sábado, 11 de setembro de 2010

APURUÍ



Clique aqui para saber sobre o apuruí

O ACRE EM BRASA

A partir dos bairros Irineu Serra e Placas, vista parcial de Rio Branco (AC) coberta de fumaça por volta de meio-dia deste sábado (11).


- Estive na sexta (10) numa fiscalização com o Ibama e vou te dizer: é feia a situação do Acre. O Estado está em brasa. Quem sobrevoa a região vira ambientalista automaticamente. A situação é triste, infelizmente. Em Acrelândia existe um foco de incêndio que se estende por dez propriedades - relata ao blog um agente da Polícia Federal.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"SALDAÇÕES" PETISTAS

Do baú do professor Gerson Albuquerque



"Oi Altino

Estou tentando arrumar minhas memórias impressas: são velhas fotografias, recortes de jornais, panfletos, cartazes etc. Mania de guardar "coisas velhas" que aprendi com meu pai. Te envio um panfleto de significativa importância por nos fazer reviver momentos de humildade e convicção na construção de um outro Brasil que, infelizmente, ainda não se deu.

Continuemos a continuar...


Saudações."

Meu comentário: após o competente exame grafotécnico, com auxílio do artista plástico Fernando França, posso afirmar que o autor da "arte" do convite foi Binho Marques, atual governador do Acre pelo PT. Fernando "desconcorda" que o "saldações" seja do Binho, embora o governador tenha enviado a mim, no dia 22 de julho deste ano, SMS com um "regeitado".

HÁ UMA BALSA NO MEIO DO RIO

José Augusto Fontes

Há duas semanas viajei de carro para Guajará-Mirim, Porto Velho e Fortaleza do Abunã, todas em Rondônia, aproveitando um pouco as férias (já quase terminando). A estrada está bem melhor e há obras em vários locais, do lado de cá e do lado de lá do Abunã e do Madeira. Inclusive o trecho historicamente ruim, após a balsa (daqui pra lá) e até perto de Jaci-Paraná, está bem melhor, com vários quilômetros de asfalto novo e bom. As obras prometem, pois há máquinas e trabalhadores em muitos locais. Com as atividades de instalação das usinas de Jirau e Santo Antônio, até há sinal de celular perto da recém-surgida cidade de Nova Mutum, o que é coisa rara entre Rio Branco e Porto Velho, na velha BR-364. Ali perto do Mutum-Paraná surgiu de repente uma cidade organizada, com casas de modelo semelhante, pequenas ruas, muita energia e circulação de pessoas e de bens. E do outro lado da estrada há uma grande vila, com estradas e outras moradias. De noite, parece um grande arraial.


Saí de manhã daqui e tudo correu bem, até chegar na balsa. Ali, entre o tempo de espera para embarcar e o tempo decorrido depois de embarcado, até chegar do lado de lá, ou melhor, até desembarcar com o carro, esperei durante duas horas e vinte e oito minutos. A balsa parece um balseiro no meio do rio, que não anda nem deixa ninguém andar. Esse embaraço da balsa com a demora inconveniente e o risco notório, além do custo, é antigo e já está na hora de ser sanado. A situação vem piorando e neste do mês de setembro, caso o nível das águas dos rios Madeira e Abunã continue baixando, a balsa não terá como ser usada para seguir viagem e muitas coisas vão parar. Já li notícia de filas quilométricas de espera para a travessia e de demoras superiores a seis horas. Convenhamos, isso não é aceitável.

Anos e anos atrás, por inércia e profundo sono, o Acre perdeu as cidades de Extrema e Nova Califórnia para Rondônia, quedando quase mudo no processo que tramitou no STF. Ali naquele pedaço amazônico o Acre já havia feito vários investimentos e o dinheiro público restou também perdido, desnorteado. O Acre, na ocasião, desprovido do sentimento de acreanidade que hoje se instalou em nossa aldeia, sequer se dignou a apresentar uma defesa ampla e com bons argumentos em causa tão significativa. O povo daquela região visivelmente nos preferia, mas foi olvidado. Ainda que fosse para não perder de tudo, nem mesmo houve proposta para dividir os interesses (Extrema para Rondônia; e Califórnia para o Acre, por exemplo). Pressão efetiva inexistiu, técnica, política ou lógica. Vasto dinheiro dos impostos e do FPE (que também é do povo e para o povo) ficou no meio das filigranas, perdido no vasto manancial madeireiro daquela região e hoje navega como balseiro. Portanto, é hora de acertar as contas.

