quinta-feira, 21 de março de 2013

FLORINDO, O PENSADOR

De dentro de BMW conversível, o ex-presidente da OAB-AC, Florindo Poersch, filosofa no Facebook sobre a pobreza de Rio Branco 


- Domingo, vendo a cheia do Rio Acre, penso: "Pena que por trás da beleza da natureza, escondem-se, quase sempre, as tragédias das alagações, sendo vítimas, em sua maioria, pessoas pobres, moradores da periferia de Rio Branco".

Pronto: agora todos sabem que o advogado é dono de uma BMW branca, conversível.

DEUS E O DIABO

POR ITAAN ARRUDA

As fotos românticas do comércio na rua Cunha Matos (atual Eduardo Assmar) da década dos 30 já expõem como começamos errada a ocupação às margens do Rio Acre. Não é julgamento. É constatação. De lá pra cá, todos sabem, a coisa foi piorando.

O professor de Geografia mais modesto até o pós-doutor da Ufac já têm pronto o argumento sobre a “ocupação racional dos espaços urbanos”; “preservação das matas ciliares”; “planejamento urbano” etc. etc. É importante referenciar o ambiente para poder entender qual a lógica, talvez “técnica”, por traz do projeto Cidade do Povo.

Ora, sempre se soube que era preciso retirar das margens dos rios as famílias pobres e extremamente pobres, atingidas pela alagação todos os anos; que o local onde ergueram casas, comércios, pequenos roçados era, na verdade, para existir floresta. Pois bem. Por esse aspecto, o projeto Cidade do Povo precisa ser defendido.

E o Governo e Prefeitura não são os mais autorizados a passar pito em ninguém. Há vários aparelhos públicos construídos nessas áreas inadequadas. Mas, o fato é que a situação está posta.

É preciso tornar o rio, portanto, o mais defendido possível por mata. Para isso é preciso deslocar milhares de famílias para outra região. A necessidade dessa “migração” forçada na “mancha urbana” parece ser consenso. A polêmica, no entanto, não trata da pertinência do projeto.

Para ser generalista, o ponto nevrálgico guarda relação com o lugar escolhido para a execução do empreendimento. E isso está longe de ser um aspecto desprezível. A área pertencia à Wilson Barbosa e foi comprada pelo Governo.

O Ministério Público entrou com duas ações civis pública exigindo a elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental mais consistentes. A Justiça negou a ação em primeira instância por duas vezes.

A vereadora Eliane Sinhasique (PMDB) também tem dado várias declarações sobre a inadequação do local escolhido, inclusive mostrando os problemas que apresentam outros projetos habitacionais recentemente entregues pelo governo.

Que as declarações da vereadora são recheadas de ideologia e “política”, ninguém é ingênuo de negar. Mas, a diferença é que as declarações dela são acompanhadas por fotos. Reais. A exigência do MP também é legítima, mas ignorada. Não é preciso muita inteligência para perceber que nem a vereadora e nem os quatro promotores que assinam a ACP “são contra as casas para o povo”. Não há sentido nisso.

A frase proferida na assinatura dos contratos na última segunda-feira alertando que “muitos vão rezar 24 horas por dia para esse empreendimento fracassar” é de um maniqueísmo absurdo. É o velho raciocínio de que “o bem está representado nos meus argumentos e o inferno são os outros”.

A estratégia cínica de rotular qualquer questionamento ao projeto como “ser contra a dar casas para o povo” não responde ao bom republicanismo. O problema de fundo é que o tempo republicano nem sempre se harmoniza com o tempo exigido pela política e o calendário eleitoral. Aí, já são outros barrancos.

Itaan Arruda é jornalista da Gazeta

quarta-feira, 20 de março de 2013

ENTROU PELO CANO

Cobra entala no cabo de carro de mão 

terça-feira, 19 de março de 2013

NOITE

POLÊMICA NA "CIDADE DO POVO"

Quando li, no Facebook, escrito por Ludmilla Santos, assessora de imprensa da Secretaria de Habitação do Acre, fiquei sem entender o que segue:

- O site ac24h trabalha incessantemente para distorcer informações e tentar denegrir a imagem dos gestores públicos e do governador Tião Viana. Prova viva de um "jornalismo" sem ética e sem comprometimento com a verdade. Infelizmente temos que encarar esse tipo de mídia, "culpa" da facilidade da inclusão digital!

