sábado, 5 de abril de 2014

O Eldorado e a desventura de Percy Fawcett

POR ARQUILAU DE CASTRO MELO 

 Foto que Percy Fawcett fez de Plácido de Castro um ano antes do comandante da Revolução Acreana ser assassinado

Encontrar o Eldorado brasileiro que se acreditava achar escondido no coração da floresta amazônica era o sonho alimentado por muitos exploradores e cientistas europeus, do inicio do século XX.  A história da existência do Eldorado foi difundida na Europa e, particularmente na Inglaterra, pelos primeiros viajantes que se aventuraram pelos grandes rios da região a partir de conversas que tinham com os índios que habitavam as margens desses rios.

O Eldorado cujo nome significa “o homem dourado”, na imaginação dos exploradores e aventureiros seria uma cidade próspera e gloriosa, construída por uma civilização avançada, com ruas largas, casas altas, túneis subterrâneos e ouro, muito ouro.

Foram muitas as tentativas de se alcançar o Eldorado e uma delas ganhou especial notoriedade, com ampla cobertura da imprensa, por que organizada pelo Coronel do Exército Britânico, o explorador Percy Fawcett em cujo curriculum registrava haver participado da primeira guerra mundial combatendo os alemães e ter demarcado , em 1907, as fronteiras da Bolívia com o Brasil em tempo recorde.

Fawcett imaginou que só seria possível alcançar o Eldorado em uma expedição terrestre e com um mínimo de pessoas para não chamar atenção dos índios que habitavam a região. A expedição foi financiada por vários jornais ao redor do mundo que pretendiam divulgar com prioridade as descobertas de Fawcett e também pela Real Sociedade Geográfica de Londres.

Em abril de 1925 Fawcett, seu filho Jack e um amigo (Raleigh Rimell), ambos com 21 anos de idade, deixaram Cuiabá, montados em mulas e cavalos e se enveredaram pela floresta. Nos dois meses seguintes conseguiram mandar cartas do Xingu contando toda a sorte de dificuldades que era percorrer a floresta a pé, enfrentando animais e índios arredios, contudo, ainda mantendo viva a esperança de chegar ao Eldorado.

Daquela data em diante, porém, foram dados como desaparecidos e até hoje não se sabe exatamente o que aconteceu com os três ingleses, embora teorias não faltem para explicar o desaparecimento dos exploradores. Uns dizem que, de fato, eles encontraram o Eldorado e simplesmente renunciaram voltar à civilização, outros tantos aduzem que foram mortos por índios e, finalmente há aqueles que dizem que decepcionados por não haverem encontrado o tão ambicionado Eldorado Fawcett e seus companheiros resolveram vagar pela floresta.
Consta que mais de cem expedições foram organizadas para resgatar os três exploradores. Nenhuma delas alcançou a sua finalidade e algumas até tiveram o mesmo fim, o desaparecimento, sem rastros, no coração da Amazônia brasileira.

O fato é que a história da exploração de Fawcett inspirou livros, revistas em quadrinhos e até filmes como Indiana Jones. Um dos livros mais recentes lançados a respeito chama-se “Z”, A Cidade Perdida, do escritor americano David Grann que para descrever a saga do Fawcett desenvolveu uma ampla pesquisa perante os órgãos oficiais dos governos britânico e brasileiro; entrevistou familiares dos exploradores e teve acesso a documentos nunca antes revelados e finalmente veio à amazônica percorrer a trilha de Fawcett e conversou com índios descendentes daqueles hospedaram os exploradores em suas malocas. Ao final de sua narrativa David conclui que de fato o Eldorado tal qual imaginaram Fawcett e outros exploradores não existiu, contundo pesquisas arqueológicas modernas apontam que os índios brasileiros da região do Xingu, em tempos imemoriais, chegaram a edificar construções modernas como estradas e túneis cuja história seus descendentes desconhecem.

Ainda nas suas primeiras incursões pela Amazônia quando demarcava as fronteiras da Bolívia com o Brasil, Fawcett encontrou-se com o Plácido de Castro, provavelmente, no seringal Capatará, de propriedade de Plácido, localizado à margem direita do rio Acre, pouco acima de Rio Branco. É de autoria de Fawcett uma rara fotografia em Plácido aparece em traje de seringalista de botas de borracha e vestindo um blusão e calça caqui e cercado por cachorros de caça.

Arquilau de Castro Melo é advogado

3 comentários:

João Tezza disse...

Dr. Arquilau sempre nos fornecendo informações para que revelemos ao futuro quem fez a história do Acre!

É a justificação para a vida e o compromisso com o futuro (e a verdade). Obrigado amigo!

João Tezza

o autor do blog disse...

Ótimo texto, Arquilau! Os anos de Justiça como advogado, juiz e desembargador não arranharam seu estilo de bom reporter com escrita clara e elegante nos tempos do Varadouro, Repiquete e Gazeta do Acre.
Parabéns!
Elson Martins

Renã Pontes disse...

Escreve, o homem. Como diria Galeano, E. "Não sobra nada, não falta nada".