terça-feira, 20 de junho de 2006

FESTIVAL YAWANAWA



Joaquim Tashka Yawanawa e Biraci Nixiwaka Brasil

Em junho de 2002, foi realizado o I Yawa. Aquele primeiro evento surgiu a partir de uma conversa interna das lideranças tradicionais, que fizeram uma reflexão da história e da vida de nosso povo na atualidade.


Após uma grande reflexão dos ganhos e perdas que tivemos depois de mais de um século de colonização, vimos que todas nossas danças, expressões artística, cultural e espiritual não foram apagadas e esquecidas da memória de nosso povo.

Elas tinham sido apenas deixadas para atrás, dando vaga aos costumes ocidentais trazidos pelos patrões seringalistas e missionários. A maneira que encontramos para mostrar isso para nossa própria gente foi organizar uma semana dedicada à nossa cultura ancestral.

Yawa é uma semana de celebração de dança, expressão artística, cultural e espiritual do povo yawanawa. Yawa é a ligação do povo yawanawa com o criador e seus antepassados. Nos conecta ao mundo “moderno” sem perder nossa identidade cultural, que nos fortalece como um povo indigena com uma cultura, língua e tradicão diferente.


É também um ato de agradecimento aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece, pelos momentos de alegria que a comunidade está vivênciando. É um sinal de boas vindas aos visitantes. Não há palavras para descrever a sensação de estar presente numa roda de mariri yawanawá, na aldeia Nova Esperança. É o contato direto com a floresta e seus habitantes.

Bem, aquele primeiro evento causou um grande impacto na comunidade e mudou a história de nosso povo. Para nós yawanawá, o YAWA foi o renascimento e o redescobrimento como um povo com uma cultura, uma identidade e uma espiritualidade vivas em pleno século XXI.

Aproveitamos aquela oportunidade também para fazer a gravação do primeiro filme sobre a história e a vida do povo yawanawa, o qual esperamos que, através de nossos cantos e nossas imagens, tenhamos inspirado outros povos indígenas ao redor do mundo que estão em processo de resgate de sua indentidade cultural e ancestral.

Em 2003 realizamos o II YAWA. O evento aconteceu entre os dias 1 a 7 de de Julho de 2003. Reuniu todos os 620 Yawanawá que vivem na Terra Indígena do Rio Gregório, além da visita ilustre do governador Acre, Jorge Viana, além de convidados que vivem ao redor dos centros urbanos e em outras regiões do Estado do Acre.

Em 2004 – III YAWA. O evento aconteceu entre os dias 10 a 15 Agosto e contou com a participação de todo o povo yawanawá da Terra Indígena do Rio Gregório, além de visitantes convidados pela Organização Yawanawá. Naquele ano, participaram vários outros grupos indígenas que foram visitar e conhecer um pouco mais da cultura do povo yawanawa.

Em 2005, IV YAWA. O evento aconteceu entre os dias 25 a 30 de Julho. Naquele ano, o povo yawanaw celebrou muitas conquistas alcançada nos últimos anos, que vão desde os projetos sociais, ampliação da Terra Indígena do Rio Gregório até o lançamento da grife yawanawa. Tivemos também a visita do governador Jorge Viana e do senador Tião Viana.

O V YAWA será realizado entre os dias 25 a 30 de julho. Contará com a participação de todo povo yawanawa, além de convidados ilustres. O festival Yawa, tem se tornado uma referência de celebração da Cultura ancestral do povo Yawanawa.

Joaquim Tashka Yawanawa e Biraci Nixiwaka Brasil são dois jovens líderes do povo da queixada.

2 comentários:

Saramar disse...

Altino, hoje estive pensando sobre este seu blog e imaginei um mundo perfeito onde todas as crianças brasileiras pudessem conhecer as raízes do seu povo. Conclui que aqui, elas viriam beber em fonte pura.
Há algum tempo, eu disse isso para a Angela Ursa também. São perfeitos blogs e totalmente educativos, além de belos.
Então, esse encantamento que sinto aqui conhecendo essas histórias, para mim (ignorante que sou demais) totalmente novas, poderiam fazer parte dos currículos das escolas.
Sei que é sonho e nossas crianças só estudam a história da Europa, dos invasores e conquistadores, mas sonho é sonho. E eu me permito sempre sonhar.
Obrigada.

Beijos

Juarez Nogueira disse...

Não é convite, é tentação. Já começo a pensar seriamente em não resistir.