANTÁSTICA FÁBRICA


Aldo Nascimento, do blog Língua, sempre que vê Jorge Henrique, secretário de Comunicação do Acre e âncora da TV Aldeia, lembra do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate. Montagem de Gilberto Lobo.

DIA DA AMAZÔNIA

Adalberto Veríssimo: desmatamento cai,
mas não dá para comemorar a data




Dados do Boletim Transparência Florestal, elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), revelam que em julho deste ano a Amazônia Legal sofreu desmatamento de 276 km². Isso representa uma queda de 71% em relação a julho do ano passado, quando o desmatamento somou 961 km² . Em relação ao mês anterior (junho), que teve desmatamento de 612 Km², foi registrado uma redução de 54%.

Hoje é o Dia da Amazônia. Embora tenha sido decretado pelo Congresso Nacional e instituído pelo presidente Lula e pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, para ser comemorado anualmente, em todo o território nacional, o engenheiro agrônomo Adalberto Veríssimo, um dos fundadores e coordenadores da pesquisa do Imazon, afirma que não existe quase nada a comemorar.

Em que pese a queda de 71% no desmatamento, Veríssimo assinala que isso é como se estivéssemos comparando um paciente com 42 graus cuja febre baixou para 41 graus. E o que ele faria em benefício da Amazônia caso ocupasse o cargo do ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente?

- Primeiro é importante fazer com que o estado brasileiro esteja presente na Amazônia e não achar que os problemas possam ser resolvidos com pirotecnia a partir de Brasília. É necessário orçamento para fortalecer as secretarias estaduais de meio ambiente, pulso firme para fazer zoneamento ecológico-econômico e regularização fundiária. É necessário menos Brasília e mais Amazônia, sem conchavos. É necessário fazer aquilo que realmente faz a diferença - afirma.

Leia a entrevista de Adalberto Veríssimo, ex-consultor do Banco Mundial e autor de dezenas de livros e artigos sobre a Amazônia, região que poucos conhecem tão bem quanto ele.

Blog da Amazônia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

JUSTIÇA FECHA DIESEL PUB

A juíza Maria Cezarinete de Souza Augusto Angelim, da 2ª Vara Cível, mandou fechar a boate Diesel Pub porque o estabelecimento desobedece normas de segurança



A juíza deferiu a liminar requerida em ação civil pública pela promotora de Justiça Alessandra Garcia Marques.

Digamos que a boate é uma aberrante invenção acreana nos tempos de Lei Seca: funciona na parte superior do Auto Posto Parque, contratado para abastecer a frota de carros da Secretaria de Segurança Pública.

- A inobservância das normas de segurança expõe toda a comunidade ao perigo de um sinistro envolvendo produtos inflamáveis (diesel, gasolina, álcool combustível e demais derivados de petróleo), fato este que tem o potencial de gerar danos irreparáveis à saúde e à integridade física dos consumidores e transeuntes, inclusive, sérios riscos à vida - assinala a juíza na decisão.

Integrantes da família Paiva, proprietária da boate, compareceram ao Fórum Barão do Rio Branco e houve certo tumulto por causa da insatisfação deles com a decisão da Justiça.

Point
de jovens de classe média e de algumas personalidades influentes na vida pública acreana, a boate foi lacrada.

- Ora, não se pode tolerar que empreendimento empresarial de grande vulto econômico coloque em risco a vida de centenas de pessoas, à medida que a legislação de regência exige que o empresário tenha licença de funcionamento, emitida pelos órgãos da Administração Pública responsáveis pela segurança de tais estabelecimentos. Assim sendo, é de bom alvitre dizer que o Inquérito Civil, o Laudo de Vistoria do Corpo de Bombeiros do Acre e o Termo de Compromisso 08/2008 são provas documentais idôneas a evidenciar a verossimilhança da alegação do Ministério Público quanto ao perigo para a sociedade que representa o funcionamento irregular da Boate Diesel Pub - argumenta a juíza.

