quinta-feira, 7 de junho de 2012

FALTA TRANSPARÊNCIA NO TCE DO ACRE


A ex-professora e ex-deputada petista Naluh Gouveia está entre os conselheiros do Tribunal de Contas do Acre que recebem os menores salários. O total do salário dela é de R$ 33.764,66, sendo o valor líquido mais de R$ 20 mil.

O contracheque foi publicado pela repórter Angélica Paiva no Facebook junto com o contracheque da conselheira Dulcinea Benício de Araújo, ex-advogada do PT, cujo salário bruto é de R$ 28.941,14. Ambas decidiram tornar público os valores baseadas na Lei de Acesso à Informação.

- Muito corajosa Naluh Maria Gouveia em deixar divulgar esse contracheque. Quebra alguns tabus de que o salário seria absurdo. Acho até injusto pela história de luta dela. Tem gente aí que nunca deu um prego numa barra de sabão ganhando quase isso ou mais - comentou a jornalista Lamlid Nobre, assessora do PT do Acre.

Mas o comentário do professor de ciências sociais Nilson Euclides da Silva, da Universidade Federal do Acre, desagradou a conselheira:

- Acho que a Naluh não lembra que um dia foi professora.

Consultada pelo blog, Naluh Gouveia fez um desabafo:

- É muito complicado tudo isso. Respeito os comentários, mas alguns doem, como aquele que eu já teria esquecido que fui professora. Ninguém fala dos votos. Eu eu era uma professora muito boa, exemplar. É um absurdo a relação salário mínimo com os nossos salários de conselheiros. Mas daí a colocar qualquer comentário sobre quando eu era professora é demais. Fui um exemplo de professora. Era a primeira que chegava e a última que saia. Implorava para fazermos greve. Quantas greves fizemos com 100 pessoas. Respeito todos os comentários, mas nada que questione minha postura como professora. Dói muito. Trabalhei muito com asma porque nunca gostei de faltar. No conjunto Tangará todo mundo sabe disso. Formada em letras, trabalhei nove anos nos bairros da baixada de Rio Branco. Ninguém queria ir para lá porque era o tempo dominado pelo traficante Marrosa. Por isso eu era a deputada mais votada na baixada. Na minha vida como professora, só coloquei um aluno, o Odair, para fora de aula uma vez. No outro dia, pedi desculpas a ele e à sua turma. Depois reencontrei o aluno na penal e passei a visitá-lo. Desculpa o desabafo. É que aceito tudo, pois não sou santinha e nunca fui. Tenho fraquezas e equívocos horríveis, mas mexer com minha vida de professora, não aceito. Nunca homem nenhum me ajudou a criar minhas filhas. E nenhuma delas trabalha no governo. Bobagem minha, Altino.

Bem, no Tribunal de Contas do Acre, existem conselheiros que ganham mais de R$ 60 mil. Um deles, aposentado, recebe mais de R$ 100 mil, além de ter mulher e filha com altos salários na corte. A sociedade espera que haja transparência naquela ilha de prosperidade e privilégios.

11 comentários:

Francisco Nazaré disse...

Não sou contra um conselheiro ganhar trinta mil reais, desde que ele seja concursado e seja um especialista na área. Agora cem mil reais para uns parasitas serem coniventes com as irregularidades que existem, e todos sabem que existem, é que é de lascar. Precisamos acabar com esse negócio de Conselheiro ser nomeado por quem ele vai ter que investigar depois. Por isso, nosso país tá virando um paraíso de corruptos e bandidos! precisamos acabar com a impunidade e com as distorções existentes na máquina pública!

Enzo Mercurio disse...

Não conheço esta senhora , mais pelo pouco que ela disse , me parece que recebe esse valor por merito.
Agora eu tenho uma curiosidade .O que é preciso para ser do CONSELHO ?

joao disse...

Eu amo a educação. Foi por ela que abdiquei da sua defesa como político. Eu amo a educação. Foi por ela que eu deixei de ser profesora. Eu amo a educação. Foi por ela que me tornei conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Eu amo a educação. Foi por ela que resolvi me graduar em Direito. Eu amo a educação. Foi por ela que o que mais adoro fazer na vida é pescar. Eu amo a educação, mas acima dela primeira eu. Afinal posso ser ingênuo, burro jamais.

Altemar disse...

Pão com manteiga de pobre é lasca, cai sempre pra baixo.
Nalu vai, enfrente. Tu é tú mulher!
E continue aconselhando esses meninos, afinal a mudança também é prima irmã do tempo... E faz nossos relógios caminharem lentos ... Ihs bebi de mais...
Boa noite

Lucas_Eu, disse...

