segunda-feira, 15 de março de 2010

IRRESPONSABILIDADE AÉREA


O pesquisador Evandro Ferreira, do blog Ambiente Acreano, viajou de Tarauacá para Rio Branco em avião bimotor com excesso de passageiros.

Alguns passageiros estavam sentados em cima de malas, acocorados ou sentados em banquinho de madeira no corredor, sem cinto de segurança.

Veja no Ambiente Acreano.

sábado, 13 de março de 2010

ARTE E CONSUMO


Na terça-feira, 16, às 19h30, no auditório da Biblioteca da Floresta, lançamento dos documentários “Consumo e Violência”, de Sérgio Carvalho, e “Igarapé Fundo – Um igarapé no meu quintal”, de Gilberto Ávila. Ambos foram realizados coletivamente durante oficinas de cinema realizadas no ano passado.

“Igarapé Fundo – Um igarapé no meu quintal” apresenta o cotidiano, a memória e as perspectivas das famílias que moram ao redor, nas margens e até mesmo dentro do Igarapé Fundo. O documentário foi realizado por jovens moradores das proximidades do igarapé, sob a coordenação de Gilberto Ávila.

“Consumo e Violência” mostra reflexão de jovens sobre a violência consumista presente em seu cotidiano através das mídias. O documentário foi realizado por jovens moradores do bairro Nova Estação, sob a coordenação de Sérgio Carvalho.

sexta-feira, 12 de março de 2010

CARTUNISTA GLAUCO


O cartunista Glauco Villas Boas, 53, conhecido como Glauco, morreu na madrugada desta sexta-feira, 12, em Osasco (SP).

Ele foi vítima de tentativa de assalto e sequestro em sua residência na Estrada Alpina, no bairro de Santa Fé.

O filho dele, Raoni Villas Boas, 25, que chegava ao local também foi atingido pelos disparos e morreu a caminho do hospital.

Glauco dirigia o centro de daime Céu de Maria, onde talvez seja realizado o velório dele e do filho.

Clique aqui para conhecer a obra do cartunista.

quinta-feira, 11 de março de 2010

MUI AMIGOS


Primeira convidada do programa do músico Lobão na MTV, a senadora Marina Silva (PV-AC), pré-candidata à Presidência da República, fez na segunda-feira, 8, a sua mais contundente declaração naquele dia:

- Mangabeira ajudou a fazer um grande mal para a Amazônia - afirmou.

A senadora se referia ao ex-ministro de Assuntos Estratégicos Mangabeira Unger, que tomou para si o Plano Amazônia Sustentável, forçando a saída dela do Ministério do Meio Ambiente.


Os quatro jornais do Acre reproduzem nesta quinta-feira, 11, material da estatal Agência de Notícias do Acre em que aparecem felizes da vida o governador do Acre Binho Marques (PT), o ex-governador Jorge Viana e Mangabeira Unger.

Para ajudar a Amazônia, o trio participou nesta quarta-feira, 10, de uma conferência no Centro David Rockfeller de Estudos Latino-Americanos, da Universidade de Harvard, nos EUA.

O governo do Acre está começando a investir U$ 150 milhões de empréstimo obtido junto ao Banco Mundial para ações de saúde, educação e produção em comunidades isoladas do Estado.

Difícil para Binho Marques e Jorge Viana se explicarem em relação ao aliado Lula e à amiga Marina Silva sobre tanto empenho para aparecerem na mídia local ao lado de Mangabeira Unger.

DIOGO CONTRA DIEGO


Decepcionante a participação do acreano Diogo Soares, da banda Los Porongas, no programa "1 Contra 100", de Roberto Justus, no SBT.

Ele se inscreveu no game show na esperança de ganhar R$ 1 milhão. Pode ter faltado inteligência ao músico, mas sobraram coragem e sangue frio.

A certa altura, Justus disse que a primeira-dama francesa Carla Bruni decerto é a mais bela da atualidade.

- Depois da Marisa, claro - tascou Soares, referindo-se a primeira-dama brasileira, provando que não gosta ou não entende de beleza feminina.