Agora, o limite entre Acre e Rondônia está no meio do nada, sem qualquer rio, igarapé, morro, montanha ou acidente geográfico que o indique (em regra, os limites são assim verificados e definidos). Contudo, há uma grande placa de boas-vindas. Então, como o momento é propício, por causa da instalação das usinas acima mencionadas; por causa da nossa necessidade energética e por causa na nossa evidente necessidade de transitar com dignidade (o que também é um direito), precisamos reivindicar a ponte. Vai ser a ponte da redenção. Imaginem o quanto pagamos de tributos! Temos ou não temos o direito de querer bom tráfego, ágil, seguro e barato? Imaginem o que isso pode influir em vários custos e nos fretes! E assim, vamos deixar a balsa apenas para quem tiver que ir para Manacapuru, após as eleições.

A ponte pode assegurar, junto com as obras de melhoria na pavimentação, a integração efetiva e o direito das pessoas, com segurança aos veículos, cargas, bens e serviços. Pode dar proteção aos interesses, possibilitando trânsito livre e viável. No Brasil há o IPVA (que é alto) e por ele se espera viabilidade para os condutores e seus veículos. No Acre, o preço dos combustíveis inexplicavelmente é sempre o mesmo, nos diversos pontos de venda (incrível, mas os postos não têm preços diferentes, para livre concorrência, parecendo que tudo é combinado...) e elevado, talvez, até por causa do frete que também é caro. Há custo na balsa (eu paguei R$-17,50 para ir e o mesmo para voltar. Há caminhões grandes que pagam muito mais de cem reais, valores esses que não existem em pedágios brasileiros), há incômodo, espera e risco. Por ali passam vários ônibus e carros, diariamente, com pessoas que viajam nas mais diversas necessidades, daqui para outros lugares ou de lá para cá. Os veículos vendidos no Acre por ali chegam (com reflexos no frete e no preço, sem esquecer das peças etc). Eletrônicos, eletrodomésticos, alimentos, uma infinidade disso e daquilo. Bens de interesse público direto e imediato, produtos de necessidade da população, do governo e do estado.

Logo, essas coisas são de evidente interesse coletivo, que é interesse de supremacia. Pessoas que viajam a tratamento de saúde, a negócios ou a simples lazer, são obrigadas a perder tempo, pagar caro e atravessar em condições que nem sempre são seguras. Afinal, a BR-364 é uma senhora com mais de cinqüenta anos e continua mal resolvida. Não se sabe ao certo, mas há suspeita de que ela esteja esperando tornar-se idosa para poder tomar jeito.

Vamos abrir os olhos e as vozes e falar em nome de quem usa a rodovia, de quem precisa dela e dela depende. É muita gente, por diversos motivos, esses, aqueles e aqueles outros. Por esses dias, a situação da balsa piorou. Há até o risco de interrupção do tráfego. Pessoas, bens, direitos, serviços e necessidades ficarão sem meio de ir e vir. Há uma imensidão amazônica de pessoas a reclamar dessa situação. E agora, do meio dessa gente, vem esta mensagem. Aproveitando o crescente sentimento de acreanidade, de amor pelas coisas e pelo povo da nossa terra, usamos esse mesmo amor à causa, pela via das teclas, da internet, de qualquer sinal de fumaça ou até pelos códigos da antiga Radional, para soltar a mensagem. E ela segue pelos ares e olhos, ouvidos e entranhas, a quem interessar possa, a quem retransmitir queira, a quem realizar consiga.

