quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Nosso pão de milho transgênico de cada dia

POR BAB FRANCA



Excelentíssimos Senhores Vereadores e Deputados  do Estado do Acre (os que são e os que assumirão), venho solicitar pública e respeitosamente de Vossas Excelências, muita atenção ao assunto que abordarei nestas breves linhas. Irei direto ao assunto: Excelentíssimos, nós acreanos, com “e”, filhos, netos, bisnetos e tataranetos de nordestinos, caboclos e sírio-libaneses, acostumados há décadas a comer o saboroso cuscuz de milho no café da manhã, que, aqui no Acre, antes da chegada dos colonizadores sulistas na década dos 1970 era mais conhecido como “pão de milho”,  estamos correndo grande risco de saúde por estarmos há alguns anos nos alimentando de milho transgênico, ou seja, milho geneticamente modificado.

Estive em todos os supermercados de Rio Branco, fiscalizei e verifiquei que nas prateleiras reservadas aos derivados deste produto, para minha grande decepção e espanto, nenhuma  das seis marcas encontradas ofereciam derivados de milho natural. Todos os supermercados trabalham com milho  transgênico, nenhuma marca trabalha com milho de procedência natural - a única diferença entre elas, era o tamanho do “T” de transgênico.

Penso que não sou obrigado a me alimentar da maneira que os governos estadual e federal  arbitram e determinam. A população brasileira, pacificamente acomodada, aceita qualquer produto que lhe oferece sem sequer questionar a liberdade de escolha e consumo, e o que é pior, paga sem reclamar o preço e não tem o hábito de verificar a data de validade. Eu, cidadão brasileiro pagador de tributos, sugiro que Vossas Excelências criem projetos de lei municipal e estadual propondo às prefeituras e ao governo estadual a obrigatoriedade de todas as redes de supermercados do Acre a exibirem em suas prateleiras a informação “produtos transgênicos”, em letras graúdas e em cores vivas. Assim sendo, quem gosta deste tipo de produto, o consome, e quem não se interessa pelo mesmo, passa longe, e quem nem sabe do que se trata, pode se interessar e pesquisar sobre o assunto.

Como não existe a possibilidade de se comprar derivados do milho normal e natural nos supermercados de  Rio Branco, sugiro que Vossas Excelências enviem projeto de lei para o governo no sentido de se criar uma lei que obriguem o comércio a importarem uma quantidade determinada de milho do Peru e da Bolívia, países que não cultivam grãos transgênicos e tem uma grande diversidade de tipos de milho orgânico. Sabe-se que estes países tem tradição milenar no cultivo deste precioso alimento, e o que é melhor, estão bem próximos de nós. Fica bom e viável do ponto de vista econômico também, além de que, é melhor para a saúde.

O milho é o alimento principal da América Latina. No Brasil, existem mais de 20 itens culinários à base de milho. Exemplos: mugunzá, pamonha, canjica, angu, broa, bolo, pão de milho, polenta, aluá etc. Precisamos ter mais zelo com a alimentação das crianças do nosso país, temos que ter o mínimo conhecimento sobre o que compramos e de que nos alimentamos. Nem mesmo os cientistas poderão explicar ao certo o que poderá ocorrer com a saúde de quem se alimenta de grãos transgênicos. Quem sabe, talvez algum fanático defensor, por motivos corporativistas ou partidários, se insurja contra este apelo. Como já dizia meu tataravô, é melhor prevenir que remediar. Atenção senhoras mães, donas de casa, seus filhos correm sério risco de se transformarem em Frankensteins, sua filha grávida pode desenvolver fetos com anomalias físicas e cognitivas.

Sou neto de Domingos do Rêgo Leite, pai de minha mãe Maria Deusa de Farias Leite. Esse guerreiro potiguar, natural de Apodi, foi um dos primeiros homens a trazer grãos do nordeste para plantar no  Acre. Ele cultivou um belo milharal em um grande roçado onde se produzia quase tudo, inclusive cana-de-açúcar. Tarauacá teve a sorte da chegada deste homem de bem em suas terras no início do século 20. Minha mãe aprendeu com minha avó Olinda Farias Nobre a fazer o pão de milho com o milho ralado, amarrado no pano úmido numa tampa de panela ou prato raso. Depois fazia-se a cobertura com leite de castanha verde, e se servia quentinho. Isso é qualidade de vida. Da pena ver o povo pobre, ingênuo e humilde da nossa terra, comendo cuscuz transgênico nos mercados pela manhã.

