sexta-feira, 7 de outubro de 2005
BEM-VINDO, ERMANO!
Sou jornalista e agora moro no Acre. Antes de chegar aqui sempre imaginei que o Governo acabava com a Amazônia.
Pelo contrário. Percebo, agora, que os dilaceradores estão mesmo entre o povo. Nunca vi tanta fumaça. Nunca vi tanto fogo. E não adianta só orientar que a prática de queimada é cultural, não é?!
Quando começou o fogo na Reserva Chico Mendes, o repórter cinematográfio Kennedy Santos e eu estávamos em Xapuri. Câmera na mão e microfone. Pegamos uma moto e fomos rumo ao inferno!
Passamos por pastos queimados, animais correndo das chamas e até por barreiras de fogo [incêndio dos dois lados da estrada]... Foi triste!
Encontramos muitos agricultores pelo caminho e muita reclamação de que "quem taca fogo é o pessoal que compra fazenda", diziam muitos.
Quando é que isso irá diminuir... Porque acabar não vai, infelizmente.
Bom, já ouvi falar sobre o seu trabalho, mas inda não tive a oportunidade de conhecê-lo. Mas seu trabalho é muito bom e importante.
Parabéns!
Thiago Ermano
Nota do blog: Seja bem-vindo, Thiago. O que você viu não vai diminuir, acredite. No decorrer de não sei quantos anos da ocupação humana, infelizmente, não sobrará nada dessa paisagem exuberante. Mas isso não é motivo para que nos tornemos pessimistas ou mensageiros da indolência. Precisamos resistir, sempre, para adiar o caos. Rio Branco é uma ova. A gente já se esbarra. Inté!
NA MÍDIA ITALIANA
Mandei a notícia daquela manifestação [contra as queimadas na Amazônia e a poluição do ar em Rio Branco] para alguns amigos e o seu artigo foi parar em alguns jornais da Itália. Veja seu artigo traduzido abaixo. Fico feliz pela força que estamos recebendo.
Um abraço
T+
Itamar Zanin e Evaristo De Lucca
Nota do blog: Valeu Itamar e Evaristo, o blog sempre serve. Fico feliz que a mídia italiana tenha aproveitado bem o material daquele dia fatídico. Vamos torcer para que na Amazônia, particularmente no Acre, seja diferente no próximo ano. Pena que os italianos tenham esquecido de citar a autoria de textos e fotos. Quem quiser ler sobre o Acre em italiano deve visitar o site Peace Reporter ou conferir diretamente em Odore Acre, A fuoco lento ou L'Amazzonia muore. Inté!
TIRE SUA CONCLUSÃO

Ao propor ao governador Jorge Viana que exonere o Secretário Extraordinário dos Povos Indígenas, Francisco Pinhanta, e indique Sebastião (Sabá) Alves Rodrigues Manchineri para substituí-lo, a Organização dos Povos Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (OPIN) omitiu fatos amplamente divulgados, em diferentes redes latino-americanas, e no site oficial (?) da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), durante uma verdadeira guerra que foi a preparação e a realização de dois congressos gerais da organização, um na Guiana Francesa e outro na Bolívia, em meados deste ano.
Sebastião Manchineri (primeiro na foto, da esquerda pra direita) é o ex-coordenador da COICA, acusado pelos atuais membros do conselho diretivo da entidade de nepotismo, corrupção e de fomentar a divisão do movimento indígena latino-americano. Ele é apresentado como um interessante caso de construção planejada de um "líder". Chega a ser acusado de se apresentar como um indígena, quando na realidade seria um mestiço. Manchineri é acusado, ainda, de usar uma vestimenta tradicional em suas aparições públicas e de difundir a imagem de xamã.
- Seus discursos são como clichês aprendidos, que vão sendo aperfeiçoados com o tempo. Às vezes,começa pedindo “permiso a los espíritus y los ancestros”, e outras vezes, suas frases têm pouco a ver com a sua pratica gerencial e política. Alguns oficiais da Cooperação Européia ficam impressionados com um discurso de um personagem que parece da novela o “ultimo de los Mohicanos” e crêem haver conhecido a alguém que encarna suas leituras sobre antropologia indígena. Tem falado muito contra os mestiços, o que resulta atentatório contra a identidade de seus próprios filhos, que são mestiços - observam seus adversários.
O correio eletrônico das organizações e das pessoas ligadas ao mundo indígena foram, desde maio de 2005, inundados de mensagens contraditórias, de ameaças, acusações, desmentidos etc. O tema central era o VII Congresso Geral da COICA. A única coisa que parece clara é que a COICA esteve a ponto de romper, e hoje luta para resgatar sua unidade. As perguntas são porque, quem foi responsável por essa ameaça de divisão e que interesse houve por trás disso.
- Estou tranqüilo. O site da COICA foi roubado e é de lá que tem partido todas as denúncias infundadas contra mim. Mas a organização segue sendo dirigida por Egberto Tabo Chipunavi. Meu pai é manchineri e minha mãe é não índia. Tenho orgulho disso, pois no meu povo a hereditariedade se dá pelo lado paterno - afirma Sebastião Manchineri.
É importante atentar que, formalmente, o atual presidente da COICA é Tony James, líder da Guiana, eleito no congresso oficial, realizado naquele país.
Perigo
Antes de sair para governar a COICA, Sabá ocupou cargos na União das Nações Indígenas do Acre e sul do Amazonas (UNI) e na Administração da Funai em Rio Branco. Nesses dois espaços, é acusado de ter promovido sistemáticas campanhas de divisão do movimento indígena. Junto com pessoas como Francisco Avelino Apurinã (Chico Preto) e Manoel Gomes Kaxinawá, encabeçou campanhas difamatórias contra o antropólogo Terri Aquino e o sertanista Antônio Macedo, a quem acusou de serem estupradores de índias, denegriu os trabalhos de outras organizações indígenas e indigenistas, loteou os Postos Indígenas da Funai no Acre com lideranças indígenas que acabavam de ser expulsas da UNI por canibalismos internos.
Há um ano, e ainda hoje, a UNI é um cadáver insepulto, à caça de quem vai bancar o prejuízo de mais de R$ 30 milhões, promover um enterro digno e silencioso e financiar a existência da OPIN, que na verdade é a UNI transgênica, pois as pessoas à frente dessa "nova" organização são na realidade as mesmas que tentam hoje dar as cartas na "renovação" do movimento indígena no Acre.
É nesse contexto que agora chegam as ameaças contidas em dois documentos tornados públicos pela OPIN em setembro, com a intenção de, primeiro, botar curto, difamar e encurralar o Governo do Estado, a nível local e nacional, e, depois, chamá-lo para o diálogo, fazendo exigências. A OPIN, contudo, é sucessora da UNI, hoje desacreditada no plano nacional e internacional, o que pode ser confirmado pelo cancelamento dos projetos e convênios que tinha junto ao PDPI, o PPTAL e a Funasa.
Acusado de ladrão no exterior, sem salário, Sebastião Manchineri veio ao Acre cheio de marra, confiando no desconhecimento alheio quanto à sua trajetória recente. Tentou conversar com políticos do PT, se colocando à disposição e falando na pretensão de ser candidato a deputado. Foi aconselhado a conversar com Francisco Pinhanta, que não lhe deu trela, cismado que pudesse querer sua cabeça e a SEPI, como está pleiteando agora.
