terça-feira, 13 de agosto de 2013

PT se rende à decisão popular que restabele fuso horário tradicional do Acre

O senador Sérgio Petecão (PSD-AC) solicitou, nesta terça-feira (13), celeridade à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para votar o relatório favorável, apresentado pelo senador Aníbal Diniz (PT-AC) ao PLC nº 43/2013, que restabelece o horário antigo do Acre.

O presidente da CAE, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), garantiu ao senador Petecão que o projeto entrará na pauta de votação já na reunião da próxima terça-feira (20). Petecão explicou que o projeto é da máxima importância para a população acreana.

- O povo está aguardando essa decisão. Precisamos tratar a matéria com prioridade máxima.

Se aprovado na CAE, o projeto segue para a Comissão de Relações Exteriores (CRE) em caráter terminativo.

A retomada do fuso horário acreano foi expressa pela população no referendo realizado em 2010, e mostrou que a maioria da população opta pelo horário de duas horas a menos em relação à hora oficial de Brasília.

Designado relator do Projeto de Lei da Câmara nº 43, de iniciativa da presidente Dilma Roussef, que restabelece os fusos horários do Estado do Acre e de parte do Estado do Amazonas, o senador Aníbal Diniz (PT-AC)  finalmente se rendeu à decisão da maioria da população.

Veja o relatório:

I – RELATÓRIO

Tramita nesta Comissão o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 43, de 2013 (nº 3.078, de 2011, na Casa de origem), de iniciativa da Presidenta da República, que restabelece os fusos horários do Estado do Acre e de parte do Estado do Amazonas, que haviam sido alterados pela Lei nº 11.662, de 24 de abril de 2008.

O autor dessa Lei, o então Senador Tião Viana, motivou sua iniciativa por prejuízos econômicos, sociais e culturais decorrentes do atraso de duas horas do fuso horário aplicado ao Estado do Acre em relação ao fuso horário das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul do País. O atraso era anualmente aumentado para três horas na vigência do horário de verão.

Tal situação apresentava-se difícil de ser justificada, uma vez que quando da sanção pelo Presidente Hermes da Fonseca do Decreto nº 2.784, de 1913, que estabeleceu os fusos horários no Brasil, o Acre ainda não existia enquanto Estado, ainda não possuía a devida representação no Parlamento Brasileiro. Os meios de comunicação e transporte eram rudimentares. A título de exemplo, uma simples viagem do Rio de Janeiro, à época nossa Capital Federal, para Rio Branco, consumia meses de navio e outras embarcações adequadas para navegação nos rios amazônicos.

Por tudo isso, os argumentos apresentados pelo proponente da matéria, o Senador Tião Viana, revelaram-se tão consistentes que conquistaram a unanimidade dos votos do Congresso Nacional e a sanção da Lei pelo Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, no dia 24 de abril de 2008.

Assim, a necessária mudança do fuso horário reduziria os prejuízos, os contratempos e os desconfortos que o povo acreano sofria há anos com a disparidade de fusos horários entre a região mais ocidental e o restante do Brasil.

Inicialmente, o projeto de lei propunha alteração dos fusos horários apenas para o Estado do Acre e parte do Estado do Amazonas, duas únicas regiões do País onde a diferença de fuso horário era de duas horas em relação à Hora Oficial de Brasília. Na Câmara dos Deputados, foi incluída a unificação da hora legal do Estado do Pará para coincidir com a Hora Oficial de Brasília. Antes da Lei, vigiam nesse Estado dois fusos horários: um coincidente com a Hora Oficial de Brasília, e outro com uma hora de atraso.

A Lei entrou em vigor em junho de 2008. Tão logo a população acreana foi submetida à mudança de fuso horário, iniciaram-se acalorados debates em torno da sua conveniência, refletindo clara divisão de opiniões no seio da sociedade em torno do tema.

Partidários e críticos da alteração do fuso horário sustentaram o debate, que culminou com a aprovação, no Congresso Nacional, do Decreto Legislativo nº 900, de 2009, que dispunha sobre a realização de referendo para decidir sobre a alteração da hora legal do Estado do Acre. Em 2010, concomitantemente ao segundo turno da eleição presidencial, realizou-se o referendo para que os 470.560 eleitores inscritos à  época manifestassem sua opinião. O resultado mostrou que 39,2% dos eleitores votaram pelo retorno ao fuso horário antigo e 29,7% votaram pela manutenção do fuso horário vigente. Houve 28,6% de abstenções, 2,2% de votos nulos e 0,3% de votos em branco. Portanto, com a apuração dos votos válidos, prevaleceu a defesa do retorno ao fuso horário antigo, com 56,87% dos votos, ao passo que 43,13% dos acreanos optaram pela manutenção do horário.

Para que o resultado do referendo produzisse efeitos seria necessária uma nova lei. O Projeto de Lei do Senado (PLS) nº  91, de 2011, levado à sanção presidencial no mesmo ano, previa o retorno dos fusos horários dos Estados do Acre, do Amazonas e do Pará à situação vigente antes da edição da Lei nº  11.662, de 2008.