Diogo foi tratado por Justos o tempo todo como Diego.

Certa vez anotei aqui que o ativista da cena independente do rock dava sinais de que sonhava mesmo era em aparecer no Domingão do Faustão.

Já chegou ao "1 Contra 100", acumulou R$ 100 mil, mas perdeu tudo por não saber nomes de ex-namorados de Carla Bruni.

Foto: Débora Mangrich

quarta-feira, 10 de março de 2010

PAQUITOS NO BANCO DE RÉUS

O Conselho de Sentença da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco (AC) se reunirá nesta quinta-feira, 11, para julgar 11 policiais civis acusados de assassinar, com 13 disparos de armas de fogo, Francisco da Silva Teixeira, mais conhecido como "Esquilo".

O crime ocorreu no dia 13 de novembro de 1993, no bairro Nova Estação, em Rio Branco. À época, o caso teve grande repercussão. A vítima, suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas, foi assassinada durante uma operação policial.

Os policiais civis se autodenominavam "paquitos", em alusão às paquitas do programa da apresentadora Xuxa. Eles costumavam agir com muita violência e frequentemente eram destaque na imprensa local.

Pelo menos dois "paquitos" estiveram presos por envolvimento com o esquadrão da morte que era liderado no Acre pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal. A sessão de julgamento será presidida pelo juiz Gustavo Sirena.

O processo que apurava o crime foi arquivado em 1997 e reaberto dois anos depois por determinação do juiz Marco Antonio Nunes, então titular da Vara do Tribunal do Júri.

Os acusados são os gentes da Polícia Civil Antonio Marcos da Silveira Lima ("Marcão"), Francisco Barroso de Souza ("Barroso"), Carlos Rodrigues de Mendonça ("Mendonça"), Eraldo Marinho Rodrigues, Francisco Furtado de Araujo ("Pereca"), Regimildo Mauro da Silva Moura ("Papagaio"), Carlos Gomes da Silva ("Lampião"), Aidano Nogueira de Barros, José Moreira da Silva ("Xapuri"), Amarildo Leite da Rocha ("Amarildo Mão-Pelada") e o delegado Eremildon Luis de Souza.

terça-feira, 9 de março de 2010

RITUAL DE MAGIA EM FEIJÓ

Homem é condenado por lesão corporal e curandeirismo

Um homem que comandou ritual de magia no município de Feijó foi condenado pela Justiça do Acre a cinco anos e meio de prisão pelos crimes de lesão corporal grave e curandeirismo. O juiz Manoel Pedroga negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Ao saber que o filho da vítima bebia, o pretenso curandeiro Antonio José da Silva Pereira se ofereceu para fazer um “trabalho” (feitiço) para que ele deixasse de ingerir bebida alcoólica.

Pereira pediu que a vítima acendesse uma vela, colocou um papel em sua mão e, em seguida, perfume em cima do papel. Ao atear fogo, o réu teria afirmado, ainda, que “tinha força” para que não queimasse, o que não aconteceu.

O réu confirmou em juízo que causou lesões corporais na vítima, por fogo, mas alegou que não se lembrava dos fatos porque estava bêbado.

A mulher do acusado também confirmou que ele “jogou” perfume na mão da vítima e ateou fogo. Também declarou que ela e as filhas já apanharam dele.

A vítima declarou que o réu não a ajudou a apagar o fogo, que lhe causou ferimentos graves. Ela permaneceu por mais de um mês impossibilitada de exercer suas atividades.

- A culpabilidade do agente foi grave, poderia ter agido de modo diferente e não o fez. A conduta social lhe é desfavorável, eis que se trata de pessoa que bebe bastante. A personalidade do acusado mostra-se normal. Os motivos são reprováveis, eis que estaria em ritual satânico. As circunstâncias lhe são desfavoráveis, eis que feriu a vítima com fogo, e as conseqüências permanecem, eis que a vítima ficou com cicatrizes na mão e ainda toda vez que vai lavar roupa, a mão incha - assinala na sentença o juiz Manoel Pedroga.