A limitação da participação da sociedade, que depende do grau de conscientização quanto aos problemas ambientais, do seu nível de organização e da existência de comunicação entre a sociedade e a administração pública, é que nos faz andar devagar.  Por isso, o Brasil tende a crescer sem qualidade e lentamente. E é exatamente por isto que estou tomando esta iniciativa. O antigo grego Hipócrates, considerado o pai da medicina, dizia: “Que o teu alimento seja o teu remédio e que o teu remédio seja o teu alimento”.  Nossa qualidade de vida depende da nossa atuação, comportamento e atitude.

Em tempo: o cultivo de milho geneticamente modificado foi liberado no Brasil no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que desconsiderou os conselhos do Ibama , Anvisa e outros sobre os  riscos que este tipo de cultura poderia causar.

Bab Franca é artista plástico

28 comentários:

. disse...

Nunca entendi tanto preconceito com o progresso e com os trangênicos.

joaomaci disse...

Muito importante o alerta e legítimo o protesto.
E pra piorar a patifaria, li na Carta Capital, que na produção da cerveja, que não tem lá todo esse simbolismo regional mas conta com um contingente considerável de apreciadores, estão substituindo cevada por milho transgênico... pode?!?! Se quiser leia o artigo neste link: http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/cerveja-o-transgenico-que-voce-bebe-300.html

Aflora disse...

Valeu, Bab!
E aqui no Acre, é verdade que já tem milho trangênico sendo cultivado? E sob os auspícios do governo Tião Vianna?

Tissiano disse...

Bab, isto é grave mesmo, pois o pão de milho, apesar de ter um enorme simbolismo para o Acre, como você mostra, é uma pequena parte do rol de produtos que utilizam OGM e seus derivados. Só para complementar a informação sobre a liberação de transgênicos, a primeira vez que o governo permitiu a comercialização de soja produzida com a semente da Monsanto, a Roundup Ready, foi em 2003, através da Lei 10.668 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.688.htm), em 2005 abriu-se a porteira de vez com a modificação da 8.974 pela 11.105 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11105.htm#art42), que para mim, tornou o CTNBio um enfeite de bolo, sem força. Pois bem, para finalizar, gostaria que as pessoas vissem quem são os signatários destas duas leis, a Marina Silva também está ali. Não quero parecer pernicioso, mas é que deixar de lado os contextos históricos onde os fatos foram produzidos, alimenta esta onda de criar vilões e heróis, o que eu não acho, em nenhum dos casos, algo bom.
Tissiano

Tissiano disse...

Se for publicado o meu comentário anterior, eu me adianto e reconheço que não estou levando em conta a postura da Marina, que acabou por se afastar do Governo. Mas, como disse antes, este é o perigo de se agarrar num recorte de algo, no caso, uma assinatura.

http://genpeace.blogspot.com disse...

Bob, os milhos transgênicos (há pelo menos seis tipos diferentes sendo cultivados) foram longamente avaliados pela CTNBio antes de serem liberados para plantio e consumo. E não apenas pela CTNBio mas, nos demais países do mundo, pelas agências oficiais deles: a EFSA europeia, a OGTR australiana, a EFSA e o EPA americanos, e por aí vai. Todas as agências, que estão muito longe de serem decoração de bolo, concluíram a mesma coisa: os milhos transgênicos avaliados são tão nutritivos e seguros quanto os milhos convencionais.

Depois de mais de 10 anos de consumo destes milhos por gente e bicho pelo mundo afora, não há um único relato de danos à saúde, fora as palhaçadas pesudo-científicas publicadas pelo Séralini e seus franceses doidinhos e por mais meia dúzia de gente muito bem paga pelos supermercados que vendem orgânicos na Europa e por outros interesses do tipo.

Estas variedades dão muita vantagem ao produtor e é por isso que a adoção do milho transgênico no Brasil chegou a 85% na safra de inverso e 65% na de verão. Como o bolo de milho (que aqui no Seridó e em outras partes do Nordeste se chama cuscuz) é um produto industrial, ele é feito com o milho do agronegócio, que é produzido por muitos diferentes agricultores e misturado nos silos. Não dá prá segregar o que é transgênico do que não é. Então os produtores de cuscuz e farinha de milho tascam o T para estarem seguros, isto é, para evitarem que alguém os processe por estarem vendendo produtos contendo milho GM, mesmo que talvez nem tenha nada GM.

O que importa é que estamos comendo cada vez mais milho GM, até na pipoca tradicional feita com milho desolhado aqui nas plagas nordestinas, e ninguém, mas ninguém mesmo, ficou doente por isso, nem vai ficar. Na verdade, ninguém está nem aí para ser transgênico ou não: o sabor é o mesmo, assim como as qualidades nutricionais.