Agora, leio no AC 24 Horas: "Secretário de habitação do Acre contraria Sebastião Viana sobre prazo de entrega das casas do projeto Cidade do Povo".


A manifestação da assessora do secretário Aurélio Cruz soa preconceituosa. Ela poderia ter contestado o site e explicado o que o secretário declarou.
 
Mas é assim que assessores do governo do Acre pensam e escrevem, embora sejam ocupantes de cargo público.

Consultada, Ludmilla Santos respondeu:

- Uma nota de esclarecimento está sendo providenciada e será enviada ao site e você vai poder entender melhor o meu "desabafo".

O POVO PAGA A CONTA

Você paga impostos? Paga Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), por exemplo?

As empresas concessionárias de transporte público de Rio Branco sonegam ISS há quatro anos e devem mais de R$ 6 milhões à Prefeitura de Rio Branco.

Por causa do débito, o  que fez o prefeito Marcus Alexandre (PT)?

O prefeito encaminhou à Câmara Municipal, nesta terça-feira, o projeto de lei que subvenciona e reduz a R$ 1,00 o valor da passagem de ônibus urbano para estudantes.

Pelo menos 50 mil alunos do ensino fundamental, médio e superior serão diretamente beneficiados com a medida.


Atualmente, os estudantes pagam 50% do valor normal, desembolsando R$ 1,20 por passagem.

O projeto pretende utilizar dívidas de cerca de R$ 6 milhões que as empresas acumulam na prefeitura há quatro anos.


O valor refere-se ao não pagamento do ISS incidente sobre  a operação das concessionárias.

Portanto, é o povo que paga a conta e não as empresas e a prefeitura.

segunda-feira, 18 de março de 2013

MINISTRO BINHO MARQUES


O ex-governador do Acre, Binho Marques, é o ministro da Educação em exercício. Nesta segunda-feira, ele reconduziu ao cargo a reitora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Miriam de Costa Oliveira.

Por que o trabalho de Binho Marques segue sendo ignorado pelo governo estadual e sua Agência de Notícias do Acre? Leia mais.

HAITIANOS EM BRASILÉIA

Mais de 700 imigrantes do Haiti e países africanos em abrigo precário na fronteira

Abrigados precariamente  num galpão no município de Brasiléia (AC), na fronteira com a Bolívia, mais de 700 haitianos, incluindo 120 mulheres e crianças, aguardam documentação para que possam partir em busca de trabalho em outras regiões do Brasil. O grupo também inclui imigrantes do Senagal (14),  República Dominicana (7), Nigéria (2)  e Bangladesh (1).

Com auxílio do governo federal, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre (Sejudh) gasta diariamente R$ 9 mil com alimentação dos imigrantes. A partir de dados de CPFs emitidos pela Polícia Federal, no período de 2010 a 2011, Brasiléia recebeu 1.599 haitianos, que foram viver em outras regiões do país.

Este ano, entre janeiro e 15 de março, já foram emitidos 1,8 mil CPFs para haitianos. Uma equipe da PF expede diariamente apenas 10 CPFs, mas existem 400 imigrantes esperando o documento, incluindo haitianos e quem veio do Senagal, Nigéria, República Dominicana e Bangladesh.

A devastação causada pelo terremoto de 12 de janeiro de 2010 no Haiti atingiu 3 milhões de pessoas, mais de 220 mil morreram e 1,5 milhão ficaram desabrigadas.

Mais de 5 mil haitianos já entraram no Brasil pelas fronteiras com os países da bacia amazônica. Eles cruzam ilegalmente a fronteira, aguardam visto temporário e são transferidos e contratados como mão-de-obra nas regiões mais desenvolvidas do país.

Na avaliação de Damião Borges, representante da Sejudh em Brasiléia, o que preocupa é que tem diminuído na cidade é o número de empresários de outros estados interessados em contratar os imigrantes. A cidade recebe diariamente 30 haitianos.

Apenas cerca de 40% dos imigrantes podem custear as suas viagens para centros urbanos em outras partes do Brasil, depois de receber os seus CPFs.

