terça-feira, 17 de maio de 2011

AMAZONSUCHUS HEXAODONTOSINSIZIALIS

Fóssil de jacaré encontrado no Acre é novo gênero e espécie para a ciência


Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) localizaram uma mandíbula fragmentada de jacaré, aparentemente sem nenhuma importância científica, que se constitui em material inédito e deverá ser atribuída a um novo gênero e nova espécie para a ciência.

A sínfise mandibular (ponto de ligação entre os dois ramos mandibulares, na linha média do crânio) se estendia posteriormente até a altura do sexto dente mandibular.

O comum nos Alligatoridae (família que reúne os jacarés, aligatores e caimans) é que o limite chegue até a altura do quarto dente, no máximo, o que é considerado um padrão quase de diagnóstico do grupo.

- Em Purussaurus, o nosso mais famoso jacaré, é assim. Batizamos a nova descoberta de Amazonsuchus hexaodontosinsizialis, que significa jacaré da Amazônia com seis seis dentes de sínfise - afirma Jonas Filho, do Laboratório de Pesquisas Paleontológicas da Universidade Federal do Acre.

A condição de uma sínfise mandibular estendida até a altura do sexto dente, concluem os pesquisadores, é condição singular do novo material e que permitirá distingui-lo de qualquer outra espécie, fóssil ou atual, até então conhecida.

Segundo o paleontólogo Jonas Filho, o registro de um novo jacaré na Bacia do Acre reforça a discussão de que durante o período Mioceno (8 milhões de anos), em toda a região da Amazônia Ocidental predominava grandes e profundos lagos, abastecidos por um diversificado sistema de rios meandrantes e megaleques associados, originários dos Andes peruano.

A divulgação do novo gênero e espécie está em fase de conclusão para ser encaminhada para publicação em uma revista especializada.
A peça foi encontrada por Jonas Filho ao revisar materiais fósseis coletados em pesquisas realizadas no final da década de 1990, armazenados no Laboratório de Pesquisas Paleontológicas.

O material encontrava-se acondicionado em uma velha caixa de papelão, empoeirado pelo tempo, sem exame detalhado, misturado a outros que até então não ofereciam informações consideradas relevantes para os estudos paleontológicos.

A partir da observação do aparente pequeno detalhe, o peleontólogo Jonas Filho passou a dialogar com o seu colega da UFAC, Edson Guilherme, traçando algumas teses a propósito do “esquecido” material fóssil.

Posteriormente, Jonas Filho encaminhou uma mensagem de texto ao seu colaborador de pesquisas, Daniel Fostier, da Universidade Federal de Minas Gerais, contando da novidade e convidando-o para participar dos estudos conclusivos do novo material.

A partir de um minucioso estudo, os pesquisadores concluíram que a peça trata-se de material inédito e deverá ser atribuída a um novo gênero e nova espécie para a ciência.

5 comentários:

@eutogorda disse...

Coisas desse tipo merecem valorização, esses pesquisadores estão na luta mesmo com as péssimas condições que a universidade oferece no ramo de pesquisa, definitivamente parabéns por não desistirem!

Vingador disse...

Bem,
Acredito que esse fóssil fui eu e um amigo que entregamos na UFAC há algum tempo atrás.
Onde nós o encontramos havia outro, o professor a quem entregamso falou que era muito comum e que não era importante.

Janu disse...

E assim caminha nossa Ciência: sempre no susto.

Vingador disse...

Bem,
Nós encontramos esse fóssil quando estávamos pescando, um amigo escorregou no barranco e cortou o pé no que seria uma pedra, pegou e quando ia jogá-la no igarapé eu falei que era um fóssil, no entanto ele não acreditou e jogou.
Então resolvi cavar onde ele tirou a "pedra" e encontrei essa mandíbula, ela era maior só que quebrou, como o barro no lugar de onde eu o retirei era duro e só tinha um terçado para cavar, desisti de cavar e resolvi levar o achado pra UFAC, se fosse importante voltaria e cavaria o restante, como fui informado que era comum, (apenas um jacaré de trinta mil anos na palavra do professor a quem eu entreguei), nunca mais voltei para cavar o restante.
O impressionante é que foi em um igarapé quase dentro da cidade.
Se o professor Jonas tiver interesse em saber onde nós encontramos esse fóssil, e tentar encontrar o restante pode entrar em contato pelo e-mail: acrianovingador@hotmail.com, que eu o levarei até lá.

Enzo Mercurio disse...

Se tem fossil pode ter petroleo to certo ?
Ou será que o governo ja sabe do potencial de petroleo no Acre.