Sabá e a OPIN, sem espaço e dinheiro, se tornaram um perigo. Vêm, então, os dois primeiros documentos públicos, contendo "umas em cheio e outras em vão", como costuma se dizer. São novamente apoiados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o PC do B, aliás, o partido que, após tanto lutar e se dizer dono dos índios acreanos, conseguiu ocupar e matar, no Acre, três organizações ao mesmo tempo: UNI, Funasa e Funai.
Os documentos são assinado por organizações satélites da própria OPIN. Usam, ainda, indevidamente e sem permissão, o nome de outras organizações. Misturam coisas que causaram a derrocada do movimento indígena, centralizado, no Acre, nos últimos anos: a política partidária, convênios com a Funasa, pautas nacionais trazidas pelo CIMI, dependência dos recursos e da legitimidade do governo estadual.
As pretensões de mudar a cabeça da SEPI são legítimas, sempre. Fazem parte do jogo democrático. Mas devem ser justificadas com argumentos decentes e densos. É o secretário que está promovendo a desarticulação do movimento indígena ou este caiu de podre, e hoje jaz, tal qual cadáver insepulto, à caça de quem o enterre dignamente e, com varinha de condão, dê mais algumas vidas a esse gato preto, hoje chamado OPIN?
Se a intenção é mudar o secretário, chame-se uma grande assembléia, ou várias discussões, envolvendo todas as organizações indígenas do Estado para se discutir o tema e se chegar a um nome de consenso. Por que, de forma centralizada e autoritária, nomear o desempregado Sabá?
Depois que voltou ao Acre, qual foi a prestação de contas que, como toda liderança deve fazer, Sabá realizou a respeito do seu trabalho na COICA? Quais foram as explicações que deu a respeito do fato de ter saído como ladrão e persona non grata? Que justificativas convincentes dá para a necessidade de mudança na SEPI, analisando os dois anos de existência desse órgão e de sua relação com o movimento indígena?
Que propostas inovadoras apresenta para sua candidatura e a renovação da SEPI? Querer ser secretário, pode, sem dúvida. Não pode é querer tomar de assalto, junto com um exército brancaleone de lideranças, que tudo têm a explicar a respeito do seu passado recente, tanto do ponto de vista individual quanto de quadrilha, na forma de UNI, hoje OPIN.
Político
O Francisco Pinhanta, secretário, pode ter suas falhas, claro, mas tem agido de forma transparente, na qualidade de "funcionário de estado", vestindo a camisa de um projeto de governo arquitetado por Jorge Viana e o Governo da Floresta.
É fundamental discordar de várias coisas sobre o atual governo. Mas é preciso jogar limpo, criticar de maneira justificada e propor soluções criativas para a melhoria dos processos democráticos de governo.
Sabá Manchineri é o velho PMDB do movimento indígena acreano: cargos, dinheiro e espaço político em jogo, críticas muitas e nenhuma proposta concreta de renovação ou de governo, assim como faz a oposição ao governador Jorge Viana, de olho na próxima eleição.
Ele conseguiu dividir o movimento indígena sul-americano, está de volta ao Acre e, como é de seu costume, trabalha novamente para dividir o movimento indígena acreano - e, de quebra, o próprio Governo da Floresta. O negócio é discutir a SEPI? Vamos nessa, então.
Conversei com Sabastião Manchineri ontem durante quatro horas. Como sempre, esbanjou segurança em suas palavras e argumentos. Documentos para justificar suas posições tampouco lhe faltarão. Vários desses documentos fez questão de deixar cópias em meu poder. É um político profissional, pronto para qualquer embate. "Aliados", com interesses próprios, também sempre há de encontrar.
Agora, para finalizar, clique aqui para conhecer a COICA ligada à Sebastião Manchineri. E quem quiser conhecer a COICA que o acusa de corrupção, nepotismo e divisão do movimento indígena, que clique em "Plan para destruir el Movimiento Indigena en la Region".
Tire sua conclusão.
quinta-feira, 6 de outubro de 2005
NISHI PAY DÁ GRANA
Leio no blog Alto das Estrelas, da antropóloga Bia Labate, o recado de autoria de Cecília Barros dando conta que meus amigos kaxinawá Banê Huni Kuin e Fabiano Yawabanê Huni Kui vão comandar um ritual xamânico com ayahuasca (nishi pay), em São Paulo, no dia 22 de outubro.
Os dois jovens índios cobram R$ 100,00 por pessoa e exigem que os interessados em participar do ritual se inscrevam com antecedência. Avisam que a programação é fechada e as vagas limitadas.
Banê e Fabiano são apresentados como conhecedores de sua cultura original, que vêm trabalhando na divulgação do pensamento e conhecimento tradicional do seu povo.
- Discípulos do importante pashuy (pajé) Mêtu Huni Kuin, netos do Shannêibu Sueiro Huni Kuin e filhos do líder Siã Huni Kuin, conhecido por sua luta em defesa do território e da soberania de seu povo - assinala a nota do blog.
Existe um recomendação incompleta para antes do ritual: uma alimentação leve e não consumir nenhum tipo de bebida alcoólica.
Na verdade, para o ritual com ayahuasca, o participante deve se abster de álcool e sexo, durante vários dias, antes e depois de tomar a bebida. Sem respeitar isso, passa mal e geralmente culpa nishi pay pela peia certa.
Fico com medo disso tudo, dos meninos fazendo meio de vida no meio dessa onda neoxamânica. Correm até o risco de a Polícia Federal aparecer por lá para ver qual é a do movimento.
Veja detalhes, como e-mail e telefones para inscrição, no blog Alto das Estrelas.
Comentário do líder indígena Joaquim Tashka Yawanawá:
"Saudações com todo respeito aos meus amigos Yube e Bane. Mas isto é uma aberração aos rituais sagrados do povo indígena que usa nossas bebidas sagradas para curar e se comunicar com o mundo espiritutal. Não conheço meus amigos como pajés ou estudantes de pajé. Aqui no Acre, conhecemos eles apenas como estudantes indígenas urbanos, de Rio Branco, que há muito tempo se desligaram de sua comunidade para se aventurarem nas cidades de pedras. Por favor, não façam isto e não nos envergonhem com essa onda "new age" do Sul do país e do mal uso de nossas bebidas sagradas visando lucro pessoal. Não manchem com tintas negra a memória e o ritual de nossos pajés verdadeiros. Abraço e saudações, Tashka".
OPIN PEDE MUDANÇA NA SEPI

A Organização dos Povos Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Opin) propôs ontem ao governador Jorge Viana a exoneração do secretário Extraordinário dos Povos Indígenas Francisco Pinhanta.
O índio Sebastião Manchineri (foto), 35, que conta com o apoio de 9 das 15 organizações que integram a Opin na região, foi indicado ao governador pela entidade para que seja nomeado em substituição a Pinhanta.
Em documento protocolado no gabinete de governo, a Opin também propôs que seja permitido ao índio Antônio Apurinã (PC do B) tomar posse como Senador da República no período de 2006 a 2010.