- Porém, 60% estão esperando empresários para levá-los a frentes de trabalho. Caso diminua a procura de empresários por haitianos e mais gente continue a chegar, é possível que a população de imigrantes cresça em Brasiléia, além da capacidade institucional para cuidar deles – alerta Borges.

O pesquisador Foster Brown, do MAP -de Madre de Dios (Peru), Acre (Brasil) e Pando (Bolívia)- uma iniciativa de de direitos humanos, relatou que encontrou neste fim de semana, em Brasiléia, parentes de um haitiano que já está no Brasil, além de uma haitiana quase cega que dialogou com ele em inglês e espanhol.

O padre René Salízar, de Ibéria, no Peru, que também faz parte da iniciativa MAP, já se manifestou muitas vezes no país dele sobre a situação dos haitianos.

- Este um problema que nunca vai acabar. Eles seguem entrando no Peru sem nenhum problema, a partir da fronteira do Equador, de maneira ilegal. Chegam a Puerto Maldonado, logo locam um carro até Iberia, onde existem vários coiotes que os levam até a fronteira com a Bolivia, onde estão os coiotes bolivianos – relata.

Os coiotes costumam extorquir os haitianos, para quem é fácil viver no Brasil, onde contam com apoio dos governos estadual e federal. Os haitianos que estão no Brasil seguem chamando seus compatriotas.

domingo, 17 de março de 2013

FORÇA MAIOR


A foto foi divulgada em rede social por policiais neste domingo: três presos sendo transportados na carroceria de caminhonete da Polícia Militar do Acre, nas ruas de Rio Branco, sob a vigilância de dois policiais.

De acordo com o art. 230, inc. II, do Código de Trânsito Brasileiro, transportar pessoas no compartimento de carga é infração de natureza grave salvo por motivo de força maior, com permissão da autoridade competente.

Os presos são suspeitos de tentativa de homicídio.


Falta carro mais adequado para transportar policiais e presos? O transporte nessas condições é motivo de força maior?

SEJA FEITA A VONTADE DE TIÃO VIANA


Apesar dos alertas e críticas do Ministério Público, o governo do Acre inicia nesta segunda-feira (18), na margem direita da BR-364, a cinco quilômetros de Rio Branco, as obras do "Cidade do Povo", estimadas em R$ 1,1 bilhão.

O empreendimento, que se sobrepõe à preocupação ambiental, é apresentado como o maior projeto habitacional da história do Estado.

A "cidade sustentável" terá 10,5 mil moradias - aproximadamente 60 mil pessoas em cima do Aquífero Rio Branco, e será a terceira maior concentração urbana do Estado, excetuando os municípios de Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

O aquífero é um recurso hídrico com capacidade de abastecer mais de 1 milhão de pessoas em Rio Branco, uma capital onde a precariedade do abastecimento de água potável é fato público e notório.


O governo estadual desconsidera que o aquífero será impactado e dispõe de parecer dizendo que praticamente não existe aquífero na área.

Para escoar esgoto e água de chuva é necessário que o terreno tenha alguma declividade. A área da "Cidade do Povo" é uma planície quase na cota do Rio Acre.

Terão que bombear a água e o esgoto para conseguir drenar. Além de muito caro, exigirá muita manutenção.

A "Cidade do Povo" está sendo acompanhada por meio de inquérito civil das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo e Consumidor.


Por sua vez, o Ministério Público Federal acompanha o caso por outros viés: quer saber qual o impacto do aquífero para as construções, se o solo é adequado para a construção de mais de 10 mil imóveis, pois o próprio governo prevê urbanização mais acentuada da área como decorrência do projeto.

Tecnicamente, a área faz parte da planície de inundação do Rio Acre.

Rio Branco já é pobre o suficiente para arcar com mais uma obra que terá que ser consertada eternamente.

O tempo dirá o que significa construir uma "cidade sustentável" dentro de um charco ou várzea.

sábado, 16 de março de 2013

HEMOACRE VOLTA A CONSTRANGER DOADORES

Preconceito e discriminação

O deputado estadual Eduardo Farias (PCdoB) pediu ao governador do Acre, Tião Viana (PT), que seja excluída da ficha de entrevista aos doadores de sangue do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Acre (Hemoacre) a pergunta sobre se o doador fez uso de ayahuasca ou daime nos últimos 12 meses.