Se aparecer um público coeso, fiel consumidor de milho não transgênico, fatalmente aparecerá quem atenda o mercado. É assim que funciona. O Brasil não pode nem deve obrigar a produção de uma coisa destas porque alguns poucos não aceitam comer milho transgênico, mesmo sem fazer a mais mínima ideia de como eles são construídos e como sua segurança é avaliada. E sua sugestão de importar milho dos países citados é bem curiosa: eles não produzem nem para eles mesmos: importam para seus animais e mesmo para as pessoas milho dos EUA, maior produtor de transgênicos do Mundo.

http://genpeace.blogspot.com disse...

Bob, os milhos transgênicos (há pelo menos seis tipos diferentes sendo cultivados) foram longamente avaliados pela CTNBio antes de serem liberados para plantio e consumo. E não apenas pela CTNBio mas, nos demais países do mundo, pelas agências oficiais deles: a EFSA europeia, a OGTR australiana, a EFSA e o EPA americanos, e por aí vai. Todas as agências, que estão muito longe de serem decoração de bolo, concluíram a mesma coisa: os milhos transgênicos avaliados são tão nutritivos e seguros quanto os milhos convencionais.

Depois de mais de 10 anos de consumo destes milhos por gente e bicho pelo mundo afora, não há um único relato de danos à saúde, fora as palhaçadas pesudo-científicas publicadas pelo Séralini e seus franceses doidinhos e por mais meia dúzia de gente muito bem paga pelos supermercados que vendem orgânicos na Europa e por outros interesses do tipo.

Estas variedades dão muita vantagem ao produtor e é por isso que a adoção do milho transgênico no Brasil chegou a 85% na safra de inverso e 65% na de verão. Como o bolo de milho (que aqui no Seridó e em outras partes do Nordeste se chama cuscuz) é um produto industrial, ele é feito com o milho do agronegócio, que é produzido por muitos diferentes agricultores e misturado nos silos. Não dá prá segregar o que é transgênico do que não é. Então os produtores de cuscuz e farinha de milho tascam o T para estarem seguros, isto é, para evitarem que alguém os processe por estarem vendendo produtos contendo milho GM, mesmo que talvez nem tenha nada GM.

O que importa é que estamos comendo cada vez mais milho GM, até na pipoca tradicional feita com milho desolhado aqui nas plagas nordestinas, e ninguém, mas ninguém mesmo, ficou doente por isso, nem vai ficar. Na verdade, ninguém está nem aí para ser transgênico ou não: o sabor é o mesmo, assim como as qualidades nutricionais.

Se aparecer um público coeso, fiel consumidor de milho não transgênico, fatalmente aparecerá quem atenda o mercado. É assim que funciona. O Brasil não pode nem deve obrigar a produção de uma coisa destas porque alguns poucos não aceitam comer milho transgênico, mesmo sem fazer a mais mínima ideia de como eles são construídos e como sua segurança é avaliada. E sua sugestão de importar milho dos países citados é bem curiosa: eles não produzem nem para eles mesmos: importam para seus animais e mesmo para as pessoas milho dos EUA, maior produtor de transgênicos do Mundo.

Bees4ned disse...

In Australia there is a very strong movement against Monsanto and Genetically modified foods and products which I , and many likeminded people have been actively aware and purchase ONLY NON GM. All GM products must be labelled by law.
The GM production of milho/corn/maize and crops like Canola threaten the naturally grown crops nearby.
Also Monsanto tries to take over all production and leaves the farmer dependent upon Monsanto fertiliser etc . with such power Monsanto could control the world's food source. A terrible thought that one company could have such power.
It is probably wise to be aware that eating meat that has been fed GM grains milho/ maize may be detrimental to human health. Fortunately here, in Australia, the animals graze on natural grasses and are not grain fed as theory are in USA and other places. Good article Bab... your amiga da 40 anni ..

Beneditino disse...

Há um ano decidi não mais fazer comentários em blogs. Este artigo me fez abrir uma exceção. O primeiro foi a ignorância nele contido e o segundo, o preconceito. Ignorância por induzir o leitor a acreditar que os transgênicos fazem qualquer mal à saúde humana. Preconceito por atacar os sulistas do nada. Não havia motivo algum para se introduzir no texto a expressão "colonizadores sulistas". Eles nada tem com o fato de se consumir milho transgênicos hoje no Acre. Se eles plantam e consomem milho transgênico é problema, e competência, exclusivos deles. Se o Acre não tem capacidade de produzir o seu milho não transgênico é problema do Acre. Não transfira para terceiros a culpa da incompetência em produzir os alimentos para sua população. Por fim: o grande Plácido de Castro era sulista!