Absurdos menores não são anulados por absurdos maiores, ambos são absurdos.
Após marchar inflamada pelos direitos dos trabalhadores, se coloca num dos mais altos patamares da pirâmide da desigualdade. Pelo visto não só esqueceu que era professora: esquece todos os dias pelas causas as quais militava.

Lucas_Eu, disse...

Absurdos menores não são anulados por absurdos maiores, ambos são absurdos.
Após militar inflamadamente pelos 'trabalhadores' a ex-professora vai de um oposto ao outro se colocando num dos lugares mais altos da pirâmide social, vivendo de forma pomposa e sendo sustentada por aqueles aos quais defendia. Pelo visto a conselheira não esqueceu somente que era professora: esqueceu-se que era trabalhadora e esquece-se todos os dias das causas pelas quais militava.

Edmir Gadelha disse...

Lembra dos marajás da ALEAC? Meu pai é um deles. Ousavam ganhar QUASE UM TERÇO disso, foram esculachados pela opinião pública e tiveram seus proventos reduzidos. Falando pelo meu pai, o salário base dele foi reduzido na época, de 6.000 para 700 reais no maior ôba ôba político desse estado, inspirados certamente no grande ESTADISTA Fernando Collor, o caçador de marajás.

Advogado com 35 anos de serviço, certamente organizando gestões de muitos deputados despreparados que passaram pela mesa diretora da ALEAC não é menos nobre ou trabalhosa que qualquer outra função.

Os Ex-marajás, que agora sabe-se foram substituidos por outros, entraram na justiça, ganharam em todas as instâncias e ainda assim não estão recebendo o salário correto, numa prova de que:"se for do meu time, tudo. Se não...FODA-SE".

E digo mais: Ou o TCE trabalha pouco, ou a corrupção no Acre é quase inexistente.

Ser ou Não Ser... disse...

Enzo, parece que para ser conselheiro é preciso: 1- ser brasileiro com mais de 35 anos e menos de 75anos:
2- ter notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública;
3- É preciso ter pelo menos 10 anos no exercício das funções que exijam os conhecimentos pedidos. Com essa característica, somadas as áreas de economia, contabilidade, administração e advocacia;
4- Ter idoneidade moral e reputação ilibada.
Dependendo de cada Constituição Estadual, algumas vagas podem ser abertas a qualquer cidadão: uma de livre escolha e nomeação do governador do Estado e quatro que passam pelo crivo do Legislativo. As outras duas (de indicação do Executivo) são divididas entre um auditor e um integrante do Ministério Público de Contas. No geral é assim.

Eduardo disse...

Idos dos anos 80, cursava eu Direito na UFAC e um dos professores (não lembro se Jorge Araken ou Jader Barros Eiras) nos revelou, em sala de aulas, a seguinte história:
Às vésperas do Território do Acre ser elevado à categoria de estado, fazia-se necessário organizar (como sempre no Brasil: de última hora) o colégio de desembargadores para compor a cabeça do Poder Judiciário acreano. No Rio de Janeiro que ainda tinha ares de capital federal, vez que Brasília ainda não funcionava direito, vários advogados foram contatados para tal missão, que consistia em vir para o Acre exercer a magistratura em 1ª e 2ª Instância.
Definidos os escolhidos, foram eles fazer um “treinamento” rápido e sucinto sobre assuntos que não interessa neste momento discorrer.
Um dos professores alertou aos futuros juízes e desembargadores (Paulo Ithamar Teixeira, Mário Strano, Lourenço Portugal e outros) que deveriam “colocar o pé na parede” e procurar evitar, ao máximo, a criação do tribunal de contas estadual.
Indagado por um dos “alunos” o porquê, respondera o professor, rápido e rasteiro:
- Porque TCE é cabide de emprego para político fracassado!
A instrução foi seguida à risca pelos magistrados, tanto que o tal “cabide” (que convenhamos, não serve para absolutamente nada concreto) só veio a ser criado 30 anos depois, pelo governador Edmundo Pinto em sua gestão, que quis Deus que fosse breve para não trazer mais malefícios a um estado já lascado por natureza...

P.S.: Concordo com o que "João" disse; concordo, em parte, com o que meu amigo Edmirzinho disse (em parte porque a corrupção é galopante e o órgão é um elefante branco)

Albuquerque disse...

Tribunal "faz de contas" viva a ex-professora Nalu, silenciada pela poder dominante a que tanto criticava. Deprimente!

Carlos disse...

É super fácil criticar a Nalu, mas ninguém olha para si mesmo e pergunta: o que eu faria no lugar dela? A resposta sincera é com certeza "aceitaria o cargo de conselheiro", por todas as vantagens que ele oferece. Nessa nossa sociedade suja e hipócrita de corrupção enraizada, da coisa pública ser "meu", onde ser honesto é ser otário, vamos deixar de julgar, que é muito fácil, e vamos agir que é bem melhor!