A posse dele é cobrada como cumprimento de acordo firmado entre os partidos da Frente Popular do Acre com o movimento indígena.
Apurinã é o segundo suplente da senadora licencida Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. Caso a reivindicação do movimento indígena seja atendida, ele substituiria o senador Sibá Machado.
A Opin também sugere que o governo estadual assuma o pagamento das dívidas da União das Nações Indígenas (UNI) do Acre. Segundo a entidade, essa teria sido uma promessa de Jorge Viana ao movimento indígena.
A entidade quer, ainda, que o governo interceda nos processos de penhora dos bens patrimoninais da UNI, organização mergulhada num escandaloso caso de desvio de verbas públicas federais.
Para entender a gravidade dos desmandos, leia o artigo "Corrupção une índios e brancos", que escrevi em agosto do ano passado.
O documento da Opin é assinado pelo diretor Manuel Gomes da Silva, da tribo kaxinawá. Ele manifesta a disposição de seguir apoiando o Governo da Floresta.
- Acreditamos que a nossa fortaleza é a nossa união, assim como desejamos que os espíritos sigam lhe protegendo [a Jorge Viana] e que sejam sábias as suas decisões.
Segundo o diretor da Opin, o governo estadual é capaz de resolver os graves problemas que assolam a população indígena.
- Para nós, a criação da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas significou um avanço fundamental nas relações entre o seu governo e os povos indígenas dessa região - assinala.
Porém, na avaliação do movimento indígena, após três anos, o que se constata é que os serviços sociais não têm chegado às aldeias.
- A administração da secretaria tem mantido uma política clientelista que privilegia determinado setor e exclui povos e organizações indígenas, o que contribui para gerar descrédito ao governo e instabilidade organizativa - afirma a Opin.
No documento, a Opin lembra que o compromisso com o Governo da Floresta levou a população indígena a participar de forma efetiva nas últimas campanhas eleitorais.
- No último pleito nos comprometemos a participar e colocamos nosso representante indígena como suplente da senadora Marina Silva, com a responsabilidade de que ele assumisse a cadeira no Senado no segundo mandato.
Perfil - Sebastião Manchineri é ex-dirigente da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).
Ele se tornou o primeiro brasileiro a dirigir a Coica, que é uma organização que congrega instituições indígenas no Peru, Guiana, Bolívia, Brasil, Equador, Venezuela, Guiana Francesa, Suriname e Colômbia.
O povo manchineri ocupa territórios da Bolívia, Peru e Brasil. Sabá Manchineri, como é conhecido, tem uma longa trajetória no movimento indígena.
Viveu na terra indígena Mamoadate até os 16 anos, no Acre, estudou em Rio Branco e depois foi trabalhar na UNI. Foi membro do Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil (Capoib), em Brasília. Convidado pela ONU, estudou em Genebra, na Suíça.
De volta ao Brasil, assumiu a chefia do Serviço de Assistência da Funai. Atualmente, é membro do conselho de administração da Mapkaha, que é a organização do povo manchineri.
quarta-feira, 5 de outubro de 2005
ÍNDIOS ASHANINKA

Encontro abre nova etapa nas relações de fronteira
Por Leandro Altheman (*)
Aconteceu em setembro, na aldeia Apiwtxa, no município de Marechal Thaumaturgo, o encontro de dezenas de lideranças indígenas e ribeirinhos do Brasil e Peru. Foi a quarta reunião do Grupo de Trabalho Transfronteiriço que desde o ano passado cumpre uma agenda paralela à agenda oficial entre os dois países.
O objetivo do GT Transfronteiriço é debater questões ambientais e indígenas na fronteira, para que o assunto não seja esquecido pelas autoridades. Além das lideranças indígenas, participam do GT representantes de ONGs, como a Comissão Pró-Índio do Acre, SOS Amazônia e WWF Brasil.
Há cerca de dois anos, os índios Ashaninka da aldeia Apiwtxa, no Rio Amônia, denunciam a invasão de madeireiras peruanas em suas terras em território brasileiro. Em 2002, o problema tomou proporções maiores, quando o avanço das madeireiras destruiu o habitat de índios isolados que vivem na região. Como conseqüência, os índios isolados, invadiram a terra ashaninka e atacaram com flechas membros da comunidade indígena.
Desde o trágico episódio, que resultou na morte de uma mulher da tribo, os ashaninka vem procurando chamar a atenção das autoridades brasileiras. Um dos resultados práticos foi o envio de um destacamento permanente do Exército para o Rio Amônia, a fim de fiscalizar o trafico de madeira ilegal.
Alem isso, operações conjuntas do Exército, Ibama e Policia Federal já conseguiram capturar cerca de trinta peruanos que atuavam ilegalmente no lado brasileiro da fronteira.
Mas o problema é bem mais complexo do que parece. Se no Brasil os ashaninka somam cerca de mil pessoas, no Peru a população desta etnia é estimada em até cem mil. Espalhados por vários departamentos, é no Ucaially que a situação dos ashaninka peruanos parece ser a mais grave.
Através de pressão, suborno ou mesmo convencimento, muitas lideranças indígenas aceitam que empresas madeireiras atuem dentro de seu território. Algumas lideranças deram um depoimento dramático durante o encontro.
O líder Edwin Valera, do Alto Rio Tamaia afirmou:
- Os jovens são recrutados para o serviço nas madereiras, para um trabalho de semi-escravidão. Nós não temos acesso à educação nem a saúde pública e a maioria dos índios é analfabeta. E assim, nossa floresta, junto com a vida comunitária, estão desaparecendo.
Até na vestimenta, o contraste entre os ashaninka é gritante. Enquanto alguns se vestem com as tradicionais "cuzmas", que tão bem os identificam, alguns usam as botas com as meias vestidas por cima das calças jeans, que caracterizam os empregados da indústria madeireira.
Segundo as lideranças, o pagamento para os índios é ínfimo: uma muda de roupa, ferramentas e comida. Apesar disso, romper com madeireiras parece quase impossível. Histórias de lideranças ameaçadas ou mesmo assassinadas foi o que mais se ouviu durante o encontro.
- A atuação das madeireiras na região do Ucaially não é apenas uma questão social, política e econômica, mas um problema criminal - explica Margot Quisper, da Defensoria Del Pueblo, o órgão que funciona de maneira semelhante ao nosso Ministério Público.
O órgão tem sido o desaguadouro de críticas e denúncias dos índios e de dezenas de comunidades mestiças que vivem na região de fronteira.
Margot edisse que existem diferentes situações na região do Ucaially, o que inclui madeireiras que possuem as concessões para atuar dentro da lei até madeireiras ilegais, que atuam mediante subornos e ameaças.
A maior parte dessas madeireiras também não é peruana. Em geral são empresas asiáticas ou norte-americanas que empregam os peruanos como mão-de-obra barata.
O maior sucesso dos ashaninka da Apiwtxa é que a comunidade vem implantando com sucesso novas experiências de desenvolvimento sustentável. Na década de 80 a comunidade vivia da criação de gado, mas decidiram optar por uma economia diversificada, baseada principalmente nos recursos da floresta e no artesanato.
A área onde antes era o pasto foi transformada numa agrofloresta, onde dezenas de espécies de árvores frutíferas crescem dando alimento para os 450 moradores da comunidade. No entanto, a "menina-dos-olhos" dos ashaninka da Apiwtxa parece ser mesmo a criação e manejo de quelônios.