- É uma completa agressão aos seguidores da doutrina, pois não há nenhum indício científico na literatura que indique qualquer prejuízo à saúde pelo uso da ayahuasca. Além de tudo isso, o Estado do Acre, que nós defendemos, não permite mais este tipo de agressão à religião das pessoas. Solicito ao governador que, de imediato, determine a retirada desta agressão das fichas de entrevista para que isso não se transforme num ato de discriminação aos seguidores da doutrina do Santo Daime - disse Farias, que é médico infectologista.

A primeira fase da polêmica se deu em 2005 (leia), quando o atendimento do Hemoacre chegou a cumprir orientação da direção para que fosse recusado o sangue de quem declarava ser usuário de ayahuasca.

Foi argumentado à época que a Secretaria de Saúde do Acre não dispõe de base científica para afirmar que o sangue de quem ingere ayahuasca seja prejudicial à saúde do receptor.

A yahuasca (vinho das almas, em quíchua) é uma bebida preparada com o cipó jagube (Banisteriopsis caapi) e folhas de chacrona (Psychotria viridis). É usada ritualmente por populações amazônicas e milhares de adeptos de diversos centros religiosos em todo o Brasil e no exterior. É também conhecida como vegetal, auasca, daime, iagê, mariri e uasca.

Em setembro de 2005, Antônio Alves escreveu nota intulada "Dai-me paciência". Como continua atual, transcrevo:

"A direção do Hemoacre faz restrições a doadores de sangue que sejam usuários da ayahuasca (Daime, Vegetal). O jornalista Altino Machado denuncia o preconceito em seu blog. O senador Tião Viana manifesta-se pedindo à Secretaria de Saúde que retire a restrição. Registre-se que o Senador, que é católico praticante, tem demonstrado, ao longo dos anos, respeitar a tradição do uso religioso da ayahuasca. Mantém boas relações de amizade com as comunidades, especialmente com o Alto Santo, núcleo inicial do Daime, fundado pelo Mestre Irineu Serra e dirigido até hoje por sua esposa, D. Peregrina Gomes Serra.

Mas as restrições feitas pelo Hemoacre fazem parte de um preconceito arraigado em parcelas da sociedade afastadas de suas origens e desinformadas sobre a vida do povo acreano, que acontece fora dos roteiros institucionais. Quando fui presidente da Fundação de Cultura, tive que corrigir cartilhas de combate às drogas editadas pelos órgãos de segurança do Estado, que incluíam o Daime entre seus alvos. De tudo temos que suportar.

A questão é: existe justificativa científica para a restrição? O sangue de um usuário de ayahuasca pode provocar problemas para quem o recebe? Obviamente, não. Sei que não há pesquisas sobre isso –e é bom que sejam feitas- mas a história das comunidades do Daime registra, em décadas passadas, vários casos de doação de sangue sem que houvesse sido registrado qualquer problema. Um dos antigos me contou o caso de um doador de sangue que saiu do templo, durante o ritual religioso em que havia ingerido a ayahuasca, para doar sangue atendendo a um chamado de emergência. Se o receptor sentiu algum efeito da ayahuasca, não sei. Sei que não morreu.

A direção do Hemoacre, certamente, há de rever com rapidez sua posição sobre o assunto. Se os dirigentes da Saúde no estado quiserem aproveitar a oportunidade para receber esclarecimentos e aprender, com humildade, coisas que ainda não sabem, estejam à vontade para pedir."

Destaque para comentário de João Guedes

"Altino,

Lembramos, também, que em abril de 2010 as Comunidades Ayahuasqueiras realizaram um seminário que contou com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura Municipal de Rio Branco, através de suas fundações de Cultura e da Assembleia Legislativa.

O evento contou com a participação efetiva de gestores públicos do Estado, do Município, de parlamentares, autoridades e convidados. Naquela oportunidade, foram pactuados com o Governo do Estado e Prefeitura, vários assuntos que constituem Políticas Públicas para o seguimento, entre os quais, o assunto que envolve a coleta de sangue pelo Hemoacre.

Naquela ocasião, as comunidades Aayhuasqueiras receberam do Governo do Estado, na pessoa do então secretário de saúde Osvaldo Leal e técnicos do Hemoacre, a garantia de que tal procedimento discriminatório não mais se daria.

