segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MENSAGEM DAS URNAS NO ACRE

O PT, no Acre, controla a mídia, a prefeitura de Rio Branco, o governo estadual e conta com apoio irrestrito do governo federal. Apesar disso, o partido, que tem como principal cabo eleitoral o governador, não consegue varrer do mapa uma oposição desorganizada, fracionada, sem dinheiro, e, como dizem os petistas, sem projeto.

Dos 22 municípios, a coligação Frente Popular do Acre (FPA), liderada pelo PT, que almejava eleger no mínimo 16 prefeitos, elegeu neste domingo (7) apenas nove, nas menores cidades. A oposição elegeu prefeitos em 13 cidades.

A FPA perdeu em Cruzeiro do Sul, que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado, além de quatro cidades (Brasileia, Xapuri, Assis Brasil, Epitaciolândia) do Vale do Acre, com a agravante de que concorria à reeleição em duas delas. Perdeu até em Rodrigues Alves, a minúscula cidade anunciada como a primeira com ruas 100% asfaltadas.

Em Rio Branco, o candidato Marcus Alexandre (PT) vai disputar o segundo turno eleitoral com Tião Bocalom (PSDB), o "Davi" que veio de Acrelândia para atormentar a força política dos irmãos Jorge e Tião Viana.

Para equilibrar a força de votos no Estado, o PT sabe que é necessário tentar derrotar o tucano a qualquer preço. Do contrário, há quem diga que o projeto de reeleição do governador Tião Viana estaria comprometido. Isso pode ser relativo.

Contar com uma oposição ocupada com uma prefeitura sem muita condição de trabalhar, dispor de alguém para culpar por não ter cumprido promessas eleitoreiras, também é um forte cabo eleitoral.


Para o cientista político Nilson Euclides, professor da Universidade Federal do Acre, uma vitória pode esconder situações graves em política.

- Às vezes, uma derrota pode dar ao derrotado uma saída ou alguma perspectiva dentro de um quadro de disputa tão acirrada quanto a que estamos experimentando em Rio Branco - afirma o professor.


A vitória do "poste" Marcus Alexandre é uma vitória da máquina governamental e do marketing - falar do novo é captar o desejo de mudança da população, é quase fingir que é oposição ao próprio governo para ganhar os votos de protesto e dos insatisfeitos.

Porém, por trás da vitória do marketing estão ocultos problemas ou fisssuras da FPA.

Nilson Euclides avalia que, no decorrer dos próximos dois anos, uma eventual vitória do PT em Rio Branco, no dia 28 de outubro, pode comprometer o projeto de reeleição do governador.

- Uma vitória de Marcos Alexandre não vai apagar os graves problemas de democracia interna, de falta de diálogo que o governo atual tem demonstrado em relação a setores importantes da sociedade acreana. O programa Ruas do Povo pode ter sido suficiente para levar o Marcus Alexandre ao segundo turno, mas, diante do resultado eleitoral pífio no interior do Estado, pode ser insuficiente para assegurar a reeleição de Tião Viana.

E a oposição desorganizada, fracionada, sem dinheiro e sem projeto?

- A derrota no primeiro turno pode significar um aprendizado, exigir organização e engajamento. Também pode ser pedagógica para que entenda que não cabe mais aventuras de candidatos diante da hegemonia política da Frente Popular, que, apesar de tudo, ainda existe. A oposição precisa aprender a caminhar coesa e articulada, a ampliar o diálogo com setores mais populares e com formadores de opinião - assinala Nilson Euclides.

Fora do Acre, o desempenho do PT na capital chegou a ser  interpretado por analistas como surpreendente, em virtude da força política que a família Viana mantinha até então.

9 comentários:

Conci Melo disse...

Eu estou de alma lavada, EU FAÇO PARTE DO POVO QUE TEM UMA SEDE DE DESERTO PARA ARRANCAR, DEMOCRATICAMENTE O PT DO PODER.
Conci Melo.