No final da decisão, a juíza determina:

a) que a parte ré suspenda, imediatamente, até o julgamento do mérito desta Ação Civil Pública, a prestação de quaisquer serviços, abstendo-se de funcionar em qualquer circunstância, sob pena de multa diária no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em caso de descumprimento desta decisão judicial (ex vi do art. 84, § 4º, do Código de Defesa do Consumidor), sem prejuízo de outras penalidades aplicáveis à espécie;

b) a expedição de mandado de intimação, citação e lacre do estabelecimento, o qual deverá ser cumprido pelo Sr. Oficial de Justiça com ponderação e calma, concedendo os benefícios do artigo 172, § 2º, do CPC, no sentido de facilitar a execução da medida;

c) a citação da parte ré para, querendo, oferecer resposta às pretensões do autor, no prazo legal, sob pena de revelia (arts. 285, 297 e 319, todos do CPC), consignando-se no mandado as advertências legais. Intimem-se.

A íntegra da decisão está disponível no site do Tribunal de Justiça.

Ou clique aqui para ler mais neste blog a polêmica em torno da escandalosa Diesel Pub.
A "grande imprensa" acreana têm ignorado o caso.

ANGELIM PREFERE CALAR

Candidatos apresentam propostas e
criticam atual gestão em Rio Branco


"A capital do Acre, Rio Branco, tem quatro candidatos concorrendo ao cargo de prefeito. Convidados pelo site Amazônia.org.br para falarem sobre suas propostas, somente o candidato Raimundo Angelim (PT) não quis marcar entrevista.

Além das propostas, os candidatos ressaltaram as dificuldades na realização das campanhas eleitorais, principalmente devido à escassez de recursos.

As perguntas foram relacionadas aos temas de educação, geração de emprego e renda, saúde, transporte, meio ambiente e sobre suas campanhas. Foram entrevistados os candidatos Antonio Rocha (PSOL), Sérgio Petecão (PMN) e Tião Bocalom (PSDB)".

Clique aqui para ler a reportagem completa do site Amazônia.

REPRESENTANTE DA COMUNIDADE


Esqueci de registrar ontem a reportagem de Matheus Pichonelli, da Agência Folha:

"Suplente de Marina Silva (PT-AC) no Senado e sem cargo desde que a ex-ministra do Meio Ambiente voltou à Casa, o petista Sibá Machado foi nomeado, no último dia 27, conselheiro administrativo do consórcio Energia Sustentável do Brasil, que vai construir e operar a hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.

Ele afirma que deverá receber um salário bruto de cerca de R$ 11 mil para atuar como "representante da comunidade" no conselho, que tem dez integrantes e se reúne uma vez por mês em Porto Velho (RO).

O consórcio é formado pelas empresas Suez Energy (franco-belga), Camargo Corrêa Investimentos e pelas estatais Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) e Eletrosul.

A construção se tornou alvo de polêmica após o consórcio anunciar que pretende mudar o local do projeto original da usina, o que ainda pode levar o empreendimento a uma disputa judicial. A idéia será analisado ainda pelo IBAMA e por duas agências reguladoras --a mudança já foi avalizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Sibá, que estava se dedicando ao seu mestrado e à campanha de Raimundo Angelim (PT) à reeleição em Rio Branco (AC), será conselheiro por dois anos.

O ex-parlamentar foi indicado pelas estatais para ser um dos dois conselheiros independentes --que não tem vínculo com as empresas-- do grupo.

Segundo o consórcio, Sibá, que é geógrafo, tem "experiência na questão socioambiental e conhecimento na área".

"Vou acompanhar de perto os trabalhos em Porto Velho. Há uma espécie de compromisso na América Latina de integração na região para infra-estrutura, transporte e energia elétrica. Se eu voltar a ser parlamentar, quero me dedicar a esse tema", disse o ex-senador, que afirmou não haver problemas no fato de assumir o posto por não ser cargo de direção.

No Senado, Sibá chegou à presidência do Conselho de Ética, em maio de 2007, durante a crise que culminou na renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) como presidente da Casa. Pressionado, Sibá deixou o conselho um mês depois.