José Augusto Fontes é poeta, cronista e juiz de direito acreano

TRÊS PODERES FORMAM O GOVERNO


Estava com razão o presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Pedro Ranzi, quando declarou, no ano passado, que os Três Poderes no Acre "formam um governo só". Em plena campanha eleitoral, o candidato a governador Tião Viana (PT) e o candidato ao Senado Edvaldo Magalhães (PCdoB) foram recebidos pelo juiz Giordane de Souza Dourado, presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac). Dourado disse ao blog que os magistrados trataram com os dois candidatos principalmente do orçamento do Judiciário. Ele considera o encontro legal, ético e democrático. Veja mais no site da Asmac.

JOÃO CORREIA FAZ GREVE DE FOME


Famoso por trocar insultos, socos e pontapés com o apresentador da TV 5 Demóstenes Nascimento, durante a gravação de um programa de entrevista, em agosto, o candidato ao Senado João Correia (PMDB) começou na manhã desta sexta-feira (10), em Rio Branco (AC), uma greve de fome em frente ao Palácio Rio Branco, sede do governo estadual.

O candidato da coligação "Liberdade e Produzir para Empregar" protesta contra a decisão dos juízes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC), que indeferiram nesta quinta-feira (9) o pedido de perícia no material de áudio e de vídeo fornecido pela emissora de TV.

O TRE-AC concedeu apenas o direito ao candidato de ser entrevistado novamente em programa da TV 5, mas considerou desnecessário o trabalho de perícia sob a alegação de que a coligação não impugnou especificamente trechos que tenham sido editados ou suprimidos, de forma a não demonstrar ou mesmo adulterar a verdade.

Após a briga na TV, o candidato e o apresentador registraram queixa na polícia, compareceram ao Instituto Médico Legal para exames de corpo de delito e ameaçaram represálias jurídicas. Correia prestou queixa na 8ª DP e Polícia Federal, mas os inquéritos encontram-se parados.

Debaixo de uma pequena tenda, sob temperatura de 37ºC, o candidato levou uma cadeira e uma mesa sobre qual estavam cartelas de medicamento para hipertensão, escova e creme dental, além de exemplares dos livros "Humano, demasiado humano", de Friedrich Nietzsche, e "Origens do totalitarismo", de Hannah Arendt.

"Lutei toda a minha vida contra a ditadura militar neste país e só vou sair daqui após revisão da decisão do TRE. A perícia no material de áudio e de vídeo é vital para que seja provado que a fita enviada pela emissora à Justiça Eleitoral foi adulterada com edição", afirmou Correia, professor licenciado de economia da Universidade Federal do Acre, que adotou o slogan "este vai brigar por você no Senado" para campanha.

Em dezembro de 2006, o então deputado João Correia fez greve de fome durante 42 horas pela conclusão de um processo contra ele no Conselho de Ética. Acusado de chefiar a "máfia das ambulâncias", o empresário Luiz Antônio Vedoin afirmou em depoimentos ter feito acordo com o deputado pelo qual este receberia 10% do valor das emendas de sua autoria que fossem executadas por meio de empresas do esquema.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DINHEIRO DO SENHOR


Sócia majoritária da Rede Boas Novas de Rádio e Televisão Ltda., no Acre e Amazonas, a empresária Milena Ramos Câmara, negou que os R$ 472 mil apreendidos pela Polícia Federal em Rio Branco (AC), na segunda-feira (6), fossem destinados à empresa, para favorecer a mãe dela, a missionária Antonia Lúcia, candidata a deputada federal pelo PSC.

Clique aqui para ler mais no portal Terra.

PLUMA


E veio voando, leve, até cair na varanda.

COMPRA DE VOTOS

N. Lima patrocinou “comitiva” na abertura da Expoacre

O deputado estadual e candidato à reeleição N. Lima (DEM) é alvo de representação movida pelo Ministério Público Eleitoral no Acre por captação ilícita de votos. Cumulada com ação de investigação judicial eleitoral, o MPE pede a cassação do registro da candidatura e a declaração da inelegibilidade do candidato.

