terça-feira, 11 de março de 2014

Acre sofre com o desinteresse do Brasil

POR MARCIO BITTAR

O Acre depende do Brasil, mas o Brasil parece não precisar do Acre. Esta é a conclusão que chegamos diante da indiferença que cerca a atual tragédia das cheia do Rio Madeira, que isolou o Acre do resto do país.

No dia 10 de março o Rio Acre alcançou a marca de 16,20 metros, deixando mais de 2.000 pessoas desabrigadas. No dia anterior, uma das pontes de Rio Branco foi interditada por causa das grandes quantidades de galhos e troncos de árvores acumulados na sua pilastra.

O Estado já está há 15 dias isolado. Em alguns postos de combustível já falta gasolina, gás de cozinha também começa a faltar na cidade. O abastecimento de alimentos perecíveis está sendo feito através de três aviões da FAB, além de quatro caminhões do Exército com suspensão elevada para transportar cargas nos trechos da BR-364, a lâmina d’água que cobre alguns pontos da BR chega a 80 cm.

Diante do quadro caótico de desabastecimento e de perdas materiais que assola o Acre, salta aos olhos o silêncio de todos os órgãos que deveriam nos dar respostas sobre as causas estruturais que levaram à interdição na ligação terrestre do Estado do Acre.

Lembro que as obras da BR 364 foram interrompidas para conclusão de estudos ambientais. Tais estudos não indicaram o risco da estrada ser coberta pela água com enchentes no Rio Madeira? Não sabemos e não ouvimos nenhuma manifestação sobre o assunto. Diante da hipótese de que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau possam ter ampliado a tragédia, por represarem o Madeira em Porto Velho, o mesmo silêncio imperou.

As ONGs, e os protagonistas de sempre, com suas velhas fórmulas para o desenvolvimento do Acre, permanecem calados, agindo como se a tragédia não lhes dissesse respeito. Demonstram só se lembrar do Estado quando se trata de ditar fórmulas alienígenas para cuidar das nossas florestas.

O Governo do Estado demonstra perplexidade com a dimensão da alagação e avisa que vai cobrar responsabilidades, esquecendo-se que o Acre está sendo governado pelo mesmo grupo político há 16 anos e que tem, portanto, sua parcela de responsabilidade.

A única atitude concreta foi tomada pela Justiça Federal, que determinou que os consórcios responsáveis pelas hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, refaçam o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental levando em consideração os impactos decorrentes da vazão e volume histórico do maior afluente do Rio Amazonas.

Ora, isso significa que os estudos feitos até então não levaram em consideração tais impactos? E os órgãos ambientais responsáveis pela aprovação dos estudos, não vão se manifestar?

O Acre sofrerá os efeitos desta alagação por muitos anos. A população perdeu suas plantações, suas casas, poços artesianos foram contaminados. Mas, o mais grave para nosso estado é a constatação do nosso abandono e da indiferença do Brasil para conosco.

Não merecemos, sequer, um sobrevoo de helicóptero por parte da Presidente da República, que, a despeito de pertencer ao mesmo partido político do governador, parece esquecer a existência do Acre.

O nosso Estado é vítima de uma tragédia gerada pela incompetência governamental e sofre com o desinteresse do restante do Brasil, que demonstra não precisar do Acre.

Marcio Bittar é deputado federal do Acre pelo PSDB, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB 

2 comentários:

Carlos Floresta disse...

Ô Márcioo!
O texto tá bom. Mas você o escreveu no plenário ou "gazetou" uma sessãozinha da Câmara para fazê-lo?
Aproveita e entrega logo: você viu na casa anexa se Petecão e Jorgito Buchuchu faziam quórum?
E ainda dizem que são "oposição"...

joaomaci disse...

É deputado... pensei que a tantos anos na Câmara dos Deputados Vossa Excelência não se impressionasse com este fato. Ou será que está só querendo tirar uma casquinha? De repente Vossa Excelência agora vai querer encarnar um caudilho. Vai entender...
Marco Antônio Villa realmente tem razão quando diz que se a galera que hoje está no poder tivesse governado a República Velha, o Acre hoje seria da Bolivia.