Infelizmente, não obstante a isso e ao bom relacionamento que o Governo do Estado demonstra ter com as principais lideranças dessas comunidades, em várias manifestações publica, inclusive assinando o pedido de registro dessa tradição cultural genuinamente acreana como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, se omite e faz vistas grossas para procedimentos preconceituosos e discriminatórios por parte de setores do Governo."

LAGARTA CARNEIRINHO

Ou piolho de preguiça 

A REDE DE MARINA SILVA

POR FÁTIMA ALMEIDA

Sempre achei que não funcionaria bem essa junção entre Marina Silva, forjada em meio ao bem comportado PT do salão paroquial desta Rio Branco, com um partido ao qual são filiados usuários confessos de maconha, em campanha, inclusive, pela liberalização da mesma. Mas, a experiência demonstra que os partidos fundados por pessoas descontentes, isoladas, por maior credibilidade política que possuam, não adquirem fôlego.

Recordem que Leonel Brizola ao retornar do exílio encontrou o PTB, do qual se sentia possuidor, nas mãos de Ivete Vargas sentindo-se a mesma, provavelmente, herdeira política do tio, Getúlio, fundador dos dois grandes partidos das décadas anteriores à Ditadura Militar, o PSD e o PTB. Ora, carisma ou liderança são coisas que não se herdam, necessariamente, tanto é que Ivete Vargas desapareceu do cenário. Aqui mesmo não se realizou nenhum grande destino político entre os filhos de José Augusto de Araújo que foi um dos governadores mais empolgantes do nosso jovem Estado.

O primeiro choque de opiniões dentro do PT, no primeiro mandato de Lula, produziu a saída de Heloísa Helena, indignada com o modo como o então presdente e seus seguidores, mais tarde julgados pelo STF no caso do mensalão, tratavam os assuntos públicos numa negação implícita e explícita do programa e dos princípios do Partido dos Trabalhadores.  O PSOL, partido fundado por ela, permanece muito pequeno para fazer face aos grandes desafios do momento, em especial.

Naquela ocasião, Marina Silva não seguiu a colega de partido, nem aderiu ao novo partido fundado. Mas, um belo dia, chegou também a sua vez de se contrapor aos modos do lulismo, saindo do partido e migrando para outro, com melhor desempenho na causa ambiental, sua bandeira.  Não funcionou.

É preciso pensar sobre o que vem a ser um partido. Eu nunca tive paciência para ler programas de partidos políticos, mas parece claro que os ditos de esquerdas tendem, naturalmente, para a defesa do trabalho, ou seja, para os interesses da classe trabalhadora, os de direita para os interesses da classe patronal, e os de centro, tendendo ora para um lado, ora para outro.

Esse quadro simplificado de tendências políticas foi adequado até a primeira metade do século vinte como um desenvolvimento natural da revolução francesa e das revoluções liberais inglesas. Com o esfacelamento da união soviética e a guinada da China para o capitalismo, os partidos de esquerda ficaram, literalmente, órfãos, pois não mais receberam “ordens” dessas potências para planejar revoluções socialistas nos demais países, passando a apresentar um comportamento dúbio ou ambíguo, sem nunca mais dizerem a que vieram.

Nesse sentido, num primeiro momento, foi fundamental que os partidos apresentassem, por conseguinte, suas bases sociais, quais sejam, as distintas classes sociais dessas sociedades ocidentais, moldadas pelo sistema capitalista. No caso do Brasil, o PT surgiu para representar os interesses do trabalho. Hoje em dia, isso não é mais sequer cogitado. Os programas sociais de erradicação da miséria são necessários para a própria burguesia nacional que precisa de consumidores para as porcarias que ela fabrica. Daí, as críticas que vêm sendo feitas ao governo Dilma, por insistir numa política econômica que prioriza o consumo.

Além de tudo isso, a total falta de esperança por parte das massas que se sentem desprotegidas porque não existe segurança, saúde nem educação de qualidade, neste país, as tornam presas fáceis de pastores sem escrúpulos. Nesses casos, essas massas iludidas ocupam o lugar da “base social” a sustentar os partidos nanicos que existem por aí. Resumo da Ópera:  a política brasileira está uma balbúrdia que dá para se ouvir em Marte.