Integrou CPIs, como a do Mensalão, e presidiu uma subcomissão no Senado sobre águas, cuja metas é mapear a situação de bacias hidrográficas".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

USHAÏA MAGAZINE

A florestania ainda é um poderoso marketing capaz de atrair a mídia internacional. A jornalista Clotilde Warin, que trabalha para "Ushuaïa Magazine", revista francesa dedicada ao meio ambiente, vem ao Acre para passar nove dias apurando o que está acontecendo nesta região da Amazônia.

"Ushuaïa Magazine" é bastante conhecida na França porque completa o programa de televisão "Ushuaïa Natureza", que atrai em média 8 milhões de telespectadores. O próximo programa, que será transmitido em outubro pela cadeia de televisão francesa TF1, será sobre o Brasil.

E a revista vai dedicar 50 páginas ao país na sua próxima edição. Clotilde Warin está preparando uma reportagem sobre o Acre, para mostrar como o Estado consegue proteger suas florestas e se obtém lucros com a sua biodiversidade, especialmente com a venda de madeira certificada, de borracha e de castanha.

A jornalista francesa, que percorrerá a região acompanhada de fotógafo, quer entrevista comigo sobre o "governo da floresta", para saber minha opinião sobre diferentes ações do governo do Acre. Também quer meus conselhos para saber o que seria mais interessante ser mostrado pela revista.

NOVO HINO DE RONDÔNIA

Versão da banda Odisséia, de Porto Velho (RO), que deixou (veja aqui) alguns políticos enfurecidos. Chegaram até a sugerir a prisão de Carlos Moreira, professor de literatura, autor da paródia



Quando começamos a tortura

Para esculhambar a natureza

Nós, os invasores de Rondônia,

Nos afogamos em tanta pobreza.

Somos causadores de queimadas,

Nosso combustível é o dinheiro.

Fim de uma história deprimente:

Nada aos nativos, tudo aos posseiros.

Nessa fronteira abandonada

O povo trabalha até doente.

Muita chacina e pouca esmola,

Corrupção galopa febrilmente.

Atos dementes roubam o futuro

Da juventude dessa nação,

E com coragem nós gritaremos

Enquanto nos arrancam o coração.

Azul, poderia ser azul,

Em vez, tudo cinza tudo igual,

Nosso rio só tem mercúrio,

Amazônia é capim.

Assim, nossa vida é desumana.

Guaporé fundamental,

Reinventa a tua história

Ou será o nosso fim!

A AGRICULTURA É A SALVAÇÃO

Trechos da entrevista de Evaristo Eduardo de Miranda na National Geographic Brasil. Ele é ecólogo e chefe-geral da unidade de monitoramento por satélite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de consultor da Food and Agriculture Organization (FAO) e da Unesco.

O senhor defende a idéia de que a agricultura não é problema, mas a solução sustentável para o Brasil e o mundo. Por quê?

Existe uma opinião generalizada de que a agricultura causa problemas ambientais. Mas, se a atividade ainda emite gases de efeito estufa, sobretudo em regiões primitivas e pouco tecnificadas, nas terras do agronegócio ela é solução para o aquecimento global. Sobretudo no caso do Brasil. A agricultura trabalha com a produção primária, ou seja, com a transformação da energia solar em energia química. No caso da cana, por exemplo, acontece a transformação da energia do Sol na do açúcar e do álcool. Dessa forma, a agricultura é capaz de trazer soluções enormes para a sustentabilidade. O exemplo disso, hoje, é a matriz energética brasileira. A nossa agricultura produz mais de 140 milhões de toneladas de grãos para nós e para o mundo e consome cerca de 4,5% de nossa matriz energética, mas garante quase 30% dessa matriz. Enquanto a média da energia renovável dos outros países é inferior a 14%, no Brasil temos pouco mais de 46% da matriz renovável, o que é muito.

O cultivo da cana é então um modo de combater as mudanças climáticas?