Conci Melo disse...

Eu tÔ de alma lavada, faço parte do POVO QUE TEM SEDE DE DESERTO PARA ARRANCAR, DEMOCRATICAMENTE, O PT DO PODER! CANSAMOS! CHEGA GENTE!

Roberto Feres disse...

Não sei quem inventou que o jogo político se dá entre "situação" e "oposição". O maniqueismo das coligações e frentes sabota a verdadeira essência dos partidos que precisam se expor nos períodos eleitorais e oferecer programas e candidatos próprios.

Fátima Almeida disse...

A oposição precisaria de identidade para lhe dar coesão. A FPA também não tem uma identidade mas, controla as duas máquinas governamentais mais possantes do Acre, governo e prefeitura da capital. Fato esse que tornou essas eleições numa covardia, muito injustas, afinal quantos milhares de empregos (cargos comissionados e temporários) o PT distribui em ambas as máquinas que controla? Quantos fornecedores, qtas empresas que gravitam em sua volta? O engenheiro de rodovias, homem sem sal, que impôs para ser nosso prefeito parece ter sido indicação das grandes empreiteiras de fora do Acre, já que ele não tem experiência política, ninguém nem sabe direito quem ele é, enquanto que o Bocalon cada vez mais figura como herói popular, uma espécie de Spartacus por desafiar o poderoso Jorge Otávio Augusto Vianna. Estou sendo injusta com Augusto que detinha uma cultura refinada, amava e financiava os poetas Virgílio, Horácio e Ovídio, o historiador Tito Lívio, o arquiteto Vitrúvio e tantos outros.Bom, eu não quero mal nenhum ao Jorge Vianna, desejo-lhe saúde e paz, só que a História é meu fio de Ariadne, minha guia mestre e eu lhe sou fiel.

eliomar m. disse...

Essa vitoria no 1º turno das eleições 2012, é mais que uma derrota da frente popular e dos imperadores do acre. Os Vianas. E como bem colocou a senhora Fatima Almeida, éra uma luta de davi contra um golias cheio de cargos comissionados para todos os lados e um projeto de ruas do engana o povo. Mais o fortalecimento de parte da oposição só mostrou que o candidato Tião Bocalom, estava certo quando ele queria uma união que não veio nesse primeiro tempo. E só mais uma coisinha acho que o maior derrotado nessas eleições foi o senador Sérgio Petecão, que se igualou aos vianas querendo impor um candidato que não condiz com à cara da oposição.

Jose Antonio disse...

Penso que Marcus Alexandre vai tentar conseguí os votos dos que votaram em branco ou se abstiveram. Pois os votos restantes são todos da oposição, achar que quem voltou em Fernado Melo irá votar, agora, em Marcus Alexandre é algo que se deve refletir bastante. Não estava no Acre e não votei, más irei votar no segundo turno. O PT está numa encruzilhada querendo fazer acordos com o PMDB é mais provável que consiga com Antônia Lúcia.

joao disse...

Fátima, o augusto nervozim de nossas plagas adora financiar, com dinheiro público, os marcus - de engenheiros a historiadores (risos)

Albuquerque disse...

Deve-se acabar com esse discurso de que a oposição não tem projeto, isso é invenção da dos petista para desqualificar seus opositores. Todos que opuseram os atuais governantes foram tratados assim: "não sabe falar, menti muito, não tem projeto, não conhece os problemas do Acre, não é acreano etc..." Qual foi o projeto do Jorge, Binho e Tião? Nenhum. Há somente um discurso político pautado num continuísmo para "melhorar" ainda mais. Projeto político-econômico-social nunca houve.

Fátima Almeida disse...

É mesmo, João, mas querer comparar tal Marcus com Tito Lívio é um sacrilégio. Você esqueceu um certo Ovídio, Secretário de Floresta no governo de Augusto. Mas, aqui os Flávios e os Lúcios estão na oposição.