quarta-feira, 26 de março de 2014

A turma do quanto pior melhor



Não vejo ninguém a criticar a obrigação ou dever (esforço, como querem alguns) do governo estadual para livrar o Acre do completo isolamento e desabastecimento total por causa da cheia do Rio Madeira que inunda a BR-364 e transtorna a travessia de balsas com destino a Rio Branco na confluência com o Rio Abunã.

O que a sociedade inteira está a criticar é a mentira e a incompetência dos políticos e do governo.

Além de chicória e cheiro-verde, não conseguimos produzir praticamente nada, embora os políticos e o governo digam constantemente que têm “feito surgir uma nova classe média rural no Acre” e que o Estado tem "economia pujante".

Não produzimos sequer ovos suficiente para nosso consumo, por exemplo, mas o governo fala em exportar ovo em pó para a China enquanto a população não encontra essa produção em mercearias e supermercados.

Entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul já foram construídas mais de 20 pontes pequenas, médias e grandes, que somam mais de três quilômetros de vão, mas a ponte sobre o Rio Madeira nunca passou de uma quimera.

Apenas no centro de  Rio Branco, a  capital do Acre, temos cinco pontes. Cada uma delas custou uma fortuna, sendo que uma das mais imponentes e caras serve apenas para a passagem de poucos pedestres e turistas, pois a maioria que necessita atravessar o Rio Acre a pé o faz pelas demais pontes.

Nossos políticos perderam anos a delirar com Estrada do Pacífico, Interoceânica, exportação, costa oeste dos Estados Unidos, mercado Asiático, mas esqueceram de saber quem é detentor de quatro outorgas de autorização concedidas pelo governo federal para explorar serviço de transporte de passageiros, veículos e cargas na navegação de travessia em três rodovias federais na Bacia Amazônica.

Nenhum deles jamais foi capaz de citar o nome ou peitar o deputado Roberto Dorner,  o Mato Grosso. Empresário, agricultor, pecuarista, Dorner fatura mensalmente cerca de R$ 2 milhões com as balsas no Rio Madeira, no distrito de Abunã (RO), a 280 quilômetros de Rio Branco, passagem obrigatória de quase tudo que entra ou sai via BR-364, a única que liga as demais regiões do País ao extremo-oeste brasileiro.

A população do Acre enfrenta desabastecimento de alimentos e combustíveis por causa da inexistência da ponte sobre o Rio Madeira, que jamais foi tratada como uma obra estratégica por nossos políticos e governantes.

Os postos de combustíveis continuam vazios. Cadê a usina Álcool Verde que iria nos libertar da gasolina?  Trata-se de um projeto fracassado, de meados dos 1980, que jamais havia produzido álcool porque o dinheiro foi drenado para os bolsos dos políticos da época.

A insanidade política contemporânea tentou reanimar o defunto ao adquiri-lo do Banco do Brasil com dinheiro do contribuinte, tendo como sócio um grupo privado.

Nesses dias de desabastecimento de combustível em Rio Branco, não podemos esquecer da promessa dos políticos. Eles disseram que a Álcool Verde estaria a produzir  7 milhões de litros de álcool, em 2014, e que o preço no Acre seria o mais baixo do país.

A cheia do Madeira, agravada ou não pela construção das hidrelétricas, inundou a BR-364 e tornou precário o tráfego, mas o que tem nos mantido isolados do restante do país é a logística da travessia em balsas que se desfez no distrito de Abunã.

As mentiras dos políticos e do governo servem para uni-los na turma do quanto pior melhor. Dependem disso como retroalimento.

2 comentários:

José Eloy da Costa Júnior disse...

Mais um texto perfeito, Altino! Mas você esqueceu de mencionar os outros projetos de "sucesso" do governo: coco anão, tomate no balde, bambu para a china, ZPE, etc!

Carlos Floresta disse...

"Enfim, 'os meninos do pt' envelheceram e ficaram iguaizinhos ao velhos abutres da 'oposição'. Saída? Tem não, fi! A BR tá alagada!"
Papo ouvido na fila da gasolina...