sábado, 20 de abril de 2013

COISAS DA VELHA UFAC

Entre tantas outras, duas meras coincidências no concurso para professores da Universidade Federal do Acre.

Um dos membros da banca avaliadora para a área de "História da Filosofia Antiga/História da Filosofia Medieval"  é o frei, professor e doutor Carlos Paula de Moraes.

O candidato à única vaga, com a inscrição 1898, é o padre José Domingos Silva Ferreira.

Ambos residem numa mesma casa da igreja católica.

Também chama atenção que o antropólogo Jacó Cesar Piccoli participe de duas bancas de avaliação, para as quais ele não tem qualificação: psicologia e comunicação social.

Como Piccoli pode integrar bancas de avaliação de áreas que não são a dele?

Maracutaias na velha Ufac remontam aos tempos daquele jabuti de 8 milhões de anos que foi apresentado durante a semana.

Atualização às 9h28

Consultada, a professora Socorro Neri, pró-reitora de graduação da Universidade Federal do Acre (Ufac), respondeu a respeito das falhas que expus sobre o concurso para professores da instituição.

Veja a resposta:

"Altino, amigo, bom dia!

A resolução do Conselho Universitário (Consu) que disciplina o concurso, estabelece que os membros das bancas tem que ser da área específica do concurso ou de área afim, e proíbe que participem do certame se tiverem parentesco até 3º grau ou relação de amizade ou inimizade com candidato.

Essas duas condicionalidades constituíram motivo de impugnação dos membros das bancas pelos candidatos, em prazo aberto para isso.

Infelizmente, apenas três candidatos interpuseram recursos, sendo que dois deles foram deferidos e a composição das bancas modificadas. Um desses recursos deferidos tratava de relação de amizade, com situação semelhante à que você descreve. O outro recurso deferido dizia respeito a não inserção dos membros na área do concurso.

A nossa resolução, entretanto, ao respeitar o Regimento Geral da Universidade Federal do Acre, reproduz algo que tem se mostrado danoso à lisura dos certames, que é estabelecer que a competência para a indicação das bancas é das Assembleias de Centro.

Isso tem se mostrado danoso em razão da falta de cuidado na indicação de algumas bancas, como nas que você menciona e em outras, e pelo fato da decisão do Centro ser considerada, no âmbito da Ufac, como soberana e sem previsibilidade de revisão.

Esse aspecto - o da constituição das bancas - me parece vital e fonte de todas as críticas que estamos enfrentando. E, por isso, no que depender do meu empenho, será submetido à discussão do Consu.

Há, por parte de alguns setores da Ufac, uma visão equivocada de autonomia. E isso, aliado a interesses nada institucionais, tem levado à reprodução de práticas que maculam a imagem da Ufac e, assim, tornam ainda mais frágil a defesa da autonomia universitária.

Estou à disposição, amigo. Um abraço."

Atualização às 11h13 - PARA QUE FIQUE CLARO

- Eu não afirmei que falta lisura no concurso que, como pró-reitora de graduação, estou coordenando. Não tenho esse entendimento. O que afirmei é que todas as críticas que temos recebido dizem respeito a problemas na constituição de algumas bancas examinadoras, e que tais críticas expõem um problema sobre o qual, no meu ponto de vista, nosso Conselho Universitário precisa discutir. Num universo de 60 bancas e mais de 200 professores envolvidos, as críticas são pontuais e não podem colocar sob suspeição todo o esforço dispendido. Ademais, volto a lembrar que a composição das bancas foi publicada no dia 5 de abril e os candidatos tiveram até o dia 9 de abril para interpor recurso. Apenas três o fizeram - acrescenta a professora Socorro Neri.

2 comentários:

Tom Alencar disse...

Prezado Altino,

Sou servidor da UFAC, não irei me identificar para evitar problemas internos para meus trabalhos por lá. Fica a seu critério avaliá-lo e publicá-lo ou não. Mas discordo da Pró-reitora. Vejamos uma situação mais duvidosa. Nessa fase escrita, existiriam três avaliadores. Hipoteticamente, dentro das áreas de especializações as quais os candidatos estão concorrendo. Porém, se observarmos as notas da prova escrita da maioria das áreas, percebe-se que as notas de quase todos os avaliadores são similares. Ou seja, os três professores (especialistas) que avaliaram os candidatos em muitas das áreas deram a mesma nota. Como é possível, numa prova subjetiva, sujeita a diversas interpretações de quem avalia, terem os pensamentos dos candidatos a mesma nota? Para mim é muito duvidoso isso, pois pode indicar duas possibilidades. A primeira, os avaliadores tiveram uma mesma avaliação e percepção do pensamento escrito dos candidatos. Acho isso pouco provável pois ninguém (com seriedade) teria a mesma avaliação de algo subjetivo. Segunda possibilidade (mais grave) um único avaliador deu a nota e informou serem as mesmas iguais para todos os avaliadores. Além disso, sei de assessores do governo participando, mas isso e outra história que fica complicado justificar o benefiamento desse(s) candidatos em lei, pois têm toda liberdade de participar. Mas somente a lista final de aprovados poderá dizer se foram ou nao beneficados.

Abracos, continue firme que seu trabalho e muito importante nessa terra sem espaço para as críticas e onde poucos podem e onde muitos nada lhes são permitidos.

altvR disse...

"... estabelece que os membros das bancas TEM que ser da área específica do concurso ou de área afim..." (Destaquei)

Altino, com todo o respeito àquela senhora, a excelentíssima pró-reitora, mas é que não "cai" bem a ela tal situação em 'destaque'.

Saúde e bom trabalho, mermão!