Tissiano disse...

O professor Paulo Andrade(genpeace), da UFPE e ex-membro do CTNBio, tem bastante capacidade para discutir este assunto, mas sugiro aos leitores que procurem também a opinião dos professores Rubens Nodari e Paulo Kageyama, atuais membros do CTNBio, sobre os OGMs.

Paulo Andrade disse...

Tissiano, o contraditório é sempre bom. As opiniões dos professores Nodari e Kageyama são muito diferentes da minha e sempre foram, ao menos como membros e ex-membros da CTNBio. Vale a pena uma leitura atenta .

Paulo Andrade disse...

Bees4ned, good evening.

Australia has one of the most experienced and effective risk assessment office, the OGTR. The country adopted biotechnology and there is no report on environment or health damage, as anywhere else. As a risk assessor I wonder why people say GM corn can threaten maize and soybeans, specially taking into account that these plants are not native from Australia and do not have local relatives which could cross pollinate with transgenic varieties.

I would also appreciate to know where is the evidence that meat from GM fed animals is detrimental for our health: indeed, 100 billion animals have been fed GM grains in the last 10 years, with no reported damage for the animals or for the consumers. We have been feeding our poultry and pigs in Brazil for years with GM grains and they are perfectly healthy and… tasty.

Paulo Andrade disse...

Joaomaci, o uso de cereais não maltados na cerveja é permitido pela lei do Brasil e de muitos outros países grandes produtores, inclusive os EUA e.., a Bélgica.

Se o grão usado é transgênico ou não, não sei. Provavelmente é. Para um contraponto ao que o Valor publicou (faz tempo), você pode ler http://genpeace.blogspot.com.br/2012/10/cerveja-transgenica-mais-um-produto.html

Paulo Andrade disse...

Tissiano, ainda sobre a CTNBio: acho que você devia um dia viajar a Brasilia no dia da reunião da CTNBio (na verdade são dois dias, algumas vezes três, todos os meses, exceto janeiro) e ver os trabalhos por lá. Podia também olhar com bastante atenção quem são os pesquisadores e professores que sentam lá. Junto deles eu só um amador em ciência. E se decidem por aprovar um produto, não é porque a CTNBio se tornou um enfeite de bolo, mas porque, depois de fazer seu trabalho, concluem que os riscos são insignificantes.

Pode haver discordância? Sim. Tem que haver unanimidade? Não. Em ciência manda a maioria. É assim que funciona. Minhas posições lá eram afinadas com a da maioria dos cientistas. Já as do Nodari, do Kageyama e de outros eram opostas e, em geral, minoritárias. O fato deles se autodeclararem defensores do ambiente e de acusarem a maioria de ser irresponsável ou incauta é apenas o reflexo de sua derrota sistemática nas votações. Isso ocorre lá como em qualquer outro forum com forte viés ideológico, inclusive na política partidária.

Bees4ned disse...

To clarify..... for any company to have a monopoly over food production is of concern.
I agree that Monsanto GM products may allow for greater food production in the short term but according to farmers here the production rate greatly declines after a few years. Lack of diversity in grains may have dire consequences in the future.. biodiversity should be promoted not discouraged or abandoned.
There are people promoting a world seed bank to maximise the existence of diversity is this a bad thing? No . It is the result of a long sighted view that strives to preserve the rights of future generations to have access to as many natural resources as possible.
My comment about GM corn/milho being fed to cattle ...... it is not feasible to feed large numbers of cattle on unmodified grains and such dependence on corn in much cattle raising is of concern as it , together with that contained in many food products, may contribute to a diet of limited nutrition. Surely a diet with any one product being overly represented does not give balanced nutrition. As everything on this planet is interconnected this leads on to other areas involving the notion of sustainable and balanced agriculture and horticulture and a reappraisal of a healthy diet.

Bees4ned disse...