O rio, antes farto de tracajás (espécie apreciada pela carne e pelos ovos) havia praticamente desaparecido. Hoje, o rio Amônia já começa a ser repovoado pelos ashaninka com os quelônios que criaram em cativeiro no último verão.
Durante o encontro, os ashaninka da Apiwtxa tentaram passar um pouco desta experiência para seus parentes peruanos.
- A experiência da Apiwtxa pode ajudar nossos parentes a encontrar uma forma melhor de viver, sem necessidade de destruir a floresta - disse Moisés Pianko, presidente da Associação Ashaninka do rio Amônia.
Os quatro dias de encontro na comunidade Apiwtxa resultaram num documento, com pontos em comum a serem defendidos dos dois lados da fronteira. Uma das premissas básicas do documento é que o limite entre os dois países seja respeitado.
Os outros pontos do documento tratam do fortalecimento do movimento indígena no Peru, a fim de que direitos básicos à cidadania, saúde, educação e, principalmente, o direito à terra sejam respeitados pelo governo peruano.
O documento deverá ser encaminhado à ONU e poderá resultar em implicações ao governo do departamento de Ucaially, onde se concentra a maior parte dos problemas. O que se espera é que as comunidades, indígenas ou não, possam viver em paz e com seus direitos assistidos nos dois lados da fronteira.
(*) Jornalista em Cruzeiro do Sul (AC)
SANGUE NO ASFALTO
Ele foi degolado e um branco também foi assassinado a pauladas pelos índios durante o conflito na região. Cinco pessoas ficaram feridas.
Mais informações podem ser obtidas no blog O Espírito da Coisa, do jornalita Toinho Alves.
Eis o relato do Cimi:
O indígena Alberto da Silva Katukina foi assassinado na tarde de domingo, 2 de outubro. O professor e liderança do povo Katukina que vive na terra indígena Katukina do Campinas, próxima à BR 364, no Acre, foi degolado. O conflito causou também o falecimento de um não-índio e mais cinco pessoas ficaram feridas.
Os conflitos nesta região do Acre, próxima à cidade de Cruzeiro do Sul, passaram a ser mais freqüentes depois da construção da BR-364, que corta a terra indígena, e depois da instalação de um assentamento.
Segundo explica a equipe local do Cimi, as divergências entre indígenas, assentados e fazendeiros da região não são novas, pois os não índios costumeiramente invadem a terra dos índios para a prática de caça. O problema já foi diversas vezes denunciado, mas nunca os órgãos federais tomaram providências.
O Cimi chama atenção a respeito das indenizações pelas obras da BR-364, que foram anunciadas mas não têm sido concretizadas, e assinala o total abandono da terra indígena do Campinas no que se refere às fiscalizações e o combate às invasões.
- Salientamos aqui que nas equipes de governo responsáveis pela execução das obras não há um único antropólogo ou alguém que tenha alguma formação específica para desempenhar o trabalho relacionado ao componente indígena - afirma a equipe local do Cimi no texto que segue abaixo.
Na noite de ontem, dia 4, os Katukina reuniram-se, em sua aldeia, o secretário Especial Indígena, o administrador regional da Funai e o advogado do órgão, Dr. Levi.
Os índios ameaçam retroceder no acordo firmado para a execução das obras por considerarem que o governo não vem cumprindo adequadamente com o que ficou estabelecido em audiência pública. A comunidade se encontra fragilizada e perseguida, agora de forma mais explícita, pelos antiindígenas
Há ainda um aspecto mais grave que está relacionado ao sentimento de vingança. A situação é tão grave que os indígenas preferiram sepultar o Alberto Katikina no cemitério público para não leva-lo à aldeia para que não fossem acirrados ainda mais os ânimos dos parentes mais próximos, pois o sentimento de perda é muito forte.
Fonte: Cimi
ÍNDIOS AMEÇAM FECHAR BR
1) Antecedentes:
O assentamento do Incra conhecido como Santa Luzia faz divisa com a terra indígena dos Katukina. Como os lotes ocupados pelos assentados tiveram como prioridade de investimento a formação de pastagem para a criação de gado, em toda a área não há animais que possam ser caçados, exceto na terra dos índios. Além do assentamento, toda a área em torno da terra indígena é formada por fazendas que têm como prioridade a criação de gado para o abate e comercialização na sede do município de Cruzeiro do Sul. O conflito com os parceleiros do Incra e com fazendeiros da região não é novo, pois estes costumeiramente invadem a terra dos índios para a prática de caça, o que sempre resulta em desentendimentos e, apesar das denúncias, providência nenhuma é tomada.
Com a pavimentação da BR 364, que corta a terra indígena dos Katukina do Campinas ao longo de seus 18 km de extensão, algumas medidas mitigadoras, emergenciais e indenizatórias foram estabelecidas a partir dos estudos de impacto ambiental elaborados na ocasião do licenciamento para as obras.Apenas algumas dessas medidas “emergenciais” foram realizadas, entre elas a construção de escolas, abertura de três açudes para a criação de peixes e um veículo Toyota Bandeirante. O auxílio real aos indígenas ainda é pequeno e está longe de representar uma indenização. Mesmo assim, para os não-índios da região, os pobres e igualmente abandonados, a propaganda tem sido muito grande no sentido de dizer que o Governo tem prestado toda sorte de assistência aos índios. Essa falsa assistência tem gerado grande ciúme entre os não-índios, que sempre tratara os indígenas com muito preconceito.
A situação piorou muito em razão de a BR ser uma porta de entrada à terra indígena e meio fácil de fuga dos diversos tipos de invasores. Por essas razões, os conflitos passaram a ser mais freqüentes e mais violentos.
Há cerca de três meses um grupo de caçadores não-indígenas, moradores do assentamento Santa Luzia, tiveram seus instrumentos de caça retidos pelos índios dentro da terra indígena. Foram liberados posteriormente, mas os Katukina disseram que não mais tolerariam a invasão de suas terras. Diante do fato de os Katukina reprimirem a caça, foram ameaçados no sentido de que quando fossem pegos fora da terra indígena pagariam por isso.
2) Do ocorrido no domingo:
No domingo, 2 de outubro, pela manhã, os Katukina se reuniram na aldeia para uma partida de futebol. Após o futebol, por volta das 10h30 da manhã, foram à casa do senhor Claudio Fidelis da Silva, proprietário de uma pequena localidade distante uns três quilômetros da terra indígena. Dirigiram-se a essa propriedade por que lá há um igarapé que forma uma pequena represa utilizada para banhos, conhecido como balneário.
Percebendo a chegada dos índios, alguns não-índios se dirigiram também ao mesmo balneário e se postaram em uma mesa próxima a dos índios sem no entanto, manterem contatos físicos e nem verbais. Segundo depoimento do próprio proprietário, os não-índios já chegaram ao local visivelmente embriagados, o mesmo não se dizia dos índios que vieram na Toyota da comunidade em total sobriedade. Durante a permanência no local os índios teriam bebido algumas cervejas compradas no próprio balneário.
