sexta-feira, 9 de agosto de 2013

"Ir para o Acre" ainda é sinônimo de morrer


Ao pesquisar para entrevistar o professor Francisco Bento, autor do livro "Acre, a Sibéria Tropical", encontrei na web registro de um protesto do então senador Nabor Júnior (PMDB-AC), de agosto de 1997. Faz 16 anos, mas o dicionário Aurélio não mudou um dos sinônimos do verbete morrer:

Nabor: verbete de dicionário desrespeita o Estado do Acre

O senador Nabor Júnior (PMDB-AC) criticou hoje (dia 18) a inclusão da expressão ir para o Acre entre os sinônimos do verbete morrer, na 2ª edição do dicionário Aurélio. Ele afirmou que está interpelando judicialmente a Editora Nova Fronteira, responsável pela publicação do dicionário, para cobrar uma explicação sobre as origens e condições em que foi colhido o conceito.

Nabor Júnior lembrou que para um conceito ser reconhecido e citado em um dicionário como o Aurélio, o verbete deve passar antes por avaliação criteriosa de importância e veracidade. Ele disse que deixar de fazê-lo em um caso é a abertura para outras leviandades, "escancarando as páginas para delírios e retaliações desprovidas de dignidade ou base científica". O senador considerou a inclusão do significado uma agressão ao Acre e disse que esse estado "não pode ficar exposto à chacota gratuita e maldosa".

- O que terá mudado, entre a primeira e a segunda edição do festejado dicionário, para que o Acre passasse a ser considerado o cemitério alegórico dos brasileiros? Onde os renovadores do legado de Aurélio Buarque de Holanda foram descobrir, inventar ou falsear essa definição, de tão mau gosto e de legitimidade duvidosa? - indagou. Para Nabor Júnior, essa questão, embora possa parecer de pouca importância, refere-se, na verdade, "à dignidade e à preservação da imagem do estado do Acre".

3 comentários:

Eduardo Carneiro & Egina Carli disse...

Onde está o Nabor Junior? Este é o mal da aposentadoria para ex-governador... nem tem dignidade de gastar o dinheiro que recebe no estado que o acolheu!

Evasão de divisa!!!

Pega a lista dos ex-governadores e familiares... quantos estão no Acre?

Acre é terra para ganhar dinheiro e sair fora... quando não se há mais nada para sugar ... kkk...

clelio rabelo disse...

Altino,

É importante destacar que fui eu quem levantou esta lebre à época, em matéria veiculada na TV-5, que pertencia ao Roberto Vaz. O próprio me entrevistou em seu programa, no qual expliquei as razões de o verbete ter este significado. Embora os acreanos não gostem, existem sim razões para explicar o significado. O marqueteiro Gilberto Braga, algum tempo depois, publicou um livro se valendo da expressão, cujo significado desencadeou polêmica duradoura no período. Contudo, pela simples indignação, não creio que consigam excluir o significado da expressão "morrer", neste contexto, conquanto existem razões históricas e culturais para explicá-la.

xxx disse...

Altino, fiquei por demais curiosa em saber quais as - "razões históricas e culturais para explicá-la". Quando puder dê uma palhinha pra gente. Sempre entendi que se dava pelo fato do Acre ser pouco conhecido na época. Lembro que quando cheguei em Goiânia em 1967 sofri bulling. Aquela velha e manjada pergunta - "Nossa! no Acre tem gente, achei que só tinha índio e onças". Juro que não conheço outros motivos para não ter sido atualizado. Uma horinha quero saber, ok? Abraço. Olivia