O bipartidarismo é a tradição no nosso continente. O PSDB, uma cisão do PMDB oferece oposição a este grande partido que está coligado e governando com o PT, ambos apresentando-se como dois grandes blocos arrastando um sem fim de siglas pelos calcanhares, comprovando que na prática o que funciona mesmo é o bipartidarismo. No que tange às bases sociais não é possível fazer distinção alguma.

Nesse contexto, qual a base de sustentação do novo partido que surge sob a égide de Marina Silva? Terá o destino do PSOL? Afinal, os votos de uma são os mesmos números dos votos de outra, nas respectivas campanhas para a presidência da nossa Republica.

Fátima Almeida é historiadora

sexta-feira, 15 de março de 2013

NO ACRE, UMA BIBLIOTECA SEM LIVROS


O prédio de três andares cercado de vidro fumê, com 1,5 mil metros de área construída, se destaca pela sua arquitetura em meio às demais edificações no centro de Cruzeiro do Sul (AC). No prédio, já deveria estar funcionando a Biblioteca Pública Estadual, mas por enquanto, as salas continuam vazias. O governo informou que a inauguração da obra, que custou R$ 4,9 milhões, está dependendo da compra de móveis, equipamentos e acervo bibliográfico, que sequer foram licitados.

Sem exotismo, repórter Genival Moura, do G1, expõe um Acre real. Clique aqui e leia mais.

Meu comentário

Escola fechada por falta de água, biblioteca sem livros, carros da polícia sem sirene, giroflex e xadrez (leia) e eu a lembrar da declaração de Tom Zé, em setembro do ano passado:
- Rapaz, eu estive em Rio Branco! É indescritível. O Brasil tem braços pra leste e pra oeste. Nunca vi brasileiros tão brasileiros. Aquilo é uma espécie de futuro. As administrações têm alimentado o público com um largo programa cultural de artistas do Brasil e de fora, em diversas áreas. Biblioteca pra todo lado, crianças lendo, estudando, brincando. O Acre é um País do Primeiro Mundo. Se eu pudesse, moraria lá.

UMA VERGONHA

Inverno amazônico, Rio Acre cheio, aquifero debaixo da cidade, mas falta água potável até em escola pública. Foto de Hermington Franco mostra o portão da Escola de Ensino Infantil Alexandre dos Santos Leitão, no centro de Rio Branco, capital do Acre, considerado por alguns como o melhor lugar para se viver na Amazônia. Nesta sexta, a imprensa prefere dizer que temos equipamentos de última geração para captação de água.


quinta-feira, 14 de março de 2013

CRIME DA TELEXFREE CONTRA A ECONOMIA

Ministério da Fazenda diz que negócio da organização sugere esquema de pirâmide financeira, o que é crime contra a economia popular, e pede investigação da Polícia Federal e do Ministério Público 

Leia nota de esclarecimento sobre as atividades da TelexFree:

"A Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae/MF) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos sobre as atividades da empresa Ympactus Comercial Ltda. ME, conhecida pelo nome fantasia de Telexfree:
 
1. As operações da referida empresa NÃO configuram captação antecipada de poupança popular, que é modalidade descrita no art. 7º da Lei nº 5.768/71 e cuja autorização e fiscalização competem à Seae/MF. Desta forma, NÃO cabe à Seae autorizar nem fiscalizar as atividades da Telexfree em território nacional.

2. A descrição das atividades econômicas principal e secundária da empresa não a autorizam praticar atividades de comércio.

3. Não foi comprovada a parceria entre a Telexfree e operadoras de telefonia móvel ou fixa, o que seria necessário para garantir a prestação do serviço de VoIP (voice over IP), conforme ofertado pela empresa.

4. Com base nas informações prestadas pela empresa, a Seae/MF concluiu que estão presentes indícios de duas possíveis irregularidades na relação comercial entre a Telexfree e os divulgadores membros da rede da organização: i. o estímulo à economia informal e ii. a exigência de exercício de duas atividades laborais (como divulgador e como comerciante) para o recebimento de apenas uma.