"ISTO É O ACRE, PORRA"

A Usina de Beneficiamento de Castanha do Acre, onde atualmente funciona a Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, gerava 500 empregos diretos em meados dos 1980, no governo do peemedebista Nabor Júnior.

Para agradar ao empresário Tufic Asmar, que exportava para Belém (PA) castanha in natura e era dono da TV Acre, afiliada da Rede Globo, o governador decidiu romper o contrato de gestão da usina, que envolvia a extinta rede de supermercados Casas da Banha.

Heleno Araújo, preposto das Casas da Banha, recebeu Emílio Asmar, sobrinho falastrão de Tufic, de quem ouviu que a família seria beneficiada com lucro de 90% a partir da decisão do governador.

- Tudo isto, Emílio?

- Isto é o Acre, porra!

Meses depois a Usina de Beneficiamento de Castanha fechou, os Asmar seguiram exportando castanha in natura e as repetidoras de TV foram instaladas em todos os municípios.

E Nabor Júnior foi eleito senador com a alegação de que levara TV para todos os municípios do Estado.

O Acre não mudou.

domingo, 7 de março de 2010

COTIA RISONHA

POR JOSÉ BESSA FREIRE

O juiz aposentado do Tribunal de Justiça do Amazonas, José Raphael Siqueira Filho, carrega, desde sua infância, o apelido de Cotia Risonha. O “risonha” é um enigma. Mas cotia, todo mundo sabe por quê. É que seu colega na escola primária, o Nininho, gostava de se divertir, pedindo-lhe:

- Siqueirinha, repete: paca, tatu, cotia não!

Siqueirinha sempre se confundia e reproduzia a frase inteira. Nem desconfiava que em Epitácio “p” soa. Por isso, todo mundo passou a chamá-lo de Cotia. O apelido colou. Tem tudo a ver com ele. A cotia é um mamífero e ainda por cima roedor, ou seja, gosta de mamar e de roer o que encontra pela frente. Tem as pernas finas, os olhos arregalados e as unhas afiadas e cortantes. Apesar da aparente leseira pra certas coisas, é um animal esperto, que vive fuçando o chão, buscando vorazmente o que comer.

Tudo bem! Está explicada a origem e justificada a propriedade do substantivo “cotia”. E o qualificativo “risonha”, de onde veio? Em que momento foi acrescentado? De quem, afinal, a Cotia Risonha está rindo? Essas perguntas podem ser respondidas, analisando a amizade do Siqueirinha com Nininho.

Os dois cresceram unha-e-carne, mamando e roendo. Nininho, menino inocente que saiu de Eirunepé para fazer a primeira comunhão na capital, assumiu várias vezes a Prefeitura e o Governo do Estado, com o nome de Amazonino Mendes (PTB, vixe, vixe!). Siqueirinha se tornou juiz, pronunciou algumas sentenças polêmicas e se aposentou. Mas a amizade continuou.

Coisa bonita, a amizade! Para onde vai, Amazonino leva Siqueirinha, indicando-o para diversos cargos, como a presidência da Companhia Energética (CEAM), a presidência do Detran, a Superintendência da Companhia do Estado do Amazonas (CIAMA). Dizem que até o cargo de cônsul honorário da Coréia no Amazonas, exercido por Siqueirinha, foi indicação do amigo. Na atual administração, ele ocupa presidência do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (IMTT).

Casca de tucumã

Não é uma amizade qualquer, ela está cimentada por interesses comuns e cumplicidades, como conta o combativo vereador Marcelo Ramos (PSB). O ‘Cotia Risonha’ “é o tipo de amigo daqueles que descasca tucumã, que tira o caroço da pupunha e entrega a partida de dominó só para agradar. Também, intimida jornalistas, agride pessoas ou faz qualquer outro trabalho sujo que Amazonino precise”.