O serviço de inteligência da Polícia Federal flagrou N. Lima ao patrocinar uma “comitiva” durante a cavalgada de abertura da Expoacre 2010, quando distribuiu churrasco e bebidas, além de camisetas padronizadas. Os fatos foram documentados em vídeo e fotos pelos policiais.

A PF colheu depoimentos e documentos que comprovam a confecção de 750 camisetas com a aposição das mesmas frases que compõem outros materiais de campanha do candidato.

O próprio N. Lima afirmou durante depoimento ter patrocinado a comitiva, enquanto outros depoentes declararam a distribuição gratuita das camisetas e do churrasco e bebidas pelo candidato.

O artigo 41-A da lei 9504/97 proíbe expressamente doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, sem a necessidade explícita de pedido de votos.

A investigação judicial eleitoral refere-se ao abuso de poder econômico praticado pelo candidato tendo em vista a grande dimensão do evento onde foi cometido o ilícito.

Pela prática da captação ilícita de sufrágios, ou compra de votos, o candidato poderá pagar multa de até 50 Mil Ufir, e ter o registro da candidatura cassada. Pelo abuso de poder econômico poderá haver, além da cassação do registrou ou diploma, a declaração de inelegibilidade do candidato pelo prazo de oito anos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

DINHEIRO NA CAIXA DE PAPELÃO


A Polícia Federal apreendeu na segunda-feira (6), em poder de um homem cujo nome não foi revelado, a quantia de R$ 472 mil. O dinheiro estava numa caixa de papelão e, segundo a PF, supostamente seria destinado à doação de uma emissora de rádio e televisão que tem como sócia uma candidata à deputada federal.

A única candidata no Acre que é sócia de uma empresa de comunicação, a Rede Boas Novas de Rádio e Televisão, é Antônia Lúcia (PSC), da coligação "Liberdade: Produzir para Empregar".

Acreana, Antonia Lúcia (veja) é casada com o deputado federal Silas Câmara (PSC-AM), diácono da Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Amazonas.

Câmara declara no site (veja) de campanha dele "todo meu amor" a Antonia Lúcia, a quem "atribuo, abaixo de Deus, todas as pequenas e as grandes conquistas e Vitórias de minha vida espiritual, pessoal e profissional".

O homem disse à PF que os R$ 472 mil, objeto da doação, teriam sido acumulados ao longo de quatro anos e é proveniente de parte do faturamento de um estabelecimento comercial numa cidade no interior do Amazonas.

Segundo a PF, os fatos estão sendo investigados sob sigilo a fim de preservar a imagem dos supostos envolvidos.

O inquérito apura suposto abuso de poder econômico, corrupção eleitoral e doação financeira não declarada na Justiça Eleitoral.

O dinheiro foi depositado na Caixa Econômica Federal e encontra-se à disposição do Juízo da 10ª Zona Eleitoral.

MARINA SILVA

De volta ao Acre, candidata revê a família e lembra sua história


Ao retornar ao Acre pela primeira vez como candidata oficial do PV à presidência da República, a acreana Marina Silva cumpriu em três dias uma agenda de campanha tão intensa que lança por terra a imagem frágil e debilitada com que costuma ser apresentada, em decorrência das várias doenças que já sofreu e ainda sofre, como malárias, hepatites e contaminação por metais pesados.

A candidata desembarcou às 4h da madrugada de sábado em Rio Branco (AC), onde nasceu, após ter viajado por mais de cinco horas a partir de São Paulo. Foi para o hotel, mas optou por não dormir, pois às 7h30 era aguardada para um encontro pessoal com um pastor da Assembleia de Deus.

Uma hora depois, estava reunida com mais de 100 familiares para o café da manhã num buffet da cidade. Visitou três Casas de Marina (pequenos comitês eleitorais nas casas de simpatizantes), discursou, deu autógrafos, cumprimentou eleitores, ouviu confidências, foi beijada e abraçada. O momento mais marcante foi na Casa de Marina em que se transformou a residência do casal de professores Terezinha e Dagmar, onde a candidata trabalhou como empregada doméstica e foi alfabetizada após trocar o seringal Bagaço pela cidade. Marina Silva se tornou professora por influência do casal de educadores.