Próximo às 18h00, Adriano Katukina, que dirigia a Toyota, percebendo o adiantado da hora, convidou os demais companheiros para retornarem à aldeia. A esse movimento de convite ao retorno, os não-índios que estavam observando a movimentação, saíram do balneário e se dirigiram à BR a cerca de 100m, onde ficaram à espreita dos índios que passariam por ali para voltarem à aldeia.
Assim, quando o veículo dos indígenas passava pelo local onde estavam, foi atingido por pedras e por uma garrafada que terminou por quebrar o vidro do lado do motorista atingindo Adriano que alguns metros à frente teve que parar o veículo. Assim que o veículo parou, os não índios vieram correndo em direção ao carro munidos de facas, facões, paus e outros. Todos os índios desceram e começou uma briga generalizada. Em depoimento à polícia, Sr. Cláudio, dono do comércio onde os grupos estavam, disse que ouviu um não-índio gritar: “já degolei um”, mas que não dava para ver pois já estava escuro. Reconheceu que não era índio pela forma de falar, pois os Katukina não são bons falantes do português. Alberto Katukina fora degolado e constam ainda duas perfurações por faca na altura da virilha e escoriações pelo corpo. Não há precisão na causa da morte do não-índio Francisco Jesus da Silva. Não se sabe se faleceu ao ser atingido pelo veículo ou por algum golpe de pau desferido contra sua cabeça. O fato é que os índios não estavam armados. Entraram novamente no carro e se dirigiram, no sentido contrário à aldeia, até um posto de saúde, já no município de Rodrigues Alves, onde os feridos foram atendidos. Ao retornarem foram presos e conduzidos à delegacia de Cruzeiro do Sul onde prestaram depoimento. Cinco indígenas e três não índios foram presos.
3) Conseqüências:
Ontem, os Katukina estão reuniram-se com o Secretário Especial Indígena, com a administração regional da Funai e o advogado da Funai, Dr. Levi. Os índios ameaçam retroceder no acordo firmado para a execução das obras por considerarem que o governo não vem cumprindo adequadamente com o que ficou estabelecido em audiência pública. A comunidade se encontra fragilizada e perseguida, agora de forma mais explícita, pelos antiindígenas. Há uma emissora de rádio FM local, de propriedade de um grande comerciante, que tem dado muita ênfase ao discurso antiindígena. Pregam que a estrada é progresso e que os índios são um empecilho a tal progresso.
Os índios afirmam que podem voltar a fechar a estrada por ser esta a única arma que dispõem no momento. Há ainda um aspecto mais grave que está relacionado ao sentimento de vingança. A situação é tão grave que preferiram sepultar o Alberto no cemitério público para não leva-lo à aldeia para que não fossem acirrados ainda mais os ânimos dos parentes mais próximos, pois o sentimento de perda é muito forte.
A situação que já não era boa piorou e pode piorar ainda mais se nada for feito para retirar a população que vive às margens da BR, índios e não-indios, do abandono em que se encontram.
terça-feira, 4 de outubro de 2005
O RECADO DO JOÃO
- Se as tônicas das relações interoposição continuarem sendo as da malandragem, da desconfiança, do arrivismo e da velhacaria ficará impossível construir uma unidade sólida e confiável em torno de temas que interessem e arrebatem a essência do povo acreano.
Malandragem, desconfiança, arrivismo, velhacaria...
Deixa ver se entendi direitinho: malandragem é grupo ou modo de vida de malandros, desconfiança é a qualidade de quem não se fia, arrivista é pessoa inescrupulosa, que quer vencer na vida a todo custo, e velhacaria é o mesmo que patifaria ou velhacada.
Oh Deus! Quer dizer então que na oposição acreana ainda existe isso tudo? Dá até pra imaginar o que pode acontecer caso cheguem ao poder.
Vou tomar outras doses de vacina do sapo kambô para reforçar minha defesa imunológica. E agradeço ao bom João pelo serviço de utilidade pública que prestou com o recado.
DONATO, TRUEBA E CAETANO

Acordei cedo, às 7h30, mas, à tarde, fiz uma coisa que dificilmente faço: tombei de sono e, quem diria, sonhei pela primeira vez com Caetano Veloso.
Ele estava em minha casa e conversamos sobre o Acre, basicamente. Quando contei que temos um amigo em comum, o compositor acreano João Donato, Caetano falou para uma assistente que o acompanhava:
- Anote aí: João Donato é genial e eu preciso falar com ele pra gente tratar de organizar uma série de shows e gravar discos.
Ao acordar mais tarde, falei com a jornalista Ivone Belém, amada e musa de João Donato, a quem contei o sonho. Ela estava com Donato e ele perguntou:
- Altino, você tomou ayahuasca hoje?
- Hoje não, João - respondi.
Foi bom porque fiquei sabendo o que aconteceu ontem na casa do compositor e pianista acreano, no Rio. Ele estava desalço das sandálias cor de rosa pink, para receber o cineasta espanhol Fernando Trueba, com um brunch nortista: suco de cupuaçu, açaí, guaraná, castanha-do-brasil, macaxeira e carne seca na mesa.
Trueba foi ao apartamento de Donato gravar depoimento para o documentário sobre a vida do pianista brasileiro Tenório Júnior, executado em 1976 pela repressão argentina. Foi nesse clima de relax que Trueba declarou seu amor à obra de Donato:
- "Muito à vontade" (*) é um dos melhores discos brasileiros, ouço muito - afirmou.
Sobre Tenório Júnior, com quem gravou na década de 70, Donato disse:
- O pianista tocava para acalmar quem ouve... e quem toca.
Em julho do ano passado, enquanto viajava pela Espanha, Donato foi convidado por Trueba para gravar um CD ao vivo no Calle 54, um dos principais clubes de jazz da Europa.
- O convite veio num dia e no outro já estávamos gravando - contou Donato.
- Antes do verão do próximo ano, vamos fazer o lançamento - assegurou o cineasta.
Fernando Trueba, que mostra no Festival de Cinema o documentário "O milagre do Candeal", filmado na Bahia e premiado na Espanha, contou que Carlinhos Brown não cansa de comentar que tem composições inéditas com Donato para a realização de um CD.
Os encontros iniciaram em Salvador, na casa de Bronw, e continuaram no Leblon, no apartamento de Donato, entre 2003 e 2004.
- O resultado são mais de dez músicas "com muito mugunzá baiano", conta Donato. O projeto de realização do CD foi apresentado ao Ministério da Cultura pela produtora brasiliense Calliandra.
João Donato continua esperando o sinal verde do governador Jorge Viana para vir ao Acre tornar realidade o sonho de compor a Rapsódia Acreana.
(*) Muito à vontade - Gravado em 1962 pela Philips e relançado em CD em 2004 pela Dubas, foi o primeiro disco em que Donato grava ao piano suas próprias composições. Elogiado pela crítica por conservar frescor e esbanjar modernidade, o CD traz a capa preferida de Donato: uma ilustração com o próprio em frente ao piano com um copo de refresco na mão e o pão de açúcar ao fundo. Donato gosta tanto dessa capa que a exibe ampliada num banner na sala de visitas/estúdio do seu apartamento.
ORDEM DA ESTRELA DO ACRE

Uma medalha da Ordem da Estrela do Acre, a mais alta condecoração concedida pelo Governo do Estado, teve a venda finalizada hoje no Mercado Livre.