Good Day Paulo,
My argument is not primarily with the Scientists but with the Ethical position of Multinational companies having the power to override the rights of farmers and consumers not wishing to grow or buy GM produce/products.
There have been cases here where farmers growing Organically produced grains have lost their certification ( thereby losing their livelihood) due to contamination by Monsanto GM http://www.permaculturenews.org/2011/02/01 australia's-first-legal-attack-on-monsanto
The position of Science is also to be considered in the light of influence of powerful companies... Science if conducted rigorously and without bias ( without the influence of the funding body) over a long period of time may or may not find factors detrimental to human health in GM foods. However, one needs to consider that GM foods being in the control of powerful companies that edge out the natural food producers thereby denying the rights of choice to the populace. Where is the broader ethical consideration of all other aspects of life on the planet affected either directly or indirectly by such a global push on behalf of the wallets of the minority? The need for Gene Ethics.? and/or Multinational Ethics?
Hysteria you may say... we only have to look at the denials of the large tobacco companies and more recently climate sceptics denial in face of the now overwhelming majority of serious scientists ' concern over global warming.
Different issues on the surface but each of huge ethical importance... this is the platform from which I question.. Each of us is attempting to better the planet in our own way and the Earth is populated by so many people, plants , animals etc each necessary and deserving consideration.

joaomaci disse...

Obrigado pela indicação da leitura Dr. Paulo Andrade!
Na verdade, meu comentário não seria uma defesa aos "puristas". Queria destacar somente que, se é verdade que a legislação brasileira permite o uso de cereais não maltados, é verdade também que a legislação sobre transgênico neste país, embora que orquestrada pela Monsanto e pelos interesses ruralistas, nesta infeliz e contraditória aliança entre a moderna ciência e o patrimonialismo arcaico, obriga que os produtos que contém transgênicos sejam identificados.
Quanto aos fundamentalismos e miopia ideológica, também acredito ser danoso. Mas lembro que isso, historicamente, ocorre também com a veneração à um tipo de ciência extrema e deliberadamente comprometida com o economicismo e seus monopólios.

Paulo Andrade disse...

Dear Bees4ned

I agree with you on monopoly, it is not ethical, but is sometimes sought by companies in a capitalist World. It may lead to large profits, naturally; and is usually legal. But Monsanto and all the other big 5 are also dependent on the locally developed germoplams, usually the ownership of local companies and the Governments and every single (responsible) country has also its own seed banks and can offer large supplies of it. Moreover, hybrids have been protected by law for many years, much before agricultural biotechnology was introduced and this was never regarded as a threat. Finally, non protected varieties can be grown, used and distributed among farmers, with no royalties involved. Monsanto and the other large companies will never be able to override the farmers´ rights on free seeds.

As for the decrease in productivity or profits, we have a very different experience here in Brazil. Biotechnology adoption rates have been steadily increasing, for corn, soybeans and cotton. Next year we will star planting transgenic beans (developed and distributed by our government owned EMBRAPA – the Brazilian equivalent to CSIRO) and very soon also eucalyptus and sugar cane (this last one also a Brazilian developed product, not a Big 6 product).

The lack of seed diversity is kind of a myth. Germoplasm banks and the continuing effort in plant breeding ensure the availability of an ever increasing seed diversity. What is sold is, for sure, of a very narrow genetic basis, but as soon as pests and other threats appear due to any deleterious allele, seed producer can in a few months or years replace the varieties for new ones.

Diet diversity has nothing to do with the nutritional values of our crops, which have been kept pretty much the same in the last 50 years. What is increasingly seen is the substitution of a diversified diet by the ingestion of a kind of “standard” diet, derived from semi-processed and processed food. And this has no connection to biodiversity: what humans eat comes for some 20 plants and animals picked up by the colonizers hundreds of years ago and distributed over the Earth. Even in a very bio-diverse country like Brazil, local plants play a small role in the daily diet and local animals nil.

I also agree with you on sustainability. But every single human being has a different perception and a different approach on that issue and a consensus will be very difficult to be reached. We produce and export food for half this Word and must to that in a sustainable way, by avoiding soil degradation, excess use of water and other agricultural and environmental issues. One of the main issues is: we have to increase our productivity and our profits without expanding our crop areas. Biotechnology has helped doing that and will further help, developing new plants with increased yield, stress tolerant (drought and metal) and with other important agronomical traits, which would never be available in due time by the use of regular plant breeding. Many of these products are under development in our universities and research centers and, again, will not necessarily be Monsanto´s products. There is something we can´t do, as exporters for many countries, including Australia: go organics – productivity is too low, the logistics of production too complicate and so on.

(continuation in the next comment)

Paulo Andrade disse...

(continuatin fo the previous comment)

Now the question of a “independent” science x the main trend Science. The main trend science is usually unbiased and the results must be checked and inserted in a large body of evidences to be accepted, what further ensures unbiased results. It is nonsense to imagine that millions of professors and researchers all over the World, usually working in Government owned or supported universities, are under the payroll of Monsanto or any other company. On the other hand, the “independent” scientists are not that much independent, as they are directly or indirectly supported by big organic retailers and the alike. Anyway, GMO risk assessment is a purely biological exercise and do not consider social, cultural or economical issues. Once decided if the GMO is safe, these questions will be further discussed by the society. For the moment being, the Brazilian society does not reject agricultural biotechnology.