"Eles me acolheram pela primeira vez. Aqui foi minha casa e eu tenho imensa gratidão por isso. Naquela época, era o sonho de uma menina que queria estudar para ser freira. Agora, é o sonho da menina que já estudou. Graça àquela fresta e oportunidade, estou aqui como candidata a presidente da República. Grato à família de dona Terezinha e do seu Dagmar, aos seus filhos, netos e bisneto. E eu sou o que? Acho que sou babá-avó. Não, sou babá-bisavó de vocês", afirmou Marina Silva, cercada por crianças da família.

Clique aqui e saiba mais, no portal Terra, sobre Marina Silva, que chegou a sofrer ameaça de morte no Acre.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A PROVA


Até receber em minha casa o jovem Michael Aragão, neste 7 de Setembo, não acreditava na existência de recenseadores do IBGE. Ele disse ter optado por trabalhar no feriado porque é mais fácil encontrar as pessoas em casa.

A CIGARRA E A FORMIGA

Juarez Nogueira


Acordei às 3h34 de um sonho com Marina Silva, do qual demorei a abrir os olhos. Até aí, nada demais. O surpreendente é que acordei curado de uma infecção que me prostrou na cama nos últimos três dias, com calafrios, dor no corpo todo, peito oprimido e congestionado, picos de febre a 38 graus. Sim. Curado. Resta uma leve secura na garganta e agora respiro desopilado, sem dor.

Nessa noite, antes de dormir, li seu blog, Altino. Cá de longe, me tocou a singeleza do Toinho Alves ao comparar Marina como um chá de macela na política. A mim, que nasci sobre colchão de palha e travesseiro de flor macelinha, bastou. Muito apropriado. Também li Rita Lee se despedindo do Twitter dizendo que “é duro ser cigarra no meio de formigas”. Ainda comentei os fatos com meu irmão e fui dormir. Quero dizer, mal dormir, por causa da minha indisposição a me impedir de respirar. Não sem antes pedir ao Todo-Poderoso para catapultar o mal que me ganhou, porque no dia da independência tenho acúmulo de trabalho escravo pela frente, pelas costas e de resto por todos os lados.

Mas eu dormi e sonhei. No meu sonho, eu preparei um teatro com crianças de uma escola que recebia a visita de Marina. A peça? A cigarra e a formiga. Pois Marina veio, sentou-se entre crianças e convidados, assistiu ao teatro, sorriu. A escola estava cheia de gente. Eu fiquei próximo a ela, e em dado momento minha irmã Solange, junto de mim, me disse para prestar atenção nas unhas de Marina. Olhei e eram tenazes. Delicadas, mas tenazes. Garras. Obviei minha irmã: “deixe disso, Solange, são unhas de quem trabalha.” Nisso o teatro acabou, eu quis dizer algo a Marina mas as pessoas se juntaram, ela se despediu, agradeceu, foi embora. Então caminhei até o mural da escola vazia e vi que lá alguém havia colado uma foto de Marina, sobre fundo branco, em cima do cartaz da peça, de fundo laranja. De tal modo que a imagem de Marina se sobrepunha à da cigarra da peça, e ambas se destacavam, unidas, mas como que mutuamente isoladas.

Acordei e fiquei com as imagens girando em minha mente, vívidas, sequenciais, uma narrativa inteira. Tenho – para mim – que os sonhos são uma experiência mística, religiosa mesmo, fonte reveladora de auto-conhecimento e cura. Somando todos os elementos, é isso que ora tenho: uma cura e um saber.

Não. Marina não é santa. É humana demais até. E é isso que nela me chama a atenção. De perto, conheço raras pessoas com o que nela reconheço como algo tão simples. Por isso mesmo tão poderoso.

Adélia Prado, minha conterrânea, é uma mulher de fé. Quando se lê Deus lá na poesia dela, pode ter certeza: é fruto de experiência verdadeira, profunda com o sagrado. O que me encanta nem é tanto a literatura de Adélia. É antes a fé que ela tem na literatura, na poesia, em Deus, na vida e que, tudo junto, faz o milagre da criação.