Era uma estrela no grau de comendador, com fita, botão e complemento, no estojo original. Custava 300 riaus.
O chargista Gean Cabral, que desde a infância sonha com uma estrela dessas, andou interessado em comprá-la após algumas decepções com a estrelinha do PT.
- Essa peça é original? A quem pertenceu ou pertence? De que ano? Por favor, sou colecionador e gostaria de obter a maior informação possível. Se for original vou comprar - indagou Gean na mensagem que deixou para ao vendedor da Filatélica e Numismática Zeppelin.
- Adquirimos esta peça junto a uma coleção oriunda de Belém do Pará. Com certeza é original, mas não temos registros a quem foi concedida - foi a resposta.
Logo em seguida, o produto passou a figurar como venda finalizada". Gean Cabral nega que tenha adquirido a peça.
Embora a Estrela do Acre já tenha sido concedida a ratos e gatos, uma coisa é certa: atualmente, o governador Jorge Viana é capaz de mandar pro paredón quem brinca com os símbolos acreanos.
segunda-feira, 3 de outubro de 2005
MARINA SILVA NO FOGO

Ministra anuncia plano para recuperar
áreas de proteção legal atingidas pelo fogo
Sobrevoa áreas de florestas incendiadas e reafirma
compromisso com exploração sustentável da Amazônia
Após sobrevoar hoje a Reserva Extrativista Chico Mendes, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou que, em parceria com o governador Jorge Viana, vai elaborar um plano de recuperação das áreas de proteção legal que foram atingidas pelas queimadas no Acre.
- Está sendo doloroso para mim ver o Acre pegando fogo - afirmou a ministra.
A preocupação do plano é impedir que se confirmem as suspeitas de que fazendeiros e pequenos agricultores tenham se aproveitado da longa estiagem na região para ampliar suas pastagens ou roçados com a queima das áreas de proteção legal.
Ao manifestar apoio ao plano, o governador Jorge Viana disse que a fiscalização estadual e federal agirão com rigor e recorrerão às tecnologias disponíveis, sobretudo imagens de satélite, para incentivar a regeneração de florestas nas áreas de preservação legal.
Marina Silva defendeu a necessidade de que se estabeleça um “trabalho estruturante”, que desenvolva agropecuária sustentável, sem recorrer ao fogo como forma de renovação de pastagem ou de formação de roçados.
- Junto com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, nós já estamos trabalhando com um programa de agricultura sustentável, destinado ao atendimento das áreas que já foram devastadas ao mesmo tempo que lutamos pela aprovação do projeto de gestão de floresta pública para as áreas florestais - assinalou a ministra.
Revista Veja
A informação da revista Veja desta semana, segundo a qual um terço da Reserva Extrativista Chico Mendes teria sido torrada pelo fogo, causou perplexidade à ministra Marina Silva e ao governador Jorge Viana.
A revista não citou quem fez o cálculo nem como chegou a essa estimativa de destruição. Como a reserva mede 1 milhão de hectares, um terço corresponde a mais de 300 mil hectares.
- Eu gostaria de aprender com a reportagem de Veja a fazer um cálculo desses, tão rapidamente - ironizou o pesquisador Foster Brown, da Universidade Federal do Acre.
A estimativa de quanto queimou em todo o Acre, particularmente na Reserva Extrativista Chico Mendes, ainda está sendo calculada pelos governos federal e estadual, com auxílio de pesquisadores de várias instituições.
O diretor nacional de política de meio ambiente do Ibama, Flávio Montiel, disse que se for para fazer estimativa na base do “chutômetro”, como fez a revista, poderia arriscar o palpite de que foi mais ou menos 10% de florestas e pastagens em todo o Acre.
- Mas isso não tem base, assim como não tem base o cálculo da Veja. É preciso esperar - recomendou Montiel.
O ex-sindicalista e ex-prefeito de Xapuri, Júlio Barbosa, afirmou que mais de 200 estradas de seringa destruídas pelo fogo, sendo que 18 seringais na região foram atingidos. Apenas dois desses seringais não na área da Reserva Extrativista Chico Mendes.
A ministra Marina Silva e o governador Jorge Viana ouviram relatos de lideranças sindicais e colonos da região, que sofreram danos variados com as queimadas.
- Nós temos que evitar o surgimento da indústria das queimadas no Acre - alertou a ministra.
Marina Silva considerou grave o intenso processo de conversão de floresta em pastagem dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes.
- Sabemos que existem pessoas que já ultrapassaram o limite legal de 10% - observou, expondo o desafio para que os envolvidos na questão encarem o problema em busca de solução para deter esse processo.
Lideranças do movimento social entregaram à ministra um documento no qual destacam que o descaso do governo federal tem agravado a situação dos órgãos ambientais, sobretudo do Ibama.
- Esse sucateamento tem se revertido, neste ano, em queimadas e desmatamento, inicialmente do Cerrado e agora da Amazônia - afirma o documento.
Durante reunião com instituições que integram o Comitê do Fogo, Marina Silva anunciou, ainda, a decisão de manter no Estado todo o aparato de combate às queimadas.
A ministra retornou para Brasília, à noite, porque terá que defender na terça-feira projeto de concessão de florestas públicas, que está sendo debatido no Senado Federal.
Clique aqui para ver as fotos da visita da ministra do Meio Ambiente Marina Silva à Reserva Extrativista Chico Mendes, acompanhada do governador Jorge Viana. Crédito das fotos: Sérgio Valle e Altino Machado.
SEM MANIÇOBA
Resolvi te contactar fora da lista, pois minha intenção é apenas charlar, como se diz aqui nos pagos, e não vejo razão alguma para opinar sobre teus mais recentes comentários na rede.
Apenas me deu curiosidade, e meu foco não é imprensa, neste momento. Eu trabalho com movimentos ambientalistas há anos que perdi de conta, e sempre vi gente interessadíssima pelo destino da Amazônia, e numa luta nem um pouco "imperialista" ou com "visão sulista".
Nessa categoria incluo Magda Renner, José Lutzenberger e até mesmo integrantes da Sociedade dos Amigos da Amazônia Brasileira - te soa familiar?
Eu no ano passado publiquei a biografia de José Lutzenberger, que era um apaixonado pela Amazônia e tem textos interessantíssimos sobre este precioso bioma, sua gente e sua preservação. Terei prazer em te enviar, caso te interesses.
Felicidades pelo aniversário da filha, mas esse teu cozido eu acho que não engulo, não!