Um desses trabalhos ocorreu recentemente. O sorriso de Siqueirinha ganhou contornos enigmáticos de Mona Lisa, quando em julho de 2009 o prefeito Amazonino aumentou inexplicavelmente em 12,5%, a passagem de ônibus em Manaus, que era de R$ 2,00 e subiu para R$2,25. O protesto dos usuários e a proximidade das eleições levaram Amazonino a reduzir, nove meses depois, o aumento para R$2,10.

O prefeito, todo farofeiro, todo bacabeiro, deu, então, uma entrevista coletiva, mas em vez de dizer que estava corrigindo o aumento da passagem, anunciou que estava baixando o seu preço. Parece até a Gol, que em seus vôos está cobrando agora dos passageiros R$10,00 por um sanduíche e R$3,00 por um cafezinho e anunciou cinicamente:

“Viajar agora tem um sabor especial. A Gol não pára de inovar. E para deixar a sua viagem ainda mais gostosa, está oferecendo uma novidade em alguns de seus vôos domésticos: a venda de sanduíches e bebidas. É um novo conceito que a Gol disponibiliza aos passageiros no Brasil”.

Amazonino também não pára de oferecer novidades aos usuários de ônibus, “para deixar a viagem mais gostosa”. Na entrevista em que explicou seu “novo conceito” de tarifas estava ladeado pelo ‘Cotia Risonha’ e pela secretária municipal de Comunicação Social, Celes Calpúrnia Borges Melo, que sem qualquer pudor orientavam os jornalistas: “pergunta isso, pergunta aquilo”. Foi aí que a jovem repórter do Diário do Amazonas, Vanessa Brito, decidiu perguntar o que está na garganta de todos:

- Quais os critérios para determinar o preço da passagem? Se o prefeito reconhece hoje que o aumento dado em julho do ano passado foi exorbitante, as empresas vão devolver aos usuários de ônibus o que cobrou indevidamente?

A reação da intrépida trupe foi surpreendente. Amazonino suava como se estivesse em uma sauna. O Cotia deixou de sorrir e fuzilou com os olhos a repórter. Tentou impedir que ela se manifestasse. Seu olhar, juro, mete medo. Chamou Celes Calpúrnia e ordenou:

- Anota o nome dela.

Calpúrnia - que vergonha! - respondeu:

- Ela é do Diário.

Foi tudo gravado e pode ser acessado no YouTube.

Vanessa, a jovem repórter, encostou o Cotia na parede dizendo “tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”. É uma esperança de que o jornalismo no Amazonas não será chapa branca.

Siqueirinha ficou com dor de dente, como naquela música que as crianças cantavam: “A cotia está com dor de dente, e é de tanto, tanto, comer doce quente”.

Fioforum cotiae

O amigo Amazonino, no entanto, fez voltar o sorriso do Cotia, segundo denúncia publicada em O Globo (04/03/2010) e pelo Estado de São Paulo, intitulada: “Indenização milionária em Manaus. Desapropriação rende R$6,5 milhões a secretário municipal”. A matéria informa que “o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB) assinou ontem um acordo extrajudicial que permite o pagamento de R$6.577.166,07 ao juiz aposentado Raphael Siqueira, que é secretário municipal e exerce o cargo de presidente do IMTT”.

A notícia está incompleta porque não diz, numa linguagem que um ex-juiz entende, que “hic culum cotiae sibilare”, isto é, aqui é que o fiofó da cotia começa a assoviar. O vereador Marcelo Ramos fez suas contas e descobriu que numa só jogada entre amigos, o Cotia Risonha embolsou muito mais. Foram R$ 8,5 milhões pagos com dinheiro público, “a título de indenização por um terreno que em momento algum prova que é seu”.

Amanhã, Marcelo Ramos, que é advogado, entra com Ação Popular para solicitar que a dupla Amazonino e Siqueirinha sejam condenados a devolver todo o dinheiro público que embolsaram. Amazonino, em novembro do ano passado, foi cassado pela juíza Maria Eunice, em primeira instância, sob a acusação de comprar votos.