A cana é uma planta extraordinária. O açúcar e o álcool são feitos basicamente de carbono, hidrogênio e oxigênio com a energia solar. A cana retira esses produtos do ar, e é um cultivo que não esgota a terra, como muita gente pensa. É uma cultura que fica no campo por seis anos. Isso é sinônimo de proteção ao solo, por causa de sua grande massa verde e suas raízes profundas. O consumo do álcool hidratado em 2007 aumentou 46%, no Brasil. O anidro, que é misturado à gasolina, subiu 20%, enquanto o consumo de gasolina caiu cerca de 3%. Hoje estamos consumindo por volta de 18 bilhões de litros de gasolina e quase 17 bilhões de litros de álcool. Isso significa toneladas de carbono que deixamos de emitir à atmosfera, em milhões em veículos que não contribuem nem para o aquecimento global, nem para a poluição. Não fosse a alternativa do álcool, a qualidade do ar dos grandes centros urbanos brasileiros estaria insuportável, muito pior do que hoje.

E não é só. Em parte das usinas de cana do país, o bagaço é usado para gerar energia elétrica – uma fonte que já representa 4% dessa energia no Brasil. Em São Paulo significa 9%, mas há períodos em que os números chegam a quase 20%, como entre junho e agosto, época da colheita da cana-de-açúcar. Ela tem valor bem no momento em que mais precisamos, pois o volume de águas dos rios está mais baixo. Nessa época se acionam as termoelétricas que usam o gás vindo da Bolívia, o que contribui para a emissão de CO2. As usinas têm caldeiras, do tamanho de prédios de 15 andares, que produzem energia com eficiência.

Não há risco de se fazer da Amazônia um imenso canavial, como muitos temem?

Não acredito nisso. Acho que a cana-de-açúcar tem potencial na região, sem nenhum risco para a floresta. Outra lenda é a de que o solo da Amazônia está sendo degradado pelo plantio de soja, algodão e outros víveres. Para ter uma idéia, só neste ano 39% da produção de soja do Brasil veio da Amazônia, além de 47% da de algodão e 20% da de grãos. A maior produtividade de soja do mundo está na Amazônia. É preciso entender que não estamos mais fazendo agricultura como no período Neolítico. Hoje há muita tecnologia disponível nessa área.

Leia mais na revista National Geographic.

PRÉ-SALDO



Do Cartunista Braga.

EUFORIA E DIARRÉIA

De Renata Domingues, do Globo Esporte:

Expulso de vôo, meia do Rio Branco-AC é multado em 30% do salário; jogador, que estaria embriagado, escapou de não ter o contrato rescindido


No último sábado, a delegação do Rio Branco-AC embarcou para o Mato Grosso, onde enfrentaria o Luverdense, pela Série C do Campeonato Brasileiro - a partida terminou com a vitória do time da casa por 5 a 2 -, mas não contava com um fato, no mínimo, inusitado.

Dentro do avião, o meia Rossini provocou um verdadeiro tumulto e, acusado de embriaguez, foi expulso do vôo pelos comissários de bordo, desfalcando o time na partida contra o Luverdense.

- Na hora do embarque, o Rossini chegou eufórico no avião, batendo no porta-malas e o pessoal da empresa achou melhor retirá-lo da aeronave - explica o presidente do Rio Branco, Natalino Xavier.

O dirigente não confirmou se Rossini estava mesmo embriagado, mas afirmou que o jogador já foi devidamente punido pela diretoria do Rio Branco-AC.

- Nós o multamos em 30% do salário. A essa altura do campeonato, não temos como rescindir o contrato de nenhum jogador. Então, ele já pediu desculpas e está tudo superado. Só espero que isso nunca mais volte a acontecer - declara o presidente da equipe acreana.

Apesar da derrota, o Rio Branco já está classificado para a próxima fase da Série C.