Grande abraço,
Lilian Dreyer
Porto Alegre (RS)
QUESTÕES À VEJA
"Aproveitando a discussão a respeito da competência da mídia na cobertura sobre a Amazônia, gostaria de saber o seguinte:
1) Se o Acre é o "coração da maior bacia hidrográfica do mundo". Seria importante ouvir algum geógrafo ou geólogo, pois esse tipo de "mito" é muito surrado, e vemos o "coração da Amazônia" em dezenas de matérias, a cada texto localizado num lugar diferente. Pode ser ruim generalizar assim se queremos retratar a "realidade" amazônica para o resto do país;
2) Se não seria importante dizer que a maioria das grandes cidades amazônicas tem problemas sérios de distribuição de água, e todas situam-se perto de grandes rios;
3) Como o repórter ou o editor da matéria definem "caboclo" (sétima linha abaixo da foto), palavra vista como preconceituosa em alguns lugares. Penso que trata-se de potencial fonte de interpretações pejorativas ao ser lida pelo pessoal do Sul, onde vive a maioria do público da Veja;
4) O porquê de nenhum "caboclo" ter sido entrevistado, mas sim um "pecuarista", além do presidente da Federação de Agricultura do Estado (o tipo de personagem frequentemente apontado como causador de queimadas por ambientalistas);
5) Por fim, uma dúvida: de onde veio a madeira de lei da "reserva privada" do citado pecuarista?"
RESERVA CHICO MENDES
A reserva Chico Mende mede 1 milhão de hectares. Caso a informação da revista esteja correta, estamos diante de uma tragédia ambiental mais grave do que se imaginava, pois um terço da área equivale a 300 mil hectares de florestas.
O que dirão o Instituto de Meio Ambiente do Acre e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que já está em Rio Branco, para acompanhar o trabalho das equipes dos governos federal e estadual que combatem queimadas no Estado?
domingo, 2 de outubro de 2005
LETÍCIA MAMED
Acho que até já nos esbarramos algumas vezes pelos blogs acreanos, mas nunca trocamos mensagens diretamente. Esta é a primeira, e com grande satisfação.
Embora estando fora de Rio Branco, do Acre, já há alguns meses, seria impossível não acompanhar o cenário de barbárie ambiental que se acirra nesta região.
Na última semana, um aluno meu do curso de jornalismo, aqui no Paraná, levou para debate em sala de aula a questão das queimadas na Amazônia, recolocando a discussão sobre a política de desenvolvimento sustentável.
O ponto de partida do aluno foi o seu artigo no Observatório da Imprensa, que o pessoal engajado do jornalismo acompanha com atenção.
Como a turma sabe que sou acreana e, principalmente, venho me dedicando às pesquisas sobre a Amazônia, todos viram em mim a “porta-voz” para explicar o que acontece hoje na região. O debate foi ótimo, afinal, pouco ainda se sabe a respeito do contexto amazônico e das suas particularidades, conforme você bem indicou no seu texto.
Mas concordo plenamente com a posição do professor Mário José de Lima. O fato desse desconhecimento sobre a Amazônia, dessa ausência de cobertura da imprensa sobre o quadro sócio-ambiental da região, não é fruto de um descaso ou desinteresse subjetivista da sociedade do Centro-Sul ou da grande imprensa brasileira.
Na verdade, isso tem uma base concreta de explicação: isso ocorre exatamente porque o processo de avanço da ocupação econômica, logo, da degradação ambiental, para garantir sua continuidade, precisa ser mantido encoberto, e assim, cultivar uma legitimação, se não direta, pelo menos indireta, ao seu curso.
Como sugere o professor, é inegável que os governos da Amazônia estão capturados pelos interesses do empresariado da fumaça, e este é o centro da questão. Nossa crítica deve começar a questionar os próprios governos regionais em relação aos procedimentos e condutas por eles adotados nesse processo e, naturalmente, a força da nossa articulação política exigirá a devida atenção da sociedade e da mídia.
Como entender, por exemplo, a surpresa brasileira (e acreana) com a repercussão internacional do assassinato de Chico Mendes? Não seria exagero dizer que a burguesia nacional começou a despertar para a seriedade da questão ambiental no Brasil quando o Banco Mundial, pressionado pelas organizações não-governamentais dos países do Norte e diante do inegável desastre de projetos de desenvolvimento que vinha financiando, passou a bloquear alguns empréstimos.
Foi preciso, em suma, que a devastação da floresta amazônica e o lamentável tratamento da questão indígena fossem contestados em instituições financeiras internacionais para que internamente as frações burguesas condutoras da nossa política institucional principiassem a perceber a existência de um problema.
Hoje, o problema vem se acirrando cada vez mais e tentar ignorá-lo, como ainda tenta o nosso Governo da Floresta, é ficar na contramão da história.
Medidas paliativas, atos meramente institucionais, tentativas de culpabilização de outros governos pelo problema, além de inócuas campanhas publicitárias, tudo isso tem demonstrado uma ação absolutamente limitada ante o aprofundamento da crise social e ambiental.
Evidentemente, o exercício da crítica na sociedade em que vivemos é algo constantemente tolhido e reprimido, mas este é o nosso grande desafio.
Atenciosamente,
Letícia Mamed, de Londrina (PR).
Nota do blog: Existe uma comida típica do Pará, a maniçoba, que é deliciosa, mas de aparência torpe. Parece uma feijoada na qual se substituiu o feijão por cocô de boi. Não sei se você acha maniçoba tão repugnante quanto achei quando a vi pela primeira vez e não tive coragem de experimentá-la. Pra quem não conhece: a maniçoba é feita de maniva moída e cozida durante oito dias. Depois a gente adiciona sal e ingredientes a gosto: carne assada, charque, toucinho branco, toucinho defumado, costela defumada, bucho, orelha, chouriço, paio etc. E é necessário cozinhar todas essa mistureba por mais dois dias. Andei debatendo sobre essas questões durante a semana e chegue à seguinte conclusão: jornalismo é feito maniçoba: quanto mais ferve e cozinha, mais delicioso fica. Letícia, já faz um tempo que gostaria de obter seu e-mail. Envia para altinoma@uol.com.br. Agradeço sua manifestação. Inté!
DUAS PIADAS

O anúncio acima foi publicado ne edição de hoje do jornal A Tribuna. Interessado na proposta? Visite o site do PHS.
Um dos princípios básicos do partido "é a pessoa humana, criada por Deus e considerada nas suas inalienáveis dignidade e liberdade".
Não bastasse o anúncio, o jornal Página 20, que se declara mensageiro da florestania, publica como material especial o enfadonho artigo "Amazônia, cobiça e ingenuidade", do coronel Hiram Reis e Silva.
Segue a linha obtusa e reacionária alimentada por militares sobre a região. O artigo foi copiado de alguma das páginas mantidas na web por militares, conforme pode ser conferido no Google.
Nas sofríveis edições dominicais dos jornais do Acre se aplica a enxertia de qualquer coisa para evitar que suas páginas amanheçam em branco.
sábado, 1 de outubro de 2005
FUMAÇA DO CABOCLO DOIDO
Tenho acompanhado pela imprensa a mais uma temporada de queimadas no Acre. Não fosse acreano e, além disso, não tivesse vivivo a maior parte da idade que tenho no Acre, certamente teria formado uma opinião diferente sobre as raízes do fumaceiro.
A matéria da Veja, reproduzida [abaixo] no Blog do Altino, é exemplar quanto à confusão que vai se criando. Como indicado pelo Altino, a forma ligeira do tratamento do tempo, começa pela redundância no título.
Alguém que tivesse lido alguma coisa sobre esse "lado de cima do mapa" do país saberia que a expressão "inferno verde" foi cunhada pretendendo dar conta da vida na Amazônia, ou melhor, do viver nas florestas da Amazônia.
