domingo, 22 de dezembro de 2013

Retrato do Acre de Chico Mendes 25 anos após o assassinato em Xapuri


Neste domingo (22) faz 25 anos que o líder sindical e ecologista Chico Mendes foi assassinado em Xapuri (AC) por se opor à pecuária extensiva de corte e à exploração florestal madeireira do Acre, duas atividades predatórias em franca expansão no Estado.

No final da tarde deste sábado (21) fotografei parcialmente uma fazenda na BR-317, palco da luta de Chico Mendes, que agora exibe, como nas demais estradas e ramais, o consórcio da pecuária extensiva de corte com a exploração florestal madeireira, que empregam pouco e são reconhecidamente predatórias.

Como bem assinalou durante a semana (veja) a professora Letícia Mamed, aos empresários rurais no Acre houve concessão de terras, crédito, infraestrutura, renúncia fiscal e inúmeros incentivos, cujos efeitos são a concentração da terra e da renda.

O povo acreano mesmo, sobretudo o que vive na floresta, segue cada dia mais dependente de programas como o Bolsa Família ou Bolsa Verde.

Na margem da rodovia, enquanto fotografava, lembrei de Chico Mendes e do artigo que seria publicado neste domingo, no Blog da Amazônia, em que Marco Antônio Salgado Mendes relata o que o seringueiro disse em 90 segundos - o tempo que teve para se manifestar em Nova York, em 1987, um ano antes de morrer, ao receber um prêmio por causa de sua luta em defesa das florestas do Acre e da Amazônia:

- Fazemos um apelo ao povo norte-americano para que continue exigindo políticas e práticas ambientalmente responsáveis… dos maiores bancos internacionais que financiam o desenvolvimento da Amazônia... Ajudem-nos a enfrentar as multinacionais – inclusive as norte-americanas – que, neste momento, através da exploração de madeira, contribuem para aumentar a devastação...

Artigos e reportagens deste domingo sobre os 25 anos do assassinato de Chico Mendes denunciam o engodo que é o Acre na atualidade.

Apenas o governo estadual segue na insânia de tentar escamotear a verdade. Celebra uma morte no Natal e tenta substituir Papai Noel por Chico Mendes.

Na verdade a morte de Chico Mendes foi transformada em oba oba, circo e festa. Mas é tudo muito medido para disfarçar o drama e impedir a reflexão sobre a verdadeira realidade do Acre.

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Um comentário:

Carlos Floresta disse...

Criar gado dá mais lucro que criar consciência.
Pobre Chico.
Patrono do meio ambiente no Brasil e da pecuária no Acre.