Por quem os sinos dobram? A Cotia Risonha ri de quem? De nós, leitores, que somos otários e estamos repassando para os bolsos de dois espertalhões recursos públicos que deviam ser usados para melhorar os serviços de saúde, educação e transporte. Agora, é rezar para que saia vitoriosa a Ação Popular contra essa operação escandalosa que clama aos céus e pede a Deus vingança.

O professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti .

MAIS VELHO


Nem 71 nem 42, mas já estou mais velho neste 7 de março. E estes quatro (três filhos e um neto) por ora são as ramas com as quais avivo o vasto mundo. A vida é dura e saborosa, como rapadura.

LUA EM DIA DE SOL

sexta-feira, 5 de março de 2010

O CANTO DO JAPIIM


Todos os dias um japiim vem cantar no pé de jambo em frente à minha casa. É um canto variado no qual intercala a imitação do canto de outros pássaros. Fracassei tentando fotografá-lo. Capturei a foto acima na web. É de autoria de Octavio Campos Salles. Ouça o canto do japiim, a buzina do vendedor de picolé e bem distante o ronco de uma roçadeira.

JOÃO TEZZA

Opinião de Zé Dirceu sobre Marina Silva não resiste a confronto de biografias


A candidatura da senadora Marina Silva à Presidência da República efervesceu a política brasileira. Como sempre, no Brasil o assunto alagou jornais e esquinas com opiniões de todo calibre, desde grossas opiniões de bons analistas políticos até as finas -ou não- ironias de palpiteiros de botequim.

Chamou-me a atenção a entrevista de José Dirceu, informando na grande imprensa que a candidatura de Dilma Roussef já seria vitoriosa porque tem o apoio do presidente Lula. Esse, segundo o entrevistado, o diferencial em favor de Dilma contra todas as outras candidaturas, no próximo pleito à Presidência.

Leia o artigo do advogado João Tezza no Blog da Amazônia.

quinta-feira, 4 de março de 2010

SONHO DE CONSUMO


Passei a tarde curtindo velho sonho de consumo que chegou dos EUA para minha mochila -o gravador de alta resolução Edirol-Roland, modelo R-09HR. Ainda não sei manuseá-lo plenamente, mas gravei o som do vento e da chuva. Falta agora um bom entrevistado.

É O ACRE


Idealizado pela juíza acreana Maria Cezarinete Angelim, o Juizado de Trânsito surgiu no país como uma das mais inovadoras unidades do Poder Judiciário do Acre.

Foi implantado para atendimento imediato aos envolvidos em acidentes de trânsito, no local da ocorrência, tendo sua competência delimitada à conciliação, instrução e julgamento de litígios decorrentes desses acidentes.

O atendimento imediato do Juizado de Trânsito propicia às partes envolvidas o ressarcimento dos danos materiais de forma rápida, eficaz e segura. Até mesmo a evasão de uma das partes envolvidas no acidente não impede a ação do Juizado.

Acontece que, embora de importância reconhecida pela sociedade, o Juizado de Trânsito declina por falta de apoio do Executivo e do próprio Judiciário.

Há cinco anos, existiam cinco unidades do Juizado em Rio Branco.
Hoje, apenas duas funcionam com precariedade, apesar do crescente número de carros e acidentes no caótico trânsito da cidade.

Ninguém consegue ser atendido em menos de uma hora e as demais cidades do Estado estão longe de contar com o serviço. Necessitei dele nesta semana e fique tocado pela dedicação e relatos de seus servidores.


Lamentável num Estado que gasta mais de R$ 2,5 milhões apenas no carnaval, onde algumas autoridades só se hospedam em hotéis de luxo por conta do erário.

Não será por falta de verba pública que o Juizado de Trânsito deixará de existir.

segunda-feira, 1 de março de 2010

VERGONHA

Veja como Amazonino Mendes e assessores tratam a imprensa do Amazonas

SERINGAL BAGAÇO

Banco do Brasil quer expulsar os posseiros da localidade onde nasceu a senadora Marina Silva


O Banco do Brasil tenta obter na Justiça do Acre a expulsão de 25 posseiros que ocupam imóveis localizados na área onde existia a sede do antigo seringal Bagaço, na BR-364, a 35 quilômetros de Rio Branco. O Bagaço ficou famoso mundialmente por ser o local onde nasceu a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PV-AC), pré-candidata à Presidência.