Também reconheço em Valdete Cordeiro, minha mãe preta lá do morro Vera Cruz, em Belo Horizonte, fundadora do grupo Meninas de Sinhá. Esta deixou médicos boquiabertos no Hospital das Clínicas, em 1986, quando trouxe do coma um jovem moribundo, simplesmente pedindo: “volta, meu filho, volta”. O moribundo sou eu.

E em minha mãe, que agora mesmo acordou comigo acordado e veio saber se está tudo bem.

“Sim, mãe, está tudo bem.”

“Melhorou, filho?”

“Parece um milagre, mas a febre e a dor sumiram.”

“Deve ser milagre mesmo. Vai descansar.”

“É que tive um sonho, mãe, e, para variar, estou escrevendo sobre ele.”

Juntei tudo: o chá de macela, Marina, a despedida de Rita, o sonho, o fato de que acordei restabelecido.

Só discordo da Rita, quando ela diz que “é duro ser cigarra no meio de formigas”. Mais duro é não ser. Por isso, uma parte do sonho, por tudo que aqui expus, salta óbvia: a imagem de Marina sobreposta à imagem da cigarra, a injustiçada cigarra da fábula de que a história vai se encarregar, conta que ela seguirá sua trajetória sozinha. Com luz própria. Como é próprio e natural de verdadeiros líderes e mestres. Esse é o canto da cigarra.

A outra parte me cabe, mas independe de mim. Um dia talvez, espero, eu possa dizê-la a Marina.

Juarez Nogueira é professor e escritor mineiro em Divinópolis (MG), autor do "Manual de Sobrevivência na Redação" e "O Menino Alquimista".

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O CHÁ DE MACELA DE MARINA SILVA

Candidata do PV critica dura e elegantemente seus ex-companheiros



O lançamento do livro biográfico "Marina - A vida por uma causa", de Marília de Camargo Cesar, na noite deste domingo (5), em Rio Branco (AC), se transformou em ato político e já pode ser visto como mais uma indicação da tendência de mudança ou até mesmo de ruptura da política no Acre.

A candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, foi ovacionada ao criticar dura e elegantemente pela primeira vez, de modo velado, seus ex-companheiros petistas da Frente Popular do Acre, a coligação que comanda o governo estadual há 12 anos. Ela criticou sobretudo os que denomina como "desenvolvimentistas e crescimentistas".


Marina Silva ocupou o centro das atenções na companhia de familiares. Diante dela, uma platéia formada por mais de 200 pessoas, todas em pé, entre as quais o governador Binho Marques (PT), o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim (PT), o candidato a governador Tião Viana (PT) e os candidatos ao Senado Jorge Viana (PT) e Edvaldo Magalhães (PC do B). Apesar de apoiados pela candidata do PV, todos já declararam que vão votar na candidata Dilma Roussef (PT) e fazem campanha contra Marina Silva no Estado.

Leia mais

Recados aos amigos do PT

O lançamento do livro começou com o jornalista Antonio Alves afirmando que a função de Marina Silva na política é dar um chá de macela aos políticos que ficam "muito cheio de ar". Ele contou o caso de um garoto curado a partir de uma chá de macela receitado pela candidata do PV. O chá de macela é usado popularmente em casos de má digestão e cólicas intestinais.

- Ao me lembrar disso e ver tantas políticas inchadas, tantas importâncias, tantas belezas vazias, tantos balões cheios de nada no Brasil inteiro, me lembrei de que Marina agora dá um chá de macela um pouco mais amplo, nacional. A gente, com Marina, vai muito mais longe. Esse é só um passo a mais. A estrada começou lá atrás e tem muito chão para ser percorrido. Com o chá de macela a gente vai longe. E deixa os balões esvaziarem porque o nosso vai subir - disse Antonio Alves, assessor especial do governo, que reservou o período de férias dele para se dedicar à campanha de Marina Silva.