A Senhora Presidenta da República, entretanto, vetou integralmente a proposição sob o argumento de que o Projeto extrapolava o resultado da consulta realizada e trazia inconvenientes para outras unidades da Federação. Ato contínuo, encaminhou ao Congresso Nacional, pela Mensagem nº 595, de 21 de dezembro de 2011, o presente projeto de lei, promovendo o retorno apenas da hora legal dos Estados do Acre e do Amazonas e mantendo a alteração feita pela Lei nº 11.662, de 2008, para o Estado do Pará.

Na Câmara dos Deputados, a matéria foi aprovada sem emendas e remetida a esta Casa em 24 de junho de 2013, na forma do PLC nº 43, de 2013, que ora analisamos. A proposição foi despachada inicialmente para esta Comissão e seguirá para a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, antes da manifestação definitiva do Plenário desta Casa. Não foram oferecidas emendas nesta Comissão.

II – ANÁLISE

Compete a esta Comissão opinar, entre outros temas, sobre aspecto econômico e financeiro de qualquer matéria que lhe seja submetida.

A mudança de fuso horário no Estado do Acre, promovida pela Lei nº 11.662, de 2008, teve como uma das principais motivações os prejuízos econômicos decorrentes da diferença entre a hora legal vigente naquele Estado e a Hora Oficial de Brasília. Durante a vigência dos quatro meses do horário de verão, esta diferença chegava a três horas.

É inegável que a redução da diferença do fuso horário trouxe os benefícios econômicos desejados na justificação da citada Lei. De fato, a vigência do novo horário oficial do Acre tem propiciado uma maior integração com o sistema financeiro do resto do País. Com a globalização, o acesso à rede mundial de computadores e às novas tecnologias de informação foi facilitado. A atual grade horária de nossa programação televisiva enfim responde aos anseios da sociedade, e o transporte aéreo está em sintonia com os outros Estados, resultando numa maior participação da população acreana na vida econômica, política e cultural dos centros mais desenvolvidos.

Não custa lembrar que os transtornos ocasionados pelo retorno do fuso horário anterior serão significativos. Nova adaptação ao expediente funcional e comercial, bem como ao horário escolar será  necessária. Mais uma alteração na rotina da vida da população acreana, após cinco anos de vigência da lei atual, certamente terá impacto considerável.

Entretanto, houve uma consulta à população nas eleições de 2010 e a maioria dos votantes optou pela volta do antigo fuso horário.

Desta forma, ainda que o instrumento de consulta —  o referendo —, não tenha sido apropriado e que não tenha havido o devido esclarecimento à população sobre a sua forma de implementação, e, ainda que a questão do fuso horário do Acre tenha sido excessivamente politizada durante aquelas eleições, nunca esteve em questionamento a soberania do povo acreano e o seu direito à tomada de decisões. Por isso, o resultado deve ser respeitado, razão pela qual, defendo a aprovação do projeto que ora analisamos.

III – VOTO

Feitas todas as ressalvas, voto pela aprovação do Projeto de Lei da Câmara nº 43, de 2013.

5 comentários:

Jhonny Ryan disse...

Pra colocar foi num estalar de dedos, mas pra voltar fica essa de projeto segue pra um lado e outro ah vá...

Beneditino disse...


Eleição chegando, popularidade em baixa, água no pescoço .... agora vale tudo! Dois anos e meio para ratificar uma decisão soberana da população. Vamos ver quantos pais tem essa criança nas próximas eleições!

Mari@d@acre disse...

Rendeu-se...mas a péssima atuação, frases desmedidas, e o desrespeito ao referendo SERÃO lembrados em outubro!

luis pereira disse...

no acre, kkkkkkkkkk
será pt de novo
vão prometer a ponte sobre o rio mad4eira,ruas ladrilhadas com brilhantes,60 mil empregos,saúde de primeiro mundo, usinas de álcool,polo industrial,o melhor lugar pra se viver.

Aryane disse...

Aí vai um comentário apartidário sobre o horário... Apartidário porque a Oposição foi irresponsável e a Situação foi covarde!

Desprezo a oposição por se mostrar irresponsável e encabeçar uma campanha contra o novo horário que foi injustamente demonizado! Mudança sempre traz resistência... é da natureza humana! Naturalmente a idéia de um PT despótico e arbitrário foi facilmente comprada pela população sem o enfrentamento de questões como integração econômica com o restante do país e os benefícios econômicos que daí advém. Ficou como se tudo se resumisse a acordar claro ou escuro!!! A oposição tem que crescer! Aprender que tem que ser responsável e que o objetivo-fim é o bem-estar da população e crescimento do Estado e não o poder a qualquer custo...!!! (recentemente o "senhor X" justificou que dizia que as obras da BR 364 eram superfaturadas porque na época ele era de oposição e esse era seu papel... ... mas que na verdade elas não eram superfaturadas, não... ORA!Se for verdade, foi um irresponsável, se for mentira, é um mentiroso...)

A Situação (PT e Cia.), por sua vez, vendo a realização do referendo no segundo turno para Governo do Estado resolveu se acovardar e não se envolver... Preferiram calar a defender seus próprios atos... com medo de perder votos... covardes!!!

Agora que o referendo foi realizado e deu no que deu, que venha o atraso! (suspiro)