Informação adicional do blog: Na segunda-feira, na volta do elenco, um integrante da comissão técnica fez o vôo atrasar em Brasília cerca de uma hora por causa do agravamento de uma crise de vômito e diarréia após embarcar no avião. Um médico que estava a bordo e fez um pré-atendimento ao passageiro, disse que a suspeita era de malária. O doente não havia tomado as vacinas necessárias para aquela região.

A MALA DE GRAMPO

Confesso que não acreditei quando foi noticiado no Acre que o governo estadual havia adquirido uma maleta capaz de grampear telefone e que o equipamento estaria sob os cuidados do coronel Ruyter Duizit Colin, diretor geral de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública.

Confesso, ainda, não ter acreditado porque julguei que a existência de tal equipamento fosse mera ficção do noticiário. Agora dá para acreditar na existência desse tipo de coisa. Alan Gripp, repórter da Folha de S. Paulo, noticiou hoje que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) adquiriu ilegalmente maletas de interceptação telefônica.

Segundo a Folha, o ministro Nelson Jobim (Defesa) teria feito a revelação durante reunião de coordenação política do governo, anteontem à noite, no Palácio do Planalto. A informação foi decisiva para o afastamento do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, sacramentado logo após o encontro.

O equipamento, que custa US$ 500 mil, é capaz de realizar interceptações em celulares sem depender de operadoras telefônicas.

Como o coronel Ruyter Duizit Colin não costuma falar sobre o assunto, o melhor é que sejamos bastante comedidos ao telefone. Nada de falar mal do governo ou de quem integra o governo.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

TRAVESSIA INSEGURA


Esta é a imagem da faixa de travessia de pedestres mais movimentada de Rio Branco, no cruzamento das avenidas Brasil e Getúlio Vargas.

Nos últimos anos, a cidade mereceu intervenções que a deixaram civilizada, mas jamais instalaram sinal para orientar os pedestres que seguem pela Getúlio Vargas em direção à Praça da Revolução ou à sede da prefeitura.

A sociedade paga prefeito, vereadores e até engenheiros de trânsito, mas todos preferem ignorar uma situação que é um transtorno no cotidiano de quem percorre o centro da cidade. Para atravessar a Av. Brasil, o pedestre é obrigado a se orientar pela parada que fazem ônibus e automóveis.

Já expus o problema a vários petistas que comandam a prefeitura de Rio Branco e o governo do Acre. Em vão.

Nem mesmo o poderoso Aníbal Diniz, assessor do governador Binho Marques, foi capaz de convencer o diretor do Detran, Cesário Braga, a instalar semáforo para guiar os milhares de pedestres que atravessam diariamente a faixa.

Braga, que agora anda num carrão de luxo com vidro fumê, nem se dá conta de um problema que afeta a vida de quem anda a pé.

Algum candidato a prefeito já prometeu resolver esse problema no programa eleitoral?

Atualização às 9h25 - O blog sempre serve: Cesário Braga informa que foi realizada vistoria e constatada a necessidade de sinalização. Segundo Braga, como não existe equipamento para pronta-entrega na cidade, a compra do mesmo já está sendo providenciada em outra praça. Bem que a imprensa acreana poderia contribuir para melhorar a vida das pessoas, mas cada veículo é usado para barganhar a venda de alguma coisa junto ao Estado. Uns vendem remédios, opiniões, automóveis, obras, imóveis, serviços gráficos... E o governo prefere atendê-los no balcão das negociatas a sofrer alguma cobrança publicamente. Como diria o saudoso Zé Leite, crítica só se for a favor.

VIA VERDE

Fotos de Marcos Vicentti, captadas hoje, na Via Verde, em Rio Branco, para ilustrar o último "Boletim de Clima e Focos de Calor", da Secretaria de Meio Ambiente do Acre




- Foram detectados, ontem e hoje, focos de calor no oeste do Acre, com maior incidência nos municípios de Bujari, Brasiléia, Acrelândia, Plácido de Castro, Sena Madureira e Assis Brasil. Com relação às unidades territoriais, foi possível observar que, dos 32 focos, 23 foram em áreas particulares, 7 em projetos de assentamentos, um em área sem definição fundiária e um localizado em uma unidade de conservação. Não foram observadas chuvas no Estado.