Marina Silva assinalou que seus familiares permanecem trabalhando e não dependem de cargos públicos, à exceção do marido dela, Fábio Vaz, secretário do governo estadual. A candidata lembrou que uma de suas irmãs cultiva e vende pimenta na feira, o que gera comentários críticos de que a senadora não ajuda nem aos parentes.

- A política séria e decente é tripudiada às vezes por quem acha que fazer política é botar os parentes nos cargos mesmo quando eles não têm estudo nem competência. Aqui [disse apontando os familiares] tem empregada doméstica, trabalhador rural, motorista de ônibus e tem um competente assessor do governo Binho, convidado por ele, que é o meu marido Fábio Vaz.

Marina Silva acrescentou e apelou aos seus antigos companheiros de lutas patidárias:

- Eu vou sair daqui mais forte, podem ter certeza. Eu decidi: se ganhar, quero ganhar ganhando, sendo coerente. E se perder, mesmo os que não votam em mim, me ajudem a perder ganhando.

O ex-governador Jorge Viana confessou que está vivendo um "incômodo" na vida. Contido, o senador Tião Viana disse que Marina atravessa um momento de consolidação de valores da vida brasileira e desejou sorte. O governador Binho Marques lembrou que a amizade dele com Marina Silva nunca passou por uma prova tão grande, mas espera que continuará a mesma sempre.


Várias pessoas elogiavam a coragem de Marina Silva em reafirmar seus princípios políticos, enquanto outros julgavam que seu discurso tornou muito mais incômoda a situação das lideranças da Frente Popular do Acre.

Quem tiver ouvidos e disposição que ouça (abaixo) os discursos de Toinho Alves, Edvaldo Magalhães, Raimundo Angelim, Jorge Viana, Tião Viana, Binho Marques e Marina Silva
.

domingo, 5 de setembro de 2010

SETEMBRO LIVRE


A candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, lançou neste domingo (5), Dia da Amazônia, o movimento Setembro Livre. Durante manifestação sob uma tenda montada em frente ao parque que leva o nome do líder sindical e ecologista Chico Mendes, em Rio Branco (AC), a candidata disse que o Setembro Livre defende que as pessoas tenham liberdade para votar em quem acreditam.

"Como hoje é o Dia da Amazônia, nós queremos que a Amazônia seja livre de queimadas, livre do modelo predatório que já destruiu uma boa parte do Cerrado e da Caatinga e praticamente acabou com a Mata Atlântica. Que isso não se repita aqui na Amazônia", afirmou.

Cercada de dezenas de crianças, que improvisaram teatro e fizeram a leitura de cartas em defesa da Amazônia e da candidatura dela, Marina Silva lembrou a passagem pelo Ministério do Meio Ambiente.

Leia mais no portal Terra.

sábado, 4 de setembro de 2010

MARINA VOTA NO ACRE


A candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, anunciou neste sábado (4), em Rio Branco - onde nasceu e faz campanha até domingo (5) - que pretende votar no Acre no dia 3 de outubro.

"Provavelmente irei dormir em Rio Branco e quero ser a primeira a votar na minha seção, localizada na sede do Incra. Depois pegarei o avião e irei para o meu comitê de campanha, em São Paulo, para acompanhar a apuração que nos levará ao segundo turno", afirmou a candidata.

Marina Silva reuniu mais de 100 familiares em um café da manhã em que foi servido pão-de-milho, mingaus de banana e farinha de tapioca e sucos de frutas tropicais. Ela e o pai, o ex-seringueiro Pedro Agostinho, de 83 anos, foram os destaques da mesa em que estavam suas seis irmãs e Arley, o único irmão.

"Estou aqui ao lado de um irmão que nos orgulha e de seis mulheres valentes, filhas do Pedro Augustinho, do seringal Bagaço, aonde mais de 200 famílias ali moravam. Não tínhamos absolutamente nada. Por um pequena fresta, uma de nós conseguiu fazer o Mobral e eu estou aqui nesta condição. Mas todas nós aqui temos as mesmas capacidades, inteligências e potencialidades. O que faltou foram as oportunidades e, por isso, a educação é minha prioridade", afirmou.