A coisa complica-se em outros pontos. Segundo texto da Veja, "as florestas, esturricadas pelo sol, têm incêndios diários, que levaram o estado a apresentar níveis de poluição três vezes maiores do que o tolerado pelas organizações internacionais."
A questão é fundamentalmente climática: falta d'água. Não existem agentes provocadores dos incêndios e quando surgem é da boca de um pecuarista: "o pecuarista Luiz Augusto Ribeiro do Valle lutou por dez dias contra o fogo de uma queimada originada por um caboclo que preparava carvão".
Pois é: um caboclo doido fazendo carvão ateou fogo na floresta e nas pastagens secas.
Para a matéria, o fenômeno das friagem resultam de "frentes frias oriundas da Argentina". Um pouco mais de pesquisa em algum manual escolar teria informado que a origem das frentes frias "é mais embaixo".
Cheguei a ficar preocupado com uma notícia do blog Ambiente Acreano, falando das pesquisas da doutora Elsa Mendoza. Nós, que vivemos na Amazônia, sabemos desde há muito tempo, que o fogo tem pouco ou nenhuma importância no processo de renovação florestal, ao contrário das florestas ao Norte, em regiões tais como as do Canadá.
Sem qualquer crítica aos interesses científicos da doutora Elsa, preocupou-me o fenômeno das "queimadas naturais" - possíveis em florestas com baixos níveis de umidade passarem a compor o quadro das causas dos incêndios atuais no Acre.
Acredito que devemos deixar muito claro quais as principais, se não únicas, fontes do fogo que destrói a floresta e mata crianças, adultos e velhos sufocados em nossas cidades. É preciso deixar claro que esses eventos compõem o quadro da ocupação econômica da região.
(*) Mário Lima é acreano e professor de economia na PUC de São Paulo
Nota do blog: Mário, existe um problema que o poder público e a sociedade acreana terão que encarar dia menos dia: o represamento das águas dos mananciais do Rio Acre para criação de peixe pelos fazendeiros, que foram os responsáveis pela devastação das matas ciliares. No ano passado, por exemplo, quando alguns fazendeiros decidiram sangrar açudes para retirarem o peixe, causaram uma grave enchente no Igarapé S. Francisco. Milhares de lençóis d'agua causam impacto ambiental, mas aumentam impunemente durante cada estiagem na região. A desertificação ameaça nos matar de sede. Os fazendeiros poderão sobreviver com suas represas.
INFERNO VERDE NA SELVA
Está faltando água no Acre, em
pleno coração da maior bacia
hidrográfica do mundo
Leonardo Coutinho
| Fotos Odair Leal | |
2004 | 2005 ...e, na semana passada, no auge da seca, 12 metros abaixo |
Na região que guarda 20% de toda a água doce do planeta está ocorrendo um dos fenômenos climáticos mais severos registrados desde quando se iniciou o monitoramento meteorológico no Acre. Nas últimas quatro décadas, os acreanos jamais enfrentaram seca tão intensa. Antes disso, havia pouca gente para testemunhar, sentir ou ajudar a piorar os efeitos de uma estiagem tão grave. A população da capital multiplicou-se por cinco nesse período. Já são quatro meses praticamente sem chuva. Em agosto, o índice pluviométrico ficou próximo de zero. Em anos de clima normal, a média é de 40 litros por metro quadrado. No mês passado também choveu muito menos do que o esperado. O Rio Acre, o principal curso de água e fonte de abastecimento para os 255.000 habitantes de Rio Branco, está mais de 12 metros abaixo de seu nível regular. Com 1,6 metro de profundidade, praticamente desapareceu. A navegação parou. O racionamento de água já dura três meses. Poços artesianos também estão secando. Os mais pobres, moradores da periferia, estão cavando cacimbas na floresta e caminhando até trinta minutos com baldes de água barrenta nas mãos.
Ao drama da falta de água se sobrepõe a fumaça. As florestas, esturricadas pelo sol, têm incêndios diários, que levaram o estado a apresentar níveis de poluição três vezes maiores do que o tolerado pelas organizações internacionais. Nos últimos quatro meses, registraram-se mais queimadas do que durante todo o ano passado. Estudantes vão à escola usando máscara para não respirar fuligem. O ar seco e a água contaminada favorecem a disseminação de vírus. Onze crianças com menos de 5 anos morreram. A visibilidade chega a ser inferior a 300 metros, o aeroporto fecha com freqüência e o sol pode ser olhado de frente, obstruído por uma cortina cinzenta.
| Antonio Milena |
| Alunos em escola da capital: máscara para se proteger da fumaça |
Fora das cidades, sofrem os fazendeiros e os seringueiros. Em Xapuri, o fogo torrou um terço da Reserva Extrativista Chico Mendes. Centenas de seringueiras morreram ou deixarão de produzir látex, enfraquecidas pelas chamas. Perto da capital, o pecuarista Luiz Augusto Ribeiro do Valle lutou por dez dias contra o fogo de uma queimada originada por um caboclo que preparava carvão a quilômetros de sua propriedade. "Foi um pesadelo", lembra Valle, que perdeu 4.000 metros de cerca, madeira de lei de sua reserva privada e mais de 500 hectares de pasto. "Muitos terão prejuízos", afirma o presidente da Federação da Agricultura do Estado, Assuero Veronez. Plantações inteiras de pupunha, café e banana foram arrasadas. Veronez prevê uma queda na produção estadual de carne de até 10% e aumento da inadimplência dos agricultores nos bancos.
Análises de um grupo de cientistas coordenados pelo cubano Alejandro Fonseca Duarte, professor do departamento de ciências da natureza da Universidade Federal do Acre, mostram que as secas e as queimadas formam um ciclo vicioso. Folhas secas e baixa umidade aumentam a inflamabilidade das florestas. Quando elas queimam, as micropartículas de fuligem emitidas no incêndio interferem na composição das nuvens e pioram as condições para a formação de chuvas. Esse processo impede as gotas de alcançar o peso necessário para cair. A umidade acaba transportada pelo vento para outros lugares. Em resumo, quanto mais fumaça, menos chuva; quanto menos chuva, mais fumaça. "Se esse ciclo não fosse interrompido pelas frentes frias que vêm do sul do país, o Acre se transformaria em um deserto", diz Fonseca Duarte.
As chuvas devem reaparecer neste mês, mas podem se atrasar, na avaliação do climatologista José Antonio Marengo, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Marengo não vê relação entre o fenômeno acreano e as mudanças climáticas globais. Por enquanto. "A seca é um evento natural cíclico, que pode ter sido ampliado pela presença do homem na região", explica. "Não é provável que se torne uma situação regular." Na segunda-feira passada, uma massa de ar frio originada na Argentina chegou ao Acre. A friagem, como são chamadas as frentes, provocou chuva por algumas horas. A precipitação serviu para aumentar a umidade, apagar muitas queimadas, mas não melhorou a falta de água. A chuva só aumentou em 2 centímetros o nível do rio.Fonte: Revista Veja
Nota do blog: Diferente do que informa a legenda, a foto de 2004 mostra o Rio Acre quase no auge de sua cheia. Aquele não é seu nível normal. O título "Inferno verde na selva" é da Veja mesmo. Soa redundante, não explica nada e põe mais lenha na confusão do fumaceiro.