MANHÃ DE FUMAÇA


Rio Branco nesta manhã: a imagem do encontro da fumaça resultante de queimadas de florestas e pastagens na Bolívia, Acre e demais estados da Amazônia. Clique na imagem.

DE NOVO, A SOJA TRANSGÊNICA

Marina Silva

José Lutzenberger, inesquecível pioneiro do movimento ecológico no Brasil, escreveu em 1999 um artigo na Gazeta Mercantil, no qual protestava contra o patenteamento de sementes e alertava para as conseqüências da introdução da semente transgênica Roundup Ready, ou RR, no Brasil.

A Einstein, dizia Lutzenberger, jamais teria ocorrido patentear sua idéias, assim como Watts e Crick, que desvendaram a estrutura molecular do código genético, "não tiveram a presunção de requerer patente para sua descoberta." Que monumental presunção, prosseguia Lutz, querer patentear gens, seres vivos, partes de seres vivos e processos vitais!

E no entanto, denunciava, empresas transnacionais que durante décadas condicionaram a agricultura ao uso exagerado e mesmo indiscriminado dos agrotóxicos, "preparam-se para arrebatar do produtor agrícola um dos últimos fatores do que lhe sobra de autonomia - a semente." Falava da "compra casada" - semente mais herbicida - a que o agricultor gaúcho era obrigado a se submeter, no momento em que a soja transgênica patenteada era introduzida no estado.

Lutz previa o monopólio global que vinha pela frente, com a compra das empresas independentes de sementes e a subordinação, cada vez mais grave, dos agricultores às transnacionais. O que pretendem, acusava, "é deixar sobreviver apenas as grandes monoculturas comerciais que dependem totalmente de seus insumos, cada vez mais caros, e que têm que entregar seus produtos a preços sempre mais manipulados".

José Lutzenberger morreu em 2002, aos 75 anos. Em 2003, sua perspicácia e combatividade fizeram falta quando se deu o auge da discussão sobre a expansão da soja transgênica no País. Naquela ocasião, como agora, defendíamos a necessidade de realização do processo de licenciamento ambiental, por três motivos básicos:

1) precaução diante de possíveis impactos danosos ao meio ambiente e à saúde humana, detectados pela pesquisa científica e relacionados à perda de biodiversidade, contaminação de solos e ocorrência de alergias;

2) garantia de condições para que o cultivo convencional não fosse contaminado pelas sementes transgênicas, permitindo ao Brasil aproveitar oportunidades de mercado como exportador de soja convencional, num quadro de restrições, sobretudo dos países europeus, ao produto transgênico;

3) o risco da dependência dos agricultores às empresas detentoras da patente.

Um dos argumentos pró-soja transgênica era o de que os custos da produção seriam pelo menos 30% menores do que os do cultivo tradicional. Pois bem. No final da safra 2007/2008, a Confederação Nacional da Agricultura concluiu que o custo da produção da soja RR no Mato Grosso foi maior do que a soja convencional. A principal razão foi o aumento no valor do herbicida, aquele da compra casada e do qual o agricultor não pode se livrar porque faz parte do pacote tecnológico da semente.

E uma notícia recente, publicada no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, dá conta de que a multinacional Monsanto decidiu aumentar em 16,67% o valor dos royalties que cobrará dos agricultores pelo uso de sua semente patenteada, na safra 2008/2009. Entidades de classe da agricultura gaúcha, tradicionais defensoras da liberação da soja transgênica criticaram a medida, inclusive por ter sido tomada "sem conversas com o setor".

E dos produtores que usarem sementes próprias será cobrada a taxa de 2% sobre o valor da saca vendida, a título de indenização à Monsanto por terem "usado indevidamente" a tecnologia patenteada ao multiplicar as sementes.