A área da sede do seringal, de 810 hectares, foi comprada pelo jornalista Walter Gomes, ex-diretor do jornal O RIo Branco, que apresentou o imóvel como garantia de um empréstimo junto ao Banco do Brasil, sem mencionar a existência de posseiros.

Walter Gomes morreu durante um acidente de trânsito, mas o Banco do Brasil já havia ajuizado contra ele uma ação de execução forçada de título extrajudicial para o retorno dos valores concedidos através de Cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária.

O imóvel que compreende a antiga sede do seringal Bagaço foi arrematado pelo próprio Banco do Brasil e transferido ao arrematante como sua propriedade. Há 10 anos, o Banco do Brasil ajuizou na 1ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco uma ação ordinária de imissão de posse contra os 25 posseiros.

Leia mais no Blog da Amazônia.

MOÇÃO DE REPÚDIO

"Nós, Mulheres Trabalhadoras Rurais, o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, reunidas no Seminário Regional de Empreendedoras Rurais da Amazônia, temos escutado na Rádio Difusora Acreana, durante esta semana, novamente músicas de caráter machistas, com linguagens sexistas, que fazem apologia a violência e a sexualidade da mulher, músicas estas que haviam sido retiradas da grade dos programas na diretoria anterior, período em que fizemos uma Moção de Apoio parabenizando a referida rádio pela atitude tomada.

No entanto, hoje vimos nos manifestar nosso repúdio a todas essas músicas que contribuem para as desigualdades e opressão das mulheres, como também, a conduta da Rádio Difusora Acreana, que acaba, indiretamente, contribuindo para a violência contra a todas as mulheres acreanas.

Essas músicas fazem parte da mercantilização das emoções humanas. Começaram a ser produzidas pela indústria fonográfica nos anos 80 para, justamente, dominar as emoções das pessoas e, estrategicamente, escravizar a mulher.

Temos a certeza de que os princípios da emissora nunca foi esse em seus 65 anos de existência.

Portanto, não podemos ficar quietas sem demonstrar a nossa indignação por atitudes como estas. A Rádio Difusora Acreana tem o papel de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. De apresentar para seus ouvintes que é possível criar uma nova forma de fazer rádio.

Assim, no cumprimento do nosso papel na luta pela garantia dos direitos humanos, e principalmente das mulheres, solicitamos que sejam providenciadas medidas urgentes no tocante a grade musical dos programas da referida rádio, afim de que não desrespeitem as mulheres do Acre.

Estamos nos aproximando da data que marca simbolicamente 100 anos da nossa luta, o 08 de março – Dia Internacional da Mulher, e não podemos nos isentar de contribuir para a construção de um estado democrático de direito, da paz, mas que sobretudo, traga a garantia aos direitos humanos e a justiça social para mulheres e homens.

Rio Branco, 26 de fevereiro de 2010.

Atenciosamente,

Fórum de Mulheres do Alto Acre e Capixaba

Movimento das Trabalhadoras Rurais no Acre

Conselho Estadual dos Direitos da Mulher - CEDIM

Conselho Municipal dos Direitos da Mulher - CMDM

Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia - RMERA"

domingo, 28 de fevereiro de 2010

MENOS, GENTE


A polícia do Acre atira, esfola e mata estudantes inocentes em operações desastradas durante a semana e a secretária Márcia Regina, da Segurança Pública, aparece em A Gazeta com uma declaração ainda mais assustadora:

- A sociedade tem uma polícia ativa, capacitada.

De sua parte, o senador Tião Viana (PT), principal entusiasta da exploração de petróleo no Estado, anuncia (leia) que existe "interesse mundial pelo projeto da nova economia do Acre".

Até onde sei, a economia do Acre é baseada em repasses da União e o "manejo sustentado" envolve os cargos comissionados na máquina pública.