Clique aqui para ler mais no portal Terra.

MARINA SILVA NO ACRE

Candidata do PV acusa Guido Mantega de omissão nos casos de quebra de sigilo fiscal

Ao desembarcar às 4h da madrugada deste sábado (4), no aeroporto Plácido de Castro, em Rio Branco (AC), onde nasceu, a candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, acusou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de omissão em relação aos casos de quebra de sigilo na Receita Federal.

"Guido Mantega devia ter tido atitude desde o início. Devia ter dado uma explicação à sociedade. Devia ter se colocando na linha de frente para dar uma demonstração concreta de que não há nenhum tipo de complacência com a quebra de sigilo fiscal no país. Ele não tinha e não tem o direito de se omitir. Após ter se omitido, o ministro ainda vem dizer que o Secretário da Receita Federal continua no cargo, que está tudo bem, e que é assim mesmo. Não, não pode ser assim mesmo", afirmou.

Desde que teve sua candidatura oficializada, é a primeira vez que Marina Silva visita o Acre. Ela participaria de um café da manhã no Parque Capitão Ciríaco, mas por se tratar de espaço público municipal, sua assessoria foi aconselhada pela Justiça Eleitoral a mudar de local. Pela primeira vez, a candidata será vista com todos os membros de família que vivem no Acre.

Ela terá "encontro pessoal" com o pastor Luiz Gonzaga, da Assembleia de Deus, visitará duas Casa de Marina e seguirá em campanha até Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste brasileiro. No domingo (5), Dia da Amazônia, às 20h, em Rio Branco, a candidata do PV participará do lançamento do livro biográfico "Marina - A vida por uma causa", de autoria de Marília de Camargo Cesar.

O governador do Acre, Binho Marques (PT), confirmou presença. O senador Tião Viana (PT), candidato ao governo, e os candidatos ao Senado Jorge Viana (PT) e Edvaldo Magalhães (PC do B) também devem participar do lançamento do livro.


Pouco mais de 10 pessoas, entre amigos e familiares, compareceram ao aeroporto para recepcionar Marina Silva. Clique aqui para ler a entrevista exclusiva que a candidata concedeu ao portal Terra.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NÃO ESQUEÇA DO FOGO E DA FUMAÇA

Conversei com o pesquisador Foster Brown sobre a situação de fumaça e risco de fogo na Região MAP - de Madre de Dios (Peru), Acre (Brasil) e Pando (Bolívia).

Por que se preocupar com queimadas em setembro quando as chuvas começaram, indaga Brown, que é da Universidade Federal do Acre e do centro de pesquisa americano Woods Hole. E faz as seguintes ponderações:


1. Em quase todos os anos, de 2002 a 2009, no Acre, Bolivia e Peru, a quantidade de focos de calor em setembro foram sempre superiores à quantidade de focos de calor em agosto. Os números foram quase iguais em 2005, quando 200 mil hectares de áreas abertas e quase 400 mil hectares de florestas primárias foram afetados pelos incêndios na região leste do Acre.

2. Os números de focos de calor na Região MAP durante agosto de 2010 foram elevados em comparação aos de outros anos.

3. Se os focos de calor se comportam igual aos de outros anos, se espera um grande número de focos em setembro, mas este ano pode ser anômalo.

4. O modelo do Sistema de Monitoramento de Queimadas por Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre fumaça prevê uma redução em concentrações durante os próximos dias na região.

5. Chuvas reduzidas com ventos aumentando em velocidade são previstos nos próximos dias.

Relatórios com informações mais técnicas e precisas podem ser acessados no Forum GTP Queimadas, do MAP.

RELATÓRIO DA PESQUISA DO IBOPE

Clique aqui para ler o relatório da última pesquisa do Ibope sobre assuntos políticos e administrativos do Acre.

Encomendada pela Rede Amazônica de Televisão, a pesquisa foi
divulgada em Rio Branco pela TV Acre, na tarde desta terça-feira (31).