Finally, I would like to comment o “the right of choice of the populace”. If a product is considered safe as food or feed by the National authority, the decision of not eating it will be derived from suspicions unsupported by science or derived from an ideological or religious bias. There is no reason to oblige companies to label GM food or feed on this fuzzy basis.

Kindly
Paulo Andrade
Department of Genetics
Laboratory of Molecular Genetics
Federal University of Pernambuco Recife Brazil

Luiz Carlos de faraias franca disse...

Senhor Beneditino,

Sinto muito,mas ao me chamar de ignorante e preconceituoso,o senhor se revelou um grande ignorante raivoso.Um texto é pra ser lido com calma,é preciso ter atenção na leitura, pois senão o leitor corre o risco de ignorar a semântica, a hermenêutica,e não perceber o verdadeiro sentido do texto. Quando eu cito os "colonizadores sulistas"não é da maneira que o senhor interpreta,e sim dentro de um outro contexto,é quando falo da substituição do termo "pão de milho" pelo termo cuscuz,estou falando de uma substituição de expressão cultural,presto um serviço de pesquisa histórica. Da mesma forma que cito os sulistas, cito os colonizadores nordestinos (meu avô),no caso, e cito os sírio libaneses ( colonizadores também),e os caboclos ,quando me refiro à nossa formação étnica e cultural.A nossa miscigenação da primeira colonização.por isto que tenho que citar a próxima colonização nos anos de 1970,( a colonização sulista)entende? Da forma como o senhor se expressa em relação ao artigo, dá a impressão que é um artigo xenofóbico e anti-migração. O senhor mesmo é quem diz que os sulistas estão plantando milho transgênico ,em nenhum momento do artigo eu falo isso,inclusive o senhor diz que o Acre não tem capacidade para plantar. Pra ser sincero, esta matéria não é nem sobre transgênicos.O objetivo principal é discutir os direitos do consumidor no Acre. Quero saber porque em uma prateleira onde se oferece derivados do milho,entre as seis marcas apresentadas,nenhuma delas oferece derivados do milho natural,(normal), e sim, apenas transgênicos? Eu reivindico o direito de escolha,de comprar o que eu quero,não o que estão me impondo,( não sou vaca de presépio),sei o que me convém,penso com a minha cabeça. Sobretudo,porque antes, era ao contrário.Então, vamos respeitar a cultura, a memória, a vontade e desejo do povo;podem até forçar a venda de transgênicos como já acontece,dizer que é melhor, que não causa efeitos colaterais,que o milho é saboroso( é mentira!)o milho não é saboroso nem adocicado , e o sabugo é parecido com fibra sintética,o interior da espiga não tem o desenho nítido da formação celular e não é úmido como o normal, é mais seco e difícil de soltar o grão.Pra perceber isto, não precisa ser cientista nem fazer parte de nenhum conselho destes "BIO-TÉCNICOS". .Os demais leitores perceberão que o senhor colocou palavras na minha boca, de uma forma banal e vulgar.Fez Projeções e transferências psicológicas. Quando se registra a escrita em um fórum de debates,a análise e o julgamento do mérito tornam-se mais fáceis.É só prestar atenção na leitura. Proponho sim, a importação do milho orgânico do Peru em pequena escala (para o Acre)não para todo o Brasil, como entendeu o digníssimo debatedor professor.

O Professor Frances Gilles-Eric da Universidade de Caen na França- Coordenou estudos a respeito dos OGM,tendo em seu poder grãos produzidos pelos laboratórios da Monsanto.Com duzentos ratos sob seu poder ,dividiram os mesmos em grupos de dois. Ele e sua equipe pesquisaram durante dois anos com cem ratos comendo milho transgênico e cem ratos comendo milho orgânico. O resultado foi publicado na imprensa Francesa e internacional: Ratos que se alimentaram de grãos transgênicos desenvolveram câncer de pele e tumores cerebrais.Os do outro grupo, permaneceram sadios e felizes. Foi a ciência que comprovou, não foi o beato Salu,Ok?
Muito obrigado por me informar que o Herói Plácido de Castro era sulista. Eu não sabia.

Cordialmente.

Bab Franca- Artista Plástico.

Luiz Carlos de faraias franca disse...