"Menas" espuma, gente.

P.S.: clique aqui para ler "A geopolítica do ambientalismo ongueiro na Amazônia", tese da professora Nazira Camely, da Universidade Federal do Acre

sábado, 27 de fevereiro de 2010

QUERO VER A FOTO DOS ASSASSINOS

Fátima Almeida

Se existe uma coisa que me incomoda muito é o fato de que, todas as vezes que policiais atiram e matam civis "por engano", somente as vítimas e seus familiares são expostos pela mídia.


A moça que foi assassinada em Rio Branco com um tiro de fuzil pelas costas, por um policial que estava dando apoio a uma blitz no trânsito, foi fotografada já sem vida estirada no asfalto.

As fotos do corpo dela no caixão também foram expostas ao público, de bom tamanho, até nos jornais impressos. O desespero da mãe e do namorado pelos canais de televisão. Mas ninguém viu até agora as fotografias dos homicidas.

Uma coisa em que acredito piamente é no poder da execração pública. As fotografias dos policiais homicidas deveriam aparecer na mídia ao lado do corpo da moça estirado no asfalto.

Por que não? Por que são protegidos? Por temor às represálias, a si mesmos e aos seus familiares? Esse temor deve ser um princípio ou uma condição para que não atirem em civis desarmados.

Uma blitz de rotina não é um cerco a assaltantes e traficantes. A finalidade de uma blitz é a arrecadação em primeiro lugar. Só em segundo ou terceiro lugares existe mesmo essa idéia de zelar pela segurança pública.

A execração pública é uma arma poderosa, capaz, por si mesma, de inibir esse tipo de atitude. Mas esse corporativismo com o qual os militares protegem a sua imagem é prejudicial para todos.

Ouvi diversas pessoas exprimirem sempre a mesma opinião: "não vai acontecer nada com eles”. O próprio comandante da Polícia Militar disse durante entrevista coletiva que “é muito cedo” para se falar nisso, na possibilidade de que os assassinos sejam expulsos.

Os policiais assassinos deveriam ter sido despidos da farda imediatamente, por absoluta falta de respeito e compromisso com a sua corporação, pela ameaça que constituem para os civis.

Homens com autorização para usar armas de fogo devem ter mais autocontrole que os homens aos quais não é permitido usar armas. Se não são capazes de controlar os ímpetos e o desejo insano de atirar em alguém que façam o favor de procurarem outra profissão.

Todos nós entendemos que a fuga do rapaz da moto decorreu do pânico em ser autuado porque usava chinelos, e, em especial, ter que pagar uma multa. As multas de trânsito não constituem moleza nem fazem distinção quanto ao nível de renda.

Melhor mostrar as imagens dos homicidas e desse modo limpar a imagem da corporação, mostrar punição com rigor para restabelecer a confiança da população nos policias militares. Caso contrário vamos ficar a esperar outro fato como esse. É muita covardia da Polícia Militar atirar pelas costas em pessoas das quais não existem dúvidas que são pobres.

As estatísticas bem poderiam apresentar dados sobre os casos de moças que perdem a vida por estarem nas garupas de seus namorados e amigos, sempre por acidentes, por falta de temeridade ou excesso de confiança nos seus parceiros.

Mas receber um tiro de fuzil nas costas, que lhe arrebentou o coração, é algo que não poderia ter acontecido nunca com aquela moça, atingida pelo policial mantido com verba do erário, que também financiou a própria bala do fuzil.

Eu, cidadã, quero ver também as fotos dos policiais que nesta mesma semana atiraram e espancaram o inocente jovem universitário. Quero ver as fotos dos policiais militares que atiraram e assassinaram a moça que estava na garupa da moto do namorado que tentou escapar da blitz.

Nós precisamos saber tudo, até mesmo se está havendo alguma conspiração para afetar a imagem e colocar em dúvida a competência da atual Secretária de Segurança, que está tentando fazer o melhor possível.

Fátima Almeida é historiadora