terça-feira, 15 de maio de 2012

HAITIANOS

"Coiotes" conduzem mais imigrantes até a fronteira Brasil-Peru

Conduzido por agentes de rede de tráfico de pessoas, mais conhecidos como coiotes, um novo grupo de 60 imigrantes haitianos se formou nas últimas duas semanas na peruana Iñapari, na fronteira com Assis Brasil (AC), de acordo com relatos de ativistas de direitos humanos da região.

Outro grupo, de 56 haitianos, conseguiu furar uma barreira mantida pela Polícia Federal em Assis Brasil e ingressou em território brasileiro. Os haitianos foram identificados e notificados pela PF a deixar o País.

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- Esses imigrantes são haitianos que viviam em Cuba, Panamá, República Dominicana, Colômbia, e Equador. É diferente do primeiro grupo, cuja entrada foi autorizada porque de fato partiu do Haiti com destino ao Brasil. Apesar de irregulares, estamos dando assistência humanitária integral, o que inclui alimentação e hospedagem – disse o secretário estadual Nilson Mourão, de Justiça e Direitos Humanos.

Segundo o secretário, mais de dois mil haitianos que conseguiram trabalho no Brasil no último ano começaram a fazer remesssa de dinheiro para seus familiares no Haiti.

- Quem conseguiu se estabelecer com trabalho está avisando aos parentes espalhados por vários países que a situação aqui é muito boa. Agora cabe ao Ministério da Justiça decidir o que fazer com os 56 haitianos que estão no município de Brasiléia – acrescentou Nilson Mourão.

Segundo relato do padre René Salízar, principal ativista de direitos humanos em Iñapari, existe uma "máfia" que está operando na fronteira de Águas Verdes (Peru) com Guaquillas (Equador).

- Os haitianos me disseram que estão pagando entre US$ 200 e US$ 250 pelo carimbo de imigração para entrar no Peru. No Equador atua um haitiano e do lado do Peru um peruano. Os haitianos não comparecem fisicamente ao escritório de imigração. Pedem os passaportes e os entregam já carimbado – afirma Salízar.

Segundo o pároco de Iñapari,  o curioso é que todos os passaportes trazem no carimbo a data de 12 de janeiro, com permissão para 180 dias. O dia 12 de janeiro foi quando o governo brasileiro decidiu pela emissão limitada de vistos de trabalho para haitianos e determinou reforço policial para impedi-los os haitianos de ingressarem a partir das fronteiras com a Bolívia, Colômbia e Peru.

- Estão dizendo que o ingresso no Brasil está liberado. Talvez, de maneira organizada, podemos fazer algo para que não continue chegando mais haitianos com esperança de ingressar no Brasil. Penso que devemos convocar uma reunião de direitos humanos. Eu não conto nem com um centavo para organizar o encontro. Talvez poderiam organizar do lado brasileiro – sugere René Salízar aos seus parceiros no Brasil.

O padre é uma das únicas pessoas que ainda se mantém preocupada com a situação dos haitianos em território peruano. Ele disse que os imigrantes haitianos já começam a passar fome. Sem dinheiro para pagar hotel, estão abrigados na igreja católica de Iñapari, que sequer dispõe de banheiros adequados e colchões suficientes.

- Na minha avaliação, a situação é muito preocupante porque está evidente que existem coiotes atuando na fronteira do Equador com o Peru, cobrando caro e mentindo para os haitianos quando dizem que a entrada no Brasil está liberada – disse por telefone ao Blog da Amazônia o pesquisador Foster Brown, da Universidade Federal do Acre, que está em Ibéria, no Peru.

2 comentários:

Fátima Almeida disse...

Haiti
Caetano Veloso
Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Caroline Albuquerque disse...

Ainda bem que o as autoridades brasileiras reconhcem que os haitianos não precisam apenas de alimentação e hospedagem, isso é o mínimo. Mas, essas mesmas autoridades poderiam alertar os haitinaos dos inúmeros problemas sociais que enfretamos no Brasil.