Senhor Beneditino,

Sinto muito,mas ao me chamar de ignorante e preconceituoso,o senhor se revelou um grande ignorante raivoso.Um texto é pra ser lido com calma,é preciso ter atenção na leitura, pois senão o leitor corre o risco de ignorar a semântica, a hermenêutica,e não perceber o verdadeiro sentido do texto. Quando eu cito os "colonizadores sulistas"não é da maneira que o senhor interpreta,e sim dentro de um outro contexto,é quando falo da substituição do termo "pão de milho" pelo termo cuscuz,estou falando de uma substituição de expressão cultural,presto um serviço de pesquisa histórica. Da mesma forma que cito os sulistas, cito os colonizadores nordestinos (meu avô),no caso, e cito os sírio libaneses ( colonizadores também),e os caboclos ,quando me refiro à nossa formação étnica e cultural.A nossa miscigenação da primeira colonização.por isto que tenho que citar a próxima colonização nos anos de 1970,( a colonização sulista)entende? Da forma como o senhor se expressa em relação ao artigo, dá a impressão que é um artigo xenofóbico e anti-migração. O senhor mesmo é quem diz que os sulistas estão plantando milho transgênico ,em nenhum momento do artigo eu falo isso,inclusive o senhor diz que o Acre não tem capacidade para plantar. Pra ser sincero, esta matéria não é nem sobre transgênicos.O objetivo principal é discutir os direitos do consumidor no Acre. Quero saber porque em uma prateleira onde se oferece derivados do milho,entre as seis marcas apresentadas,nenhuma delas oferece derivados do milho natural,(normal), e sim, apenas transgênicos? Eu reivindico o direito de escolha,de comprar o que eu quero,não o que estão me impondo,( não sou vaca de presépio),sei o que me convém,penso com a minha cabeça. Sobretudo,porque antes, era ao contrário.Então, vamos respeitar a cultura, a memória, a vontade e desejo do povo;podem até forçar a venda de transgênicos como já acontece,dizer que é melhor, que não causa efeitos colaterais,que o milho é saboroso( é mentira!)o milho não é saboroso nem adocicado , e o sabugo é parecido com fibra sintética,o interior da espiga não tem o desenho nítido da formação celular e não é úmido como o normal, é mais seco e difícil de soltar o grão.Pra perceber isto, não precisa ser cientista nem fazer parte de nenhum conselho destes "BIO-TÉCNICOS". .Os demais leitores perceberão que o senhor colocou palavras na minha boca, de uma forma banal e vulgar.Fez Projeções e transferências psicológicas. Quando se registra a escrita em um fórum de debates,a análise e o julgamento do mérito tornam-se mais fáceis.É só prestar atenção na leitura. Proponho sim, a importação do milho orgânico do Peru em pequena escala (para o Acre)não para todo o Brasil, como entendeu o digníssimo debatedor professor.

O Professor Frances Gilles-Eric da Universidade de Caen na França- Coordenou estudos a respeito dos OGM,tendo em seu poder grãos produzidos pelos laboratórios da Monsanto.Com duzentos ratos sob seu poder ,dividiram os mesmos em grupos de dois. Ele e sua equipe pesquisaram durante dois anos com cem ratos comendo milho transgênico e cem ratos comendo milho orgânico. O resultado foi publicado na imprensa Francesa e internacional: Ratos que se alimentaram de grãos transgênicos desenvolveram câncer de pele e tumores cerebrais.Os do outro grupo, permaneceram sadios e felizes. Foi a ciência que comprovou, não foi o beato Salu,Ok?
Muito obrigado por me informar que o Herói Plácido de Castro era sulista. Eu não sabia.

Cordialmente.

Bab Franca- Artista Plástico.

Bees4ned disse...

MEMENTOS

Lizard laced shard
of an oil jar,
or vase past
tinged with pigment........

now a prize wedged
between stone, rigani and thyme.

A plucked stave
supporting the future,
summoning notes
of a new concerto.....

the relic's presence
transposes texture, colour and form.


Julianne Higgins.
Mycenae Greece 1979.

http://genpeace.blogspot.com disse...

Bab, fiz mais uns comentários sobre os seus cometários acima. Como ficaram muito longos e podem ser aproveitados como comentários mais amplos sobre a questão da escolha GM X convencional e outras polêmicas dos transgênicos, resolvi postar em http://genpeace.blogspot.com.br/2014/11/cuscuz-de-milho-transgenico-preocupacao.html

Boa leitura.
Att.
Paulo Andrade

Luiz Carlos de faraias franca disse...