5. A oferta de ganhos altos e rápidos proporcionados principalmente pelo recrutamento de novos entrantes para a rede, o pagamento de comissões excessivas, acima das receitas advindas de vendas de bens reais e a não sustentabilidade do modelo de negócio desenvolvido pela organização sugerem um esquema de pirâmide financeira, o que é crime contra a economia popular, tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51.
  
Ante o exposto, a Seae/MF encaminhará suas conclusões sobre a questão, contidas na Nota Técnica nº 25 COGAP/SEAE/MF, e o Parecer PGFN/CAF nº 422/2013 ao Departamento de Polícia Federal e à 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, para que aqueles órgãos, caso entendam necessário, promovam as devidas investigações sobre o caso.

Secretaria de Acompanhamento Econômico
Ministério da Fazenda
"

quarta-feira, 13 de março de 2013

PAPA FRANCISCO É ARGENTINO

O Espírito Santo de Deus me atendeu em menos de 24 horas


Na noite de terça-feira escrevi no Twitter e no Facebook:

- Tomara que o novo papa seja argentino para que os brasileiros aprendam a amá-lo como a si mesmos.

O cardeal argentino Jorge Mario
Bergoglio é o novo papa da Igreja Católica.

DESISTO


Faz três dias que a cena incomoda: milhares de litros de água desperdiçados por causa de um cano estourado na travessa sem nome que existe atrás de minha casa.

Telefonei para todos os números disponíveis do Saerb (Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco).

Por último, apelei ao diretor do Saerb, Felismar Mesquita, que se recupera de cirurgia num hospital de Rio Branco.

Muito gentil, o diretor informou que todos os telefones do Saerb estão desativados.


Pediu para que fizesse contato com o serviço de atendimento no 0800-647-0195.

- O número discado não corresponde a um número de serviço ativo. Por favor consulte o serviço de informações - é a resposta.


Atualização às 14h05

Alguém do Saerb telefonou para saber o endereço, esclarecer que o problema no 0800 abrange os demais números, e prometer que o cano será vedado até o final do dia.

CARLOS COSTA, DIRETOR DA TELEXFREE

Caso consiga confiar no que ele diz, venda tudo o que possui e invista na TelexFree

terça-feira, 12 de março de 2013

Um acreano no comando da Telexfree


Sanderley Rodrigues de Vasconcelos, 41, acreano de Rio Branco, também conhecido como Sann ou San Rodrigues, é um dos homens no topo da pirâmide TelexFree. A empresa e divulgadores (veja) negam que faça parte da diretoria. Sanderley, San ou Sann Rodrigues, que se apresenta como empresário e jornalista, vive em Boston, nos Estados Unidos.

Casado, filho de Antônio Gomes de Vasconcelos Neto e Francisca Rodrigues de Mendonça, passou parte da infância em Xapuri e viveu no interior de São Paulo e no Espírito Santo.

- Conheci ele pequenininho, aqui em Xapuri, e jogávamos bola. Ele é filho de um seringalista conhecido pela alcunha de Porco, que foi assassinado na década de 1980, naquela série de assassinatos atribuídos a Darly e Alvarino Alves da Silva. O pai dele era um homem muito temido pelos seringueiros da região - recorda o radialista Raimari Cardoso.

Outro que lembra de Sanderley é o professor de economia Carlos Estevão Ferreira Castelo, da Universidade Federal do Acre.

- Por essa eu não esperava. Ele foi meu colega de infância em Xapuri.


Talvez isso possa explicar o fato de a empresa, que remunera por anúncios de VOIP (voz sobre IP) na internet, contar com mais de 12 mil divulgadores no Acre (veja), sendo, proporcionalmente, o Estado onde mais cresce.

Busquem no Google por Sanderley Rodrigues de Vasconcelos ou simplesmente Sann Rodrigues

Atualização às 23h30

De Sanderley Vasconcelos em mensagem ao blog:

- Não faço parte do quadro societário nem da empresa Ympactus (Telexfree no Brasil) e nem da Telexfree Inc (Telexfree nos EUA). Apenas para clarificar: não estou no topo de nenhuma pirâmide e nem no comando. Minha intenção foi apenas mostrar a sede da empresa aqui nos Estados Unidos. Sou empresário nos segmentos de imóveis, comunicação, eventos e investimentos.