Ah, se Lutz estivesse vivo para ver a que ponto estava certo! Talvez seja um bom momento para voltar ao debate dos transgênicos, agora que a realidade mostra que nem sua principal justificativa para liberá-los - a de redução drástica de custos - era verdadeira.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

UMA PRÉVIA DO DIA DA AMAZÔNIA


Rio Branco, a capital do Acre, segue mais uma vez sob uma densa nuvem de fumaça desde o amanhecer. A temperatura nesta tarde chegou a atingir 35ºC, enquanto a umidade relativa era de apenas 34%.

Embora o Ministério Público tenha proibido queimadas de florestas e pastagens no Acre por 70 dias, aumenta a preocupação das autoridades com a possibilidade de agravamento das condições do ar por causa das queimadas na região.

Tradicionalmente, nos primeiros dias de setembro, é quando mais ocorrem queimadas na Amazônia, especialmente nos dias 5 (Dia da Amazônia) e 7 (Dia da Pátria).

Leia mais no Blog da Amazônia.

MANEJO DE FAUNA SILVESTRE

Começa hoje, em Rio Branco, o VIII Congresso Internacional sobre Manejo de Fauna Silvestre na Amazônia e América Latina, que terá como tema principal o Manejo e Monitoramento de Fauna Silvestre em Florestas Tropicais, com participantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Espanha, França, Itália, México, Peru, Reino Unido, Estados Unidos, Venezuela e Trinidad e Tobago.

O evento, realizado de dois em dois anos desde 1992, tem percorrido vários países da América Latina (Peru, Bolívia, Paraguai, Colômbia) e pela terceira vez vem ao Brasil. O Acre foi escolhido por causa da existência de um contexto político favorável à utilização racional dos recursos da floresta, que ainda busca alternativas ao consumo de animais silvestres com fins de subsistência, tão comuns na região, bem como a existência da caça ilegal, um problema crescente em toda região tropical.

Até a sexta-feira serão realizadas quatro palestras, oito mesas redondas (dois pesquisadores nacionais e dois internacionais) e 12 mini-cursos. Entre os pesquisadores de renome internacional estão Carlos Peres, Richard Bodmer e José Manuel Vieira Fragoso.

Peres publicou mais de 60 documentos sobre ecologia e conservação das florestas neotropicais. Em 1995 ele recebeu "o Prêmio Liderança Conservação da Biodiversidade", e em 2000 foi eleito um "Líder Ambientalista para o Novo Milénio" pela revista Time. Atualmente, é docente na Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e divide o seu tempo entre Norwich e pesquisas de campo na Amazônia brasileira.

Bodmer é membro do Durrell Institute of Conservation and Ecology - Departmento of Anthropologia da Universidade de Kent, na Inglaterra. É PHD pela Universidade Cambridge pesquisando as interações animal-planta amazônicos. Tem pós-doutorado no Museu Goeldi, com pesquisas sobre o uso sustentável de recursos naturais. Atualmente desenvolve pesquisas focadas na biologia da conservação e uso sustentável da fauna silvestre na Amazônia. Sua áreas de interesse também incluem diversidade de mamíferos tropicais, ecologia de mamíferos da Amazônia e sustentabilidade de caça nos trópicos.

Fragoso é PhD pela Universidade da Florida no Programa de Estudos em Conservação Tropical. Atualmente é Professor da Universidade do Hawaii. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada.

A Bolívia e o Peru possuem bastante experiência em manejo comunitário da fauna silvestre e o evento poderá servir para oportunidade de intercâmbio e para que o Acre possa consolidar sua estratégia. Os organizadores esperam que as informações geradas fortaleçam as discussões que tratam dos critérios de sustentabilidade do manejo florestal no Estado.

No Acre existem poucos estudos de fauna silvestre, embora o Estado seja reconhecido por sua elevada biodiversidade. Espera-se incentivar a vinda de profissionais e estudantes de outras regiões, cujos estudos contribuam para o desenvolvimento do Estado de forma sustentável.

Data: 1 a 5 de setembro

Local: FIRB/FAAO

Previsão de congressistas: 600 a 800 pessoas