Olá, boa tarde. Tenho uma ótima notícia, recebi um comunicado de uma pessoa muito simpática que tem uma bela colônia aqui em Rio Branco, a mesma gostou do apelo que fiz no artigo e me disse que está averiguando a possibilidade de importar milho orgânico do Peru para plantar em sua Colônia , inclusive pensa em envolver todos os moradores do ramal para fazer um trabalho em comum acordo dentro de um projeto racional e sustentável e, mais adiante, pretende comprar um moinho para beneficiar os grãos .Que bom ,o artigo trouxe resultados positivos .E eu acho que se pode aproveitar as áreas degradadas para plantio de muitos milharais em nossos municípios . Rio Branco já tem um bom público consumidor de produtos naturais; gente comendo arroz integral, já tem pessoas interessadas em cultura holística ,pessoas malhando ,tem gente fazendo yoga ,galera pedalando e nadando, e o que é melhor, todos gostam dos derivados do milho.( segundo os macrobióticos japoneses ) ,o milho e a aveia são os melhores alimentos para problemas cardíacos
E aos que me acusaram de ser contra o progresso, vai o seguinte recado: Primeiro quero saber ,que progresso? Pra que e em beneficio de que e de quem? O progresso é uma coisa relativa como são todas as coisas neste planeta que foi invadido por estes humanoides predadores irracionais. Não sou contra o progresso ,inclusive ficarei feliz se a Monsanto provar por A+B que os transgênicos não são nocivos à saúde humana, e que não é apenas um meio de vida para uma pequena turma ganhar muito dinheiro em detrimento da maioria da população mundial. Não sou contra o progresso ,fico triste quando leio a história do Astrônomo Galileu Galilei, que ao afirmar que a terra girava em torno ao sol , teve prisão decretada , e ficou preso até os fins de seus dias. Mas não vamos comparar alhos com bugalhos, certo? Progresso é melhor com sustentabilidade e sem grandes impactos ambientais
continua...

Luiz Carlos de faraias franca disse...

Sou, por exemplo ,a favor do progresso das abelhas. Albert Einstein , nosso grande cientista ,afirmou que se um dia as abelhas sumirem da face da terra ,logo em seguida toda a humanidade desaparecerá também; segundo ele, as abelhas são responsáveis pela existência da humanidade, porque a função ecológica delas é fundamental na manutenção da diversidade de espécies vegetais e reprodução sexual das plantas, contribuindo assim com a fertilização de todos os ecossistemas e biomas; da mesma maneira que os roedores e os pássaros contribuem espalhando as sementes e caroços para a manutenção das florestas .Fazem este trabalho em perfeita sintonia com as abelhas sem auxilio de nenhum GPS. Observem as imagens de satélite e vejam quais os estados Brasileiros são mais desmatados e façam a seguinte interrogação: será que as populações de espécies nativas de abelhas aumentaram ou diminuíram, nestes estados? E não é apenas o desmatamento , o uso descontrolado e irracional de agrotóxicos nas lavouras, contribui bastante para isto, quando as abelhas pousam nas flores para realizarem o ofício que lhes é natural, entram em contato com o veneno do agrotóxico, e ao tentarem retornar para seus lares, não conseguem porque ficam tontas ,se perdem e morrem. Quem afirmou isto foram os cientistas, não foi o beato Salu.
Cordialmente,
Bab Franca- Artista Plástico.

http://genpeace.blogspot.com disse...

Bab, agora você está certíssimo: louvemos a iniciativa do colega que deseja produzir milho orgânico (ele pode conseguir ótimas sementes crioulas no oeste de Santa Catarina) e beneficiar o produto para consumo por aqueles que não querem os transgênicos.É assim que se sai da reclamação e se encontra a solução.
Também concordo que temos que preservar as abelhas. Vou mais adiante: temos que defender todos os polinizadores, não apenas a abelha europeia ou africanizada, que é muito útil, mas é exótica e desloca, em muitos casos, nossas abelhas nativas.
Tudo isso pode ser feito em convivência com as novas tecnologias, desde que estas sejam executadas com respeito ao ambiente, algo que é perfeitamente possível.
Espero que todos tenhamos um ótimo Natal, bem brasileiro, com peixada, açaí e licor de jabuticaba.

Farawaylady disse...

Por acaso vi este blog e sinto muito, ate da vontade de chorar, como as pessoas nao se informam. GMO eh sua morte!!!! Quando eh que vao entender isso?

H. Goncalves, Pernambuco

Paulo disse...

Gonçalves, a gente tá comendo transgênico faz um bom tempo e não conheço ninguém que tenha morrido nem sequer adoecido por causa disso. Mas apreciaria muito ver uma casuística séria disso. Se você tiver, por favor nos informe.